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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Deveres dos Enfermeiros em 1935. Ditadura do Estado Novo. Um Documento. «Os deveres dos enfermeiros, de acordo com um documento de 12 de Fevereiro de 1935, do antigo Hospital de Alpalhão. Da mesma Ordem de Serviço, os deveres das enfermeiras e os direitos dos enfermos»

Cortesia de wikipedia

Um documento curioso. Comportamento ou Rigor…
Agradecimento ao amigo JR

«O documento, ou Ordem de Serviço, pode ser apreciado no antigo Hospital de Alpalhão, no Largo do Terreiro, actual Museu de Arte Sacra. É um documento datado de 12 de Fevereiro de 1935, para ser cumprido, e que define as funções do Enfermeiro. Atentem nelas:
"O Enfermeiro tem a seu cargo o tratamento dos doentes do sexo masculino, responde por todos os actos e omissões que se derem na enfermaria onde eles estiverem recolhidos e cumpre-lhes:
  • 1º - Assistir às visitas do facultativo e dar imediato cumprimento ao que por ele for ordenado sobre o tratamento dos doentes;
  • 2º - Tratar os doentes com o devido carinho e zêlo e acudir prontamente ao seu chamamento prestando-lhes os serviços que eles reclamarem e necessitarem;
  • 3º - Ir buscar as refeições à cozinha a horas próprias e ministrar-lhes aos doentes, restituindo em seguida quaisquer sobras à cozinheira;
  • 4º - Compôr diariamente as camas aos doentes e fazer todo o serviço de limpeza da respectiva enfermaria, menos o da lavagem das casas e caiação das paredes que será custeado pela Misericórdia e oportunamente ordenado pela Mesa Administrativa;
  • 5º - Abrir e fechar as portas do Hospital;6º - Fazer lavar, oportunamente e concertar a roupa para uso dos doentes do hospital;
  • 7º - Dar imediatamente parte do óbito de qualquer doente a seu cargo;
  • 8º - Cumprir fielmente todas as ordens que em matéria de serviço, lhe sejam dadas pelos seus superiores.
Deveres das enfermeiras no Estado Novo
Acima publicámos “os deveres dos enfermeiros”, de acordo com um documento de 12 de Fevereiro de 1935,do antigo Hospital de Alpalhão. Da mesma Ordem de Serviço, reproduzimos, os "deveres das enfermeiras" e os "direitos dos enfermos".

Deveres das Enfermeiras
Além das obrigações do enfermeiro, compete-lhes fazer a cozinha para os doentes, às horas regulamentares e prescritas pelo facultativo.
  • 1º Conservar sempre no maior asseio possível a louça, vasilhame e utensílios da cozinha;
  • 2º Tem a seu cargo os doentes do sexo feminino e responde por todos os actos ou omissões que se derem na enfermaria onde estes estiverem recolhidos.
Direitos dos Enfermos
  • 1º Teem direito a que se deem medicamentos para eles e para os filhos que com eles vivam;
  • 2º A um quarto onde possam estabelecer à sua custa, uma cama;
  • 3º A utilizar-se da cozinha para prepararem os alimentos exclusivamente destinados para eles e sua família que com eles viva e nunca para pessoas estranhas ao Hospital, preferindo sempre o serviço de cozinha para os doentes;
  • 4º A que se lhe forneça a luz indispensável para iluminação do seu quarto de dormir.
In Alpalhão, em 12 de Fevereiro de 1935.


A amizade do JR.
O CM terá conhecimento deste texto… original?
JDACT

terça-feira, 12 de abril de 2011

As Forcas do Distrito de Portalegre. Parte VI: Alegrete e Alpalhão. «Existem referências de que ainda não haverá muitos anos se encontraria de pé e, no topo do pilar, estaria um ferro recurvado, onde seriam suspensos os condenados»

Cortesia de edicoescolibri

Alegrete.
«Em Alegrete, a forca situava-se no Outeiro da Forca, cabeço sobranceiro à vila e à estrada que liga esta povoação a Elvas e Portaregre. Para ser bem visível por quem passasse na estrada, não ocupava o ponto mais alto do cerro, mas sim uma suave quebrada virada a sul. No local, é visível uma base quadrangular, em alvenaria, com cerca de um metro de lado. Parece tratar-se do arranque do pilar da forca. Provavermente, seria uma forca de um só pilar, idêntica à que existia em Figueira e Barros, no concelho de Avis, e à de Monte da Pedra. Embora bem presente na memória popular de Alegrete, dela hoje já nada subsiste, para além do seu embasamento.


Cortesia de edicoescolibri
Existem referências de que ainda não haverá muitos anos se encontraria de pé e, no topo do pilar, estaria um ferro recurvado, onde seriam suspensos os condenados.
A forca de Alegrete possui as seguintes coordenadas UTM, obtidas por GPS: X-0645078; Y-4344442.

Cortesia de edicoescolibri

Alpalhão
Embora a forca de Alpalhão apareça representada por Duarte d'Armas, dela não conseguimos obter qualquer informação entre os mais idosos da povoação. Contudo, pela posição que nos é possível observar nas imagens dos inícios do século XVI, ela situar-se-ia no outeiro, hoje urbanizado,sobranceiro às escolas primárias de Alpalhão, no local anteriormente designado por Cemitério dos Burros. Este outeiro é bem visível do núcleo urbano antigo e encontra-se nas imediações da estrada que liga Alpalhão ao Crato.



Cortesia de edicoescolibri
Contudo, observando o terreno e sobretudo a cartografia, poder-se-á levantar a hipótese de se situar no topo do cerro denominado Outeiro da Vila, junto à estrada que liga Alpalhão a Portalegre. Pelo que se pode observar nos desenhos de Duarte d'Armas, a forca de Alpalhão seria de madeira. Dois postes paralelepipédicos suportariam no topo outro transversal de onde seriam suspensos os condenados.
Coordenadas UTM do provável local onde se situaria a forca de Alpalhão,obtidas por GPS: X-0619962; Y-4364320». In Jorge de Oliveira e Ana Cristina Tomás, As Forcas do distrito de Portalegre, edições Colibri, Novembreo de 2007, ISBN 978-972-772-767-4 (obra ofertada por JC e SB em Agosto de 2008).



Cortesia de edicoescolibri
A amizade de JC, SB e CM.

Cortesia de Edições Colibri/JDACT

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Francisco Sousa Lobo: A Fortaleza de Alpalhão. «Caminhando ao longo da Rua do Castelo, que nasce perto da Igreja Matriz, podemos localizar a entrada para o interior do quarteirão (espaço que, possivelmente, delimita a antiga fortificação). Esta faz-se pelo acesso que nos conduz à Torre do Relógio»

Cortesia de alpalhaoonline

Legenda:
Planta do Castelo de Alpalhão, Séc. XVI
Altura da Torre de Menagem: 12 varas;
Altura das Muralhas: 5 varas;
Altura dos Cubelos: 8 varas;
Largura das Muralhas: 1 vara e 1 pé.
(Elementos extraídos do «Livro das Fortalezas» de Duarte d'Armas)

Nota: A orientação geográfica que se indica é aproximada.


Cortesia de alpalhaoonline
«Sem vestígios evidentes confirmados no seio do povoado que o absorveu, e em contraste com a memória das imagens que Duarte d'Armas nos legou, o Castelo de Alpalhão (fortaleza) parece perdido na bruma do tempo. (...)
Os desenhos de 1509 de Duarte d'Armas são de uma força e beleza tal que nos encorajam a tentar identificar a antiga implantação e o traçado no terreno deste pequeno castelo de planície. Isso iria valorizar a antiga vila medieval e repor a identidade perdida. A definição rigorosa do sítio exige o estudo das paredes das casas antigas situadas em torno do local a investigar e sondagens nos seus quintais. Haverá, estamos certos, vestígios materiais dos muros do recinto no tecido da malha urbana da antiga vila (...). Numa época em que se começa a generalizar a importância da memória histórica dos aglomerados, é oportuno fazer um esforço para que Alpalhão tire partido dessa mais-valia. (...)
Onde se situaria?
Caminhando ao longo da Rua do Castelo, que nasce perto da Igreja Matriz, podemos localizar a entrada para o interior do quarteirão (espaço que, possivelmente, delimita a antiga fortificação). Esta faz-se pelo acesso que nos conduz à Torre do Relógio. Subindo ao alto da torre é visível em seu redor o espaço livre dos quintais das casas. É aqui que devemos procurar vestígios que nos ajudem a localizar o espaço correspondente ao terreiro interior do castelo medieval. Ao correr do olhar não há nada que chame em especial a atenção e possa ser identificado seguramente como elemento construtivo da fortificação. O embasamento sobrelevado da torre terá pertencido ao castelo (...).
Alpalhão, a par de Salvaterra do Extremo, são casos únicos de esquecimento e perda de memória do património construído. Não estamos certos que no séc. XIX fossem ainda visíveis as ruínas mas em 1758 o vigário afirmava que, à excepção de uma parede, o castelo medieval estava em razoáveis condições de conservação. Um texto de 1874, escrito por Pinho Leal, indica que (o castelo e os muros) estão completamente desmantelados. (...)
Os desenhos de 1509 representam um castelo de forma quadrada, guarnecido com uma torre de menagem de secção também quadrada. A ausência de ameias nos muros é tão regular que deve corresponder a uma intenção de beneficiar o sistema defensivo. A existência tão profusa de troneiras de uma forma que faz lembrar o Castelo de Vimioso é, aliás, um sinal de que havia uma preocupação de manter a fortificação em condições de se defender». In Francisco Sousa Lobo, Revista Arquitectura e Vida, Janeiro 2004.

Cortesia de alpalhaoonline

Torre do Relógio. Localiza-se no centro da vila, no local onde estaria edificado o Castelo de Alpalhão. É um edifício banal do começo do século XVIII, tem forma quadrangular, tendo um pequeno eirado com espaldares e corucheús. Conta com quatro olhais com arcos de volta redonda e cúpula cónica esquinada. Sobe-se por uma pequena escadaria assente sobre os restos da antiga torre do castelo. Conservação regular.

Cruzeiro. O cruzeiro situa-se à entrada da vila de Alpalhão para quem vem do Crato (perto do polidesportivo de Alpalhão) e é totalmente construído em granito azul da região. A sua construção data de 1940. Tem cerca de dois metros de altura e é constituído por uma base rectangular na qual se notam as seguintes inscrições: «8/9/1940 - 1640 - 1140, Comemoração do Centenário». É igualmente constituído por um corpo cilíndrico e no cimo tem esculpidas as armas portuguesas.

Pelourinho. De construção mais recente, meados do século XVI, é o Pelourinho do Calvário que se encontra próximo precisamente desta capela. Este monumento é constituído por uma coluna sextavada assente sobre três degraus. Sobrepuja-se uma cruz chanfrada, com a imagem de Cristo na face anterior e uma Pietá na face oposta. Este monumento deve ser de construção anterior à própria capela do Calvário. O Pelourinho foi polido no séc. XX podendo ver-se a data de 1924.


Cortesia de alpalhaoonline
«Erguido em 1300, no reinado de D. Dinis esta fortaleza tinha uma forma rectangular, quase quadrada, tendo no ângulo de sudoeste a Torre de Menagem, também rectangular, com doze varas de altura e três andares ou pavimentos. Em cada um dos restantes ângulos tinha um Cubelo de forma circular, abobadado, com a altura de oito varas. A espessura dos muros laterais era de uma vara e um pé, sendo a sua altura de cinco varas. A Torre de Menagem comunicava com os aposentos sobradados, destinados à residência do Alcaide. Nessa Torre, nos Cubelos e em volta dos muros havia um grande número de Troneiras ou Bombardeiros, que eram aberturas por onde, nas horas de luta, se disparavam os tiros de artilharia.
Em volta da fortaleza acumulava-se, a nascente, sul e poente, o casario da povoação. A norte, erguia-se a Igreja, de estilo românico no local onde está a actual Matriz. No reinado de D. João III o castelo apresentava «bom aspecto e bom aposentamento».
D. João IV mandou guarnecer a vila de muralhas que foram concluídas no reinado de D. Afonso VI, em 1660. Tanto o Castelo como as muralhas, foram destruídos em Junho de 1704 durante a Guerra da Sucessão, pelo exército Franco-Espanhol, comandado pelo Duque de Berwick e por Filipe V de Espanha, quando se dirigia de Castelo Branco para Portalegre». In Jerónimo M. Canatário, «AL PALH'AM - História e Património».



JDACT
Com a amizade de CM.
Cortesia da Associação dos Amigos dos Castelos/Alpalhão Online/JDACT

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Rosa Lobato Faria: «As preces, os segredos, as risadas no altar esplendoroso das ofertas. De novo beijo a beijo as madrugadas de novo seio a seio as descobertas»

(1932-2010)
Cresceu entre Lisboa e Alpalhão, no Alentejo
Cortesia de autorespaginaapagina

O tempo

O tempo tem aspectos misteriosos:
Um ano passa a toda a velocidade,
E um minuto, se estamos ansiosos
Parece, às vezes, uma eternidade.

Um dia ou é veloz ou pachorrento
-depende do que está a contecer-
O tempo de estudar, pode ser lento.
O tempo de brincar, passa a correr.

E aquela terrível arrelia
Que até te fez chorar, por ser tão má,
deixa passar o tempo. Por magia,
Quando olhamos para trás, já lá não está.
Rosa Lobato Faria

A Vida num Sonho
Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
Rosa Lobato Faria


JDACT