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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A Arte Manuelina na Arquitectura de Alvito. Impressões e Apontamentos. Luiz de Pina Manique. «… descreveu o castelo de Alvito como a mais notável de todas as construções do género, tanto pela grandeza e aspecto guerreiro do edifício, como pelo seu excelente estado de conservação…»


jdact e luizpinamanique

«Merece, porém, que se lhe consagrem uns momentos de atenção pelo cunho característico da sua arquitectura, embora sumária e muito sóbria, mas cuja forma decorativa reveste um aspecto especial nesta vila afastada e tão pequena. Carvalho Costa, na sua Corografia Portuguesa, limítou-se a dizer que tinha um castelo com seu palácio em que assistiam os condes e era povoação de dois mil vizinhos com nobreza. Passados anos, em 1747, informou o padre Cardoso que o castelo tinha cinco torres sobre as quais se estribava o palácio do barão-conde e que a torre a que chamão de Omenagem não está acabada, é de bastante altura e toda feita de pedra de cantaria.
Nas memórias paroquiais de 1758, fr. Ambrósio Brochado, da Ordem da Trindade e reitor da paroquial de Alvito, relatou sem mais considerações que a vila era cabeça das terras da baronia por estar nelas o castelo e palácio do barão conde, onde poisava quando a elas vinha, mas que não era praça de armas nem padeceu ruína alguma no terremoto de 1755.
Numa notícia publicada em 1866 no Arquivo Pittoresco, ilustrada com uma bela gravura de João Pedroso, descreveu Vilhena Barbosa o castelo de Alvito como a mais notável de todas as construções do género, tanto pela grandeza e aspecto guerreiro do edifício, como pelo seu excelente estado de conservação, sem embargo de estarem pesando sobre as suas abóbadas mais de quatro séculos; nada anotou, porém, quanto à arquitectura da vila, como também anteriormente o não tinha feito em Villas e Cidades, ao falar desta antiga povoação.
Pinho Leal, no Portugal Antigo e Moderno, servindo-se certamente do que disse o padre Cardoso, citou só o castelo ou palácio acastelado de Alvito, com as suas cinco torres, das quais uma, a de menagem, de cantaria e não acabada, como a fortaleza mais robusta e bem conservada de Portugal. Por seu turno, publicou Gerardo Pery, em 1885, a monografia do concelho, encarando o seu aspecto estatístico e agrícola, pouco se referindo por consequência à vila e ao castelo.

NOTA: Gerardo Augusto Pery, não obstante, juntou várias notas e documentos de grande interesse para a sua história, mormente no que respeita às relações entre os senhores da vila e os trinitários, a propósito da jurisdição da ermida ou igreja do Espírito Santo, por aqueles instituída no castelo; porém quanto à sua arquitectura nada relatou.

Logo depois, na consagrada obra sobre a arquitectura do Renascimento em Portugal, onde inseriu interessantíssimos desenhos seus e esboços dos monumentos que visitou, referiu-se muito rapidamente Albrecht Haupt ao castelo de Alvito por não ter podido estudá-lo em pormenor. Considerava-o como uma das mais notáveis construções da época, com as suas quatro torres redondas nos ângulos do quadrilátero que envolve o grande pátio, também quadrangular, coroado de ameias e circundado de abóbadas e arcarias». In Luiz de Pina Manique, A Arte Manuelina na Arquitectura de Alvito, Impressões e Apontamentos, Associação dos Arqueólogos Portugueses, Edição subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura, Lisboa, oficinas gráficas de Bertrand, Irmãos, 1949.

Cortesia de AAPortugueses/JDACT

A Arte Manuelina na Arquitectura de Alvito. Impressões e Apontamentos. Luiz de Pina Manique. «Foi povoação de algum relevo e ponto de referência bastante nomeado do Alentejo, servindo até o seu topónimo para distinguir, de outras vilas do país, as de Viana e de Vila Nova da Baronia»

Os números marcados nesta planta parcial da vila de Alvito correspondem aos das estampas extra-texto e localizam sensivelmente os assuntos respectivos, não figurando o número 27 porque a Horta do Padre está situada por Nascente e fora da vila.
jdact e luizpinamanique.

«São ainda bastante numerosas pelo Baixo Alentejo as características construções da época manuelina, que tão notável se tornou na arte portuguesa. Nelas se manifestam, simultânea ou isoladamente, os dois modos especiais de inspiração naturalista e de influência mudéjar além do gótico regional que em várias outras se manteve. E, se o segundo é de maior relevo nalguns dos seus castelos e construções apalaçadas, o primeiro não foi menos apreciado porque, a par dos ajimezes e janelas de arco de ferradura construídas de tijolo, também se encontram os portais ornamentados, de mármore e de granito, no modesto casario das suas vilas mais antigas.
Em Alvito, há um castelo com elementos dos dois tipos, salientando-se o amouriscado, tanto nas janelas da fachada sul-nascente, viradas sobre a cerca, como nas do pátio da entrada, do lado da escadaria principal; na povoação, aparecem unicamente os portais do primeiro tipo, com recorte e adornos de grande singeleza, mostrando que a vila preferiu a simplicidade no traçado das suas linhas e na escolha do pormenor aos complicados arranjos decorativos que depois neles intervieram.
É um modo curioso pela feição ornamental e avultado número de peças manuelinas que apresenta e vulgarmente se não encontra nas povoações do Alentejo. Sem o progredir constante dos grandes povoados, onde geralmente as novas construções eliminaram em grande parte ou por completo as antigas, a vila conservou-se estacionária e como que adormecida no espaçar de longos séculos, guardando o aspecto especial da época manuelina, sem se ter modificado por várias influências que surgiram, o que também muito a destaca de outras vilas da mesma época.
A arte sem dúvida é modesta, de expressão rude nos motivos escolhidos e, por vezes, muito ingénua nas diversas combinações decorativas, a fantasia dos seus artífices na adaptação ornamental não apresenta realmente grande primor de execução, mas não deixa o seu conjunto de mostrar certa beleza, elegância e constante tipo de unidade no talhe profundo dos ornatos de tão singelas construções.
Delas se reproduzem, nas estampas incluídas nesta notícia, os elementos mais notáveis ,em confronto com os adoptados no castelo, que revelam as correntes dominantes na respectiva arquitectura durante a época manuelina e o modo preferido em toda a vila pela arte popular, no geral sempre difícil em aceitar sugestões, que não representem tradição ou resultem de tendências que se lhe não afigurem nacionais, mormente no Alentejo, cujo sistema rural artístico, mais do que em qualquer outra província, mantém quase inalterável, com as mais típicas e curiosas produções, a feição dos velhos tempos na maneira regional.
A edição é subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura, que deste modo lhe concede o seu elevado patrocínio e muito facilita a divulgação dos valores artísticos da região alentejana». In Março de 1949.



Alvito é uma curiosa vila alentejana que conserva quase intactas as suas construções manuelinas, entre as quais avulta o castelo maciço e imponente. Foi povoação de algum relevo e ponto de referência bastante nomeado do Alentejo, servindo até o seu topónimo para distinguir, de outras vilas do país, as de Viana e de Vila Nova da Baronia, porque tanto uma como a outra foram antigamente mais conhecidas por Viana de a par de Alvito e Vila Nova de Alvito.
Apesar de tão velho uso, que muito divulgou o nome da povoação, do aspecto arquitectónico do castelo e do grande número de peças quinhentistas dispersas pela vila, que embelezam as portas e janelas do seu modesto casario e reflectem o acentuado empenho que então houve em adoptar nas construções a feição manuelina, ligeiras são as referências que os cronistas e escritores até hoje lhe fizeram». In Luiz de Pina Manique, A Arte Manuelina na Arquitectura de Alvito, Impressões e Apontamentos, Associação dos Arqueólogos Portugueses, Edição subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura, Lisboa, oficinas gráficas de Bertrand, Irmãos, 1949.

Cortesia de AAPortugueses/JDACT