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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Fado. David Mourão-Ferreira. «Levaram-te a meio da noite; a treva tudo cobria! Foi de noite numa noite de todas a mais sombria! Foi de noite, foi de noite e nunca mais se fez dia!»

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Abandono
Por teu livre pensamento
foram-te longe encerrar
tão longe que o meu lamento
não te consegue alcançar!
E apenas ouves o vento!
E apenas ouves o mar!
 
Levaram-te a meio da noite;
a treva tudo cobria!
Foi de noite numa noite
de todas a mais sombria!
Foi de noite, foi de noite
e nunca mais se fez dia!

Ai! Dessa noite o veneno
persiste em me envenenar!
Oiço apenas o silêncio
que ficou em teu lugar.
Ao menos ouves o vento!
Ao menos ouves o mar.
Poema de David Mourão-Ferreira, 10-IV-1959


Primavera
Todo o amor que nos
prendera
como se fora de cera
se quebrava e desfazia
ai funesta primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia.

E condenaram-me a tanto
viver comigo meu pranto
viver, viver e sem ti
vivendo sem no entanto
eu me esquecer desse encanto
que nesse dia perdi.

Pão duro da solidão
é somente o que nos dão
o que nos dão a comer
que importa que o coração
diga que sim ou que não
se continua a viver.

Todo o amor que nos
prendera
se quebrara e desfizera
em pavor se convertia
ninguém fale em primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia.
Poema de David Mourão-Ferreira

JDACT

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Dulce Margarido: A artista castelovidense impressiona na Exposição Colectiva «Amália meu Amor» em Monchique

Cortesia de refoista

Na Galeria de S. António, em Monchique, decorre a Exposição «Amália Meu Amor», até 9 de Fevereiro de 2011. Trata-se duma exposição temática colectiva em que 18 artistas nos apresentam trabalhos recordando a fadista Amália Rodrigues falecida em 1999.
Os trabalhos expostos são assinados por: Alice Piloto, Ana Patrício Monteiro, André Poucochinho, Ben Helmink, Birgit Mende, Dulce Margarido, Elly Maessen, Else van der Laan, Elza Zorkow, Joana Florêncio, Johanna Roth, José Freire, Jodé Manuel Lourenço, Maria Arlete Gouveia, Mariola Landowska, Olinda Lima, Scarlett Collus e Xico Fran.

Através da sua arte Amália Rodrigues deu a Portugal uma identidade musical. Após a sua morte em 1999, o Fado viveu uma nova onda de popularidade. Para pessoas criativas, é um desafio fascinante de interpretar um artista de um outro médio, como pintar um cantor.

Cortesia de refoista

Segundo o sítio da Net, O Parente da Refóias-Fotografias Soltas, um quadro da autoria de Dulce Margarido, natural de Castelo de Vide, está a ser o «centro das atenções» pela sua criatividade e inovação.

Cortesia de refoista

Dulce Margarido impressiona na Exposição Colectiva «Amália meu Amor». Se passar por Monchique por estes dias fica o convite para ver a exposição que estará aberta ao público até ao pf dia 9 de Fevereiro de 2011.
Cortesia de refoista
Com a amizade de RR.
Cortesia de O Parente da Refóias
JDACT

terça-feira, 20 de julho de 2010

José Régio: Amália Rodrigues. A Cidade de Portalegre. O «nosso» Café Central. Maria Bethânia. Oitenta anos depois da chegada de José Régio a Portalegre




O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro velero
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.



 
Oitenta anos depois da chegada de José Régio a Portalegre, o poeta continua a ser recordado como um dos «expoentes máximos» da cidade, através de várias exposições e conferências que evocam a sua passagem pelo Alto Alentejo.
Em 1929, quando foi colocado como professor de Português/Francês naquela cidade, existia apenas em Portalegre, como lugares de convívio, um teatro, o Grémio Transtagano, um campo de futebol, uma praça de touros e o café Central. Mas, foi na sua casa, «velha, grande, tosca e bela», que o professor José Reis Pereira (José Régio) deu asas à sua escrita, aos seus livros e ao colecionismo de arte sacra, entre outras atividades. Maria José Maçãs, responsável pela Casa Museu José Régio, recordou, em declarações à Agência Lusa, que o poeta gostava de permanecer por casa, no seu “casulo”, como descreve em diversas obras. «Além de escrever, dormia, lia e tomava algumas refeições, não muitas, porque ia à Pensão 21, de que a casa era dependência, e na sua casa recebia os amigos», sublinhou.
«Naquela casa, à qual quis como se fora feita para morar nela», escreveu a maior parte da sua obra literária.
Em Portalegre permaneceu por mais de 30 anos, desenvolvendo, a par do ensino e da escrita, uma constante procura de obras de arte, principalmente de arte popular, dando-lhe valor no devido tempo.
«A casa foi um dos elementos que o fez ficar em Portalegre, porque, como sabemos, achou que vinha desterrado para um lugar que ficava e fica a mais de duas léguas da estação de caminhos de ferro», salientou. Para assinalar a chegada de José Régio a Portalegre está patente ao público no castelo da cidade, até ao dia 19 de Setembro, uma exposição com vários objetos do poeta. No Castelo de Portalegre têm também sido apresentadas várias conferências sobre o escritor, com a participação de amigos de José Régio. O município da cidade, que está também associado a esta efeméride, recordou durante as últimas festas da cidade, em Maio, a figura do poeta com um conjunto de iniciativas.

A autarquia recriou o ambiente que se vivia no Café Central, nos anos 30 do século XX, através da dramatização de palavras de José Régio e promoveu um baile à antiga.
Cortesia da Rádio Portalegre.




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