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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Um Mundo Sem Nós. Alan Weisman. «No espaço de duas décadas, os pára-raios começarão a enferrujar e a partir-se, e os fogos no telhado saltarão de prédio em prédio, entrando pelos escritórios apainelados cheios de papel combustível»

jdact

A Cidade sem Nós
«(…) À medida que o pavimento se abre, sementes de mostarda, trevo e outras ervas são sopradas do Central Park e penetram pelas fissuras, que se abrem ainda mais. No mundo actual, e antes que elas vão muito longe, a manutenção urbana geralmente aparece, mata as sementes e fecha as rachas. Mas, no mundo pós-pessoas, já não há ninguém para andar constantemente a remendar Nova Iorque. As sementes são sequidas por uma das mais prolíficas espécies exóticas, a árvore chinesa ailanthus. Mesmo no meio de oito milhões de pessoas, os ailanthus, também inocentemente conhecidos por árvore-do-paraíso, são invasores implacáveis, capazes de criar raízes nos pequenos espaços dos túneis subterrâneos, passando despercebidos até as suas copas começarem a sair pelos interstícios dos passeios. No prazo de cinco anos, sem ninguém que mate as suas sementes, as poderosas raízes da árvore-do-paraíso levantarão passeios e criarão o caos nos esgotos, já pressionados por todos os sacos de plástico e jornais velhos que ninguém limpa. À medida que o solo, há muito aprisionado sob o pavimento, fica exposto ao calor e à chuva, surgem outras espécies, e rapidamente as folhas secas se juntam aos detritos que entopem os esgotos. As plantas pioneiras não terão de esperar que o pavimento se desfaça. A começar pela lama que se junta nas sarjetas, começará a formar-se uma camada de solo sobre a superfície dura e estéril de Nova Iorque, e as sementes germinarão aí. Com muito menos material orgânico disponível, apenas poeira soprada pelo vento e poluição urbana, foi precisamente isso que aconteceu num viaduto abandonado da Via Férrea Central de Nova Iorque no West Side de Manhattan. Desde que os comboios deixaram de passar por lá em 1980, às inevitáveis árvores-do-paraíso juntou-se uma cada vez maior camada de erva e de esfuziantes betónias, ponteadas por tufos de solidago. Em alguns locais, a linha emerge dos segundos andares de armazéns que dantes servia para vias elevadas semeadas de açafrões selvagens, íris, primaveras, ásteres e flores da cenoura selvagem. Por isso, muitos nova-iorquinos, ao olharem pelas janelas no bairro artístico de Chelsea, ficaram tão comovidos com a visão deste involuntário e florescente espaço verde que profeticamente reclamava para si uma fatia morta da sua cidade, que foi baptizado de Linha Alta e oficialmente classificado como parque.
Nos primeiros anos sem calor, os canos rebentam por toda a cidade, o ciclo congelamento-descongelamento muda-se para dentro de casa, e as coisas começam a deteriorar-se seriamente. Os edifícios começam a gemer com a dilatação e contracção dos seus interiores; as juntas entre as paredes e os telhados separam-se. Nesses pontos, penetra a chuva, os rebites enferrujam, e as coberturas saltam, deixando passar a luz do Sol. Se a cidade ainda não ardeu, arderá agora. Colectivamente, a arquitectura de Nova Iorque não é tão combustível como, digamos, a de S. Francisco, com as suas incendiárias madeiras vitorianas. Mas, sem bombeiros que respondam à chamada, um raio de uma trovoada seca que incendeie um monte de ramos secos em Central Park lançará chamas pelas ruas. No espaço de duas décadas, os pára-raios começarão a enferrujar e a partir-se, e os fogos no telhado saltarão de prédio em prédio, entrando pelos escritórios apainelados cheios de papel combustível. As canalizações de gás incendeiam-se com um jorro de chamas que rebenta com as janelas. A chuva e a neve penetram por elas, e em breve cada chão de cimento estará a gelar e a aquecer, e a começar a partir-se. A exposição solar e a madeira queimada acrescentarão nutrientes à crescente camada de solo de Manhattan. As trepadeiras e heras sobem pelas paredes cobertas de líquenes, que prosperam na ausência de poluição no ar. Falcões-de-cauda-vermelha e falcões peregrinos fazem ninho nas altas estruturas cada vez mais esqueléticas.
No espaço de dois séculos, calcula o vice-presidente do Jardim Botânico de Brooklyn, Steven Clemants, as árvores colonizadoras terão substituído em grande medida as sementes pioneiras. As goteiras sepultadas sob toneladas de folhas mortas oferecem um novo solo fértil para os carvalhos e plátanos dos parques citadinos. As acácias e os arbustos fixam azoto, permitindo que girassóis, capim e ageratina cresçam ao lado de macieiras, sendo as suas sementes espalhadas pelos pássaros que proliferam. A biodiversidade aumentará ainda mais, prevê o director de engenharia civil da Cooper Union, Jameel Ahmad, à medida que os prédios desabam e se esmagam uns contra os outros, e o calcário do cimento esmagado aumenta o pH do solo, chamando árvores como o amieiro-negro e a bétula, que crescem em ambientes menos ácidos. Ahmad, um homem caloroso de cabelo prateado que fala descrevendo círculos com as mãos, pensa que o processo começará mais cedo do que se pensa. Natural de Lahore, Paquistão, cidade de antigas mesquitas incrustadas de mosaicos, ensina hoje como projectar e modificar edifícios de modo e suportarem ataques terroristas, e adquiriu bons conhecimentos sobre fraquezas estruturais». In Alan Weisman, Um Mundo Sem Nós, tradução José Barreto, Estrela Polar, 2007, ISBN 978-972-892-277-0.

Cortesia EPolar/JDACT

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Um Mundo Sem Nós. Alan Weisman. «… ‘cada vez que caem mais de 50 mm (l/m2) de chuva’ como tem ultimamente acontecido com perturbadora frequência, estendendo, por vezes, mangueiras escadas acima para bombear a água para um esgoto noutro ponto da rua…»

Cortesia de wikipedia e jdact

A Cidade sem Nós
«(…) Junte-se a isto as condutas de água dos anos 30 que se rompem frequentemente, e a única coisa que tem evitado que Nova Iorque já tenha sido inundada é a incessante vigilância das suas equipas do metropolitano e 753 bombas. Pensemos nestas bombas: o sistema de metropolitano de Nova Iorque, uma maravilha de engenharia em 1903, foi feito por baixo de uma cidade já bastante desenvolvida. Como essa cidade já tinha esgotos, o único sítio por onde o metropolitano podia passar era debaixo deles. Assim, explica Schuber, temos de bombear para cima. Nisto, Nova Iorque não está sozinha: cidades como Londres, Moscovo e Washington construíram os seus metropolitanos muito mais fundo, muitas vezes para também funcionarem como abrigos contra bombardeamentos. Neles reside um grande potencial para o desastre. Protegendo os olhos com o seu chapéu branco, Schuber desce para um poço quadrado sob a estação da Avenida Van Siclen, em Brooklyn, onde a cada minuto 2600 litros de água subterrânea natural emergem do leito de pedra. Gesticulando em direcção à ruidosa cascata, indica quatro bombas de aço submersíveis que trabalham por turnos contra a gravidade. Tais bombas trabalham a electricidade. Quando a corrente falha, as coisas podem tornar-se muito rapidamente difíceis. A seguir ao ataque ao World Trade Center, uma bomba de emergência num comboio, ligada a um gigantesco gerador portátil a diesel, bombeou 27 vezes o equivalente do Estádio Shea. Se o rio Hudson irrompesse no interior dos túneis ferroviários path que ligam os túneis de metro de Nova Iorque a New Jersey, como esteve quase para acontecer, o comboio, e a maior parte da cidade ficariam submersos. Numa cidade abandonada, não haveria ninguém como Paul Schuber e Peter Briffa que corresse de estação inundada em estação inundada de cada vez que caem mais de 50 mm (l/m2) de chuva como tem ultimamente acontecido com perturbadora frequência, estendendo, por vezes, mangueiras escadas acima para bombear a água para um esgoto noutro ponto da rua, outras, navegando em barcos de borracha ao longo dos túneis. Mas, sem pessoas, também não haveria energia. Às bombas parariam, e assim ficariam. Quando esta instalação de bombas pára, diz Schuber, ao fim de meia hora a água atinge um nível tal que os comboios já não podem passar.
Brifla retira os óculos de protecção e esfrega os olhos. Uma inundação numa zona empurraria a água para as outras. Em 36 horas, tudo ficaria cheio. Mesmo que não chova, se as bombas do metro parassem isso não levaria mais do que dois dias a acontecer, calculam eles. Nessa altura, a água começaria a desgastar o solo sob o pavimento. Passado pouco tempo, as ruas começariam a abrir crateras. Sem ninguém para desentupir os esgotos, formavam-se novos cursos de água à superfície. Outros apareceriam subitamente quando os tectos dos túneis inundados desabassem. Em vinte anos, as colunas de aço mergulhadas em água que suportam a rua sobre as linhas 4, 5 e 6 do East Side enferrujariam e quebrar-se-iam. Abatendo, a Avenida Lexington transformar-se-ia num rio.
Muito antes disso, o pavimento em toda a cidade estaria já em dificuldades, as coisas começariam a desfazer-se durante o primeiro mês de Março após os humanos terem abandonado Manhattan. Em Março, as temperaturas sobem e descem em torno dos zero graus centígrados cerca de quarenta vezes (presumivelmente, as mudanças climáticas farão com que isto comece já em Fevereiro). Seja quando for, o repetido congelamento e descongelamento fazem estalar o asfalto e o cimento. Quando a neve se derrete, a água infiltra-se nestas novas rachas. Quando gela, a água aumenta de volume e alarga as fissuras. Considere-se isto como uma retaliação da água por ter estado comprimida por baixo de toda esta paisagem citadina. Quase todos os restantes componentes da natureza se contraem quando gelados, mas as moléculas de H2O fazem exactamente o contrário, organizando-se a si próprias em elegantes cristais hexagonais que ocupam cerca de 9 por cento de espaço a mais do que ocupavam quando se agitavam no estado líquido. Cristais de seis lados tão bonitos sugerem flocos de neve tão frágeis que dificilmente os imaginamos a empurrar pedaços de passeios. É ainda mais difícil imaginar canos de aço concebidos para suportar 3400 quilos de pressão por polegada quadrada a explodirem quando gelam. Mas é exactamente isto que acontece». In Alan Weisman, Um Mundo Sem Nós, tradução José Barreto, Estrela Polar, 2007, ISBN 978-972-892-277-0.

Para o colega F. Duarte Santos

Cortesia EPolar/JDACT

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Um Mundo Sem Nós. Alan Weisman. «Quando chove, a quantidade é de..., Briffa levanta as mãos, rendendo-se. É incalculável. ‘Talvez não seja realmente incalculável, mas não chove menos agora do que quando a cidade foi construída’»

Manhattan em 1602 e em 2009 
Cortesia de wikipedia e jdact

A Cidade sem Nós
«(…) Mais tarde, surgiram novos contornos, desta vez lançados ao longo de formas rectilíneas e ângulos definidos, e muita da água que dantes esculpia a ilha foi canalizada para o subsolo através de um dédalo de canos. O Projecto Manhattan de Eric Sanderson detectou a forma como o moderno sistema de esgotos seguiu de perto os antigos cursos de água, apesar de as linhas artificiais de esgotos não conseguirem escoar tão facilmente como a natureza. Numa cidade que sepultou os seus rios, observa ele, a chuva continua a cair. Têm de ir para algum lado. Esta será a chave para abrir a concha de Manhattan se a natureza a começar a destruir. Principiará muito rapidamente, com o primeiro golpe aplicado no ponto mais vulnerável da cidade: o seu ventre. Paul Schuber, do Departamento de Trânsito de Nova Iorque, e Peter Briffa, superintendente do serviço de Hidráulica e supervisor de manutenção de primeiro nível do Departamento de Emergências Hidráulicas, percebem perfeitamente como funcionaria tudo isto. Todos os dias, eles têm de impedir que 50 milhões de litros de água entrem nos túneis do metro de Nova Iorque. E é apenas a água que já está no subsolo, salienta Schuber. Quando chove, a quantidade é de..., Briffa levanta as mãos, rendendo-se. É incalculável.
Talvez não seja realmente incalculável, mas não chove menos agora do que quando a cidade foi construída. Em tempos, Manhattan tinha quarenta quilómetros quadrados de solo poroso misturado com raízes vivas que sugavam os doze mil milímetros (l/m2) de pluviosidade média anual para as árvores e para as ervas, que a absorviam quase toda e largavam o resto para a atmosfera. Tudo o que as raízes não absorviam, ficava no lençol de água da ilha. Em alguns locais, emergia sob a forma de lagos e pântanos, cujo excesso ela drenado para o oceano através dos quarenta cursos de água que agora jazem aprisionados entre cimento e asfalto. Hoje em dia, dado que há pouco solo para absorver a chuva ou vegetação para a transpirar, e dado que os edifícios impedem o Sol de a evaporar, a chuva recolhe-se em poças ou segue a gravidade até aos esgotos, ou escorre pelos ventiladores do metro, juntando-se à água que já lá está. Por baixo da Rua 131 e da Avenida Lenox, por exemplo, um rio subterrâneo cada vez maior está a corroer os terminais das linhas A, B, C e D do metro. Homens com coletes reflectores ou em roupas de ganga grosseira como as de Schuber e Briffa andam constantemente sob a cidade para gerirem o facto de o nível das águas, sob Nova Iorque, estar sempre a subir.
Sempre que chove muito, os esgotos entopem-se de destroços das tempestades, o número de sacos de plástico à deriva pelas cidades deste mundo está para além de qualquer cálculo, e a água, precisando de ir para qualquer lado, escorre pelas escadas de metro mais próximas. Junte-se um vento de noroeste, e o Atlântico a subir bate contra o lençol de água de Nova Iorque até, em sítios como Wall Street, na baixa de Manhattan ou o Yankee Stadium, no Bronx, subir pelos túneis, enchendo tudo antes de, finalmente, recuar. Se o oceano continuasse a aquecer e a subir mais depressa ainda do que os actuais 25 cm por década, chegaria uma altura em que, pura e simplesmente, não recuaria. Schuber e Briffa não fazem ideia do que aconteceria então». In Alan Weisman, Um Mundo Sem Nós, tradução José Barreto, Estrela Polar, 2007, ISBN 978-972-892-277-0.

Para o colega F. Duarte Santos
Cortesia EPolar/JDACT

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Um Mundo Sem Nós. Alan Weisman. «Podemos adivinhar o rebordo do comprido lago que se estendia ao longo do que é hoje a Rua 59, a norte do Hotel Plaza, com o seu braço de maré que ondeava por entre pântanos salgados até ao East River»

jdact

A Cidade sem Nós
«A noção de que um dia a natureza possa engolir algo tão colossal e concreto como uma cidade moderna não é facilmente aceite pela nossa imaginação. A presença titânica de Nova lorque resiste aos esforços de a imaginarmos a desaparecer. Os acontecimentos de 11 de Setembro só mostraram o que podem fazer seres humanos com material explosivo, não processos básicos como a erosão ou o apodrecimento. O rápido e impressionante colapso das torres do Word Trade Center revelou-nos mais sobre os seus atacantes do que sobre as vulnerabilidades mortais que podem minar toda a nossa infraestrutura. E mesmo essa calamidade até aí inconcebível se confinou a alguns edifícios. No entanto, o tempo que a Natureza levaria a desfazer-se do que o urbanismo construiu pode ser muito menos do que se pensa. Em 1939, realizou-se uma Feira Mundial em Nova Iorque. O governo polaco enviou, para exposição, uma estátua de Wladislaw Jagiello. O fundador da Bialorwieza Puszcza não tinha sido imortalizado no bronze por ter preservado um pedaço de floresta primitiva seis seculos antes. Ao casar com a sua rainha, Jagiello tinha unido a Polónia ao seu ducado da Lituânia, formando uma potência europeia. A escultura retrata-o a cavalo, depois da batalha de Grünwald, em 1410. Triunfante, brande duas espadas capturadas ao último inimigo vencido da Polónia, os Cavaleiros Teutónicos da Cruz.
Em 1939, no entanto, os polacos não estavam a ter tanta sorte contra alguns descendentes desses Cavaleiros Teutónicos. Antes do fim da Feira Mundial, os nazis de Hitler tinham conquistado a Polónia, e a escultura não pôde ser devolvida à sua pátria. Seis tristes anos depois, o governo polaco ofereceu-a a Nova Iorque como símbolo dos seus corajosos e combativos sobreviventes. A estátua de Jagiello foi colocada no Central Park, sobranceira ao que hoje é conhecido como o Lago da Tartaruga. Quando o Eric Sanderson conduz uma visita através do parque, tanto ele como o seu grupo costumam passar pela estátua de Jagiello sem pararem, porque tanto uns como outros estão perdidos num outro século, o XVII. Com os seus óculos por baixo de um largo chapéu de feltro branco, a barba branca aparada em torno do queixo e um computador portátil guardado na mochila, Sanderson é um ecologista que trabalha para a Wildlife Conservation Society, uma equipa global de investigadores que trabalham para salvar de si próprio o mundo ameaçado. No seu quartel-general no Jardim Zoológico do Bronx, Sanderson dirige o Projecto Mannahatta, uma tentativa para recriar virtualmente a ilha de Manhattan como ela era quando a tripulação de Henry Hudson a viu pela primeira vez em 1609: uma visão pré-urbana que anima a especulação sobre como poderia ser um mundo pós-humano.
A sua equipa pesquisou antigos documentos holandeses, mapas militares ingleses da época colonial, estudos topográficos, e séculos de arquivos por toda a cidade. Testaram sedimentos, analisaram pólens fósseis, e introduziram milhares de bits de dados biológicos em softwares de imagem que geram panoramas tridimensionais de uma área selvagem densamente arborizada sobra a qual se justapõe uma metrópole. A cada entrada de uma espécie de erva ou árvore que seja historicamente confirmada numa parte da cidade, as imagens tornam-se mais pormenorizadas e mais convincentes. O objectivo é fazer um guia citadino, rua a rua, desta floresta fantasma, a única que Eric Sanderson parece constantemente divisar mesmo quando apanha autocarros na Quinta Avenida.
Quando Sanderson passeia pelo Central Park, consegue ver através do meio milhão de toneladas de solo aí colocados pelos que o conceberam, Frederick Law Olmstead e Calvert Vaux, para preencher aquilo que era sobretudo um pântano rodeado de arbustos. Podemos adivinhar o rebordo do comprido lago que se estendia ao longo do que é hoje a Rua 59, a norte do Hotel Plaza, com o seu braço de maré que ondeava por entre pântanos salgados até ao East River. A ocidente, podemos ver um par de linhas de água que desaguavam no lago e drenavam as maiores elevações de Manhattan, um trilho de veados e leões da montanha hoje conhecido por Broadway. Eric Sanderson vê água a correr por toda a cidade, muita dela provindo do subsolo. Já identificou mais de quarenta regatos e correntes que atravessavam o que foi um dia uma ilha rochosa e ondulada: na língua Algonquin dos seus primeiros habitantes humanos, o Lenni Lenape, Mannahatta referia-se a essas colinas hoje desaparecidas. Quando os projectistas de Nova Iorque impuseram no século XIX uma grelha sobre tudo o que estivesse a norte de Greenwich Village, dado ser impossível desfazer o nó das ruas originais para sul, agiram como se a topografia fosse irrelevante. Excepto alguns afloramentos de xisto maciços e inamovíveis no Central Park e na ponta norte da ilha, o terreno macio de Manhattan foi aplainado e lançado para os leitos das correntes, e depois nivelado para receber a cidade em crescimento». In Alan Weisman, Um Mundo Sem Nós, tradução José Barreto, Estrela Polar, 2007, ISBN 978-972-892-277-0.

Cortesia EPolar/JDACT

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dia da Terra 2013. Como surgiu a data e significado. «… uma maneira de reafirmar nossa responsabilidade colectiva para promover a harmonia com a natureza num tempo em que nosso planeta está sob ameaça da mudança climática…»


Cortesia de grosby

«O Dia da Terra 2013 - ou, oficialmente, Dia Internacional da Mãe Terra - é uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2009 para marcar a responsabilidade colectiva para promover a harmonia com a natureza e a Terra e alcançar um balanço entre economia, sociedade e ambiente. O Dia Internacional da Mãe Terra é uma maneira de reafirmar nossa responsabilidade colectiva para promover a harmonia com a natureza num tempo em que nosso planeta está sob ameaça da mudança climática, exploração insustentável dos recursos naturais e outros problemas causados pelo homem. Quando nós ameaçamos nosso planeta, minamos nossa própria casa - e nossa sobrevivência no futuro, diz mensagem do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Contudo, a história dessa comemoração é bem mais antiga. O primeiro Dia Nacional da Terra ocorreu em meio ao movimento hippie americano, em 1970. Se por um lado a música e os jovens eram engajados, de outro os americanos viviam com seus carros com motor V8 e a indústria despejando produtos poluidores com pouco medo de represálias legais.
A ideia de uma data para marcar a luta pelo ambiente veio do senador Gaylord Nelson, após este ver a destruição causada por um grande vazamento de óleo na Califórnia, em 1969. Ele recebeu o apoio do congressista republicano conservador Pete McCloskey e recrutou o estudante de Harvard Denis Hayes como coordenador da campanha.
No dia 22 de abril, 20 milhões de pessoas nos Estados Unidos saíram às ruas para protestar em favor de um planeta mais saudável e sustentável. Milhares de escolas e universidades organizaram manifestações contra a deterioração do ambiente e engrossaram os grupos ambientalistas. Foi um raro momento que juntou até mesmo democratas e republicanos.
O resultado prático foi a criação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e dos actos do Ar Limpo, Água Limpa e das Espécies Ameaçadas. Foi uma aposta, lembra o senador, mas funcionou. In Earth Day Network.


Cortesia de Terra/JDACT

sábado, 1 de dezembro de 2012

Mitos Climáticos Rui Gonçalves Moura. «Estudei nos livros… pelas sete partidas do mundo e neles vibrei com grandes e pequenas coisas, arrisquei… não por consciente e deliberada opção, que de herói tenho pouco, mas porque teve de ser e não o pude evitar…»

Cortesia de ruimoura e jdact

In Memoriam a Rui Moura.

De acordo com o original.

Modelos meteo-clima

«A meteorologia e a climatologia atravessam uma crise profunda de conceitos e de explicações dos mecanismos do tempo e do clima. Não acompanharam a revolução das observações dos satélites.
Por exemplo: - Qual é a origem do anticiclone (alta pressão) dito dos Açores?; - Qual é a origem da depressão (baixa pressão) dita da Islândia?; - Qual é a origem do índice que mede a diferença entre as pressões destas duas zonas?; - Qual é a origem das superfícies frontais frias e quentes? As escolas, linhas de pensamento, da meteorologia e da climatologia que não acompanharam nem reflectiram sobre as indicações observadas com o aparecimento dos satélites não conseguem explicar as causas daqueles fenómenos. Pois a Natureza pregou uma partida na altura da entrada em força” do Protocolo de Quioto e deu uma lição em tempo real de dinâmica do tempo. De facto, esta tem sido (e ainda continua a ser) precisamente inversa à do efeito de estufa antropogénico (frio/seco em vez de frio/húmido; no Verão será quente/seco em vez de quente/húmido).
A dinâmica do tempo no Inverno de 2004-2005, relativamente ao hemisfério Norte, frio e seco, refuta a teoria de que o efeito de estufa antropogénico é responsável pelo aquecimento global. A cadência diária e a potência dos anticiclones móveis polares que têm nascido no Árctico e na Gronelândia – nomeadamente os dos dias 27 e 28 de Fevereiro que cobriram a Escandinávia, e os dos dias 1, 2 e 3 de Março que invadiram a França e a Espanha, alcançando o Mediterrâneo (com neve mesmo no Magrebe!) – apresentaram uma dinâmica inversa da considerada nos modelos que, mais uma vez, se mostraram incapazes de prever uma tal situação.
Os anticiclones móveis polares são os principais responsáveis pelas variações da pressão, da direcção e da velocidade do vento, da temperatura - tanto no aquecimento como no arrefecimento - (desmistificam o conceito de aquecimento global devido aos gases com efeito de estufa de origem antropogénica), da humidade, da nebulosidade e da pluviosidade, directamente e de maneira evidente (visível pelos satélites) nas zonas fora dos trópicos e atenuada nas regiões tropicais. Eles são (com graus diversos) responsáveis tanto pela variação perpétua do tempo como pela variabilidade do clima, em todas as escalas temporais.
Daí que os modelos baseados em concepções erradas não podem estar correctos. Só por milagre, e na Física não existem milagres. Por isso, o que os modelos apontam (em 2100!!!) não tem qualquer significado físico, científico ou climático. A realidade está constantemente a refutar as conclusões dos modelos.

Pergunta-se então: quem fez aumentar a pressão em certos sítios (e baixar noutros)? Foram os anticiclones móveis polares (AMP) que nascem, no hemisfério Norte, no Árctico e na Gronelândia que tiveram uma actividade acrescida a partir da década de 70 (talvez 1977), com um tempo mais rigoroso e violento. Isto é, alterou-se a chamada circulação geral que provoca as transferências de energia entre os pólos (donde vem frio) e os trópicos (donde vem calor). E quem foi o responsável desta mudança mais ou menos súbita? A resposta a Deus pertence e sempre houve, desde o big-bang, estas variações mais ou menos bruscas.
O aquecimento global previsto nos modelos aqueceria os pólos, diminuiria o gradiente de temperatura latitudinal e diminuiriam as tormentas (o Verão é sempre mais calmo!). Ora nada disto aconteceu. Os pólos arrefeceram, contrariamente ao que apontam os modelos, e os AMP tornaram-se mais potentes e mais frequentes (cerca de 1 por dia). A potência deles diminui no Verão
». In Mitos Climáticos, mensagem de 2005, Março 31.

Rui Gonçalves Moura morre aos 80 anos de idade, a 27 de Junho de 2010.

Amizade para um Académico.
JDACT

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Uma Boa Notícia: Central Nuclear de Almaraz parou produção por altas temperaturas na bomba de refrigeração

Cortesia de wikipedia


Óptimo! Uma boa notícia.


«A central nuclear de Almaraz, que fica a 100 quilómetros de Portugal, em Cáceres, comunicou ao conselho de segurança nuclear espanhol que parou a produção de um reactor devido à presença de "altas temperaturas" numa das bombas de refrigeração. Segundo a agência espanhola EFE, esta decisão surge como medida preventiva, "e antes que se alcance um valor que pare automaticamente o reactor", os responsáveis da central decidiram parar programadamente a produção de electricidade.
Segundo um comunicado da central nuclear de Almaraz, "os sistemas de segurança actuaram correctamente e a central encontra-se parada".
Esta paragem, informou a central, "não coloca em risco nem as pessoas nem o meio ambiente" e classifica-se, "de forma preliminar", como nivel 0 na escala internacional de sucedidos nucleares. A central nuclear de Almaraz, na Província de Cáceres, funciona desde o início dos anos 80 junto ao Rio Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre. Uma eventual explosão na central nuclear de Almaraz, obrigaria à «progressiva» retirada da população da zona de Portalegre». In Rádio Portalegre, 23.10.11


Cortesia de R. Portalegre/JDACT

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Revista Nature. O buraco na camada de ozono chegou ao Árctico: «Os nossos resultados mostram que buracos no ozono Árctico são possíveis mesmo com temperaturas mais amenas do que na Antárctida”, diz o resumo do estudo, referindo-se ao facto de as temperaturas polares no Sul serem normalmente mais baixas do que no Norte»

Cortesia de nasa

Com a devida vénia a Ricardo Garcia

Estudo divulgado pela revista “Nature”. O buraco na camada de ozono chegou ao Árctico
«O chamado “buraco” na camada de ozono, que normalmente se forma sobre a Antárctida, está agora a ser observado também sobre o Árctico. Uma investigação publicada «online» pela revista “Nature” revela que, pela primeira vez desde que há medições do ozono, houve sobre o Pólo Norte uma rarefacção da camada de ozono comparável à que há normalmente no Pólo Sul. A camada de ozono protege a Terra da radiação ultra-violeta. Mas determinados gases – especialmente compostos sintetizados industrialmente contendo cloro e bromo – destroem as moléculas de ozono na alta atmosfera. Este fenómeno é mais acentuado na Primavera polar na Antárctida, entre Setembro e Novembro.
Dados analisados por uma equipa liderada por cientistas do Laboratório de Propulsão a Jacto, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, revelam que, no princípio deste ano, a redução na concentração de ozono estratosférico sobre o Árctico – a 18-20 quilómetros de altitude – superou os 80 por cento.

Cortesia de nature

“Os nossos resultados mostram que buracos no ozono Árctico são possíveis mesmo com temperaturas mais amenas do que na Antárctida”, diz o resumo do estudo, referindo-se ao facto de as temperaturas polares no Sul serem normalmente mais baixas do que no Norte. O estudo associa as baixas concentrações de ozono a longos períodos de frio no Árctico. “Os invernos na estratosfera do Árctico são muito variáveis, alguns são quentes, outros são frios. Mas nas últimas décadas, os invernos frios têm-se tornado cada vez mais frios”, disse Michelle Santee, uma das autoras principais do estudo, citada pela BBC. A causa principal do buraco na camada de ozono tem vindo a ser combatida desde o final da década de 1980, com tratados internacionais que baniram o uso de determinados compostos clorados, utilizados, por exemplo, em frigoríficos e extintores de incêndio. Mas apesar da sua fabricação e uso terem caído a níveis irrisórios, as suas concentrações históricas na estratosfera ainda não baixaram o suficiente. Na Antárctida, estima-se que a camada de ozono regressará aos seus níveis pré-industriais apenas por volta de 2050». In Ricardo Garcia, Público.

Cortesia de Público/JDACT

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O mapa mais completo para estudar o movimento do gelo da Antárctida: « É como ver, pela primeira vez num mapa, todas as correntes oceânicas. Observamos os incríveis movimentos de gelo, desde o coração do continente, que nunca tinham sido descritos, afirma Eric Rignot, investigador do Laboratório da NASA»

Cortesia de elmundo

«Lo que ocurre en la Antártida tiene consecuencias para el clima mundial. El comportamiento y el desplazamiento de los bloques de hielo en este continente es monitorizado constantemente por los científicos, que a partir de ahora dispondrán de un nuevo mapa para estudiar mejor los efectos de las variaciones en el clima.
Se trata del primer mapa completo en alta resolución que muestra la velocidad de movimiento de los glaciares y su dirección. Ha sido elaborado a partir de los datos facilitados entre 2007 y 2009 por satélites de la Agencia Espacial Europea (ESA), Japón y Canadá. La NASA, por su parte, ha aportado la tecnología necesaria para plasmar toda esta información en un mapa. La nueva herramienta y las primeras conclusiones de los investigadores han sido presentadas en la revista «Science».
La cartografía muestra cómo los glaciares se desplazan desde el interior del continente hacia las zonas costeras, una tendencia que, según advierten los científicos, provocará un aumento del nivel del mar en los próximos años. El mapa ayudará a los investigadores a hacer estimaciones sobre la subida del nivel en el futuro causada por el deshielo.

Cortesia de elmundo

«Es como ver por primera vez en un mapa todas las corrientes oceánicas. Estamos observando increíbles movimientos [de hielo] desde el corazón del continente que nunca habían sido descritos", afirma Eric Rignot, investigador del Laboratorio de Propulsion Jet de la NASA y autor principal del estudio publicado en 'Science'.
Las animaciones realizadas por la NASA no muestran dónde se está derritiendo el hielo, sino cómo éste se desplaza de forma natural desde las regiones del interior a la costa. Los colores representan la velocidad de los flujos de hielo (en metros por año). Las áreas señaladas en rojo y morado son las que se mueven a mayor velocidad.

Formaciones de hielo desconocidas.
Con sorpresa, los investigadores descubrieron una cresta que se desliza de este a oeste. Asimismo, han detectado formaciones de hielo hasta ahora desconocidas que se desplazan unos 244 metros cada año hacia el Océano Antártico. Y lo hacen de una forma diferente a la que sugerían modelos anteriores.

La Antártida tiene una extensión de unos 14 millones de kilómetros cuadrados y casi toda su superficie está permanentemente cubierta de hielo, incluso durante el verano austral. En varias zonas, el manto de hielo va más allá de los límites del continente y conforma barreras heladas de manera permanente sobre las bahías del Océano Antártico. Debido al aumento de las temperaturas, los científicos calculan que cada año este continente pierde más de 150 kilómetros cuadrados de hielo. Según la NASA, el nuevo mapa permitirá comprender mejor los movimientos de las capas de hielo de la Antártida y cómo podrían responder en el futuro al cambio climático. Asimismo, ayudará a los científicos reconstruir cómo han evolucionado las capas de hielo en las regiones polares». In Teresa Guerrero, El Mundo, NASA.





Cortesia de El Mundo/JDACT

sábado, 23 de julho de 2011

Feng Shui: «É uma corrente de pensamento analítico com tradição de mais de 4000 anos. Os mestres chineses que o estruturaram teriam percebido que cada área natural, terreno ou edificação seria dotada de sua própria vibração influenciada pela presença do Ch'i, chamada em chinês de qi, e estaria sujeita às várias influências do ambiente que a circunda»


Cortesia de wikipedia

«Feng Shui é um termo de origem chinesa, cuja tradução literal é Vento e Água. A sua pronúncia correcta em mandarim é «fon xuei». Feng Shui, vem da pronúncia americanizada, expressa o barulho do vento e da água, em português seria como: fú, chuá.

Segundo esta corrente de pensamento, estabelecendo uma relação yin/yang, os ideogramas Feng e Shui, respectivamente Vento, yang e Água, yin, representariam o conhecimento das forças necessárias para conservar as influências positivas que supostamente estariam presentes num espaço e redireccionar as negativas de modo a beneficiar os presentes.

É uma corrente de pensamento analítico com tradição de mais de 4000 anos. Os mestres chineses que o estruturaram teriam percebido que cada área natural, terreno ou edificação seria dotada de sua própria vibração influenciada pela presença do Ch'i, chamada em chinês de qi, e estaria sujeita às várias influências do ambiente que a circunda.
Cortesia de wikipedia

Constatando que certos tipos de vibrações presentes no ambiente poderiam agir de modo benéfico para o corpo e a mente, enquanto que outros tipos tenderiam a ser prejudiciais. Supostamente compreenderam a importância de estudar como situar as edificações, móveis e objectos da maneira mais adequada para favorecer, segundo a interpretação da natureza.
As ideias pregadas pelo Feng Shui, quando as pessoas buscam este equilíbrio com as forças benéficas da Natureza, podem gozar de saúde, boa sorte e prosperidade. Quando as ignoram e se alinham com influências nocivas, podem experimentar dificuldades e obstáculos que se podem expressar como má sorte ou indisposição. Claro, que tais sentenças fazem parte desta crença e não são de forma alguma endossadas pela ciência.

Os mestres taoístas que desenvolveram esta arte, não a utilizavam isoladamente: consideravam-na mais um instrumento de equilíbrio a ser utilizado em conjunto com outras práticas articuladas à Medicina tradicional chinesa, como a acupuntura, a meditação, e o Tai Chi Chuan.

Cortesia de wikipedia

Os chineses comparam os benefícios que o tratamento que o Feng Shui pode proporcionar a um espaço com os resultados que a terapia da acupuntura pode oferecer a um paciente.
O consultor de Feng Shui detecta as supostas influências visíveis e invisíveis num ambiente e recomenda curas numa área particular do imóvel que são capazes de alterar as características da circulação de energia no todo. Não há, entretanto, provas científicas da existência de tais influências «visíveis e invisíveis» nos ambientes.
  • O primeiro objectivo do Feng Shui é guardar e preservar as boas influências disponíveis no lugar de modo a permitir que permaneçam e se distribuam suavemente pela edificação.
  • O segundo objectivo é reduzir os efeitos negativos das diversas influências nocivas ao local, presentes na sua construção ou frutos das alterações.
  • O terceiro objectivo é implementar «curas» que possam produzir resultados em termos de saúde, bem-estar e harmonia para os moradores do espaço tratado.
Isto pode ser conseguido estimulando as características do espaço benéficas para as pessoas que habitam este local, através das alterações arquitectónicas ou da forma, da cor, e do posicionamento dos objectos presentes no local». In Wikipédia.

Cortesia de wikipédia/JDACT

terça-feira, 12 de julho de 2011

Projecto Rios: II Encontro de Monitores, que se realizará na Paisagem Protegida de Corno de Bico, 22 a 24 de Julho de 2011

Cortesia de pr 

O Projecto Rios vai realizar o II Encontro de Monitores que se realizará na Paisagem Protegida de Corno de Bico, 22 a 24 de Julho de 2011.
O II Encontro de Monitores não é exclusivo aos monitores, mas aberto a todos os possíveis interessados.
Enquadramento
Desde as primeiras civilizações, o ser humano, por razões económicas, culturais e de lazer, esteve sempre ligado aos recursos hídricos, vivendo uma relação que sustentava uma natureza mais poderosa do que o Homem. Com a evolução da civilização humana, esta posição mudou. O desenvolvimento das sociedades actuais tem conduzido a uma degradação generalizada do meio ambiente e a uma utilização irracional dos recursos naturais. Actualmente, os rios e as ribeiras em Portugal apresentam vários problemas, nomeadamente ao nível dos usos comuns e da afluência de oportunidades de exploração de recursos que ocorrem ao longo da sua bacia hidrográfica. Muitos destes problemas resultam da falta de conhecimento e participação pública, quer ao nível da população em geral quer ao nível do poder decisor.

Cortesia de siesaipsantarem

O que é o Projecto Rios?
O Projecto Rios é um projecto que visa a participação social na conservação dos espaços fluviais, procurando acompanhar os objectivos apresentados na Década da Educação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável e contribui para a implementação da Carta da Terra e da Directiva Quadro da Água.
A implementação deste projecto pretende dar resposta à visível problemática, de âmbito nacional e global, referente à alteração e deterioração da qualidade dos rios e à falta de um envolvimento efectivo dos utilizadores e da população em geral.
O Projecto Rios, pela metodologia que utiliza, pretende promover a curiosidade científica e implementar o método científico experimental, através da recolha e registo de informações e dados geográficos, físico-químicos, biológicos, eventos históricos, sociais e etnográficos, contribuindo assim para a melhoria do espaço estudado e da qualidade fluvial global, com vista à aplicação das exigências da Directiva Quadro da Água e da Lei da Água.

Cortesia de pr

Objectivos gerais
O Projecto Rios visa a adopção e monitorização de um troço de rio, de modo a promover a sensibilização da sociedade civil para os problemas e a necessidade de protecção e valorização dos sistemas ribeirinhos. O Projecto Rios tem como principal objectivo implementar um plano de adopção de 500 metros de um troço de um rio ou ribeira. Para auxiliar nesta tarefa é fornecido um kit didáctico (ver “Materiais”).
Com a aplicação prática deste projecto é possível aprender a valorizar a importância das linhas de água, implementar uma rede nacional através da observação, monitorização ou vigilância, visando a conservação e adopção de diferentes troços de rios. Pretende-se ainda desencadear um conjunto de actividades experimentais de educação ambiental e participação pública, no sentido da implementação da Directiva Quadro da Água.

É de salientar que este projecto surgiu com o objectivo de contribuir para a implementação de planos de reabilitação dos rios e ribeiras, com o envolvimento e responsabilização de toda a comunidade civil, com vista ao desenvolvimento sustentado, à educação para a cidadania e ao crescimento local e regional.

Objectivos específicos:
  • Promover a reflexão participada com a finalidade de criar um intercâmbio de estratégias e metodologias de educação ambiental nas zonas ribeirinhas;
  • Criar um espírito de cooperação entre os grupos envolvidos inscritos, fomentando a troca de ideias e experiências em torno de preocupações referentes às zonas de estudo;
  • Monitorizar e inspeccionar troços de um rio ou ribeira, com vista à avaliação do grau de qualidade da linha de água adoptada;
  • Realizar monitorizações (ou inspecções) regulares, com o objectivo de reunir e interceptar dados comparativos (no mínimo duas inspecções por ano);
  • Implementar acções que promovam a melhoria do rio ou ribeira adoptado (no mínimo uma acção por ano);
  • Sensibilizar a comunidade para a adopção de estratégias promotoras de mudanças conceptuais, com vista à melhoria do ambiente em geral e das linhas de água em particular;
  • Promover a ligação afectiva da população ao espaço ribeirinho e à comunidade local;
  • Organizar acções, actividades e eventos para a promoção, divulgação e discussão sobre a água e a importância dos ecossistemas ribeirinhos;
  • Levar a comunidade local a adoptar um papel activo na defesa do ambiente e na redução dos impactes negativos de algumas acções do Homem nos ecossistemas ribeirinhos;
  • Promover a utilização de novas tecnologias de informação;
  • Alargar a informação e sensibilização à população em geral, promovendo campanhas de sensibilização e acções de melhoria;
  • Em contexto escolar, contribuir para a implementação da educação ambiental enquanto área transversal na política das escolas.

Com a amizade de RR.
JDACT

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Rui Gonçalves Moura: O efeito de estufa urbano. «Na cidade forma-se, acima das coberturas, uma camada urbana de ar (urban boundary layer). Essa camada tem uma espessura da ordem de 200 a 300 metros durante a noite. Durante o dia, pode ser superior a 500 metros»

Cortesia de ruimoura

(1930-2010)
Cortesia de autoextincaobnode

In Memoriam a Rui Moura.

O «efeito de estufa» urbano.
«Os estudos da evolução das temperaturas máxima, mínima e média das cidades mostram, de um modo geral, que foram as mínimas que se elevaram progressivamente. Esta tendência verificou-se, sobretudo, a partir dos anos 1950.
Foram pois as temperaturas nocturnas que subiram. As temperaturas nocturnas, mais do que as diurnas, marcam mesmo a evolução da temperatura média. De facto, de um modo geral, a temperatura máxima não apresenta uma clara evolução de subida.
Todas estas conclusões têm justificação nas urbanizações citadinas. T. R. Oke no livro Boundary Layer Climates apresenta as seguintes causas principais para estas conclusões:

Cortesia de ruimoura
  • O espaço urbano produz uma diminuição do albedo em relação ao espaço circundante (donde uma absorção relativamente mais elevada da radiação solar);
  • A poluição contida no interior do volume urbanizado conduz a uma atenuação da radiação solar directa da ordem de 5 % a 10 %;
  • No entanto, essa redução é compensada por um aumento da radiação difusa devida à poluição (no infravermelho, as partículas em suspensão aumentam a difusão);
  • O armazenamento do calor (que se acumula no Inverno com o excesso da actividade humana diurna e a respectiva emissão antropogénica) provoca um desfasamento térmico de uma a duas horas (em relação ao ritmo cósmico diurno);
  • Os edifícios citadinos fazem com que haja uma diminuição da velocidade do vento em razão da rugosidade das superfícies que encontra no seu trajecto.
Estas causas traduzem-se no efeito de temperaturas mais elevadas na parte central dos aglomerados urbanos que formam uma ilha de calor urbano decrescente do centro para a periferia. O efeito desta ilha de calor evidencia-se sobretudo à noite.

Albedo
Cortesia de ruimoura
Na cidade forma-se, acima das coberturas, uma camada urbana de ar (urban boundary layer). Essa camada tem uma espessura da ordem de 200 a 300 metros durante a noite. Durante o dia, pode ser superior a 500 metros.
O estrato inferior da camada, ou camada de superfície, é turbulento (especialmente de dia) em razão das trocas permanentes de calor e humidade. A camada de superfície é estável durante a noite. Durante o dia, pelo contrário, apresenta-se como uma camada mista instável.
A camada de superfície nocturna é quente e o ar poluído está concentrado nas baixas camadas em razão da relativa estabilidade do ar. Ela adensa-se durante o dia e torna-se instável. A taxa de poluição diminui com o acréscimo do volume de ar correspondente.

Ilha de calor urbano (Marcel Leroux)
Cortesia de ruimoura
As condições óptimas para a formação da cúpula de calor encontram-se presentes durante a noite. Tanto de dia como de noite, as condições óptimas são favorecidas pelos seguintes factores:
  • Pelo ar anticiclónico (que reduz a espessura da camada urbana, nomeadamente de noite, e concentra a poluição);
  • Pelo tempo claro (a nebulosidade nivela as condições urbanas e rurais);
  • Pelo vento fraco ou calmo (que não dispersa a poluição).
Já se viu anteriormente que estas são condições que se encontram numa estabilidade anticiclónica provocada pelas aglutinações dos anticiclones móveis polares.
A alteração térmica introduzida pela urbanização das cidades (urban bias) é estimada em valores divergentes consoante as fontes. O extremo superior aponta para metade do valor indicado para a subida do índice «temperatura média global» no século passado.
Mas acima destes fenómenos locais está a dinâmica da circulação geral da atmosfera. Será esta que analisaremos, oportunamente, em relação ao espaço aerológico regional que interessa a Portugal». In Mitos Climáticos, mensagem de 2010, Janeiro 19.

Rui Gonçalves Moura morre aos 80 anos de idade.
JDACT

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Fundamentos da Ecologia: Definida como o estudo da relação dos organismos ou grupos de organismos com os seus meios ambientes, ou a ciência das inter-relações entre organismos vivos e o seu ambiente. A mais curta e menos técnica como, por exemplo, a «ciência do meio ambiente vivo», ou simplesmente «a biologia do meio ambiente»

Cortesia de FCG

O domínio da ecologia
A ecologia e suas relações com outras ciências
Desde o início da sua história que o Homem se tem interessado pela ecologia sob o ponto de vista prático. Na sociedade primitiva, todo o indivíduo, para sobreviver, necessitava de ter um conhecimento definido do seu ambiente, isto é, das forças da Natureza e das plantas e animais que o rodeavam. A civilização começou, de facto, quando o Homem aprendeu a usar o fogo e outros recursos para modificar o ambiente. Ainda agora é necessário, e talvez mais do que nunca, pare a Humanidade no seu todo, ter um conhecimento inteligente do ambiente se quisermos que a nossa complexa civilização sobreviva, uma vez que as «leis da Natureza» básicas não foram abolidas; apenas mudaram as suas características e relações quantitativas, à medida que a população humana do Mundo aumentou.

Cortesia de canalcientifico
Como todas as fases do conhecimento, a ciência da ecologia tem tido um desenvolvimento gradual, embora convulsivo, durante a sua história documentada. Os escritos de Hipócrates, Aristóteles e outros filósofos do período grego contêm matéria que é claramente ecológica por natureza. No entanto, os Gregos não tinham nenhum termo para a designar. A palavra «ecologia» é de recente invenção, tendo sido primeiramente proposta pelo biologista alemão Ernst Haecker em 1869. Como campo reconhecidamente distinto da biologia, a ciência da ecologia é ainda mais recente, datando aproximadamente de 1900, e somente há poucos anos a palavra passou a fazer parte do vocabulário geral, de tal modo que qualquer um a pode encontrar em artigos de revistas populares.

A palavra ecologia é derivada do grego oikos, significando «casa» ou «lugar para viver». No sentido literal, ecologia é o estudo de organismos «em sua casa».

Cortesia de FCG

Usualmente, a ecologia é definida como o estudo da relação dos organismos ou grupos de organismos com os seus meios ambientes, ou a ciência das inter-relações entre organismos vivos e o seu ambiente. Como a ecologia está interessada especialmente na biologia de grupos de organismos e nos seus processos funcionais na terra, nos oceanos e na água doce, está mais em acordo com as tendências modernas definir ecologia como sendo o estudo da estrutura e função da Natureza (subentendendo-se a Humanidade como parte da Natureza). No fim de contas, a melhor definição para um assunto com um campo tão vasto é talvez a mais curta e menos técnica como, por exemplo, a «ciência do meio ambiente vivo», ou simplesmente «a biologia do meio ambiente».

Cortesia de sabetudo 
Isto quanto a definições. Para compreender o objectivo da ecologia, o assunto deve ser considerado em relação a outros ramos de biologia e às «ologias» em geral. No estado presente de especialização dos esforços humanos, as ligações inevitáveis entre os diferentes campos são muitas vezes obscurecidas pela grande massa de conhecimentos que lhes pertencem (e também, às vezes, temos de concordar, como consequência dos cursos universitários estereotipados). No outro extremo, quase todos os domínios do conhecimento podem ser definidos dum modo tão lato que venham a abranger um enorme âmbito de assuntos relacionados entre si. Por conseguinte, os «campos» de existência reconhecida têm que ter limites, mesmo que esses limites sejam mais ou menos arbitrários e sujeitos a mudanças de tempos a tempos.

Cortesia de econaescola  

Por agora encaremos as divisões da biologia, «a ciência da vida».
Quando os conhecimentos eram restritos, precisava-se de poucas subdivisões, mas agora, para facilitar a digestão mental; cortamos o «bolo de camadas» da biologia em pequenas partes e de dois modos distintos, como mostra a Fig. 1. Pode-se dividi-lo «horizontalmente», no que é costume chamar-se divisões «básicas», porque dizem respeito aos fundamentos comuns a toda a vida, ou que, pelo menos, não são limitados a organismos particulares. A morfologia, a fisiologia, a genética, a ecologia, a embriologia são exemplos de tais divisões. Também se pode partir o bolo «verticalmente», em divisões chamadas «taxonómicas», que dizem respeito à morfologia, fisiologia, ecologia, etc., de tipos específicos de organismos. A zoologia, a botânica e a bacteriologia são grandes divisões deste género; e a ficologia, a protozoologia, a micologia, a entomologia, a ornitologia, etc. são divisões que dizem respeito a grupos mais limitados de organismos. Deste modo, a ecologia. é uma divisão básica da biologia e, como tal, é também uma parte integrante de qualquer e de todas as divisões taxonómicas. Os dois pontos de vista são úteis. É às vezes muito proveitoso restringir o trabalho a certos grupos taxonómicos, porque os diferentes tipos de organismos requerem métodos diferentes de estudo (não se podem estudar águias pelos mesmos métodos usados para estudar minhocas ou carvalhos) e porque alguns grupos de organismos são, por causas económicas ou outras, muito mais importantes Ou interessantes para o homem do que outros. Por último, contudo, se o campo em estudo for de considerar como «básico», os princípios unificadores devem ser delimitados e verificados. O objectivo deste livro é o de delinear resumidamente este aspecto da ecologia.
Talvez que a melhor maneira de delimitar a ecologia moderna seja considerá-la nos termos do conceito de níveis de organização. Embora o número seja arbitrário, é conveniente admitir dez níveis de organização, que melhor se concretizam recorrendo a uma espécie de «espectro biológico», como a seguir se indica:

Cortesia de FCG

A ecologia está grandemente relacionada com o extremo direito deste espectro, isto é, os níveis para além do organismo. Em ecologia, o termo população, originalmente criado para indicar um grupo de pessoas, é ampliado para incluir grupos de indivíduos pertencentes a um qualquer tipo de organismos. Do mesmo modo, comunidade, no sentido ecológico (algumas vezes designada como «comunidade biótica») inclui todas as populações que ocupam uma dada área. A comunidade e o meio ambiente não-vivo funcionam juntamente como um sistema ecológico ou um ecossistema. A parte da terra na qual operam os ecossistemas é convenientemente designada como biosfera, limite até onde por ora nos interessa chegar (1). É importante notar que no «espectro» anterior não se indicaram divisórias rígidas nem soluções de continuidade, nem sequer entre o organismo e a população. Como os cursos de introdução à biologia param, em geral, abruptamente, ao nível do organismo, e como, em se tratando do homem e animais superiores, estamos acostumados a pensar no indivíduo como unidade fundamental, a ideia dum espectro contínuo pode parecer a princípio estranha. No entanto, do ponto de vista da interdependência, inter-relações e sobrevivência, não pode haver soluções de continuidade em parte alguma ao longo da linha. O organismo individual, por exemplo, não pode sobreviver por muito tempo desligado da sua população, da mesma maneira que o órgão não seria capaz de sobreviver por muito tempo isolado do seu organismo. Do mesmo modo, no ecossistema, a comunidade não pode existir sem o ciclo das matérias e o fluxo de energia.

Cortesia de lookfordiagnosis

Uma das razões por que se traçam os níveis da organização horizontalmente em vez de verticalmente é o propósito de acentuar que, no fim de contas, nenhum nível é mais ou menos importante nem mais ou menos digno de estudo científico do que qualquer outro. Como é evidente, algumas características tornam-se mais complexas e variáveis à medida que se avança da esquerda para a direita, mas é um facto, frequentemente desprezado, que outras características se tornam menos complexas e menos variáveis à medida que se caminha da pequena para a grande unidade. Uma vez que os mecanismos homeostáticos, quer dizer, obstáculos e equilíbrios, forças e resistências, operam conjuntamente ao longo da linha, ocorre uma certa compensação quando unidades menores funcionam dentro de unidades maiores. Por exemplo, a taxa. da fotossíntese duma comunidade em conjunto pode ser menos variável do que a de indivíduos ou espécies dentro da comunidade, porque, quando um indivíduo ou espécie diminui a intensidade do processo, um outro pode aumentá-la de modo compensador.

Cortesia de executivedigest

Quando se consideram as únicas características que se desenvolvem em cada nível, não há razão para supor que qualquer nível é mais difícil ou mais fácil de estudar quantitativamente. A enumeração e o estudo das unidades dum organismo (isto é, as células e os tecidos) não é em si mais fácil ou mais difícil do que a enumeração e o estudo das unidades duma comunidade (isto é, os organismos). Do mesmo modo o crescimento e o metabolismo podem ser eficazmente estudados ao nível celular, ou ao nível do ecossistema, usando-se unidades de medida duma ordem de grandeza diferente. Além de que os esclarecimentos obtidos em qualquer nível ajudam ao estudo de outros, mas nunca explicam completamente os fenómenos ocorridos nesse nível. Este é um ponto importante, porque às vezes afirma-se que é desnecessário tentar trabalhar em populações complexas ou comunidades, quando as unidades menores não estão ainda completamente estudadas. se esta ideia fosse seguida até à sua conclusão l6gica, todos os biologistas concentrariam a atenção num único nível, a célula, por exemplo, até resolverem os problemas desse nível; depois, estudariam tecidos e órgãos. Na realidade, esta maneira de pensar foi geralmente defendida, até que os biologistas descobriram que cada nível tinha características que o conhecimento do nível imediatamente inferior explicava apenas em parte.

Cortesia de ecologicamentecorreta 

É evidente agora que a ciência deve avançar ao longo duma larga frente. Esta situação é análoga ao avanço dum exército; uma brecha pode ocorrer em qualquer ponto, e quando isso se der, a investida não irá longe enquanto toda a frente não se deslocar também.

(1) Na realidade, o espectro dos «níveis», à semelhança de um espectro de radiações ou de uma escala logarítmica, pode prolongar-se, em teoria, infinitamente, nas duas direcções.

Cortesia de cambito
 
Cortesia da Fundação Calouste Gulbenkian/JDACT