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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O Fado. A Voz. Sempre a Poesia!…« Tu, visão infinita de um saber oculto rasgaste o nevoeiro! Destruíste num lapso de tempo a matéria inorgânica que sustenta o ser»

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Beco
«Pelo chão húmido
vagueia o meu desespero.

Dos becos negros
poluídos de lâminas sujas
e de mentes aniquiladas
dos becos tresanda
de morte e vergonha.

“Nos passos perdidos”
na lama
a outra parte de mim
busca a estrada cristalina
que ruma ao mar imenso
como a imensidão do desejo.

Fragmenta-se a minh’alma
numa luta de vida
ou morte lenta
num abismo profundo».


Insatisfação
«Trago nos meus olhos
um caminho sempre insatisfeito;
procuro a profunda ilusão?
Ou a verdade inacessível?
Sinto-me por vezes perto
outras vezes longe,
e às vezes apetece-me
entrar naquele corredor vazio
pintado de uma cor estranha
e conversar com ninguém.
Ah! Que rodopio de ideias!...
Brotam felizes por segundos
para serem desamadas depois
nem a morte apaga esta mente
porque a insatisfação é imortal!»
Poemas de Jorge de Melo, in ‘Pontos…Poéticos

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domingo, 16 de dezembro de 2012

Fado e Música Tradicional Portuguesa. Ana Laíns e a sua Voz doce. «Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura. Por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode “ser ele mesmo”, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho…»

 
Vou trair a solidão
Vou trair a solidão
e depois pôr a traição
no lugar da tua voz
por tristeza ou por cansaço
vou em busca do abraço
que me faz esquecer de nós

Talvez num breve segundo
se possa mudar o mundo
talvez, eu digo talvez...
mas sem saber se é verdade
que a solidão é saudade
do que a saudade me fez

O vulto que eu não olhei,
as mãos que eu não agarrei,
o corpo a que eu disse não...
já nem sei em que acredito
mas entre o dito e o não dito
vou trair a solidão

Não sei se a tua lembrança
é o vento que me lança
em ruas sem sol nem lua,
sem saber se isto é verdade
não vou trair a saudade
que tenho de ser só tua
Poema de Tiago Torres Silva


JDACT

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Fado e Música Tradicional Portuguesa. Ana Laíns e a sua Voz doce. «E são essas incertezas, nascidas da evolução natural das coisas, que me inspiram e desafiam! A maior das certezas é o fascínio, cada vez maior, pela música portuguesa de caris tradicional... e continua a ser a maior das inspirações!»

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Condição
Parti com as horas e a razão.
Cheguei. Mais um adeus; mais uma vez.
Porque há-de ser maior que a angústia, o meu
perdão.
Porque hei-de sempre estar na soma que Deus
fez.

Parti. Já sem longe, sem olhar.
Cheguei com olhos d'água à tua mão.
No fundo nada tem a casa por esperar.
E deixo o frio, a dor e as roupas pelo chão.

Depois,
pouco mais que um Outono
vem p'ra ficar sobre mim.
Sei de cor esta entrega à noite vã.
Meu amor,
somos barcos d'outro mar,
nós morremos devagar
E nascemos p’la manhã.

Parti do teu mundo e como vês
aqui me tens inteira por te amar.
Sou como a beira-mar de Inverno e as marés
que vão e voltam sempre à areia, sempre ao
mar.

Depois,
pouco mais que um Outono
vem p'ra ficar sobre mim.
Sei de cor esta entrega à noite vã.
Meu amor,
somos barcos d'outro mar;
nós morremos devagar
e nascemos p'la manhã.
Poema de Diogo Clemente


JDACT

domingo, 2 de dezembro de 2012

Fado e Música Tradicional Portuguesa. Ana Laíns e a sua Voz doce. «A viagem prossegue... Desde a anterior paragem muitas imagens foram vividas e guardadas na minha memória. Imagens que rebusquei a quando do momento de me relançar nesta história. Tantas certezas, e com elas tantas novas incertezas»

jdact
  
Quatro Caminhos
Quatro caminhos abertos
p'ra prever qualquer viagem
virada prós quatro pontos
dos cardeais das aragens!

Quatro caminhos perdidos
quem sabe até se existiram
estão no rasto de outros passos
que deles não se serviram!

Quatro caminhos à espera
do tempo que os vem trazer
dois foram dados à vida
e outros dois ao morrer!

Quatro caminhos traçados
aqui na palma da mão
prevêem vidas e mortes
dias sim e dias não!

Quatro caminhos roubados
pelos ladrões que andam nos sonhos
figuras, monstros, fantasmas
que nos perseguem, medonhos!

Quatro caminhos arados
pelos terrenos do peito
depois de tanta canseira
nasceu um amor-perfeito

Quatro caminhos à espera
do tempo que os vem trazer
dois foram dados à vida
e outros dois ao morrer

Quatro caminhos traçados
aqui na palma da mão
prevêem vidas e mortes
dias sim e dias não!
Poema de Amélia Muge
 
Portalegre

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