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terça-feira, 5 de outubro de 2010

As mulheres na Implantação da República: Fina d’Armada. «Os homens fizeram a revolução com armas, mas esquece-se a importância de quem fez as bandeiras. E todas as bandeiras republicanas foram feitas por mulheres... »

Cortesia de Ésquilo
Com  devida vénia a Fina d’Armada e Ésquilo.

As mulheres na Implantação da República
Os feitos das mulheres contados em livro por Fina d’Armada, uma mulher entre muitas que marcam o Centenário da República. Fina d’Armada lançou a obra «As Mulheres na Implantação da República» com o intuito de chamar a atenção para a importância do feminino durante este período histórico.

«Os homens fizeram a revolução com armas, mas esquece-se a importância de quem fez as bandeiras. E todas as bandeiras republicanas foram feitas por mulheres... Também se esquecem das mulheres que morreram», assinalou durante a apresentação da sua obra.
No livro, a autora relata em capítulos distintos, a Revolta do 31 de Janeiro de 1891, a luta das professoras, os festejos da Implantação da República, a 05 de Outubro de 1910, e a morte, em 1911, da primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto.
Cortesia de acidadedasmulheres
Pelos ideais da República, as mulheres organizaram peditórios, participaram em comícios, reclamaram direitos, fizeram bandeiras, deram de comer, arriscaram e perderam a vida, tudo factos relatados num livro da autoria de Fina d'Armada. Escrito sob a perspectiva feminina, a obra termina com a história de Carolina Beatriz Ângelo, uma médica feminista que se tornou na primeira mulher a votar em Portugal, por ocasião das eleições da Assembleia Constituinte, em 1911.

Cortesia de cemanosderepublica
Outras mulheres também fizeram história na época:
  • Clemência Dupin Seabra, uma empresária do sector madeireiro e a primeira mulher portuguesa a pedir o divórcio;
  • Adelaide Cabete, médica ginecologista, professora e grande feminista, lutou contra a mortalidade infantil, o alcoolismo feminino e a prostituição, fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas;
  • Ana de Castro Osório, escritora, editora, pedagoga, publicista, conferencista, defensora dos ideais republicanos, fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas;
  • Para a professora, jornalista e propagandista dos direitos dos operários, Angelina Vidal, as intervenções públicas de cariz social foram o seu forte;
  • Carolina Michaëlis de Vasconcelos, romancista, destacou-se no ensino, foi a primeira mulher admitida como professora universitária na Faculdade de Letras de Coimbra;
  • Emília de Sousa Costa, escritora e defensora da educação feminina, contribuiu para a criação da Caixa de Auxílio a Raparigas Estudantes Pobres;
  • Maria Veleda, professora do ensino primário, escritora para crianças, fez parte da Liga Republicana de Mulheres Portuguesas e do Grupo Português de Estudos Feministas, sendo defensora da emancipação e participação política das mulheres;
  • Virgínia Quaresma, jornalista, distinguiu-se pelas suas reportagens de teor político e social, designadamente em O Século e em A Capital e, também, no Brasil. Foi das primeiras mulheres a licenciarem-se pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo sido condecorada com a Ordem de Santiago pelos serviços prestados ao país durante a Grande Guerra.
O livro que faltava sobre um tema esquecido: o importante papel das mulheres no processo da Implantação da República.
 
Cortesia de viajandonotempo
Esta obra trata das mulheres de Norte a Sul do País que tiveram algum papel no processo de Implantação da República. Não trata das Mulheres na Primeira República, trata das lutas femininas colectivas ou isoladas para a instauração de um novo regime, depositando nessa mudança o desejo de melhoria da sua condição. Começa em 1880, quando Angelina Vidal discursa na abertura do Partido Republicano do Porto, vestida de verde e vermelho (origem das cores da nossa bandeira?), e termina com a morte de Carolina Beatriz Ângelo, em 1911, que, de certa forma, significa a morte dos sonhos.
Cortesia da Ésquilo Multimédia/JDACT

domingo, 3 de outubro de 2010

As Mulheres da República: Angelina Vidal. Jornalista e defensora dos direitos dos operários, nomeadamente das mulheres. Republicana assumida com intervenções públicas de cariz social

(1853-1917)
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Cortesia de wook

Com a devida vénia a Irene Pimentel.
É no estudo de Mário Campos Vidal que se acesso, em profundidade, ao pensamento e à obra da republicana socialista, feminista, autodidacta, poeta, escritora, jornalista, conferencista e activista política que tão importante foi no final do século XIX e no início do século XX.

O livro sobre Angelina Vidal fornece um retrato multifacetado de uma mãe, que viveu sozinha, ganhou a vida através do trabalho intelectual e lutou politicamente, sempre com uma voz original, livre e independente. Nesta biografia de Angelina Vidal o autor revela um admirável equilíbrio entre a empatia necessária com a personagem biografada e a objectividade de análise.
Acima de tudo, dá com mestria um retrato do pensamento político dos meios intelectuais da época em geral, e dos republicanos e socialistas em particular. Por exemplo, ao debate recorrente na época acerca dos meios para mudar o regime: entre evolução e revolução, entre a via violenta ou a via pacífica, entre a reforma do regime monárquico ou o seu derrube para implantar a República.
 
Cortesia de porabrantes
No início dos anos 80 do século XIX, Angelina Vidal iniciou a sua longa colaboração com a Voz do Operário, de cujo jornal veio a ser editora, entre 1897 e 1901. Além de jornalista, trabalhou como tradutora, professora e olissipógrafa, além de escrever teatro, prosa e poesia. Ganhou dois prémios internacionais, o primeiro em 1885, com o poema Noite do Espírito e o segundo, em 1902, com Ícaro.
 
Republicana, socialista e militante nas hostes «avançadas», participou nas grandes homenagens republicanas a Camões e, embora com menor entusiasmo, ao marquês de Pombal, insurgiu-se contra o Ultimatum inglês de 1890 e apoiou a revolução no Porto de 1 de Janeiro de 1891.
Se Angelina Vidal foi uma voz crítica do clericalismo, da monarquia e do sistema económico e social vigente, foi sobretudo defensora do socialismo, o único regime que, segundo ela, resolveria a «questão social». Afirmou que, sendo o capital «trabalho não pago» e tendo em conta a estrutura vigente, qualquer acção política «por mais liberal, mais democrática» que fosse, era «sempre conservadora e autoritária em face do problema operário».

Cortesia de centenriodarepblica
Angelina Vidal aproximou-se em 1879 do socialismo. Defensora da existência da incompatibilidade absoluta de interesses entre os capitalistas e os operários, considerava porém que as «classes directivas» e o capital tinham uma parte importante no destino dos povos, desde que fossem base do progresso, e não déspotas dos trabalhadores. Lutadora pelo associativismo operário e pela igualdade social, Angelina Vidal sempre disse que seriam os trabalhadores a conquistar, pela força do Direito e não pelo direito da força, a sua própria emancipação, munindo-se do arsenal da instrução social. A revolução «controlada» de Angelina Vidal era aquela que traria a ordem, a economia politica, o desenvolvimento industrial e agrícola, a descentralização, o federalismo, a separação entre a Igreja e o Estado, mas com respeito pela religião do foro íntimo. Em suma, era uma revolução que favoreceria a instrução, solidariedade, a paz, o trabalho e liberdade universal.

Continuando a apoiar os sindicatos, mas não os sindicalistas, então quase todos anarquistas, Angelina Vidal não cessou de defender reformas que pusessem fim à miséria das classes laboriosas e de denunciar a repressão dos operários pelo governo republicano. Pugnando pela greve como meio de luta económica, embora opondo-se à greve política continuou a alertar para o facto de a emancipação das classes trabalhadoras ser obra dos próprios trabalhadores. A bandeira destes deveria, no entanto, ser «vermelha de luz, mas não de sangue».
 
Cortesia de portalis 
«A vida dessa pobre senhora foi um verdadeiro calvário. Havia quem a apodasse de leviana e de pouco ponderada; mas o certo é que ela era uma mulher de grande ilustração e de espírito ardente, vivendo em profundo desequilíbrio com uma sociedade sorna, bafienta e estúpida. É que então o problema económico para nós apresentava-se como devendo ter uma solução política. Angelina Vidal que muitas vezes foi levar uma parte do seu vencimento de professora, a mansardas que outros não visitariam, foi a companheira de muitos homens que pela política conseguiram governar-se». In Irene Pimentel, Mário Campos Vidal.
Cortesia de Irene Pimentel/ Mário Campos Vidal/JDACT