Paolo Conte, autor de uma extensa discografia, este «cantautor» italiano foi definindo um estilo, um ritmo e uma melodia únicos: a voz profunda e o tom tendencialmente nostálgico estão presentes desde o seu trabalho de estreia, em 1974;
o álbum Novecento (1992) foi considerado emblemático pelas suas incursões no jazz, no musical e no tango;
o álbum Elegia (2004) foi um trabalho de plena maturidade artística, pela qualidade musical e poética das composições.
O novo álbum Nelson, é prova da singularidade de Paolo Conte, com uma música dedicada ao seu cão, Nelson, que ilustra a capa num desenho da sua autoria. Paolo Conte é «l’Avvocato» com gosto pelo jazz e blues. Primeiro, advogado e pintor, depois músico e compositor, Paolo Conte irá apresentar-se com a sua banda, pela primeira vez, no Centro Cultural de Belém no pf dia 5 de Maio de 2011». In Agenda do CCBelém.
«Lisboa, hoje. Um quarto de uma casa na Rua dos Douradores. Um homem inventa sonhos e estabelece teorias sobre eles. A própria matéria dos sonhos torna-se física, palpável, visível.
O próprio texto torna-se matéria na sua sonoridade musical. E, diante dos nossos olhos, essa música sentida nos ouvidos, no cérebro e no coração, espalha-se pela rua onde vive, pela cidade que ele ama acima de tudo e pelo mundo inteiro. Filme desassossegado sobre fragmentos de um livro infinito e armadilhado, de uma fulgurância quase demente mas de genial claridade. O momento solar de criação de Fernando Pessoa. A solidão absoluta e perfeita do EU, sideral e sem remédio. Deus sou eu!, também escreveu Bernardo Soares». In CCB. Adaptação do Livro do Desassossego de Bernardo Soares/Fernando Pessoa.
Uma das obras mais arriscadas da filmografia de João Botelho. A estreia está marcada para o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, CCB, no pf dia 29 de Setembro às 21h 30min.
Obra central da literatura portuguesa surge no cinema, dando «corpo» a Bernardo Soares o quase-heterónimo que Fernando Pessoa criou para «espelhar» a sua vida diária em Lisboa.
«Qualquer um de nós pode fazer um Livro do Desassossego: o Pessoa permitiu isso, é um puzzle sem fim nem solução. E isso é muito agradável no cinema». In João Botelho, Ípsilon, Jornal Público.
José Fontes Rocha e Joana Amendoeira serão testemunhas de um encontro de gerações que distam entre si quase 60 anos.
Nascido em 1926, Fontes Rocha conviveu com alguns dos mais importantes compositores, poetas e intérpretes, entre os quais Amália Rodrigues, e compôs alguns dos temas mais emblemáticos do repertório de fado. Assim, um dos melhores intérpretes de guitarra portuguesa de todos os tempos partilha aqui o palco com uma das fadistas mais representativas da geração que emergiu nos últimos vinte anos.
O segundo ciclo de Concertos à Conversa desta temporada é dedicado ao fado e conta com a direcção artística de Helder Moutinho.
Se é verdade que a música não necessita de explicações para ser apreciada, também é verdade que a escuta pode ser muito enriquecida se se tiver o privilégio de assistir a um concerto sentado ao lado de um conhecedor. Os Concertos à Conversa do CCB proporcionam-lhe essa oportunidade. O segundo ciclo de Concertos à Conversa desta temporada é dedicado ao fado e conta com a direcção artística de Helder Moutinho.
Se a história do fado conta com pouco mais de um século, as histórias do fado contam-se às centenas. E algumas ficam para a história. Helder Moutinho conhece-as bem. Nasceu numa família de fadistas e, ao longo dos seus quarenta anos, entre palcos e casas de fado, conviveu de perto com várias gerações de vozes, poetas, músicos e compositores. E porque um dos maiores prazeres da música reside no dá-la a conhecer aos outros, Helder Moutinho propõe-nos ouvir, ao longo de quatro concertos e quatro conversas, alguns dos mais destacados representantes das várias gerações que conhece do fado.
Um projecto que tem como premissa divulgar e dinamizar de forma cíclica, uma das formas musicais mais genuínas da cultura popular portuguesa. O fado cantado e falado por alguns dos seus mais representativos testemunhos, num encontro de artes, ofícios e gerações. O tema desenvolve-se em volta dos intérpretes, dos poetas, dos compositores e dos instrumentistas.
«Todos os que o viram nascer» e dele fazem parte, mais aqueles que por ele foram adoptados, ou que o adoptaram, e neste caso, os poetas da literatura portuguesa, como os grandes compositores de outras áreas musicais que acabaram por se entrelaçar na teia deste género musical, que se tornou num dos expoentes máximos da cultura portuguesa em todo o mundo. Primeiro pela voz de Amália Rodrigues, depois todos os que com ela acabaram por internacionalizar este género musical, em dois circuitos paralelos, o das comunidades portuguesas e de algumas salas importantes pelo mundo fora, mas sempre em representação da nossa cultura; e mais recentemente no âmbito da denominada «música do mundo» percorrendo agora as mesmas salas de espectáculos, mas também uma enormíssima lista de festivais espalhados pelo globo.
Cortesia do CCB
CARMINHO, dia 16 de Maio, 17 h;
JOSÉ FONTES ROCHA CONVIDA JOANA AMENDOEIRA, dia 23 de Maio, 17h;
RICARDO PARREIRA E FERNANDO ALVIM, dia 30 de Maio, 17h;
RODRIGO – OS FADOS TRADICIONAIS, dia 6 de Junho, 17h.
«Em 1649, ano em que parte para Estocolmo a convite da rainha Cristina da Suécia, René Descartes (1596-1650) publica o Tratado das Paixões, correntemente conhecido como As Paixões da Alma. Descartes aprofunda aí a sua especulação sobre o pensamento humano, desmistificando a crença de que os sentimentos se localizavam no coração e insistindo em que é o cérebro que comanda todas as manifestações exteriores das paixões da alma, e contribui para uma longa tradição de tentativas de sistematização das paixões. Dos artigos 53 a 67 enumera todas as paixões, mas no artigo 69 sustenta que há apenas seis “que são simples e primitivas”. Todas as outras derivam destas. Ei-las: a admiração, o amor, o ódio, o desejo, a alegria e a tristeza.
Este conjunto de paixões revelou-se o ponto de partida perfeito para os Dias da Música 2010. Na escolha das obras e compositores a ser apresentados nesta edição do festival, procurámos abranger os mais variados géneros e épocas, fazendo apelo à comunidade musical para que reflectisse connosco uma programação transversal aos séculos, abrangente e, esperamos, surpreendente na evocação das paixões que cada obra inspira. No fundo, queremos proporcionar-lhe três dias em que possa divertir-se, desfrutando de obras já bem conhecidas e de outras por descobrir, tudo sob uma perspectiva diferente: a das paixões da alma». In Boletim Abril, Maio, Junho 2010 do CCB.
Reconhecida intérprete de música de câmara, a soprano Ana Ester Neves, iniciou os seus estudos musicais em Faro. Abandonou os estudos em medicina, para se dedicar à música, formando-se, posteriormente, no Conservatório Nacional de Lisboa. Estudou no Royal College of Music de Londres e na Universidade de Boston onde concluiu o Mestrado em Interpretação.
Tem actuado em diversos palcos nacionais e internacionais e participado em gravações como sejam, por exemplo, a 6ª Sinfonia de Joly Braga Santos e a ópera Os Dias Levantados de António Pinho Vargas.
teluriarte, excerpt from Symphony Nº 6 (Final), Ana Ester Neves, soprano. Poem by Luis de Camões
Reconhecida intérprete de música de câmara, tem exercido uma actividade intensa quer em Portugal, quer na Inglaterra, Áustria, Alemanha, Itália, Grécia, Espanha, França e EUA. Nestes paises apresentou-se também nas óperas: Carmen (Micaela), A Traviata (Violetta), As Bodas de Fígaro (Contessa), Eugene Onegin (Tatyana), La Bohème (Musetta), Le Rossignol, L’Isola Disabitata, Porgy and Bess (Bess), D.Giovanni (D. Elvira), The English Cat, Parsifal, Boris Godunov (Xenya), Albert Herring (Lady Billows), Neues vom Tage (Laura) entre outras. Dedica parte da sua carreira à divulgação da música portuguesa, tendo-a apresentado em recitais em Paris, Madrid, Londres e Turim.
A música contemporânea também tem tido um papel de destaque na sua carreira. Estreou a ópera The Bacchae (Agave) de Theodore Antoniou em Atenas e as óperas portuguesas O Doido e a Morte (D.Aninhas) de Alexandre Delgado, Édipo, ou a Tragédia do Saber (Jocasta) e Os Dias Levantados (O Anjo Camponês) de António Pinho Vargas. Destacam-se as suas interpretações da 14ª Sinfonia de Chostakovitch, de Les Illuminations de B. Britten, e das Szenen aus Goethes Faust de R.Schumann.
teluriarte, Complexidades (2001) Medo-Fantasia-Desejo, dedicated to João Paulo Franco. CCB, erformers: Ana Ester Neves and Francisco Monteiro. Poem by João Franco.
Ganhou os prémios operáticos Gilbert Betjemann e Ricordi e obteve os primeiros prémios nos Concursos Internacionais de Canto Mary Garden (Inglaterra) e Luisa Todi (Portugal).
No campo da Pedagogia foi Professora Assistente da Disciplina de Canto na Universidade de Boston, leccionou Canto no Conservatório Regional do Algarve e na Universidade de Évora e Técnicas e Expressão Vocal na Escola Profissional de Teatro de Cascais. É convidada frequentemente para leccionar masterclasses de Canto nas Universidades e Conservatórios Portugueses. Tem realizado várias Acções de Formação sobre Técnica Vocal para Professores e para Locutores da Rádio e Televisão.
A crítica justifica: «...exibe uma forte fisicalidade e é por vezes provocador, político e profundamente pessoal, apresentando uma sociedade que é alienante e, no entanto estranhamente familiar. Os bailarinos revelam ritmos imparáveis, descontrolo e vulnerabilidades através de encontros complexos e comoventes. O seu efeito é quase um êxtase...uma obra poderosa».
Eis a opinião dos críticos de dança; «Os dançarinos emergem das sombras e bombardeiam o palco com uma energia furiosa. Estabelecem expressões entre eles, discutem, fazem as pazes. Tudo num riquíssimo trabalho, criado para uma vibrante partitura de percussão compsta por Shechter. O público fica sem fôlego».
Neste trimestre, aliás, a consulta não podia ser mais fácil, dada a natural proeminência que adquire o programa do festival Dias da Música em Belém, agora na sua quarta edição, dedicada às Paixões da Alma. Do amor ao ciúme, da admiração ao desprezo, da generosidade à inveja, mais de 70 concertos proporcionam uma visão da música ocidental articulada em torno deste núcleo conceptual, tomado de empréstimo a Descartes, que o teorizou em 1649, no seu Tratado das Paixões.
Numa edição que assinala a estreia da Orquestra Sinfónica Metropolitana como orquestra residente do festival, e que acolhe agrupamentos como a Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Coro das Astúrias, o Coro Lisboa Cantat, o Retrospect Ensemble (ex-King’s Consort), La Fenice, I Faggiolini, Atalanta Fugiens e a Orquestra de Câmara Portuguesa, os concertos de abertura e de fecho balizam o arco das paixões que aqui se celebram: uma oratória de Handel, L’Allegro, il Penseroso ed il Moderato, e a Nona Sinfonia de Beethoven serão dois dos momentos mais altos do programa.
A Dança estará em grande destaque neste trimestre, com a apresentação de Orfeu e Eurídice, coreografia de Marie Chouinard, de uma nova coreografia de Lia Rodrigues (com Leonor Keil e Amélia Bentes), ambos em Abril, da terceira produção com que Rui Horta encerra a sua residência como Artista Associado da Temporada do CCB, e da apresentação de Thomas Hauert, no âmbito do Festival Alkantara. Mas um dos pontos mais altos da temporada será a apresentação, em produção do CCB, da coreografia criada por Olga Roriz para A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, em espectáculos que terão a participação da Orquestra Sinfónica Metropolitana (Maio/Junho).
Junho será um mês de muitas músicas no CCB. A Carta Branca dada a Fausto promete ser um momento inesquecível na carreira do cantor, enquanto o ciclo De Bach a Kurtág, com oito concertos ao longo de quatro dias, constitui uma experiência inovadora de colaboração entre alguns dos agrupamentos em residência no CCB. Concertos da OSP, da OML e do Schostakovich Ensemble, e o regresso do Jazz às quintas-feiras, prometem animar as noites quentes do início do Verão. Uma tradição do CCB. Cortesia CCBelém/JDACT
Fundada pelo músico italiano Massimo Mazzeo, a Orquestra Barroca «Divino Sospiro» nasce da vontade e reunião de alguns músicos portugueses e residentes em Portugal, que no decurso dos anos foram desenvolvendo um trabalho de grande qualidade artística na área da interpretação da música antiga seguindo os princípios de fidelidade estilística e estética ao período barroco e clássico. Propõem um repertório constituído por compositores do universo musical deste período artístico.
Divino Sospiro é actualmente a orquestra residente do Centro Cultural de Belém em Lisboa, sendo este facto de fundamental e recíproca importância para o desenvolvimento em Portugal de uma realidade artística de alta qualidade a nível internacional. Conta regularmente com a direcção de Enrico Onofri que aceitou o convite para maestro oficial deste agrupamento.
É a primeira exposição antológica de Joana Vasconcelos em Lisboa. As suas esculturas são instalações com ar lúdico e crítico e de grande efeito visual, criadas muitas vezes através da introdução de desvios de funcionalidade de objectos que se podem assemelhar a peças de mobiliário ou equipamento.
A sua obra tornou-se mais conhecida do público português a partir de 2005, quando apresentou «A Noiva», (imagem em cima) um lustre feito com vinte mil tampões higiénicos femininos (na colecção António Cachola) e que foi escolhido como peça da entrada da Bienal de Veneza de 2005.
Joana de Vasconcelos expõe a sua colecção no Museu Berardo até 18 de Maio.
Sapato executado a partir de panelas tipicamente portuguesas, «Dorothy»
A 21 de Março comemora-se o Dia Mundial da Poesia, dia proclamado pela UNESCO, com o objectivo da defesa da diversidade linguística.
Pelo terceiro ano consecutivo e numa iniciativa conjunta do Plano Nacional da Leitura (Ministério da Educação, Ministério da Cultura e Ministério dos Assuntos Parlamentares) e do Centro Cultural de Belém, comemora-se no dia 21 de Março o Dia Mundial da Poesia. Um programa intenso, ao longo do dia, que se inicia, a partir das 11 horas, com a Feira do Livro de Poesia; o indispensável espaço para os espontâneos Diga lá um Poema; e um conjunto de oficinas e actividades que a Fábrica das Artes organiza para todas as idades.
O Dia Mundial da Poesia acolhe um concerto inserido no ciclo de Concertos à Conversa «Jogos Fantásticos» que irá decorrer no CCB até Abril. Será feita uma visita a uma das obras de António Pinho Vargas, Nove Canções de Ramos Rosa, na qual o compositor «joga» com os sons da voz e do piano, tratando musicalmente os versos do poeta. A conversa incidirá particularmente sobre este trabalho e contará com a participação do próprio compositor.
A Festa do Silêncio
Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
Hoje, 13 de Março, o Istanbul Oriental Ensemble, actua no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, CCB, inserido no Festival Pontes para Istambul. A quase esquecida magia da herança musical cigana na Turquia promete deliciar amantes de todos os tipos de música.
Istanbul Oriental Ensemble é um dos grupos que melhor preserva o estilo da música tradicional cigana da Turquia. O reportório inclui algumas antigas canções de amor turcas e peças contemporâneas compostas por membros da banda. De Istambul até ao CCBelém, um concerto intenso que mistura tradição, exotismo e modernidade.
Sou um homem afável, com uma certa distinção pessoal, modesto e acessível. Permaneço um homem do Interior, com formação coimbrã e lisboeta, quiçá, sempre provinciano e a meu modo sou culto e educado.