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terça-feira, 20 de setembro de 2016

O Legado do Vento. CG Fleck. «A maioria preferia as brincadeiras que misturavam meninos e meninas como jogos com bolas ou brincar às escondidas. Mas Rand já estava cansado desses jogos infantis, o que ele queria era se juntar aos meninos mais velhos que faziam torneios de lutas»

Cortesia de wikipedia e jdact

Ano 188
«(…) Rand estremeceu ao ouvir aquilo. Ele temia seu tio Milfred mais do que qualquer coisa e com certeza não faria nada que forçasse uma visita inesperada do tio. Assim Rand assentiu pela última vez antes de deixar a casa. Ele saiu pela porta da frente e atravessou o belo jardim da mansão Arns. Sua família vivia em Gorland a mais antiga cidade da Liga e uma das maiores e mais ricas das sete capitais. Gorland era uma bela cidade que ficava ao lado do grande rio Gör e no passado fora a capital do povo Gormano, mas atualmente era dividida não só pelo relevo, mas também em ideais. Rand, porém, ignorava tal fato naquele momento de sua vida, para o menino a cidade se restringia as belas casas e prédios da Cidade Alta, onde a elite gorlandesa vivia. Em sua curta vida, raras vezes ele descera o platô para conhecer a Cidade Baixa, onde o restante da população habitava. Quando Rand chegou ao parque viu que muitas crianças já se encontravam por lá. Os menores brincavam com os empregados da família ou acompanhantes, enquanto as maiores ficavam em grupos para se divertiram em jogos ou brincadeiras. A maioria preferia as brincadeiras que misturavam meninos e meninas como jogos com bolas ou brincar às escondidas. Mas Rand já estava cansado desses jogos infantis, o que ele queria era se juntar aos meninos mais velhos que faziam torneios de lutas, andavam livremente pelas ruas e às vezes desciam até à Cidade Baixa. Rand viu Silas Nuond sentado em um banco sob a sombra de uma árvore. Ele correu até lá e deu bom dia ao amigo. Os dois haviam nascido com alguns dias de diferença e viviam juntos desde então, mesmo que as suas famílias não concordassem com isso. Mas tudo mudara algumas semanas antes, quando Silas começara a andar com seu irmão mais velho, deixando Rand com as outras crianças no parque. Será que hoje eu posso ir com vocês?, indagou Rand, com tamanha ansiedade que esqueceu o cumprimento. Silas olhou para Rand de soslaio e deu de ombros. Você poderia pedir para ele, insistiu Rand. Para ele me expulsar? Você não lembra como foi difícil para eu ser aceite? Tive até que envolver meu pai, respondeu Silas demonstrando irritação. Mas eu não aguento mais ficar brincando com as meninas, resmungou Rand. Você sabe o que tem que fazer, só precisa passar pelo teste. Silas respondeu com impaciência. Mas eu não posso descer... Você sabe disso, respondeu Rand, que sem perceber corou. Por isso eles te chamam de bundão. Todo mundo sabe que você é um filhinho da mamã, disse Silas sem compaixão. Rand se calou, pois naquele momento Kevin e os outros se aproximavam. Kevin Nuond tinha três a mais do que Rand e Silas. Em breve o rapaz entraria para a Guarda onde seria treinado para ser um oficial. Ele seria um bom soldado, era forte e alto, o corpo truncado e braços cheios de músculos apesar da pouca idade. Mas o que mais chamava atenção em sua fisionomia era o seu olhar. Olhar de cachorro louco como diziam pelas suas costas, um olhar de quem era capaz de fazer coisas que as pessoas normalmente temeriam sequer imaginar. Kevin estava sempre acompanhando por seus amigos Aran, Owen, Liam e Niall, que o seguiam sem hesitação. Ei Silas, você vem ou não?, indagou o Nuond mais velho, sem ao menos notar a presença de Rand. Vou sim, respondeu o irmão mais novo, evitando olhar para Rand. Enquanto o amigo se levantava, a mente de Rand começou a trabalhar alucinadamente e num ímpeto que misturava coragem e desespero ele falou: Kevin, eu posso ir com vocês? Todos os meninos ficaram em silêncio por um segundo. Até que Liam e Niall explodiram em risos. Sem demora os demais acompanharam as gargalhadas e Rand se enfureceu, pois sabia o motivo do escárnio. Porém Kevin não ria. Com a voz séria e seu olhar estranho perguntou: você quer vir Arns? Mas o que a sua mãe vai dizer a respeito disso? Eu não quero problemas com ela, já ouvi o suficiente nos últimos dias, e lançou um olhar venenoso para Silas. Novos risos, até mesmo Silas estava rindo, pois não havia percebido a inferência do irmão. Somente Kevin e Rand estavam em silêncio. Ela não vai dizer nada, respondeu Rand. Ela não precisa saber. E eu vou quebrar a cara do próximo que rir da minha mãe. Rand lançou a ameaça com um olhar sério e a voz firme. Mas os outros não respeitaram as suas palavras de imediato. Aran, Niall, Liam continuaram rindo até perceberam o olhar fixo dele e pouco a pouco o riso morreu. Nesse momento quem riu foi Kevin, mas era o seu riso soou como o de um louco e assustou os demais. Ele concordou com a cabeça e fez um sinal para Rand segui-los. Ao todo eram sete rapazes, que agora se dirigiam para um dos caminhos que dava acesso às escadarias que levavam à Cidade Baixa. Os meninos alcançaram a passagem e lá encontraram dois guardas sentados ao redor de uma diminuta mesa de madeira. Um estava de costas para a rua enquanto o outro observava com o canto do olho as crianças que se aproximavam. Os dois pareciam entretidos com um jogo de ossos e não deram muita atenção ao grupo que passava pelo portão. Rand tinha a certeza de que se tentasse passar por ali sozinho estaria sendo conduzido para a sua casa nesse exacto momento». In CG Fleck, Legado do Vento, Wikipédia. 
Cortesia de Wikipedia/JDACT

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Legado do Vento. CG Fleck. «O menino observou a figura elegante de Morgan surgir no corredor à direita da escada e o seguiu até a sala de jantar, onde a sua família costumava ter as suas refeições»

Cortesia de wikipedia e JDACT
Ano 188
«Rand saltou da cama assim que os primeiros raios de sol entraram no seu quarto. Ele correu para a sacada e abriu a janela efusivamente, para admirar a silenciosa batalha entre a luz e as trevas pelo controle do céu. Mais um dia nascia em Gorland e naquele dia Rand conquistaria o seu maior objectivo até então, no alto dos seus onze anos de existência. Com a mesma ansiedade que acordara, o menino se dirigiu até à casa de banho para limpar o seu rosto e fazer as suas necessidades matutinas. Depois ele trocou suas vestes e correu porta fora. Atravessou o corredor que ligava os quartos e desceu a bela escadaria de madeira que ficava no centro da Mansão Arns. Mas, quando ele pôs os pés no último degrau, Morgan, o principal criado da casa, falou com a sua voz que que parecia sair do seio da terra: jovem mestre, por favor, não corra tão cedo. A comida está posta, venha-se alimentar com calma antes de sair. Rand suspirou fundo e balançou a cabeça concordando, mas por dentro amaldiçoava o empregado que sempre parecia adivinhar seus pensamentos. O menino observou a figura elegante de Morgan surgir no corredor à direita da escada e o seguiu até a sala de jantar, onde a sua família costumava ter as suas refeições. Justo no dia que seu pai havia viajado, após uma incomum estada prolongada, Rand fora descoberto e agora perderia tempo comendo e conversando com sua mãe até finalmente poder sair para brincar.
Ao chegarem à sala, Rand observou a mesa que fora preparada para ele e sua mãe. A quantidade de comida posta não lhe pareceu anormal, afinal ele fora criado naquelas condições, mas uma pessoa de bom senso saberia que tamanha fartura poderia alimentar uma família inteira por alguns dias na maior parte das residências da cidade. Rand, seu rosto está vermelho e vejo que já está suando tão cedo. Espero que não estejas correndo pela casa novamente, disse a voz serena e carinhosa de sua mãe. Como de costume ela estava sentada no lado direito da cabeceira da mesa. Clare Arns fora mãe muito cedo e Rand era fruto da sua segunda gravidez. Devido a complicações no parto, ele seria filho único para o resto da sua vida. Talvez por isso ela tenha amadurecido tão cedo e se tornado uma mãe zelosa, que muitas vezes limita a inconstante audácia do filho. Enquanto se encaminhava para o seu lugar na mesa, Rand ouviu a mãe dizer: precisa ser mais calmo, descer as escadas correndo pode ser perigoso. Prometa-me que não vai mais fazer isso. Rand assentiu para não preocupá-la, mesmo sabendo que correria daquela mesma maneira assim que saísse de casa. Então o menino se serviu de um pedaço de bolo e um copo de leite. Com mordidas vorazes devorou o delicioso bolo branco em segundos. Rand, que pressa é essa? Engula direito a comida e não se esqueça de comer algumas frutas. Sua mãe estava contra a janela e a luz da manhã iluminava seus cabelos dourados. O menino captou o olhar dela e sorriu. Já Clare, por sua vez, devolveu o sorriso e se dirigiu a uma das criadas pedindo mais chá. Rand pegou a maçã que parecia ser a mais vermelha da safra e a mordiscou sem vontade. Vai sair com seus amigos?, indagou Clare voltando-se para o filho.
Sim, vamos brincar no parque, respondeu Rand, um pouco nervoso. E vão ficar por lá?, perguntou sua mãe com sagacidade. A astúcia dela o pegou desprevenido. Rand não gostava de mentir para sua mãe, por isso ele acabou balançando os ombros como resposta, como se o assunto não tivesse importância. Você lembra o que o seu pai disse antes de sair?, perguntou Clare. Ele não quer que você ande por aí com aqueles Nuond e os amigos deles. Rand suspirou. Seu pai vivia colocando limitações para com quem ele deveria brincar ou não. E fazer parte do grupo de Kevin Nuond era tudo o que Rand mais desejava. Kevin e seus amigos faziam o que lhes interessava sem dar explicações a ninguém. Não se limitavam as brincadeiras infantis que as outras crianças repetiam todos os dias no parque. Mãe, eu sei me cuidar e eu escutei o que o pai disse, mas naquele dia Roland Arns não estaria em casa para se preocupar com o que Rand iria fazer ou não.
Clare franziu a testa ao ouvir o comentário, mas não insistiu no assunto. Rand agradeceu por isso e terminou a sua refeição. Enquanto o menino se erguia para deixar a mesa, ela falou: tem a manhã toda para brincar lá fora, mas à tarde, Alam virá para acompanhar os seus estudos. Tente não se sujar muito, está bem? Rand bufou, ele detestava aquela rotina incessante de estudos que era submetido. Todos os dias durante as manhãs e as tardes ele estudava História, Matemática, tradição, línguas e treinava seu corpo para o uso da espada, do arco, ou para nadar e cavalgar. Era o único que tinha tamanha rigidez em suas tarefas, por sorte naquela manhã seu tutor tivera que resolver outros assuntos, com isso Rand poderia aproveitar a manhã, não apenas algumas horas. E Rand, lembre-se que na ausência do seu pai, o seu tio é o responsável pela nossa casa, disse Clare. Por isso não faça nada que eu precise da ajuda dele para resolver, não quero que ele tenha pretextos para vir aqui na ausência de Roland». In CG Fleck, Legado do Vento, Wikipédia.

Cortesia de Wikipedia/JDACT