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sábado, 27 de novembro de 2010

Terramoto de 1755. Lisboa: Uma nova recriação virtual mostra como era Lisboa antes do sismo. Ruas e edifícios que ruíram, como a Casa da Ópera ou a Rua Nova dos Ferros, ergueram-se agora da destruição. A viagem a essa Lisboa antiga pode fazer-se até ao pf dia 31 de Dezembro no Museu da Cidade

Cortesia de SWD Agency

Com a devida vénia a Teresa Firmino.

Uma nova recriação virtual mostra como era Lisboa antes do sismo de 1755. Ruas e edifícios que ruíram, como a Casa da Ópera ou a Rua Nova dos Ferros, ergueram-se agora da destruição.
A viagem a essa Lisboa antiga pode fazer-se até ao pf dia 31 de Dezembro no Museu da Cidade.

«Lisboa 1755. A Cidade à Beira do Terramoto, Reconstituição virtual da Lisboa pré-pombalina. O Museu da Cidade, em conjunto com a empresa portuguesa SWD Agency, recriou virtualmente ruas, praças e edifícios emblemáticos da capital antes da destruição provocada pelo sismo de 1755. Como era a capital no dia 31 de Outubro de 1755, véspera do dia fatídico que arrasou Lisboa? Uma nova recriação virtual mostra como eram as ruas, os edifícios que ruíram, a Casa da Ópera ou a Rua Nova dos Ferros. Os visitantes do Museu da Cidade poderão agora ver como era a capital, em vídeos em 3D e reconstituições com a possibilidade de rotação a 360 graus de uma determinada parte da cidade pré-pombalina». In Jornal PÚBLICO


Cortesia DN Artes
Recuemos até 31 de Outubro de 1755, véspera do sismo que arrasou Lisboa. Deambulemos pelo emaranhado de ruas sujas e nauseabundas, de traça medieval, e depois continuemos a pé até à beira do Tejo. Entre o labirinto de casas e ruelas desordenadas, abre-se o Terreiro do Paço, praça ampla com uma fonte no meio: de um dos lados, sobressai o torreão do Paço da Ribeira, onde vivem o rei e a corte. Não muito longe, encontramos a Igreja da Patriarcal, a recém-construída Ópera do Tejo ou a Ribeira das Naus, onde ficam estaleiros de construção naval. Maqueta de Lisboa antes do terramoto de 1755 (Foto: DR)

No dia seguinte, 1 de Novembro, pelas 9h30min da manhã, a crosta terrestre rompeu-se no mar, ao largo de Portugal, e a terra tremeu com uma tal violência que grande parte da cidade ficou reduzida a escombros. Com magnitude de 8,5 graus, um dos maiores sismos de que há memória, o terramoto de 1755 é considerado a primeira grande catástrofe natural da história.

Cortesia de aguaeterra
Uma hora e meia depois chegou o maremoto, gerado pela deformação no fundo do mar quando se deu o sismo, e inundou a zona ribeirinha da capital. Por último, os incêndios. Os fogões no casario denso, sempre acesos, atearam fogos que cobriram Lisboa de negro.
Terão morrido 10 mil pessoas, nas estimativas recentes, entre as 200 mil que habitavam a cidade. Umas terão ficado debaixo dos escombros. Aquelas que fugiram para as margens do Tejo, sobretudo o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré, foram apanhadas pela onda, que chegou com 5 metros de altura e avançou 250 metros terra adentro.




Cortesia de memoriavirtual
Foi em cima destas ruínas que renasceu uma Lisboa de ruas largas e geométricas na Baixa, tal como conhecemos agora. A cidade erguida da catástrofe, cujos trabalhos de reconstrução foram dirigidos por Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro Marquês de Pombal, sepultava assim muitos vestígios da antiga, descrita nos textos da época como caótica, cujas ruas e becos não obedeciam a qualquer plano prévio. Descreviam-na ainda como nojenta, as bacias com dejectos eram despejadas no Tejo, e contava-se que estava sempre a ser fustigada por incêndios.

Cortesia de SWD Agency  


Cortesia de SWD Agency

Cortesia de SWD Agency/Museu da Cidade/DN Artes/Teresa Firmino/JDACT

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Salvaterra de Magos: Parte IV. O Teatro. A Ópera. De 1753 a 1792, foram representadas em Salvaterra 64 produções operáticas e ali actuaram os mesmos artistas dos restantes teatros régios


JDACT
O Teatro

Com a devida vénia a Joaquim Manuel S. Correia e Natália Brito C. Guedes, «O Paço Real de Salvaterra de Magos», Livros Horizonte, 1989, ISBN 972-24-0723-6, publico algumas palavras.

«Sobressai a toda esta vila a eminência da Casa da Opera de Sua Majestade e adjunto a esta o Palácio Real» observava o P. Miguel Cerqueira nas «Memórias Paroquiais» que redigiu em 1758.

«O Real teatro de Salvaterra de Magos foi inaugurado em 2I de Janeiro de 1753 com a Opera «Didone Abandonata» (composição de Metastásio e música de David Perez) tendo-se representado também no Carnaval desse ano e talvez no mesmo dia o «intermezzo» a duas vozes «La Fantesca, de Adolfo Hasse». Diversas representações, dramas, sérios ou jocosos, «intermezzos», se lhe sucedem com grande êxito cénico e musical sempre que no Inverno a Familia Real permanecia em Salvaterra.

Um ilustre viajante francês que ali se deslocou, no Carnaval, em 1765 registou, nas suas «Memórias»: «À noite assistimos à Ópera composta por oitenta músicos italianos, não só instrumentistas mas também cantores; como a Rainha não gosta de actrizes, os papéis femininos são executados por jovens castrados que têm vozes encantadoras, tão bem vestidos e representando com tanta perfeição que quem não estiver prevenido, enganar-se-á .. Tocava-se «Demetrius, de Metastásio, em que a música do Sr. Perez é de grande beleza, quer em frases quer em acompanhamento, e os instrumentos estão tão bem ligados às vozes que se pode dizer que é uma das melhores óperas que existe na Europa.

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«Esta Ópera de «Demetrius» custou ao rei 200 mil cruzados. O guarda-roupa, bordado a ouro e prata finos, é riquissimo, bordado em Milão. As decorações são pintadas pelos melhores pintores. O rei, a rainha, a princesa do Brasil e as princesas suas irmãs, são grandes músicos e cantam bem (...).

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«A sala de espectáculos de Salvaterra tem uma lotação de 500 pessoas; tem três filas de camarotes de primeira (três camarotes de cada lado); ao fundo um anfiteatro com uma galeria que prolonga de cada lado os primeiros camarotes. Este anfiteatro está coberto com um reposteiro franjado, apoiado em pilares como uma tenda; neste se situa o lugar do Rei que se senta num cadeirão, ao meio, tendo à sua direita o Infante D. Pedro, seu irmão e seu genro e à sua esquerda a Rainha, a Princesa do Brasil e as três outras princesas e ao longo da galeria, à esquerda, as damas de honor. O outro lado, à direita da galeria, fica vazio há oito segundos e oito terceiros camarotes que são ocupados por portugueses aos quais se oferecem bilhetes. Os Ministros do Rei estão sentados na plateia com os fidalgos, sem distinção de categoria. A orquestra tem cerca de 25 a 30 instrumentos. O teatro é bastante grande, ocupando todo o comprimento da sala; o espectáculo começa logo que o Rei entra, vulgarmente cerca das seis e meia, sete horas. A ópera dura 4 horas; verificando-se o maior silêncio. O bailado do 1º «acto do «Demetrius» representa a sala de um mecânico ou maquinista que mostra a um curioso ou estrangeiro um autómato, em que premindo uma mola faz executar diferentes danças e bailados. Primeiro assiste-se a uma entrada de «Pierrots» em seguida a uma de «Espanhóis», de «Arlequins» e «Columbinas» às «mosqueteiros», etc., em que os passos são executados pelos dançarinos como se fossem comandados por molas. Vêm comunicar ao Maquinista que alguém o chama; este sai e o curioso aproveita a sua ausência para examinar os autómatos e observa a máquina, pressiona a mola e os autómatos recomeçam a dançar; como pretende mudar rapidamente a dança anima-se, embaraça-se e por fim escangalha-se a mola; a máquina desafina-se e os autómatos caem de cabeça para baixo, pés para cima, cada um com uma atitude diferente do que resulta um espectáculo divertido; com o barulho o Maquinista chega espantado ao ver as máquinas viradas; tenta recuperá-las e percebe que os fios ou molas estão partidos. Precipita-se sobre elas desesperado e corre atrás do curioso; este foge, atravessando os acessos em que tinham descido os autómatos. «Este bailado é muito bem desenhado e de agradável invenção. O bailado do2º acto é Pantomina. Vê-se ao longe uma ilha sobre o mar e um Príncipe que nela naufraga esta ilha é ocupada por uma feiticeira que quando se apaixona transforma os seus companheiros em estátuas».

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Ela apressa-se em fazer amizade com o Príncipe mas este está ocupado em procurar os seus companheiros; logo que os descobre fica furioso. A feiticeira toca-lhe com a sua varinha, adormecendo-o, e ele cai sobre uma cama de relva; algumas ninfas vêm com flores e saem de repente. Ele acorda e parece envergonhado por se encontrar prisioneiro; a feiticeira finge em ter pressa de o libertar. Ele aparenta querer agradecer-lhe beijando-lhe a mão, mas este era o pretexto para lhe apanhar a varinha. Com a varinha, toca a feiticeira que é arrastada por um carro puxado por dragões. Ele reanima os seus companheiros e imediatamente embarca para fugirem desta ilha.
...«No dia seguinte o Rei voltou da caça às 5 horas. Depois do jantar foi à Ópera ouvir um pequeno «intermezzo» italiano, intitulado «La Cacina».

Alguns cartazes da época
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O gosto pela música era timbre da Família Bragança, atraindo-os em especial a ópera; foi aliás no Paço Ducal de Vila Viçosa que o duque D. João, futuro rei, promovera os primeiros espectáculos pré-operáticos. Os tradicionais «vilancicos» cantados nas noites de Natal e dos Reis, «tragicomédias», «zarzuelas» (memorável a de 1704 «Hazer de cuenta sin ia huéspede» a que assistiu D. Pedro II) prepararam a boa aceitação, em Setecentos, da nova expressão teatral em moda, de influência italiana, a ópera. Se até final do século XVII eram preferidas as composições espanholas, com o início do reinado de D. João V será a Itália que se vão buscar os libretos dos «intermezzi» de Il D. Chisciotte della Mancia (1728), «La Pazienza dì Socrate» (1733), «La finta Pazza» (1731) e «La Spinalba» (I739) representadas num palco improvisado do Paço da Ribeira.

O primeiro teatro de ópera italiana em Portugal será organizado pelo violinista da Capela Real de Lisboa, Alessandro Paghetti, na Academia da Praça da Trindade; a este se sucedem o Teatro Novo da Rua dos Condes, onde se representava «ópera séria» de compositores italianos e o Teatro do Bairro Alto, em que desde 1733 se representavam «óperas Portuguesas» de António José da Silva.
Em Março de 1755 inaugura-se o Teatro junto ao Paço da Ribeira, a «Opera do Tejo», segundo projecto do Arquitecto italiano Giovanni Carlo Bibiena, que o terramoto, sete meses depois, reduziria a cinzas.

Alguns cenários 
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Os teatros do Paço de Queluz, da «Quinta de Cima» da Ajuda e o do Paço de Salvaterra passam então a ser frequentados com maior assiduidade pela corte. Sobretudo o de Salvaterra não interrompe a sua actividade; no período conturbado que se seguiu à grande catástrofe, a corte acompanhando a Família Real manteve as deslocações àquela vila, no início de cada ano.
«Demetrius» teria custado ao Rei, em 1765, duzentos mil cruzados, diz-nos o citado viajante francês, sem comentários. Soma diminuta para o seu País, habituado há quase um século a espectáculos musicais que envolviam grande aparato, mas para o erário português era considerável dispêndio; Por este motivo o Rei determinava saíssem do seu «Bolsinho Particular» grandes reforços, permitindo que à ópera assistissem desde «os simples burgueses», diz-nos o viajante francês, «ao mais alto Senhor» que, obedecendo à pragmática, trajava comummente de «saragossa castanha»; "O Conde de Oeiras, o Duque de Cadaval e outros, não trazem outras casacas"...

As despesas com as óperas de Salvaterra estão detalhadamente documentadas no «Arquivo da Casa Real» oscilando o total, na década de 70, entre 20 a 25.000$000 anuais; as parcelas mais elevadas eram sempre a iluminação, as comedorias, o guarda-roupa e as ajudas de custo.
Duzentas e noventa moedas de ouro de quatro mil e oitocentos réis cada, foi o "cachet" do casal de artistas italianos Vitalba, em 1754, tendo direito ainda a viagens pagas e «casa armada» em Lisboa.

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Nas últimas décadas do século XVIII o guarda-roupa Para as principais óperas era executado em Milão, encomendado por intermédio de João Piaggio, cônsul de Portugal em Génova; os materiais para decoração da cena e adorno dos artistas são minuciosamente descritos na correspondência que acompanhava as «guias de remessa». De 1753 a 1792, foram representadas em Salvaterra 64 produções operáticas e ali actuaram os mesmos artistas dos restantes teatros régios.

Cortesia da CMSalvaterra de Magos/JDACT