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segunda-feira, 17 de março de 2014

O Segredo Mortal dos Templários. Robert Ambelain. «Denomina-se estafermo a um manequim de madeira, montado sobre um eixo giratório situado sobre uma base, que tinha amarrado no braço esquerdo, estendido, um escudo de torneio, e no braço direito, também estendido, um comprido e sólido pau»

Cortesia de wikipedia

«(…) Mas Raimundo-Roger, conde de Foix, é mais encarniçado ainda que seu soberano Raimundo VII, conde de Tolosa. Julguem por si mesmos. Em primeiro lugar, vive praticamente rodeado de hereges. E, de cara aos privilegiados da Igreja católica e seus clérigos, não se sente em modo algum complexado por isso, coisa que horroriza ao Pierre des Vaux de Cernay, cronista decididamente católico da Cruzada. De modo que, ao possuir a jurisdição de Pamiers junto com o abade de Saint-Antonin, faz todo o necessário para enojar a este e lhe obrigar a renunciar. Assim, por exemplo, autoriza a dois cavaleiros de seu séquito a instalar a sua anciã mãe na abadia. Todavia, como tal senhora é uma perfeita bastante conhecida, os monges de Saint-Antonin jogam-na dali sem contemplações, como uma emprestada daquela época. Diante disto, um dos dois irmãos degola, sobre o altar, o cónego que tinha golpeado a sua mãe. Continuando, alertado pelos dois cavaleiros, Raimundo-Roger acode ao Saint-Antonin com seus homens de armas e seus oficiais, joga ao abade e aos cónegos, faz demolir parte da capela, o dormitório e o refeitório, e transforma a abadia em fortaleza. No curso do inevitável saque da capela, os homens de armas quebram um crucifixo de madeira maciça, e utilizam suas lascas como mão de morteiro para socar as especiarias de suas comidas. No outro dia, os cavaleiros do séquito do Raimundo-Roger desprendem da cruz a um Jesus de tamanho natural, vestem-no com uma cota de malha e tomam como alvo na justa chamada do estafermo, jogo de armas reservado aos fidalgos e cavaleiros nobres e a cada lance gritam que se redima.
Denomina-se estafermo a um manequim de madeira, montado sobre um eixo giratório situado sobre uma base, que tinha amarrado no braço esquerdo, estendido, um escudo de torneio, e no braço direito, também estendido, um comprido e sólido pau. Se o justador golpeava torpemente com sua lança, e ao galope, o escudo do manequim, e não se agachava a tempo sobre o pescoço do cavalo, o manequim girava sobre si mesmo sob o efeito do choque, e atirava automaticamente um paulada na nuca ou na espinha dorsal do torpe cavaleiro. Sem comentários. Cavar um orifício e introduzir um pau a modo de eixo na base de um Cristo de tamanho natural, para convertê-lo logo num teatro de fantoches irrisório, que servia de alvo em um jogo de armas, demonstra o pouco caso que os nobres crentes cátaros faziam do Jesus da História. Quanto a seus apostrofes de que se redimisse o personagem rebaixado à categoria de alvo, não podia tratar-se de resgate algum, já que o jogo do estafermo não era um torneio. É fácil compreender o carácter insultante de semelhante apostrofe de cara ao personagem histórico assim representado. Por outra parte, quando os cátaros falam do Espírito Santo, esta expressão designa uma entidade do panteão gnóstico, mas, de modo algum uma emanação eterna nascida das relações essenciais entre o Pai e o Filho.
Desta utilização prudente da terminologia cristã ordinária numa linguagem esotérica e secreta, próprio do catarismo, ficava uma prova peremptória, testemunhada pelas actas dos interrogatórios: é o facto de designar a sua própria Igreja, constituída a única e interiormente pelos perfeitos, sob o nome de Virgem Maria. Quem ia supor, ao ouvir por acaso esta expressão, que ela designava, em realidade, o bastião interior da heresia? Vejamos uns textos definitivos a respeito:
Negam, do mesmo modo, que a bem-aventurada Virgem Maria tenha sido a verdadeira mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, e que fosse uma mulher de carne e osso. A Virgem Maria, dizem, é sua seita e sua ordem, quer dizer, a verdadeira penitência casta e virginal, que engendra aos filhos de Deus, assim que estes são iniciados em tal seita e tal ordem. Desta afirmação quanto ao engendramento dos filhos de Deus por essa Virgem Maria, puramente convencional, desprende-se a conclusão de que todos aqueles a quem a Igreja cátara engendra sob tal nome se tomam ipso facto em idênticos e semelhantes ao Jesus Cristo. A partir desse momento, a noção cristã de um único redentor fica aniquilada por essa multiplicação ilimitada. Esta conclusão conduz a outra, ou seja, que o Evangelho de São João, o único utilizado pelos cátaros do versículo um até ao dezassete, não é mais que um truque, já que o seu ensino oral nega, como acabamos de ver, a unicidade do Verbo Encarnado, afirmado por tal evangelho.
Observaremos, por outra parte, que frequentemente se confundiu aos vaudois com os cátaros. Os primeiros chocaram frequentemente com os segundos, já que se desenvolveram nas mesmas regiões e nas mesmas épocas. Pois bem, os vaudois, igual aos cátaros, estavam divididos em perfeitos e em crentes. Esta identidade das palavras que os designavam faz que frequentemente se considerem, equivocadamente, os rituais vaudois como rituais cátaros, e que se pode supor, de boa fé, que os cátaros eram cristãos. Mas unicamente o eram os vaudois, no sentido absoluto do termo, embora sem ser católicos. Em troca, tal como já vimos, os cátaros não o eram absolutamente. Para qualquer demonstração sobre o que antecede, remetemos à Practica do inquisidor Bernard Gui. Provavelmente este é o mesmo caso no qual concerne ao Jesus Cristo. Charles Guiguebert demonstrou que as seitas esotéricas judias de antes de nossa era invocavam a uma entidade chamada Jeshuah (Jesus em hebreu). Ainda não se tratava, para eles, do Jesus da História, evidentemente. Pois bem, Jesus Cristo quer dizer, literalmente, Salvador Sagrado (do hebreu Jeshuah e do grego Khristos). Por outra parte, todo cátaro que recebesse o consolamentum devia pronunciar antes, em voz alta, a fórmula da abrenuntiatio, mediante a qual renegava solenemente do baptismo de água recebido em seu nascimento, declarava não acreditar nele e renunciar a ele. Assim ficavam apagadas ante seus olhos a cruz que tinha marcado sua fronte e as unções que lhe tinham seguido». In Robert Ambelain, Jesus ou le mortel secret des Templiers, 1970, Éditions Robert Laffont, Paris, O Segredo Mortal dos Templários, Ediciones Martinez Roca, 1982, Barcelona, ISBN 84-270-0727-2.

Cortesia de Roca/JDACT

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Segredo Mortal dos Templários. Robert Ambelain. «As mulheres, mais valorosas e mais ardentes, não esperam já a sua última hora para colocar a famosa túnica negra das “perfeitas”. E as nobres famílias vassalas dos condes de Foix e dos viscondes de Béziers, contam todas com ‘hereges revestidos’ entre seus membros»

Cortesia de wikipedia

«(…) Tratava-se de fazer do mundo inteiro uma terra Santa. Mas, para isso, primeiro teriam que se apoderar do mundo. Mas como, a uma minoria valente, organizada e rica, muito vagamente consciente da grandiosa finalidade de suas façanhas, porém, sabiamente dirigida por um grupo de iniciados, e que soubesse guardar o segredo e obedecer cegamente, era-lhe perfeitamente possível. Todavia, chegou o dia em que a coisa saiu à luz e em que os fugitivos, orgulhosos decepcionados ou amargurados, falaram. O rei da França farejou o ganho, e soube fazer cúmplice ao papa, quem já era seu devedor do acordo nocturno do bosque de Saint-Jean-d'Angély. O tesouro real e o dogma romano tinham o xeque-mate em suas mãos. Então, os servos da justiça engraxaram a madeira dos potros, e os verdugos puseram ao vermelho candente suas tenazes ardentes. E quando se apoderaram de todo o dinheiro do Templo e confiscaram os feudos e as encomendas, acenderam-se as piras.
Sua fumaça negra, gordurosa e fedorenta, que entrevava alvoradas e crepúsculos, desterrou, durante seiscentos anos, a esperança de uma unidade europeia e de uma religião universal que unisse a todos os homens. Mas essa fumaça, acima de tudo, ia afogar a verdade sobre a maior impostura da História. Por isso, para afastar sua sombra maléfica, é que foram escritas estas páginas, embora depois de muitas outras, já que, muito antes dos Templários, os cátaros tinham conhecido e propagado esta verdade. E foi calar suas vozes pelo que fizeram aniquilar a civilização occitana, como vamos demonstrar a seguir. Roncelin de Fos, o mestre Roncelin dos interrogatórios, possuía como senhorio um pequeno porto que levava seu nome (Fos-sur-Mer), situado ainda em nossos dias na entrada ocidental do lago de Berre. Era então vassalo dos reis da Mallorca, os quais dependiam dos reis de Aragão, defensores da heresia cátara na batalha do Muret, no ano 1213. Béziers, a cidade mártir da Cruzada, está muito perto, e a matança efectuada sobre toda a sua população (100.000 pessoas) pelos cruzados de Simão de Montfort, em 22 de Julho de 1209, católicos e cátaros incluídos. Em seu coração aninhou o ódio contra a Igreja católica, que era então sinónimo de cristianismo, de modo que para ele ambos estavam englobados dentro de uma aversão comum. Os atestados dos interrogatórios que os inquisidores nos legaram são bastante moderados em relação às apreciações atribuídas aos hereges sobre o Jesus de Nazaré. Podemos julgá-lo nós mesmos; a seguir veremos o que terá que deduzir de tudo isso. O Manual do Inquisidor do dominicano Bernard Gui (1261-1331), intitulado Practica, proporciona a este respeito preciosos detalhes: A Cruz de Cristo não deve ser nem adorada nem venerada, já que ninguém adora ou venera o patíbulo no qual seu pai, um familiar ou um amigo foi enforcado. (dicunt quod crux Christi non est adorando nec veneranda, quia, ut dicunt, nullus adorat aut veneratur paábulum in quo pater aut aliquis propinquus vel amicus fuisset suspensus...) item, negam a encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo no seio da Maria sempre virgem e sustentam que não adoptou um verdadeiro corpo humano, nenhuma verdadeira carne humana como a têm os outros homens em virtude da natureza humana, que não sofreu nem morreu na cruz, que não ressuscitou dentre os mortos, que não subiu ao céu com um corpo e uma carne humanos, mas sim tudo isso aconteceu de modo figurado!... (ítem, incarnationem Domini Ihesu Christi ex María semper virgine, asserentes ipsum non habuisse verum corpus humanum nec veram carnem hominis sicut habent ceteri homines ex natura humana nec veré fuisse passum ac mortuum in cruce nec veré resurrexisse a mortuis nec veré ascendisse in celum cum corpore et carne humana, sed omnia in similitudine facía fuisse!...
É fácil compreender semelhante prudência na transcrição das respostas: o facto de manter e relatar a verdadeira opinião dos perfeitos sobre Jesus de Nazaré teria significado destruir o trabalho depurativo dos padres da igreja e a dos monges copistas. Isso explica que tenham chegado às nossas mãos tão poucos atestados completos do interrogatório dos perfeitos. Em relação aos simples crentes, que ignoravam a doutrina total, esses tinham menor importância. Mas a verdade é muito distinta. Na época em que se desenvolve o início da Cruzada os nobres tolosanos, os vassalos dos condes de Foix e dos Trencavel, os viscondes de Béziers, se não receberam já o consolamentum dos perfeitos cátaros, todos eles são, em sua maioria, crentes. Terá que incluir já entre eles aos templários de certas regiões, tendo em conta a sua estranha atitude no curso da Cruzada? Este ponto ainda não está bem elucidado. Seja como for, os vassalos dos condes de Foix e dos viscondes de Béziers albergam, todos, aos perfeitos, amparam suas reuniões, e às vezes recebem o consolamentum em seu leito de morte. As mulheres, mais valorosas e mais ardentes, não esperam já a sua última hora para colocar a famosa túnica negra das perfeitas. Os textos dos interrogatórios da Inquisição (maldita) são explícitos a este respeito. E as nobres famílias vassalas dos condes de Foix e dos viscondes de Béziers, os Fanjeaux, os Laurac, os Mirepoix, os Durban, os Saissac, os Cháteauverdun, os de L'Isle-Jourdain, os Castelbon, os Niort, os Durfort, os Montréal, os Mazerolles, os des Termes, de Minerve, de Pierrepertuse, etc., para não citar senão as famílias principais, contam todas com hereges revestidos entre seus membros, e todos os outros são crentes ou simpatizantes». In Robert Ambelain, Jesus ou le mortel secret des Templiers, 1970, Éditions Robert Laffont, Paris, O Segredo Mortal dos Templários, Ediciones Martinez Roca, 1982, Barcelona, ISBN 84-270-0727-2.

Cortesia de Roca/JDACT

O Segredo Mortal dos Templários. Robert Ambelain. «… depois de me haver recebido e colocado o manto, trouxeram-me uma cruz em que havia uma imagem de Jesus Cristo. O irmão Amaury disse-me que não acreditasse naquele cuja imagem estava representada ali, já que era um falso profeta, não era Deus...»

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«O silêncio é a arma mais poderosa do mal…»  In Maurice Magre

«Data, 21 de Outubro de 1307. Uma janela ogival, estreita e alta, apenas permite a entrada da luz do dia. Achamo-nos numa ampla sala abobadada do velho Louvre de Felipe Augusto, que a fumaça das tochas murais obscurece ainda um pouco mais. Atrás de uma mesa de tosca madeira, uns homens vestidos com pesadas roupagens, com os rostos tensos e crispados pelo ódio, os legistas de Felipe IV, o Formoso, escutam a voz baixa e triste que se eleva de um vulto de roupas imundas e manchadas de sangue, caído diante deles. Detrás, uns carcereiros revestidos de couro e malhas, com rosto impassível, curtido pelas campanhas. O homem que fala é um templário, chama-se Godofredo de Charnay, e foi comendador da Normandia. Hoje, depois de ter sido trabalhado duramente durante vários dias pelos verdugos do palácio, conta as circunstâncias de sua admissão na Ordem do Templo, e toda a sua juventude, apaixonada pelas façanhas guerreiras a cavalo e pelas carreiras marítimas sob o esplêndido sol mediterrâneo, acode agora a sua memória... Sem dúvida, e apesar do atroz sofrimento que lhe causam as suas pernas, que os verdugos foram lubrificando lentamente, durante horas, com azeite fervendo, negou tenazmente a sua homossexualidade, uma das primeiras acusações que lhe faziam. Sem dúvida afirmou que ignorava tudo que lhe dizia sobre a suposta adoração ritual de um gato preto, ou sobre uma misteriosa cabeça num relicário de prata. Mas quanto a renegar a divindade de Jesus, confessou, e mais, inclusive proporcionou detalhes: … depois de me haver recebido e colocado o manto, trouxeram-me uma cruz em que havia uma imagem de Jesus Cristo. O irmão Amaury disse-me que não acreditasse naquele cuja imagem estava representada ali, já que era um falso profeta, não era Deus...
O comendador que impunha semelhante abjuração ao jovem Godofredo de Charnay, futuro comendador da Normandia, chamava-se Amaury de la Roche, e era o amigo e favorito de são Luis... Esta confissão de Godofredo de Charnay confirmava a de outro cavaleiro templário. A este outro, o comendador que acabava de proceder à sua recepção tinha assegurado, ao lhe ver retroceder horrorizado: … não tema nada, filho. Este não é o Senhor, não é Deus, é um falso profeta... Muitas outras confissões parecidas completaram o expediente. Numa das obras mais completas que se consagraram a este processo, M. Lavocat resume as perguntas formuladas aos templários pelos inquisidores, tal como aparecem no próprio expediente: … alguém se encontrava frente às conclusões de inculpação e de informação já estabelecidas, elaboradas por uns juristas versados na ciência das heresias infligidas à Igreja. Os prelados instrutores estavam encarregados de investigar se os Templários eram gnósticos e docetas, ou, o que era pior, maniqueus, dos que dividiam Cristo num Cristo superior e um Cristo inferior, terrestre, passivo, partidista, vivo e cativo na Matéria, cuja Organização ele constituía. Formariam parte daquelas antigas seitas chamadas libertinas dos gnósticos carpo-cratianos, nicolaístas e maniqueus? Teriam abraçado a religião de Mahoma, como pretendia a Chronique de Saint-Denys? Ficava ainda um ponto por examinar, mas difícil de conciliar com os outros. Os irmãos do Templo consideravam Jesus como um falso profeta, como um criminoso de direito comum, que teria sido condenado e executado por seus crimes? Ao confirmar-se esta última hipótese, os Templários se teriam somado ao número dos assassinos de Jesus, a quem crucificavam pela segunda vez, como escrevera Felipe, o Formoso?
Nestas últimas perguntas, os inquisidores demonstravam estar perfeitamente informados. Cem anos antes, os interrogatórios aos perfeitos cátaros tinham-lhes revelado um segredo que sempre, até então, tinham ignorado, posto que era secreto da Igreja, unicamente conhecido por seus mais altos dignatários: a revelação do verdadeiro rosto de Jesus na História. Esse rosto tinha sido registado nos arquivos do Império romano. E depois de Constantino tinham-no expurgado. O judaísmo tinha-o conhecido, e na tormenta das perseguições que se abateram fazia mil e trezentos anos sobre os desafortunados judeus se conseguiu confiscar, destruir ou modificar os escritos comprometedores. Tinham-no conhecido os cátaros, e se tinha destruído esta heresia, assim como seus documentos manuscritos. Tinham-no revelado aos Templários. E agora do que se tratava era de destruir a estes. Aí estavam as confissões, formais, de numerosos irmãos da Ordem que sabiam... E esses beijos impúdicos que se davam, um entre os dois ombros, e o outro no vão dos rins, não estavam acaso destinados a atrair a atenção por volta de um dos segredos do Zohar, para um procedimento de acção que os cabalistas judeus denominam o mistério da Balança, que põe em acção Hochmah (a Sabedoria) e Binah (a Inteligência), os dois ombros do Antigo Dia, no mundo de Yesod (a Base de seus rins)?
Assim, numa época em que os documentos de arquivo não permitem situar com exactidão, mas que acreditam que se aproximaria da segunda metade do século XIII, a Ordem do Templo, primitivamente conhecida como a Tropa dos Pobres Soldados de Cristo e do Templo de Salomão, sofreu uma importante e grave mutilação espiritual em numerosas encomendas da Ordem. A raiz, sem dúvida, do descobrimento de uns manuscritos efectuados por eles em povos de Terra Santa, ou por meio de misteriosas conversações mantidas com sábios árabes, com cabalistas judeus, ou com perfeitos cátaros, uns mestres secretos, aparecidos um bom dia de forma bastante misteriosa, demonstraram que o verdadeiro rosto de Jesus da história tinha resultado ser muito diferente ao da lenda. Graças a um facto corriqueiro, possuímos a prova da existência desses mestres secretos, que suplantavam aos mestres oficiais. Quem tinha ordenado ao Jacques de Molay, grande mestre oficial, que não sabia nem ler nem escrever, recolher todos os arquivos da Ordem, e especialmente as regras das encomendas, pouco antes da jogada a rede geral organizada pelo Felipe, o Formoso? Quem é esse mestre Roncelin, na realidade chamado Ronce-lin de Fos, a quem alguns templários atribuíram a introdução daquela terrível prática de renúncia ao Jesus? Na lista dos mestres da Ordem do Templo não figura. Ou, ao menos, na lista dos mestres oficiais...
É, pois, provável que certos altos dignatários da Ordem, menos ignorantes que a grande maioria de outros, tivessem tido conhecimento de documentos ignorados na Europa referentes às verdadeiras origens do cristianismo, documentos que a Igreja se apressou a fazer desaparecer imediatamente. Foi por isso, pelo que pouco a pouco, à semelhança de Federico de Hohenstaufen, imperador da Alemanha e rei das Duas Sicílias, e o soberano mais letrado de sua época, a Ordem do Templo foi rechaçando o dogma da divindade de Jesus e voltou para Deus Único, comum ao judaísmo e ao islão. E foi assim como, no próprio seio da Ordem oficial, constituiu-se uma verdadeira sociedade secreta interior, com seus chefes ocultos, seus ensinos esotéricos, e seus objectivos confidenciais, e tudo isso de forma bastante fácil, já que no ano 1193 a Ordem não tinha mais que 900 cavaleiros. A partir de então, nas cerimónias capitular de recepção, aqueles que, como ingénuos neófitos, recusaram desprezar a Cruz, acreditando que se tratava de uma singela prova sobre a solidez de sua fé, foram enviados aos campos de batalha para manter ali o bom nome da Ordem e cobrir-se de glória.
Em troca, aqueles outros que, sem dizer uma palavra, perinde ad cadáver, dóceis diante da ordem dos comendadores, aceitaram pisar numa cruz de madeira, ou a de um velho manto da ordem estendido no chão, esses permaneceram na Europa, como reserva para os misteriosos e longínquos objectivos do poder templário. E, efectivamente, naquela época não podia haver prova mais definitiva que essa». In Robert Ambelain, Jesus ou le mortel secret des Templiers, 1970, Éditions Robert Laffont, Paris, O Segredo Mortal dos Templários, Ediciones Martinez Roca, 1982, Barcelona, ISBN 84-270-0727-2.

Cortesia de Roca/JDACT

quinta-feira, 31 de maio de 2012

História e Mistérios dos Templários. Pedro Silva. «Essa doutrina foi absorvida pelo pensamento papal a fim de que os peregrinos também fossem armados e capazes de se defenderem dos sarracenos. São Bernardo era um clérigo de capacidade intelectual invejável e de um profundo sentimento religioso, superando com esses méritos os seus pares»


jdact

Nascimento da Ordem
«Nela a Igreja do Santo Sepulcro reportava os fiéis à ressurreição de Cristo. Em 1118 já sob o domínio cristão, os caminhos que davam acesso aos locais da fé eram bastante perigosos, por causa de emboscadas constantes praticadas pelos mais diversos tipos de malfeitores, salteadores e estupradores que viviam em cavernas nas colinas da Judeia e aguardavam o desembarque de peregrinos em Jafa ou Cesareia. Um dos locais da fé bastante trilhado pelos peregrinos ficava a leste de Jericó, no rio Jordão, onde muitos cristãos eram rebaptizados em suas águas. Actos criminosos eram praticados por saqueadores sarracenos e bandoleiros beduínos contra os que peregrinavam entre a costa marítima e a cidade, factos comprovados por documentos da época que descreviam os caminhos repletos de corpos humanos insepultos já em estado avançado de decomposição. Motivados, em princípio, pela defesa desses caminhos, eis que surgiu então um grupo de cavaleiros cristãos o qual foi formado primeiramente por três grandes personalidades da França: Hugo de Champagne, Hugo de Payns e São Bernardo. Em 1114, o nobre Hugo de Champagne, dono de um dos mais valiosos conjuntos de possessões na França, deslocou-se por um breve período entre o Oriente e a sua terra natal, na qual se encontrou com São Bernardo, um fervoroso seguidor de Santo Agostinho de Hipona, cuja doutrina justificava o uso da violência, quando praticado em legítima defesa.
Essa doutrina foi absorvida pelo pensamento papal a fim de que os peregrinos também fossem armados e capazes de se defenderem dos sarracenos. São Bernardo era um clérigo de capacidade intelectual invejável e de um profundo sentimento religioso, superando com esses méritos os seus pares. Hugo de Champagne manteve com ele diálogos tão esclarecedores e transcendentes, a ponto de os estudiosos não duvidarem de que ambos lançaram os fundamentos do regimento da futura ordem.
Antes de abandonar a Europa, Hugo de Champagne ofereceu a Abadia de Clairvaux a São Bernardo. Já no Oriente, Hugo de Payns, vassalo de Hugo Champagne, surgiu como o último vértice do triângulo fundamental nos primórdios da constituição da ordem religiosa. Hugo de Payns, com o poder e o apoio de seu senhor, também tornou-se amigo de São Bernardo e profundo conhecedor de sua doutrina e obra, as quais lhe causaram profundo sentimento religioso e repúdio aos crimes cometidos contra os peregrinos. Em 1118, juntamente com Godofredo de Saint-Omer, outro valoroso cavaleiro, resolveram fundar uma ordem religiosa e militar conhecida por “Pauperes Commilitiones Christi Templique Salomonis”, ou seja, "Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão", e passaram a ser chamados sucessivamente de "Os Pobres Soldados de Jesus Cristo e do Templo de Salomão", "Os Cavaleiros do Templo de Salomão", "Os Cavaleiros do Templo", "Os Templários", e finalmente "O Templo". Adoptaram a divisa “Non nobis, Domine, non nobis sed nomini tuo da gloriam”,
"Não para nós, Senhor, não para nós a glória, mas só em teu Nome".

Alguns meses depois, juntaram-se a eles outros cavaleiros: Geoffroy Bisot, Payen de Montdidier, Archambaud de Saint-Aignan, André de Montbard (tio de São Bernardo), Gondemar e Jacques de Rossal. Este pequeno grupo foi recolhido por Balduíno I numa das mais modestas acomodações do “Templum Salomonis” (Templo de Salomão), em Jerusalém, e teve inicialmente como objectivo a protecção dos peregrinos e como votos iniciais a pobreza, a castidade e a obediência. Quando, algum tempo depois, o rei Balduíno I abandonou o Templo de Salomão, este não se eximiu de oferecer a totalidade das instalações àquela ordem religiosa e militar, derivando daí o nome pelo qual passou a ser comumente conhecida: Ordem do Templo, composta por nobres cavaleiros dispostos a defenderem a fé cristã com a própria vida. Para eles a fé inabalável em Deus e a disposição em defendê-la até com o uso da violência não causavam nenhum drama de consciência, nenhuma contradição que os dissuadisse desse intento, embora a exortação de Jesus Cristo fosse oferecer a outra face, fundamento cristão pregado pela Igreja primitiva. No entanto, era preciso considerar o momento histórico de então, quando havia a necessidade imperiosa de defesa da Igreja perante uma fé muçulmana sempre baseada na força. Nesses cavaleiros estava incutida a ideia de que matar em nome de Deus era justificável e de que morrer por Ele, santificável». In Pedro Silva, História e Mistérios dos Templários, Rio de Janeiro, Ediouro, 2001, ISBN 85-00-00757-5, PDF.

Cortesia de ediouro

Cortesia de Ediouro/JDACT

sexta-feira, 18 de março de 2011

Jacques de Molay: «Em 18 de Março de 1314, ele foi levado à Corte Especial e desmentiu as confissões forjadas. Sob as leis da época, a pena por desmentir uma confissão, era a morte. Jacques de Molay e Guy D'Auvergne, por ordem de Filipe, foram condenados à fogueira e queimados naquele mesmo dia. Por maiores que fossem os seu erros e ambição pessoal, não merecia morte tão brutal»

(1244-1314)
Vitrey, França
Cortesia de fasulyeden

Jacques de Molay nasceu no Condado da Borgonha e pertencia a uma família da pequena nobreza franca.
Aos seus 21 anos de idade, Jacques DeMolay entrou para a Ordem dos Cavaleiros Templários. Uma organização sancionada pela Igreja Católica Romana de 1128, para proteger e guardar as estradas entre Jerusalém e Acre, um importante porto da cidade no Mar Mediterrâneo. A Ordem dos Cavaleiros Templários participou das Cruzadas, e conquistou um nome de valor e heroísmo.

Em 1298, Jacques de Molay foi nomeado Grão Mestre dos Cavaleiros Templários. Assumiu o cargo após a morte de seu antecessor Teobaldo Gaudini. Nestas funções passou por uma difícil posição pois as cruzadas não atingiam os objectivos desejados. O anticristianismo sarraceno derrotou as Cruzadas em batalhas capturando algumas cidades e portos vitais dos Cavaleiros Templários e dos Hospitalários (outra ordem de cavalaria). Os Templários refugiaram-se na Ilha de Chipre, esperando reorganizar e readquirir novas forças.

Cortesia de enacademicru 
Sem obter o sucesso  e a ambição pessoal desejada, que era a junção das duas ordens e ser um líder quase absoluto para a época, melhor, um rei sem coroa mas com  forte poder económico. Por outro lado, rei da França «armava» um plano para aniquilar com a Ordem.
Usando um súbdito, de nome Esquin de Floyran, estabeleceu uma missão afim de denegrir a imagem dos templários e do seu Grão Mestre.

No ano de 1307 deu-se início à perseguição aos Cavaleiros Templários. Apesar de possuir um exército com cerca de 15 mil homens, Jacques de Molay foi a França para o funeral de uma princesa da casa real levando consigo poucos homens como guarda pessoal. Na madrugada de 13 de Outubro Jacques de Molay e os seus amigos, foram capturados e «lançados» nas masmorras por ordem do chefe real Guilherme de Nogaret.
Quero esclarecer, que este 13 de Outubro de 1307 correspondia a uma sexta-feira, razão porque nos dia de hoje se refere que «sexta-feira 13 é dia de azar».
Durante 7 anos, Jacques de Molay e os Cavaleiros sofreram torturas e viveram em condições sobre-humanas. Durante este tempo, Filipe «o Belo» e o papa Clemente tudo faziam para condenar os Templários. As riquezas e propriedades foram confiscadas e dadas para a proteção de Filipe.

Cortesia de illuminatinews 
Após 3 julgamentos, Jacques de Molay continuou leal para com os amigos e a Ordem. Recusou revelar o local das riquezas da Ordem e a denunciar os cavaleiros que ainda stavam em liberdade.
Em 18 de Março de 1314, ele foi levado à Corte Especial e desmentiu as confissões forjadas. Sob as leis da época, a pena por desmentir uma confissão, era a morte. Jacques de Molay e Guy D'Auvergne, por ordem de  Filipe,  foram condenados à fogueira e queimados naquele mesmo dia.
Desde então, a história de Jacques de Molay tornou-se um testemunho de lealdade e companheirismo. Por maiores que fossem os seu erros e ambição pessoal, não merecia morte tão brutal. Morre aos 70 anos de idade. Faz hoje quase 7 séculos, exactamente 697 anos que se deu este acontecimento.

Jacques de Molay durante sua morte na fogueira intimou aos seus três algozes:
  • «Nekan, adonai !!! Chol-begoal!!! Papa Clemente... Cavaleiro Guilherme de Nogaret... Rei Filipe. Intimo-os a comparecer perante ao tribunal de deus dentro de um ano para receberem o justo castigo. Malditos! Malditos! Todos malditos até a décima terceira geração de vossas raças!!!».
O primeiro a morrer foi o papa Clemente V, logo em seguida o Chefe da guarda e conselheiro real Guilherme de Nogaret e no dia 27 de Novembro de 1314 morreu o rei Filipe IV.
http://www.cav-templarios.hpg.ig.com.br/biografia_de_jacques_de_molay.htm
 
História Universal/JDACT