Mostrar mensagens com a etiqueta Cidade Medieval. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cidade Medieval. Mostrar todas as mensagens

sábado, 2 de março de 2013

Estudo Morfológico da Cidade de São Tomé no Contexto Urbanístico das Cidades Insulares Atlânticas de Origem Portuguesa. Teresa Madeira. «… aos traçados das cidades medievais portuguesas nas aglomerações planeadas, como tendo frequentemente um padrão geométrico, comparando-as às “bastides”, fundadas, a sua maioria, nos reinados de Afonso III e Dinis I»

Bastide
Cortesia de wikipedia

«O objectivo desta comunicação prende-se com o estudo morfológico da cidade de São Tomé desde a sua génese, século XV, até meados do século XVII. Para a elaboração do estudo procedeu-se a uma abordagem comparativa das morfologias urbanas de quatro cidades insulares atlânticas de origem portuguesa:
  • Funchal;
  • Angra do Heroísmo;
  • Ribeira Grande;
  • São Tomé.
Verificou-se um conjunto de características comuns às quatro cidades. O destaque dado à cidade de São Tomé tem como objectivo posicioná-la no quadro das morfologias urbanas das cidades insulares atlânticas de origem portuguesa uma vez que esta cidade nunca foi estudada deste ponto de vista. Uma vez que se considera que as cidades das ilhas atlânticas de origem portuguesa tiveram uma influência mais ou menos directa do povoamento português e que os modelos que lhe serviram de referência foram, de certa forma, importados do Continente, procedeu-se numa primeira fase à enunciação das especificidades das fundações urbanas portuguesas entre os séculos XIII e XVI, cidade medieval e cidade renascentista portuguesa, período correspondente à génese das cidades das ilhas atlânticas, século XV, períodos imediatamente anteriores, séculos XIII e XIV e posteriores, século XVI.

A Cidade Medieval Portuguesa no Continente.
Os Traçados Urbanos.
Ao referirmo-nos aos traçados urbanos da cidade medieval na Península ou concretamente à cidade portuguesa, não podemos restringirmo-nos a uma descrição, uma vez que tanto em Portugal como no resto da Europa, a variedade e a originalidade destas cidades é muito grande, proveniente de diferentes realidades e de variadas experiências concretas. Vários autores já abordaram o tema da caracterização dos traçados urbanos das cidades medievais portuguesas. Para Sérgio Carvalho, seguindo a linha de pensamento de Oliveira Marques, (...) a rua medieval das cidades mediterrâneas em geral e das portuguesas em particular, é uma rua de contornos irregulares, geralmente estreita, elemento que se acentua com a tradição muçulmana, rua que conduz habitualmente a espaços abertos, espaço de maior pendor cristão, onde se desenvolvia a actividade religiosa (na igreja) e a económica (no mercado).
Dentro da mesma linha de pensamento, mas acentuando a existência de alguma intencionalidade nos traçados medievais portugueses, Teresa B. Salgueiro, refere que nas cidades portuguesas podemos perceber uma intencionalidade de traçado regular, subvertida por vezes devido ao acidentado do terreno, ao crescimento urbano descontínuo ou à influência dos traçados de origem muçulmana. Doutro modo, refere-se Jorge Gaspar aos traçados das cidades medievais portuguesas nas aglomerações planeadas, como tendo frequentemente um padrão geométrico, comparando-as às bastides do Sul de França e de Itália, leste da Alemanha e da região fronteiriça Aragão-Navarra. Neste sentido e relativamente às características morfológicas das bastides do Sul de França, estas, segundo Jorge Gaspar, situam-se, quase sempre em sítios facilmente defensáveis, estão por vezes envolvidas por uma muralha, onde se abrem portas em número variável dependendo da sua importância. As ruas, rectilíneas, cruzam-se segundo ângulos rectos, demarcando blocos rectangulares de casas. Numa posição central, de fácil acesso tanto aos moradores como aos forasteiros, uma praça também de forma rectangular, com arcadas ou alpendres nos exemplos mais acabados, e que desempenhava as funções de centro comercial, de convívio e de local de manifestações públicas. A igreja não ficava geralmente instalada neste espaço, mas abria-se num pequeno terreiro próximo (...). As ruas apresentam construções dum lado e doutro, de forma contínua, (...) Os espaços verdes da cidade eram constituídos por quintais, que todas as casas possuíam nas traseiras (in Gaspar, J. - A morfologia urbana de padrão geométrico na Idade Média).

Para Bernardo Ferrão, também é clara a tradição urbana regular em Portugal nas cidades de fundação medieval: esta é atestada na fundação de inúmeras cidades geometricamente ordenadas, sobretudo destinadas à defesa fronteiriça e ao povoamento, como os casos de Viana e Monsaraz; (...). Igualmente para Manuel Teixeira, é característica comum às fundações medievais da Europa terem sido planeadas e construídas de acordo com um plano regular. Para este autor a regularidade de traçado é a característica essencial destas cidades medievais do século XIII e XIV, evidenciando uma atitude deliberada de planeamento. A nível do traçado das ruas e segundo a mesma fonte, este é ortogonal, nas cidades de maior dimensão, ou tendendo para a ortogonalidade, nas cidades de menor dimensão. Os quarteirões são de forma rectangular, alongados, não existindo traçados em quadrícula. (...). Verifica-se (...) no plano da cidade uma alternância de ruas de frente e de traseiras. As ruas dispõem-se fundamentalmente num sentido, alternando as ruas principais e as ruas de traseiras ou de serviço, com funções e dimensões distintas. Estas ruas são cruzadas por outras vias, que as cortam perpendicularmente.
Assim, em termos de traçado urbano conclui-se que as cidades medievais se caracterizam por uma certa variedade, havendo no entanto a predominância de dois tipos:
  • uma mais irregular, onde as ruas, por vezes, tomam uma forma aparentemente labiríntica, resultante da influência da cultura muçulmana e/ou da adaptação dos traçados mais regulares aos sítios onde se implantam;
  • outra mais regular, influenciada pelas bastides sobretudo francesas, fundadas, a sua maioria, nos reinados de Afonso III e Dinis I.
Planta de S. Tomé

Estes aglomerados planeados são caracterizados pela existência de uma rua central rectilínea que liga dois pontos importantes do aglomerado onde sensivelmente a meio desta se abre um largo, sendo essa rua principal cortada por travessas e onde frequentemente existem outras duas ruas paralelas a esta, menos importantes e menos largas. O traçado destas cidades é ortogonal e os quarteirões são de planimetria rectangular alongada. Estes são definidos por ruas paralelas, ruas de frente e de traseiras, e perpendiculares. Estes aglomerados demonstram certos princípios de regularidade e neles se reconhece a existência de uma intenção planeadora, tendo sempre em conta a necessidade de defesa e a procura da implantação de uma administração civil e religiosa». In Teresa Madeira, Urbanismo, Comunicação apresentada no Colóquio Internacional Universo Urbanístico Português, 1415-1822, Coimbra 1999.

Cortesia de Wikipédia/JDACT

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Toledo. Rio Tejo: Cervantes descreveu Toledo como a «glória da Espanha». A parte antiga da cidade está situada no topo de uma montanha, cercada em três lados por uma curva no rio Tejo. A Catedral é notável por sua incorporação de luz. O rio Tejo faz uma curva traçando quase um círculo completo

Cortesia de members.virtualtourist
Toledo foi a capital da Hispânia visigótica, desde o reinado de Leovigildo, até a conquista moura da Península Ibérica no século VIII. Sob o Califado de Córdoba, Toledo conheceu uma era de prosperidade. Após a decomposição do Califado de Córdoba em 1035, tornou-se capital do Taifa de Toledo.
A 25 de maio de 1085, Afonso VI de Castela ocupou Toledo e estabeleceu controle directo sobre a cidade moura. Este foi o primeiro passo concreto do reino de Leão e Castela na chamada Reconquista.

Toledo era famosa pela produção de aço, especialmente espadas, e a cidade ainda é um centro de manufactura de facas e pequenas ferramentas de aço. Após Filipe II de Espanha mudar a corte de Toledo para Madrid em 1561, a cidade entrou em lento declínio, do qual nunca se recuperou.
Cortesia de dsi.uclm
Cervantes descreveu Toledo como a «glória da Espanha». A parte antiga da cidade está situada no topo de uma montanha, cercada em três lados por uma curva no rio Tejo, e tem muitos sítios históricos, incluindo o Alcázar, a Catedral (a igreja primaz da Espanha), e o Zocodover, o mercado central. Do século V ao XVI cerca de trinta sínodos aconteceram em Toledo. O primeiro foi no ano 400. No sínodo de 589 o rei visigótico Recaredo declarou a sua conversão. No sínodo de 633, conduzido pelo enciclopedista Isidoro de Sevilha, decretou a uniformidade da liturgia em todo o reino visigótico e tomou medidas restritivas contra judeus baptizados que recaíssem na sua antiga fé. O concílio de 681 assegurou ao arcebispo de Toledo a primazia no reino da Espanha. O último concílio que ocorreu em Toledo, entre 1582 e 1583, foi conduzido em detalhes por Filipe II de Espanha.


Your pictures and fotos in a slideshow on MySpace, eBay, Facebook or your website!view all pictures of this slideshow

Toledo era famosa por sua tolerância religiosa e possuía grandes comunidades de judeus e muçulmanos, até que eles foram expulsos da Espanha em 1492; por isto a cidade tem importantes monumentos religiosos, como a sinagoga de Santa Maria la Blanca, a sinagoga de El Tránsito, e a mesquita de Cristo de la Luz.
No século XIII Toledo era um importante centro cultural sob o domínio de Afonso X, cujo cognome foi «El Sabio» pelo seu amor ao conhecimento. A escola de tradutores de Toledo tornou disponíveis grandes trabalhos académicos e filosóficos originalmente produzidos em árabe e hebraico ao traduzi-los para o latim, disponibilizando pela primeira vez uma grande quantidade de conhecimentos para a Europa.
A Catedral é notável por sua incorporação de luz, e nada é mais notável que as imagens por trás do altar, bastante altas, com figuras fantásticas em estuque, pinturas, peças em bronze, e múltiplas tonalidades de mármore, uma obra-prima medieval. A cidade foi local de residência de El Greco no final de sua vida, e é tema de muitas de suas pinturas, incluindo O Enterro do Conde de Orgaz, exibido na Igreja de Santo Tomé.

Cortesia de guaix.fis.ucm
O local onde está Toledo é considerado uma fortaleza natural. É uma rocha de granito, cercada de três lados pelo rio Tejo (o nosso rio «Grande» que vai desaguar no Oceano Atlântico na nossa linda cidade de Lisboa). O rio Tejo faz uma curva traçando quase um círculo completo. Para efeito de defesa o rio Tejo, e as encostas de montanha, funcionam como uma muralha e um fosso, como nos castelos medievais. Para defender o quarto lado, o único não protegido pela natureza, era fácil construir uma muralha. Toledo é uma cidadezinha pequena, apertada, encarapitada em cima de um morro. As ruas são estreitas, raramente passando de dois metros de largura. Andando por essas ruazinhas, semelhantes às que existem em tantas cidades medievais da Europa.

Cortesia de commons.wikimedia
O Alcázar significa um palácio fortificado. O de Toledo começou com o forte romano de 2.000 anos atrás, e cresceu e recebeu esse nome de Alcázar sob o domínio árabe. Em diversas ocasiões ele foi parcialmente destruído, mas sempre foi reconstruído.

Cortesia de Turismo Espanhol/JDACT