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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Teorema. Pier Paolo Pasolini. «A conversa entre Odetta e o seu galanteador imberbe relaciona-se com um álbum de fotografias, que Odetta aperta ciosamente, junto aos livros da escola. Um álbum com a capa de veludo…»

jdact

Dados
«(…) Tocam os sinos do meio-dia. Também Odetta, a irmã mais nova de Pietro, regressa a casa da escola (o Instituto das Marcelinas). É dulcíssima e inquietante a pobre Odetta; tem uma testa que parece uma caixinha cheia de inteligência angustiada, aliás, quase de sabedoria. Como os filhos dos pobres, que rapidamente são adultos e já sabem tudo da vida, por vezes, também os filhos dos ricos são precoces, envelhecidos pela velhice da sua classe: vivem, portanto, como uma espécie de doença, mas com ironia, análoga à doce alegria das crianças pobres, uma espécie de código não escrito mas conhecido instintivamente de cor. Odetta parece ocupada principalmente a esconder tudo isto: esforço que todavia não é coroado de sucesso, porque é este mesmo esforço visível o espião da sua verdadeira alma. Se o seu rosto é oval e bonito (com algumas sardas que a tornam de certo modo convencionalmente poética), os olhos grandes, de pestanas compridas e o nariz curto e preciso, a boca é, pelo contrário, uma revelação quase embaraçosa daquilo que Odetta é realmente: não que seja feia esta boca, aliás, é extremamente graciosa: no entanto, um pouco monstruosa, pronto: é tão pronunciada e particular que nem por um instante passa despercebida, com aquele lábio inferior reentrante, como as bocas dos coelhinhos ou dos ratos: trata-se, enfim, da prega divertida do humorismo, ou seja, da consciência amargurada e disfarçada do próprio nada, sem cujo cariz cómico Odetta não poderia viver.
Assim, agora pela estrada, regressando ao mesmo tempo que o irmão Pietro, Odetta tem todos os sinais exteriores e comuns de uma rapariguinha muito rica, a quem é consentido pela família (por um certo snobismo) vestir-se e comportar-se de forma, digamos, moderna (apesar das Marcelinas). Odetta também tem um namorado que a corteja: um amável e alto ídolo da sua classe social e da sua raça. À volta deles está igualmente o grupo dos companheiros e companheiras, adolescentes apenas que já se comportam de modo totalmente natural à maneira de, sem dúvida, reproduções perfeitas dos seus pais. A conversa entre Odetta e o seu galanteador imberbe relaciona-se com um álbum de fotografias, que Odetta aperta ciosamente, junto aos livros da escola. Um álbum com a capa de veludo, repleto de gatafunhos art nouveau cor-de-rosa e vermelhos. Este álbum está completamente vazio, ainda: como é evidente, foi acabado de comprar numa papelaria. Só a primeira página está inaugurada, por uma grande fotografia: a fotografia do pai.
O galanteador brinca um pouco acerca deste álbum, como se soubesse bem que se trata de uma velha mania da rapariga; quando, porém, se torna apenas um pouco mais audaz, um só gesto, uma só palavra, junto de uma fonte de pedra escura, sob filas de pequenas árvores que parecem de metal, Odetta afasta-se, fugindo. A sua fuga é elegante e caprichosa, perfeitamente sem significado, mas na realidade escondendo um terror verdadeiro. E também a sua frase, dita entre os amiguinhos e as amiguinhas ao galanteador, inflamado, que a persegue, não gosto de homens, é dita com insolência e humor refinado: contudo, é claro que, de alguma forma, esconde uma verdade». In Pier Paolo Pasolini, Teorema, 1968, 1991, 1994, Quasi Edições, tradução de Ana Tanque, biblioteca Metamorfose, 2005, ISBN 989-552-105-7.

Cortesia de QuasiEdições/JDACT

Poesia. Teorema. Pier Paolo Pasolini. «As mães como mães de aves nas pequenas casas burguesas entrelaçam o jasmim do ar com o significado da luz privada de uma família, e do seu lugar numa nação cheia de comemorações»

jdact

Os primeiros que se amam...
«Os primeiros que se amam
são os poetas e os pintores da geração anterior,
ou do início do século; tomam
no nosso espírito o lugar dos pais, permanecendo,
porém, jovens, como nas suas fotografias amarelecidas.
Poetas e pintores para quem ser burguês não era vergonha.
Filhos em vicunha e feltros...
ou pobres gravatas com gosto a rebelião e a mãe.
Poetas e pintores que se tornariam famosos
em meados do século,
com alguns amigos desconhecidos de grande valor,
mas, talvez por receio, impróprio para a poesia
(poeta verdadeiro morto fora dos anos).
Calçadas de Viena ou de Viareggio! Marginais dos rios
de Florença ou Paris!
Ressoando com aqueles pés de filhos
calçados com sapatos grossos.
O ímpeto da desobediência cheira a cíclame
sobre as cidades aos pés dos poetas jovens!
Os poetas jovens que conversam
depois de uma infame golada de cerveja,
como burgueses, independentes,
locomotivas abandonadas mas ardentes
forçadas durante algum tempo às linhas cegas,
usufruindo da falta de pressa da juventude:
convencidos de poder mudar o mundo purulento
com quatro palavras apaixonadas e o apelo da rebeldia.
As mães como mães de aves
nas pequenas casas burguesas
entrelaçam o jasmim do ar
com o significado da luz privada de uma família,
e do seu lugar numa nação cheia de comemorações.


As noites, assim, fazem ecoar apenas os passos dos rapazes.
A melancolia possui infinitos esconderijos
infinitas como as estrelas,
em Milão ou numa outra cidade,
de onde sopra o seu bafo de ar aquecido.
Os passeios correm ao longo de casas setecentistas,
casas descodeadas com destinos sacrossantos
(estradas de aldeia transfigurada em cidade industrial),
com um longínquo odor românico de estábulos gelados.
É assim que os poetas jovens fazem experiência do viver.
E têm para dizer o que dizem os outros,
os jovens-não poetas (também eles senhores da vida e da inocência)
com mães que cantam
nas pequenas janelas dos pátios internos
(buracos fedorentos para as estrelas que não se vêem).
Onde se perderam aqueles passos!
Não basta uma escrupulosa e breve página de memórias,
não, não basta, talvez apenas o poeta não poeta,
ou o pintor não pintor,
morto antes ou depois de uma guerra, em qualquer
cidade das legendárias deslocações,
encerre em si aquelas noites, com verdade.
Ah, aqueles passos, dos filhos
das melhores famílias da cidade (aquelas
que seguem o destino da nação
como uma horda de animais segue o odor,
aloê, canela, beterraba, cíclame
na sua migração, aqueles passos de poetas
com os amigos pintores, que percorrem as calçadas,
falando, falando...
Mas se este é o esquema, outra é a verdade.
Reproduz, filho, aqueles filhos.
Sente nostalgia deles, mesmo aos dezasseis anos.
Mas percebe desde logo
que ninguém fez revoluções antes de ti;
que os poetas e os pintores velhos ou mortos,
apesar do ar heróico sob a auréola em que os envolveste,
são-te inúteis, nada te ensinam.
Goza as tuas primeiras ingénuas e teimosas experiências,
tímido agitador, dono das noites livres,
mas lembra-te que estás aqui só para ser odiado,
para derrubar e matar».

In Pier Paolo Pasolini, Teorema, 1968, 1991, 1994, Quasi Edições, tradução de Ana Tanque, biblioteca Metamorfose, 2005, ISBN 989-552-105-7.

Cortesia de QuasiEdições/JDACT

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Teorema. Pier Paolo Pasolini. «Ele caminha, de facto, com ar astuto e feliz, ao lado de uma lourinha, claramente da mesma classe e da mesma tradição social que a sua, que é, sem dúvida, presentemente, a sua namorada»

jdact

Dados
«(…) Tocam os sinos do meio-dia. Pietro, a segunda personagem da nossa história, filho da primeira, sai pelo portão do liceu Parini. (Ou talvez já tenha saído, e esteia já de regresso a casa, pelas ruas de todos os dias.) Também ele, à semelhança do pai, tem na testa pouco alta (aliás, quase acanhada), aluz da inteligência de quem não viveu inutilmente uma adolescência numa família milanesa abastada; mas, muito mais visivelmente que o pai, padeceu por isso: a um ponto tal que, em vez de resultar daí um rapaz seguro de si, e talvez como o pai, desportista, tornou-se num rapaz débil, com a pequena testa violácea, os olhos já, acobardados pela hipocrisia, a melena ainda um pouco rebelde, mas apagada por um futuro de burguês destinado a não lutar. No conjunto, Pietro faz lembrar algumas personagens cinematográficas dos velhos filmes mudos, poderíamos até dizer, misteriosa e irresistivelmente, Charlot: sem qualquer razão, para dizer a verdade. Porém, não se pode deixar de pensar, ao vê-lo, que está destinado, como Charlot, a vestir grandes sobretudos e casacos que lhe ficam demasiado grandes, com as mangas que pendem meio metro abaixo da mão, ou a correr atrás de um eléctrico que nunca apanhará, ou a escorregar com dignidade numa casca de banana num qualquer bairro da cidade, cinzento e tragicamente solitário.
Estas são, contudo, apenas considerações vivazes e improvisadas; o leitor não deverá deixar-se desviar por elas. Por enquanto, Pietro pode perfeitamente ser imaginado como um qualquer jovem milanês, estudante do Parini, reconhecido pelos seus companheiros, em tudo e por tudo, como um irmão, um cúmplice, um camarada, na sua inocente luta de classes, apenas iniciada e já tão segura. Ele caminha, de facto, com ar astuto e feliz, ao lado de uma lourinha, claramente da mesma classe e da mesma tradição social que a sua, que é, sem dúvida, presentemente, a sua namorada. Sobre isto não deverão existir equívocos: Pietro, regressando a casa pelos belos relvados de um jardim público milanês, tocados por um sol ardente (também ele uma impalpável possessão daqueles que têm a cidade), está sinceramente ocupado a cortejar a sua companheira de escola. Fá-lo, é verdade, como se seguisse um plano doloroso: mas isso é devido apenas à sua secreta e inconfessável excitação de rapaz tímido, disfarçada por um estado de espírito e um ar de certeza, do qual, aliás, mesmo querendo, não se poderia libertar. ' Os seus companheiros, todos impecavelmente vestidos, apesar de uma certa veleidade em quererem parecer um pouco vagabundos, com caras que, quer sejam enternecedoras ou antipáticas, estão marcadas pela precoce falta de qualquer desinteresse e de qualquer pureza, deixam para trás, cúmplices, o casal. Assim, Pietro e a sua namorada demoram-se junto a um arbusto, louro como se tivesse espigas, se for Outono, ternamente transparente, se for Primavera, brincando; depois sentam-se num banco de jardim afastado; abraçam-se, beijam-se; qualquer passagem de insuportáveis testemunhas (um paralítico, por exemplo, que passa sob o sol, isto é para ele nada mais que uma visão consoladora) interrompe-os precisamente nos seus gestos mais culpados (a mão dela perto do regaço dele, contudo, sem qualquer imposição): mas estão no seu direito; e a sua relação é, apesar de tudo, sincera, simpática e livre». In Pier Paolo Pasolini, Teorema, 1968, 1991, 1994, Quasi Edições, tradução de Ana Tanque, biblioteca Metamorfose, 2005, ISBN 989-552-105-7.

Cortesia de QuasiEdições/JDACT

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Teorema. Pier Paolo Pasolini. «Permeado de excertos poéticos, faz a descrição impiedosa dos comportamentos e conflitos que ocorrem no seio de uma família burguesa num momento de crise. Representa ao mesmo tempo, uma parábola…»

jdact

Dados
«Os primeiros dados desta nossa história consistem, muito modestamente, na descrição de uma vida familiar. Trata-se de uma família da baixa burguesia: baixa burguesia no sentido ideológico, não no sentido económico. Trata-se, de facto, de pessoas muito ricas, que vivem em Milão. Cremos que não será difícil imaginar como vivem estas pessoas; como se comportam nas suas relações com o seu ambiente (que é justamente o da burguesia industrial abastada), como agem no seu círculo familiar, e assim por diante. Acreditamos também que não será difícil (permitindo-nos assim evitar determinados pormenores pouco inovadores) imaginar, uma a uma, estas pessoas: de facto não se trata de modo algum, de pessoas excepcionais, mas de pessoas mais ou menos medianas. Tocam os sinos do meio-dia. São os sinos da vizinha Lainate, ou de Arese, ainda mais perto. Ao toque dos sinos, misturam-se os gritos, discretos e quase doces, das sirenes. Uma fábrica ocupa totalmente o horizonte (muito incerto, devido à leve neblina que nem a luz do meio-dia consegue dispersar) com as suas muralhas de um verde tenro como o azul claro do céu. É uma época do ano indefinida (poderia ser Primavera, ou o início de Outono: ou as duas juntas, porque esta nossa história não tem uma sucessão cronológica), e os choupos que rodeiam em longas filas a imensa clareira onde emergiu a fábrica há apenas alguns meses ou anos, estão despidos, ou somente a rebentar (ou então têm as folhas secas).
Anunciando o meio-dia, os operários começam a sair da fábrica, e as filas dos carros estacionados, que são às centenas, começam a ganhar vida... Neste ambiente, com este pano de fundo, apresenta-se a primeira personagem da nossa narração. Da entrada principal da fábrica, entre a saudação quase militar dos guardas, sai, na realidade, lentamente, um Mercedes: no interior, com um rosto doce e preocupado, um pouco apagado, de homem que durante toda a vida não se preocupou senão com os negócios e, talvez de vez em quando, com o desporto, está o dono, ou, pelo menos, o principal acionista, daquela fábrica. A sua idade situar-se-á entre os quarenta e os cinquenta anos: mas é muito jovial (a face está bronzeada e os cabelos são apenas ligeiramente grisalhos, o corpo é ainda ágil e musculoso, como o de quem praticou desporto na juventude, e continua a fazê-lo. O seu olhar está perdido no vazio, entre preocupado, aborrecido ou simplesmente inexpressivo: por isso, indecifrável. A entrada e saída assim solenemente da fábrica, da qual é o dono, não é para ele senão uma rotina. Em suma, tem a aparência de um homem profundamente imerso na sua vida: o facto de ser um homem importante do qual dependem os destinos de tantos outros homens, torna-o, como acontece, inatingível, alheio, misterioso. Mas trata-se de um mistério, por assim dizer, pobre em espessura e tonalidades. O seu carro deixa para trás a fábrica, longa como o horizonte, e quase suspensa no céu, e toma a estrada, acabada de construir entre os velhos choupais, que vai em direcção a Milão». In Pier Paolo Pasolini, Teorema, 1968, 1991, 1994, Quasi Edições, tradução de Ana Tanque, biblioteca Metamorfose, 2005, ISBN 989-552-105-7.

Cortesia de QuasiEdições/JDACT

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Cinema. Poesia. Arte. Amizade. «Os argumentos são, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A lógica é o nosso critério da verdade, e é nos argumentos, e não nos factos, que pode haver lógica»

jdact e wikipedia

Conquista
«Livre não sou, que nem a própria vida
mo consente.
Mas a minha aguerrida
teimosia
é quebrar dia a dia
um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
que se afogou e flutua
entre nenúfares de serenidade
depois de ter a lua!»


Liberdade
«Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
a pedir-te, humildemente,
o pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
nem me ouvia.

Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
de emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
a fé que ressumava
da oração.

Até que um dia, corajosamente,
olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
saborear, enfim,
o pão da minha fome.
Liberdade, que estais em mim,
santificado seja o vosso nome».
Poemas de Miguel Torga, in 'Cântico do Homem' e 'Diário XII'

JDACT

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Cinema. Sylvia Kristel. «A vida dá-nos indicações sob várias formas de que a morte não deveria assustar-nos, pelo contrário, que é agradável. O sono é-nos dado como um protótipo da morte, e lutamos por ele todas as noites, que nos dá o maior esquecimento da vida»


(1952-2012)
Utrecht, Holanda
Cortesia de expresso

«A actriz holandesa Sylvia Kristel, que faleceu esta noite em Amsterdão, estava hospitalizada desde Julho, depois de ter sofrido um AVC em sua casa. Os prognósticos foram sempre muito reservados.
"Sylvia morreu durante o sono", disse Marieke Verharen, da agência Features Creative Management, que representava a actriz.
A estrela de "Emmanuelle" - célebre filme erótico do realizador francês Just Jaeckin  que esteve em cartaz durante 13 anos num cinema em Champs-Elysees, Paris - lutava há dez anos contra um cancro na garganta.
Kristel alcançou a fama internacional com "Emmanuelle", uma adaptação da novela homónima de Emmanuelle Arsan, dirigida por Just Jaeckin, e que relatava as experiências sexuais de uma mulher na Ásia. O filme foi originalmente proibido em França, durante seis meses, e aos 22 anos, a actriz passou a fazer parte da fantasia de várias gerações.
Depois do clássico "Emmanuelle" de 1974,  integrou o elenco de "Emmanuelle 2"(1975), "Goodbye Emmanuelle" (1977, "Private Lessons" (1981) e "Emmanuelle 4" (1984).
Sylvia Kristel entrou também em filmes de Claude Chabrol, Roger Vadim e Alain Robbe-Grillet.
Em 2006 a atriz publicou a sua autobiografia, "Nua", editada em Portugal pela Ambar. A actriz, que depois de "Emmanuelle" se tornaria no ícone da libertação sexual, escreveu: "Quis ser uma deusa do sexo, quis ser aquela personagem. Quis tudo. Voei, mas nunca aterrei onde queria. A minha celebridade terminou quando começava a acreditar nela".
Modelo desde os 17, venceu em 1973 o concurso Miss TV Europa. A actriz, que falava holandês, inglês, francês, alemão e italiano, contou na sua autobiografia, a sua dependência da cocaína e do álcool e, ainda, a história dos seus complicados envolvimentos com homens mais velhos. Da sua relação com o escritor belga Hugo Claus, nasceu o filho Arthur. Numa entrevista para um documentário, confessou que devido ao vício acabou por vender a sua participação em "Emmanuelle" ao seu agente por apenas 150.000 dólares». In Expresso.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/morreu-sylvia-kristel=f761047#ixzz29gXF60JE

Cortesia do Expresso/JDACT

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Argentina. Cinema. Mulher. Política. "Evita". «Famosa pela sua elegância e pelo seu carisma, "Evita" conquista para o peronismo o apoio da população pobre, na maioria migrantes de origem rural a quem ela chamava de "descamisados"»

Cortesia de wc.pdx.edue schoolworkhelper

«Ligando a figura mundialmente conhecida, de “Evita”, uma glória de ‘hollywood’ de proporções desmedidas, com a moça simples, a criança ultrajada, podemos chegar à conclusão de que Eva foi, possivelmente, uma personalidade dividida. De um lado, repleto de altruísmo e generosidade, há a jovem simples, “revoltada com a injustiça”, de outro, a mulher seduzida pelo poder. No âmago de suas preocupações sociais mais profundas, como o salário e a segurança para as donas de casa, encontra-se uma infância pobre e uma mãe humilhada pelas circunstâncias. Promovida pelo peronismo, e sendo principal factor de legitimação deste, a figura de Eva irá confundir-se com a de uma grande estadista. Eva torna-se mais importante do que a própria imagem da Argentina real, uma vez que esta imagem é representada revestida de um aparato e de uma glória que não correspondem à realidade social da época».







Cortesia de wikipedia

A própria Eva tinha consciência da existência autónoma de sua personagem, que ela transformou quase numa segunda personalidade. Assim Eva Péron se refere a Evita:
  • «Quando escolhi ser "Evita" sei que escolhi o caminho do meu povo. Agora, a quatro anos daquela eleição, fica fácil demonstrar que efectivamente foi assim. Ninguém senão o povo me chama de "Evita". Somente aprenderam a me chamar assim os "descamisados". Os homens do governo, os dirigentes políticos, os embaixadores, os homens de empresa, profissionais, intelectuais, etc., que me visitam costumam me chamar de "Senhora"; e alguns inclusive me chamam publicamente de "Excelentíssima ou Digníssima Senhora" e ainda, às vezes, "Senhora Presidenta". Eles não vêem em mim mais do que a Eva Perón. Os descamisados, no entanto, só me conhecem como "Evita". Eu me apresentei assim para eles, por outra lado, no dia em que saí ao encontro dos humildes da minha terra dizendo-lhes que preferia ser a "Evita" a ser a esposa do Presidente se esse "Evita" servia para mitigar alguma dor ou enxugar uma lágrima. E, coisa estranha, se os homens do governo, os dirigentes, os políticos, os embaixadores, os que me chamam de "Senhora" me chamassem de "Evita" eu acharia talvez tão estranho e fora de lugar como que se um garoto, um operário ou uma pessoa humilde do povo me chamasse de "Senhora". Mas creio que eles próprios achariam ainda mais estranho e ineficaz. Agora se me perguntassem o que é que eu prefiro, minha resposta não demoraria em sair de mim: gosto mais do meu nome de povo. Quando um garoto me chama de "Evita" me sinto mãe de todos os garotos e de todos os fracos e humildes da minha terra. Quando um operário me chama de "Evita" me sinto com orgulho "companheira" de todos os homens».
Morreu aos 33 anos.

Cortesia de wikipedia

JDACT

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O cinema Mudo. Barbara Kent: A actriz do filme mudo "No Man's Law" morre aos 103 anos de idade


(1907-2011)
Gadsby, Alberta, Canadá
Cortesia de wikipedia e guy

Barbara Kent foi uma actriz do cinema mudo. Começou a sua carreira em Hollywood no ano de 1925, com 17 anos de idade, desempenhando «um pequeno papel»  para a Universal Studios.
Barbara tornou-se popular como uma actriz de filmes de comédia, no entanto, também desempenhou papéis como "mulher fatal". No ano de 1927, no filme «No Man's Law» a sua popularidade subiu em flecha, por ter interpretado uma cena em que aparece nua, isto é, vestia um fato de banho cor de carne. Cenas que foram consideradas "ousadas" para a época. 


Cortesia de wikipedia e silentsaregolden  

Barbara Kent fez uma transição "suave" para o cinema dito sonoro com Harold Lloyd na comédia "Welcome Danger", em 1929. Barbara também foi destaque, com o mesmo actor, em "Feet First".
Ao longo dos anos seguintes permaneceu popular e recebeu elogios da crítica especializada no seu desempenho no filme "Oliver Twist" de 1933. O seu último filme data de 1935.
Barbara Kent morre aos 103 anos de idade.

Cortesia de Wikipedia/JDACT

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cineclube do Porto: Apresenta hoje no Museu Nacional Soares dos Reis pelas 21h30, a sessão «Passagers d’Orsay»

Cortesia de cineclubedoporto

O Cineclube apresenta esta quinta-feira, dia 18 de Agosto, às 21h30 no Museu Nacional Soares dos Reis, “Passagers d’Orsay”, um documentário realizado por Sandra Kogut.

«Posso-lhe tirar uma fotografia com a sua obra de arte favorita? Era a pergunta que colocava às pessoas, escolhidas mais ou menos ao acaso, nas galerias do Museu d’Orsay em Paris. É assim que as nossas caminhadas começaram, algumas delas com quilometros de distancia, à procura destas imagens. É assim que o filme começa. Aonde nos levará ele? Para onde se dirigem estes trabalhos?».
In Sandra KogutCineclube do Porto, Museu Nacional Soares dos Reis.

A amizade de RR.
Cortesia do Cineclube do Porto/JDACT

França, Cor, 52 minutos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Akira Kurosawa: Em 1985, o Festival de Cinema de Cannes homenageou-o pelo seu filme Ran do qual ele mesmo dizia que era a «obra de sua vida»

(1910-1998)
Tóquio
Cortesia de elegalepoetico

Akira Kurosawa, foi um dos cineastas mais importantes do Japão. Os seus filmes influenciam uma grande geração de realizadores do mundo da 7ª Arte. Com uma carreira de 50 anos, Kurosawa realizou 30 filmes. Amplamente considerado como um dos cineastas mais importantes e influentes da história do cinema. Em 1989, foi premiado com o Oscar pelo conjunto da sua obra «pelas realizações cinematográficas que têm inspirado, encantado, enriquecido e entretido o público em todo o mundo e influenciado cineastas de todo o mundo».

Kurosawa inicialmente tentou ser pintor. Frequentou o Centro de Pesquisas de Arte Proletária no ano de 1928, aos 18 anos. Devido a questões monetárias a pintura foi colocada em segundo plano, mas as características artísticas acompanharam-no durante toda a vida no cinema, onde ele pintava quadros como «storyboards» dos filmes. Mesmo assim continuou com a paixão pelas artes, principalmente a literatura:
  • de onde tirou inspiração para a grande maioria de suas obras.
Um dos irmãos exerceu grande influência na sua paixão por cinema. Kurosawa ingressou de vez na carreira cinematográfica. Em 1936 viu um anúncio no jornal para um teste de assistente de realizador e desde então não parou de trabalhar em filmes. De 1943 a 1965, foram vinte e quatro dirigidos por ele.

Cortesia de marceloadams
O seu primeiro trabalho foi Sugata Sanshiro (1943) e o último foi Depois da Chuva (Ame agaru), 1999, concretizado postumamente por Takashi Koizumi, seu discípulo.
Foi o introdutor do género samurai no cinema, com temas como a honra acima de tudo. Em 1985, o Festival de Cinema de Cannes homenageou-o pelo seu filme Ran do qual ele mesmo dizia que era a «obra de sua vida». O filme era baseado no livro Rei Lear de William Shakespeare.
Kurosawa também adaptou obras do russo Dostoiévski.


Cortesia de wikipedia/JDACT

segunda-feira, 7 de março de 2011

Stanley Kubrick: Um dos cineastas mais importantes do século XX, considerado por muitos como o maior cineasta de todos os tempos, responsável por uma carreira notável. Um homem extravagante, polémico e com horizontes muito alargados no tempo

(1928-1999)
Nova Iorque, USA
Cortesia de soniassrj

Stanley Kubrick foi um dos cineastas mais importantes do século XX, considerado por muitos como o maior cineasta de todos os tempos, responsável por uma carreira notável e bem-estruturada. No início, os seus filmes eram sempre muito polémicos e mal recebidos pela critica especializada. Tempo volvidos tornaram-se todos clássicos e consagrados. Um homem extravagante, polémico e com horizontes muito alargados no tempo.

Aos 17 anos, Stanley Kubrick começou a trabalhar como fotógrafo para a revista «Look» e viajando pela América nessa funções. Em 1951 o seu primeiro documentário, «O Dia da Luta», produzido com os próprios recursos.  Dois anos depois, Kubrick rodou o seu primeiro filme de longa-metragem, «Fogo e Desejo». Em seguida realizou «A Morte Passou por Perto» e «O Grande Golpe».
Todavia, só despontou como grande cineasta com o filme «Glória Feita de Sangue», lançado em 1957, em que tratou da insanidade da I Guerra Mundial.

Cortesia de intratecalwordpress
Depois de realizar «Spartacus», em 1960Stanley Kubrick veio viver para Inglaterra. O primeiro filme europeu foi «Lolita», uma adaptação do clássico romance de Vladimir Nabokov. Em seguida, realizou uma sátira à Guerra Fria com o filme «Doutor Fantástico» e realiza «2001-Uma Odisséia no Espaço», considerado um marco no cinema moderno. Curiosamente, o filme deu a Kubrick apenas o Oscar de melhores efeitos especiais.
Segue-se «Laranja Mecânica», uma violenta fantasia sobre a sociedade inglesa do futuro.

Kubrick caracterizou-se por realizar obras fechadas, explorando inventivamente determinado género de ficção. Realizou «Barry Lyndon», um drama passado no século XVIII e em seguida um filme que se tornaria um clássico do terror, «O Iluminado».

«De olhos bem Fechados»
Cortesia de documentaries2bseen
A obra de Kubrick obteve grande reconhecimento do público e da crítica. O cineasta ganhou diversos prémios e inúmeras nomeações para o Oscar. No ano de 1997 ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza pela contribuição dada ao cinema. O seu último filme foi «De Olhos bem Fechados».
Morre aos 70 anos de idade.

Cortesia de Educação UOL/JDACT

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Maria Schneider: «Se houve actriz emblemática dos limites que o cinema forçou na década de 1970, ela foi Maria Schneider». Morre aos 58 anos de idade

(1952-2011)
Paris
Cortesia de donatien

http://www.youtube.com/watch?v=qX_4A6d_Q-U

Morreu Maria Schneider, a heroína do «Último Tango em Paris».
Se houve actriz emblemática dos limites que o cinema forçou na década de 1970, ela foi Maria Schneider. Morre aos 58 anos de idade. A actriz francesa contracenou com Marlon Brando no controverso «O Último Tango em Paris», o filme de Bernardo Bertolucci que dividiu crítica e público e se tornou num fenómeno global à sua estreia em 1972. A história de um affaire sexual entre dois desconhecidos num apartamento parisiense, com momentos de nudez frontal e várias cenas de sexo explícito. Em Portugal, o filme foi proibido pela censura e apenas estreou após o 25 de Abril, criando longas filas à porta do cinema São Jorge.

Cortesia do publico
Maria Schneider, que se assumiria bissexual em 1974, foi tanto emblema como vítima dessa década de excessos, incapaz de construir uma carreira «válida».

http://www.youtube.com/watch?v=NQ3QNIXKjE0

Na sequência do seu abandono das rodagens de «Calígula», de Tinto Brass, em 1976, para dar entrada num hospital psiquiátrico, de problemas com droga e de uma tentativa de suicídio, qualquer embalo que a sua carreira tivesse ganho com a sua participação em «Profissão: Repórter» (1975), de Michelangelo Antonioni, foi totalmente perdido. O seu último filme foi «Cliente» (2008), de Josiane Balasko.

Cortesia de O Público/JDACT

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Virgílio Teixeira: Homenagem ao primeiro actor nacional a filmar em Hollywood, sendo ainda hoje o mais internacional dos nossos actores. Um actor essencialmente de cinema, apesar de ter feito algum teatro, especialmente no palco do «Avenida», em Lisboa

(1917-2010)
Funchal
Cortesia de JN

«Virgílio Teixeira foi um actor que fez cinema em Portugal Espanha onde atingiu grande notoriedade, e em Hollywood, onde participou em muitos filmes como «Alexandre, o Grande», de Robert Rossen e «Doutor Jivago», de David LeanTeve uma breve passagem pelo teatro.
Estreou-se no cinema em «Ave de arribação» (1943), de Armando Miranda, e teve uma pequena participação em «O Costa do Castelo» (1943), de Artur Duarte.

Cortesia de JN
Em 1948, protagonizou o papel de Júlio, um guitarrista por quem a personagem de Amália Rodrigues se apaixona no filme «Fado, história de uma cantadeira», de Perdigão Queiroga. Mais recentemente, participou na telenovela «Chuva na areia» (1984) e no filme «A mulher do próximo» (1982), de José Fonseca e Costa.




Virgílio Teixeira foi considerado «primeira figura do cinema espanhol» e no ano de 1951 foi aclamado como «o melhor actor do cinema espanhol». Foi o primeiro actor nacional a filmar em Hollywood, a meca do cinema, sendo ainda hoje o mais internacional dos nossos actores. Um actor essencialmente de cinema, apesar de ter feito algum teatro, especialmente no palco do Avenida, em Lisboa.
No total e segundo as estatísticasVirgílio Teixeira participou em 50 filmes espanhóis, 25 portugueses, 15 norte-americanos6 italianos6 ingleses1 francês. Participou em 130 programas de televisão». In JN.

Morre aos 93 anos de idade.

Cortesia do JN/JDACT

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

João Botelho: «Filme do Desassossego». «Serei sempre da Rua dos Douradores, como a humanidade inteira». Estreia a 29 de Setembro no CCB

Cortesia de CCB

ESTREIA NACIONAL, FILME DO DESASSOSSEGO
«Lisboa, hoje. Um quarto de uma casa na Rua dos Douradores. Um homem inventa sonhos e estabelece teorias sobre eles. A própria matéria dos sonhos torna-se física, palpável, visível.
O próprio texto torna-se matéria na sua sonoridade musical. E, diante dos nossos olhos, essa música sentida nos ouvidos, no cérebro e no coração, espalha-se pela rua onde vive, pela cidade que ele ama acima de tudo e pelo mundo inteiro. Filme desassossegado sobre fragmentos de um livro infinito e armadilhado, de uma fulgurância quase demente mas de genial claridade. O momento solar de criação de Fernando Pessoa. A solidão absoluta e perfeita do EU, sideral e sem remédio. Deus sou eu!, também escreveu Bernardo Soares». In CCB. Adaptação do  Livro do Desassossego de Bernardo Soares/Fernando Pessoa.

Uma das obras mais arriscadas da filmografia de João Botelho. A estreia está marcada para o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, CCB, no pf dia 29 de Setembro às 21h 30min.
Obra central da literatura portuguesa surge no cinema, dando «corpo» a Bernardo Soares o quase-heterónimo que Fernando Pessoa criou para «espelhar» a sua vida diária em Lisboa.
 
«Qualquer um de nós pode fazer um Livro do Desassossego: o Pessoa permitiu isso, é um puzzle sem fim nem solução. E isso é muito agradável no cinema». In João Botelho, Ípsilon, Jornal Público.
 
Cortesia de umfernandopessoa/Ípsilon
 
Cortesia do CCB/Ípsilon/Jornal Público/JDACT

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Maria Dulce: Possuía uma boa dicção e declamava com «alma» toda a poesia. Era um modelo que foi fotografada pelos melhores fotógrafos europeus ligados ao espectáculo, como Vicent Ibañez

(1936-2010)
Lisboa
Cortesia de fabricadosblogues
Maria Dulce, de nome completo Maria Dulce Andrade Ferreira Alves Machado Ribeiro foi uma actriz e produtora portuguesa.

Cortesia de pauloborges
Maria Dulce estreou-se como actriz quando tinha 13 anos de idade, interpretando Maria no filme Frei Luís de Sousa, de António Lopes Ribeiro. A esta participação em Frei Luís de Sousa seguiu-se um período de trabalho em Espanha, que marcou o início da sua carreira, entre 1950 e 1960, tendo feito teatro, cinema e rádio. Participou em trabalhos como La Señora de Fátima (1951) ou Un Día Perdido, em 1954) na sua passagem por Espanha.

Maria Dulce fez também recitais de poesia (em Espanha, em Portugal, nos Estados Unidos da América, no Canadá, na Holanda, em Angola e em Moçambique. Maria Dulce foi também fotografada pelos melhores fotógrafos europeus ligados ao espectáculo, como Vicent Ibañez, que também foi um dos melhores amigos de Maria Dulce.
Maria Dulce interpretou ainda vários papéis em televisão, participando em diversas telenovelas e séries.

Cortesia de fotolog
Fez também vários papéis no teatro, e Hedda Gabler (2009), de Henrik Ibsen, foi a última peça em que a actriz participou. Encontrava-se actualmente a ensaiar a peça de teatro Sabina Freire, de Manuel Teixeira Gomes, que iria estrear no próximo dia 5 de Outubro no auditório Eunice Muñoz.

Maria Dulce tem uma biografia, escrita por Luciano Reis e pulicada pela Sete Caminhos, intitulada Maria Dulce - «A verdade a que tem direito».
 
Cortesia de vip

 
JDACT