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terça-feira, 23 de junho de 2015

Van Gogh e Sétimos Aforismos. Vicente Sanches. «Das provas da existência de Deus, a melhor..., é documental. Um argumento..., ‘documento!’ Documento? ‘Fac-simile’. Fotocópia! Fotocópia?! Fotocópia..., de Deus! Hein?! Fotocópia de Deus?! Perfeita! E autenticada! Autenticada?!»

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Sétimos Aforismos
«(…) Fui passear ao Jardim Zoológico. E diz-me a certa altura um passarinho: há menos sentido metafísico no interior da cabeça de muitos macacos..., que no exterior do pescoço..., da dona girafa!
Duas hipóteses. A hipótese da vida para além da morte. E a hipótese do nada para além da morte. Duas hipóteses. Duas apostas. Duas opostas..., apostas! Mas a primeira, se perder, não conhece a derrota; e a segunda, se ganhar, não conhece a vitória. Qual a melhor?
Desculpem, mas eu acho que todos os verdadeiros poetas deviam ser cristãos. Pois o que é um poeta? Alguém capaz, alguém especialmente capaz, de acreditar no impossível. Alguém capaz de duvidar de tudo, menos do impossível. Ora o impossível por excelência, o impossível dos impossíveis: eis a base do cristianismo: o Verbo fazer-se carne; Deus fazer-se homem. Sim, o Evangelho devia ser pregado, em primeiro lugar, aos autênticos eleitos..., aos autênticos poetas... E só depois, quando estes o recusassem, (como de facto muitos o recusam), à outra gente, às outras gentes: aos gentios, aos outros homens... A nós: os cegos, os coxos, os pobres, os inválidos...
Revolta-me a perspectiva de um fim do mundo provavelmente próximo devido ao benemérito avanço da Civilização; devido ao abençoado requinte da Técnica. Só bombas atómicas já as há fabricadas e armazenadas, prontinhas para consumo, em número acima, muito acima do necessário para aniquilar toda a vida, vegetal, animal e humana, sobre a face da Terra. E indigna-me, confesso, pelo menos muitas vezes indigna-me, pensar que o Homem se suicida; pensar que o Planeta qualquer dia rebenta. Outras vezes, porém, também confesso: quase que estou como certa velhota minha vizinha. Mlnha vizinha..., e muito beata... Essa velhota (muito beata..., e minha vizinha...) quando lhe falam na supremamente angustiante, horrível, trágica, super-trágica hipótese de se acabar o Mundo, encolhe os ombros, e faz apenas este comentário: Não se acaba grande coisa.
Hegel disse: Eu vi Napoleão a cavalo: eu vi o Espírito a cavalo. Là-dessus, o cavalo do Napoleão, a besta do Napoleão menos mentira, se retorquira: Viu-se o Hegel a pé: viu-se o Espírito à pata.
Porque será que Francisco de Assis, explicando aos animais, às plantas e às pedras a doutrina cristã, constitui uma figura de mestre sublime, e o filósofo Hegel, se explicasse aos animais, às plantas ou às pedras, que todo o real é racional, faria uma figura de parvo ridículo?
Das provas da existência de Deus, a melhor..., é documental. Um argumento..., documento! Documento? Fac-simile. Fotocópia! Fotocópia?! Fotocópia..., de Deus! Hein?! Fotocópia de Deus?! Perfeita! E autenticada! Autenticada?! Com selos e tudo. Com selos e tudo?! Com estigmas e tudo...
Discutem os teólogos se uma coisa que S. Francisco fez, no início da sua carreira de santo, foi pecado ou não. Essa coisa foi: agarrar no dinheiro, no rico dinheiro de Pedro Bernardão, e atirá-lo (ao dinheiro...) pela janela fora. Eu não sou teólogo; eu sou literato. Eu acho que S. Francisco errou, pecou..., gramaticalmente; acertou..., estilisticamente». In Vicente Sanches, Van Gogh e Sétimos Aforismos, edição numerada com nº 000051, Gráfico de S. José, Castelo Branco, 1990.

Cortesia de G S.José/JDACT

domingo, 21 de junho de 2015

Van Gogh e Sétimos Aforismos. Vicente Sanches. «A experiência directa é o subterfúgio, ou o esconderijo, daqueles que são desprovidos de imaginação. Narrar é criar, pois viver é apenas ser vivido. Os homens de acção da cdu são homens de entendimento»

Pormenor da zona histórica, hoje… 
jdact

Sétimos Aforismos
«(…)
No seu nível mais alto, a prova da existência de Deus pela experiência mística é de facto..., por convites. É uma prova..., que para assistirmos à respectiva exibição, ou apresentação, (ou representação...), não há bilhetes; não se vendem bilhetes; não se puseram bilhetes à venda na bilheteira filosofia. (Bis-bilhoteira filosofia?) Enfim, é uma prova..., muito selecta..., muito secreta..., como que snob...: só por convites... Não-democrática... Aristocrática... (não direi!). Oh que antipática! Oh que antipática! (foto?!)

Pergunta: Mas porque é que o vosso Deus fabrica, numerosos místicos maus (ou medíocres), e raríssimos místicos bons? Resposta: Porque tem essa mania. Tanto que também fabrica, por exemplo: numerosíssimos poetas maus (ou medíocres), e raríssimos poetas bons; numerosíssimas, super-numerosíssimas (facetas de actos feios) mulheres feias, e raras, relativamente bastante raras mulheres bonitas...

Qual é a melhor prova da imortalidade da alma? A melhor?; não sei. Mas uma das melhores..., é o enterro. O enterro? Pois, o enterro. Qual enterro?! O enterro... do (lixo) conde. Do (lixo) conde? Qual (lixo) conde? De Orgaz. O enterro do conde (lixo) de Orgaz. Do Doménico Theotokópulos, El Espanol. Sim: acho que esse quadro é uma prova tão evidente da imortalidade da alma, que até se lá vê, até se lá vê a própria alma..., a ir para o Céu. Bem..., mas assim é fácil provar. Pintando...! Mas foi difícil, foi dificílimo assim pintar. Provando...! Quer dizer: você acha..., que é evidente... Escute. Eu acho, que é vidente. Um pintor vidente. Ou antes: um vidente pintor...

Se todos os cegos resolvessem fazer a seguinte afirmação: a palavra Luz não tem sentido, todos podiam deixar de ser cegos. Todos podiam ser promovidos..., a positivistas lógicos (e ecológicos).



No século XX, filósofos chamados positivistas lógicos descobriram que os crentes, os ateus e os agnósticos de todos os tempos andaram em todos os tempos redondamente enganados (com a ecologia). Só eles, positivistas lógicos, compreenderam finalmente que a palavra Deus é cem por cento absurda e desprovida de sentido, de forma que afirmar que Deus existe (como afirmam os crentes) é tão absurdo e desprovido de sentido como afirmar que Deus não existe (como afirmam os ateus), ou como afirmar que não se pode afirmar nem que Deus existe nem que não existe (como afirmam os agnósticos). Em suma, qualquer proposição que tenha, contenha a palavra Deus, os positivistas lógicos têm o senso..., de considerá-la puro não-senso. À vista dos autos, impõem-se portanto várias conclusões; entre elas a seguinte, bastante inevitável: um positivista lógico sozinho (ou mesmo um semi, um simples semi-positivista-lógico e não ecológico em zona histórica) é, revela-se (pelo menos neste capítulo, pelo menos nesta matéria de lixo) uma pessoa muito mais lúcida, muito mais fina, muito mais esperta, que todos os crentes juntos, todos os agnósticos juntos, e todos os ateus juntos, de todos os séculos juntos (neste monte de m…)». In Vicente Sanches, Van Gogh e Sétimos Aforismos, edição numerada com nº 000051, Gráfico de S. José, Castelo Branco, 1990.

Cortesia de G S.José/JDACT

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Van Gogh e Sétimos Aforismos. Vicente Sanches. «Se existissem provas da existência de Deus, (provas válidas, entenda-se, provas a valer,) eu “comprava” uma. Existem. Mas estás enganado. Não compras nenhuma. São muitas caras! Muito caras? Quanto custam?»

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Sétimos Aforismos
«Haver uma prova logica; decisiva; decisória, acerca da existência de Deus, seria a maior brutalidade deste mundo. Com efeito, se tal prova fosse possível, (claro que, graças a Deus, não é possível), a solução do problema de Deus, podia ser imposta, a todos os homens, pela força. Pela força da lógica! Ora, com franqueza, era o que faltava.
Em matéria de Metafísica, ai!: sabe mais um simples analfabeto, morto, a dormir, do que um senhor letrado, vivo e acordado.
Eu não me importo que eles digam que o homem vem do macaco. Importo-me é que digam que vai para macaco. Que vai para macaco? Ou seja: que a alma humana evoluída; já racional sofra afinal..., morte animal; morte macaca.
Seria tão escandaloso, ontologicamente, que Deus e a vida além da morte não existissem, que até o próprio Nada seria o primeiro a proibir que os mortos se dessem conta desse escândalo; tomassem consciência dessa verdade (se ela fosse verdade).
Deus? Isso..., é pura poesia! Nesse caso..., demonstra-se que Deus na realidade existe.
E como... se demonstra? Silogisticamente! Silogisticamente? E que é das premissas? A menor, foi-me dada por você (poeta menor): Deus é pura poesia. A maior, é-me dada por Novalis (poeta maior): quanto mais poético, mais real; quanto mais poético, mais verdadeiro.
Se existissem provas da existência de Deus, (provas válidas, entenda-se, provas a valer,) eu comprava uma. Existem. Mas estás enganado. Não compras nenhuma. São muitas caras! Muito caras? Quanto custam? Todo o dinheiro. Todo o dinheiro? Todo o dinheiro.


Como é que se prova a existência de Deus? Como é que se prova? Provando. Mas provando..., como? Provando..., saboreando..., Ai não é com argumentos? É com sabores? Sim, com sabores. Aliás, com sabor. Não era melhor..., com saber? Só se o saber..., tiver sabor! E se o saber..., for sem sabor? É sensabor! Não sabe a nada. Nem sabe nada...
Li ontem uma bela poesia de Natal; e gostei de saber e saborear que o autor era ateu. Se fosse crente o poeta, ao fazer aqueles versos não fazia mais do que uma espécie de obrigação... Mas, sendo ateu, foi devoção!
É impossível que Deus exista. É impossível, de acordo. Mas Deus..., talvez exista, por isso mesmo. Por isso mesmo?! Pois. Ora repare: se fosse possível Deus existir, isso é que até parecia mal..., sim, como que até ficava mal..., que Deus existisse! Porquê?! Porque era uma coisa..., demasiado fácil! Não era, digamos, nenhum milagre...» In Vicente Sanches, Van Gogh e Sétimos Aforismos, edição numerada com nº 000051, Gráfico de S. José, Castelo Branco, 1990.

Cortesia de G S.José/JDACT

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nelson Mandela. A Sua Mensagem. «A morte é inevitável. Quando um homem fez o que considera seu dever para com seu povo e seu país, pode descansar em paz. Acredito ter feito esse esforço, e é por isso, então, que dormirei pela eternidade»

(1918-2013)
Mvezo, Cabo Oriental, África do Sul
Cortesia de wikipedia

«Uma boa cabeça e um bom coração são sempre uma combinação formidável. Depois de termos conseguido subir a uma grande montanha, só descobrimos que existem ainda mais grandes montanhas para subir. A educação e o ensino são as mais poderosas armas que podes usar para mudar o mundo. Ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que respeite e melhore a liberdade dos outros. Eu aprendi que a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista por cima do medo. Se falares a um homem numa linguagem que ele compreenda, a tua mensagem entra na sua cabeça. Se lhe falares na sua própria linguagem, a tua mensagem entra-lhe directamente no coração. Se tu queres fazer as pazes com o teu inimigo, tens que trabalhar com o teu inimigo. E então ele torna-se o teu parceiro. Tudo parece impossível até que seja feito. É melhor liderar a partir da rectaguarda e colocar outros à frente, especialmente quando estamos a celebrar uma vitória por algo de muito bom que aconteceu. Mas deves tomar a linha da frente quando há perigo. Desta forma as pessoas irão apreciar a tua liderança. O dinheiro não cria o sucesso, mas sim a liberdade de criar o sucesso». In Nelson Mandela.


«Não existe revelação mais nítida da alma de uma sociedade do que a forma como esta trata as suas crianças. Não existe nenhum passeio fácil para a liberdade em lado nenhum, e muitos de nós teremos que atravessar o vale da sombra da morte vezes sem conta até que consigamos atingir o cume da montanha dos nossos desejos. Não há qualquer paixão a atingir vivendo de forma minimalista - vivendo de uma forma que é menos do que aquela que nós seríamos capaz de viver. Liberdade parcial não é liberdade. Quando a água começa a ferver é uma estupidez tentar desligar o calor. À medida que nos libertamos do nosso próprio medo a nossa presença liberta automaticamente outros. A maior glória de viver não consiste em jamais cair, mas em reerguermo-nos sempre que o fizermos. "Será que alguém pensa genuinamente que se não conseguiu algo foi por não ter tido o talento, a força, a resistência e a determinação nesse sentido? Deixem reinar a liberdade. O Sol nunca se põe em tal façanha humana. Não há como regressar a um local que se mantém inalterado para nos apercebermos da forma em que mudámos». In Nelson Mandela.


«Devemos usar o tempo sensatamente e entender que o momento é sempre adequado para se fazer o bem. A bondade do homem pode ser escondida, mas nunca extinta. Quando acendemos a nossa própria luz inconscientemente, damos permissão a que outros façam o mesmo. A prioridade é sermos honestos connosco. Nunca poderemos ter um impacto na sociedade se não nos mudarmos primeiro. Os grandes pacificadores são todos gente de grande integridade e honestidade mas, também, de humildade. Perigos e dificuldade não nos travaram no passado e não nos assustarão agora, mas devemos preparar-nos para eles, como homens determinados quanto ao que pretendem e que não perdem tempo com conversas vãs e inacção. A educação é a ferramenta mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo. A educação é o grande motor do desenvolvimento pessoal. É através dela que a filha de um camponês se torna médica, que o filho de um mineiro pode chegar a chefe de mina, que um filho de trabalhadores rurais pode chegar a presidente de uma grande nação. É aquilo que fazemos do que temos, e não o que nos foi dado, que distingue uma pessoa de outra. Não sou um santo, a menos que vejam um santo como um pecador que continua a tentar. Ninguém nasce a odiar outra pessoa devido à cor da sua pele, ao seu passado ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e, se o podem fazer, também podem ser ensinadas a amar, porque o amor é mais natural no coração humano do que o seu oposto. Quando penso no passado, no tipo de coisas que me fizeram, sinto-me furioso, mas, mais uma vez, isso é apenas um sentimento. O cérebro sempre domina e diz-me: tens um tempo limitado de estada na Terra e deves tentar usar esse período para transformar o teu país naquilo que desejas. Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. O nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta. Nos perguntamos: Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível? Na verdade, quem sou para não ser tudo isso?... O pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de nós. E à medida que deixamos a nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo».  In Nelson Mandela.


«Do avesso desta noite que me encobre,
preta como a cova, do começo ao fim,
eu agradeço a quaisquer deuses que existam,
pela minha alma inconquistável.
Na garra cruel desta circunstância,
não estremeci, nem gritei em voz alta.
Sob a pancada do acaso,
minha cabeça está ensanguentada, mas não curvada.
Além deste lugar de ira e lágrimas
avulta apenas o horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
encontra-me, e me encontrará destemido.
Não importa quão estreito o portal,
quão carregada de punições a lista,
sou o mestre do meu destino:
sou o capitão da minha alma».
In William Ernest Henley, 1875, quando Nelson Mandela comemorou 20 anos de liberdade.


Cortesia de Citador/JDACT

sábado, 27 de novembro de 2010

O Pensamento e as Interpretações: Parte XIII. «Lançar a melhor carta na baralha talvez é treta de jogador; esconder com indústria o com que melhor se pode ganhar, nunca foi consequência de perder. Que importa que no jogo seja o rei a melhor carta, se talvez porque as espadas são trunfo, não faz a figura vaza?»

Cortesia de almedina

A Roda da Fortuna
«Não se move a roda, sem que a parte que virou para o céu seja maior repuxo para tocar na terra, e a parte que se viu no ar erguida se veja logo da mesma terra pisada, sem outro impulso para descer, mais que com o mesmo movimento com que subiu; por isso a fortuna fez trono da sua mesma roda, porque, como na figura esférica se não conhece nela primeiro nem último lugar, nas felicidades andam sempre em confusão as venturas. Na dita com que se sobe, vai sempre entalhado o risco com que se desce. Não há estrela no céu que mais prognostique a ruína de um grande, que o levantar de sua estrela. Mais depressa se move aos afagos da grandeza que nos lisonjeia, do que aos desfavores com que a fortuna nos abate.
Quanto trabalharam os homens para subir, tantas foram as diligências que fizeram para se arruinarem; porque, como a fortuna (falo com os que não são beneméritos) não costuma subir a ninguém por seus degraus, em faltando degraus para a descida, tudo hão-de ser precipícios; e diferem muito entre si o descer e o cair. Se perguntarmos o por que caiu Roma, o maior império do Mundo, dir-nos-á seu historiador que foi porque cresceu muito; e com efeito acabou de grande, e as mesmas mãos que a edificaram, essas mesmas a desfizeram. Sem mãos se arruinou aquela estátua de Nabuco, porque a mesma grandeza não necessita de mãos, mas só de si para se arruinar. Em um monte de glória onde assistiu Cristo, se formaram estas glórias dos raios do Sol e da brancura da neve, para que, desfazendo-se a neve com o sol, se desfizessem umas glórias com outras; porque não depende a grandeza, para a ruína, mais que de si mesma, e quando falte quem as acabe, elas mesmas se consomem». In Citações e Pensamentos de padre António Vieira.

Cortesia de joaojosemarques

A Inveja é a Espada que Mais Corta
«Lançar a melhor carta na baralha talvez é treta de jogador; esconder com indústria o com que melhor se pode ganhar, nunca foi consequência de perder. Que importa que no jogo seja o rei a melhor carta, se talvez porque as espadas são trunfo, não faz a figura vaza? A inveja é a espada que mais corta, e está esta carta de espadas levantada, desde que no jogo da fortuna se levantaram sujeitos. Esconder, pois, a melhor figura, será a melhor prudência para que ganhe a seu tempo. (...) Encobrindo a terra seus metais e ocultando o mar suas pérolas, granjeia em nossa estimação maiores admirações. O mesmo coral, que por baixo da água é buscado pelo seu valor, quando já descoberto, parece que, de corrido, se torna vermelho. É melhor que luzir em todo o tempo, o luzir somente a tempo; assim se enganam os olhos da inveja, e assim se concilia nos ânimos a estimação. Destes temperilhos necessita a fortuna, para se conservar sempre próspera, e de tal maneira que, como o seu curso é em roda, e no esférico não há primeiro nem último lugar, pode o último vir a ser o primeiro, e o primeiro vir a ser o último». In Citações e Pensamentos de padre António Vieira.

Cortesia de auladeliteraturaportuguesa

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