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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte IXd. «Esperança é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal. A esperança requer uma certa perseverança, i.e., acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário»


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Escadório das Três Virtudes.
«O Escadório das Virtudes, que são as Virtudes Teólogas e não as Cardeais, que aqui não figuram, reforçando desta feita o alcance católico do programa, executado já no tempo do arcebispo D. Gaspar de Bragança, na segunda metade do século XVIII, acrescentado portanto ao Escadório dos Sentidos, e já da provável traça de Carlos Amarante. O esquema geral é idêntico ao anterior, uma imagem central ladeada por outras duas, pese embora as fontes encontrarem-se instaladas em grandes nichos, no meio do espaldar das escadas. As figuras complementares são, neste caso, alegóricas e não remetem para a Bíblia ou para a mitologia. A fonte comporta um símbolo relativo à virtude teóloga correspondente».


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2ª Fonte das Virtudes: A Esperança
Símbolos: Arca da Aliança.
Esperança é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal. A esperança requer uma certa perseverança, i.e., acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário.

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A fonte da Esperança é simbolizada pela arca de Noé por baixo da qual cai água com a legenda:
  • Arca in qua...animae salvae factae sunt...Petr. 3, V. 20. - «Arca na qual... se salvaram almas».
«A arca é o símbolo do cofre ou tesouro de regeneração cíclica, constituindo assim o princípio da conservação e do renascimento. É o vaso alquímico onde se processa a transmutação dos metais, ou o coração do homem-alquimista no qual se opera a transmutação do humano em divino».

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A fonte tem no seu topo a estátua da esperança, pegando numa âncora na mão esquerda e uma pomba na direita e a inscrição:
  • Esperança. Expectantes beatam spem et adventum gloriae. Ad Tit. 2, 13. «Aguardando esperança bem-aventurada e a vinda da glória».
Do lado esquerdo a estátua da Confiança com um navio na mão e a inscrição:
  • Confidentia. In spe erit fortitudo vestra. Isai 30, 15. - «Na esperança estará vossa fortaleza».
Do lado direito a estátua da Glória que segura o sol e uma palma com a inscrição:
  • Gloria... Oculos non vidit nec auris audivit. Ad Corint. I C, 9. - «O olho não viu nem o ouvido ouviu».
In Peregrinar/Maria.

(Continua)
Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT

sábado, 23 de julho de 2011

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte IXc. «A Fé constitui a passagem de um estado a outro, que ainda não se vê, mas se vislumbra no horizonte. Assim sendo, no cimo vamos precisamente encontrar a estátua da Fé representada por uma mulher de olhos vendados, já que a Fé é a capacidade de ver com o coração»

Cortesia de wikipedia 

Escadório das Três Virtudes.
«O Escadório das Virtudes, que são as Virtudes Teólogas e não as Cardeais, que aqui não figuram, reforçando desta feita o alcance católico do programa, executado já no tempo do arcebispo D. Gaspar de Bragança, na segunda metade do século XVIII, acrescentado portanto ao Escadório dos Sentidos, e já da provável traça de Carlos Amarante. O esquema geral é idêntico ao anterior, uma imagem central ladeada por outras duas, pese embora as fontes encontrarem-se instaladas em grandes nichos, no meio do espaldar das escadas. As figuras complementares são, neste caso, alegóricas e não remetem para a Bíblia ou para a mitologia. A fonte comporta um símbolo relativo à virtude teóloga correspondente.

1ª Fonte das Virtudes: A Fé
Símbolos: Cruz
A estátua central representa a , figura de mulher com os olhos vendados, segurando um cálice com uma hóstia na mão esquerda e com a direita apontando para o ouvido. Na legenda lê-se: Fé. Fides... Argumentum nom apparentium...Ex auditu: Auditus Autem per verbum Christi. Ad Hebr. 11, 1, Rom. 10, 17. - «Fé...argumento das coisas que se não veêm...a fé é pelo ouvido: e o ouvido pela palavra de Cristo».
«A Fé constitui a passagem de um estado a outro, que ainda não se vê, mas se vislumbra no horizonte. Assim sendo, no cimo vamos precisamente encontrar a estátua da Fé representada por uma mulher de olhos vendados, já que a Fé é a capacidade de ver com o coração».

Cortesia de wikipedia 

À esquerda a estátua da docilidade. É uma mulher com o braço esquerdo levantado, apertando na mão uma serpente. No braço direito um escudo com uma cabeça de elefante, rematada por uma ampulheta coroada com uma sepente entre dois espelhos. A inscrição diz:
  • Docilidade. Corde enim creditur ad justitian. Ad Rom. 10, 10. - «Com o coração se crê para alcançar a justiça».
À direita a estátua da confissão, sustentando na mão esquerda as Tábuas da Lei e com a direita apontando para os mandamentos. A inscrição diz:
  • Confissão. Ore auten confessio fit ad saluten. Ad Rom. 10, 10. - «Mas com a boca se faz a confissão para conseguir a salvação».
In Peregrinar/Maria.

(Continua)
Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte IXb. «Na literatura romana, a crucificação é descrita como punição cruel e temida, não sendo aplicada aos cidadãos romanos, mas apenas aos escravos e aos não romanos que houvessem cometido crimes atrozes, como assassínio, furto grave, traição e rebelião. A cruz não é mencionada no Antigo Testamento»


Cortesia de wikipedia 

Escadório das Três Virtudes.
«O Escadório das Virtudes, que são as Virtudes Teólogas e não as Cardeais, que aqui não figuram, reforçando desta feita o alcance católico do programa, executado já no tempo do arcebispo D. Gaspar de Bragança, na segunda metade do século XVIII, acrescentado portanto ao Escadório dos Sentidos, e já da provável traça de Carlos Amarante. O esquema geral é idêntico ao anterior, uma imagem central ladeada por outras duas, pese embora as fontes encontrarem-se instaladas em grandes nichos, no meio do espaldar das escadas. As figuras complementares são, neste caso, alegóricas e não remetem para a Bíblia ou para a mitologia. A fonte comporta um símbolo relativo à virtude teóloga correspondente.

1ª Fonte das Virtudes: A Fé
Símbolos: Cruz
O cruzamento desses dois eixos maiores realiza a cruz de orientação total. A concordância, no homem, das duas orientações, animal e espacial, põe o homem em ressonância com o mundo terrestre imanente; a das três orientações, animal, espacial e temporal, com o mundo supra temporal transcendente pelo meio terrestre e através dele. A cruz tem, em consequência, uma função de síntese e de medida. Nela se juntam o céu e a terra. Nela se confundem o tempo e o espaço. Ela é o cordão umbilical, jamais cortado, do cosmo ligado ao centro original. De todos os símbolos, ela é o mais universal, o mais totalizante. A tradição cristã enriqueceu prodigiosamente o simbolismo da cruz, condensando nessa imagem a história da salvação e a paixão do Salvador. A cruz simboliza o Crucificado, o Cristo, o Salvador, o Verbo, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. No entanto, não podemos esquecer que a cruz é mais do que uma figura de Jesus, uma vez que se identifica com a história humana e com a nossa própria pessoa.

Cortesia de wikipedia

Note-se ainda que a crucificação era uma forma de pena oriental que foi introduzida no Ocidente pelos persas. Foi pouco usada pelos gregos, mas muito utilizada pelos cartagineses e romanos. Na literatura romana, a crucificação é descrita como punição cruel e temida, não sendo aplicada aos cidadãos romanos, mas apenas aos escravos e aos não romanos que houvessem cometido crimes atrozes, como assassínio, furto grave, traição e rebelião. A cruz não é mencionada no Antigo Testamento. Os romanos crucificavam os criminosos inteiramente nus e não motivo para se pensar que tenha sido feita alguma excepção para Jesus. As vestes do crucificado eram entregues aos soldados (Mt 27, 35). Uma inscrição com o nome do criminoso e a natureza do seu crime era feita sobre uma tabuinha, que o condenado levava pendurada no pescoço até o local da execução; essa tabuinha com a inscrição foi depois afixada acima da cabeça de Jesus na cruz. Por ironia de Pilatos, a inscrição de Jesus não indicava um crime, mas registava simplesmente a expressão «rei dos judeus» (Mt 27, 37; Mc 15, 26; Lc 23, 38; Jo 19, 19-22).
No Novo Testamento, o simbolismo teológico da cruz só aparece numa afirmação do próprio Jesus e nos escritos de Paulo. Jesus disse que aqueles que o seguem deve tomar a sua própria cruz, perdendo assim a vida para conquistá-la (Mt, 38; 16,24; Mc 8, 34; Lc 9,23; 14,27). Não se trata apenas uma alusão à sua própria morte, mas também da afirmação de que seu seguimento exige a «negação de si mesmo» (Mc 8,34), o total desprezo pela própria vida, pelo bem estar, pelas posses pessoais, a tudo aquilo a que se deve renunciar para seguir a Jesus. Paulo pregava Cristo e Cristo crucificado, embora isso fosse escândalo para os hebreus e loucura para os gentios (1Cor1, 23; 2,2) ...

Cortesia de wikipedia

«Ouçamos, mais uma vez, Fulcanelli, a este propósito:
  • «A cruz tem a marca dos três pregos que serviram para imolar o Cristo-matéria, imagem das três purificações pelo ferro e pelo fogo».
  • Do sacrifício do homem-físico, crucificado entre dois mundos, desperta o homem-espírito, o Christos ou Iluminado.
Por essa razão, no letreiro em cima pode ler-se: «Correrão dele águas vivas». In Peregrinar/Maria.

(Continua)
Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte IXa. «A fé geralmente é associada a experiências pessoais e pode ser transmitida a outros através de relatos. Nesse sentido é geralmente associada ao contexto religioso e a decisão de «ter fé» é unilateral, ou seja, depende da vontade exclusiva de quem quer ter fé»

Cortesia de wikipedia

Escadório das Três Virtudes.
«O Escadório das Virtudes, que são as Virtudes Teólogas e não as Cardeais, que aqui não figuram, reforçando desta feita o alcance católico do programa, executado já no tempo do arcebispo D. Gaspar de Bragança, na segunda metade do século XVIII, acrescentado portanto ao Escadório dos Sentidos, e já da provável traça de Carlos Amarante. O esquema geral é idêntico ao anterior, uma imagem central ladeada por outras duas, pese embora as fontes encontrarem-se instaladas em grandes nichos, no meio do espaldar das escadas. As figuras complementares são, neste caso, alegóricas e não remetem para a Bíblia ou para a mitologia. A fonte comporta um símbolo relativo à virtude teóloga correspondente.

Nota: As virtudes mais excelentes são as virtudes teólogas, , Esperança e Caridade, que se referem directamente a Deus; mas também são importantes as virtudes morais, que aperfeiçoam o comportamento do individuo nos meios que conduzem a Deus. Se pensamos no modo de adquiri-las, umas são virtudes naturais ou adquiridas, pois são conseguidas com as forças da natureza; outras, sobrenaturais, se são concedidas por Deus, de modo gratuito. As virtudes teólogas sempre são sobrenaturais ou infusas; mas as virtudes morais podem ser adquiridas ou infundidas por Deus.
  • O ser humano pode realizar actos bons com as forças naturais, adquirindo virtudes. Por exemplo: a sinceridade, a laboriosidade, a discrição, a lealdade...
As principais virtudes morais, chamadas também cardeais, porque são o ponto de apoio das demais virtudes são:
  • a prudência,
  • a justiça,
  • a fortaleza,
  • a temperança.

Cortesia de blogimagens

A prudência é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em toda as circunstâncias o nosso verdadeiro bem, escolhendo os meios justos para realiza-lo.
A justiça é a virtude que nos inclina a dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido, tanto individual como socialmente.
A fortaleza é a virtude que no meio das dificuldades assegura a firmeza e a constância para praticar o bem.
A temperança é a virtude que refreia o apetite dos prazeres sensíveis e impõe a moderação no uso dos bens criados.

Benignidade,  Fonte: Coração, CARIDADE.  Paz
Confidência,  Fonte: Arca, ESPERANÇA.  Glória
Docilidade,  Fonte: Cruz, FÉ. Confissão

1ª Fonte das Virtudes: A Fé
Símbolos: Cruz
A fé geralmente é associada a experiências pessoais e pode ser transmitida a outros através de relatos. Nesse sentido é geralmente associada ao contexto religioso e a decisão de «ter fé» é unilateral, ou seja, depende da vontade exclusiva de quem quer ter fé. A bíblia, um livro religioso e considerado sagrado por muitas religiões cita bastante a fé. Nela se encontra a seguinte definição geral: «(...) a fé é acreditar em coisas que se esperam, a convicção de factos que se não vêem, independentemente daquilo que vemos, ou ouvimos».
A fonte da Fé apresenta uma cruz simples com três goteiras nas aberturas dos cravos e a inscrição: Ejus fluent aquae vivae. Joan. 7, 38. - «Correrão dele águas vivas».


Cortesia de wikipedia

Segundo Chevalier e Gheerbrant a cruz é o terceiro dos quatro símbolos fundamentais, juntamente com o centro e o círculo e o quadrado. E estabelece uma relação entre os três outros:
  • pela intersecção das duas linhas rectas que coincidem com o centro, abre o centro para o exterior;
  •  inscreve-se no círculo, que divide em quatro segmentos;
  • engendra o quadrado e o triângulo, quando suas extremidades são ligadas por quatro linhas rectas.
A simbologia mais complexa deriva dessas singelas observações. Foram elas que deram origem à linguagem mais rica e mais universal. Como o quadrado, a cruz simboliza a terra; mas exprime dela aspectos intermediários, dinâmicos e subtis. A simbólica do quatro está ligada, em grande parte, à da cruz, principalmente ao facto de que ela designa um certo jogo de relações no interior do quatro e do quadrado. A cruz é o mais fulcral dos símbolos. Apontando para os quatro pontos cardeais, a cruz é, em primeiro lugar, a base de todos os símbolos de orientação, nos diversos níveis de existência do homem. A orientação total do homem exige um triplo acordo: a orientação do sujeito animal com relação a ele mesmo; a orientação espacial, com relação aos pontos cardeais terrestres; e, finalmente, a orientação temporal com relação aos pontos cardeais celestes. A orientação espacial articula-se sobre o eixo Este-Oeste, definido pelo nascer e pôr-do-sol. A orientação temporal articula-se sobre o eixo de rotação da Terra, ao mesmo tempo Sul-Norte e Em baixo-Em cima». In Peregrinar/Maria.

(Continua)
Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT