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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte VIII. «A figura segura uma bilha que verte água, sendo as aranhas os animais simbólicos que a acompanham. Esta fonte representa, fundamentalmente, a acção e o destino forjado pelo homem. A mão, como veículo privilegiado do tacto, é o símbolo da actividade e do poder»

Cortesia de 3ilchuminho 

«O escadório dos cinco sentidos, é uma alegoria ao corpo humano mas está longe de constituir uma elegia. Ao contrário ele representa a mundovisão católica sobre o seu carácter pecaminoso e efémero, acrescido de uma desmistificante narrativa sobre o carácter erróneo do conhecimento sensorial; se é pelos sentidos que «se deriva o princípio do nosso conhecimento», como escrevia um dos primeiros moralistas do Bom Jesus, a atitude do crente não pode ser passiva nem acrítica no acto de conhecer. É necessário ir além das ilusões da imagem, como dizia Santo Agostinho ou o Padre António Vieira, é necessário ir além de todos os dados imediatos da percepção, dizem sem cessar todas as fontes do Escadório dos Cinco Sentidos. Tudo o que é sensorial é do domínio do reino animal:
  • «e serão sempre animais a exemplificar nas várias fontes as capacidades de cada sentido como que a quererem dizer que não é essa a condição humana».

Cortesia de caminhosromanos e wikipedia

5ª fonte dos sentidos: Fonte do Tacto
Símbolos: aranhas - mulher, cântaro

Na Fonte do Tacto uma figura tem uma bilha segurada por duas mãos, donde cai água, sendo as aranhas animis simbólicos.

Cortesia de wikipedia 

A figura segura uma bilha que verte água, sendo as aranhas os animais simbólicos que a acompanham. Esta fonte representa, fundamentalmente, a acção e o destino forjado pelo homem. A mão, como veículo privilegiado do tacto, é o símbolo da actividade e do poder. É passiva naquilo que retém e activa naquilo que liberta. A mão é signo do labor, sendo extremamente interessante o facto de estar aqui associada à bilha, pois as bilhas construídas pelo oleiro são os elementos do nosso karma, o fruto das nossas acções. A aranha é a tecelã da realidade e senhora do destino e o fio por ela tecido é o meio ou suporte da realização espiritual.

Cortesia de postaisdantigamente 

A estátua central da fonte é de Salomão, segurando o ceptro, com a inscrição: Salomão. Venter meus intremuit ad tactum ejus. Cant. Cap. 5, v 4. - «Salomão. As minhas entranhas estremeceram ao seu toque». À esquerda a estátua de Isaías que diz: Isaias. Tetigit os meum. Isai. 6 - «Isaias. Tocou a minha boca». À direita a estátua de Isaac, cego com as mãos estendidas à procura do filho e proferindo: Isaac cego. Accedehuc, ut tangam te, filii mi. Genes, 27. - «Chega-te a mim, meu filho, para que te toque».

Cortesia de lenialaurel
Midas pediu a Dionísio que lhe concedesse o dom de transformar em ouro tudo que tocasse; mas não pôde mais alimentar-se, pois toda a comida que tocava transformava-se em ouro; para se purificar, banhou-se nas águas do rio Pactolo, cujo fundo ficou coberto de pepitas de ouro.
 
Tacto – Mulher segurando Cântara – Ar – elemento Masculino
Aranha (teia) – Ar – elemento Masculino

Há ainda a assinalar, relativamente ao escadatório dos cinco sentidos, que em todas as suas fontes encontramos a presença de cinco interessantes castelos ou torreões formados por quatro taludes e uma porta. Fulcanelli diz-nos a propósito da representação do Athanor alquímico:
  • «Os fornos estão representados como se fossem torreões com os seus taludes, as suas ameias, as suas seteiras».
O Athanor é o seio no qual se juntam os quatro elementos (torreão quadrado com quatro taludes) que são zelosamente vigiados (as ameias) com o objectivo de alcançar a obra (seteiras), permitindo a libertação do quinto elemento (a porta).

Termina o Escadório dos Cinco Sentidos e falarei no novo escadório, das Três Virtudes, que data de 1837». In Peregrinar/Maria.

Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte VII. «A boca é o símbolo da força criadora, o órgão da palavra ou Verbo. Por isso, a seu lado aparece o macaco ou cinocéfalo que também representa o deus Thot no Egipto. Os macacos, para muitas culturas estes primatas representam os instintos básicos da natureza humana»

Cortesia de vivoviajando

Com a devida vénia ao Gabriel e ao sítio Peregrinar/Maria.

«O escadório dos cinco sentidos, é uma alegoria ao corpo humano mas está longe de constituir uma elegia. Ao contrário ele representa a mundovisão católica sobre o seu carácter pecaminoso e efémero, acrescido de uma desmistificante narrativa sobre o carácter erróneo do conhecimento sensorial; se é pelos sentidos que «se deriva o princípio do nosso conhecimento», como escrevia um dos primeiros moralistas do Bom Jesus, a atitude do crente não pode ser passiva nem acrítica no acto de conhecer. É necessário ir além das ilusões da imagem, como dizia Santo Agostinho ou o Padre António Vieira, é necessário ir além de todos os dados imediatos da percepção, dizem sem cessar todas as fontes do Escadório dos Cinco Sentidos. Tudo o que é sensorial é do domínio do reino animal:
  • «e serão sempre animais a exemplificar nas várias fontes as capacidades de cada sentido como que a quererem dizer que não é essa a condição humana».

Cortesia de caminhosromanos/wikipedia

4ª fonte dos sentidos: Fonte do Paladar
Símbolos: macacos-boca

Na fonte do paladar a figura deita água pela boca e tem na mão esquerda uma maçã e de cada lado um macaco.

Cortesia de skyscrapercity
A boca é o símbolo da força criadora, o órgão da palavra ou Verbo. Por isso, a seu lado aparece o macaco ou cinocéfalo que também representa o deus Thot no Egipto, o escriba divino que toma nota da palavra de Ptah, o deus criador.
Os macacos, para muitas culturas estes primatas representam os instintos básicos da natureza humana. Na Europa Cristã, os macacos foram desde sempre alvo de desagrado, devido à sua sexualidade desinibida.

Cortesia de postaisdantigamente 

Jónatas - Ganimedes/São José - PALADAR - Esdras
A estátua cental representa José do Egipto com um cálice na mão direita e um prato com frutas na esquerda e a inscrição Joseph. De benedictione domini in terra ejus, de pomis coeli, et rore. Deuter. 33, 13. - «A tua terra seja cheia das bênçãos do senhor, dos frutos do céu e do orvalho».

Na mitologia grega, Ganímedes era um príncipe de Tróia, por quem Zeus se apaixonou. Nas imediações de Tróia, o jovem cuidava dos rebanhos do pai, quando foi avistado por Zeus. Atordoado com a beleza do mortal, Zeus transformou-se em uma águia e raptou-o, possuindo-o em pleno vôo. Ganimedes foi levado ao Olimpo e, apesar do ódio de Hera, substituiu a deusa Hebe e passou a servir o néctar aos deuses, bebida que oferece a imortalidade, derramando, depois, os restos sobre a terra, servindo aos homens. Em homenagem ao belíssimo jovem, Zeus colocou-o na constelação de Aquarius.

Cortesia de excursvirtbraga 
À esquerda Jónatas com uma lança, desculpando-se de ter provado o mel do cortiço que tem ao lado, dizendo Jonathas. Gustans gustavi in sommitate vergae; et ecce morior... I Reg. C 14. «Jonatas. Provei um pouco de mel na ponta duma vara; e eis porque morro...»
Na estátua da direita Esdras segurando um cálice e pão, com o letreiro:
  • Esdras. Gusta panem et nom derelinquas nos sigut pastor in medio luporum. Esdr. 4 C. 5 - «Esdras. Prova o pão, e não nos abandones, como o pastor no meio dos lobos».
Boca (paladar) – Água – elemento Feminino
Macaco – Ar – elemento Masculino

Note-se que nas primeiras representações egipcías, temos quatro tipos designados para a Mãe na sua forma estrelada, tratando-se de representações dos quatro elementos, sendo estes qautro tipos os seguintes:
  • Hipopótamo para a água,
  • Macaco para o ar,
  • Leão para o fogo, 
  • Crocodilo para a terra». 
In Peregrinar/Maria.

Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT

quinta-feira, 3 de março de 2011

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte VI. «O olfacto, tal como a visão, encontra-se muitas vezes associado à clarividência, à capacidade de percepcionar aquilo que o sentido físico não capta. A figura da fonte deita água pelo nariz, tem nas mãos uma caixa aberta e de cada lado um cão»

Cortesia de caminhosromanos 

Com a devida vénia ao Gabriel e ao sítio Peregrinar/Maria cito algumas frases. 
«O escadório dos cinco sentidos, é uma alegoria ao corpo humano mas está longe de constituir uma elegia. Ao contrário ele representa a mundovisão católica sobre o seu carácter pecaminoso e efémero, acrescido de uma desmistificante narrativa sobre o carácter erróneo do conhecimento sensorial; se é pelos sentidos que «se deriva o princípio do nosso conhecimento», como escrevia um dos primeiros moralistas do Bom Jesus, a atitude do crente não pode ser passiva nem acrítica no acto de conhecer. É necessário ir além das ilusões da imagem, como dizia Santo Agostinho ou o Padre António Vieira, é necessário ir além de todos os dados imediatos da percepção, dizem sem cessar todas as fontes do Escadório dos Cinco Sentidos. Tudo o que é sensorial é do domínio do reino animal:
  • «e serão sempre animais a exemplificar nas várias fontes as capacidades de cada sentido como que a quererem dizer que não é essa a condição humana».

Cortesia de caminhosromanos/wikipedia

3ª Fonte dos Sentidos: Fonte do Olfacto
Símbolos: cão – nariz

Na fonte do Olfacto a figura da fonte deita água pelo nariz, tem nas mãos uma caixa aberta e de cada lado um cão.

Cortesia de flickr  
Na Idade Média o cão nem sempre se associou a uma simbologia positiva. No entanto, progressivamente ele tende a representar o símbolo, por excelência, da fidelidade, tal como, de resto, foi transmitido pelos autores da Antiguidade. Louis Charbonneau-Lassay refere, que a arte cristã «le hizo justicia e hizo de él el símbolo de Fidelidad, de todas las fidelidades. En este sentido estaba echado al pie de las reinas y de las mujeres de bien, en sus monumentos funerarios, y también a los pies de los señores vasallos y de los escuderos fieles». Gerd Heinz-Mohr reitera esta simbologia, referindo que a Idade Média elevou o cão a símbolo «de fidelidade dos vassalos para com o Senhor das terras, da mulher para com o marido».

Cortesia de flickr
O símbolo do cão é bastante complexo na sua tradição mitológica. Frequentemente comparece associado à idéia de morte, à imagem dos infernos e do mundo subterrâneo. 
O Dicionário de Símbolos, afirma que a primeira função mítica do cãoé a de guia do homem na noite da morte, após ter sido seu companheiro no dia da vida (1992, p.176). Consta também ser intercessor e intermediário entre vivos e mortos, estando ligado à trilogia dos elementos,  terra, água e lua.

 
Cortesia de postaisdantigamente
Noé - Jacinto /Vir Sapiens - OLFACTO - Sunamita
A estátua por cima da fonte é de um varão sustendo a capa com a mão direita e pegando numa flor com a esquerda e a inscrição: Vir sapiens. Florete flores quasi lilium e date odorem. Eccl. 39, 19. «Varão sábio. Dai flores como o lírio e rescendei suave cheiro».

Jacinto era um jovem mortal muito amado pelas divindades, principalmente por Apolo que o seguia aonde quer que ele fosse. Certa vez em que ambos se divertiam com um jogo:
  • Apolo lançou o disco com tal habilidade para o céu que Jacinto olhando admirado correu para pegá-lo, ansioso por fazer sua jogada. Porém, o disco caiu em terra e voltando, bateu na testa de Jacinto, que caiu desmaiado. Apolo correu em desespero até Jacinto e com toda sua habilidade médica tenta reavivar o corpo de Jacinto, mas a sua cura estava além de qualquer habilidade. Apolo se sente tão culpado por sua morte que promete que Jacinto viveria pra sempre com ele na memória do seu canto.
O canto entoaria a canção do seu destino e ele se transformaria numa flor. Uma flor muito semelhante ao lírio, porém, roxa. Nela foi gravada a saudade e o pesar de Apolo com o lamento "Ai! Ai!" que ele escreveu na flor, como até hoje se vê. A flor carrega seu nome e renasce toda a Primavera relembrando o seu destino (a flor mencionada não parece ser o jacinto moderno).

Cortesia de excursvirtbraga 
À esquerda está Noé sustentando nos braços um cordeiro, junto dum altar com a inscrição: Noé. Odoratus est dominus odorem suavitatis. Genes. 8.- «Noé. Percebeu o Senhor um suave cheiro».
À direita Sunamites abraçada a uma palmeira dizendo: Sunnamites. Statura tua assimilata est palmae...et odor oris tui sicut malorum. Cant. Cantic. Cap. 7, vv 7 e 8. - «A tua estatura é semelhante a uma palmeira... e o cheiro da tua boca é como o das maçãs». Recordemos que a maçã é o fruto do conhecimento e da imortalidade. Contudo, esta fruta possuia um sentido ambíguo durante a Idade Média.
Por um lado foi identificada como aquela que causou o pecado original. Porém, também pode ter um significado positivo, pois, segundo Lurker, desde o século XI a maçã nas mãos do menino Jesus e na de Maria significava uma referência à absolvição do pecado e à vida eterna.

 «O olfacto, tal como a visão, encontra-se muitas vezes associado à clarividência, à capacidade de percepcionar aquilo que o sentido físico não capta». In José Ramos.

Nariz (olfacto) – Terra – Elemento Feminino
Cão (animal lunar) – Água – Elemento Feminino

In Peregrinar/Maria.

Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte IV. «Esta fonte procura mostrar o lado transcendente do próprio sentido, aqui representado através do Sol, símbolo da claridade que permite conhecer a verdadeira realidade, oculta nas sombras da ignorância. A águia, como animal solar, constitui a aspiração a essa mesma luz que vem do alto»

Cortesia de flickr 
Com a devida vénia ao Gabriel e ao sítio Peregrinar/Maria cito algumas frases.

Escadório dos Cinco Sentidos 
Este lance dos escadórios é da responsabilidade do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles que não os chegou a ver concluidos pois morreu em Setembro de 1728. Para a conclusão, a administração da confraria obteve os recursos de um modo singular:
  • A Companhia de Jesus e o seu colégio da Igreja de São Paulo em Braga estava em litígio com outros colégios de Braga, em particular com o Convento dos Congregados. Ocorreram em Braga manifestações dos estudantes dos outros colégios contra os jesuitas. Estes conseguiram fazer prender os rapazes mais rebeldes, e obrigar as suas famílias a pagar multas proporcionais aos seus rendimentos.
O dinheiro recebido foi entregue à confraria para a feitura das estátuas de pedra que terminariam o escadório dos cinco sentidos.

Cortesia de fotothing
Os jesuitas inspirados na mitologia Grega escolheram as figuras, que a Mesa da Confraria em Edital de  Abril de 1774 julgou «indecorosíssimas e indecentíssimas». Em satisfação a este edital foram mudados os nomes e os dísticos às imagens:
  • Argos passou a chamar-se Vir Prudens;
  • Orfeu passou a designar-se por Editum;
  • Jacinto deu lugar a Vir Sapiens;
  • Ganimedes passou a Joseph;
  • Midas passou a chamar-se Salomão.
Nesta parte do escadório estão cinco lances de escadas, intervalados por patamares com fontes alegóricas aos cinco sentidos, pela seguinte ordem: Visão, Audição, Olfacto, Paladar e Tacto.
Paulo Pereira afirma que neste escadório procede-se ainda a uma hierarquia do tema dos cinco sentidos, como que revelando no percurso ascensional o grau de corporeidade que se deve atribuir a cada um dos sentidos em causa. O primeiro sentido é o da Vista e o último o do Tacto, começando no mais incorpóreo dos sentidos, a águia é o animal alegórico e o Sol preside à alegoria, terminando no mais corpóreo e impuro, a aranha é o animal escolhido para simbolizar esta faculdade.


Cortesia de caminhos romanos/wikipédia 
O escadório dos 5 sentidos é uma alegoria ao corpo humano mas está longe de constituir uma elegia. Se é pelos sentidos que «se deriva o princípio do nosso conhecimento», como escrevia um dos primeiros moralistas do Bom Jesus, a atitude do crente não pode ser passiva nem acrítica no acto de conhecer. É necessário ir além das ilusões da imagem, como dizia S. Agostinho ou o Pd. António Vieiraé necessário ir além de todos os dados imediatos da percepção, dizem sem cessar todas as fontes do Escadório dos Cinco Sentidos. Tudo o que é sensorial é do domínio do reino animal e serão sempre animais a exemplificar nas várias fontes as capacidades de cada sentido como que a quererem dizer que não é essa a condição humana.

A 1ª fonte dos sentidos. Fonte da Visão
Símbolos: sol e águia. Visão
Na fonte da Visão existe uma estátua lançando água pelos olhos e tem na mão esquerda uns óculos. Três águias olham para o sol.


Cortesia de pbase
Estamos perante uma dupla referência Solar: a Águia, com o seu forte simbolismo solar, ela pode olhar o sol de frente, e o próprio Sol. A águia identifica-se com forte conteúdo simbólico e que se encontra bem presente em variadas representações heráldicas no Ocidente medieval, sendo mesmo uma das mais comuns representações de animais nos brasões.
«Esta fonte procura mostrar o lado transcendente do próprio sentido, aqui representado através do Sol, símbolo da claridade que permite conhecer a verdadeira realidade, oculta nas sombras da ignorância. A águia, como animal solar, constitui a aspiração a essa mesma luz que vem do alto. A vigilância é também uma das suas características». In José Ramos.
Moisés - Argos/Vir Prudens - VISTA - Jeremias
A estátua central é a imagem de um pastor com a mão sobre o peito e os olhos fechados. A inscrição é Vir prudens quasi in somnis vide et vigilabis. Eccles. C. 13, v. 17. - «Varão prudente, toma-as (as lisongeiras palavras) por um sonho e assim vigiarás».
Segundo a mitologia, Argos Panoptes, Argo de muitos olhos, era um gigante com 100 olhos. Servo fiel de Hera, é incumbido pela deusa de tomar conta de Io, uma princesa e amante de Zeus transformada em novilha. Era um excelente boiadeiro, visto que, quando dormia, mantinha 50 de seus olhos despertos. Hera homenageou Argos, transformando-o em pavão, a sua ave sagrada, em cuja cauda pôs 100 olhos.
À direita a estátua de Moisés, tendo na cabeça 2 raios de luz e na mão direita a vara com a serpente enroscada. A inscrição diz: Moysés. Quem cumpercussi aspicerent, sanabantur. Num.21, 9. - «Moisés. Aqueles que, feridos, a olhavam, saravam»

Cortesia de skyscrapercity
À esquerda a estátua de Jeremias representa o sol e tem na mão direita uma vara com olhos, significando a que lhe mostrou numa visão. Na inscrição diz: Jeremias. Virgam vigilantem ego video. Jer. IEu vejo uma vara vigilante». Tudo fica mais claro se recordarmos que a vara ou cajado é o símbolo do conhecimento que permite ao sábio caminhar seguramente.
Outra possibilidade de interpretação é a  associação aos 4 elementosAqui aparecem-nos aos pares, o que também acontece em Tomar, nas construções dos Templários». In Peregrinar/Maria.
Vista (visão), Sol, Fogo, elemento Masculino
Águia, Ar, elemento Masculino

Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT

sábado, 15 de janeiro de 2011

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte III. «A letra M está ainda associada ao Pentagrama, símbolo por excelência da magia praticada desde tempos imemoriais no Hemisfério Norte. A letra M expressão alfabética do hieróglifo das ondas da água, símbolo do Grande Oceano, fonte de sabedoria. É uma letra ao mesmo tempo masculina e feminina»

Cortesia de  flickr
Com a devida vénia ao Gabriel e ao sítio Peregrinar/Maria cito algumas frases.

«Ainda a simbologia da escadaria do Bom Jesus
No Escadório dos Cinco Sentidos o caminho continua serpentiforme, pela estrutura em M das próprias escadas. «Segundo H. P. Blavatsky, esta é a mais sagrada das letras, assumindo um carácter místico quer no Ocidente quer no Oriente. Representa as ondas na Água do grande Oceano Primordial. É a Matriz, a Mater, a Mãe, Mut no Egipto, Maria no cristianismo, Maya no budismo, etc. É a Matéria Primordial como princípio da Grande Obra alquímica».
A letra M está ainda associada ao Pentagrama, símbolo por excelência da magia praticada desde tempos imemoriais no Hemisfério Norte. A letra M expressão alfabética do hieróglifo das «ondas da água», símbolo do «Grande Oceano», fonte de sabedoria, é realmente uma letra mística para muitos idiomas. É uma letra ao mesmo tempo masculina e feminina.

Cortesia de flickr 
1ª fonte: As Fontes das Serpentes
«Vamos encontrar duas extraordinárias fontes, uma de cada lado da escada, comportando na sua base um recipiente para o qual são vertidas as águas. Sobre este encontram-se 4 cabeças de crocodilo dirigidas para os 4 pontos cardeais. Este facto é muito significativo já que o crocodilo, nas mais diversas mitologias, é o Senhor das Águas Primordiais. Trata-se de uma divindade que reina no mundo inferior, constituindo assim um símbolo das trevas e da morte, mas também do renascimento. Equivale ao Seth egípcio e ao Tifão grego. Para os Miztecas e os Aztecas, a Terra nasceu de um crocodilo que vivia no Mar Primordial; para os Maias, a Terra era carregada às costas de um crocodilo. É o Senhor dos Mistérios da Vida e da Morte, o grande iniciador.
Sobre as 4 cabeças de crocodilo desenvolve-se uma espiral ascendente de 9 voltas, por onde corre a água que é vertida, no cimo da mesma, pela boca de uma serpente para o interior de um cálice. A espiral evoca a evolução de uma força, de um estado. Representa os ritmos repetidos da vida, assim como todo o carácter cíclico do caminho evolutivo. O número 9 anuncia ao mesmo tempo um fim e um recomeço, faz a transposição para um novo plano através de um processo de morte e renascimento. É o número da iniciação.
Assinala o fim de uma fase do desenvolvimento espiritual e o início de uma outra superior. Fecha um ciclo de multiplicidade, para um reencontro com a Unidade, pois, esotericamente 10=1+0=1.

Cortesia de skyscrapercity
A serpente encarna a vida original, visto que as Águas Primordiais e a terra profunda formam a Substância Primordial da qual é constituída a serpente. Dessa forma, encontramo-la ligada às correntes de água subterrâneas, as quais são a origem oculta da Terra, da energia telúrica. A serpente simboliza a sabedoria e os iniciados, pois ela é a atenção constante, o eterno rejuvenescimento e a guardiã do poder e dos tesouros ocultos».
Para Paulo Pereira também se pode interpretar em termos alegóricos como se tratando da redenção do peregrino ou romeiro. «Da serpente, símbolo cristão do pecado brota o elemento purificador por excelência, que preside a todo o sacromonte, mas muito em especial ao segmento seguinte, dedicado aos cinco sentidos. O Mal transforma-se em Bem através do domínio dos instintos (dos sentidos) e pela valorização do espírito e não dos fundamentos corpóreos e carnais da existência».
No dizer de José Fernandes Pereira, que dedicou ao Escadório dos Cinco Sentidos um importante estudo: «a animação luminosa de todo o conjunto constitui um dos seus elementos estruturantes. No percurso ascensional, o espectador, saído de um verdadeiro túnel de penumbra, encontra-se de súbito mergulhado numa zona de intensa luminosidade, intensificada pela omnipresença do branco da cal, pontuado pelo negro granito de fontes e esculturas. (…) à forma dinâmica e movimentada da pedra associa-se o fluxo ininterrupto da água lançada do alto por uma serpente: repetição, movimento dentro do movimento, em suma, definição clara de uma estética barroca».

No terraço imediatamente anterior ao conjunto de escadas dedicadas aos cinco sentidos encontram-se duas capelas em cada extremo, uma a Capela das Quedas (Jesus cai sob o peso da cruz e Cireneu ampara-lhe o madeiro - E vieram a um lugar chamado Golgota), outra a Capela da Crucificação (Era a hora da terça quando o crucificaram), como que acentuando a dor de Cristo ou a via dolorosa como elemento de purificação.


Cortesia de flickr

2ª fonte: Fonte das Cinco Chagas
Símbolos. Cálice  e escudo
«No primeiro pátio jorra a Fonte das Cinco Chagas. A fonte lança, numa concha de 7 semi-círculos, 5 vertentes saídas de um escudo. Estes 5 orifícios formam o quincôncio, ou seja, a quinta-essência que tem o poder de agir sobre a matéria e de tranformá-la. Representa o homem espiritual que desperta do quadrado da matéria que constitui a sua personalidade. Cinco são os sentidos que permitem captar as cinco formas sensíveis da matéria e assim, transcendê-la».
Quanto ao cálice para onde jorra a água, ele representa o vaso que contém a poção da imortalidade e da abundância. É o seio materno do qual emana o Leite da Vida, leite esse que não é mais do que o Soma, bebida da imortalidade. O cálice é também o símbolo do coração do iniciado».

Cortesia de wikipedia
Esta fonte é encimada por uma eloquente inscrição que diz: «PURPUREOS / FONTES ODIUM / RESARAVIT / ADOXUM / NUNC IN CHRISTALLOS HIC TIBI / VERTIR AMOR», o que em tradução de Alberto Feio «Rubras fontes abriu o ódio amargo, para ti agora o amor aqui as converte em cristais», acentuando nesta mensagem ao peregrino o valor redentor do sofrimento do Salvador. A cartela da fonte apresenta em relevo os instrumentos da Paixão de Cristo». In Peregrinar/Maria.

Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT

sábado, 18 de dezembro de 2010

Braga. Bom Jesus do Monte: Escadório dos 5 Sentidos. Este lance dos escadórios é da responsabilidade do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles que não os chegou a ver concluídos pois morreu em Setembro de 1728.

Os Escadórios do Bom Jesus ligam a parte alta da cidade de Braga ao Santuário. Ao longo do escadório estão capelas que representam a Via Sacra. Vencem um desnível de 116 metros e estão divididos em três partes:
  • Escadório do Pórtico,
  • Escadório dos Cinco Sentidos,
  • Escadório das Três Virtudes.

Cortesia de caminhos romanos/wikipédia

Escadaria dos 5 Sentidos.
Cada uma das fontes que se encontram na parte da escadaria representa um dos cinco sentidos:
  • A Visão;
  • A Audição;
  • O Olfacto;
  • O Gosto ou O Paladar;
  • O Tacto. 
Tenta-se simbolizar a busca da Verdade Divina, que figura nas estátuas e Inscrições bíblicas. Esta Verdade confronta-se com o conhecimento que provém dos 5 sentidos co corpo humano. Estes sentidos estão representados nas diversas fontes.

Cortesia de caminhosromanos

Na Fonte da Visão existe uma estátua lançando água pelos olhos e tem na mão esquerda uns óculos. Três águias olham para o sol. A estátua central é a imagem de um pastor com a mão sobre o peito e os olhos fechados. A inscrição é «Varão prudente, toma-as (as lisongeiras palavras) por um sonho e assim vigiarás». À direita a estátua de Moisés, tendo na cabeça dois raios de luz e na mão direita a vara com a serpente enroscada. A inscrição diz: «Moisés. Aqueles que, feridos, a olhavam, saravam». À esquerda a estátua de Jeremias representa o Sol e tem na mão direita uma vara com olhos, significando a que lhe mostrou numa visão. Na inscrição diz: «Jeremias. Eu vejo uma vara vigilante».

Cortesia de caminhosromanos

A Fonte da Audição, está representada por uma figura que lança água pelos ouvidos. Por baixo três cabeças de boi. A estátua central é de um jovem a tocar cítara com a inscrição: «Idithum. Que cantava ao som da cítara, presidindo os que cantavam e louvavam o Senhor». À esquerda está a estátua do Rei David tocando Harpa e a legenda: «David. Ao meu ouvido darás gozo e alegria». À direita a figura de uma mulher a tocar lira que diz: «Esposa dos cantares. Tua voz soe aos meus ouvidos».

Cortesia de caminhosromanos
Na Fonte do Olfacto a figura da fonte deita água pelo nariz, tem nas mãos uma caixa aberta e de cada lado um cão. A estátua por cima da fonte é de um varão sustendo a capa com a mão direita e pegando numa flor com a esquerda e a inscrição: «Varão sábio. Dai flores como o lírio e rescendei suave cheiro». À esquerda está Noé sustentando nos braços um cordeiro, junto dum altar com a inscrição: «Noé. Percebeu o Senhor um suave cheiro». À direita Sunamites abraçada a uma palmeira dizendo: «Sunnamites. A tua estatura é semelhante a uma palmeira... e o cheiro da tua boca é como o das maçãs».


Cortesia de caminhosromanos
 
Na Fonte do Gosto ou do Paladar a figura deita água pela boca e tem na mão esquerda uma maçã e de cada lado um macaco. A estátua central representa José do Egipto com um cálice na mão direita e um prato com frutas na esquerda e a inscrição: «A tua terra seja cheia das bênçãos do Senhor, dos frutos do céu e do orvalho». À esquerda Jónatas com uma lança, desculpando-se de ter provado o mel do cortiço que tem ao lado, diz: «Provei um pouco de mel na ponta duma vara e eis porque morro...». Na estátua da direita Esdras segurando um cálice e pão, com o letreiro: «Esdras. Prova o pão, e não nos abandones, como o pastor no meio dos lobos».

Cortesia de caminhosromanos

Na Fonte do Tacto uma figura tem uma bilha segura por duas mãos, donde cai água, sendo as aranhas os animais simbólicos. A estátua central da fonte é de Salomão, segurando o ceptro, com a inscrição: «Salomão. As minhas entranhas estremeceram ao seu toque». À esquerda a estátua de Isaías que diz: «Isaías. Tocou a minha boca». À direita a estátua de Isaac, cego com as mãos estendidas à procura do filho e proferindo: Isaac cegoChega-te a mim, meu filho, para que te toque».

Cortesia de Caminhos Romanos/Sentir Falperra, Hotel/JDACT