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sábado, 16 de novembro de 2013

Entre Memória e Arquivo. Exposições. «A fatalidade, várias vezes no meu caminho aparece; mas, não consegue perturbar a minha serenidade. Somente, no meu olhar, poisa e fica mais tristeza. Não me revolto, nem desespero. Quero morrer em beleza».

jdact


«Não leves a mal, perdoa...
Mas a frieza que eu ponho
nos meus beijos
não é cansaço, nem tédio.
O teu corpo
tem o charme necessário
para iludir ou prender,
e a tua boca
tem o aroma dos cravos
à tarde, ao anoitecer.
Não é cansaço, nem tédio.
É somente uma certeza
que eu não sei como surgiu
aqui - no meu coração:
não, amor; não és aquela
que o meu sonho distinguiu...
Não queiras a realidade.
A realidade mentiu...»


«Ia a tarde no final.
Somem-se os últimos ecos
duma jota aragonesa.
E a tarde,
não tem o ar natural
de quem falece na sombra.
Quando Ele surge na arena
Uma flor de oiro!
Sensualíssimo, viril,
e flexuoso
procura aproximar-se do toiro
a multidão
refulge num delírio de loucura.
Então,
com suprema galhardia
ergue o braço
para matar.
Há uma luz de labareda,
e o silêncio é mais profundo.
Os cornos tocam no oiro e na seda.
E ele, - tomba,
vencido,
Rasgado,
cheio de sangue na fronte.
A tarde
principia a arrefecer.
Tem o ventre descoberto,
e as negruras
da sua virilidade
toda a gente as pode ver».


JDACT

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Fundação Oriente. Exposições. Entre Linhas. «Chegamos à Casa das mulheres, um conjunto de retratos e corpos, traços de linha sedosa, suspensos como afirmação de ser. Singelo, duplo ou triplo, o fio reduz a silhueta ao essencial»


Cortesia da fo

Entre Linhas
Galeria Sul, até ao pf dia 16 de Setembro de 2012

«Lydia Reinhold situa a suas obras entre transparência e opacidade num espaço tridimensional. Começamos um percurso ondulando pelas figuras apanhadas numa trama de gaze quase invisível. As personagens desenhadas pelo fio de seda (ligação mítica entre o Oriente e o Ocidente) enovelam-se sobre si mesmas no Caos: a primeira instalação. Corpos, caretas, olhos dilatados dissolvem-se nos turbilhões das ondas inscritas num espaço labiríntico. Juntam-se, à transparência, painéis pintados com remoinhos.

Seguimos atravessando Idades I e II: infância, idade adulta, velhice entram em relação pela sobreposição dos panos. Chegamos à Casa das mulheres, um conjunto de retratos e corpos, traços de linha sedosa, suspensos como afirmação de ser. Singelo, duplo ou triplo, o fio reduz a silhueta ao essencial. Quase imaterial pela sua leveza, deixa o esboço da ideia na trama.


Os dois desenhos e colagens em papel, Atmosfio I e II, prolongam o caminho cósmico dos seres, explorando os limites dos seus próprios contornos, acabando num risco só. Lydia Reinhold foi bolseira da Fundação Oriente em Hangzhou (China) em 2004». In Fundação Oriente, 2012.

Cortesia da Fundação Oriente/JDACT

terça-feira, 17 de abril de 2012

Évora. Exposições “Desejo” e “Buscando a Leveza da Luz”. «... pintura de corpos como em África, origamis do Japão, runas nórdicas, móbiles do Alexander Calder e as tintas escorridas do Pollock. ... através do universo do abstrato e do figurativo, da luz e da escuridão, da estrutura e da liberdade»



Cortesia da cme
Exposições “Desejo” e “Buscando a Leveza da Luz” no Palácio de D. Manuel  
«A Câmara Municipal de Évora inaugurou no Palácio de D. Manuel duas exposições intituladas “Desejo” e “Buscando a Leveza da Luz”. A exposição “Desejo” inaugurada no primeiro andar do Palácio de D. Manuel é composta por trabalhos da jovem artista Sílvia Lopes, que nos chega de Arraiolos, a terra de Dórdio Gomes, discípulo de Cezanne em Paris. A Sílvia tem uma visão que parece onírica do mundo e da vida, mas é mais real do que o sonho. Está aqui tudo: pintura de corpos como em África, origamis do Japão, runas nórdicas, móbiles do Alexander Calder e as tintas escorridas do Pollock. Depois, do sonho fez-se a forma, luz e a arte. A exposição “Buscando a Leveza da Luz” apresenta trabalhos do artista holandês Niek te Wierik, é organizada pela Fundação Obras e está no rés-do-chão do Palácio de D. Manuel. Perfeição, liberdade e emoção: são estes os ingredientes que guiam o Niek te Wierik através do universo do abstrato e do figurativo, da luz e da escuridão, da estrutura e da liberdade. Estas exposições podem ser visitadas até ao pf dia 12 de Maio de 2012, de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00, e sábados só no período da tarde, encerrando ao domingo». In Câmara Municipal de Évora. 
JDACT

terça-feira, 6 de março de 2012

FCG. Exposições. «O Centro de Arte Moderna mostra dois dos expoentes máximos da arte contemporânea brasileira, as artistas Beatriz Milhazes e Rosângela Rennó, com as exposições Quatro Estações e Frutos Estranhos»

Beatriz Milhazes, Gamboa Seasons (detalhe), 2010
Cortesia da fcg

Quatro Estações
Beatriz Milhazes (1960, Rio de Janeiro) inspira-se no ambiente tropical, na história e na cultura do Brasil para criar os motivos básicos das suas pinturas plenas de cor. Flores, arabescos, ornamentos abstratos, formas geométricas e padrões rítmicos cruzam-se nas suas composições, expandindo um espaço plano cuja profundidade surge da colorida dinâmica dos elementos decorativos.

"Beatriz Milhazes" Fondation Beyeler no Riehen / Basel
Cortesia da fcg

Esta exposição é constituída por quatro novas pinturas monumentais representando as quatro estações do ano, acompanhadas por sete impressionantes colagens, uma escultura móvel e uma obra inédita, em vinil, criada especialmente para esta mostra.
É a primeira vez que a artista, que também se dedica à cenografia e conceção de palcos teatrais, fachadas, têxteis e cerâmica, trabalha com pinturas de grandes dimensões. De início, cada um dos quadros era autónomo, mas a artista rapidamente se apercebeu de que existia uma forte ligação entre os quatro, pelo facto de terem sido pintados em paralelo, acabando por formar uma unidade. Mas, enquanto as três primeiras estações se caracterizam por grandes motivos florais e cores exuberantes, Winter (inverno) dá corpo a uma forma abstrata e quase corpórea sobreposta a linhas verticais simétricas. A altura dos quatro quadros é a mesma, mas a largura corresponde proporcionalmente à duração da respetiva estação do ano no Rio de Janeiro.

Beatriz Milhazes, Políptico"Gamboa Seasons: "Summer love"
Cortesia da fcg

A exposição Quatro estações realiza-se em parceria com a Fundação Beyeler de Basileia (Suíça). CAM, Hall, Nave e Sala A. Curadoria: Michiko Kono e Isabel Carlos
Até ao pf dia 20 de Maio de 2012 
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Roângela Rennó. Frutos Estranhos
Esta exposição antológica cobre mais de duas décadas de trabalho da artista. O título, retirado de uma série de obras de 2006, constitui uma boa síntese da relação da artista com a fotografia e com o universo das imagens técnicas.

Lagoa, 2006
Cortesia da fcg

Nascida em Belo Horizonte em 1962, Rosângela não é uma fotógrafa no sentido tradicional do termo, dado que as imagens que compõem a sua obra não resultam de um ato operado inicialmente por si: não foi ela que carregou no botão, que enquadrou, que registou. Rosângela é uma recoletora de imagens de diversas proveniências, desde álbuns de família a fotografias de jornais e de agências de informação, passando por obituários, fotos de identificação e de arquivos cadastrais ou ainda memórias turísticas.


Bananeira [Banana tree], 2006
Cortesia da fcg

Essas imagens – com exceção do seu trabalho em vídeo – são recontextualizadas, reenquadradas, ampliadas, reimpressas. São, de algum modo, frutos de uma árvore-vida que a artista se limita a colher e depois a mostrar, a dispor, por vezes de um modo estranho, que nos leva a vê-los, a esses frutos do olhar e da memória dos outros, com uma nova visão e cosmogonia.
Conceptual e politicamente empenhada, Rennó expõe-nos vítimas de atos de violência e de exclusão social, desde presidiários a simples anónimos, mas denuncia também a fotografia como ato de manipulação.


Cartologia [Cartology], 2000
Cortesia da fcg

A exposição segue para Zurique onde será exibida na Fotomuseum Wintherthur, entidade parceira desta iniciativa.
CAM. Galeria 1 e Sala B, Curadoria: Isabel Carlos.
Até ao pf dia 6 de Maio de 2012


Cortesia da FCGulbenkian/JDACT

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Museu Guggenheim. Bilbau: Parte II. Exposições Permanentes (A Matéria do Tempo; Haunted, Fotografía/Vídeo/Performance contemporâneos; Selecção da Colecção do Museu Guggenheim Bilbau; Selecção de obras instaladas no exterior e de peças específicas)

Richard Serra, 1939, A matéria do tempo
Cortesia deguggenheimbilbao



http://www.guggenheim-bilbao.es/


A missão do Museu Guggenheim  de Bilbau é reunir, conservar e investigar a arte moderna e contemporânea e expô-la no contexto da História da Arte desde as múltiplas perspectivas, dirigida a uma audiência vasta e diversifcada.

O objectivo é contribuir para o conhecimento e disfrutar da arte e dos valores que representam, no conjunto de uma obra emblemática de arquitectura, como peça fundamental da rede dos Museus Guggenheim. Um símbolo da vitalidad do País Basco.

domingo, 29 de agosto de 2010

O Museu Calouste Gulbenkian: A Arte do livro

Cortesia da FCG

Instruções de Marino Grimani a Zuanne Lippomano
A encadernação que reveste o texto manuscrito sobre velino é decorada à maneira oriental, com enquadramentos em relevo, que se entrelaçam, formando compartimentos entalhados. A superfície destes compartimentos, que se desenvolvem a partir de medalhões centrais circulares, está coberta de madrepérola, ornamentada por elegantes ramagens e florões. No plano superior, o medalhão central é decorado com o leão alado de São Marcos, segurando um livro, símbolo da cidade de Veneza, enquanto no plano inferior o espaço correspondente é preenchido pela representação das armas de Lippomano.

Veneza, século XVI, 1 Vol. in-4º
Velino, 24 x 17 cm, Inv.º L.A. 151
Costesia da FCG
Na lombada, junto do pé, um cordão entrançado suspendia a bula dogal, agora inexistente. Nesta peça é patente o esplendor que a arte da encadernação alcançou na Veneza renascentista, sobretudo graças ao contacto com novas técnicas e novos motivos ornamentais trazidos do Oriente.

Flavii Iosephi Opera 
Esta colectânea da obra do historiador grego, Flavius Josephus (século I), pertenceu a Marcus Fugger, grande mecenas das artes e membro de uma importante família de mercadores-banqueiros alemães.
À semelhança de outros livros que Maccus Fugger mandou encadernar em Paris, nos começos de 1550, também este exemplar se reveste de uma encadernação profusamente decorada e por ele assinada na contracapa superior. Sobre um fundo de marroquim verde escuro ponteado a ouro, desenvolve-se uma composição de ramagens e bandas coloridas, delimitadas por filetes dourados, que se entrelaçam em torno de uma cartela central com as armas dos Fugger. A lombada, sem nervos, com coifas reforçadas à la grecque, apresenta os mesmos ornamentos dos planos. Os três cortes, de acordo com o gosto renascentista, são dourados, cinzelados e pintados.
Magnífico exemplo do livro do Renascimento, este volume é bem o testemunho do interesse dos humanistas pelos textos dos autores clássicos e pelo livro como objecto de arte.

Encadernação em marroquim, Paris, c. 1550
Basileae: Froben, 1544, Papel, 968 pp
34 (34,2) x 23 cm, Inv.º L.A. 251
Cortesia da FCG


Cortesia da FCG/JDACT

domingo, 23 de maio de 2010

Biblioteca Municipal de Portalegre: Actividades em Maio de 2010

Cortesia da Biblioteca Municipal de Portalegre
A Influência Oriental da Faiança
A mostra museológica deste mês de Maio é constituída por peças da colecção do Museu Municipal de Portalegre, onde são visíveis os motivos decorativos de influência oriental que contribuíram para o sucesso da nossa faiança.
Átrio 1º Piso da Biblioteca Municipal.

Cortesia da Biblioteca Municipal de Portalegre

Hora do Conto «FLICTS»
 Promoção do Livro e da Leitura
A Hora do Conto do mês é dedicada ao Livro «licts»do escritor brasileiro Ziraldo, e é coordenada pelo Professor Luís Ensinas. Editado pela primeira vez em 1969, conta a história de uma cor que procura o seu lugar no mundo.
Sala da Hora do Conto e Expressão Plástica

Cortesia da Biblioteca Municipal de Portalegre

David Mourão Ferreira
Exposição Bio-bibliográfica
Exposição inserida no âmbito das comemorações dos 80 anos de chegada de José Régio a Portalegre.
Atrio de Acesso ao 1º Piso
Cortesia de Portalegre Agenda Maio 2010/JDACT

sábado, 15 de maio de 2010

Chiado e Arte Contemporânea: João Penalva. Pavlina e o Dr. Erlenmeyer (até 25 de Junho 2010)

Petula, Riva-Marchesi, Paris, 1927

O trabalho de João Penalva parte frequentemente de um dado, de um acontecimento ou de um referente concreto para desenvolver uma multiplicidade de objectos e dispositivos cujas relações sinérgicas enformam sofisticadas narrativas.
A metodologia habitualmente utilizada pelo artista determina que, uma vez identifcado o referente, este é sujeito a um meticuloso processo de investigação através do qual se recolhem documentos, memórias, relatos, histórias e outros materiais que delimitam um amplo universo informal, no interior do qual João Penalva intervém estabelecendo nexos, provocando desdobramentos e introduzindo novos elementos. Deste exercício resultam elaboradas instalações onde instâncias dos mais diversos meios interagem e se contaminam, estabelecendo um território ambíguo entre a ficção e a realidade, e em cujos indícios e desafos se alicerça a experiência eminentemente subjectiva do espectador.


João Penalva

O trabalho artístico de João Penalva sempre se revelou atento aos cruzamentos entre texto e imagem, visão e linguagem. As narrativas desse modo subtilmente sugeridas, envolvendo uma estreita ligação entre o cuidado formalista e uma muito particular dimensão conceptual, têm promovido uma das obras mais singulares do panorama artístico português contemporâneo.
Agenda Cultural/Lisboa/JDACT

Museu Nacional de Arte Contemporânea: Museu do Chiado expõe «Um Percurso, Dois Sentidos». Até ao dia 6 de Junho

Cortesia de João Tabarra, True Lies and Álibis – Marche Solitaire, 1999
Quando reabriu ao público, em 1994, a colecção do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado abrangia, principalmente, o período compreendido entre 1850 e 1950. Desde então, o acervo do Museu foi sendo actualizado através de aquisições, doações e depósitos que permitiram constituir novos núcleos, incluindo obras de artistas de referência no panorama da arte portuguesa da segunda metade do século XX.
Comissariada por Helena Barranha e Rui Afonso Santos, a exposição pretende fornecer uma perspectiva global da Colecção, traçando um percurso que parte da actualidade para uma retrospectiva da arte portuguesa moderna e contemporânea. Entre os artistas representados encontram-se:
  • Cristino da Silva, eAlfredo Keil;
  • Miguel Ângelo Lupi eColumbano Bordalo Pinheiro;
  • Silva Porto e José Malhoa;
  • António Carneiro e Amadeo de Souza-Cardoso;
  • Eduardo Viana, Almada Negreiros eJorge Vieira;
  • Fernando Lanhas, Nadir Afonso e Joaquim Rodrigo;
  • Paula Rego, Helena Almeida e Pedro Cabrita Reis;
  • João Tabarra e Alexandre Estrela. 
  • Cortesia do Museu do Chiado
 A Colecção do MNAC - Museu do Chiado, da Actualidade a 1850, uma exposição a não perder.
JDACT

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Museu Nacional do Azulejo: Mosteiro da Madre de Deus. Um lugar de memória e de vivências passadas

Cortesia do MN do Azulejo
De acordo com a sua Lei Orgânica, o Museu Nacional do Azulejo tem por missão recolher, conservar, estudar e divulgar exemplares representativos da evolução da Cerâmica e do Azulejo em Portugal.
Promove as boas práticas de Inventariação, Documentação, Investigação, Classificação, Divulgação, Conservação e Restauro da Cerâmica e, muito em especial, do Azulejo. Além dos atributos atrás divulgados, tem ainda a missão de salvaguardar o património da igreja e dos demais espaços do antigo Mosteiro da Madre de Deus.
O Museu procura constituir-se como referência nacional e internacional, seja pela especificidade das suas colecções e dos seus espaços musealizados, seja pela excelência dos conhecimentos que lhe compete produzir e apoiar. A principal referência das suas actividades é a Cerâmica de Revestimento, pelo que deve constituir-se como entidade de referência e apoio à formação académica e profissional, à investigação científica e tecnológica nas áreas da cerâmica de revestimento, cabendo-lhe apoiar as entidades públicas e privadas que tutelam patrimónios construídos com revestimentos cerâmicos por todo o país.
Cortesia do MN do Azulejo
Através das suas actividades, o museu dá a conhecer a história do Azulejo em Portugal procurando chamar a atenção da sociedade para a necessidade e importância da protecção daquela que é a expressão artística diferenciadora da cultura portuguesa no mundo: o Azulejo.
O Museu Nacional do Azulejo é um dos mais importantes museus nacionais, pela sua colecção singular, o Azulejo, expressão artística diferenciadora da cultura portuguesa, e pelo edifício ímpar em que se encontra instalado, o antigo Mosteiro da Madre de Deus, fundado em 1509 pela rainha D. Leonor.
Cortesia do MN do Azulejo
Com o objectivo de realizar uma exposição comemorativa dos 500 anos do nascimento da Rainha D. Leonor a Fundação Calouste Gulbenkian custeou as despesas com grandes obras de restauro, designadamente, no claustro e pinturas, da Igreja da Madre de Deus. No ano de 1957 iniciaram-se os trabalhos preparatórios tendo-se considerado dever classificar todo o conjunto como Monumento Nacional, e por despacho ministerial de homologação no dia 12 de Novembro de 1957, ficou determinado a sua integração no Museu Nacional de Arte Antiga através de orientações políticas específicas de salvaguarda patrimonial.
Após longas negociações, o Decreto-Lei nº 404/80, de 26 de Setembro, concedeu ao Museu do Azulejo a «emancipação», tornando-o Nacional e autonomizando-o em relação ao Museu Nacional de Arte Antiga, do qual constituía um anexo desde 18 de Dezembro de 1965.
Cortesia do MN do Azulejo
Fundado por iniciativa da Rainha D. Leonor, mulher de D. João II e irmã de D. Manuel, o espaço conventual da Madre de Deus começou por ser constituído por algumas casas e horta compradas à viúva de Álvaro da Cunha, no qual se constituiu um núcleo modesto com o objectivo de albergar um pequeno grupo de freiras Franciscanas Descalças da primeira Regra de Santa Clara, recém-chegadas do convento de Jesus em Setúbal. A igreja, espaço fundamental para a comunidade, só mais tarde veio a ser completada.
O sítio onde crescia o conjunto monástico da Madre de Deus, constituía um dos mais aprazíveis lugares do termo de Lisboa, banhado pelo rio e povoado de hortas e pomares que abasteciam a cidade. Do núcleo primitivo do mosteiro pouco se sabe hoje em dia, embora seja seguro afirmar que a sua planta repete a do Mosteiro da Rosa e, apenas um registo iconográfico que relata a chegada das relíquias de Santa Auta ao convento, facto que na realidade ocorreu em 1517. O conjunto arquitectónico deixado por D. Leonor, à data da sua morte, era verdadeiramente exíguo, e as queixas das freiras levaram à realização de uma grande campanha de remodelação empreendida por D. João III.
Cortesia do MN do Azulejo
Segundo a documentação de época, D. João III ordenou ao Arquitecto Diogo de Torralva que traçasse uma nova igreja para a Madre de Deus, de dimensões mais amplas e com um novo coro. As crónicas conventuais informam ainda que a antiga igreja de D. Leonor foi adaptada a sala do capítulo. Também desta campanha data o claustro com as suas varandas de pedraria e devotíssimas capellas. Nascia assim, um edifício de raiz clássica com uma capela-mor de planta quadrada, coberta por uma cúpula, cujo tambor seria rasgado por janelas que as freiras pediram ao Rei para encerrar, pois sentiam muito a devassa. A própria articulação da capela-mor com o corpo da igreja, de nave única, remete para os modelos Serlianos. De igual forma, o claustro reflecte os modelos clássicos, não só a nível da nova escala como também na linguagem arquitectónica. A devoção ao convento foi tão sentida por D. João III que mandou construir um passadiço do Paço contíguo para a igreja a fim de poder assistir à missa da tribuna real. Nas palavras de Frei Jerónimo de Belém para melhor expressar o seu amor «se mandou retratar, e á Rainha sua mulher e em dous quadros se achão os seus retratos no coro».
O Terramoto de 1755 provocou alguma ruína no edifício, em particular a igreja com o desabamento de paredes meias com o coro, a destruição do altar-mor, a queda de pinturas do tecto da igreja e do coro-alto.
Cortesia do MN do Azulejo
Todo este conjunto produzia nos fiéis grande emoção devido à decoração total dos espaços, característica do Barroco, e à riqueza dos materiais (azul dos azulejos, o dourado da talha, a policromia das pinturas a óleo) contribuindo para exemplificar o conceito de arte total. O século XIX trouxe ao edifício profundas modificações institucionais e funcionais, tendo a extinção das ordens religiosas, em 1834, posto fim às actividades cultuais daquela Instituição. Para o local foram sendo conduzidos e armazenados painéis de azulejos, que inicialmente se destinavam à decoração dos espaços, mas que acabaram por ali permanecer guardados em caixotes.


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Assim se desenvolveu o Museu Nacional do Azulejo. Uma «pedra viva» na Arte de Portugal.

Tal como qualquer organismo, os edifícios também precisam de «crescer», de se modificar, de se valorizar. São lugares de memória e de vivências passadas, tornando-se, por tudo isto, espaços vivos.
Cortesia do Museu Nacional do Azulejo/JDACT

domingo, 11 de abril de 2010

Exposição: A Perspectiva das Coisas. A Natureza-Morta na Europa


Está a decorrer, até ao pf dia 2 de Maio, na Fundação Calouste Gulbenkian uma exposição de pintura de Natureza-morta. O ponto de Encontro é na Galeria de Exposições Temporárias da Sede.



Uma exposição internacional dedicada ao tema da pintura de Natureza-morta na Europa – a primeira do género a realizar-se em Portugal - e que será apresentada em duas partes. A primeira, a decorrer até ao próximo dia 2 de Maio, será constituída por 71 pinturas dos séculos XVII e XVIII. A produção dos séculos XIX e XX (Segunda parte), será exibida mais tarde, entre 20 de Outubro de 2011 e 8 de Janeiro de 2012.
A exposição pretende explorar os temas recorrentes da natureza-morta ao longo de quatro séculos de história: naturezas-mortas com frutos, caça, cozinhas e mesas de banquete, pintura de flores, instrumentos musicais, gabinetes de curiosidades, Vanitas e obras em trompe-l’oeil.
A diversidade do tratamento artístico destes temas nos vários países será demonstrada através do confronto de obras como, por exemplo, as naturezas-mortas das pintoras Louise Moillon e Fede Galizia, ou as cenas de cozinha de JeanSiméon Chardin e Luis Meléndez.A colectânea reunida propõese examinar o amplo significado cultural e social da pintura de objectos e de alimentos. Os diversos sentidos da natureza-morta serão tratados em profundidade: imagens conciliadoras de satisfação material podem conter igualmente mensagens morais sobre os conceitos de abundância e consumo, mas também uma chamada de atenção para a transitoriedade da vida, sobretudo evidente nos exemplos presentes da secular tradição da Vanitas, tanto nos países católicos como nos protestantes.

O comissariado científico da exposição está a cargo de Peter Cherry, conceituado especialista em natureza-morta espanhola e italiana e responsável pelo Departamento de História de Arte e Arquitectura do Trinity College de Dublin. A mostra conta ainda com os contributos de John Loughman (pintura holandesa, flamenga e alemã), de Lesley Stevenson (pintura francesa), e de Neil Cox (naturezamorta no século XX).
Curadoria: Peter Cherry
FCG/JDACT

sábado, 10 de abril de 2010

Beja: VI Festival Internacional de Banda Desenhada

CMBeja/Bedeteca
Hermann, Fabio Civitelli e Niko Henrichon, nomes destacados da BD internacional, vão estar presentes no VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, que decorrerá entre Maio e Junho em vários espaços da cidade alentejana.
Este ano o festival apresentará o trabalho de mais de 70 autores em 21 exposições individuais e colectivas, com grande parte das mostras centradas na Casa da Cultura de Beja.
De todos os autores já confirmados, destacam-se os regressos do desenhista belga Hermann, autor das imagens das séries «Comanche», «Bernard Prince» e do recente «O diabo dos sete mares», assim como do italiano Fabio Civitelli, um dos desenhadores da série «Tex Willer».
Hermann
A VI edição do Festival de BD de Beja decorrerá de 29 de Maio a 13 de Junho e contará com a presença de todos os autores das exposições no primeiro fim de semana do evento. As exposições pretendem divulgar as várias correntes e movimentos da banda desenhada portuguesa e estrangeira, porque esta é uma parte «muito diversificada». Em Beja estará também uma exposição do canadiano Niko Henrichon, conhecido por ter assinado, juntamente com Brian Vaughan, a novela gráfica «Fábula de Bagdad», baseada numa história real de quatro leões que escaparam de um jardim zoológico de Bagdad durante os bombardeamentos de 2003.
Fabio Civitelli 
Entre os portugueses, haverá exposições individuais dedicadas a João Fazenda, Miguel Rocha, Regina Pessoa, com originais dos seus filmes de animação, João Vaz de Carvalho, JCoelho e Jorge Miguel, que editou em 2009 a BD «Camões - De vós não conhecido nem sonhado?».
João Fazenda
Estarão expostos ainda originais dos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, da editora portuguesa Kingpin Books e da compilação de Beja Venham +5.
Além da Casa da Cultura, o Festival de BD de Beja decorrerá noutros espaços da cidade. O Festival  é organizado pela Câmara Municipal e pela Bedeteca de Beja.
Fotografia de pmpinto a imagem da curta metragem «história trágica com final feliz»
Regina Pessoa
Jornal Público/JDACT

terça-feira, 23 de março de 2010

Culturgest: Exposição de Koenraad Dedobbeleer

A Culturgest, Fundação Caixa Geral de Depósitos, apresenta uma exposição do artista plástico Koenraad Dedobbeleer. A exposição é composta por objectos, esculturas e fotografias. O trabalho de Koenraad Dedobbeleer, de nacionalidade belga, resulta de uma atenta observação da realidade urbana, da arquitectura e de objectos funcionais, mas também dos espaços expositivos e das convenções que presidem à apresentação da arte. O artista apropria-se de formas e objectos que encontra, submetendo-os a transformações, por vezes mínimas, através dos materiais que emprega na sua recriação, da associação a outros objectos e formas, de alterações de escala ou da utilização da cor. Mesmo quando os modelos apropriados se mantêm reconhecíveis, os diferentes modos de manipulação conferem às suas obras uma qualidade eminentemente abstracta.
De acordo com a Culturgest, esta exposição deixa transparecer todas as «palavras» inerentes às dimensões fundamentais da sua prática artística. Reune mais de cinquenta peças realizadas desde 2003.


JDACT/Culturgest