Mostrar mensagens com a etiqueta Fado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fado. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Poesia. Fado. «De aquele em que se escreve, ai… Lume brando, paz e fogo, é a luz final»

jdact

Fado Alado
«Vou de lisboa a S. Bento
Trago o teu mundo por dentro
No lenço que tu me deste
Vou do Algarve ao Nordeste,
Trago o teu beijo bordado
Sou um Comboio de Fado
Levo um amor encantado
Sou um Comboio de gente.

Sou o chão do Alentejo
De ferro é o meu beijo,
Tão quente como a Liberdade
E se não trago saudade
É porque vives deitado
Num amor que não está parado.
Sou um Comboio de Fado
Sou um Comboio de gente

Não há amor com mais tamanho,
Que este amor por ti eu tenho
Voo de pássaro redondo,
Que não aporta no beiral.não há amor que mais me leve,
De aquele em que se escreve
Ai… Lume brando
Paz e fogo
É a luz final.

[…]

Se for morrer a Coimbra,
Traz-me da luz z penumbra,
do amor que nunca se fez.
Corre-me o sangue de Inês,
Mostra-me um sonho acordado,
Somos um povo alado,
Um povo que vive no fado
A Alma de ser diferente»
Poema de Pedro Abrunhosa
Canta: Ana Moura

Cortesia de Larry Klein/JDACT

terça-feira, 10 de julho de 2018

Poesia. Fado. «O Boavista campeão automóveis sem motor motociclos a vapor se não tem divina mão…»

jdact

E tu gostavas de mim
«Aviões no céu a mil
Banda larga em Arganil
Argonautas, foguetões
Fogos factuos e neutrões
Nitro super combustão
Consta em Santa Comba Dão
Dão-se destas situações
Milagres, aparições
Dão-se outro caso assim
E tu gostavas de mim

Pode um rebento em Belém
Ser filho mas só da mãe
Multiplicação do pão
O Boavista campeão
Automóveis sem motor
Motociclos a vapor
Se não tem divina mão
E acontece tudo em vão
Dava-se outro acaso assim
E tu gostavas de mim.

Lei e ordem no Brasil
Ciberespaço em contumi
Cães em naves espaciais
Microchips em cães normais
Microsondas em Plutão
Dentro da televisão
Situações paranormais
Para nós mais que banais
Não era pedir demais
E tu gostavas de mim».
Poema de Miguel Araújo Jorge
Canta: Ana Moura

Cortesia de Larry Klein/JDACT

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Letras e Composições. Carlos Ramos. Frederico Brito. Francisco Viana. Moniz Pereira. «Valeu a pena ter vivido o que vivi, valeu a pena ter sofrido o que sofri, valeu a pena ter amado quem amei, ter beijado quem beijei»



Cortesia de wikipedia e jdact


Recordações do Passado

«Concordo que se falem da Severa
Pois no seu tempo já era mais que rainha do fado
E entendo, que é bom lembrarmo-nos mais
Desses nomes imortais, dos fadistas do passado

Tecer a glória duma Cesária fadista
E da Maria Vitória, ou duma Júlia Florista
Dum Armandinho, fadistas duma só crença
Marceneiro e Machadinho, Joaquim Campos e Proença

Dos poucos nomes que eu disse
Não devo, mesmo que eu queira
Esquecer a Maria Alice
Nem a Emília Ferreira
E então nesta hora incerta
Lembrar-me a Ercília Costa
Amália, Hermínia e Berta
Das quais tanto o povo gosta

Agora quando os mais novos acordam
São os velhos que recordam como em tempos era o fado
E os de hoje, de vida alegre e louçã
Hão-de chorar amanhã com saudades do passado

Ninguém entende, nessa aparência bizarra
Como é que a gente se prende ás cordas duma guitarra
Ninguém maldiga do fado que nos encanta
Que a vida é uma cantiga que nem toda a gente canta

Mas quando eu já for velhinho
Hei-de entreter-me, bem sei
Ensinando ao meu netinho
Os fados que já cantei
Talvez os velhos lhe apontem
As minhas noites de agrado
Que lhe digam, que lhe contem
Que eu também cantava o fado»
Compositor: Frederico de Brito e Francisco Viana


Valeu a Pena

«Com voz serena
perguntaram-me ao ouvido
Valeu a pena
vir ao mundo e ter nascido?

Com lealdade, vou responder, mas primeiro
Consultei meu travesseiro, sobre a verdade

Tive porém, que lembrar o meu passado
Horas boas do meu fado, e as más também

Valeu a pena
Ter vivido o que vivi
Valeu a pena
Ter sofrido o que sofri
Valeu a pena
Ter amado quem amei
Ter beijado quem beijei
Valeu a pena

Valeu a pena, ter sonhado o que sonhei
Valeu a pena, ter passado o que passei

Valeu a pena, conhecer, quem conheci
Ter sentido o que senti, valeu a pena

Valeu a pena, ter cantado o que cantei
Ter chorado o que chorei, valeu a pena»
Compositor: Moniz Pereira

Cortesia de Wikipedia

Fado e Saudade. Carlos Ramos. «És o passado Apenas recordação Lume apagado A cinza duma paixão»

Cortesia de wikipedia e jdact

Saudade
«Sabendo que em tua ausência
Prazer algum me conforta
No momento em que saíste
A saudade entrou-me a porta

Andou em volta da casa
Como se ela sua fosse
Chegou pertinho de mim
Puxou um banco e sentou-se

Estavas só e tive pena
Disse-me então a saudade
Vamos esperar por ela
Podes chorar à vontade

E não me larga um momento
Toda a noite e todo o dia
Enquanto tu não voltares
Não quero outra companhia»
Autores: Linhares Barbosa e Carlos Ramos

Gostei de Ti

«A nossa vida
Anda escrita no destino
Vai de vencida
Mandada pelo Deus menino
E se em meu fado
Tu foste o meu desespero
Hoje és passado
Podes crer, já não te quero

Gostei de ti
como ninguém há-de amar-te
O que eu sofri
só de pensar em deixar-te
mas se hoje passo
junto a ti por qualquer rua
Não há um traço de paixão
por culpa tua

Foste a culpada
Desta indiferença de agora
Para mim és nada
Tu que foste tudo outrora

És o passado
Apenas recordação
Lume apagado
A cinza duma paixão»
Poema de Carlos Ramos 
Composição: Guilherme Pereira da Rosa e Jorge Costa Pinto

Cortesia de Wikipedia

sábado, 2 de abril de 2016

Nostalgia na Minha Idade. Poesia. A Voz de Adriano. «Coimbra, a república independente em que a ousadia, a rebeldia e a inventiva… se deram as mãos na luta por uma academia livre…»

jdact

Fado da promessa
«Trago a minha vida presa
às promessas que morreram
naquele adeus derradeiro
que os teus olhos me disseram.

Quando a morte me levar
se eu não tiver mais ninguém
basta que chorem por mim
os olhos de minha mãe».

Trova do amor lusíada
«Meu amor é marinheiro
meu amor mora no mar
meu amor disse que eu tinha
na boca um gosto a saudade
e uns cabelos onde nascem
os ventos e a liberdade.

Meu amor é marinheiro
meu amor mora no mar
seus braços são como o vento
ninguém os pode amarrar.

Meu amor é marinheiro
meu amor mora no mar».

Pensamento
«Meu pensamento
partiu no vento
podem prendê-lo
matá-lo não.

Meu pensamento
quebrou amarras
partiu no vento
deixa guitarras.

Meu pensamento
por onde passas
estátua de vento
em cada praça.

Foi à conquista
do novo mundo
foi vagabundo
contrabandista.

Foi marinheiro
maltês ganhão
foi prisioneiro
mas servo não.

E os reis mandaram
fazer muralhas
tecer as malhas
de negras leis.

Homens morreram
chamas ao vento
por ti morreram
meu pensamento».
Poemas de Manuel Alegre, in ‘Trovas do vento que passa


ISBN 978-989-619-121-7
JDACT

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Poesia no Final do Dia. O Nosso Destino. Fado. «O amor é uma estação perigosa: rosa ocultando o espinho, espinho disfarçado de rosa, a enganosa euforia do vinho. O amor a ninguém serve, e todavia a ele regressamos, dia após dia cegos por seu fulgor; tontos de sede nos damos sem pudor em sua rede»

jdact e wikipedia

Não me dou longe de ti
«Não me dou longe de ti
nem em sonhos eu consigo
ter alguém no meio de nós
só Deus sabe o que pedi
para tu ficares comigo
e ouvires a sua voz.

Só eu sei o que sofri
quando sonhava contigo
e abria os olhos a sós.

Sabes da minha fraqueza
onde a faca tem dois gumes
onde me mato por ti
e da tua natureza
corar-me o peito em ciúmes
e eu finjo que não morri.

Mas é da minha tristeza
esconder no fado os queixumes
e a cantar entristeci.

Á noite voltas de chita
com duas flores no regaço
e tudo o que a Deus pedi
és tão minha, tão bonita
és a primeira que abraço
aquela em que me perdi.

Nem a minha alma acredita,
que me perco no teu passo
não me dou longe de ti.

Assim te quero guardar
como se mais nada houvesse
nem futuro, nem passado
de tanto, tano te amar
pedi a Deus que trouxesse
o teu corpo no meu fado».
Poema de João Monge



Barroco Tropical
«O amor é inútil: luz das estrelas
a ninguém aquece ou ilumina
e se nos chama, a chama delas
logo no céu lasso declina.

O amor é sem préstimo: clarão
na tempestade, depressa se apaga
e é maior depois a escuridão,
noite sem fim, vaga após vaga.

O amor a ninguém serve, e todavia
a ele regressamos, dia após dia
cegos por seu fulgor; tontos de sede
nos damos sem pudor em sua rede.

O amor é uma estação perigosa:
rosa ocultando o espinho,
espinho disfarçado de rosa,
a enganosa euforia do vinho.»
Poema de José Eduardo Agualusa

JDACT

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Poesia. Cuca. Raiz. «Tudo quanto o homem expõe ou exprime é uma nota à margem de um texto apagado de todo. Mais ou menos, pelo sentido da nota, tiramos o sentido que havia de ser o do texto; mas fica sempre uma dúvida, e os sentidos possíveis são muitos»

jdact e pablocorralvega

Fado do Cansaço
«De tanta vida que prendo,
sobram palavras sem ideias,
é uma agitação cá dentro
um emaranhar de teias…
É como um nó na garganta,
que prende a respiração,
poeira que se levanta,
ai, dentro do meu coração.

Sê como o vento…
Liberta! Solta!
Sê como o vento,
a libertar do teu pensamento.
Vê com o olhar…
Liberta! Solta!
Vê com o olhar,
mais profundo, mais singular.

Com toda a essência que prendo,
surgem mais e mais porquês,
é uma agitação cá dentro,
desejo, saudades…, talvez.
Cansaço, sobre cansaço,
sufoco, sombrio,
à beira do meu colapso,
descanso, páro, adio…»
Poema de Cuca Roseta, in ‘Raiz


Fado da Vida
«É no monte escarpado,
que à hora sexta acontece,
morre só por ter amado
por todos abandonado,
fecha os olhos e anoitece.

Deixa o mundo vil bem cedo,
pelo chão é arrastado
soterrado num penedo,
fruto de um estranho medo
que é amar e ser amado.

Três dias de solidão,
na terra reina a maldade
laje movida do chão,
marcas no centro da mão
revelam ser verdade.

Gente incrédula esqueceu,
sua alma assim está ferida,
só tarde se percebeu
que se Cristo se perdeu
foi para se encontrar a vida».
Poema de José Avilez, in ‘Raiz

JDACT

sábado, 14 de março de 2015

Madrugada sem Sono. Vieste do Fim do Mundo. «Os espíritos altamente analíticos vêem quase que só defeitos: quanto mais forte a lente, mais imperfeita se mostra a coisa observada. O detalhe é sempre mau. O nada sobrenatural do espírito…»

jdact e wikipedia

Madrugada sem sono
«Na solidão a esperar-te,
meu amor fora da lei.
Mordi meus lábios sem beijos
tive ciúmes, chorei.

Despedi-me do teu corpo
e por orgulho fugi.
Andei dum corpo a outro corpo
só p’ra me esquecer de ti.

Embriaguei-me, cantei
e busquei estrelas na lama.
Naufraguei meu coração
nas ondas loucas da cama.

Ai abraços frios de raiva.
Ai beijos de nojo e fome.
Ai nomes que murmurei
com a febre do teu nome.

De madrugada sem sono,
sem luz, nem amor, nem lei
mordi os brancos lençóis.
Tive saudades, chorei».
Poema de Goulart Nogueira


Vieste do fim do mundo
«Vieste do fim do mundo
num barco vagabundo.
Vieste como quem
tinha que vir para contar
histórias e verdades
vontades e carinhos
promessas e mentiras de quem
de porto em porto amar se faz.

Vieste de repente
de olhar tão meigo e quente
bebeste a celebrar
a volta tua,
tomaste-me em teus braços
em marinheiros laços
tocaste no meu corpo uma canção
que em vil magia me fez tua.

Subiste para o quarto
de andar tão mole e farto
de beijos e de rum
a noite ardeu
cobri-me em tatuagens
dissolvi-me em viagens
com pólvora e perdões tomaste
o meu navio que agora é teu».
Poema de João Loio

JDACT

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Poesia. Escrita. António Pelarigo. «De todas as palavras escolhi água, porque lágrima, chuva, porque mar porque saliva, bátega, nascente porque rio, porque sede, porque fonte. De todas as palavras escolhi dar»

jdact

«Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantigas dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
à saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
ou então não saber a coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente».
Poema de Rosa Lobato de Faria,


JDACT

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Poesia. Fado. Conversas. Gisela João. «Os meus estão longe e não têm casa. A natureza é longe. A uma mesa de café somos quatro quatro quê?»

jdact e wikipedia


«A ciência das canções
o saber alegre
a vitória dos olhos sobre o rosto
o calmo suporte dum entusiasmo perpétuo
a tua nova medida que te pesa no futuro
o pequenino grão de fogo sob a cinza de vários anos
sustentando esta aurora ainda por nascer
dedos que desenhados fazem o gesto
da fluida pressão fraternal.

Brusco passado liso no lago dum momento
Que se renova incessante
ó brilhante segredo exterior
que ninho mais claro que o meu corpo em repouso
liberto de todas as esperas desesperadas
passado futuro
o mesmo círculo calmo
que o rubro núcleo do desejo liberto
irradia».


JDACT

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Fado. David Mourão-Ferreira. «Levaram-te a meio da noite; a treva tudo cobria! Foi de noite numa noite de todas a mais sombria! Foi de noite, foi de noite e nunca mais se fez dia!»

jdact


Abandono
Por teu livre pensamento
foram-te longe encerrar
tão longe que o meu lamento
não te consegue alcançar!
E apenas ouves o vento!
E apenas ouves o mar!
 
Levaram-te a meio da noite;
a treva tudo cobria!
Foi de noite numa noite
de todas a mais sombria!
Foi de noite, foi de noite
e nunca mais se fez dia!

Ai! Dessa noite o veneno
persiste em me envenenar!
Oiço apenas o silêncio
que ficou em teu lugar.
Ao menos ouves o vento!
Ao menos ouves o mar.
Poema de David Mourão-Ferreira, 10-IV-1959


Primavera
Todo o amor que nos
prendera
como se fora de cera
se quebrava e desfazia
ai funesta primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia.

E condenaram-me a tanto
viver comigo meu pranto
viver, viver e sem ti
vivendo sem no entanto
eu me esquecer desse encanto
que nesse dia perdi.

Pão duro da solidão
é somente o que nos dão
o que nos dão a comer
que importa que o coração
diga que sim ou que não
se continua a viver.

Todo o amor que nos
prendera
se quebrara e desfizera
em pavor se convertia
ninguém fale em primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia.
Poema de David Mourão-Ferreira

JDACT