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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Das Memórias de José Relvas. Descrição da tomada de posse do ministério das Finanças. «… a segurança do excelente efeito produzido pelo anúncio da possibilidade da minha nomeação, e ao mesmo tempo a certeza do apoio que encontraria em todos para realizar a minha difícil missão. Só então se tornou definitiva a minha aquiescência, que comuniquei a Afonso Costa»


Cortesia de wikipedia

Descrição da tomada de posse de José Relvas do ministério das Finanças, no dia 12 de Outubro de 1910
«Cargo que assumiu em substituição de Basílio Teles, que tendo sido a primeira escolha do Partido Republicano para ocupar a pasta, após a Revolução de 5 de Outubro de 1910 e a implantação da República, nunca assumiu as funções para que tinha sido escolhido.

«Insistiu energicamente nas razões da minha escolha e, secundado por Bernardino Machado, obrigou-me a tomar um compromisso condicional, a que não era estranho o conhecimento das dificuldades que bem podiam surgir com a interinidade do Ministério. Disse-lhe que me rendia a essas razões, mas que só daria por firme o compromisso depois de pensar algumas horas e fazer o que eu chamei o meu exame de consciência. Na verdade a minha intenção foi, desde a primeira hora, tornar a aquiescência dependente do modo como o meu nome fosse recebido pelos Bancos e casas bancárias de Lisboa. Não sabia ainda bem como faria a consulta, e nisso vinha pensando ao transpor a porta do Ministério, onde encontrei Baltasar Cabral, ao tempo director do Banco Ultramarino. Comuniquei-lhe o que acabava de me ser dito pelos dois ministros, sendo bem manifesto o seu decidido e favorável acolhimento. Nem entrou no gabinete do ministro, dizendo-me que falaria imediatamente com os seus colegas e sondaria as disposições de outros elementos financeiros, convocando-me para depois duma reunião que ia promover nessa mesma tarde, prometendo a mais leal informação do que se passasse.
Nada disse a qualquer dos meus mais íntimos amigos pessoais ou políticos. Até à segunda entrevista com Afonso Costa, tudo ignoraram João Chagas, Brito Camacho, José Barbosa, Inocêncio Camacho e os oficiais de marinha Ladislau Parreira, Carlos da Maia e Sousa Dias, com os quais mais privava e com quem havia um contacto quase permanente. Minha mulher e meu filho também nada sabiam. É este um facto importante para contrariar, só por si, a malévola interpretação que Teófilo Braga veio a dar aos acontecimentos desse dia, naquelas célebres entrevistas, que concedeu a Magalhães Colaço, colaborador do jornal O Dia.
Às três horas da tarde fui ao Banco Ultramarino a convite de Baltasar Cabral e ali encontrei reunidos os directores dessa casa, que me deram, numa recepção revestida de aspecto solene, a segurança do excelente efeito produzido pelo anúncio da possibilidade da minha nomeação, e ao mesmo tempo a certeza do apoio que encontraria em todos para realizar a minha difícil missão. Só então se tornou definitiva a minha aquiescência, que comuniquei a Afonso Costa.

E também só depois dessa comunicação foram informados os meus amigos, que acolheram bem a notícia. À noite realizava-se, no Ministério da Guerra, o Conselho de Ministros em que Afonso Costa e Bernardino Machado dariam conta da combinação projectada e seria lavrado o decreto de nomeação. Prolongou-se bastante o Conselho, nunca tendo sido possível saber-se o que ocorreu. Num dos gabinetes contíguos estavam João Chagas, Inocêncio Camacho, José Barbosa, João de Meneses, e outros velhos republicanos, já informados e desejando ser os primeiros a receberem a confirmação oficial da notícia. Foi Afonso Costa o primeiro-ministro que apareceu, dirigindo-se apressadamente para a porta de saída sem nos dizer uma palavra. Era já motivo para grande estranheza. Interroguei-o para saber que decisão se tinha tomado. Respondeu com evasivas que feriram logo o meu legítimo orgulho. Pressenti que alguma coisa se passara e me colocava em ridícula situação. João de Meneses ouvira as rápidas palavras que tínhamos trocado, e, assaltado dos mesmos receios, como depois me confessou, por não ter a menor confiança em Bernardino e Costa, sentiu que se projectava qualquer acto ofensivo, que nenhum dos presentes suportaria. Todos se levantaram, ouvindo João de Meneses e José Barbosa exigir que se reunisse de novo o Conselho para explicações, que eu, e todos julgávamos imprescindíveis. Por fim os ministros já estavam fora da sala onde se realizara o Conselho, mas de novo reuniram, ouvindo a exposição de tudo o que se passara durante o dia, não esquecendo de frisar a situação que me era criada por um facto tão imprevisto, e que eu de modo algum provocara, antes submetendo-me ao que se chamara uma imposição de patriotismo. António Luís Gomes dizia mais tarde que não compreendia o que aquilo significara, não lhe permitindo a sua incorrigível ingenuidade medir a capacidade de intriga de que eram susceptíveis, e em que sempre se revelaram superiores, Bernardino Machado e Afonso Costa.
É certo que, para mim mesmo, foi sempre um mistério a ordem de razões que determinara a sua atitude na noite de 11, tendo sido eles, e só eles, que deliberaram o convite que me foi feito, agravando ainda a sua situação a insistência e o apelo aos meus sentimentos patrióticos, à minha dedicação pela República e à lembrança de alguns serviços, para me demoverem da recusa! A ofensa que eu sentira, a solidariedade das pessoas que naquele momento exigiam que se efectivasse um compromisso, de que só os dois ministros eram autores e responsáveis, levaram-me a manter a promessa, não sendo também estranho a essa resolução o efeito pessoal, que resultaria da desistência depois do acto realizado no Banco Ultramarino. Calmada a agitação das primeiras horas, passadas sobre esse deplorável incidente, a minha vontade foi resignar o posto de ministro, tendo já recebido do Conselho a necessária satisfação. Mas o reflexo desse acto não podia ser pior para as Instituições recém-nascidas, e foi esta suprema razão que me obrigou a renunciar a um gesto que todos consideraram perigoso.
Insisti muito desenvolvidamente na história desse dia, que marca o início das hostilidades que haviam de afirmar-se sucessivamente, desde os incidentes do inquérito à Casa da Moeda, dos ataques do jornal O Mundo e das agressões do 2 de Agosto de 1911, até à minha saída da Legação de Madrid, porque era indispensável, perante as vilanias inventadas por Teófilo Braga, deixar bem clara a minha atitude, os motivos que me determinaram, e as razões porque, bem contra minha vontade, modifiquei a decisão de não exercer cargo algum público».

In Portugal - Dicionário Histórico, Páginas Pessoais, Wikipédia.

continua
Cortesia de Wikipédia/JDACT

Das Memórias de José Relvas. Descrição da tomada de posse do ministério das Finanças. «Todos reconheciam a necessidade de prover definitivamente o “Ministério das Finanças” em pessoa que inspirasse confiança nos meios financeiros, nacionais e estrangeiros. Sem dúvida Basílio Teles merecia-a, a sua reputação de integridade moral, incontestavelmente bem fundada»

Cortesia de wikipedia

Descrição da tomada de posse de José Relvas do ministério das Finanças, no dia 12 de Outubro de 1910
«Cargo que assumiu em substituição de Basílio Teles, que tendo sido a primeira escolha do Partido Republicano para ocupar a pasta, após a Revolução de 5 de Outubro de 1910 e a implantação da República, nunca assumiu as funções para que tinha sido escolhido.

Nos primeiros dias depois da proclamação da República manteve-se constantemente junto do Governo um grupo de velhos republicanos. Nos Ministérios só os ministros eram novos; todo o pessoal das secretarias era o mesmo que a Monarquia ali deixara. José Barbosa, [(1869-1923), jornalista fundador do jornal republicano Pátria viveu no exílio de 1894 a 1908, sucessivamente em Espanha, França e Brasil. Em 1910, o regime republicano nomeou-o director e secretário-geral do Ministério do Interior, sendo eleito deputado nas Eleições Constituintes de 1911. Aderiu ao Partido Evolucionista de António José de Almeida, tendo feito parte do gabinete de Álvaro de Castro como ministro das Colónias], que foi o primeiro director-geral do Ministério do Interior, tomou posse do cargo alguns dias depois da Revolução; no Ministério dos Estrangeiros não chegou a fazer-se substituição dos funcionários superiores.
Ainda hoje são os mesmos que serviam o antigo regime! Só Afonso Costa e Correia Barreto [(1853-1939), oficial de artilharia em 1869, publicou um estudo sobre pólvora em 1885 que fez com que fosse encarregue de criar munições com pólvora sem produção de fumo. Sendo conhecidas as suas ideias republicanas foi nomeado para director da Fábrica de Pólvora, para o Conselho de Administração Militar e para o Depósito Central de Fardamentos. O almirante Cândido dos Reis convidou-o para a comissão organizadora da revolução de 1910, tendo sido nomeado ministro da Guerra do governo provisório, ainda com o posto de coronel. Foi o responsável pela criação dos Pupilos do Exército, e pela reforma republicana do Exército. Eleito para a Constituinte, foi senador em todas as legislaturas até 1926. Foi ministro da guerra no governo Duarte Leite, tendo presidido à Câmara Municipal de Lisboa]. se fizeram cercar sem demora de autênticos republicanos. Afonso Costa procedeu muito conscientemente e de modo próprio; Correia Barreto aceitou a situação que lhe criaram os oficiais revolucionários, que foram chamados os jovens turcos. No Ministério da Marinha, Azevedo Gomes manteve na direcção-geral Eusébio da Fonseca, personagem eminentemente funesto, como teremos ocasião de verificar quando referir como se fez a reforma dos serviços desse Ministério. No Fomento, António Luís Gomes , inalteravelmente preocupado com escrúpulos de legalidade na obra revolucionária, julgava ofender direitos destituindo os directores-gerais, e por isso os deixou nos seus postos! O Ministério das Finanças estava interinamente dirigido por Bernardino Machado, enquanto não chegava Basílio Teles, esperado todos os dias e solicitado incessantemente não só pelos enviados do Governo, mas também por Duarte Leite e outros republicanos, que foram ao Porto convencê-lo da urgência da sua vinda. Inúteis tentativas, que todas se malograram perante a abstenção que vinha constituindo o seu programa desde a eleição de Setúbal, em que fora investido na função de membro do Directório! Para justificar a demora alegava vagas razões, e por último reclamou o tempo necessário para rever as provas do Livro de Job! Quando referiram a Junqueiro este pretexto o grande poeta e ironista exclamou:
  • Não é o Livro de Job que ele precisa corrigir; é o Livro de Cresus.
No grupo, a que me referi, havia verdadeira inquietação causada por tão injustificável ausência. Todos reconheciam a necessidade de prover definitivamente o Ministério das Finanças em pessoa que inspirasse confiança nos meios financeiros, nacionais e estrangeiros. Sem dúvida Basílio Teles merecia-a, a sua reputação de integridade moral, incontestavelmente bem fundada, e a competência profissional que lhe atribuíam os conhecimentos económicos e financeiros revelados nos seus livros, eram suficientes para que o seu nome fosse acolhido com a mais benévola expectativa.
A disposição das praças do País e a atmosfera feita em Paris e Londres facilitavam os primeiros passos do ministro das Finanças. Na imprensa alemã não transparecia desconfiança alguma, e pode dizer-se que a única nota discordante foi dada por alguns jornais de diversos países, naturalmente hostis ao novo estado político de Portugal, insistindo nos perigos que viriam mais tarde a ameaçar a integridade do domínio colonial português. Em Paris, Martins Weinstein fizera espontaneamente a mais lisonjeira campanha a favor da República, garantindo aos principais banqueiros franceses, ingleses e alemães, a execução dos compromissos nacionais, a segura salvabilidade dos nossos encargos internos e externos, e a confiança pessoal com que deviam ser recebidos os novos homens públicos do País, concorrendo por essa forma para consolidar o efeito moral da campanha que tínhamos feito, Magalhães Lima, Alves da Veiga e eu. O apoio decidido do Economist, de Londres, representou um factor considerável. À desagradável tradição que nos privava do concurso eventual de Rotschild podíamos felizmente opor o crédito que íamos ter na casa Hambro.
A demora de Basílio, porém, inutilizava em parte tão bons auspícios. Assim o sentiam os homens mais ligados ao Governo e assim o manifestavam claramente alguns financeiros de Lisboa e Porto. Martins Weinstein trazia-me bem informado da impressão estrangeira. Na manhã de 11 de Outubro tive de procurar Afonso Costa para lhe falar em qualquer assunto que interessava a marcha do Governo; encontrei-o com Bernardino Machado no gabinete do Ministério das Finanças. Deram ambos por muito oportuna a minha presença, porque estavam lamentando a abstenção de Basílio Teles e reconhecendo a urgência da sua imediata substituição. Disseram que tinham deliberado confiar-me aquele posto, afirmando que naquele momento o meu nome se lhes impunha, e, como eu desenhasse um gesto de negativa, Afonso Costa alegou as circunstâncias ocorrentes, apelando para o meu patriotismo que me não consentiria a escusa de prestar um novo e relevante serviço à República». In Portugal - Dicionário Histórico, Páginas Pessoais, Wikipédia.

continua
Cortesia de Wikipédia/JDACT

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Centenário da República: A revolução foi proclamada por todo o povo antes ainda de decidida a última acção, ou se saber quem alcançaria a vitória. A adesão unânime à República foi verdadeiramente um plebiscito de espontaneidade e entusiasmo

Cortesia do centenáriodarepública

Com a devida vénia, publico algumas palavras.
http://www.centenariorepublica.pt/ 
http://mnsr.imc-ip.pt/

Diário da Revolução.

Cortesia de aorodardotempo
Testemunho de José Relvas, Lisboa, Rua da Esperança
03 OUT 1910, 20h 30min
Às 8,30 horas estavam no segundo andar da casa da Rua da Esperança, reunidos numa pequena sala, os chefes civis e militares. Só Afonso Costa se sentara numa poltrona, ao canto da casa, na sombra. Todos estavam de pé, projectando-se os primeiros círculos de luz mais intensa do candeeiro de suspensão em Cândido dos Reis e nos oficiais(…). O Directório, que estava representado por mim e Inocêncio Camacho, José Barbosa, Cupertino Ribeiro e Eusébio Leão, aguardava silencioso as palavras decisivas dos oficiais revolucionários(…).
Fonte: Machado Santos, A Revolução Portuguesa 1907-1910, (prefácio de Joel Serrão) Lisboa, Assírio e Alvim, Janeiro de 1982, p. VIII.

Cortesia de lugaronde
Testemunho de Raul Brandão
04 OUT 1910
Morte de Miguel Bombarda
Mataram o Dr. Bombarda. Espalha-se na cidade que foram os padres que instigaram um tenente a assassiná-lo. É falso, mas há correrias no Rossio e o “Portugal” foi apedrejado. Toda a gente acredita num crime planeado, toda a gente se insurge contra o facto brutal – toda a cidade republicana se transforma num vulcão. No Rossio juntam-se grupos de gente taciturna e desesperada: - Mataram-no! Mataram-no! – ouve-se. À uma hora da noite o Machado Santos à frente dum bando de populares atira-se ao portão de Infantaria 16.
Fonte: Machado Santos, A Revolução Portuguesa 1907-1910, (prefácio de Joel Serrão) Lisboa, Assírio e Alvim, Janeiro de 1982, p. XIII.

Testemunho de Raul Brandão
Lisboa, campo de batalha
04 OUT 1910, 22 h30 min
Às dez e meia da noite sei mais notícias: os navios bombardearam o Paço; as tropas fiéis à monarquia estão encurraladas no Rossio. “Toda a noite ouço o estampido do canhão, (…), para depois cair sobre a cidade um silêncio mortal, um silêncio pior. Que se passa? Distingo o assobio das granadas, e de quando em quando um despedaçar de beiral que cai à rua. E isto dura até à madrugada. De manhã as tropas do Rossio rendem-se e os marinheiros desembarcam na Alfândega.
Fonte: Machado Santos, A Revolução Portuguesa 1907-1910, (prefácio de Joel Serrão) Lisboa, Assírio e Alvim, Janeiro de 1982, pp. XIV- XV.

Cortesia de filsergiosimoes
Testemunho de Machado Santos
Rotunda
04 OUT 1910, noite
Os populares que estavam desarmados foram-se entretendo na construção de teóricas barricadas. Tudo servia, guaritas, madeiramento de obras, fios telegráficos, troncos de arvores, chapas de zinco, etc..
(…) granadas das baterias de Queluz começam a chover na Rotunda (…) o acampamento responde ao fogo do inimigo e o Quartel de Artilharia 1, com duas peças, defendia-se galhardamente; ao mesmo tempo uma viva fuzilaria envolvia por completo a Rotunda.
Fonte: Machado Santos, A Revolução Portuguesa 1907-1910, (prefácio de Joel Serrão) Lisboa, Assírio e Alvim, Janeiro de 1982, pp. 78- 79.

Cortesia de exlibris-exlibris
Testemunho do Marquês do Lavradio

04 OUT 1910, tarde
Expectativa
Durante toda essa longa noite, o Ministério deixa o Rei isolado e sem conhecimento do que se está passando. Só pelas 2 horas da tarde do dia 4, o Governo se lembra do Rei para lhe dizer que vá para Mafra. Todos pensámos que em Mafra estava organizada uma defesa, por isso que, quando nos encontrávamos no Buçaco e houvera o projecto de um movimento, fora para ali que o Teixeira de Sousa mandara seguir El Rei, o que não teve lugar por o movimento ter sido abafado. Afinal, em Mafra, nada estava organizado, e o comandante da Escola Prática declarava que não tinha gente nem meios suficientes para defender Sua Majestade.
Já a República fora proclamada em Lisboa, quando El-Rei recebeu em Mafra, para assinar, o decreto de suspensão de garantias!
Fonte: Memórias do Sexto Marquês do Lavradio, Lisboa, Edições Ática, 1947, pp.153-154.

Testemunho de Paiva Couceiro
Ao nosso sempre Pai e comandante do grupo a cavalo podemos nós felizmente dizer que o seu Grupo cumpriu honradamente o dever até ao fim.
Fonte: Memórias do Sexto Marquês do Lavradio, Lisboa, Edições Ática, 1947, pp.153-154.

Testemunho do Marquês do Lavradio
Exílio
Cheguei a Gibraltar no dia 11 e encontrei a Família Real num grande estado de abatimento, mas com enorme coragem e dignidade.
Fonte: Memórias do Sexto Marquês do Lavradio, Lisboa, Edições Ática, 1947, p.160.

Cortesia de embaixada-portugal-brasil
Testemunho de Aquilino Ribeiro
Lembro-me que foi o Matin, na madrugada de 4, o único jornal que anunciou a revolução em Lisboa. Um milagre da informação que fez pasmar as outras gazetas. Com o Serpa Pimentel, que me levou a casa a grande nova, abalei para a Cité Bergère, v. sabe, uma rua do Torna Atrás à mão direita de quem sobe dos boulevards a Rue du Faubourg de Montmartre. Era na hospedaria que tomara o nome da impasse, que estava instalado o nosso estado-maior.
Fonte: Aquilino Ribeiro, Um escritor confessa-se, Lisboa, Bertrand Editora, 2008, pp.322-323.

Testemunho de José Relvas
Proclamação da República
Às 9 horas da manhã de 5 de Outubro era proclamada a República Portuguesa pelos revolucionários que do Rossio se tinham dirigido para a Câmara Municipal, a casa que fora conquistada pelos republicanos nos últimos anos da Monarquia. Ali se encontraram os representantes do Directório: Inocêncio Camacho, Eusébio Leão, José Barbosa, Malva do Vale e José Relvas(…).
A Praça do Município regorgitava, cheia pela multidão que ali acorrera logo depois de pacificada pela confraternização do Rossio. Foram proclamados os membros do Governo Provisório: Presidente, Teófilo Braga; Interior, António José de Almeida; Justiça, Afonso Costa; Finanças, Basílio Teles; Guerra, Correia Barreto; Marinha, Amaro de Azevedo Gomes; Obras Públicas, António Luís Gomes e Estrangeiros, Bernardino Machado. (…).
Fonte: José Relvas, Memórias Políticas, Lisboa, Terra Livre, 1977, p.151.

Cortesia de histgeoalfandega
Testemunho de António José de Almeida
Batalhou-se durante três dias, mas batalhou-se honrosamente e aqueles que pegaram nas espingardas saíram dessa luta com as mãos tão puras de sangue que, voltando a seus lares podiam tomar ao colo as crianças que encontravam no berço.
Fonte: Discursos do Dr. António José de Almeida (Presidente de Portugal) durante a sua estada no Rio de Janeiro, de 17 a 27 de Setembro de 1922, por ocasião das festas comemorativas do 1.º centenário da Independência do Brasil, Rio de Janeiro, Jacinto Ribeiro dos Santos, 1922, p.36.

Testemunho de Aquilino Ribeiro
"O 5 de Outubro em Paris", 4 OUT 1925
“No dia 5 confirmou-se o nosso palpite: a revolução, que se aguentasse mais trinta horas, teria fatalmente de vencer. (…) Nunca o nome de Portugal, como naquele dia, foi tão soprado nos boulevards. Nas parangonas, nas conversações, nas vozes supreendidas ao passar, o estribilho era Portugal e sempre Portugal. Recapitulava-se a sua história, citavam-se as suas belezas naturais, com a mais calorosa simpatia e aprazimento pela revolução. O reconhecimento da República pôde demorar, mas desde a primeira hora o grande público francês esteve com ela de alma e coração.”
Fonte: “O 5 de Outubro em Paris”. Carta de Aquilino Ribeiro publicada pelo jornal O Popular, em 4 de Outubro de 1925. Publicado em RIBEIRO, Aquilino, Um escritor confessa-se, Bertrand Editora, Lisboa, 2008, pp.324-325.

Cortesia do centenáriodarepública

Cortesia das Comissão Nacional  para as Comemorações do Centenário da República/JDACT

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Centenário da República: A revolução foi proclamada por todo o povo antes ainda de decidida a última acção, ou se saber quem alcançaria a vitória. A adesão unânime à República foi verdadeiramente um plebiscito de espontaneidade e entusiasmo

Cortesia do centenariorepublica
Com a devida vénia, publico algumas palavras.

«A revolução foi proclamada por todo o povo antes ainda de decidida a última acção, ou se saber quem alcançaria a vitória; e, desde esse momento, a notícia transmitida para todas as cidades e terras de Portugal, a adesão unânime à República foi verdadeiramente um plebiscito de espontaneidade e entusiasmo, entrando logo a vida portuguesa em normalidade. Mantiveram-se os valores do Estado, o comércio abriu as suas portas, e a República era consagrada com cantares e alegrias, porque se respirava um ar oxigenado e livre». In As Constituintes de 1911 e os seus Deputados. Obra compilada por um antigo oficial da Secretaria do Parlamento, Lisboa, Livraria Ferreira, 1911, p.381.

Cortesia de 5outubro.centenariorepublica
http://coloquio-virtude-republica.centenariorepublica.pt/
 
Cortesia do centenariorepublica
Resumo:
«A Comemoração do Centenário da Implantação da República em Portugal não poderia passar sem uma suspensão reflexiva em torno do tema da «renovação republicana». Entendem os organizadores que a República é passado e futuro. Também o presente convoca desesperadamente o republicanismo crítico como modo de reintroduzir no discurso político os velhos temas da «virtude cívica», da «dedicação à causa pública» e da participação política activa como forma de defesa dos próprios direitos fundamentais.
O aprofundamento da aludida revivificação republicana justifica o convite a dois dos maiores cultores mundiais da problemática histórica, sociológica, política, jurídica e económica dos ideais republicanos. Impunha-se assim a presença de J.G.A. Pocock, o autor de trabalhos imprescindíveis sobre a história da tradição republicana atlântica, e de J. Habermas que, em vários livros, desenvolve uma poderosa reflexão crítico-filosófica sobre a teoria política do republicanismo.
Cortesia do centenariorepublica
O sopro cosmopolita republicano que estes dois autores republicanos transportam para o nosso país carecia de parceiros de diálogo portugueses com sabedoria para a contextualização discursiva das comunicações a cargo dos mestres pensadores J. Pocock e J. Habermas. Estamos a referir-nos a Fernando Catroga, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Aroso Linhares, da Faculdade de Direito desta mesma Universidade e a Ricardo Leite Pinto, da Universidade Lusíada de Lisboa. A apresentação pessoal de J. Pocock ficará a cargo do professor espanhol da Universidade de Vigo, Eloy Garcia, responsável pela tradução para castelhano da obra maior daquele autor, «The Machiavellian Moment: Florentine Political Thought and the Atlantic Republican Tradition, 1975». Um dos coordenadores do Colóquio, J.J. Gomes Canotilho, encarregar-se-á da apresentação do Professor Jürgen Habermas». In da Virtude e Fortuna da República ao Republicanismo pós-Nacional.

30 de Setembro de 2010
Coimbra, Auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
 
Cortesia do centenariorepublica/JDACT

quarta-feira, 21 de abril de 2010

José Relvas: Um «encontro» com a nossa História

Cortesia de atexturadotexto
(1858-1929)
José de Mascarenhas Relvas  foi um político português.
Matriculou-se na Universidade de Coimbra na faculdade de Direito, que só frequentou até ao segundo ano, abandonando-o então para seguir o Curso Superior de Letras, o qual concluiu em 1880.
José Relvas aderiu ao Partido Republicano já numa fase avançada da vida, muito perto dos 50 anos de idade, no contexto da crise política provocada pela chamada ao poder, por parte do rei D. Carlos, do ministro João Franco.
Foi o «escolhido» para proclamar a República, a 5 de Outubro de 1910, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa porque era um dos dirigentes «mais antigos» do directório do Partido Republicano.
Cortesia republica100anos
Foi ministro das Finanças do respectivo Governo Provisório de 12 de Outubro de 1910 até à auto-dissolução deste, a 4 de Setembro de 1911 sendo ele o responsável, nomeadamente, pela introdução da reforma monetária que criou o escudo.
Exerceu o cargo de embaixador de Portugal em Espanha até finais de 1913, regressando a Portugal para assumir o lugar no Senado, por entender que a sua legitimidade vinha do cargo para o qual havia sido eleito. Acabou por resignar em 1915.
Afastou-se da vida política até ao final de 1918. Foi nomeado primeiro ministro, a 27 de Janeiro de 1919, tendo exercido aquele cargo até 30 de Março do mesmo ano. Morre aos 71 anos de idade na Casa dos Patudos, em Alpiarça. A Assembleia da República prestou-lhe homenagem em 2008 com a exposição José Relvas, o conspirador contemplativo, que ilustrou as diferentes facetas de José Relvas e do seu percurso político até 1914.
(Memórias de José Relvas)
Cortesia Portugal Dicionário histórico/Portal da História_Memórias Pessoais
JDACT