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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Barco da Carreira dos Tolos. 1850. Obra Crítica, moral e Divertida. José Daniel Rodrigues da Costa. «Ora como os dentes me nascêrão com esta modéstia, não posso levar á paciência, que hoje até muitas da minha idade cortem os seus cabellos, para se fazerem Marias do Monte»

Cortesia de wikipedia

De acordo com o original!

Carreira dos Tolos. Modistas
«(…) Fui crescendo, e por casa nunca passei de trajar huma comprida saia de primavera muito aceada: hum bajú de folhos brancos, hum avental de escorcia, ou caça de riscas, tudo muito limpinho; humas roupinhas de cabaia, ou nobreza, hum lenço de folhos muito pregado, e muito concertado, que cobria com modestia o que tanto hoje se descobre. Punha no pescoço huma gargantilha de vedrilhos pretos, ou velorios; outras vezes huma colleira de folhos franzidos, que compunha muito a garganta. Ornava o peito com as viçosas flores, que Deos cria, e tinha no meu quintal, meia duzia de cravos, duas rosas, quatro jasmins de Italia, humas chagas, e alguns martyrios, guarnecido tudo de manjerona, e alecrim: flores estas, que pouco, e pouco se lhes vai perdendo a semente; e se se achão ainda, he só em alguma cêrca de Freiras, porque hoje o que se vê pelas janellas de Lisboa são hervas botanicas, chorões balsiminas, tomates de França, e poracaso hum craveiro: que tanto póde a mudança do gosto, e dos usos!
Algum dia nunca o meu toucado passou de huma grande trança de cabello, cahida pelas costas abaixo, com três, ou quatro laços de fita; o cabello de diante levantado acima, fazendo hum capote bicudo, que desafrontava toda a testa; e este topete cheio de travessinhas de tartaruga, tendo á ilharga da parte direita huma assembléa, que vinha a ser hum palmito de flores, ou de fofos de fita. A mesma cabeça se aceava com espirito de vergamota, com banha de flor, ou com óleo de jasmins, e outras pomadas de cheiros, a que os pós amarellos vinhão fazer matiz. Nas orelhas trazia huns brincos de ouro, e não ouro mascarado, com suas lasquinhas de diamantes, que vinha a ser laço, e pingente. Deste modo apparecia na sala das visitas ás minhas amigas, com o maior recato, e comedimento, que hoje raras vezes se vê.
Ora como os dentes me nascêrão com esta modéstia, não posso levar á paciência, que hoje até muitas da minha idade cortem os seus cabellos, para se fazerem Marias do Monte. Chegámos ao tempo das mulheres botarem os cotovellos de fóra era todo o sentido; e como esta não foi a minha creação, e hoje tudo o que vejo, para mim he Grego, ando pelas ruas da Cidade, como vendida, feita huma tôla: e por isso me resolvo a ir para essa terra, aonde a gente se esquece do passado, para viver sem tanta inquietação; porque quando vejo huma mulher na rua, revolvo-me toda, toda me arrepío, e até me dão engulho de vomitar». In José Daniel Rodrigues da Costa, Barco da Carreira dos Tolos, Obra Crítica, Moral e Divertida, RB196984, University of Toronto, Typographia de Elias José Costa Sanches, Lisboa, 1850.

Cortesia de T.Sanches/JDACT

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Barco da Carreira dos Tolos. 1850. Obra Crítica, moral e Divertida. José Daniel Rodrigues da Costa. «Porém como tirava, e não punha, diminuião-se os cartuxos, e fiquei fallando só, vendendo hoje huma cousa, á manhã outra; e vejo-me na maior miséria, levando safanões de todos…»

Cortesia de wikipedia

De acordo com o original!

Carreira dos Tolos. Modistas
«(…) Eis-aqui Minha Mãi consternada pela falta de seu marido, expirou d'alli a ires mezes tomei, eu como legitimo herdeiro, conta de tudo, e insensivelmente de tudo dei conta; mas fartei me de ser o chefe de todas as Modas e de tudo o que me parecia bom; a creação, que tive tão esfaimada, he que foi a causa de me querer sacar de quanto para mim era novo. Fui a primeira vez á ópera, gostei, tive sempre camarote effectivo: aluguei a primeira sege, puz logo sege, que emprestava a todos os meus amigos, de sorte que muitas vezes a quiz, e tive de a alugar; porque a minha andava por mãos alheias. Moça formosa era logo por mim brindada, para crear fama de pródigo; dei prendas de annos; jantares, e cêas em casa, e fora de casa a meio mundo sem tom, nem som, parecendo-me que a riqueza; nunca se me acabava. Em Modas não falemos!, fui o inventor de toda a affectação; ninguém teve abotoadura como eu, ninguém se penteou mais á moda; eu fui a causa de se largarem os pescocinhos, e trazer-se bum lenço com almofada; eu fui o primeiro, que trouxe por Lisboa capote de riscas de lã, e seda dentro da seje , mas não pegou esta moda: eu fui Juiz em dezesete Círios, só para me fartar de contradançar nas hospedarias do arraial com ranchos de Senhoras, que eu só dominava. Já por fim vendi as duas quintas para jogar nas partida com desafogo, cada dia levava a ellas hum vestido.
Porém como tirava, e não punha, diminuião-se os cartuxos, e fiquei fallando só, vendendo hoje huma cousa, á manhã outra; e vejo-me na maior miséria, levando safanões de todos, e daquelles mesmos, que me ajudarão a estragar tudo. Nestes termos, se hei de, á vista de quem me conhece, ir morrer a hum hospital , desejo aproveitar-me do beneficio, que V. m. faz aos da minha qualidade, para acabar os meus dias com prazer. A isto respondeo o Arrais: Tem todo o merecimento para vir nesta Carreira; a isso he que eu chamarei ser mestre dos Tolos, ainda que V. m. mostra agora que tem algum juizo na ausencia, que quer fazer; mas chegou lhe muito tarde: e se V. m. na primeira asneira, que fez por alma do Senhor seu Pai, cahe em si, como cahio agora, campava: ora entre, que o seu lugar no meu Barco ninguém lho tira.
Saltou este para dentro; eis-que chega huma velha, a quem o Arrais perguntou a causa de querer mudar de Paiz, visto achar-se já naquella idade? Ao que ella respondeo; Eu, meu Senhor, toda a minha vida tive juizo; porém agora entro no numero dos Tolos, porque me tem feito tôla as modas, que vejo no tempo presente: que eu, meu Senhor, vim ao mundo em hum tempo muito comedido; e de idade de sete annos foi a primeira vez que minha Mãi me pôz hum mantinho, com que sahi á rua muito airosa, e muito séria, de sorte que o povo, que me via, se não fartava de me beijar, e de me pegar ao collo». In José Daniel Rodrigues da Costa, Barco da Carreira dos Tolos, Obra Crítica, Moral e Divertida, RB196984, University of Toronto, Typographia de Elias José Costa Sanches, Lisboa, 1850.

Cortesia de T.Sanches/JDACT

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Carreira dos Tolos. Modistas. José Daniel Rodrigues Costa. «Apenas ancorava em qualquer Porto, dava parte da sua commissão, e offerecia o seu "Barco da Carreira" para os conduzir, depois de ter feito hum particularizado exame a quem determinava transportar-se…»


jdact

Carreira dos Tolos
«Depois que o Sábio, e judicioso Erasmo, pôz a ultima demão ao Elogio da Loucura, hum heróe dos nossos tempos, que o lêo, ficou tão namorado deste Elogio, que não se achando com cabedal bastante para fazer outro tanto, comprou hum barco, applicou-se á Manobra, e Nautica, e partio a descobrir terra, onde podesse commodamente alojar em paz a nunca extincta geração dos Tôlos. Depois de huma longa viagem, tendo aportado a muitas, e mui deliciosas terras, correndo todo o Peloponéso, avistou a famosa Ilha Anticyra, pela grande colheita do Heleboro , (hum dos remédios, que a antiguidade applicava á loucura) virou de bordo no mesmo instante, temendo aquelle empestado clima. Eisa-qui em frente da mesma descobre outra ilha, povoada de frondosos arvoredos, e pelos seus campos em grande abundância se observava a herva Lotos, de tanta virtude, que huma vez comida, fazia desde logo esquecer todos os males, e acontecimentos da passada idade, dando hum novo realce á estupidez dos que della se alimentavão.
Muito se alegrou o diligente Navegante com a descoberta, sacrificando se ao louvável fim de fazer ditosos os que tinhão nascido para o ser: e por isto destinou transportar á mesma Ilha os Tolos que encontrasse pelos diversos Paizes do mundo, para que em pleno repouso podessem gozar livremente da sua Tolice, sem estorvo dos que imaginão ter nascido para censurar, e emendar o género humano. Apenas ancorava em qualquer Porto, dava parte da sua commissão, e offerecia o seu Barco da Carreira para os conduzir, depois de ter feito hum particularizado exame a quem determinava transportar-se, para que não acontecesse, que algum mais assisado fosse perturbar a paz daquelle delicioso Paiz. Logo que o bom Arrais vio quasi povoada a sua Ilha com immensas emigrações, chegou finalmente ao nosso Porto, tendo noticia da grande cópia de Tôlos, que povoa a nossa Pátria; e apenas affixou os seus cartazes, apparecêrão tantos, que não podendo conduzillos todos juntos, intentou distribuillos em diversas classes, assignando a cada huma dellas sua particular Tolice, que reduzio ao número de doze , destinando hum mez para cada viagem.
Os primeiros, que escolheo para transportar á Ilha dos Tôlos, furão os Tôlos com as Modas. Entre estes hum mais lampeiro se lhe apresenta, rogando-lhe, que o admitta primeiro no seu Barco, visto que elle julgava levar a primazia na Tolice a todos os seus companheiros. Sem embargo desta basofia ser logo aniquilada pelos outros, que lhe não erão somenos, o nosso discreto Arrais, amigo da boa ordem, lhe rogou que provasse a sua capacidade, contando os factos mais memoráveis de sua vida. Ao que o nosso estúpido Peralta satisfez do modo seguinte: Eu, Senhor Arrais, disse elle, fui em pequeno creado com muita sujeição; não punha o pé na rua, senão para ir á Missa na companhia de minha Mãi; andei de ópa até á idade de vinte annos; nunca vi mais até áquella idade, que hum vintém na minha algibeira; nunca tinha ido a passeios, a ópera , a touros, a partidas, ou assemblêas, nunca passei em casa de meus Pais de comer faceira de vacca em dias de carne; e feijão com couves, e sarda escalada em dias de peixe; porque meu Pai era hum furreta: nunca vi cabelleireiro em casa; atava-me minha Mài huma castanhinha no coruto da cabeça, e ficava penteado: conheci huma ópa de jardo, que trouxe bons seis Invernos; huns calçõeszinhos de tripe, que meu Pai deixou, e se fizeram para o meu corpo, tantas voltas se lhes derão, que durarão mais três annos e meio; meias de linha crua só dois pares estraguei em quinze mezes; os çapatos levavão sete vezes solas, e outras tantas lombas. Neste aperto, em que me via , nesta apoquentação, em que me creárão, aturei vinte e quatro annos, a tempo que morreo meu Pai, e deixou oitenta mil cruzados, e duas quintas». In José Daniel Rodrigues da Costa, Barco da Carreira dos Tolos, Obra Crítica, Moral, e Divertida, folheto I, Janeiro, Typographia de Elias José da Costa Sanches, Lisboa, 1850.

Cortesia de TEJCSanches/JDACT

domingo, 7 de abril de 2013

A Verdade Exposta a sua Magestade Fidelíssima. Epístola. José Daniel Rodrigues da Costa. «Porque os crimes se abafassem, presentes, e outros favores era forca se aceitassem: e impunes os salteadores das cadeias se soltassem. Eram réus seis, sete vezes estes, a quem se valia; já se tinham por fregueses: e sempre se protegia corja de tão boas rezes!»

Cortesia de wikipedia

(Continuação)

Epístola
«Posto em fuga o Numerário,
reinava o flagelo, a fome;
tudo nos era contrário:
só tinha papéis, e o nome
O vosso Real Erário.

Isto de Papel Moeda
tem Decreto, que o regula;
mas bastante o Povo azeda
o não saber com que bula
a razão da Lei se arreda.

O Decreto, que se fez,
de justos motivos parte:
quem a forma lhe desfez,
recebe só uma parte,
paga com duas, e três.

O pedir era uma ofensa;
lá dentro era tudo arcanos,
por disfarce da detença,
e só no fim de dez anos
chegava um ano de Tença.

O Povo desesperado
de não ser cada um senhor
do mesmo que lhe foi dado!
Vivia num dissabor
tudo comendo fiado.

Já de porta em porta andavam
homens de hábito no peito,
que a tal chegar não pensavam:
perdendo ao pejo o respeito,
a pedir se abalançavam.

Rogando outra gente louca
hábitos de Avis, ou Cristo,
tendo fortuna bem pouca!
De Cruz ao peito os hei visto
Fazendo cruzes na boca.

Também, Senhor, não aprovo
darem-se as Tenças, que vemos
pois dizia todo o Povo:
se não pagam as que temos,
porque vem outras de novo?

Muita cousa há que notar
das que por nós tem passado:
mas farei por me lembrar,
sem ninguém ser apontado,
das mais fáceis de emendar.

Pela Justiça se via
Demasiado rigor,
que zelo ser parecia;
mas todo aquele furor
as mãos abertas cedia.

Porque os crimes se abafassem,
presentes, e outros favores
era forca se aceitassem:
e impunes os salteadores
das cadeias se soltassem.

Eram réus seis, sete vezes
estes, a quem se valia;
já se tinham por fregueses:
e sempre se protegia
corja de tão boas rezes!»

continua

In José Daniel Rodrigues da Costa, A Verdade, exposta a sua Magestade Fidelíssima o senhor D. João VI, Epístola, Impressão Régia, com Licença da Comissão de Censura, Lisboa, Ano de 1820.

Cortesia de Wikipédia/Arquivo Madeira/JDACT

sábado, 6 de abril de 2013

A Verdade Exposta a sua Magestade Fidelíssima. Epístola. José Daniel Rodrigues da Costa. «O Decreto, que se fez, de justos motivos parte: quem a forma lhe desfez, recebe só uma parte, paga com duas, e três. O pedir era uma ofensa; lá dentro era tudo arcanos, por disfarce da detença, e só no fim de dez anos chegava um ano de Tença»

Cortesia de wikipedia

(Continuação)

Epístola
«Pelo interesse danado
perdia a razão o trilho:
o mérito abandonado:
davam-se ofícios ao filho,
Só porque o pai fora honrado.

Mui pouco, Senhor, convém
que um com quatro ofícios viva;
que além de os não servir bem,
deles a outro homem priva,
que nem se quer um só tem.

Vemos que uns alcançam tudo;
outros não alcançam nada:
quem tiver juízo agudo,
Bem pode dar na malhada,
inda que o dinheiro é mudo.

Vendo um Rei que um seu valido,
que muito pobre vivia,
tinha em breve enriquecido,
com semblante austero um dia
fez com que fosse inquirido.

Porque saber lhe convinha,
à vista de um tal recheio,
sem ter de condão varinha,
onde alcançou, donde veio
tanto cabedal que tinha.

Descobriu as avarias;
dos ajustes os canais;
as ocultas simonias!
Confiscou-lhe os cabedais
Para hospitais, e obras pias.

Não é de esperar, Senhor,
que tenhais um tal valido;
mas quando algum assim for,
seja logo demitido
do vosso Augusto Favor.

Deve haver muito cuidado
em formar, de humildes, nobres;
que um destes , empoleirado,
é sanguessuga dos pobres,
é grande esponja do Estado.

Os Portugueses estavam
num teatro miserando!
Todos o Reino choravam!
Porque o viam expirando,
Já remédios lhe não davam.

Avareza, hipocrisia,
egoísmo, roubo, impostura,
ambição, e tirania
era a roda mal segura,
que esta máquina movia».

continua

In José Daniel Rodrigues da Costa, A Verdade, exposta a sua Magestade Fidelíssima o senhor D. João VI, Epístola, Impressão Régia, com Licença da Comissão de Censura, Lisboa, Ano de 1820.

Cortesia de Wikipédia/Arquivo Madeira/JDACT

A Verdade Exposta a sua Magestade Fidelíssima. Epístola. José Daniel Rodrigues da Costa. «Licito agora me seja usar eu desta expressão, porque a verdade se veja: até o império da ambição tinha alicerces na Igreja. Padre, que a bolsa esgotava, benefícios acolhia, quatro, e cinco disfrutava: e a maior parte vivia só das Missas, que alcançava»

Cortesia de wikipedia

Bons conselhos que se dão
não se devem desprezar;
e ás vezes tão úteis são,
que mil reis podem causar
quando ouvidos se lhes dão.
Anónimo

Epístola
Se eu por minha longa idade,
muito alto Rei e Senhor,
posso ter a liberdade,
com zelo, respeito, e amor,
de vos mostrar a Verdade.

Não julgueis isto demência:
dai-me , benigna atenção;
porque farei, com decência,
que não abuse a razão
da vossa Augusta paciência.

Teive, Miranda, e Ferreira,
e outros muitos escritores
seguirão igual carreira:
a seus reis, altos Senhores
brindavão desta maneira.

Eu querendo-os imitar,
as circunstancias me pedem
deste arbítrio mão lançar;
elas por mim intercedem,
para o perdão alcançar.

Vós mui bem sabeis, e eu sei
que um rei não é Rei sem Povo,
que sem infringir a Lei,
sem que seja caso novo,
se queixa o Povo ao seu rei.

Em Vós, Senhor, confiança
tem eterna o Povo Luso;
o seu amor o afiança;
e de o conhecer tem uso
toda a Casa de Bragança.

Os que nascem para reis,
tem sublime dignidade:
e Vós mui bem conheceis
quanta responsabilidade
todos impõem as Leis.

Inda que queira ser recto
monarca as virtudes dado,
conheço que o seu projecto
um Secretario de Estado
lho pode mudar de aspecto.

Não pode dar prémio justo,
nem castigar o culpado,
que não seja a muito custo:
dos que o cercam enganado
parece um monarca injusto.

Do que em palácio se passa
eu em dúvida não entro;
pois sabemos, por desgraça,
que os que vivem lá por dentro,
nunca se empenham de graça.

Licito agora me seja
usar eu desta expressão,
porque a verdade se veja:
até o império da ambição
tinha alicerces na Igreja.

Padre, que a bolsa esgotava,
benefícios acolhia,
quatro, e cinco disfrutava:
e a maior parte vivia
só das Missas, que alcançava.

A peso de bom dinheiro
pretensões se conseguiam:
quem mais dava era o primeiro:
talvez o mesmo fariam
lá no Rio de Janeiro!

continua

In José Daniel Rodrigues da Costa, A Verdade, exposta a sua Magestade Fidelíssima o senhor D. João VI, Epístola, Impressão Régia, com Licença da Comissão de Censura, Lisboa, Ano de 1820.

Cortesia de Wikipédia/Arquivo da Madeira/JDACT

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

José Rodrigues da Costa: Sob o pseudónimo de Josino Leiriense, que usava nas tertúlias da Arcádia Lusitana,teve uma vida de notoriedade social e intelectual, testemunhadas em várias obras literárias que publicou. «O Balão aos Habitantes da Lua (1819)» foi a obra mais importante

(1757-1832)
Colmeias, Leiria
Cortesia de tertuliabibliofila

José Daniel Rodrigues da Costa  foi um poeta português. Veio com a família para a cidade de Lisboa aos 2 anos de idade.
Sob o pseudónimo de Josino Leiriense, que usava nas tertúlias da Arcádia Lusitana, José Rodrigues da Costa teve uma vida de notoriedade social e intelectual, testemunhadas em várias obras literárias que publicou, quase sempre sob a forma de folhetos. Uma das mais célebres será «O Balão aos Habitantes da Lua (1819)». Gozando da protecção do Intendente-Geral Pina Manique, empenhado em mater a ordem social e reprimindo os ideais iluministas da Revolução Francesa, José Rodrigues da Costa foi promovido a major da Legião Nacional do Paço da Rainha.

Foi popular a sua rivalidade com Barbosa du Bocage, em várias publicações.
Na série televisiva Bocage, realizada por Fernando Vendrell (2006) é o actor Francisco Nascimento que interpreta a personagem de José Rodrigues da Costa.

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RaridadesBibliograficas/bios/JDRCosta.pdf
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/artigo10621.pdf
 

Cortesia de arpose
 
Algumas obras:
  • Novo Entremez dos destemperos de hum Bazofia, jocosos, e exemplares;
  • Ecloga pastoril: primeira parte : fallam Jozino, e Dárcia;
  • Ecloga : tristezas de Jozino, e virtude de Matilde;
  • Verdade do mundo na vida da corte e do campo;
  • Petas da vida ou a terceira parte dos ópios;
  • Espelho de jogadores;
  • Almocreve de petas ou moral disfarçado para correção dos miudezas da vida;
  • Comboy de mentiras vindo do reino petista com a fragata verdade encuberta por capitania;
  • O balão aos habitantes da lua: poema, heroi-comico em hum só canto;
  • Pimenta para as más linguas : em huma epistola ao illustrissimo Senhor José Luiz Guerner;
  • Terceiro aparo da penna, ou continuação da critica sobre costumes e vicios;
  • O novo Janeiro de 1831.

Cortesia de arquivohistorico
Morre aos 71 anos de idade.

Cortesia de wikipédia/Arquivo Histórico/Arpose/JDACT