Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Centro Ciência Viva. Rómulo de Carvalho. O que é?. «Ainda em 1951 Rómulo de Carvalho soube da existência de um espólio histórico, que remontava ao tempo da reforma pombalina, no então Laboratório de Física da Faculdade de Ciências. Tornou-se então um incansável estudioso não só desse material como da ciência setecentista em Portugal»




jdact 
 
Foram reunidas todas as condições para que o Centro Rómulo de Carvalho fosse inaugurado no passado ano lectivo de 2006-2007, atendendo a que em 2006 fez, precisamente, 100 anos que nasceu Rómulo de Carvalho.

Olhando para o Passado. Os primeiros passos
«Propõe-se um Centro Ciência Viva a funcionar na Universidade de Coimbra (UC) com característica de centro de recursos para o ensino e aprendizagem das ciências e a difusão da cultura científica. Incluiria, mediante celebração de protocolos, a actual Biblioteca Rómulo de Carvalho, do Departamento de Física daquela Universidade, e o portal “Mocho” de ensino das ciências e cultura científica, actualmente gerido pelo Centro de Física Computacional. O Centro Rómulo de Carvalho daria apoio, como moderno centro de recursos e numa base essencialmente virtual, a toda a rede de centros Ciência Viva do país. O acolhimento seria na UC (já existe em Aveiro um Centro acolhido por uma universidade) e o reconhecimento pela Agência Ciência Viva. Metade da cobertura orçamental seria da UC e a outra metade obtido através de fundos comunitários (medidas de desconcentração).
Os objectivos serão contribuir para a cultura científica e tecnológica nacional, atraindo e mantendo mais jovens para a ciência. Deve desejavelmente manter colecções e bases de dados sobre tudo o que em Portugal se fez ou faz nesse domínio.

Justificação do nome
Rómulo de Carvalho (1906-1997), o professor de Ciências Físico-Químicas, para muita gente mais conhecido por António Gedeão, o poeta de “Pedra Filosofal”, é um símbolo inigualável da cultura científica em Portugal. Além de professor de ciências e de poeta, juntando na mesma pessoa duas sensibilidades diferentes, foi um notável divulgador científico e um historiador da ciência, da pedagogia e, em geral, da cultura portuguesa.
Rómulo de Carvalho viveu em Coimbra entre 1950 e 1957, tendo sido professor no Liceu Nacional de D. João III, hoje Escola Secundária de José Falcão. Em 1951 planeou criar a colecção “Ciência para Gente Nova”, na Atlântida Editora de Coimbra. com o objectivo de proporcionar divulgação científica para a juventude, apoiado “na evolução histórica dos acontecimentos que conduziram a humanidade ao estado actual em que a ciência e a técnica dominam”. O primeiro volume, “História do Telefone”, foi publicado um ano depois, seguindo-se logo: a ciência e a técnica aparecem aí vivas, como empreendimentos ao alcance da nossa compreensão. Ainda em 1951 Rómulo de Carvalho soube da existência de um espólio histórico, que remontava ao tempo da reforma pombalina, no então Laboratório de Física da Faculdade de Ciências. Tornou-se então um incansável estudioso não só desse material como da ciência setecentista em Portugal. Durante seis anos, foi um visitante muito assíduo não só daquele Laboratório como do Arquivo da Universidade. Em 1953, começou a escrever um volume monumental sobre a história do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra que foi terminado em 1963 e que foi editado em 1978 pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra: “História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra desde a sua Fundação (1772) até ao Jubileu do professor italiano Giovanni António dalla Bella (1790). Em 1954 escreveu a sua primeira obra poética, “Experiência dolorosa”, que foi submetida a um concurso literário, a sua primeira obra publicada só virá a sair em 1956 do prelo da Atlântida, sob um título de inspiração termodinâmica: “Movimento Perpétuo”. Miguel Torga foi o vencedor do concurso literário acima mencionado, mas cedeu o dinheiro do prémio em favor da revelação de jovens poetas. João Gaspar Simões, o antologiador dos poetas a concurso, escolheu num volume saído em 1957 os textos de Rómulo de Carvalho, um “jovem” que na altura só tinha 51 anos…
Em merecido reconhecimento da obra muito vasta do professor, poeta e historiador, o Departamento de Física da Universidade de Coimbra organizou no interior da sua Biblioteca a Biblioteca Rómulo de Carvalho de Cultura Científica. Foi pedida à família de Rómulo de Carvalho a autorização para utilização do nome, que foi generosamente concedida, assim como a cedência de obras do homenageado.
Já houve várias homenagens a Rómulo de Carvalho, uma das quais foi a instituição pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, do dia do seu nascimento, 24 de Novembro, como Dia Nacional da Cultura Científica. Mas nem Coimbra nem o país pagaram ainda a dívida que tem com uma personalidade singular da vida portuguesa. Um centro de recursos de cultura científica, vivo e moderno, no quadro da rede nacional de Centros “Ciência Viva” - um programa único a nível internacional - será decerto a melhor forma de fixar em Coimbra o nome do autor de tantos e tão bons livros para jovens, um autor que conseguiu despertar vocações numa altura em que a ciência não andava nas bocas do mundo e alargou o interesse público pela ciência». In Centro Virtual Camões, Instituto Camões, Centro Ciência Viva, Rómulo de Carvalho, Universidade de Coimbra.



Cortesia de CC Viva/JDACT

Alfacinhas. Alfredo Mesquita. «Pelo menos, os autores conseguiam isto, que á primeira vista se nos afigurava muito simples: uma pessoa lia-os, e ia logo entendendo o que eles queriam dizer, o que não acontece já com os de agora, porque uma pessoa lê-os, relê-os, e treslê, sem que haja meio de lhes meter dente»



Cortesia de wikipedia

«Vai quase desaparecendo um género de literatura que teve em Portugal bastantes amadores e bem se coadunava com o nosso feitio e o nosso gosto. Quase desaparecendo, digo bem, pois que dos vivos e velhos que o cultivaram com mais entusiasmo, raros são já os que ainda dão sinais de vida.
Os tempos eram muito outros, e muito outra a gente desses tempos. Havia mais alegria do que hoje, havia incomparavelmente muito mais alegria; basta mesmo dizer que havia alegria, e está dito tudo, porque a verdade é que hoje já não a há. Havia também muita despreocupação, outra coisa que também acabou. A literatura, portanto, era o reflexo duma tal ventura de ânimos.
Claro que a alegria não era tanta que não deixasse haver gente de testa franzida; mas gostava-se do devaneio, da fantasia ingénua e da facécia, e tudo isso entretinha e divertia muito mais a gente do que as teses, as psicologias, e os simbolismos da literatura moderníssima. Pelo menos, os autores conseguiam isto, que á primeira vista se nos afigurava muito simples: uma pessoa lia-os, e ia logo entendendo o que eles queriam dizer, o que não acontece já com os de agora, porque uma pessoa lê-os, relê-os, e treslê, sem que haja meio de lhes meter dente.
Os efeitos de enternecimento, de comoção, ou apenas de risota, obtinham-se por meios simplicíssimos.
A escola da justa moderação na forma de escrever e descrever tinham então mestres como Júlio Diniz e Júlio César Machado, e a popularidade não bafejava quem lhes não seguisse as pisadas. Se o propósito do escritor num dado momento era o de fazer chorar, a lágrima borbulhava e corria por si ao canto do olho, sem ser preciso, como hoje, estar a puxar por ela como quem puxa por um cordão de campainha. Se o escritor queria fazer rir, o riso vinha como vinha a lágrima, sem também ser preciso descalçar ao leitor a chinela e fazer-lhe cócegas na sola do pé.


O descritivo da paisagem, da cena caseira, do episódio de todos os dias, era quando muito meia pagina de livro pequeno, em letra grada, e tudo ficava dito. O uso do adjectivo era quanto possível parcimonioso, e entrava na descrição como o sal na comida. Um clarão de luar erainvariavelmente prateado; uma manhã de Abril havia de ser sempre clara e uma noite de Novembro sempre tenebroso. E as searas sempre louras, o arvoredo sempre frondoso, o murmúrio das águas sempre brando, o vento sempre sibilino.
Se o autor entrava em casa do herói ou heroína da sua história e dava fé do que lá havia de mobiliário e roupas, era escusado ficar à espera de que ele nos contasse quantas cadeiras vira na sala, quantos quadros nas paredes, quantos frangos na capoeira. Dizia-nos somente se se tratava de habitação pobre ou rica, modesta ou luxuosa, e a tal respeito nem mais meia palavra.
As fisionomias das criaturas, como o aspecto das coisas, não lhes tomavam muito tempo a pintá-las. Os tipos de formosura eram dois ou três, dados em simples variantes:
  • da cor de olhos: azuis, pretos ou castanhos;
  • de cor da pele: pálida, rosada, clara, morena;
  • de medidas da estatura: alta, baixa, regular;
  • e um ou outro de alguns sinais particulares.
 As qualidades, como os defeitos morais, não davam margem a largas apreciações. As personagens eram ou boas pessoas ou malvados. Para facilitar a narração, não se admitia o meio-termo. Um bombeiro era sempre um benemérito, um professor de instrução primaria sempre uma vítima, uma sogra sempre uma fera». In Alfredo de Mesquita, Alfacinhas, Parceria de António Maria Pereira, Livraria Editora, Lisboa, 1910, Library University of Toronto, 1968, PQ 9261 M47A4.




Cortesia de University of Toronto/JDACT

Tanto e Tão Perto. O Antigo sempre Novo. Lisboa. «Belém é testemunho de influências e de trocas centenárias que se prolongam no Futuro. É o rio que nos conduz ao mar. E é o mar que nos chama. Daqui partiram as caravelas tendo como destino final terras de Oriente, com cheiro a pimenta e açafrão»


Lisboa
jdact

«Lisboa é como uma manta de retalhos. Uma cidade grande, feita de paisagens, arquitecturas e modos de vida muito distintos. E se a alma de uma cidade está nas suas gentes e nos seus lugares, faz todo o sentido começar o passeio pelo Castelo de S. Jorge. A primeira edificação enquanto edifício de defesa é muçulmana e datada dos séculos X-XI. Em 1147, o castelo e a cidade foram conquistados aos mouros por Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal.
Desça até Alfama, um dos bairros mais típicos de Lisboa. Aqui encontra o Museu do Fado e inúmeras casas-restaurantes onde pode jantar enquanto ouve esta canção nacional centenária, sempre actual e actualizada. Rumando ao coração da cidade, encontra por fim a Baixa Pombalina, construída por ordem do Marquês do Pombal, ministro de José I, depois do grande terramoto de 1 de Novembro de 1755. De traçado recticular de rua/quarteirão e inspiração iluminista, a reedificação da Baixa constituiu o primeiro caso de planificação e construção normalizada e em série. Destaque para o surpreendente Elevador de
Santa Justa, da autoria de Mesnier du Ponsard, suposto discípulo de Gustave Eiffel.
Subindo encontra o Chiado, local de cultura e ambiente sofisticado, de encontro e de  troca entre artistas, intelectuais e poetas. O famoso Fernando Pessoa tem estátua à mesa em frente à “A Brasileira” e logo ao lado o Carmo. O seu largo foi palco privilegiado na revolução de 25 de Abril de 1974, quando militares e populares cercaram o quartel. Mesmo ao lado, encontra as ruínas do Convento do Carmo, actualmente Museu Arqueológico.
Continuando a subir, o passeio conduz-nos inevitavelmente ao Bairro Alto, Meca dos jovens e da vida nocturna lisboeta, este é um lugar onde o antigo e o novo, o típico e o sofisticado convivem em harmonia. Mercearias, tascas e casas de fado ombreiam com bares, lojas de moda e design, num caldo de gentes e tendências muito próprio. Ponto de partida para outras paragens, Belém é testemunho de influências e de trocas centenárias que se prolongam no Futuro. É o rio que nos conduz ao mar. E é o mar que nos chama. Daqui partiram as caravelas tendo como destino final terras de Oriente, com cheiro a pimenta e açafrão.
Foi precisamente a chegada à Índia que motivou a construção do talvez mais representativo monumento da época dos Descobrimentos, o Mosteiro dos Jerónimos. Mandado erguer em 1501 por Manuel I só foi concluído 100 anos depois. Este testemunho máximo da portugalidade do século XVI, integra elementos do gótico tardio e do renascimento, juntamente com motivos régios, religiosos, naturalistas e náuticos. O resultado é de uma grandiosidade e beleza ímpares, que o tornam digno do reconhecimento enquanto Património Cultural da Humanidade da UNESCO. No interior, a Igreja de Santa Maria de Belém é uma oração sob a forma de um magnífico templo de três naves. A altura do edifício, sustentado por elegantes pilares, que se articulam com uma bela abobada ogivada, e os raios de luz que entram furtivamente pelos vitrais criam um ambiente único, marcado pelo encontro entre o humano e o espiritual. Aqui encontra também os túmulos do navegador Vasco da Gama e do poeta épico, cantor da epopeia dos Descobrimentos, Luís de Camões. Mas o encontro e as trocas entre as gentes e culturas não são coisas do passado. Continuam a acontecer e a ser actualizados, todos os dias, no quotidiano da cidade e em actividades artísticas, como as que acontecem no Centro Cultural de Belém.
Do outro lado da linha de comboio, banhada pela água está a Torre de Belém, monumento concebido no século XVI por Francisco Arruda, marca o local de início da epopeia, a pequena praia de onde partiam as embarcações. A sua arquitectura mistura influências árabes e venezianas nos balcões e varandins, com os elementos orgânicos e marítimos de decoração, próprios do estilo manuelino.
Junto à pequena marina de Belém encontra ainda o Padrão dos Descobrimentos. Mandado construir em 1960 pelo 5º Centenário da morte do Infante Henrique, homenageia o impulsionador máximo da empreitada marítima portuguesa e todos os que consigo a tornaram possível.

A Oriente encontra uma nova Lisboa, feita de infra-estruturas modernas, horizontes abertos e um convívio estreito com o Rio Tejo. Antiga zona industrial, o Parque das Nações foi objecto de uma requalificação total aquando da realização, neste espaço, da Expo 98. Hoje assume-se como um novo bairro da cidade, com vida própria e uma oferta única em termos de cultura, serviços, desporto, animação e lazer.
O maior destaque vai para o Oceanário de Lisboa. Da autoria do arquitecto norte-americano Peter Chermayeff, o edifício instalado num cais e rodeado de água, apresenta as riquezas naturais de fauna e flora dos oceanos Antárctico, Índico Tropical, costa rochosa do Pacífico e Atlântico Norte. Mas a atracção principal é o tanque central, um grandioso aquário com cerca de 1000 m2 e 5000 m3 onde pode encontrar cerca de 100 espécies diferentes de peixes de vários recantos do oceano, convivendo pacificamente.
Saindo dos Oceanos podemos continuar a aventura no Pavilhão do Conhecimento, um museu interactivo que ensina a ciência a miúdos e graúdos, de modo acessível e divertido. Aqui pode encontrar grandes exposições temáticas e um espaço multimédia com cibercafé.
Para ficar a conhecer a extensão e a oferta deste espaço, pode usar o comboio ou o autocarro. Encontrará uma paisagem marcada por uma arquitectura arrojada, como a do Pavilhão de Portugal da autoria de Siza Vieira, com a sua imponente pala de betão baseada na ideia de uma folha de papel pousada em dois tijolos». In Turismo de Portugal, Lisboa, Tanto e Tão Perto, Uma rota única, feita por si, O antigo sempre Novo.


Cortesia de Turismo/JDACT

Arqueologia e Património Construído na Região do Alto Tejo Português. «Com a descoberta da arte rupestre gravada do Tejo, no início dos anos 70, é posto em evidência um complexo arqueológico pós-paleolítico de nível europeu e o maior do género existente em Portugal. Trabalhos recentes permitiram conhecer de forma aprofundada o povoamento, em sítios elevados, de vasta região da Beira Interior, no final da Idade do Bronze»



jdact

Um olhar diacrónico sobre o território humanizado
«Com o advento da contemporaneidade há uma outra realidade que percorre e irmana todos estes concelhos. São as invasões militares vindas de leste, nos séculos XVIII e XIX. Os exércitos invasores entravam na Idanha deixando rasto de conflitos, pilhagens e destruições por toda a região, onde ainda se ouvem inúmeros relatos, sob a forma de lendas e sítios com história. Chegados à muralha natural constituída pelas serras das Talhadas, do Muradal e dos Álvelos ainda se podem ver fortes e baterias posicionados sobre as zonas de passagem obrigatória na rota para Lisboa. De entre estes merecem destaque as fortificações da Ponte do Alvito, na fronteira entre Proença-a-Nova e Castelo Branco e os de Vila Velha de Ródão, protegendo a passagem do rio na área das Portas.
Os primeiros e mais significativos trabalhos de investigação arqueológica nesta região, globalmente considerada, remontam ao início do século XX e devem-se a Francisco Tavares de Proença Júnior, autor da primeira Carta Arqueológica do Distrito de Castelo Branco que também executou escavação em diversos monumentos e sítios.
Nos meados do século XX merecem destaque os trabalhos que, sob o impulso de Fernando de Almeida, conduziram à revelação da ocupação romana e medieval de Idanha-a-Velha.
Com a descoberta da arte rupestre gravada do Tejo, no início dos anos 70, é posto em evidência um complexo arqueológico pós-paleolítico de nível europeu e o maior do género existente em Portugal. Parcelas embora diminutas desse importante património têm sido divulgadas, em monografias ou sínteses cronológico-culturais, por dois dos investigadores do grupo inicial, António Martinho Baptista e Mário Varela Gomes.
Por essa altura têm início os estudos da ocupação paleolítica dos terraços do Tejo em Vila Velha de Ródão, uma linha de investigação que permaneceu até à actualidade sob a direcção do arqueólogo Luís Raposo, e com resultados de enorme valia científica.
Também, desde o início dos anos 70, diversos arqueólogos integrados na Associação de Estudos do Alto Tejo, nomeadamente Francisco Henriques, João Caninas e João Luís Cardoso, desenvolvem, em toda esta região, projectos permanentes de cartografia arqueológica, homologados pelos institutos de tutela sobre o património arqueológico, e pesquisas mais aprofundadas (escavações arqueológicas) em sepulturas e povoados pré-históricos em Vila Velha de Ródão e Idanha-a-Nova.
Trabalhos recentes desenvolvidos pela arqueóloga Raquel Vilaça, universidade de Coimbra, permitiram conhecer de forma aprofundada o povoamento, em sítios elevados, de vasta região da Beira Interior, no final da Idade do Bronze.
O património arqueológico do concelho de Nisa tem sido objecto de estudo sob a coordenação do arqueólogo Jorge de Oliveira, universidade de Évora no âmbito de projectos de investigação que abrangem uma área mais vasta no distrito de Portalegre». In Jorge Oliveira, Associação de Estudos do Alto Tejo, Arqueologia e Património Construído na Região do Alto Tejo Português.


Cortesia de AE do Alto Tejo/JDACT

História e Mistérios dos Templários. Pedro Silva. «Eles desprezavam o amor à justiça que era pertinente a seu papel, e não faziam o que deveriam. Em vez de defender os pobres, as viúvas, os órfãos e a Igreja, competiam para estuprar e matar…»


Cortesia de ediouro

Nascimento da Ordem
«Dois anos depois, em 1120, o rei de Jerusalém elaborou nova forma de combater a ameaça muçulmana; ou seja, pela primeira vez a cidade de Jerusalém seria protegida pela construção, de uma enorme muralha para fortalecer a sua defesa. Medidas tarifárias em relação aos alimentos também foram tomadas, isentando-os de qualquer taxa com o objectivo de povoá-la pelos cristãos. Torná-la mais atraente era o objectivo, e a presença da Ordem do Templo era o meio de alcançá-lo. Não se obteve, contudo, sucesso nessas medidas, pois tanto a presença dos cavaleiros Templários quanto as políticas revelaram-se ineficazes.
Diante disso, e vendo os anos se passarem sem qualquer alteração no rumo dos acontecimentos, o mestre da Ordem, Hugo de Payns, decidiu deslocar-se para o Ocidente, em 1126, a fim de recrutar cavaleiros europeus. Numa série de viagens e servindo-se de diversos contactos estabelecidos através da personalidade de São Bernardo, Hugo obteve resultados animadores. Os cronistas, com certo exagero, divulgaram que ele conseguira mais adeptos do que o papa Urbano II para a Primeira Cruzada. Documentos público comprovavam que muitos nobres ou venderam seus bens ou levantaram empréstimos a fim de participarem de uma cruzada.
Numa carta de encorajamento dirigida aos cavaleiros Templários em Jerusalém, Hugo tentou incutir neles a ideia de uma espécie de renascimento da Ordem, através da repetição da mensagem principal, ou seja, a de serem monges-guerreiros, inspirados pelas Escrituras Sagradas.
Graças ao apoio bem-sucedido de São Bernardo, em Janeiro de 1128, o Concílio de Troyes reuniu-se com o objectivo de analisar as pretensões de Hugo de Payns e de André de Montbard. Entre os membros do Concílio contavam-se, entre outros, Bernardo, o abade de Clairvaux, o núncio do papa e os arcebispos de Reims e Sens. Precisamente pela decisão dessas personalidades da Igreja por ordem do papa Honório e de Estêvão, patriarca de Jerusalém, foi criada uma norma como diretriz de actuação para a Ordem, sendo-lhes atribuído o hábito branco. Esse foi o melhor apoio que a Ordem poderia receber, na Idade Média, porque ela deixou de ser uma organização clandestina para ganhar notoriedade e reconhecimento pela Igreja Católica.

Plano da Jerusalém latina; o Plano de Cambrai, 1150
jdact

Fundamentos teóricos
  • "Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna à qual foste chamado, como o reconheceste numa bela profissão de fé em presença de numerosas testemunhas. Trava a luta excelente da fé, apega-te firmemente à vida eterna para a qual foste chamado e fizeste uma excelente declaração pública diante de muitas testemunhas". In 1 Timóteo, 6:12
A Regra era uma norma de regimento interno da Ordem, com setenta e dois artigos, acrescidos de mais quatro na tradução francesa, a qual foi essencialmente elaborada por São Bernardo, o patrono dos Templários e também organizador da Ordem Cisterciense. Através da obra de Henri de Curzon, podemos observar alguns excertos fundamentais da também apelidada Regra Latina, apresentada e aprovada pela Igreja no Concílio de Troyes, em 1128. No seu artigo 2.°, o prólogo da regra, não tinha nada de bom, pois São Bernardo definiu o perfil do cavaleiro ao criticar o estado em que se encontrava a cavalaria, por terem os cavaleiros subvertido as suas verdadeiras atribuições:
  • "Eles desprezavam o amor à justiça que era pertinente a seu papel, e não faziam o que deveriam. Em vez de defender os pobres, as viúvas, os órfãos e a Igreja, competiam para estuprar e matar".
Subentende-se que tenha havido um ideal de Cavalaria que os Templários gostariam de restaurar. Ainda nesse prólogo, esses valores perdidos eram enfatizados:
  • "Acima de todas as coisas quem quer que sejais um cavaleiro de Cristo, que escolhais apenas assuntos sagrados, vós que fizestes o juramento deveríeis acrescentar puro zelo e firme perseverança que são valiosos e sagrados e reconhecidos como virtudes elevadas, de modo que, se cumprirdes isso em toda a vossa pureza e eternidade, sereis digno de fazer companhia aos mártires que deram suas almas por Jesus Cristo".
Todo o restante da Regra seguiu a diretriz de seu prólogo, na qual expôs-se o novo conceito de Cavalaria de Cristo». In Pedro Silva, História e Mistérios dos Templários, Rio de Janeiro, Ediouro, 2001, Pdf, ISBN 85-00-00757-5.

Cortesia de Ediouro/JDACT

O Teatro Naturalista e Neo-Romântico (1870-1910). Luiz Rebello. «… no ano seguinte o Partido Republicano reúne em Setúbal o seu congresso, que encarrega o Directório de apressar o movimento revolucionário para a instauração do novo regime, e em 5 de Outubro de 1910 a proclamação da República é saudada…»


Cortesia de wikipedia

Enquadramento Histórico-Social
«Todas as fronteiras são artificiais, e as fronteiras cronológicas não constituem excepção a esta regra. É sempre arbitrária a fixação de uma data certa para início de um movimento estético ou literário, pois, como ensinou Marx, «o modo de produção da vida material condiciona o processo social, político e espiritual da vida; não é a consciência dos homens que determina a sua essência, mas, ao contrário, a sua essência social é que determina a sua consciência». A estrutura económica da sociedade, definida pelas relações materiais de produção, constitui assim a base sobre a qual a literatura e a arte se constroem, o que as torna portanto inseparáveis do processo histórico, e incompreensíveis fora dele, não em termos puramente mecânicos mas numa perspectiva dialéctica, em que arte e realidade, num jogo de acção e reacção contínuas e recíprocas, acompanham e ao mesmo tempo promovem o seu incessante desenvolvimento.
Como, a propósito de Garrett e do seu contributo para a restauração da cena nacional, escreveu António José Saraiva, «pôr o problema do teatro nacional é nada menos que pôr todo o problema da estrutura da sociedade portuguesa».
E esta, no terço derradeiro do século XIX, que elegemos para marco inicial do presente estudo, estava longe de suscitar uma renovação profunda da arte dramática (não só ao nível do textoescrito mas ainda, mais amplamente, da sua produção cénica), a qual, pela mesma época, noutros países se estava a processar. O projecto sócio-económico subjacente à revolução liberal desencadeada em 1820, que o golpe de Estado da «Vila-Francada» deteve em 1823, só a partir de 1832 pôde começar a realizar-se, com as leis de Mouzinho da Silveira e Joaquim António de Aguiar, que respectivamente vieram abolir os direitos senhoriais, reorganizar as finanças públicas e a divisão administrativa e extinguir as ordens religiosas, cujos bens foram nacionalizados. Uma burguesia de proprietários rurais, que aspirava a nobilitar-se e que constituía, no vasto corpo da nação, uma minoria privilegiada, ascende ao poder. Em 1835 estabelece-se o princípio da escolaridade obrigatória, criam-se nos anos seguintes os liceus, as escolas médicas e politécnicas.
Em 1838 funda-se a primeira associação operária. Mas o governo «setembrista» de esquerda é derrubado, em 1840, pela reacção encabeçada por Costa Cabral, que defende a agiotagem, os interesses do clero e toma várias medidas repressivas. Derrotado em 1846, Costa Cabral retoma o poder em 1849, perdendo-o definitivamente, dois anos depois, com o pronunciamento de Saldanha.
Com a Regeneração inicia-se, em 1851, a política dos «melhoramentos materiais». Um tímido surto industrial conhece, em 1856, graças à construção da rede ferroviária e estradal, um novo impulso, de que, no entanto, apenas irão beneficiar os capitais nacionais e estrangeiros (sobretudo ingleses) e os grandes agrários, e que, de resto, as estruturas arcaicas do país a breve trecho condenam ao imobilismo. Continuam por resolver os problemas das camadas sociais menos favorecidas, marginalizadas do processo político, a pequena burguesia, o artesanato, a massa campesina, a que virá juntar-se mais tarde um incipiente proletariado industrial, o que, por vezes, dá origem a movimentos populares de descontentamento, como a «Janeirinha» (1868). A industrialização do país, encetada em 1835 com a introdução da máquina a vapor, processa-se através de saltos bruscos: um ano depois de a Associação Internacional dos Trabalhadores lançar em Portugal as suas raízes, desencadeia-se, em 1872, a primeira greve; e, em 1876, uma grave crise financeira provoca a falência de vários bancos (em menos de vinte anos, de 1858 para 1875, o número de estabelecimentos bancários subira de 3 para 51), um ano após a fundação do Partido Operário Socialista, que irá realizar em 1879 o seu primeiro Congresso. Certos acontecimentos exteriores, a revolução espanhola de 1868, a unificação da Itália, a guerra franco-prussiana, a Comuna de Paris, repercutem-se no país, onde uma consciência republicana (de que as comemorações do tricentenário de Camões, em 1880, foram o agente deflagrador) começa a formar-se, sob a influência de alguns intelectuais esclarecidos e insatisfeitos.
O cansaço evidente das instituições monárquicas, a reacção nacional ao Ultimato inglês de 1890, que veio travar o sonho quimérico de expansão ultramarina, a consequente crise económica e financeira, desembocaram na abortada revolta de 31 de Janeiro de 1891, no Porto. Mas este movimento para a implantação da República, apoiado pela acção de numerosas associações pedagógicas e sindicais, e subterraneamente pela actividade de organizações secretas e das lojas maçónicas, era já irreversível: em 1901 o deputado Afonso Costa apresenta na Câmara uma moção declarando que «o povo português carece de substituir sem demora as actuais instituições políticas por outras diversas, de feição republicana»; os surtos grevistas sucedem-se (1903, 1906, 1907); mas, neste último ano, a ditadura de João Franco, cerceando drasticamente as liberdades, iria precipitar os acontecimentos: o rei Carlos I e o príncipe herdeiro Luís Filipe são assassinados em 1908, no ano seguinte o Partido Republicano reúne em Setúbal o seu congresso, que encarrega o Directório de apressar o movimento revolucionário para a instauração do novo regime, e em 5 de Outubro de 1910 a proclamação da República é saudada como a abertura de um novo capítulo na história de Portugal». In Luiz Rebello, O Teatro Naturalista e Neo-Romântico (1870-1910), Biblioteca Breve, Série Literatura, volume 16, Instituto de Cultura Portuguesa, Pdf, Livraria Bertrand, 1978, Centro Virtual Camões.

Cortesia da Biblioteca Breve/JDACT