quarta-feira, 3 de abril de 2024

A Conspiração do Graal. Lynn Sholes e Joe Moore. «… durante a viagem de autocarro através da Turquia nem a verificou no trajecto de Ancara a Londres. E, no voo para os Estados Unidos, teria visto a fita se ela tivesse caído no chão da casa de banho do avião. Era a única que faltava... A cripta»

jdact e cortesia de wikipedia

A Fita

«O básico, retrucou Thornton. A maioria informações da ficha dele na comunicação social. Ele apoiou o lápis sobre a borracha da outra extremidade. É um industrial rico, novato na cena política e está conquistando um bom número de admiradores. A plataforma dele se baseia nos valores familiares e em um carácter moral elevado. Até agora, parece não ter defeitos..., o candidato perfeito. Thornton passou para a página seguinte do seu onipresente computador de mão. É um homem dedicado à família e generoso com a própria riqueza. Um dos seus projectos preferidos é uma organização nacional que patrocina acampamentos modelos para delinquentes juvenis urbanos. E não é só com jovens problemáticos que ele trabalha. Wingate tem sido da maior importância na manutenção de alguns capítulos da Ordem DeMolay em diversas regiões do país, especialmente na Flórida, o estado natal dele. Ele tem se pronunciado vivamente contra os maus-tratos infantis e...

Espere um pouco, interrompeu Casselman. O que é DeMolay? Thornton ergueu os olhos.

A versão da Maçonaria para jovens. É uma organização para garotos entre 12 e 21 anos. Mais alguma coisa?, indagou Casselman. Não consegui descobrir grande coisa sobre ele. Wingate apareceu de repente no cenário político, como se tivesse vindo do nada. Aparentemente, tem uma considerável máquina financeira que o apoia. Ted Casselman coçou o queixo.

Vamos descobrir o que torna Wingate tão perfeito. Separe um segmento sobre ele para o domingo à noite. Vou colocar o meu pessoal nisso, prometeu Thornton. Reuniu os seus apontamentos, levantou-se e deu a volta na mesa de reuniões até onde Cotten se encontrava. Se tiver um tempinho, dê uma passada na minha sala depois da sessão de edição. Vou ver, prometeu Cotten, levantando os olhos para ele. Como foram as filmagens?, quis saber Casselman depois que Thornton deixou a sala. Muito melhor do que eu esperava. Acredite em mim, Ted, as sanções e os embargos internacionais tiveram pesadas consequências sobre as crianças e os idosos iraquianos. Vai ser uma história emocionante. Mas não vou ganhar muitos pontos com o Departamento de Estado, agora que eles estão preparando uma outra guerra.

Bom, isso quase garante uma pontuação alta nas pesquisas de audiência. Ele se levantou. Vamos, vou acompanhá-la até a sua sessão de edição. Ele pôs o braço no ombro dela, conduzindo-a à porta. Você me deu muitas noites de insônia, mocinha. Mas também mostrou coragem. Uma ciscadora. Gosto disso. Agora, quero ver o que tenho em troca de mais alguns cabelos brancos. Não vai se arrepender, Ted. Cotten gostava de Casselman e o respeitava. Sentia muito por fazê-lo preocupar-se tanto com ela. E ele era alguém que podia ajudá-la a galgar rapidamente dois degraus de uma vez na escada hierárquica da carreira.

Entraram na sala B de edição. O ambiente estava às escuras, a não ser pelo brilho suave da parede de monitores e das luzes indicadoras nas bancadas dos controles eletrónicos. Fiz cópias do roteiro e dos meus apontamentos, informou ela, estendendo uma pasta para Casselman e outra para o editor. Por enquanto, podemos gravar uma fita de rascunho para editarmos e deixar para introduzir a locução mais tarde. Ela sorriu para o editor-assistente. Vamos precisar de algumas inserções da biblioteca de sonoplastia... temas dramáticos, sombrios. Ah, e algumas informações históricas sobre o povo. Médio Oriente. Em seguida, Cotten descarregou a sacola de filmes. Todos os vídeos estavam numerados e ela os empilhou em ordem.

Ah, droga!, exclamou. Desfez a pilha de filmes, verificando cada rótulo outra vez. O que foi?, Casselman desviou o olhar do roteiro. Eu... Ele deixou a pasta de lado. Cotten? Vocês terão de começar sem mim, disse ela.

Tyler

Cotten escancarou a porta do apartamento e correu para o quarto. Lembrava-se de ter ficado sentada na cama na noite anterior, esvaziando a sacola e tirando a caixa. Essa tinha sido a única ocasião em que o videocassete que faltava poderia ter caído. De gatinhas, ela levantou a colcha e examinou por baixo da cama. Nada ali.

Sentou-se e correu os dedos pelos cabelos, examinando o resto do tapete que cobria a maior parte do piso do dormitório. Ela não tinha aberto a sacola durante a viagem de autocarro através da Turquia nem a verificou no trajecto de Ancara a Londres. E, no voo para os Estados Unidos, teria visto a fita se ela tivesse caído no chão da casa de banho do avião. Era a única que faltava... A cripta». In Lynn Sholes e Joe Moore, A Conspiração do Graal, 2005, Clube do Autor, 2020, ISBN 978-989-724-534-3.

Cortesia do CdoAutor/JDACT

JDACT, Lynn Sholes, Joe Moore, Literatura, Mistério, Médio Oriente,