segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Rio a Dentro. Rio Tejo. Natureza. «Apreciar os «volumosos» ninhos das águias pesqueiras. Contactar com os cavalos da Coudelaria Alter Real, os Puros Lusitanos, que se encontram num «mouchão», ilhas onde só as aves habitam, onde pernoitam e nidificam»

Cortesia de ruiletra

«A menos de 40 minutos de Lisboa, fica um dos lugares mais encantadores do país. Trata-se do rio Tejo. Pode navegar-se silenciosamente a bordo do Rio-a-Dentro, confortável e dotado de boa visibilidade. Os promotores escolhem o mais bonito troço do rio Tejo, onde as margens são verdejantes, serpenteando por entre ilhas, praias e bancos de areia». Apreciar de perto as mais diversas espécies de aves, as elegantes garças brancas, as mais corpulentas e cinzentas garças reais. Apreciar os «volumosos» ninhos das águias pesqueiras. Contactar com os cavalos da Coudelaria Alter Real, os Puros Lusitanos, que se encontram num «mouchão», ilhas onde só as aves habitam, onde pernoitam e nidificam.





jdact

Segundo o RL, o rio Tejo todos os dias é diferente e guarda sempre surpresas para quem navega nele. A cultura avieira é uma característica a preservar, onde o barco é a peça central da sua actividade piscatória, que se detecta nas variadas bóias que assinalam as redes que se encontram no leito do rio.

A candidatura da cultura «avieira» a património nacional, é um projecto que está a ser dinamizado pelo Instituto Politécnico de Santarém/Escola Superior de Educação de Santarém, pela AIDIA, Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça e pela ANMPN, Associação Náutica da Marina do Parque das Nações.





jdact

Rio a Dentro levou-me a descobrir recantos deslumbrantes, quiçá, mágicos, a Natureza aqui tão perto. Canais navegáveis que desconhecia e cheios de beleza distinta, recantos da Natureza. O RL afirma que estes canais, entre a margem esquerda e as ilhas ou «mouchões», são raramente navegados por outros. Sente prazer em dar a conhecer estes «caminhos», afirma. Obrigado!

Com a amizade de RL.
JDACT

domingo, 28 de agosto de 2011

Poesia. Lília da Fonseca. Poemas da Hora Presente. «Quis cantar e a voz ficou-se no espaço onde um pássaro voava, era da cor do pensamento que é mais vasto do que o espaço, que é mais vasto do que tudo»

Cortesia de orion

Cantico ao Amanhecer
Eu já não sou aquele frágil ser
que morria de angústia e desespero
por ir vogando, vogando sem rumo,
vogando, vogando na corrente da vida
para a morte…

Chocada,
magoada,
sensitiva…

Que formosura na sombra do mundo amanheceu,
que perfume de primavera estua nos caminhos,
que tudo se transforma
e acorda em sobressalto!
Eu dei as minhas mãos às mãos que vi estendidas,
juntei a minha voz ao cântico do amanhecer,
que reboa comovidamente
pleno de esperança e juventude,
e confundi meu coração
com os de todos os irmãos da minha humanidade.

E o frágil ser,
Chocado, magoado, sensitivo,
Morreu…

E só então pude exclamar:
Vida, vida, como eu te atraiçoava,
esperando tudo de ti
sem nada de mim te dar!

Na sombra do mundo estua a primavera
como sinal de um cântico que amanheceu!


Ó tu, que vens do fundo da noite!
Quis gritar
e o grito morreu numa floresta de sonho.

Quis cantar
e a voz ficou-se no espaço
onde um pássaro voava
(não era azul, nem cinzento, nem verde)
era da cor do pensamento
que é mais vasto do que o espaço,
que é mais vasto do que tudo.

Quis chorar
e nas montanhas
das pedras nasceram homens, dos homens nasceram uivos...
e sem gritos, sem Cantos, sem choros
eu encontrei-te, o tu,
que vens do fundo da noite...
Poemas de Lília da Fonseca, in «Poemas da Hora Presente»
(1958)


JDACT

sábado, 27 de agosto de 2011

Considerações sobre o Furacão IRENE. Dados complementares inerentes com a mensagem do pp dia 24 de Agosto. Centrado em 35,5N e 76,3W às 18 UTC de hoje (27AGO2011)

Cortesia de noaa

BOLETIN HURACAN IRENE ADVERTENCIA INTERMEDIA NUMERO 29A
NWS CENTRO NACIONAL DE HURACANES MIAMI FL AL092011
TRADUCCION EMITIDA POR SERVICIO NACIONAL DE METEOROLOGIA SAN JUAN PR
200 PM EDT SABADO 27 DE AGOSTO DE 2011
...IRENE MOVIENDOSE A TRAVES DEL ESTE DE CAROLINA DEL NORTE...
RESUMEN DE LAS 2:00 PM EDT...1800 UTC...INFORMACION
LOCALIZACION...35.5 NORTE 76.3 OESTE
CERCA DE 45 MILLAS...70 KM AL OESTE NOROESTE DE CAPE HATTERAS CAROLINA DEL NORTE CERCA DE 95 MILLAS...155 KM AL SUR DE NORFOLK VIRGINIA
VIENTOS MAXIMOS SOSTENIDOS...85 MPH...140 KM/H
MOVIMIENTO ACTUAL...NOR NORESTE O 15 GRADOS A 13 MPH...20 KM/H
PRESION MINIMA CENTRAL...950 MILIBARAS...28.05 PULGADAS.

VIGILANCIAS Y AVISOS
CAMBIOS EN VIGILANCIAS Y AVISOS CON ESTA ADVERTENCIA...
ENVIRONMENT CANADA HA EMITIDO UN AVISO DE TORMENTA TROPICAL DESDE LA
FRONTERA DE LOS ESTADOS UNIDOS HACIA EL NORESTE A FORT LAWRENCE INCLUYENDO GRAND MANAN...Y PARA LA COSTA SUR DE NUEVA ESCOCIA DESDE FORT LAWRENCE A PORTERS LAKE.

RESUMEN DE VIGILANCIAS Y AVISOS EN EFECTO...
UN AVISO DE HURACAN ESTA EN EFECTO PARA...
* DESDE LA ENTRADA DE LITTLE RIVER CAROLINA DEL NORTE HACIA EL NORTE HASTA SAGAMORE BEACH MASSACHUSETTS...INCLUYENDO PAMLICO... ALBEMARLE...Y CURRITUCK SOUNDS...DELAWARE BAY...Y CHESAPEAKE BAY AL SUR DE DRUM POINT...NEW YORK CITY...LONG ISLAND...LONG ISLAND SOUND...COASTAL CONNECTICUT Y RHODE ISLAND...BLOCK ISLAND...MARTHAS VINEYARD Y NANTUCKET.

Cortesia de noaa

UN AVISO DE TORMENTA TROPICAL ESTA EN EFECTO PARA...
* CHESAPEAKE BAY DESDE DRUM POINT HACIA EL NORTE Y EL TIDAL POTOMAC.
* DESDE EL NORTE DE SAGAMORE BEACH HASTA EASTPORT MAINE.
* DESDE LA FRONTERA DE LOS ESTADOS UNIDOS HACIA EL NORESTE A FORT
LAWRENCE INCLUYENDO GRAND MANAN.
* LA COSTA SUR DE NUEVA ESCOCIA DESDE FORT LAWRENCE A PORTERS LAKE.

INTERESES EN EL RESTO DE CANADA DEBEN MONITOREAR EL PROGRESO DE IRENE.
PARA INFORMACION ESPECIFICA DE SU AREA EN LOS ESTADOS UNIDOS INCLUYENDO LA POSIBILIDAD DE VIGILANCIAS Y AVISOS SOBRE TIERRA...FAVOR DE MONITOREAR PRODUCTOS EMITIDOS POR SU OFICINA LOCAL DEL SERVICIO NACIONAL DE METEOROLOGIA.

DISCUSION Y PERSPECTIVAS PARA LAS PROXIMAS 48 HORAS
A LAS 2:00 PM EDT...1800 UTC...EL CENTRO DEL HURACAN IRENE ESTABA
LOCALIZADO CERCA DE LA LATITUD 35.5 NORTE...LONGITUD 76.3 OESTE.
IRENE SE MUEVE HACIA EL NOR NORESTE A CERCA DE 13 MPH...20 KM/H. SE
ESPERA UN MOVIMIENTO HACIA EL NORTE NORESTE CON UN AUMENTO LEVE EN
VELOCIDAD DURANTE EL PROXIMO DIA APROXIMADAMENTE. EN LA TRAYECTORIA
PRONOSTICADA...EL CENTRO DE IRENE SE MOVERA A TRAVES DEL NORESTE DE
CAROLINA DEL NORTE ESTA TARDE. SE PRONOSTICA QUE EL HURACAN SE MUEVA
CERCA O SOBRE LA COSTA DEL ATLANTICO MEDIO ESTA NOCHE Y SE MUEVA
SOBRE EL SUR DE NUEVA INGLATERRA EL DOMINGO.



Cortesia de noaa

LOS VIENTOS MAXIMOS SOSTENIDOS PERMANECEN CERCA DE 85 MILLAS... 140 KM CON RAFAGAS MAS ALTAS. SE PRONOSTICA ALGO DE DEBILITAMIENTO MIENTRAS IRENE CRUCE EL ESTE DE CAROLINA DEL NORTE...PERO IRENE SE ESPERA PERMANEZCA CERCA DE INTENSIDAD DE HURACAN MIENTRAS SE MUEVE CERCA O SOBRE LOS ESTADOS DEL ATLANTICO MEDIO Y SE ACERQUE A NUEVA INGLATERRA.


Cortesia de noaa

LA ULTIMA PRESION MINIMA CENTRAL REPORTADA POR UN AVION CAZA HURACANES DE LA RESERVA DE LA FUERZA AEREA FUE DE 950 MB...28.05 PULGADAS.

Cortesia da NOAA
JDACT

Leituras. Parte XV. António C. Franco: Memória de Inês de Castro. A Torre. «Constança, filha do primeiro casamento de João Manuel, tinha na altura onze anos incompletos, ainda que as suas ancas tomassem perfil, um perfil bem avolumado, no tule acetinado do vestido. A mulher era nesse tempo, sobretudo antes de casar, um sério trunfo diplomático»

Cortesia de pea

A Torre
«A carta que o rei Afonso IV escreveu então ao seu primo rei de Castela, Afonso XI, foi em muitos sentidos o primeiro acto do seu governo. Ela coincidiu com toda a ordenação regimental das Cortes de Évora realizadas já no fogo da Primavera. A carta exprimia ao primo o júbilo de o ver reinar como filho de rainha portuguesa e pedia-lhe finalmente que, por motivos de vária ordem, não desse asilo a seu meio-irmão Afonso Sanches. É provável que a carta tenha sido redigida num dos átrios do palácio de Évora, onde o rei recebia à arde os procuradores e os senhorios.
Afonso XI tinha acabado de chegar a uma maioridade forçada e recebeu essa carta, escrita talvez por entre a cal fresca das paredes da cidade de Évora, no meio das atribulações do seu sucesso. Tinha apenas catorze anos, mas raramente abandonava a sua cota de ferro ou o seu montante. Tinha-se criado na labareda do desastre que tinha sido a morte de seu pai em 1312,logo seguido da mãe em 1313. A regência do reino foi a história acidental de algumas mortes, uma das quais a da sua própria mãe. Mas, a regência do reino foi também a persistente ascensão dum nome: o de João Manuel, fidalgo castelhano, nascido em Escalona em 1282. O pai deste fidalgo era filho de Fernando, o Santo, e era por isso irmão de Afonso, o Sábio, compilador dum cancioneiro poético em galaico-português, que reinou de 1252 a 1284. Este parentesco tão chegado a Afonso X deu a João Manuel uma imagem tutelar, de que nunca mais se libertou. A importância da estrela de João Manuel era já de tal ordem que, depois das Cortes de Valadolid, que tiveram lugar no Verão infernal de 1325, onde se confirmou o filho de Fernando IV no trono de Castela, Afonso XI pede ao fidalgo, ainda seu parente, a mão da filha, chamada Constança.

Cortesia de wikipedia

Constança, filha do primeiro casamento de João Manuel, tinha na altura onze anos incompletos, ainda que as suas ancas tomassem perfil, um perfil bem avolumado, no tule acetinado do vestido. A mulher era nesse tempo, sobretudo antes de casar, um sério trunfo diplomático. Podiam-se fazer ou desfazer reinos consoante a existência ou não existência dum certo tipo de mulheres. Conferia-se à mulher um poder simbólico, que, apesar de aparentemente vazio, tinha mais efectividade que qualquer outro. Passiva, silenciosa e a maior parte das vezes ausente, a mulher aparecia-nos como um ser contemplativo que mudava o mundo consoante a sua própria sorte. Não tinha o dom frontal da palavra, o que a afastava dos lugares de Estado, nem o dom da força, o que lhe vedava desde logo os lugares da guerra, mas tinha a irrequieta beleza das coisas intemporais, que a levava por vezes a ser o bojo desconhecido de todos os destinos. Pode-se comparar; nesse tempo, a mulher com uma flor ou com um pássaro. Ela, a mulher, estava entre o estuque das paredes como numa gaiola não de vidro, mas de oiro, e o seu poder era imenso.
Cantava em segredo, no recôndito dos quartos e dos seres, como um enigma, uma diferença que todos admiravam. A própria homossexualidade lhe era homenagem, um pudor que lhe era consagrado. Constança Manuel tinha estado já, apesar da idade, e talvez por isso mesmo, prometida em casamento. A promessa de casamento era, no fundo, uma promessa de aliança, aliança entre duas casas, entre duas famílias ou até aliança entre dois reinos. Trocava-se uma tal promessa como se troca, na vida civil, um contrato menos rendoso por outro mais vantajoso. É claro que um tal contrato tinha na época uma rentabilidade que não passava propriamente pela moeda. A moeda era um emblema, um brasão, um distintivo, um sinal e até uma sabedoria; e não uma forma de multiplicação. A moeda não estava ainda vulgarizada e deve ser mais vista como um objecto a ser estudado pela heráldica, do que pela economia. A facilidade com que se trocavam contratos era também a facilidade com que se podia cair em desgraça. Quando João Manuel, o fidalgo de Escalona, aceitou o pedido de Afonso XI, estava no seu palácio de Toledo, cidade que tinha na altura o mais rico simbolismo peninsular. Ele não pode, porém, imaginar que João, «o Torto», a quem Constança Manuel tinha estado prometida, fosse envenenado. Eram não só os casamentos que se desfaziam como atilhos, mas também as vidas.

Cortesia de wikipedia

Conta-se que foi justamente para iludir a aliança entre João Manuel e João, «o Torto», que o rei pediu Constança em casamento. E conta-se ainda que no Inverno frio, que desceu sobre os penhascos da Mancha, João, «oTorto», teria avistado ao fundo, no sopé duma pequena encosta um belo castelo com janelas de ouro torres de diamante. A Mancha é, de facto, propícia a essas aparições fantásticas, que diferem substancialmente daquelas que é possível conceber a partir do mar. A pobreza da terra, uma terra que vive sobretudo da transumância, cria aí ilusões, que se reconvertem constantemente em cinza. Foi por isso um péssimo sinal essa labareda destilada ao poente e rapidamente humedecida em cinza. É típico do ibérico da meseta perseguir essas visões, até à perigosa derrocada de todas as suas torres. Tudo se desfaz, ficando apenas, nesse último instante, o presságio íntimo dum encontro perdido.
O casamento não era ainda o matrimónio. O primeiro era assistido por um inumerável conjunto de circunstâncias, que faziam dele mais um acto diplomático do que propriamente uma questão de paixão. O segundo requeria já menos razão mais paixão e era, pensava-se, o laço necessário que uniria, depois de vinculados pela igreja, o homem e a mulher. Foi no fim do Verão desse ano de 1325 que o jovem rei Afonso XI recebeu a bênção do casamento com Constança Manuel. Valadolid é uma cidade triste, onde desembarcam, como que chegados do infinito, as mais poeirentas carroças da meseta. O mar biscainho fica suficientemente longo para não se dar por ele e só a poalha da terra sopra por entre as apertadas ruas da cidade; Constança Manuel era uma adolescente, com a luminosidade própria da idade, e não propriamente uma menina. Repare-se que uma menina não tem memória de qualquer espécie, enquanto uma adolescente olha para o passado e sente, talvez pela primeira vez, uma indefinida melancolia, que é o limiar mesmo da memória. Constança entrançava o seu cabelo louro, dispunha dum conjunto de coifas, que não cabiam quase no quarto, e usava já uma cinta para o busto. O adiamento do matrimónio, se a deixou aparentemente indiferente, despertou--lhe no íntimo uma esperança, que lhe alimentava ardentemente os dias. Viu o jovem Afonso XI entre as colunas do átrio do palácio de Valadolid, quando este despedia os homens dos Concelhos. Avistou-o, mas ficou, só por isso, vivamente impressionada. Um fogo abrasado passou-lhe a subir ao rosto quando, no sossego do seu quarto, com a janela aberta sobre a Meseta, pensava nele. Quando se pensa em alguém que se não conhece mas se deseja o coração parece dar o sinal do que se requer. A exaltação é sempre um estado de ânsia e de desconhecimento, que mistura em si a água, isto é o mistério, e o fogo». In António Cândido Franco, Memória de Inês de Castro, Publicações Europa-América, 1990, edição nº 103310, Depósito Legal nº 33344/90.

Cortesia de PE América/JDACT

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A Bela Música. Julian Rachlin. «Nascido na Lituânia, emigrou para a Áustria. Em Julho de 2000, recebeu um dos mais prestigiantes prémios internacionais, o Prémio da Accademia Musicale Chigiana. Desenvolve parte da sua actividade artística nos mais relevantes festivais internacionais, incluindo os de Salzburgo, Ravinia, Tangelwood, Londres, Lucerna, Montreux e Verbier»

Cortesia de sangamonauditorium

















Cortesia da FC Gulbenkian/JDACT

Fundação Oriente. Exposição Permanente. Deuses da Ásia. «A exposição procura, isso sim, tornar conhecidos certos aspectos da arte religiosa na Ásia, sobretudo ao nível popular, e introduzir a mitologia ainda viva que está subjacente aos objectos apresentados. Daí estarem representadas as grandes religiões do continente, o hinduísmo, o budismo, o taoísmo, o shintô»


Cortesia da foriente

Deuses da Ásia
  • «“Sobre os deuses, nada posso afirmar, nem que existem nem que não existem: muitas coisas o impedem de saber, a começar pelo lado obscuro que envolve a pergunta, e a seguir pela brevidade da vida humana”, Protágoras (século V a.C.)
“Deuses da Ásia”, e não “Os deuses da Ásia”, o que seria uma pretensão ridícula, é um título que corre o risco de gerar grandes equívocos. Somos vítimas da inadequação das palavras de uma língua para a outra, e mais particularmente quando se trata da palavra deus. Os termos monoteísta e politeísta são noções ocidentais muito mal adaptadas quando se trata do hinduísmo ou do taoísmo. Os primeiros missionários ocidentais que chegaram à Ásia falavam dos idólatras sempre que viam em templos estas estátuas que lhes pareciam estranhas. No entanto, mal começamos a informar sobre as grandes religiões asiáticas, são, antes de tudo, as semelhanças com as grandes religiões ocidentais que espantam quem tente abstrair-se dos preconceitos correntes. A ideia do Deus único, que alguns consideram ser a grande contribuição da religião judaica, já vigorava na Ásia. O Brahman do hinduísmo, o Tao dos chineses são o Único, a Origem de tudo, e tudo neles existe. Seria ridículo para os hindus e taoistas verem representados o Brahman ou o Tao sob os traços de um ancião de barba branca, não tanto pelo facto que isto possa ser um sacrilégio, como o pensam os islamitas, mas porque tanto um como o outro escapam ao entendimento humano e situam-se para além de qualquer forma. A ideia de que “Deus fez o homem à sua imagem” transforma-se rapidamente em “o homem fez Deus à sua imagem”. Mas quando se trata de religiões asiáticas, fala-se de deuses quando no Ocidente utilizar-se-ia um outro termo. Os deuses hinduístas são, de facto, manifestações diversas do Brahman actuando no mundo e como tais podem ser representados.

Cortesia da foriente

Os deuses chineses são mais aparentados aos santos do cristianismo. Cada um deles tem uma função, como Santo Elói é o patrono dos ourives ou Santa Genoveva é a padroeira de Paris, que neste caso, para os chineses, seria conhecida como deusa do Solo de Paris.
Algumas das semelhanças que existem entre todas as religiões são surpreendentes. A ideia da trindade é central no hinduísmo. Visto que tudo o que nasce tem que morrer, o Brahman manifesta-se enquanto criador, conservador e destruidor, o que se traduz pelas suas três manifestações, Brahma, Vishnu e Shiva. Vishnu incarna-se como Deus se incarnou em Jesus Cristo. Os chineses são mais abstractos nesta matéria, já que para eles é do Três que nascem todos os seres.
Cada fundador de religião é inseparável do meio em que apareceu. Tal como o Novo Testamento não é compreensível se a sua mensagem não for situada no contexto do Antigo Testamento, a mensagem do Buda Shakyamuni foi anunciada numa sociedade hinduísta e não põe em causa a crença nas reincarnações e no karma. A religião taoista torna-se incompreensível se for omitida a filosofia taoista que a precedeu e as crenças da antiguidade chinesa. Um outro ponto comum é que a mensagem original é vítima do que fizeram dela os discípulos ou sobretudo depois, os fiéis, já que os fundadores nunca escreveram uma linha. Nem Jesus Cristo, nem Shakyamuni, nem Zhang Daoling deixaram algum escrito. Foi somente por testemunhos que se pôde conhecer o seu pensamento, o que não deixa de ser assustador quando nos lembramos do que estes valem.

Cortesia da foriente

Tal como Jesus Cristo não concordaria com o que as Igrejas, ao longo dos séculos, fizeram com a sua mensagem, Shakyamuni não reconheceria o seu pensamento nas elaborações dos que quiseram divulgar o seu contributo. Muitos fundadores de religiões quiseram fornecer apenas uma resposta a uma pergunta precisa. Tal como Jesus Cristo quis introduzir a misericórdia. Shakyamuni quis encontrar uma via para escapar aos sofrimentos da existência. Tal como Jesus Cristo não pôs em causa o Deus da Bíblia, Shakyamuni não se pronunciou sobre o Brahman ou o nirvana, de tal maneira que chegou a dizer-se que o budismo era uma religião sem deus. Apesar do que se escreveu, o judaísmo, o cristianismo e o Islão não são as únicas religiões do livro. O budismo, o jainismo e o taoísmo têm como base textos que nada devem aos da Bíblia ou do Corão. Quanto às mirabilia que espalham todas as crenças de cada lado dos Urais, é preciso reconhecer que os pensadores asiáticos souberam distinguir entre uma leitura dos textos ao primeiro grau, que suscita a admiração das multidões, e a sua interpretação a um nível filosófico ou teológico, para que seja entendido o sentido profundo. Donde vêm as semelhanças entre todas as grandes religiões? Da natureza própria do espírito humano? De uma história comum da humanidade que remonta à origem dos tempos? As influências factuais parecem ser, no entanto, limitadas, mesmo que se lembre que a auréola dos nossos santos provém da aura de luz que se põe à volta dos Budas na Ásia e que a ideia do Inferno, com os seus caldeirões fumegantes e os seus fogos devoradores são originários também do Oriente (com a diferença que no Oriente o Inferno não é eterno).

Cortesia da foriente

Pode-se dizer, como o escreveu um pensador indiano, que todos os homens veneram o mesmo deus sob nomes diferentes? Não. Se o conceito de um deus único existe nas religiões asiáticas e já que todas as religiões do mundo conheceram reveses por vezes pouco brilhantes e contrárias ao seu pensamento original, e que algumas particularidades se encontram em todas, seria falacioso não ver as diferenças próprias de cada uma. O taoísmo fornece uma explicação do mundo, mas cada um é livre de poder aceitá-la ou não e não desenvolve nenhum tipo de proselitismo. O budismo procura apagar o sofrimento, esperando que todos os homens possam usufruir da sua mensagem, mas sem a impor, e quis-se tolerante no que toca às crenças locais antigas, visto que admite a existência de espíritos no meio dos seres. No que toca às diferenças teológicas, estas poderiam dar lugar a debates intermináveis.

Cortesia da foriente

Mas não é esta a intenção da exposição. Nem tão pouco apresentar deuses da Índia, da Indonésia, de Mianmar, da Tailândia, da China, do Vietname, da Coreia e do Japão com a preocupação de limitar as crenças dos outros ao conteúdo de imagens pitorescas ou belas, mas sim de mostrar que elas merecem o mesmo respeito que nós prestamos às nossas.
A exposição procura, isso sim, tornar conhecidos certos aspectos da arte religiosa na Ásia, sobretudo ao nível popular, e introduzir a mitologia ainda viva que está subjacente aos objectos apresentados. Daí estarem representadas as grandes religiões do continente, o hinduísmo, o budismo, o taoísmo, o shintô. Uma vez que a palavra ocidental “deus”, corresponde mais a conceitos asiáticos abstractos como Brama, na Índia, e Tao, na China, os seres sobrenaturais representados são muito mais manifestações do divino no mundo humano». In Fundação Oriente, Exposição Permanente, Deuses da Ásia, Museu do Oriente.

Cortesia de Fundação Oriente/JDACT

Manuel Cadafaz Matos. Para uma História da Imprensa e da Censura em Portugal nos Séculos XIV a XVI: «Documentos analisados por Henri-Jean Martin provam as ligações da “técnica da punção” em ourivesaria com a técnica de impressão com caracteres móveis. Gutemberg, em quem se vê tradicionalmente o inventor da imprensa, tinha, segundo revela aquele especialista, sido ourives»

Cortesia de paulocampos

Gutemberg e a técnica das punções na ourivesaria alemã do século XV
A “descoberta” ou “invenção”, chamemos-lhe assim por comodidade de expressão, da imprensa na Europa, atribuída a Hans Gensfleich de Mogúncia, mais conhecido por Gutemberg (1397-1468), apresenta algumas características basilares, como tentámos comprovar, idênticas às técnicas de impressão também conhecidas em outras regiões do globo.
Gutemberg veio, porém, introduzir algumas modificações nesse mesmo sistema. A sua técnica inovadora não se afirmaria, seguramente, não fora o contributo dado pela ourivesaria alemã desse século XV. Ele conhecia, com efeito, e tal facto encontra-se documentalmente comprovado, a técnica das punções utilizadas pelos ourives na Europa de então, em particular na sua cidade de Mogúncia. Tal técnica terá, decerto, influenciado este mestre da arte de impressão no sentido de utilizar caracteres móveis que imprimissem, em certa medida, com base neste mesmo princípio de reprografia.
Alguns documentos analisados por Henri-Jean Martin provam bem das ligações estreitas da «técnica da punção» em ourivesaria com a técnica de impressão com caracteres móveis. Gutemberg, em quem se vê tradicionalmente e com uma certa justeza o inventor da imprensa, tinha, de facto e segundo revela aquele especialista sido ourives.


Cortesia de arquivodaudecoimbra

Ourives foi-o também Procope Waldvogel de Praga, que desenvolvia ao mesmo tempo pesquisas análogas às do técnico de Mogúncia. Ourives ainda foram-no muitos mestres impressores da primeira geração, de Balois, nomeadamente, aliás muitas vezes inscritos nas corporações de ourives. Também principiou nessa mesma Arte o impressor de Nuremberga Anthoni de Koberger, muitas vezes considerado, ainda segundo aquele especialista, o editor mais poderoso do seu tempo.
A vasta bibliografia, e obras manuscritas inclusive, analisada por Henri-Jean Martin levaram-no a concluir, com efeito, que «os primeiros livros impressos não saíram de oficinas xilográficas adaptadas à sua nova função: eles foram antes realizados por especialistas do metal».
Foi, de facto, Gutemberg, quem se terá lembrado, a partir de tais princípios ou técnicas, de «utilizar uma prensa para imprimir, além de haver introduzido grandes modificações no método usado para obtenção dos caractéres, fundindo-os em moldes apropriados».
Cabendo-lhe a ideia de ter sido quem primeiro compôs uma página apenas com a ajuda de caractéres móveis, a mais antiga impressão deste tipo, data, segundo Krejca Ales de 1454 e a primeira obra autêntica, nos mesmos moldes, de 1457.
Vítor Falcão dá-nos, porém, já em 1936 e com maior rigor, a partir de um documento de A. Ruppel, então director do Museu Gutemberg, de Mogúncia, o posicionamento cronológico das “descobertas” e laboriosa acção desse impressor germânico.

Cortesia de hirondino

Observando-se, com efeito, as mais antigas obras tipográficas conservadas naquela unidade museológica, conclui-se que o «Fragmento do Juízo Final», de data ainda incerta, é a primeira saída de uma prensa de imprimir outrora ali existente. O tipo de produção patente nesse trabalho, refere Ruppel, «é o primitivo de Gutemberg, que foi utilizado igualmente em bom número de gramáticas latinas, calendários, etc.».
Um desses calendários data de 1448, devendo a sua impressão ter sido feita nos finais de 1447 e já com uma técnica de fundição e de composição bastante avançada. Ora isso leva a admitir que se tal calendário é de 1447, o referido «Fragmento do Juízo Final», de técnica ainda não tanto apurada, é de alguns anos antes, podendo-se admitir o de 1445. Ele terá sido executado, assim, cerca de um ano depois de Gutemberg ter regressado a Mogúncia». In Manuel Cadafaz Matos, Para uma História da Imprensa e da Censura em Portugal nos Séculos XIV a XVI, Publicação do Arquivo da Universidade de Coimbra 1986.

(Continua)
Cortesia do Arquivo da Universidade de Coimbra/JDACT

Imprensa em Portugal no século XVII. «A "Gazeta" teve, assim, a seu cargo a difusão das notícias de Portugal e das que vinham de fora, tornando-se, desta maneira, o principal órgão informativo da Restauração. Era publicada mensalmente e impressa na oficina de Lourenço de Antuérpia, tendo o privilégio real»

Cortesia de 2crbucp

Imprensa em Portugal até ao século XVII
«O aparecimento da imprensa em Portugal coincide com a «Restauração». A «Gazeta da Restauração», que apareceu em Lisboa em Novembro de 1641, é considerada o primeiro periódico português e tinha como objectivo relatar as notícias deste período, marcando, desta forma, o início da propaganda política da nação. Em menor escala relatava ainda a vida quotidiana lisboeta.
Com o final da «guerra dos Trinta Anos», as nações começaram a consciencializar-se das lutas em favor da hegemonia política da Europa e dos seus sucessos, para daí estabelecerem comparações. Diminuíam assim a distância geográfica e identificavam-se com estes sucessos.
Assim, a imprensa periódica portuguesa tornou-se um veículo capaz de transmitir as notícias da história dos povos. A «Gazeta» teve, assim, a seu cargo a difusão das notícias de Portugal e das que vinham de fora, tornando-se, desta maneira, o principal órgão informativo da Restauração. Era publicada mensalmente e impressa na oficina de Lourenço de Antuérpia, tendo o privilégio real.

Este periódico era muito rico em notícias que chegavam do estrangeiro, ao mesmo tempo que veiculava as notícias do reino de Portugal, permitindo aos que estavam longe do reino conhecer os rumos da administração pública portuguesa e da vida da corte. Era este o conceito de patriotismo. Porém, as notícias relatadas não exerciam grande influência sobre a diplomacia portuguesa, para além de, muitas vezes, serem contraditórias, criando discórdias que afectavam a política interna.

Cortesia de valiteratura

De 19 de Agosto a Outubro de 1642, a «Gazeta» foi suspensa, aparecendo a partir desta data só com notícias do estrangeiro e, a 27 de Setembro de 1647, foi extinta. Até 1663 circularam algumas folhas com o noticiário da guerra da Restauração. Em Janeiro daquele ano apareceu o «Mercúrio Português» de influência marcadamente francesa, sendo o seu redactor o diplomata António de Sousa de Macedo, que surgiu na época mais conturbada da Restauração, quando era necessário incutir nos portugueses a esperança da próxima vitória. Manteve as mesmas características da «Gazeta», isto é, as notícias do reino e da sua guerra com Espanha, propaganda da guerra e poucas notícias mundanas, embora já tivesse um cariz político acentuado.
Porém, o objectivo do «Mercúrio» era mais lato: pretendia junto das nações europeias, principalmente a França, fazer pressão sobre a Espanha no sentido de deixar de hostilizar Portugal. Publicado mensalmente, muitas vezes incluía suplementos com notícias importantes. Em Julho de 1667, o «Mercúrio Português» desapareceu. Com a excepção da publicação, em Lisboa, do primeiro semanário português, o «Mercúrio da Europa», em 1689, que só incluía notícias do estrangeiro, não existiu qualquer outra publicação periódica até ao final do século XVII». In Wikipédia, Imprensa em Portugal até ao século XVII. In Infopédia, Porto, Porto Editora, 2003-2011, http://www.infopedia.pt/$imprensa-em-portugal-ate-ao-seculo-xvii>.

Cortesia de Wikipédia/Infopédia/JDACT

Fundação Oriente. Exposição Permanente. Presença Portuguesa na Ásia. «Um pequeno conjunto de desenhos e uma encantadora pinturinha lembram a prolongada presença de vinte e sete anos em Macau do famoso pintor britânico Georges Chinnery (1774-1852), expoente do paisagismo romântico no Oriente, que deixou um notável registo das paisagens urbana, natural e humana do território no derradeiro período do seu esplendor como entreposto entre a China e o Ocidente»


Cortesia da foriente

Presença Portuguesa na Ásia
«O conceito gerador deste grande módulo expositivo foi a construção de uma utopia oriental pelos Portugueses, desde o século XV até aos nossos dias, baseada no comércio, na missionação e no encontro de culturas. Dados os referidos condicionalismos da colecção alusiva à presença portuguesa na Ásia, houve que fazer um enorme esforço de conceptualização e de encenação narrativa para de algum modo potenciar os seus indiscutíveis valores e minorar as suas fraquezas. O visitante é acolhido no espaço central do piso 1, que é dedicado a Macau, território outrora sob administração portuguesa onde foi fundada a Fundação Oriente, em 1988. Este amplo espaço é dominado pela exposição de quatro magníficos biombos chineses da colecção: o mais antigo representa uma nau portuguesa nos mares da China e encontra-se ladeado por outros dois, um de carácter essencialmente decorativo, decorado com as armas da família Gonçalves Zarco, e um outro, dito “do Coromandel”, com interessante iconografia cristã, eco da escola de pintura criada no Japão pelos Jesuítas, que mais tarde se estenderia a Macau. O quarto biombo, raríssimo exemplar decorado com as representações das cidades de Cantão e de Macau, encontra-se junto à secção dedicada à iconografia da Cidade do Nome de Deus de Macau, com exemplares que remontam aos séculos XVII e XVIII e se estendem pelo século XIX.

Uma estátua em granito, representando toscamente um holandês, evoca a tentativa frustrada de conquista de Macau pelos Holandeses, em 1622. Neste módulo expositivo destacam-se ainda várias pinturas e gravuras do chamado período “China Trade” (séculos XVIII-XIX), tanto de autores ocidentais como de autores chineses. Um pequeno conjunto de desenhos e uma encantadora pinturinha lembram a prolongada presença de vinte e sete anos em Macau do famoso pintor britânico Georges Chinnery (1774-1852), expoente do paisagismo romântico no Oriente, que deixou um notável registo das paisagens urbana, natural e humana do território no derradeiro período do seu esplendor como entreposto entre a China e o Ocidente. Nas vistas da Praia Grande ou das sampanas junto ao Templo de A-Má surpreendem-se instantâneos do quotidiano que envolvem dominantemente a presença da população chinesa nas suas tarefas, em cenários marcados por uma nostálgica presença europeia.

O papel de Macau no comércio internacional está extensivamente documentado na secção oposta, salientando-se a colecção de porcelana brasonada, formando, na disposição de pratos, travessas, terrinas ou jarras, um dragão.
Cortesia da foriente

Contudo, não deixam de ser significativas as séries de gouaches “China Trade” que representam o fabrico e o comércio do chá e da porcelana, assim como os leques chineses, muito apreciados no Ocidente. Passando ao sector nascente do piso 1, fronteiro ao acesso por escada, sucedem-se os seguintes módulos:
  • E entre gente remota edificaram/Novo reino que tanto sublimaram. Presença portuguesa na Ásia, em que, “guiados” pelas palavras de Camões n’ Os Lusíadas mas também pelas de Fernão Mendes Pinto na Peregrinação, se procura documentar, a partir de uma criteriosa selecção de objectos (mobiliário, têxteis, ourivesaria, pintura e marfins), complementada por mapas e maquetas, o estabelecimento e a construção do Império Português do Oriente, centrado em Goa, com as suas cidades e praças-fortes, as suas sociedade e cultura miscigenadas, em que se deu o diálogo e o confronto entre culturas e religiões. Neste particular destacam-se um exemplar setecentista de um tratado escrito por um goês sobre o gentilismo hindu, assim como as aguarelas de um álbum que representa tipos populares, profissões e autoridades militares da Índia;
  • Ásia Extrema, em que se evidencia a descoberta, pelos Portugueses, da cultura do Império do Meio e do lucrativo comércio de produtos de luxo que com ele poderiam realizar, não esquecendo o papel dos missionários que acompanhavam os comerciantes e os soldados e deram início à Igreja Católica na China, inclusive os que sofreram o martírio pela Fé. O frutuoso encontro com o Japão nos séculos XVI e XVII é brilhantemente ilustrado por dois biombos e por lacas namban que estão entre as mais relevantes peças de toda a colecção.
Findo este sector, o visitante atravessa, de novo, o espaço central dedicado a Macau e entra no sector poente, em que se desenvolvem outros dois módulos:
  • Timor-Leste, povos e culturas, colecção muito rica que documenta, através de peças relacionadas quer com as vivências quotidianas e as tradições linhagísticas quer com o sagrado, a unidade e a diversidade das culturas em presença, assim como os estreitos laços que esses povos souberam manter com Portugal. O descaroçador e o banco situam-nos no mundo quotidiano dos instrumentos de trabalho, enquanto as pulseiras, os colares, as insígnias de poder ou as facas de circuncisão nos projectam no universo cerimonial e ritual, tal como acontece com as diversas máscaras presentes. Os vários tipos de panos tecidos pelas mulheres timorenses ilustram os patrimónios linhagísticos das comunidades, enquanto as portas e os painéis decorativos das casas ou a estatuária votiva nos projectam no microcosmo da casa timorense com a sua sucessão de andares — do nível térreo, morada dos animais e dos espíritos inferiores, passando pela residência dos vivos, até ao lugar de culto dos antepassados;
  • O coleccionismo de arte do Extremo Oriente, constituído pela colecção de terracotas e de outras antiguidades chinesas, japonesas e coreanas que foi adquirida pela Fundação Oriente, a que se acrescentaram os acervos em depósito provenientes do Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra, em que se destacam os legados do poeta Camilo Pessanha e do político e escritor Manuel Teixeira Gomes.


Cortesia da foriente

Atendendo ao elevado número de exemplares de cerâmica chinesa dos mais diversos períodos e técnicas, é possível documentar a evolução tipológica das terracotas funerárias, com exemplares que remontam ao Neolítico e se estendem até à dinastia Ming, assim como da cerâmica e da porcelana de uso quotidiano, nela incluindo alguma de exportação. Expõe-se também um pequeno mas significativo conjunto de bronzes provenientes, na sua maioria, da Colecção Camilo Pessanha, alguns deles de grande raridade pela sua antiguidade e pela qualidade artística. Um grupo de imagens de vária proveniência e algumas pinturas da Colecção Pessanha permitem referenciar a expressão artística mais erudita do budismo e do taoísmo. Graças à pintura e ao traje da Colecção Pessanha, evoca-se o ambiente do gabinete e o gosto artístico de um letrado chinês de oitocentos, com as “preciosidades”, as taças de libação, os ecrãs e os biombos, os objectos devocionais ou os rolos e álbuns de pintura tradicional chinesa e de caligrafia, bem como os respectivos apetrechos de execução.

Da notável colecção de frascos de rapé de fabrico chinês de Manuel Teixeira Gomes, a segunda maior da Europa, apresenta-se uma significativa selecção das diferentes tipologias que a constituem. O mesmo se passa com as peças japonesas da mesma proveniência: os inrô (pequenos contentores portáteis pessoais), as netzuke (fechos dos inrô em forma de máscara, com personagens, na sua maioria, do Teatro Nô) e as tsuba (guarda-mãos de espada), peças de cronologia alargada, a que se acrescentam, ainda no âmbito do Japão, as três monumentais armaduras e outros objectos de cerâmica, bronze, pintura e mobiliário.
Concluindo este módulo, expõem-se também peças coreanas: uma caixa em madeira lacada com incrustações de madrepérola e uma curiosa série de aguarelas de finais de oitocentos da autoria do pintor coreano Kim Jun-geun, conhecido pelo nome artístico de Kisan, sobre trajos, costumes e festas da Coreia, realizadas para o mercado europeu e americano». In Fundação Oriente, Exposição Permanente, Presença Portuguesa na Ásia, Museu do Oriente.

Cortesia de Fundação Oriente/JDACT

Leituras. Parte XIV. Sanjay Subrahmanyam: O império Asiático Português, 1500-1700. «Não estaremos certamente muito longe da verdade se calcularmos a população da Ásia em 1500 entre 200 e 225 milhões, o que significa que os Portugueses «assistiram» ao longo dos primeiros dois séculos da sua presença na Ásia a qualquer coisa como a duplicação da população do continente»

Cortesia de difel

A Ásia nos Princípios da Idade Moderna. Transformações Geopolíticas e Económicas
«O mundo entre o Cabo da Boa Esperança e o Japão, onde os Portugueses tentaram construir uma rede de comércio e de poder entre 1500 e 1700, não era um mundo estático. Era caracterizado pela transformação, por vezes quase imperceptível, por vezes bem visível, em ambos os casos ao nível institucional e funcional. Para entender as acções portuguesas na Ásia, portanto e para compreender as acomodações que tiveram de fazer, assim como as rotas que usaram, é preciso ir mais longe do que descrever o «palco asiático» no qual foram actores. Pelo contrário é necessário considerar o problema das dinâmicas da história asiática ao longo desses duzentos anos.
A população da Ásia, cerca de 1650, rondava os 300 milhões de uma população mundial de talvez 500 milhões. Cem anos mais tarde, em 1750, o continente ainda contribuía com sessenta por cento da população mundial, que já havia então subido para cerca de 700 milhões. Ao longo do século e meio anterior a 1650, quando as estimativas são muito difíceis de obter, é provável que já tivesse ocorrido um grau razoável de expansão numérica após os meados do século XV, por toda a Eurásia, a recuperação da peste negra toma definitivamente a forma de uma expansão, demográfica. Não estaremos certamente muito longe da verdade se calcularmos a população da Ásia em 1500 entre 200 e 225 milhões, o que significa que os Portugueses «assistiram» ao longo dos primeiros dois séculos da sua presença na Ásia a qualquer coisa como a duplicação da população do continente.

Cortesia de slide

A população estava, não é necessário dizer, distribuída de modo desigual. Parece certo que a Ásia tropical e subtropical detinha uma quota-parte bem maior da população total do que as regiões mais a Norte, mas esta diferença não era tão marcada no fim do nosso período como o havia sido no seu início.
No limite do espaço a que nos referimos ficava o Japão, acerca do qual os historiadores modernos são unânimes em afirmar que o período entre 1500 e 1700 assistiu a ritmo de crescimento populacional bem maior do que o verificado nos séculos XIV ao XVIII, respectivamente o período antecedente e o seguinte.
De facto, se aceitarmos as estimativas de autores como Akira Hayami, podemos concluir que as taxas de crescimento da população do Japão dos princípios da Idade Moderna (cuja amplitude varia entre 0,8 e 1,3% ao ano) estavam entre as mais altas da Ásia. Em nítido contraste está a Ásia do Sueste, cujos historiadores apontam um crescimento demográfico lento para o período entre 1600 e 1800; embora esta periodização não nos permita falar directamente do século XVI, a impressão que fica é a de que as taxas de alteração demográfica naquela região (cuja população poderá ter totalizado uns 22 milhões em 1600) raramente terá excedido 0,2% ao ano em todo o período entre 1500 e 1800.
Encravadas entre o Japão e a Ásia do Sueste, os dois extremos da história demográfica asiática dos princípios da Idade Moderna, ficam outras regiões, algumas mais próximas do Japão, outras mais aproximadas do caso da Ásia do Sueste.

Ásia e Oceania, c. 1550

Peregrinação de Fernão Mendes Pinto
Cortesia de wikipedia

No primeiro caso está a China, cuja população cresceu de cerca de 60 milhões em 1400 para 180 milhões em 1750, mesmo se uma aceleração significativa a este crescimento ocorreu apenas após 1680 (quando a população chinesa se estimara em apenas 120 milhões. Na última categoria, temos que incluir grande parte do Sul e do Oeste Asiático onde se tem que trabalhar sobre dados maioritariamente qualitativos, já que as estatísticas de população são na sua maior parte duvidosas até ao século XVIII. Juntando as diversas informações, é possível concluir que o equilíbrio da população asiática tendeu gradualmente do Sul e Oeste para Norte e para Leste, ao longo do período em causa.
Não só a população total cresceu e o seu equilíbrio se alterou, como este período assistiu também à consolidação de alguns grandes centros urbanos e ao declínio de outros. Cidades como Delhi, Agra, Achém, Quioto, Isfahan e Istambul (estando esta última de algum modo entre a Europa e a Ásia), eram comparáveis em ordem de magnitude e complexidade da respectiva estrutura social com qualquer das cidades europeias dos séculos XVI e XVII. Nem foi esta transformação um fenómeno puramente urbano: em parte pela pressão populacional, em parte por outras razões, a área de terra cultivada alargou-se, tal qual a produção de manufacturas, com a Índia e a China detendo possivelmente no século XVII mais de metade da produção têxtil mundial. Para reiterar o nosso ponto inicial, mesmo os índices mais evidentes não sustentam a ideia de uma Ásia estática, levada ao confronto com um Portugal dinâmico e em expansão». In Sanjay Subrahmanyam, O Império Asiático Português, 1500-1700, Uma História Política e Económica, Difel, Memória e Sociedade, 1995, Fundação Oriente, ISBN 972-29-0328-4.

Cortesia da Difel/JDACT

A Fortaleza de Assumar: «A reconstituição do traçado da muralha é hoje possível: no largo fronteiriço à Igreja Matriz estava a entrada da fortaleza e a muralha sul. A localização das paredes da antiga fortificação pode ser estabelecida com algum rigor, recorrendo a pequenos investimentos»



Cortesia de cmmonforte

«A primitiva ocupação humana da região remonta ao Neolítico, conforme abundantes testemunhos ali encontrados. A região foi conquistada por D. Afonso Henriques em data incerta, voltando à posse muçulmana para ser definitivamente recuperada por D. Sancho I, também em data incerta.
O recinto fortificado, hoje inexistente, estava implantado numa plataforma de suave declive, quase plano, que corre à cota de 326 m de altitude. Desenvolve-se na linha que separa a Ribeira de Assumar e a Ribeira da Torre, esta afluente directa do Rio Caia. Está, sensivelmente a meio caminho entre Monforte e Arronches. O antigo castelo de Assumar era ainda servido por uma via de comunicação que perpetuava o traçado da via imperial romana que atravessava o Norte do Alentejo, ligando Emerita Augusta a Olissipo, a Via Flamina.

À época do reinado de D. Dinis (1279-1325), a vila de Assumar recebeu privilégios (1298), tendo se libertado do domínio administrativo do termo e vila de Monforte em 1314. O seu filho e sucessor, D. Afonso IV (1325-1357), fez erguer, em 1332, uma pequena fortificação para a defesa das suas gentes, conforme inscrição epigráfica actualmente na fachada sul da Igreja:
  • «Em nome de Deus amem. Era de mil CCCLXX anos se fez este castelo em senhorio do mui nobre Rey Dom Affonso de Portugal e do Algarve filho do mui nobre Rey Deniz. Me Francisco, M.»
À época da crise de 1383-1385, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, à frente das forças portuguesas, teria se detido na Igreja de Nossa Senhora dos Milagres de Assumar, após a vitória sobre Castela na batalha dos Atoleiros.


Em 1482, D. João II doa a Gonçalo Alvarez a alcaidaria-mor da vila e o Castelo de Assumar, concedendo-lhe ainda a posse do reguengo e a portagem.
Sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), a povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509). Era seu alcaide, à época, Gonçalo Álvares de Abreu (1480-1512).
No contexto da Guerra da Restauração, em 1662 Assumar sofreu a ocupação das tropas espanholas sob o comando de D. João d’Áustria, tendo o castelo sofrido extensos danos na ocasião.
Posteriormente, em 1701, foi novamente ocupada por tropas inimigas vindo a sofrer novamente danos nas suas defesas.
No século XIX ainda se encontrava de pé uma parte da fortificação. Nessa fase, esses restos foram demolidos e a inscrição epigráfica transferida para a torre da Igreja. Chegou até aos nossos dias um pequeno troço do pano da sua primitiva muralha. Estes vestígios não se encontram classificados pelo poder público português.

Traços de Identidade
É o caso mais evidente, em toda a linha de fronteira portuguesa, de um castelo de planície. Surpreende-nos pelo seu traçado quase quadrangular, solução não aplicada durante a Idade Média e que faz lembrar traçados militares de épocas anteriores, romanas ou árabes. Assumar não era verdadeiramente um castelo, não tinha alcáçova e apresentava bastante fragilidade como sistema defensivo devido ao elevado n.º de portas. Apresentava pouca capacidade militar, não tendo capacidade de resistência em caso de cerco e afirmava-se mais como uma cerca para controlo da população e comércio. A reconstituição do traçado da muralha é hoje possível: no largo fronteiriço à Igreja Matriz estava a entrada da fortaleza e a muralha sul. A localização das paredes da antiga fortificação pode ser estabelecida com algum rigor, recorrendo a pequenos investimentos, como intervenções arqueológicas bem direccionadas.


jdact

O desenho
A cerca muralhada representada no início do século XVI por Duarte d’Armas era quase quadrada. Tinha, para além da porta principal, quatro portas localizadas próximo das medianas dos lados. Esta situação, bastante inadequada à Era medieval, coloca-nos perante a hipótese de Assumar representar uma continuidade das soluções edificadas em períodos anteriores, possivelmente romano ou árabe. Esta hipótese apenas poderá ser confirmada por intervenções arqueológicas na zona antiga de Assumar. Em contraposição, existia em Assumar, no início do século XVI, uma quinta porta, a entrada principal através da única torre do recinto. A existência desta porta corresponde, em teoria, a práticas medievais de defesa e faz supor que as portas secundárias em caso de guerra, seriam entaipadas. A torre situava-se na muralha sul, fronteira ao alçado lateral da Igreja Matriz, estando a capela-mor desta encostada à muralha. Era construída em silhares de pedra à vista, incluindo a pedra de armas que sobrepujava o arco de entrada». In Amigos dos Castelos, Wikipédia.

Cortesia de CM de Monforte/JDACT

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Festas do Povo, das Flores 2011. Campo Maior: «Passados sete anos, Campo Maior volta a realizar a sua maior tradição, o seu cartão de visita para Portugal e para o mundo entre 27 de Agosto e 4 de Setembro.



Cortesia de afdopovo



Sete anos depois da última edição, as Festas do Povo de Campo Maior voltam a realizar-se este ano, entre 27 de Agosto e 4 de Setembro.
«Estamos muito satisfeitos por esta manifestação e vontade em realizar as festas por parte dos habitantes da vila», disse o presidente da Associação das Festas do Povo de Campo Maior, recordando que o evento não se realiza desde 2004. De acordo com João Rosinha, “as festas são uma tradição secular do nosso povo e não podemos nem queremos perder esta manifestação da nossa identidade”. As Festas do Povo, são um evento tradicional único, contemplam a ornamentação das ruas de Campo Maior, sobretudo do centro histórico, com milhares de flores em papel, feitas pela própria população.


Cortesia de afdopovo



Estamos confiantes que conseguimos chegar até às 90 ruas inscritas. A maior parte delas, entre 85% a 90%, localizam-se no centro histórico da vila, salientou. Em tempos de crise, a organização pretende estimular a economia da vila e da região. No decorrer das festas, são esperados mais de um milhão de visitantes de todo o país e também turistas provenientes de várias partes do mundo, sobretudo da vizinha Espanha. «A realização das festas é bastante importante para a dinamização da economia da vila, da região e até da vizinha Extremadura espanhola, num raio de 120 quilómetros. Todos ficamos a ganhar», garantiu o presidente da associação. São muitas toneladas de papel, madeira, arame, esferovite e cola para a população iniciar os trabalhos, observou João Rosinha.



Cortesia de afdopovo



A Associação das Festas do Povo de Campo Maior pretende igualmente candidatar o evento cultural a Património da Humanidade, pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). «Assim que passar a azáfama da organização dos trabalhos, vamos pensar, de uma forma mais séria, na candidatura a Património da Humanidade», esclareceu.
As Festas do Povo de Campo Maior consistem na decoração das ruas da vila, sobretudo no centro histórico, com flores de papel e outros objectos em cartão e papel, feitos pelos habitantes de cada uma das ruas. O trabalho desenvolvido em cada rua fica em segredo, mesmo para amigos e familiares dos moradores, e só é dado a conhecer na noite da «enramação», que antecede o início da celebração». In Café de Portugal, Associação das Festas do Povo, Câmara Municipal de Campo Maior.

A Amizade do amigo e colega CDT.
Cortesia do Café de Portugal/JDACT