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domingo, 26 de novembro de 2023

O Segredo da Descoberta Portuguesa das Américas. José Gomes Ferreira. «Cruzando as duas coordenadas, longitude e latitude, somos forçados a concluir que o território chamado Cipango é, nada mais nada menos, do que... a Florida»

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«Já longe iam os anos em que ainda vigorava a concepção de Ptolomeu sobre o oceano Índico como um mar fechado, um lago gigante cercado de terra, com a ponta sul de Africa falsamente ligada a uma hipotética terra alongada desde o sul da Ásia. olhando para o canto superior direito do mapa de Henricus Martellus de 1490-1491, pode ver-se representada uma ilha de dimensões enormes, baptizada pelo autor como Cipango (Japão). Há, no entanto, um problema em relação a esta ilha de Cipango, se for considerada como uma representação do Japão: está situada muito longe das costas da então Catai, a China, em pleno oceano, a mais de meia distância da Ásia para a Europa.

O mapa mostra um grande oceano a leste da Ásia, o Pacífico, como se este estivesse fundido com o Atlântico e, no meio dos dois, uma estranha ilha cujo formato e localização não pode ser o verdadeiro Japão. Se o fosse, teria de estar muito mais próximo da Ásia. Na verdade, a ilha de Cipango do mapa de Henricus Martellus está a apenas um terço de distância da Europa e a mais de dois terços da Ásia.

Em resumo, por mais que se tente forçar a comparação, as coordenadas geográficas deste território não podem ser as mesmas do verdadeiro Japão. Se seguirmos a escala de longitude desenhada no friso inferior do mapa de Henricus Martellus, transpondo os valores para a escala moderna que tem o meridiano de Greenwich como o ponto de partida e de chegada, 0/360 graus, verificamos que a Cipango está situada entre os 75 e os 80 graus de longitude oeste, em relação à Europa Ocidental.

Considerando a escala das latitudes à direita, bem como as linhas do Trópico de Câncer e do Equador, vemos que a grande ilha de Cipango está posicionada na direção noroeste-sueste, sensivelmente entre os 15 e os 30 graus de latitude norte.

Cruzando as duas coordenadas, longitude e latitude, somos forçados a concluir que o território chamado Cipango é, nada mais nada menos, do que... a Florida.

Olhando agora para um planisfério moderno, podemos imediatamente verificar que as coordenadas da península americana da Florida são as seguintes:

- Entre 25 e 30 graus de latitude norte;

- Entre 78 e 80 graus de longitude oeste;

Tamanha semelhança entre o posicionamento da Cipango de Henricus Martellus e da Florida dos mapas modernos não pode ser pura coincidência. Mas há mais características comparáveis entre os dois territórios. Desde logo, o formato e o contorno das costas são surpreendentemente idênticos.

Para uma detalhada visualização destas semelhanças, pedimos agora ao leitor para ampliar a imagem de Cipango do mapa de 1490. A melhor ferramenta informática para o fazer está disponível num artigo publicado no sítio da National Geographic Magazine, intitulado A 500 year old map used by Columbus reveals its secrets, acessível através do seguinte link: https://www.nationalgeographic.com/culture/article/columbus-map-discovery-secrets-newwold

Uma vez no artigo, peço ao leitor que, quando chegar à frase: …you can play around with an interactive map created by one of Van Duzer's colleagues, clique na palavra here. O leitor acede imediatamente ao mapa interactivo de Henricus Martellus de 1490-1491., que é fruto de uma investigação aprofundada de Chet Van Duzer, professor universitário e investigador da Biblioteca do Congresso dos EUA, e da sua equipa. Graças a esse trabalho, é possível ampliar ou reduzir as partes do mapa que se desejar.

Ora, quando se amplia o território de Cipango, a imagem que se obtém é a que se pode observar na página 24 deste livro. Como facilmente se verifica, são surpreendentes as semelhanças entre o mapa desenhado há mais de meio milénio por Henricus Martellus e a actual imagem da Florida no Google Maps. Estas semelhanças entre os dois mapas existiriam contra todas as probabilidades se ambos não fossem duas representações do mesmo território e das mesmas costas situadas no mesmo mar das Caraíbas». In José Gomes Ferreira, O Segredo da Descoberta Portuguesa das Américas, Oficina do Livro, chancela LrYa, 2022, ISBN 978-989-661-557-4.

Cortesia de OdoLivro/JDACT

JDACT, José Gomes Ferreira, História, Conhecimento, Caso de Estudo, Literatura,

domingo, 8 de janeiro de 2023

O Segredo da Descoberta Portuguesa das Américas. José Gomes Ferreira. «O Padrão Real representava o mais perfeito estado da arte dos mapas do mundo na época e era zelosamente mantido longe dos olhares de estranhos…»

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«(…) O Padrão Real tinha sido concebido como a matriz mais actual do mapa-mundi então conhecido e era permanentemente actualizado com novas informações trazidas pelos navegadores, pilotos e cosmógrafos portugueses, ou estrangeiros ao serviço do rei de Portugal (bem como informações ou mapas completos obtidos de outros povos com quem os portugueses contactavam por via diplomática, comercial ou militar).

As mais recentes peças com informação sobre novas terras, rios, baías, ilhas, ilhéus, cabos, promontórios, recifes, bancos de coral e outros perigos submersos quase à superfície (abrolhos ou, em bom português, abre bem os olhos para o perigo), costumavam chegar a Lisboa sob a forma de portulanos, cartas de marear ou navegar desenhadas em pergaminhos. Esses desenhos eram rigorosamente analisados e verificados e, depois de considerados correctos, eram imediatamente copiados para o Padrão Real para o actualizar.

O Padrão Real representava o mais perfeito estado da arte dos mapas do mundo na época e era zelosamente mantido longe dos olhares de estranhos e sobretudo dos mais directos competidores dos portugueses nos mares do Atlântico, os castelhanos. Os dois primeiros documentos referidos, o mapa de Henricus Martellus, de 1490-1491, e o globo de Martim Behaim, de 1490, são provas directas da descoberta da América antes daquela data, com a chegada dos portugueses à península da Florida. Esta descoberta é poucos anos depois claramente confirmada no mapa de Cantino de 1501-1502, baseado no referido Padrão Real.

Os três documentos, considerados ainda em conjunto com o chamado mapa de Colombo, de l490,constituem um grupo de provas irrefutáveis de que os navegadores portugueses descobriram de facto a América Central e do Norte no século XV antes de 1490 e antes de qualquer outro povo europeu no início da época moderna. Todos sabemos que os povos vikings já tinham chegado à terra firme da América do Norte nos séculos X e XI. Para melhor compreendermos esta tese, começamos por convidar os nossos leirores a olhar em pormenor para o primeiro mapa-múndi moderno, de Henricus Martellus, de 1490-1491. Como dissemos, este mapa segue-se a outro do mesmo autor, feito em 1489, mas com uma actualização referente às últimas descobertas dos portugueses no Atlântico Ocidental, nomeadamente várias ilhas, e no Atlântico Sul, ao longo da costa de África, incluindo a recente descoberta do cabo da Boa Esperança». In José Gomes Ferreira, O Segredo da Descoberta Portuguesa das Américas, Oficina do Livro, chancela LrYa, 2022, ISBN 978-989-661-557-4.

Cortesia de OdoLivro/JDACT

JDACT, José Gomes Ferreira, História, Conhecimento, Caso de Estudo, Literatura, 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

O Segredo da Descoberta Portuguesa das Américas. José Gomes Ferreira. «Todos exigem provas definitivas, escritas, para poderem considerar a hipótese da pré-descoberta das Américas pelos navegadores portugueses, sendo esta uma condição sine qua non…»

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«(…) Durante muitas décadas, ou melhor, desde há dois séculos, vários autores portugueses e estrangeiros, incluindo sul e norte--americanos, afirmaram que a primazia na descoberta das ilhas e dos territórios da América era portuguesa: desde Alexander von Humboldt a Hemy Yule Oldham no século XIX, Edgar Prestage e Jaime Cortesão em meados do século XX, Peter W. Dickson em 2002, até aos anos mais recentes, com a publicação em 2015 do livro de John D. Irany Before 1492 – The Portuguese Discovery of America (Amazon, Kindle Edition).

Sabemos claramente que todos os autores que ousaram defender esta controversa tese foram sempre obrigados a enfrentar a resistência feroz do establishment intelectual, académico, cultural, político e mesmo diplomático. Dos historiadores oficiais aos professores do ensino público e até do ensino privado, políticos, diplomatas e homens de negócios, a oposição a esta tese foi sempre severa. Todos exigiram provas directas, nomeadamente provas escritas, e sempre recusaram provas indirectas, circunstanciais, rejeitando  explicações e enquadramentos baseados no ambiente social, no estado da arte, no espírito do tempo (zeitgeist), no paradigma tecnológico da época, perspectivas que, como sabemos, são sempre importantes complementos para consolidar qualquer nova tese sobre História. Todos exigem provas definitivas, escritas, para poderem considerar a hipótese da pré-descoberta das Américas pelos navegadores portugueses, sendo esta uma condição sine qua non para se iniciar uma eventual discussão sobre o assunto. Com tantas requisitos prévios, a aceitação da própria tese em si torna-se assim virtualmente impossível, porque haverá sempre mais uma e outra exigência de provas definitivas, como se as existentes nunca bastassem...

Mas, de facto, tal conjunto de provas existe e é cada vez mais volumoso. Como costumamos dizer em bom português, essas provas sempre estiveram e continuam a estar debaixo dos nossos olhos. O problema é que, colectivamente, nós continuamos a não as querer ver. Aliás, há um ditado popular que se aplica na perfeição a esta realidade: o verdadeiro cego é aquele que não quer ver. É esse o caso dos historiadores oficiais, para quem, uma versão diferente da oficial sobre a descoberta da América, uma interpretação alternativa ao feito de Cristóvão Colombo em 1492 nem sequer merecem a pena ser analisadas, não importa em que argumentos se baseiam, nem sequer com que provas são fundamentadas.

Em relação à tese da pré-descoberta das Américas pelos portugueses, poderemos dizer, como disse Galileo Galilei, no tribunal da Inquisição (maldita) em relação ao planeta Terra e à posição que este ocupava no sistema solar: Eppur si muove (e, no entanto, move-se). Há, de facto, uma versão diferente da história da descoberta das Américas pelos europeus que continua a ser pacientemente tecida por muitos investigadores independentes e à espera da oportunidade de ser amplamente conhecida e divulgada. Este ensaio, ou melhor, esta modesta investigação e interpretação jornalística, é sobre as evidências e as provas concretas da pré-descoberta das Américas pelos navegadores portugueses.

A Pré-Descoberta Portuguesa da Península da Florida

Pela primeira vez na História, a península da Florida aparece claramente desenhada, correctamente posicionada e com os seus contornos minuciosamente detalhados no primeiro rnapa-múndi digno desta classificação, o mapa de Henricus -Martellus, de 1490-1491, que, como se sabe, foi amplamente baseado nas novas descobertas portuguesas no oceano Atlântico. O mesmo território aparece claramente desenhado no primeiro globo terrestre feito por Martim Behaim, em Nuremberga, em 1490.

A península da Florida é mostrada novamente em pormenor no mapa de Cantino de 1501-1502, que reproduziu o chamado Padrão Real português, o secreto mapa oficial do mundo, rigorosamente guardado no Terreiro do Paço, em Lisboa, nas caves do palácio do rei Manuel I». In José Gomes Ferreira, O Segredo da Descoberta Portuguesa das Américas, Oficina do Livro, chancela LrYa, 2022, ISBN 978-989-661-557-4.

Cortesia de OdoLivro/JDACT

JDACT, José Gomes Ferreira, História, Conhecimento, Caso de Estudo, Literatura, 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

O Segredo da Descoberta Portuguesa das Américas. José Gomes Ferreira. «Antes de 1504, os portugueses descobriram e mapearam secretamente a ponta mais a su1 do continente americano, o cabo Horn, e a costa do Pacífico da América do Sul e Central»

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«Vários mapas, portulanos, planisférios e documentos escritos do final do século XV e princípios do século XVI, normalmente ignorados em Portugal, mostram claramente que, antes de 1490, navegadores portugueses visitaram e mapearam as penínsulas da Florida, Nova Escócia e Labrador. bem como a ilha da Terra Nova. Os mapas de Henricus Martellus e de Cristóvão Colombo, de 1490, são provas irrefutáveis disso mesmo.

Antes do ano de 1501, os portugueses também já tinham mapeado a costa leste dos actuais Estados Unidos da América, desde a foz do rio Mississípi no golfo do México, até Cape Cod, no Massachusetts, tal como é mostrado no mapa de Cantino e noutros mapas feitos nos anos seguintes com base neste planisfério inovador.

Antes de 1504, os portugueses descobriram e mapearam secretamente a ponta mais a su1 do continente americano, o cabo Horn, e a costa do Pacífico da América do Sul e Central, tal como mostra o globo terrestre desenhado num ovo de avestruz, o Ostrich Egg Globe, feito naquele ano. Antes de 1507, toda a costa ocidental do México, dos Estados Unidos da América e até uma parte da costa ocidental do Canadá estavam registadas em mapas secretos portugueses, que foram levados para os grandes centros de saber da Europa e serviram de base ao mapa-múndi de Martim Waldseemüller, feito naquele ano.

Estas provas evidentes da pré-descoberta portuguesa da América continuam a ser ignoradas, porque os actuais historiadores oficiais se recusam a rever os manuais escolares que eles próprios são encarregados de (e pagos para) actualizar, mantendo a mesma perspectiva de há décadas, e até de há séculos, quando não se encontrava disponível a informação que existe hoje sobre este assunto. O mesmo se aplica aos historiadores oficiais de outros países cujas investigações se debruçam sobre as precoces descobertas do Atlântico Ocidental, canadianos, americanos, mexicanos, argentinos, chilenos, etc…, que igualmente se recusam a rever os seus critérios e conclusões. Nesses países haverá certamente razões de política interna para manter a inércia e não rever os seus próprios manuais escolares, mas também existem razões de relacionamento entre estados que o impedem: rever a História de Portugal implicaria imediatamente a revisão da História de vários países da Europa Ocidental e das Américas, o que desencadearia muitos conflitos políticos e diplomáticos.

Entretanto, a verdade histórica permanece convenientemente sepultada debaixo de milhares de toneladas de manuais de literatura oficial, e arquivada em raros mapas ciosamente guardados em museus e também em colecções particulares de vários países, pouco estudados pelos historiadores desses países e muito menos ainda pelos historiadores portugueses...» In José Gomes Ferreira, O Segredo da Descoberta Portuguesa das Américas, Oficina do Livro, chancela LrYa, 2022, ISBN 978-989-661-557-4.

Cortesia de OdoLivro/JDACT

JDACT, José Gomes Ferreira, História, Conhecimento, Caso de Estudo, Literatura,

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

O Segredo da Descoberta Portuguesa das Américas. José Gomes Ferreira. «Antes de 1504, os portugueses descobriram e mapearam secretamente a ponta mais a su1 do continente americano, o cabo Horn, e a costa do Pacífico da América do Sul e Central»

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«Vários mapas, portulanos, planisférios e documentos escritos do final do século XV e princípios do século XVI, normalmente ignorados em Portugal, mostram claramente que, antes de 1490, navegadores portugueses visitaram e mapearam as penínsulas da Florida, Nova Escócia e Labrador. bem como a ilha da Terra Nova. Os mapas de Henricus Martellus e de Cristóvão Colombo, de 1490, são provas irrefutáveis disso mesmo.

Antes do ano de 1501, os portugueses também já tinham mapeado a costa leste dos actuais Estados Unidos da América, desde a foz do rio Mississípi no golfo do México, até Cape Cod, no Massachusetts, tal como é mostrado no mapa de Cantino e noutros mapas feitos nos anos seguintes com base neste planisfério inovador.

Antes de 1504, os portugueses descobriram e mapearam secretamente a ponta mais a su1 do continente americano, o cabo Horn, e a costa do Pacífico da América do Sul e Central, tal como mostra o globo terrestre desenhado num ovo de avestruz, o Ostrich Egg Globe, feito naquele ano. Antes de 1507, toda a costa ocidental do México, dos Estados Unidos da América e até uma parte da costa ocidental do Canadá estavam registadas em mapas secretos portugueses, que foram levados para os grandes centros de saber da Europa e serviram de base ao mapa-múndi de Martim Waldseemüller, feito naquele ano.

Estas provas evidentes da pré-descoberta portuguesa da América continuam a ser ignoradas, porque os actuais historiadores oficiais se recusam a rever os manuais escolares que eles próprios são encarregados de (e pagos para) actualizar, mantendo a mesma perspectiva de há décadas, e até de há séculos, quando não se encontrava disponível a informação que existe hoje sobre este assunto. O mesmo se aplica aos historiadores oficiais de outros países cujas investigações se debruçam sobre as precoces descobertas do Atlântico Ocidental, canadianos, americanos, mexicanos, argentinos, chilenos, etc…, que igualmente se recusam a rever os seus critérios e conclusões. Nesses países haverá certamente razões de política interna para manter a inércia e não rever os seus próprios manuais escolares, mas também existem razões de relacionamento entre estados que o impedem: rever a História de Portugal implicaria imediatamente a revisão da História de vários países da Europa Ocidental e das Américas, o que desencadearia muitos conflitos políticos e diplomáticos.

Entretanto, a verdade histórica permanece convenientemente sepultada debaixo de milhares de toneladas de manuais de literatura oficial, e arquivada em raros mapas ciosamente guardados em museus e também em colecções particulares de vários países, pouco estudados pelos historiadores desses países e muito menos ainda pelos historiadores portugueses...» In José Gomes Ferreira, O Segredo da Descoberta Portuguesa das Américas, Oficina do Livro, chancela LrYa, 2022, ISBN 978-989-661-557-4.

Cortesia de OdoLivro/JDACT

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sábado, 4 de abril de 2020

Poesia. José Gomes Ferreira. «… este mar sem cais nem luz de faróis e acordai depois das lutas finais, os nossos heróis que dormem nos covais, Acordai!»

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ACORDAI!
«Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!»

Devia morrer-se de outra maneira
«Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio.
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
Adeus! Adeus!
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos..., em seguida, os lábios..., depois os cabelos...)
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo..., tão leve..., tão subtil..., tão polen...,
como aquela nuvem além (vêem?), nesta tarde de Outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...»
Poemas de José Gomes Ferreira, Wikipédia

Cortesia de wikipedia/JDACT

sábado, 21 de novembro de 2015

Poesia. Elogio. José Gomes Ferreira. «Teria eu verdadeiramente saboreado a vida se não tivesse feito outra coisa que não ouvir ou escutar, o muito precioso daquilo que sei permanece manchado de silêncio. Não, nem o mundo nem a experiência, nem a filosofia…»

Cortesia de wikipedia

Dá-me a tua mão
«Dá-me a tua mão.

Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.

Dá-me a tua mão, companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira».
Poema de José Gomes Ferreira, in ‘Poeta Militante I

Viver Sempre também Cansa
«Viver sempre também cansa.

O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinzento, negro, quase-verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.

Tudo é igual, mecânico e exacto.

Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação».
Poema de Gomes Ferreira, in 'Viver Sempre também Cansa'

Se Eu Agora Inventasse o Mundo
«Se eu agora inventasse o mundo
criaria a luz da manhã já explicada
sem o luto que pesa
na sombra dos homens
conspiração da noite
com as pedras.

Luz que o cheiro das ervas da madrugada
aproxima os mortos do silêncio
com esqueletos de asas
conluio com o sol
para estarem mais presentes
no tacto da pele da manhã,
mil mãos a afogarem a paisagem,
bafo de flores donde cai
o enlace das sementes...

Abro a janela
O mundo cheira tão bem a trevos ausentes!

Bons dias, mortos. Bons dias, Pai».
Poema de José Gomes Ferreira, in 'Elegia Fria com Lírios Inventados'

Cortesia de Citador/JDACT

A Memória das Palavras (O Gosto de Falar de Mim). José Gomes Ferreira. «Então julga-se que copiamos determinada obra e, afinal, estamos a reproduzir as linhas diferentes e dissemelhantes de qualquer coisa de novo e de ignorado dentro de nós»

jdact e wikipedia

Rosália
«(…) Cuido não andar longe da verdade se afirmar que a minha Aventura Poética começou aí por volta de 1908, tinha eu os meus oito anos. No dia em que reparei (ou procedi como se reparasse) na existência das palavras, extraídas da vaza da algaraviada comum por homens estranhos, incumbidos da missão especial de dizerem o que mais ninguém ousava. (E o quê, afinal? Sei-o hoje por mal dos meus pecados. Lixo secreto, mutilação de sombras, punhais de que só resta o frio, galanteios de sonhos parvos, sexos desenhados na Lua, tentativas vãs de ressuscitar a Criança morta, o ilógico do outro lado da realidade, sóis ocos, fogueiras a arder por dentro das unhas, gritos iniciais, pavor da morte nua, paisagens de punhos cerrados contra ídolos de pó, desejo de embalar o planeta nos braços, regresso às origens, catarse...). No fim de contas as palavras não serviam apenas para meter na ordem gaiatos descompostos, insultar as vizinhas linguareiras da cave ou adormecer com canções o ranho dos miúdos. Dispostas de certa maneira adquiriam outro significado, exprimiam sentimentos e valores que os homens só daquela forma se atreviam a desabafar em voz alta com cerimonial de ritmos pautados.
Tratava-se sem dúvida dum jogo (o que há de mais sério para uma criança), mas dum jogo que, por manifesta singularidade, também agradava às pessoas crescidas. Pelo menos os livros escolares não regateavam elogios clamorosos a esses seres mágicos que acendiam as palavras e as obrigavam, por  assim dizer, a buscar-se umas às outras no papel, carregadas de electricidade de sexos contrários. Não se chamava a Portugal a Pátria de Camões? E à Itália a Pátria de Dante? Brincar com as palavras, rimar, eis o princípio da Grande Aventura. Amor com flor. Querida com vida. Saudade com há-de. Anjinho com caminho e ninho. Frio (pronunciado à lisboeta) com caiu... Estas últimas, aliás, empregues com calor suave de colóquio por um tal João de Deus numa poesia, a Enjeitadinha, a primeira que li e decorei, não sei quando nem onde, e teve o condão (oxalá não esteja a mentir!) de trazer à tona da minha energia inocente a coragem de imitar, o acto inaugural mais importante de todos os artistas que se sonham.
Precisarei de esclarecer que entre este meu jeito de imitar e a famosa teoria do enorme Aristóteles, Poesia é imitação, não existe qualquer contacto de parentesco? No meu caso refere-se apenas ao fenómeno comezinho, embora de primacial transcendência para a propagação da Arte, de repetir, com maior ou menor destreza, a experiência do versejar alheio, os temas consabidos e os sonetos sobre o amor eterno que Petrarca e Camões sentiram para sempre por todos nós. Exercício necessário a que poucos poetas escapam enquanto esperam pela fase do equívoco da imitação, bem mais misterioso e fundo. Então julga-se que copiamos determinada obra e, afinal, estamos a reproduzir as linhas diferentes e dissemelhantes de qualquer coisa de novo e de ignorado dentro de nós. (A esta imitação chama-se, como se sabe, originalidade, cujo exemplo mais elucidativo é o admirável quarteto que Ravel imitou confessadamente de Borodine) Vamos porém à Enjeitadinha, que começava assim:
                 
De que choras tu, anjinho?
Tenho fome e tenho frio!
E só, por este caminho
como a ave que caiu
ainda implume do ninho.

Não, não desdenhem desta peçazita que com tanta ingenuidade pífia me insinuou uma mensagem humana à altura dos meus oito (ou nove, ou dez) anos. Quero-lhe muito porque nela reside talvez a origem e o embrião da parte mais discutida da minha Poesia que alguns classificam de social. Mais: a própria Criança-mito-símbolo, surgida muitos anos depois na insónia gritada de certos poemas de Panfleto contra a Paisagem de Eléctrico e de Café, vejam lá em que secretas entranhas o nefando neo-realismo (mesmo impuro como o meu) se engendrou!, não será também a pobre ave implume de João de Deus, coberta de farrapos de protesto, pálida de existir?» In José Gomes Ferreira, A Memória das Palavras (O Gosto de Falar de Mim), 1965, Publicações dom Quixote, Lisboa, 1991, ISBN 972-200-855-2.

Cortesia de PdQuixote/JDACT

A Memória das Palavras (O Gosto de Falar de Mim). José Gomes Ferreira. «O outro perigo reside na atitude contrária, para contrabalançar esse pendor: o uso imorigerado da auto-ironia, capaz, pelo seu lado, de dissolver o halo mítico tão necessário à reputação ingénua dos poetas»

jdact e wikipedia

Rosália
«Aqui tens o meu passado. A parte mais pura do meu passado. A única digna de ti, minha querida companheira de tantos e tantos felizes anos árduos. Não sei porque o evoquei e escrevi. Por um impulso súbito, quase poético, suponho, embora não conseguisse ainda descobrir-lhe as raízes verdadeiras. Nem quero, aliás. Para quê? Se precisasse de razões para este livro, fácil me seria recorrer às habituais, desde as pseudopedagógicas, para ensinar jovens e transviados (que bom dar conselhos inúteis a ninguém!), às intenções de autocrítica. Não esquecendo, claro, a Saudade que, segundo parece, em certa altura da vida impele, irresistível, os homens para a evocação dos velhos amigos, dos velhos camaradas, dos velhos perfumes... Operação esta sempre difícil quando, como no meu caso, se não deseja cair no pecado da maioria dos livros de memórias portugueses, por via de regra meras colecções de anedotas e episódios pitorescos. Este vício evitei-o, presumo. Mas os outros? Os perigos que me apontaste com discernimento lúcido, assim que soubeste do meu plano? Ter-me-ia desviado a tempo dos abismos abertos? Refiro-me em primeiro lugar ao perigo inerente à natureza do próprio género memorialista e que consiste em não poder fugir à fatalidade de me apresentar aos olhos do mundo como um ser excepcional que condescendesse em vir à praça pública expor e explicar a trajectória do seu talento merecedor dum tratado pretensioso de 300 páginas! O outro perigo reside na atitude contrária, para contrabalançar esse pendor: o uso imorigerado da auto-ironia, capaz, pelo seu lado, de dissolver o halo mítico tão necessário à reputação ingénua dos poetas.
A estes receios objectei que o primeiro risco teria de corrê-lo, por complacência lógica. Para haver livro, que remédio não resignar-me, desconvencido, a parecer o centro do mundo! Mas não bastaria o facto de relatar as minhas lutas, dificuldades e desajustes para anular qualquer suspeita de presunção de me considerar um ente excepcional, desses que só se julgam verdadeiramente nascidos quando encontram a Voz Própria? Assentei que sim. De excepcional, portanto, neste livro só talvez a coragem, por sinal mais vistosa do que real, com que revelo alguns emperros de ofício e não poderia ocultar, mesmo que quisesse, dada a existência em documentos públicos das minhas actividades artísticas na infância e na adolescência.
Quanto à auto-ironia, à denúncia de pecadilhos e deficiências, afinal mínimas, não resisto à tentação de transcrever este elucidativo trecho de Renan nos seus Souvenirs d'enfance et de jeunesse em que meditei com profundidade longa: Je termine ici ces souvenirs, en demandant pardon au lecteur de la faute insupportable qu’untel genre fait commettre à chaque ligne. L’amour-propre est si habile en ses calculs secrets que, tout en faisant la critique de soi-même, on est suspect de ne pas y aller de franc jeu. Le danger, en pareil cas, est, par une petite rouerie inconsciente, d’avouer, avec une humilité sans grand mérite, des défauts légers et tout extérieurs pour s’attribuer par ricochet de grandes qualités. Ah! le subtil démon que celui de la vanité! Assim advertido, reli o Eclesiastes (Vaidade! Tudo vaidade!) e, sem mais hesitações, lancei-me ao meu gostoso pentear de nuvens e lembranças, confiado no instinto, o grande guia das aves e dos poetas. E então, no vaivém dos fins-de-semana, gastei perto dum ano neste trabalho, ansioso e febril de terminá-lo o mais depressa possível...
Sabes para quê?... Para sentir finalmente a alegria de escrever o teu nome nas páginas iniciais deste volume, Rosália. Embora, por mim, sempre o visse impresso, a tinta invisível, em todos os meus livros anteriores, que todos te pertencem». In José Gomes Ferreira, A Memória das Palavras (O Gosto de Falar de Mim), 1965, Publicações dom Quixote, Lisboa, 1991, ISBN 972-200-855-2.

Cortesia de PdQuixote/JDACT

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

José Gomes Ferreira. Poesia: «Mas é do destino de quem ama ouvir um violino até na lama»

Cortesia de samuelcantigueiro

Chove...
Mas isso que importa,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.
José Gomes Ferreira


Acordai!
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raíz!

Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações...

Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.

ACORDAI!
José Gomes Ferreira
letra musicada por Fernando Lopes Graça para interpretação coral

Cortesia de ueoc 

Cortesia de Doce como a Chuva/JDACT

sexta-feira, 2 de julho de 2010

José Gomes Ferreira: Homem «notável» de longos cabelos brancos. Voz de protesto contra o mundo desconcertante, opressor, e simultaneamente monótono do seu tempo, fez dele um «poeta militante» intemporal. Colocou o seu individualismo ao serviço da urgência do social

(1900-1985)
Porto
Cortesia de wikipédia
José Gomes Ferreira imortalizou-se no campo da Literatura Portuguesa nas áreas da Poesia e da Prosa. Pertenceu à geração do Novo Cancioneiro, com evidentes influências surrealistas, simbolistas, e sobretudo neo-realistas. A sua voz de protesto contra o mundo desconcertante, opressor, e simultaneamente monótono, do seu tempo, fez dele um "poeta militante" intemporal, trilhando caminhos já muitas vezes trilhados, mas nunca exactamente os mesmos.
A sua mensagem, sempre actual, é a vivência real de um homem e autor com os cinco sentidos despertos para tudo o que o rodeia, colocando o seu individualismo ao serviço da urgência do social. A sua vasta obra reflecte este seu desejo de mudar esse Mundo, o que acredita fazer com o poder da palavra.
Com quatro anos de idade mudou-se para a cidade de Lisboa. Colaborou com Fernando Pessoa, ainda muito jovem, num soneto para a revista Ressurreição.
A sua consciência política começou a florescer também ela cedo, sobretudo por influência do pai (democrata republicano). Licencia-se em Direito, tendo trabalhado posteriormente como Cônsul na Noruega. Paralelamente, seguiu também carreira como compositor, chegando a ter a sua obra «Suite Rústica» estreada pela orquestra de David de Sousa.

Regressa a Portugal em 1930 e dedica-se ao jornalismo. Fez colaborações importantes tais como nas publicações Presença, Seara Nova, Descobrimento, Imagem, Sr.Doutor e Gazeta Musical e de Todas as Artes. Também traduziu filmes sob o pseudónimo de Álvaro Gomes. Inicia-se na poesia com o poema Viver sempre também cansa em 1931, publicado na revista Presença. Apesar de já ter feito algumas publicações nomeadamente os livros Lírios do Monte e Longe, foi só em 1948 que começou a publicação séria do seu trabalho, com Poesia I e Homenagem Poética a António Gomes Leal.
Ganhou em 1961 o Grande Prémio da Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, com Poesia III.
Comparece a todos os grandes momentos «democráticos e antifascistas» e, pouco antes do MUD (Movimento Unitário Democrático), colabora com outros poetas neo-realistas num álbum de canções revolucionárias compostas por Fernando Lopes Graça, com a sua canção «Não fiques para trás, ó companheiro». Tornou-se Presidente da Associação Portuguesa de Escritores em 1978 e foi candidato em 1979, da APU (Aliança Povo Unido), por Lisboa, nas eleições legislativas intercalares desse ano. Associou-se ao PCP (Partido Comunista Português) em Fevereiro do ano seguinte. Foi condecorado pelo Presidente Ramalho Eanes como grande oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada, recebendo posteriormente o grau de grande oficial da Ordem da Liberdade.
No ano do Centenário do nascimento do Poeta, a Videoteca da Câmara Municipal de Lisboa produziu um documentário biográfico sobre José Gomes Ferreira, intitulado Um Homem do Tamanho do Século. Foi realizado por António Cunha (director da Videoteca), com uma magnífica interpretação do actor João Mota, dizendo diversos poemas de José Gomes Ferreira. Também a pianista Gabriela Canavilhas participa no documentário, interpretando uma peça musical praticamente inédita, composta por Gomes Ferreira para piano.

«Poeta: incendeia a espada!»
(José Gomes Ferreira)
acrílico s/ platex, 59 x 49, 1989, de Mário Dionísio
Cortesia de .centromariodionisio
Sinopse do documentário: A vida e obra de José Gomes Ferreira atravessam praticamente todo o século XX. «Até 2000 ainda espero…Depois desisto», dizia ele às vezes nas suas tertúlias de Amigos. Este documentário , integrado nas celebrações do centenário do nascimento do poeta (1900-2000) procura contribuir para ampliar o conhecimento desse Homem notável, de longos cabelos brancos, e condensar num filme a memória dessa figura tão singular da nossa Literatura.

A sua obra:
Poesia
  • Lírios do Monte - 1918;
  • Longe - 1921;
  • Marchas, Danças e Canções (colaboração) - 1946;
  • Poesia I - 1948;
  • Homenagem Poética a Gomes Leal (colaboração) - 1948;
  • Líricas (colaboração) - 1950;
  • Poesia II - 1950;
  • Eléctico - 1956;
  • Poesia III - 1962;
  • Poesia IV - 1970;
  • Poesia V - 1973;
  • Poeta Militante I, II e III - 1978.
Ficção
  • O Mundo Desabitado - 1960;
  • O Mundo dos Outros - histórias e vagabundagens"- 1950;
  • Os segredos de Lisboa - 1962;
  • Aventuras Maravilhosas de João Sem Medo - 1963;
  • O Irreal Quotidiano - histórias e invenções - 1971;
  • Gaveta de Nuvens - tarefas e tentames literários - 1975;
  • O sabor das Trevas - Romance-alegoria - 1976;
  • Coleccionador de Absurdos - 1978;
  • Caprichos Teatrais - 1978;
  • O Enigma da Árvore Enamorada - Divertimento em forma de Novela quase Policial - 1980.
Crónicas
  • Revolução Necessária - 1975;
  • Intervenção Sonâmbula - 1977.
Memórias e Diários
  • A Memória das Palavras - ou o gosto de falar de mim - 1965;
  • Imitação dos Dias - Diário Inventado - 1966;
  • Relatório de Sombras - ou a Memória das Palavras II - 1980;
  • Passos Efémeros - Dias Comuns I - 1990;
  • Dias Comuns.
Contos
  • Contos - 1958;
  • Tempo Escandinavo - 1969.
Ensaios e Estudos
  • Guilherme Braga (colaboração na «Perspectiva da Literatura Portuguesa do séc. XIX») - 1948;
  • Líricas (colaboração) - 1950;
  • Folhas Caídas de Almeida Garrett (introdução) - 1955;
  • Contos Tradicionais Portugueses (colaboração na escolha e comentação; prefácio) - 1958;
  • A Poesia de José Fernandes Fafe - 1963;
  • Situação da Arte (colaboração) - 1968;
  • Vietnam (os escritores tomam posição) (colaboração) - 1968;
  • José Régio (colaboração no "In Memorium de José Régio") - 1970;
  • A Filha do Arcediago de Camilo Castelo Branco (nota preliminar) - 1971;
  • Lisboa na Moderna Pintura Portuguesa (colaboração) - 1971;
  • Uma Inútil Nota Preambular de Aquilino Ribeiro (introdução a «Um Escritor confessa-se») - 1972.
Entrei no café com um rio na algibeira
Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.
José Gomes Ferreira
Cortesia de wikipédia/Sara Rodrigues/JDACT