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domingo, 6 de junho de 2010

João Amaral: um permanente empenhamento na dignificação do Parlamento, no respeito pelas suas competências e na valorização da discussão e do contraditório político



(1943-2003)
Cortesia de Alex
A obra intitulada João Amaral, In Memoriam, reúne diversos textos inéditos de João Amaral e testemunhos de figuras como o ex-presidente da Assembleia da República, Almeida Santos, o escritor Mário de Carvalho, e o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã. Manuel Alegre contribui com um poema inédito. António Filipe é o único dos actuais deputados do PCP a inscrever o seu nome nesta obra sobre um comunista que entrou em ruptura com o partido nos últimos anos de vida. A tal ponto que a direcção o impediu de se recandidatar nas legislativas de 2002, a escassos meses da sua morte.

Cortesia de wook/domquixote
«Jorge Sampaio recordou João Amaral como um «tribuno brilhante e um parlamentar nato, quer estivesse na primeira fila ou na sexta fila, física ou mentalmente». António Filipe salientou que a Assembleia da República e o PCP «ficam a dever-lhe um vasto património de trabalho político e intelectual». João Soares, Santana Lopes, Alberto Martins, Teresa Gouveia, João Semedo, Telmo Correia, Octávio Teixeira, Maria de Belém e José Manuel Mendes também prestaram depoimentos nesta obra. (...) «O João está presente na memória da família, dos amigos, dos camaradas e dos opositores políticos», lembrou a viúva na introdução do livro». In Diário de Notícias
Nasceu na cidade açoriana de Angra do Heroísmo, Açores, no seio de uma família da Beira Alta. Dezanove anos mais tarde ingressou no Partido Comunista Português. Estudou em Coimbra onde se Licenciou em Direito.
Depois do 25 de Abril, exerceu cargos de chefe de gabinete dos ministros do Trabalho Avelino Gonçalves e Costa Martins, nos I e V governos provisórios, e dos secretários de Estado da Estruturação António Bica e Vítor Louro, no VI governo provisório. Em 1976 entrou no Parlamento como chefe de gabinete do grupo parlamentar do PCP. Foi deputado desde 1979 até 2002. Na última legislatura exerceu o cargo de vice-presidente da Assembleia da República. Foi ainda figura marcante da cidade de Lisboa: Presidente da Assembleia Municipal desde 1989, eleito pela coligação PCP/PS, manteve o cargo mesmo depois da derrota autárquica da coligação em 2001.

Cortesia de TSF, memoriascomvida
«Recordamo-lo pela qualidade e rigor das suas intervenções, pela vivacidade que sempre pôs em todos os debates. Lembramos aquela fina e certeira ironia com que não poucas vezes desarmava os seus adversários de debate. Lembramos a dignidade com que, enquanto Vice-Presidente da Assembleia, dirigia os trabalhos parlamentares. O Parlamento deve-lhe também um permanente empenhamento na sua dignificação, no respeito pelas suas competências e na valorização da discussão e do contraditório político». In Parlamento
João Amaral foi dos rostos mais visíveis da ala renovadora do partido, defendendo «uma nova orientação e outra direcção» para o PCP.
Morreu aos 59 anos de idade.
Editora Dom Quixote/JDACT

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Luís Sá: Um académico que deixou «saudade»

Cortesia de iscsp
(1952-1999)
Luís Manuel da Silva Viana de Sá, foi um professor universitário e político português. Licenciou-se em Direito, mestre em Ciência Política e Doutor em Ciências Sociais.
Exerceu funções como adjunto do gabinete do Ministro dos Transportes e Comunicações, nos IV e V Governos Provisórios, e do Ministro das Obras Públicas, no IV Governo Provisório. Depois disso foi membro da Comissão Nacional de Eleições, deputado ao Parlamento Europeu e deputado à Assembleia da República. Foi director da revista Poder Local.
A sua obra literária é extensa, incluindo temáticas como a soberania e a integração europeia, o poder local e as regiões administrativas, o poder central e suas relações e equilíbrios, o sistema eleitoral português, manuais de ciência política e de direito administrativo.
Autor de «Introdução à Teoria do Estado» 1986, «Soberania e Integração na CEE»1987, «Regiões Administrativas - O Poder Local que Falta»1989, .... «O Lugar da Assembleia da República no Sistema Político» 1995, «As Regiões, a Europa e a Coesão e a Coesão Económica e Social» 1995, ... «Com Alá ou Com Satã» (Campo das Letras, Jul. 1997, em co-autoria com Domingos Lopes), ... «Traição dos Funcionários? - sobre a administração pública portuguesa» (Campo das Letras, 2000, Menção Honrosa Círculo Teixeira Gomes 2000).

Num dos títulos publicados pelo Campo das Letras:
«Na base deste alastramento do uso do termo, que ocorre no momento em que alguns proclamam a vitória universal do capitalismo liberal, está a referência ao perigo do fanatismo bem às portas da Europa, e no seu interior, através da imigração de mão-de-obra barata. Perante uma crise de valores e o cepticismo e alheamento cívico de grandes massas de cidadãos, levanta-se para algumas correntes um mundo de dogmas e de certezas feitas. Ao mesmo tempo, cresce o racismo e a xenofobia, acompanhados por uma progressão da direita mais extremista em vários países europeus. É uma outra face do fundamentalismo. Este trabalho procura questionar as causas e as consequências deste fenómeno. Nele se poderão encontar algumas surpresas em matéria da sua origem e cumplicidades. Simultaneamente, é traçado um panorama do que se passa num mundo em que são muitos os que procuram em Alá o que não encontram na Terra». In Campo das Letras
Luís Sá foi um académico e um intelectual. Uma «mente aberta» para o diálogo sobre as regiões administrativas, o poder central e as suas relações e equilíbrios.  
Morre ainda jovem (46 ou 47 anos de idade), no seu local de trabalho. Deixou saudade!
campo-letras/JDACT