Mostrar mensagens com a etiqueta Dia Mundial Teatro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dia Mundial Teatro. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dia Mundial do Teatro: José Morais e Castro

(1939-2009)

Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida,
Estes são os imprescindíveis
Bertold Brecht

O Dia Mundial do Teatro assinala-se, amanhã, sábado, dia 27. Por todo o País realizam-se iniciativas que assinalam a efeméride. Para mim recordo, também, o José Morais e Castro com o seu trato afável e bom diálogo no restaurante «Solar dos Presuntos» com a D. Graça, o Sr Evaristo, o Pedro e o Agostinho.
A mensagem para o ano de 2010 (Dame Judi Dench):
O Dia Mundial do Teatro é para nós a ocasião de celebrar o Teatro na multiplicidade de suas formas. Fonte de divertimento e inspiração, o teatro contém em si a capacidade de unificar as inúmeras populações e culturas que existem pelo mundo. Mas ele representa muito mais do que isso, ao oferecer-nos possibilidades de educação e informação. O Teatro acontece no mundo inteiro, e não apenas nos seus espaços tradicionais : os espectáculos podem ser realizados numa pequena aldeia da África, no sopé de uma montanha da Arménia, em uma pequena ilha do Pacífico. Ele não tem necessidade de um espaço e de um público. O teatro possui esse dom de nos fazer rir, de nos fazer chorar, mas ele deve, também, fazer-nos reflectir e reagir. O teatro é fruto de um trabalho de equipe. São os actores que vemos, mas existe um número espantoso de pessoas escondidas, todas elas tão importantes quanto os primeiros e cujas diferentes e específicas competências permitem a realização do espectáculo. A eles se deve uma parte de todo o triunfo ou sucesso alcançado. O dia 27 de Março é a data oficial do Dia Mundial do Teatro. Mas cada dia deveria poder ser considerado, de diversas maneiras, como uma jornada do teatro, pois cabe-nos a responsabilidade de perpetuar esta tradição de divertimento, de educação e de edificação dos públicos, sem os quais não poderíamos existir.

José Morais e Castro foi um actor, encenador, advogado e um intelectual ao serviço da cultura e do povo português. Destacou-se pela sua actividade enquanto advogado e grande figura da cultura portuguesa. Nas artes do espectáculo, Morais e Castro estreou-se profissionalmente no Teatro do Gerifalto. Passou pelo grupo Cénico de Direito e integrou o Teatro Moderno de Lisboa. Em 1968, é co-fundador do Grupo 4 no Teatro Aberto. Representou autores como Peter Weiss, Bertolt Brecht, Max Frisch, Peter Handke e Boris Vian. Contracenou com Mário Viegas na peça «À espera de Godot» de Samuel Beckett. Em 2004, interpretou «O Fazedor de Teatro» com Joaquim Benite na Companhia de Teatro de Almada que lhe valeu a Menção Honrosa da Crítica.
José Morais e Castro fez parte da Direcção da Casa do Artista, do qual foi sócio fundador.
JDACT

sábado, 20 de março de 2010

Gil Vicente: O «Pai» do teatro português

(1465?-1536?)
Gil Vicente é geralmente considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta inovador. Há quem o identifique com o ourives, autor da Custódia de Belém, mestre da balança, e com o mestre de Retórica do rei Dom Manuel. Enquanto homem de teatro, parece ter também desempenhado as tarefas de músico, actor e encenador. É frequentemente considerado, de uma forma geral, o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico já que também escreveu em castelhano, partilhando a paternidade da dramaturgia espanhola com Juan del Encina.
Inicialmente, Gil Vicente, surge como um primitivo e ingénuo autor dramático, o seu teatro segue o ritmo de desenvolvimento de dotes poéticos. A sua formação é gradual a partir do Monólogo do Vaqueiro, breve representação na corte com várias personagens mudas, mas um único actor, até às às peças mais complexas como Auto da Feira, Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrela, Comédia dos Agravados e Farsa de Inês Pereira. Os temas do teatro de Gil Vicente, tal como os ambientes, situações e figuras são extremamente variados: poeta da corte, mas bom filho do povo, tudo quanto podia interessar a nobres ou a plebeus foi um tema que sob explorar com mestria. As personagens sucedem-se, quase numa confrontação entre as virtudes e os vícios, o sacerdote digno ou o clérigo mesquinho, o lavrador rico ou o mísero trabalhador da terra, o homem sábio ou o homem rude e ignorante, o ajuizado e o parvo, a mãe dedicada, a mulher intriguista, a riqueza egoísta ou a pobreza sem mercê, de entre outras personagens.
Muitos investigadores têm comparado Gil Vicente com Camões em virtude do génio dos dois poetas. Os maiores do seu século em Portugal, quiçá, da própria Península Ibérica.
No teatro vicentino a inspiração religiosa é o mote principal. O dramaturgo é o herdeiro dos milagres e mistérios medievais em que a santificação das almas coabitam com o sofrer e o próprio riso. Em três peças essenciais culmina o teatro poético religioso de Gil Vicente: a Trilogia das Barcas (do Inferno, do Purgatório e da Glória) o Auto da Alma e o Breve Sumário da História de Deus.
Como ocorre com todos os poetas dramáticos, há no nosso poeta uma íntima harmonia do que se chama fundo e forma.
JDACT/FCG

quinta-feira, 11 de março de 2010

Almeida Garrett: Frei Luís de Sousa

Drama em três actos de Almeida Garrett, baseado livremente na vida de Manuel de Sousa Coutinho, que na vida eclesiástica assumiu o nome de Frei Luís de Sousa.  Esta obra  aconteceu no decorrer do século XVI e retrata a vida de Manuel Coutinho e da sua esposa D. Madalena de Vilhena, uma mulher muito supersticiosa, que acredita que qualquer sinal que achasse fora do normal era uma chamada de atenção para acções futuras. Enquanto que Manuel, um homem corajoso, patriota, provado historicamente que era possuidor de um grande amor por Madalena, não se importa com o passado da sua esposa, esta vive com muitos receios em relação ao facto do seu primeiro marido, D. João de Portugal, que, apesar de se pensar que terá sido morto na batalha de Alcácer Quibir, está ainda vivo e regressa a Portugal tornando ilegítimo o casamento de Manuel.

Este facto valoriza o amor, mesmo contra os ideais sociais da época. O dramatismo desta obra é mais acentuado quando o autor concede ao casal uma filha, D. Maria de Noronha, uma jovem que sofre de tuberculose. Pura, ingénua, curiosa, corajosa, perfeitamente inocente dos actos dos seus pais, é a personificação da própria beleza e pureza que se consegue originar mesmo num casamento condenável.
Um dos temas mais importantes da obra é, sem dúvida, o da liberdade de amar, mesmo contra as convenções sociais da época. A personagem de Maria de Noronha, a filha adolescente perfeitamente inocente dos actos de seus pais, é a própria personificação da beleza e da pureza que pode ser engendrada mesmo por uma relação socialmente condenável.
Frei Luís de Sousa, continua a ser considerado um clássico da literatura de língua portuguesa e uma das criações máximas do teatro e do cinema.
(Cenas do Frei Luís de Sousa, (António Lopes Ribeiro (realizador), Lisboa Filme (produção); Aquilino Mendes (fotografia); Luís de Freitas Branco (música).
Wikipédia/JDACT

Teatro Nacional de São João: Mulheres ao Espelho

A 27 de Março celebra-se o Dia Mundial do Teatro. Aldina Duarte vai estar presente no TNSJ.
Diz quem a conhece que é uma apaixonada do fado, uma mulher estudiosa e investigadora do fado tradicional. Mulheres ao Espelho (2008) confirma Aldina como uma fadista singular. Na publicidade do evento, o TNSJ afirma que é autora e intérprete maior de palavras que projecta num horizonte eminentemente poético, e isto por si só justificar o facto de comemorarem o Dia Mundial do Teatro na companhia de Aldina Duarte.
E que um concerto sugestivamente intitulado Mulheres ao Espelho aconteça depois de uma récita de Antígona (tragédia grega de Sófocles, representada em 422 ou 421 a.C) é tudo menos uma coincidência, ou um mero capricho dos deuses. Quando confessa que vale a pena tentarmos negociar as nossas revoltas com os nossos amores, Aldina reflecte Antígona no seu espelho.
Na mesma noite e no mesmo palco, duas princesas prometidas fascinadas pelo combate político entregam-se inteiras a esta estranha forma de vida a que chamamos destino.
Teatro Nacional São João/iporto/JDACT