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sábado, 3 de dezembro de 2016

Poesia Nua. «Volta esta noite para mim, volta esta noite para mim. Canto-te um fado, no silêncio, se quiseres, mando recado ao luar, que se costuma deitar ao nosso lado, para não vir hoje, se tu vieres»

jdact

Fado para esta noite

«Volta esta noite p’ra mim,

volta esta noite p´ra mim.

Canto-te um fado, no silêncio, se quiseres,

mando recado ao luar, que se costuma deitar

ao nosso lado, para não vir hoje, se tu vieres.


Anda deitar-te, fiz a cama de lavado,

cheira a alfazema, o meu lençol de linhado,

pus almofadas com fitas de cor.

Colcha de chita com barras de flor

e à cabeceira, tenho um santo alumiado.


Volta esta noite para mim,

volta esta noite para mim.

Canto-te um fado, no silêncio, se quiseres,

mando recado ao luar, que se costuma deitar

ao nosso lado, para não vir hoje, se tu vieres.


Pus o meu xaile p’ra te servir de coberta

um solitário ao pé da janela aberta

pus duas rosas que estão a atirar

beijos vermelhos, sem boca para os dar

sem o teu corpo, minha noite está deserta.


Volta esta noite p’ra mim.

Volta esta noite p’ra mim.

Ser abraçada, por teus braços atrevidos

quero o teu cheiro sadio, neste meu quarto vazio,

de madrugada, beijo os os teus adormecidos.


Mando recado ao luar, que se costuma deitar,

ao nosso lado p’ra não vir hoje, se tu vieres».

In César de Oliveira, Rogério Bracinha


JDACT

sábado, 27 de março de 2010

Vasco de Lima Couto: O poeta e as «raízes» do Fado

(1923-1980)
Vasco de Lima Couto nasceu no Porto e foi um poeta, actor, encenador, declamador. Também trabalhou na rádio. Estreou-se como actor de teatro em 1947 e cinco anos mais tarde ingressou no Teatro Experimental do Porto, onde trabalhou como encenador em parceria com com António Pedro.
Passou pelo Teatro Experimental de Lisboa onde interpretou diversas peças. Publicou alguns livros entre os quais  «Recado Invisível» e «Bom Dia Meu Amor…».


É autor de inúmeras letras de fado que ainda hoje se cantam. São exemplo: «Disse-te adeus e morri»; «Que Povo é este, que Povo»; «Fado da madrugada»; «Minha mãe eu canto a noite».


Na vila ribatejana de Constância existe um museu monográfico dedicado a Vasco de Lima Couto e que reune o seu espólio. A actual Casa-Museu Vasco de Lima Couto é propriedade de José Ramoa Ferreira (década de 70), o Zé Brasileiro, português de Braga dos versos de Vasco de Lima Couto. A Casa-Museu foi inaugurada em 1981.
JDACT
Imagem: Cortesia de Manuel Carvalho