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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O Tesouro. Selma Lagerlof. «Já que passamos pelo presbitério de Solberga, disse Torarin, pelo sim pelo não, vou entrar e assegurar-me se há gelo até Marstrand. Lá devem estar a par disso»

jdact

O presbitério de Solberga
«Na época em que o rei Frederico II da Dinamarca reinava na província de Bohus, vivia em Marstrand um pobre peixeiro, de nome Torarin. Era um homem pequeno e débil. Tinha um dos braços aleijado, de modo que não conseguia pescar nem mesmo remar. Não podia ganhar o seu sustento no mar, como todos os outros homens do arquipélago e, em vez disso, andava pelas redondezas vendendo peixe seco e salgado às gentes do continente. Ao longo do ano não passava muitos dias em casa, viajando constantemente, de aldeia em aldeia, com a sua carroça de peixe. Num dia de Fevereiro, quase ao anoitecer, Torarin deslocava-se pelo caminho que ia de Kungshall em direcção à paróquia de Solberga. O percurso era ermo e estava completamente deserto de gentes, por isso Torarin não precisava de se manter silencioso. Levava consigo, no meio da carga, um amigo fiel, com quem gostava de conversar. Era um pequeno cão preto de pêlo espesso, a que Torarin chamava Grim. Grim seguia sossegadamente deitado a maior parte do tempo, com a cabeça enterrada entre as patas, e apenas abria e fechava os olhos a tudo o que lhe dizia o dono. Mas, sempre que ouvia algo que não lhe agradava, erguia-se logo na carroça, espetava o focinho no ar e uivava mais do que um lobo.
Agora vou contar-te, Grim, amigo cão, que ouvi hoje grandes notícias, disse Torarin. Tanto em Kungshall como em Kareby disseram-me que o mar tinha gelado. O tempo tem estado bom e calmo, e tu, que tens saído todos os dias, bem o sabes; ao que parece, o mar congelou não só nas baías e estreitos, mas até bastante ao largo de Kattegatt. Já não há entre as ilhas trilhos para barcos e navios, só gelo espesso e rijo por todo o lado, de tal modo que se pode ir a cavalo e de trenó até Marstrand e até aos ilhéus de Paternoster. O cão ouviu tudo aquilo e não pareceu desagradar-lhe. Permaneceu deitado, abrindo e fechando os olhos para Torarin. Aqui na carroça já não nos resta muito peixe, disse Torarin de modo quase convincente. O que me dizes se, na próxima bifurcação do caminho, dermos meia volta e seguirmos para Ocidente em direcção ao mar? Passamos pela igreja de Solberga, descemos a Odsmalskil e, depois, acho que de lá até Marstrand não serão muito mais do que duas léguas e meia de caminho. Seria bom poder voltar a casa sem ter de ir de barco ou de ferry, nem que fosse uma só vez. Avançaram através da vasta charneca de Kareby e, embora o tempo tivesse estado sereno durante todo o dia, um vento frio varria a planície, tornando o trajecto desagradável.
Poderá parecer fraqueza ir para casa, assim a meio do melhor período de trabalho, disse Torarin batendo os braços, por causa do frio, mas tu e eu já andámos por aí, pelos caminhos, durante várias semanas, e talvez precisemos de estar em casa um par de dias, a aquecer o corpo enregelado. Dado que o cão permanecia espojado e imóvel, Torarin pareceu mais seguro da sua decisão e prosseguiu num tom mais alegre: a mãe tem estado para lá sozinha, na cabana, há vários dias. Já deve sentir a nossa falta. Além disso, Marstrand é esplêndida agora no Inverno. As ruas e as travessas, Grim, estão apinhadas de pescadores e de comerciantes forasteiros. Nos armazéns, junto ao mar, há baile todas as noites. E há cerveja a jorros nas tabernas! Nem podes imaginar. Dizendo isto, Torarin inclinou-se sobre o cão, para se certificar de que ele o ouvia. Mas como o cão continuava totalmente desperto, sem mostrar o menor sinal de desagrado, Torarin desviou caminho para Ocidente na primeira saída, na direcção do mar. Fez estalar a rédea à laia de chicote, fazendo com que o cavalo avançasse ligeiro. Já que passamos pelo presbitério de Solberga, disse Torarin, pelo sim pelo não, vou entrar e assegurar-me se há gelo até Marstrand. Lá devem estar a par disso. Torarin falara em voz baixa, sem pensar se o cão o ouvia ou não. Mas, mal pronunciara as últimas palavras, já o cão se erguia dentro da carroça e soltava um uivo tremendo. O cavalo deu um salto para o lado, e até Torarin se assustou. Voltou-se para trás para ver se vinham lobos a persegui-lo, mas, quando se apercebeu de que era Grim que uivara, tentou acalmá-lo». In Selma Lagerlof, O Tesouro, Cavalo de Ferro Editores, colecção Gente Independente, 2010, ISBN 978-989-623-113-2.

Cortesia de CdeFerroE/JDACT

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Os Vikings: «Os dinamarqueses navegaram para o sul, em direcção à Frísia, França e partes do sul da Inglaterra. Os suecos navegaram para o leste, desbravando a Rússia, onde Rurik fundou o primeiro estado russo. Os noruegueses viajaram para o noroeste e para o oeste. A América do Norte foi descoberta por Leif Eriksson (filho de Erik, o Vermelho) que a chamou de Vinland»

Cortesia de de historiadomundo


Vikings ou viquingues foram membros marítimos da Escandinávia, que eram comerciantes, guerreiros e piratas. Entre os finais do século VIII e o século XI pilharam, invadiram e colonizaram as costas da Escandinávia, Europa e Ilhas Britânicas. O período de expansão desses povos é denominado Era Viking. Embora sejam conhecidos principalmente como um povo de terror e destruição, eles fundaram povoados e fizeram comércio pacificamente. A imagem histórica dos vikings mudou um pouco ao longo dos tempos, e hoje admite-se que eles tiveram uma enorme contribuição na tecnologia marítima e na construção de cidades.

Hoje, de um modo um tanto controverso, a palavra viking também é usada como um adjectivo que se refere aos escandinavos da época; a população escandinava medieval é denominada frequentemente pelo termo genérico «nórdicos». A actividade mercantil dos vikings está bem documentada em vários locais arqueológicos como Hedeby. Há quem acredite que a palavra viking vem de vikingr do nórdico antigo, língua falada pelos vikings, mas eles não se denominavam assim; este nome foi atribuído a eles devido ao seu significado: piratas, aventureiros ou mercenários viajantes.
Os vikings são escandinavos, que por sua vez, são um povo germânico, sendo provenientes dos Indo-Europeus. Os vikings a partir do século VII começaram a sair da Escandinávia, indo para as regiões próximas, devido a uma superpopulação e até problemas internos, como no caso de Erik, o Vermelho que foi expulso da Noruega e da Islândia por assassinato, além da motivação pelo comércio e pelos saques das cidades europeias.

Erik, o Vermelho
Cortesia de wikipedia

A terra natal dos vikings era a Noruega, Suécia e Dinamarca. Eles e os seus descendentes estabeleceram-se na maior parte da costa do Mar Báltico, grande parte da Rússia continental, a Normandia na França, Inglaterra e também atacaram as costas de vários outros países europeus, como Portugal, Espanha, Itália e até a Sicília e partes da Palestina. Os vikings também chegaram à América antes da descoberta de Cristóvão Colombo, tendo empreendido uma tentativa fracassada de colonização na costa da região sueste do Canadá.

Os vikings eram guerreiros que viajavam pelos mares a partir de sua terra, na Península Escandinava, pilhando e saqueando cidades, mas também estabelecendo colónias e comercializando. Além da Groenlândia, onde Erik, o vermelho criou colónias após ter sido expulso da Noruega e da Islândia, e do Canadá, para onde Leif Eriksson, filho de Erik viajou, eles chegaram a áreas no norte da Europa levando a sua cultura e o modo de vivência. Os vikings costumavam usar lanças, como o deus Odin e machados e os seus capacetes não possuiam chifres, como usualmente são retratados. Viajavam em barcos rápidos chamados drakkars, «dragão», por terem uma cabeça do mítico animal esculpida na frente. A velocidade desses barcos facilitava ataques surpresas e fugas quando necessário.

Cortesia de tyrannosaur
Território e viagens dos Vikings
Cortesia de latitude6200norte

Os dinamarqueses navegaram para o sul, em direcção à Frísia, França e partes do sul da Inglaterra. Entre os anos 1013 e 1042, diversos reis vikings, como Canuto o Grande, chegaram mesmo a ocupar o trono inglês. Os suecos navegaram para o leste entrando na Rússia, onde Rurik fundou o primeiro estado russo, e pelos rios ao sul para o Mar Negro, Constantinopla e o Império Bizantino. Os noruegueses viajaram para o noroeste e oeste, ocupando as Ilhas Faroé, Shetland, Órcades, Irlanda e Escócia. Excepto nas ilhas britânicas, os noruegueses encontraram principalmente terras inabitadas e fundaram povoados. Primeiro a Islândia em 825 (monges irlandeses já estavam lá), depois a Groenlândia (985), foram ocupadas e colonizadas por vikings noruegueses. Em cerca de 1000 d.C., a América do Norte foi descoberta por Leif Eriksson da Groenlândia, que a chamou de Vinland. Um pequeno povoado foi fundado na península norte na Terra Nova (Canadá), mas a hostilidade dos naturais e o clima provocaram o fim desta colónia. Os restos arqueológicos deste local - L'Anse aux Meadows - constituem hoje em dia um sítio de Património Mundial da UNESCO.

Cortesia de littlervadventuresspaces



L'Anse aux Meadows
Cortesia de boardstheforce

Vikings na Península Ibérica

No ano 844 outra expedição normanda arrasa a cidade de Gijón e segue a costa atlântica até chegar a Lisboa e atacá-la. Em seguida tomaram Cádiz e subiram de novo pelo Guadalquivir, saqueando minuciosamente Sevilha durante 7 dias, a partir da qual lançaram ataques por terra.
O saque de Tui no século XI deixaria o cargo episcopal da cidade vazio por meio século. A montante do rio Minho, na margem esquerda e nas arribas ribeirinhas de Melgaço, existem dezenas de misteriosas e grandes cabeças de figuras fantásticas, iguais às que os vikings esculpiam (no monte do Prado). A cidade da Póvoa de Varzim foi colonizada pelos vikings. A cidade de Braga foi muitas vezes saqueada, assim como todo o vale e localidades do vale do Cávado, mencionando-se a cidade do Porto e alguns povoados do vale do Douro.

Cortesia de historyhowstuffworks

Cortesia da UNESCO/wikipedia/Parks Canada/JDACT