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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O mapa mais completo para estudar o movimento do gelo da Antárctida: « É como ver, pela primeira vez num mapa, todas as correntes oceânicas. Observamos os incríveis movimentos de gelo, desde o coração do continente, que nunca tinham sido descritos, afirma Eric Rignot, investigador do Laboratório da NASA»

Cortesia de elmundo

«Lo que ocurre en la Antártida tiene consecuencias para el clima mundial. El comportamiento y el desplazamiento de los bloques de hielo en este continente es monitorizado constantemente por los científicos, que a partir de ahora dispondrán de un nuevo mapa para estudiar mejor los efectos de las variaciones en el clima.
Se trata del primer mapa completo en alta resolución que muestra la velocidad de movimiento de los glaciares y su dirección. Ha sido elaborado a partir de los datos facilitados entre 2007 y 2009 por satélites de la Agencia Espacial Europea (ESA), Japón y Canadá. La NASA, por su parte, ha aportado la tecnología necesaria para plasmar toda esta información en un mapa. La nueva herramienta y las primeras conclusiones de los investigadores han sido presentadas en la revista «Science».
La cartografía muestra cómo los glaciares se desplazan desde el interior del continente hacia las zonas costeras, una tendencia que, según advierten los científicos, provocará un aumento del nivel del mar en los próximos años. El mapa ayudará a los investigadores a hacer estimaciones sobre la subida del nivel en el futuro causada por el deshielo.

Cortesia de elmundo

«Es como ver por primera vez en un mapa todas las corrientes oceánicas. Estamos observando increíbles movimientos [de hielo] desde el corazón del continente que nunca habían sido descritos", afirma Eric Rignot, investigador del Laboratorio de Propulsion Jet de la NASA y autor principal del estudio publicado en 'Science'.
Las animaciones realizadas por la NASA no muestran dónde se está derritiendo el hielo, sino cómo éste se desplaza de forma natural desde las regiones del interior a la costa. Los colores representan la velocidad de los flujos de hielo (en metros por año). Las áreas señaladas en rojo y morado son las que se mueven a mayor velocidad.

Formaciones de hielo desconocidas.
Con sorpresa, los investigadores descubrieron una cresta que se desliza de este a oeste. Asimismo, han detectado formaciones de hielo hasta ahora desconocidas que se desplazan unos 244 metros cada año hacia el Océano Antártico. Y lo hacen de una forma diferente a la que sugerían modelos anteriores.

La Antártida tiene una extensión de unos 14 millones de kilómetros cuadrados y casi toda su superficie está permanentemente cubierta de hielo, incluso durante el verano austral. En varias zonas, el manto de hielo va más allá de los límites del continente y conforma barreras heladas de manera permanente sobre las bahías del Océano Antártico. Debido al aumento de las temperaturas, los científicos calculan que cada año este continente pierde más de 150 kilómetros cuadrados de hielo. Según la NASA, el nuevo mapa permitirá comprender mejor los movimientos de las capas de hielo de la Antártida y cómo podrían responder en el futuro al cambio climático. Asimismo, ayudará a los científicos reconstruir cómo han evolucionado las capas de hielo en las regiones polares». In Teresa Guerrero, El Mundo, NASA.





Cortesia de El Mundo/JDACT

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pôr-do-sol: O Acontecimento Natural. «O céu enche-se de tons de vermelho, laranja, amarelo e roxo quando o sol se põe. A isto acrescente-se um cenário incrível, com manadas de elefantes e girafas a regressarem a casa»

Cortesia de wikipedia

«Ao final da tarde, seja na praia, no cimo de uma montanha, na estrada ou da varanda de sua casa conseguirá apreciar o sol a pôr-se, as cores em tons alaranjados a desenharem-se no céu... No entanto, há alguns pores-do-sol que sobem à categoria de melhores do mundo. São mesmo imperdíveis.
Santorini, Grécia
A luz intensa do Mar Egeu é famosa por produzir pores-do-sol intensos. A aldeia de Thira, na ilha de Santorini, é um local de paragem obrigatória.


Cortesia de wikipedia

Praia de Ipanema, Rio de Janeiro, Brasil
Este é um dos melhores sítios para ver o sol desaparecer. A areia branca da praia de Ipanema e a água cristalina.


Cortesia de wikipedia

Cable Beach, Austrália
O pôr-do-sol em Broome, no Oeste da Austrália, é um dos símbolos deste país. «Existem vários locais a partir dos quais os viajantes podem optar por desfrutar das sombras de vermelho que iluminam o céu ao pôr-do-sol».

 

Cortesia de wikipedia

Grand Canyon, Estados Unidos
Esta é uma das maravilhas naturais do mundo, com um pôr-do-sol imperdível.


Cortesia de wikipedia

Serengeti, Tanzânia
No Parque Nacional Serengeti, o céu enche-se de tons de vermelho, laranja, amarelo e roxo quando o sol se põe. A isto acrescente-se um cenário incrível, com manadas de elefantes e girafas a regressarem a casa.


Cortesia de wikipedia

Taj Mahal, Índia
A experiência do pôr-do-sol no Taj Mahal atrai milhares de românticos.


Cortesia de wikipedia

Hammerfest, Noruega
O Midnight Sun é um fenómeno natural que ocorre nos meses de Verão da Europa, fazendo com que o sol permaneça visível por quase 24 horas seguidas.


Cortesia de wikipedia

Salar de Uyuni, Bolívia
Tudo graças ao notável reflexo do sol sobre o forte branco das salinas.


Cortesia de wikipedia

Matterhorn, Suíça
«A distinta forma da montanha em pirâmide cria uma silhueta impressionante quando o sol se põe».


Cortesia de wikipedia

Baía Jimbaran, Bali (Indonésia)
É o lugar perfeito para desfrutar o pôr-do-sol sobre o oceano.


Cortesia de wikipedia
In Agência Financeira.

Cortesia de Wikipédia/Agência Financeira/JDACT

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sobral de São Miguel. Covilhã: «A data mais antiga que se conhece referente ao Sobral é 1284 nos apontamentos dos inquiridores de D. Dinis numa carta militar onde referem a latitude e as coordenadas geográficas. Todavia as lendas apontam para uma origem muito anterior pela existência de uma rica vivenda árabe...»


Cortesia de mariocostapintor

Sobral de São Miguel é uma freguesia do concelho da Covilhã, com 686 habitantes (Censo de 2001). A origem desta aldeia remonta à era romana e esteve sempre associada à rota do sal. Mais tarde foi desenvolvida com a actividade das minas da Panasqueira com a exploração do volfrâmio.
Sobral de São Miguel antes era Sobral de Casegas. Passou a nominar-se Sobral de São Miguel depois do dia 27 de fevereiro de 1970 por Decreto-Lei n.º 69/70 de 27 de Fevereiro. Hoje é uma aldeia que continua a ser agradável, com alguns jovens e menos jovens que resistem com coragem tentando guardar uma tradição. Aldeia típica de construções de xisto mesmo ao pé da serra do Açor, ideal para passeios pedestres e muito mais.
 
Lendas
«Várias lendas se sucederam até aos nossos dias, muitas das quais foram ou se tornaram verdadeiras. São contadas Lendas sobre achados de potes com moedas antigas que se tornavam valiosas, riquezas dignas de permanecerem em museus nas localidades dos presumíveis achados».



Cortesia de freguesiasobralsaomiguel 
Origens
«O Sobral deriva do Nome Cabeço Sobral, souto de castanheiros pela sua altitude de 680 metros. Estas arvores predominavam entre os 550 metros e aquela altitude. Ali se instalaram os primitivos habitantes e alimentavam-se da pesca, da caça e dos frutos em especial da castanha. Assim a zona compreendida entre Porcim, Sarnadas, Pobreiro, Palários, Cadaval, Terrastal e o sitio onde hoje é o Sobral fixaram-se as pessoas ainda antes do século IV. As histórias destes locais têm grande relevo:
  • Na Estacada próximo de Porcim havia um grupo de herdades árabes ou romanas.
Por ali acampavam nos maciços vales onde plantaram milagrosas árvores de porte:
  • Sobreiros,
  • Castanheiros,
  • Oliveiras.
Na ribeira as famosas trutas pescavam e pelas encostas caçavam. A data mais antiga que se conhece referente ao Sobral é 1284 nos apontamentos dos inquiridores de D. Dinis numa carta militar onde referem a latitude e as coordenadas geográficas. Todavia as lendas apontam para uma origem muito anterior pela existência de uma rica vivenda árabe, já de base romana. Lendas frequentes que tesouros enterrados por mouros em potes e a presença de minas mouriscas que por esta zona abundavam e onde mineiros árabes já laboravam. D. Afonso III (D. Sancho I concedera foral à Covilhã e se tivermos presente que o senhorio mais antigo destas terras foi D. Filipe, homem bom da Covilhã recebera em 1284 as terras do Sobral como feitoria), doar o Sobral a Paio Correia a que lhe sucedera seu filho Afonso Correia e cujos terrenos da beira serra (sobra) e Teixoso herdou. D. João cedeu estes bens à ordem de Cristo. As vizinhas localidades de Silvares e Casegas à ordem dos Templários.

Cortesia deportugalape
Em 1505 o Sobral passa a pertencer à Comenda do Castelejo, da qual já faziam parte Silvares e Casegas. Em 1793 o Sobral é englobado na freguesia de Casegas. Em 1888 o Sobral separa-se de Casegas e torna-se uma freguesia cívil a 25 de Outubro (passando a ser o dia de aniversário da mesma). Em 1972 passa a denominar-se por Sobral de S. Miguel, até ali denominava-se Sobral de Casegas». In sobralardosia.

Cortesia de wikipedia/JDACT

terça-feira, 17 de maio de 2011

A Bela Natureza: Manarola e as famosas Cinque Terre. Cinco vilas de pescadores protegidos por um parque nacional



Cortesia de travelpod

Manarola é uma linda povoação da comuna de Riomaggiore, na província de la Spezia. Uma das localidades que constituem as famosas Cinque Terre, um dos trechos de maior atracção turística da Riviera da Ligúria.

A oeste de Manarola estão outras três localidades de Cinque Terre:
  • Monterosso al Mare,
  • Corniglia,
  • Vernazza,
A leste está somente Riomaggiore. 
É uma das Cinque Terre, incluídas num Parque Nacional situado entre imponentes montanhas e o Mar Mediterrâneo, que farão as delícias de qualquer amante da Natureza.



Cortesia de panoramio
«O Cinque Terre é formado por cinco vilas de pescadores protegidos por um parque nacional. Dizem que abriga uma das caminhadas mais atractivas de Itália, isto é, o caminho entre Manarola e Riomaggiore. Dura pouco mais que trinta minutos, mas é todo entremeado pelos rochedos, com uma vista imbatível em noites de lua cheia».
http://youtu.be/M2_F6focjiU
http://youtu.be/ZKUgEu4yLzI
http://youtu.be/EJl3gZRBbIg

Cortesia de wikipédia/JDACT

domingo, 15 de maio de 2011

Coleccionar Nuvens: «The Cloud Collector’s Handbook, o manual do coleccionador de nuvens, publicado pela Chronicle Books, é um guia de campo encantador e sério sobre nuvens. O livro ensina os leitores a identificar nuvens, e tem um espaço para eles anotarem as observações...»

Cortesia de ultimosegundo

Gavin Pretor-Pinney encara de frente o maior problema de seu novo livro.
«Pode pensar-se que coleccionar nuvens é ridículo. É verdade, reconhece, que as nuvens são efémeras, «que passam a existir num passe de mágica» da atmosfera e vivem em constante mutação. E, é claro, elas não podem ser colhidas e armazenadas. Mas para Pretor-Pinney, não é preciso possuir uma coisa para coleccioná-la:
  • «Basta percebê-la e registá-la».
Por essa razão, «The Cloud Collector’s Handbook», o manual do coleccionador de nuvens, publicado pela Chronicle Books, é um guia de campo encantador e sério sobre nuvens. O livro ensina os leitores a identificar nuvens, e tem um espaço para eles anotarem as observações, da mesma forma que os observadores de pássaros criam listas das aves localizadas. Há até um sistema de pontuação, no qual os observadores de nuvens ganham dez pontos para nuvens comuns, como o nimboestrato, as nuvens de chuva mais ou menos sem graça em que as pessoas costumam pensar quando dizem que elas são deprimentes, 40 pontos para a tempestuosa cúmulonimbo, «a nuvem das nuvens», com formato de bigorna, e pontos extras para formações mais exóticas.

Cortesia de ultimosegundo
O objectivo, declarou Pretor-Pinney durante uma entrevista, é ajudar os leitores a escapar da tirania do «raciocínio do céu azul», além de compreender e apreciar a beleza de um dia nublado.
O livro contém fotografias de dezenas de tipos de nuvens, com informações sobre sua formação e de como diferem dos parentes próximos. Também há um guia de arco-íris e outros efeitos ópticos das nuvens, além de um glossário de termos técnicos. Um gráfico mostra como os meteorologistas classificam as nuvens por géneros, espécies e variedade, seguindo a maneira com que os biólogos catalogam a flora e a fauna.

Cortesia de ultimosegundo

Pretor-Pinney, fundador da Sociedade dos Apreciadores de Nuvens, que tem por lema «olhe para cima e imagine», combate a ideia de que os dias ensolarados são os melhores. Embora a agremiação conte com 25 mil membros em 87 países e continue crescendo, encorajar a apreciação de nuvens é um trabalho árduo.
«Elas fazem parte da nossa linguagem, como "cair das nuvens" ou "em brancas nuvens"». In The New York Times / iG.


Cortesia de The New York Times/JDACT

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ronda. Espanha: «A cidade está assente sobre uma meseta rochosa a 739 metros acima do nível do mar. Está dividida em duas partes por um precipício conhecido como «el Tajo de Ronda», penhasco de Ronda, por onde passa o rio Guadalevín, afluente do rio Guadiaro. É tida como a cidade-berço das touradas»

Cortesia de bigtripnet

Ronda é uma cidade espanhola, capital do município com o mesmo nome, inserido na província de Málaga, comunidade autónoma da Andaluzia. É tida como a cidade-berço das touradas.
A cidade está assente sobre uma meseta rochosa a 739 metros acima do nível do mar. Está dividida em duas partes por um precipício conhecido como «el Tajo de Ronda», penhasco de Ronda, por onde passa o rio Guadalevín, afluente do rio Guadiaro. Em continuação da garganta da escarpa propriamente dita, estende-se também um penhasco sobre o vale dos Moinhos, valle de los Molinos. A leste da cidade encontra-se o parque natural da Serra das Neves, a sul o vale do rio Genal, a oeste a Serra de Grazalema e a norte os planaltos em direcção a Campillos.

Cortesia de leilapassini

Cortesia de tripadvisor



Cortesia de tudodbom

Ronda tem comunicação com os municípios circundantes através de uma rede de estradas montanhosas com valor paisagístico muito apreciado uma vez que atravessam os numerosos passos de montanha da Cordilheira de Ronda, que oferecem aos viajantes vistas muito apreciadas. Os transportes por comboio são rápidos e cómodos, com ligação directa a Madrid e Algeciras.
Os monumentos mais destacáveis são:
  • Ponte Nova (Puente Nuevo) situada sobre a «Garganta del Tajo»;
  • Ponte Velha (Puente Viejo);
  • Ponte Árabe (Puente Árabe).

Cortesia de parquedospoetas



Cortesia de cafehistoria.ning



Cortesia de spinofftravel

Na zona antiga, conhecida como «A Cidade», La Ciudad, encontra-se a Igreja Matriz, a Câmara Municipal, o Palácio de Mondragón e o Palácio do Marquês de Salvatierra, a casa do Rei Mouro e a do Gigante junto ao fundo do Tajo, com acesso por escadas.
Na zona moderna, encontra-se a Pousada construída sobre o que antes fora o conjunto de edifícios da Câmara Muncipal e do Mercado Municipal.
A praça de touros de Ronda, propriedade da «Real Maestranza de Caballería de Ronda», sociedade de cavaleiros para a promoção da equitação com origens nas antigas escolas do manejo das artes bélicas a cavalo, é uma das maiores e mais antigas do mundo.
Ainda na zona moderna, encontra-se:
  • o parque da Alameda com varandas sobre o Tajo;
  • o novo Teatro Espinel;
  • as igrejas do Socorro; 
  • a igreja da Misericórdia entre outras.

Cortesia de destaquesp



Cortesia de viagensdacelia


Cortesia de Turismo Espanhol/JDACT

sexta-feira, 11 de março de 2011

Silva Porto: «A sua pintura, cheia de luz e cor, é sobretudo inspirada na própria Natureza. É tido como um dos fundadores do naturalismo em Portugal»

(1850-1893)
Porto
Cortesia de miguel7

António Carvalho da Silva foi um pintor, que mais tarde adoptaria para apelido o nome da sua cidade natal, ficando conhecido por Silva Porto.

Estudou na Academia Portuense de Belas Artes, estagiou em Paris (1876-1877) e em Itália (1879). Em 1880 realiza uma exposição de quadros paisagísticos inundados de luz, tendo D. Fernando adquirido o quadro Charneca de Belas. Fez parte do chamado Grupo do Leão, juntamente com António Ramalho, João Vaz, José Malhoa, Cesário Verde, Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro. Entre outros galardões, recebeu a medalha de ouro da Exposição Industrial Portuguesa de 1884 e a primeira medalha do Grémio Artístico.


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A sua pintura, cheia de luz e cor, é sobretudo inspirada na própria Natureza. É tido como um dos fundadores do naturalismo em Portugal. Encontra-se largamente representado no Museu do Chiado, em Lisboa, e no Museu Nacional de Soares dos Reis no Porto.

Cortesia de wikipédia/JDACT

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Clima está nas nossas mãos: O Longo Verão. «A tese de Ruddiman defende que, ao adicionar uma quantidade de gases com efeito de estufa suficiente pata atrasar a chegada de outra era glaciar mas insuficiente para sobreaquecer o planeta, os antigos executaram um acto de magia química...»

Cortesia de estrelapolar 

O longo Verão
O longo Verão dos últimos oito mil anos é, sem dúvida, o evento crucial na história humana. Embora a agricultura tivesse começado há mais tempo (há cerca de 10 500 anos no Crescente Fértil, no Médio Oriente), foi durante esse período que passámos a utllizat a maior parte das nossas principais sementes de cultivo e a domesticar animais, que surgiram as primeiras cidades, que foram cavados os primeiros diques de irrigação, que foram escritas as primeiras palavras, e que foram cunhadas as primeiras moedas.
Estas mudanças não ocorreram apenas uma vez, mas sim muitas vezes, de forma independente, em diferentes partes do mundo. Ainda o nosso Verão não tinha cinco mil anos de duração, já cidades tinham sido construídas na Ásia Ocidental, Ásia Oriental, África e América Central. As semelhanças dos templos, casas e fortificações são assombrosas.

É como se a mente humana contivesse desde sempre um plano de cidades e estivesse apenas à espera das condições certas para as construir.

Cortesia de dementia
Estas colonizações humanas eram governadas por uma elite que contava com artesãos. Em algumas sociedades, desenvolveu-se a escrita e mesmo nos primeiros escritos, tábuas de argila da antiga Mesopotâmia, reconhece-se o estilo de vida de uma grande metrópole.
Terá este longo Verão resultado de um acaso cósmico? Teriam os ciclos de Milankovich, o Sol e a Terra estado na sintonia certa para daí surgir um período de estabilidade sem precedentes, de calor moderado? Tanto quanto sabemos, durante todos os períodos de calor moderado ao longo do último milhão de anos, houve uma súbita oscilação da temperatura seguida de um longo e instável arrefecimento, causado pelos ciclos de Milankovich. Não há nada de excepcional no actual ciclo de Milankovich que possa explicar o longo Verão. Na verdade, se os ciclos de Milankovich ainda estivessem a controlar o clima da Terra, nesta altura estaríamos a sentir um arrefecimento notório.
Ao tentar explicar o longo Verão, Bill Ruddiman, um cientista do ambiente ligado à Universidade da Virginia, começou a reparar num factor excepcional, algo que esteve presente neste último ciclo mas em nenhum dos anteriores. Esse factor excepcional, concluiu, somos nós.
O premiado Nobel Paul Crutzen (distinguido pelo trabalho de investigação sobre o buraco do ozono) e os seus colegas já tinham reconhecido e nomeado um novo período geológico em honra da nossa espécie. Chamaram-lhe Antropocénico, que significa a era da humanidade, e assinalaram a alvorada da mesma em 1800, quando o metano e o CO2 lançados para a atmosfera pelas gigantescas máquinas da Revolução Industrial começaram pela primeira vez a influenciar o clima da Terra.

Cortesia de ww1rtp
Ruddiman foi mais além: detectou o que acredita serem influências humanas sobre o clima da Terra, ocorridas muito antes de 1800.
Ao registar em gráfico os níveis de dois dos principais gases com efeito de estufa, metano e CO2, contidos em bolhas de ar existentes em lençóis de gelo na Gronelândia e Antárctida, Ruddiman descobriu que, por terem tido início há oito mil anos, os ciclos de Milankovich não poderiam explicar o que de facto aconteceu. Nessa altura, o metano deveria ter começado a entrar em declínio, e há cinco mil anos esse declínio intensificar-se-ia rapidamente. Em vez disso, após um ligeiro decréscimo, as concentrações de metano iniciaram uma lenta mas enfática subida.

Ruddiman argumenta que isto é uma evidência de que as emissões de metano, até então controladas pela natureza, estavam agora também na mão dos humanos, pelo que devemos assinalar a alvorada do Antropocénico há oito mil anos em vez de há duzentos anos.
Foi o início da agricultura, especialmente a agricultura molhada do género da que é praticada nos campos de arroz inundados na Ásia Oriental, que fez pender a balança. Estes sistemas agrícolas podem revelar-se incríveis produtores de metano. Mais ou menos nessa época, os agricultores de sementeiras que requerem condições do tipo pantanoso estavam também a dar a sua contribuição. O cultivo do inhame (que envolve a criação e manutenção de sistemas de controlo de água), por exemplo, já era praticado na Nova Guiné há oito mil anos.

Mesopotâmia
Cortesia de leastofthesepromotions
Até mesmo os caçadores-colectores podem ter sido um factor de influência. A construção de represas transformou vastas áreas do sudeste australiano em pântanos sazonais. Estas estruturas eram talvez as mais extensas jamais criadas por pessoas não ligadas à agricultura, e eram usadas para regular zonas alagadas para a produção de enguias. Em grandes encontros das tribos, as enguias eram colhidas em massa e depois secas e fumadas para comércio a longas distâncias.
Riddeman encontrou também, através das bolhas de ar, evidência de que a concentração de CO2 na atmosfera estava a ser influenciada pelos seres humanos, muito antes do que se pensou inicialmente. Os níveis de CO2 subiram rapidamente quando o período glaciar terminou, depois tipicamente iniciou um lento declínio rumo ao período frio seguinte. No entanto, durante este ciclo os níveis continuaram a subir. Em 1800, o CO2 atmosférico tinha aumentado para 280 partes por milhão. Se os ciclos naturais tivessem sido os únicos a controlar a quantidade de carbono da Terra, afirma Ruddiman, então o CO deveria ter ficado pelas 240 partes por milhão e estar em declínio.

Cortesia de luciaitagi
À primeira vista, este parece ser um argumento com pouca consistência. Afinal de contas, as emissões de carbono produzidas pelos primeiros humanos teriam de ser o dobro das emissões da nossa era industrial entre 1850 e 1990, uma quantidade apenas possível devido a um aumento sem precedentes da população utilizando máquinas movidas a carvão.

O factor-chave, afirma Ruddiman, é o tempo. Oito mil anos é um período muito abrangente e, à medida que os seres humanos cortaram e queimaram florestas por todo o planeta, o efeito de tais actividades começou a fazer-se sentir, tal como penas a serem empilhadas aos poucos em cima do prato da balança: a certa altura, haverá penas suficientes para fazer oscilar a balança.

Ruddiman argumenta que a frágil estabilidade climática criada pela humanidade ao longo dos últimos oito mil anos estava ainda vulnerável aos grandes ciclos de Milankovich. Por seu lado, o arqueólogo Brian Fagan diz que estes ciclos podiam ser amplificados ao ponto de causarem monumentais impactos nas sociedades humanas. O ligeiro desvio da órbita da Terra, entre l0 mil e 4 mil anos a.C., trouxe ao Hemisfério Norte um aumento de7 a 8% de luz solar. Isto alterou a circulação atmosférica, resultando num aumento de 25 a 30% de precipitação na Mesopotâmia. O que outrora fora um deserto transformou-se num vale verdejante que serviu de suporte a populosas comunidades agrícolas. Contudo, depois de 3800 a.C., a órbita da Terra voltou à sua posição anterior e a chuva parou de cair, forçando muitos agricultores a abandonarem os seus campos e a vaguearem à procura de alimento.
Cortesia de karenswhimsy
O culminar de toda esta mudança reflectiu-se numa nova organização das sociedades humanas e, por volta do ano 3100 a.C., as cidades do Sul da Mesopotâmia tinham-se transformado nas primeiras civilizações do mundo. Na verdade, defende Fagan, a cidade representa uma solução humana de adaptação a condições climáticas mais secas.
Voltemos à análise feita por Bill Ruddiman, porque contém várias provocações. Ele vê uma clara correlação entre épocas de níveis baixos de CO2 atmosférico e várias pragas causadas pela bactéría Yersini pestis, a peste negra da idade medieval. Estas epidemias eram globais no seu raio de acção e mataram tanta gente que as florestas conseguiram crescer novamente nos campos de cultivo desertos. Nesse processo, absorveram CO2, fazendo baixar as concentrações atmosféricas entre 5 a l0 partes por milhão. Isso fez com que as temperaturas globais diminuíssem, seguindo-se sucessivos períodos de frio relativo em determinados lugares, como a Europa.

Cortesia de commonswikimedia
A tese de Ruddiman defende que, ao adicionar uma quantidade de gases com efeito de estufa suficiente pata atrasar a chegada de outra era glaciar mas insuficiente para sobreaquecer o planeta, os antigos executaram um acto de magia química. Actualmente, contudo, as mudanças na nossa atmosfera que estão a ser detectadas pelos cientistas são tão grandes, que os portões do tempo parecem estar uma vez mais a abrir-se.

Há sinais inequívocos de que o Antropocénico está a ficar desgastado. Será que se vai transformar no período geológico mais curto da história da Terra? In O Clima está nas Nossas Mãos, Tim Flannery 2006, Estrela Polar 2008, ISBN 978-972-8929-93-0.

Cortesia de Estrela Polar/JDACT