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sexta-feira, 4 de março de 2022

Poesia e Música. «I'm sorry you're tired the evening has hardly begun. Desculpe, você está cansado, a noite mal começou…»

jdact

Thanks For The Dance

«Thanks for the dance
I'm sorry you're tired
The evening has hardly begun

Thanks for the dance
Bride of the inspired
One-two-three, one-two-three, one

There is a rose in your hair
Your shoulders are bare
You've been wearing this costume forever
So turn up the music
Pour out the wine
Stop at the surface
The surface is fine
We don't need to go any deeper

Thanks for the dance
I hear that we're married
One-two-three, one-two-three, one
Thanks for the dance
And the baby you carried
It was almost a daughter or a son

And there's nothing to do
But to wonder if you
Are as hopeless as me
And as decent
We're joined in the spirit
Joined at the hip
Joined in the panic
Wondering if
We've come to some sort
Of agreement

It was fine, it was fast
We were first, we were last
In line at the
Temple of pleasure
But the green was so green
And the blue was so blue
I was so I
And you were so you
The crisis was light
As a feather

Thanks for the dance
It was hell, it was swell, it was fun
Thanks for all the dances
One-two-three, one-two-three, one»

In Leonard Cohen - Thanks for the Dance

Obrigado pela dança

«Obrigado pela dança
Me desculpe, você está cansado
A noite mal começou

Obrigado pela dança
Noiva do inspirado
Um-dois-três, um-dois-três, um

Há uma rosa no seu cabelo
Seus ombros estão nus
Você está vestindo esse traje para sempre
Então aumente a música
Despeje o vinho
Pare na superfície
A superfície é fina
Não precisamos ir mais fundo

Obrigado pela dança
Ouvi dizer que somos casados
Um-dois-três, um-dois-três, um
Obrigado pela dança
E o bebê que você carregou
Era quase uma filha ou um filho

E não há nada a fazer
Mas para saber se você
São tão sem esperança quanto eu
E tão decente
Estamos unidos no espírito
Juntas pelo quadril
Juntou-se ao pânico
A pensar se
Chegamos a algum tipo
De acordo

Foi bom, foi rápido
Nós fomos os primeiros, fomos os últimos
Em linha no
Templo do prazer
Mas o verde era tão verde
E o azul era tão azul
Eu era assim eu
E você era assim você
A crise foi leve
Como uma pena

Obrigado pela dança
Foi o inferno, foi incrível, foi divertido
Obrigado por todas as danças
Um-dois-três, um-dois-três, um…»

Tradução: Leonard Cohen - Thanks for the Dance

Cortesia de wikipedia

Poesia, Dança, Eternidade, Leonard Cohen,

sábado, 29 de junho de 2013

Dança. Olga Roriz. Teatro Garcia de Resende. Évora. «Algo ficou por fazer, tanto ficou por ser dito. Pretendo encontrar um outro estar, uma acumulação do mesmo mas sempre em renovação, jamais entendido. Ignorar os tabus, reescrever a história, acrescentar as referências e criar o momento»

Cortesia de rodrigosousa

«A Companhia de Dança Olga Roriz vem a Évora apresentar dois espectáculos no Teatro Municipal Garcia de Resende, intitulados Present in Progress e A Sagração da Primavera, sendo que o primeiro realiza-se no pf dia 3 de Julho e o segundo no dia 6 de Julho, ambos com início às 21h30. Present in Progress, com coreografia e interpretação de Olga Roriz e com duração de 20 minutos, é um encontro de dois gestos distintos, a dança e a pintura. Juntos e ao vivo, pintor e coreógrafa dialogam na sua solidão. A música é a única ligação entre eles, espacial e temporal. Ela move-se colada a uma tela branca. Ele está em pé em frente a uma mesa em branco, câmaras de vídeo, tintas, pincéis, papeis… O Movimento dela flutua entre as explosões de linhas e cores. O resultado é ora dramático, ora poético.


No segundo espectáculo, A Sagração da Primavera, Olga Roriz, após 36 anos de carreira como intérprete e 9 solos criados, lança-se pelo duplo desafio: a revisitação de uma obra maior como é A Sagração da Primavera e a insistência da sua longevidade como bailarina e intérprete. Poucos são no mundo os criadores que se propõem a coreografar esta obra, muito menos ainda os que aos 56 anos de idade dançam. Olga Roriz é a única intérprete/criadora no nosso país, e das poucas na Europa, que continua a transmitir pelo seu próprio corpo o seu legado coreográfico e artístico, continuando a construir, desenvolver e partilhar com o público a sua presença gestual e interpretativa ímpar. Em 2013 celebra-se o centenário da criação de A Sagração da Primavera por Nijinsky/Stravinsky e, após a sua primeira criação desta obra.


Olga Roriz confessa: Algo ficou por fazer, tanto ficou por ser dito. Pretendo encontrar um outro estar, uma acumulação do mesmo mas sempre em renovação, jamais entendido. Ignorar os tabus, reescrever a história, acrescentar as referências e criar o momento. Paixão, memórias e saber, manter-se-ão intactos, serão respeitados mas sem voz, sem espaço, sem presente. Corpo a corpo num confronto nunca pacífico. Estes espectáculos da Companhia de Dança Olga Roriz são uma organização do Cendrev no âmbito da Rede Culturbe, Braga, Coimbra e Évora, que conta com o apoio do Inalentejo e da Câmara Municipal de Évora». In C. M. de Évora

Cortesia da CMEvora/JDACT

domingo, 28 de outubro de 2012

Dança. Anne Teresa de Keersmaeker. «O que é hoje grão seco levanta-se amanhã sobre as ondas do campo como a espiga mais alta e mais cheia. A opinião que se emite ou a regra que se estabelece não tem que se importar com as circunstâncias em que se encontram os homens ou mulheres nem com as possibilidades de acolhimento ou recusa que o mundo lhe oferece»

Cortesia de publico

Lisboa, Teatro Camões. Passeio do Neptuno. Parque das Nações.
Até ao pf dia 10 de Novembro de 2012. Quinta às 15h00  (dia 8 de Novembro) (escolas); Sexta e Sábado às 21h00  (dias 2, 3, 9 e 10 de Novembro); Domingo às 16h00  (dias 28 de Outubro e 4 de Novembro) (tarde família).

Orquestra: Orquestra Metropolitana de Lisboa
Companhia: Companhia Nacional de Bailado, Companhia Rosas
Coreografia: Anne Teresa De Keersmaeker

«Anne Teresa de Keersmaeker é a ‘Artista Associada’ da cidade de Lisboa em 2012. Na terceira etapa do percurso da coreógrafa pela capital será apresentado um programa composto por três obras essenciais do seu reportório: “Prelúdio à Sesta de um Fauno” de Claude Debussy, “Grosse Fuge” de Beethoven e “Noite Transfigurada” de Schoenberg. A interpretação fica a cargo da Companhia Nacional de Bailado e da Orquestra Metropolitana de Lisboa.


Prelúdio à Sesta de um Fauno [2006]
Uma composição de dez minutos, escrita em 1894 e inspirada no poema epónimo de Stéphane Mallarmé, considerado um momento-chave da música moderna. Em 1912, o jovem bailarino Vaslav Nijinski, com 23 anos, cria uma coreografia lendária sobre a obra. A evocação da natureza paradisíaca é singularmente carnal; a música, uma carícia divina. Esta leveza, este recolhimento, esta busca pela suprema precisão na expressão do que é eminentemente inatingível, são também o desafio da coreografia criada por De Keersmaker para três bailarinos. A sua entusiástica distância encarna perfeitamente a elegância do desejo na música de Debussy. A coreografia é precedida de um prelúdio dançado no silêncio, em homenagem a Nijinski. Este momento cita a versão de 1912, conservada sobre a forma de notas lançadas sobre uma partitura estudada por De Keersmaeker e pela sua companhia.


Grosse Fuge [1992]
Criado por Keersmaeker como uma das partes de "Erts", foi retomado mais tarde pela coreógrafa em "Kinok", bem como noutras noites de repertório. Coreografado sobre o último quarteto de cordas composto por Beethoven, representa uma meticulosa tradução coreográfica da composição musical. Beethoven constrói dois temas que depois transforma de maneiras diversas, sendo que os bailarinos acompanham, através dos movimentos, essas transfigurações. A escrita coreográfica é ajustada com precisão à partitura e cada nota e cada passo são coordenados com tal exactidão que produzem uma inédita e fascinante dualidade entre o que se vê e o que se ouve.


Noite Transfigurada [1995]
Uma série de duetos em que a transição entre cada um deles é concretizada por uma curta sequência em trio. A estrutura da coreografia reflecte a do poema: a primeira parte é um monólogo - a admissão - da mulher; a segunda, inclui a resposta do homem; e, na terceira parte, mulher e homem juntam-se». In Público.

 
Cortesia de Público/JDACT

sábado, 21 de janeiro de 2012

Guimarães. Paço dos Duques de Bragança. Barroso da Fonte. «O visitante tem boas razões para demandar Guimarães, berço da nacionalidade portuguesa. Aqui encontrará um pouco de tudo aquilo que pode satisfazer a sua curiosidade. Monumentos de interesse histórico e actividades culturais associadas à Capital Europeia 2012»


jdact

«Falamos de Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura, onde nasceu Portugal. Nasceu juntinho ao castelo da fundação, ex-libris da nacionalidade portuguesa. Foi na tarde de 24 de Junho de 1128, data da batalha de S. Mamede. Será esse o verdadeiro “Dia Um de Portugal”.
Afonso Henriques, um jovem de 18 anos de idade, armara-se cavaleiro, aos 14 anos, na catedral de Zamora. Predestinado para fundar Portugal, não aceitava ele que Fernão Peres de Trava, confidente de sua mãe, Teresa, a influenciasse no mau sentido, lesando os destinos da futura Pátria Portuguesa.
Desse diferendo brotou a batalha de S. Mamede. Sua mãe cedeu, definitivamente, o poder ao filho Afonso Henriques, que até 1185, ano da sua morte, tudo fez para que Portugal se orgulhasse do seu próprio destino, como país livre e independente. Na “colina sagrada”, que bem pode chamar-se o altar da Pátria Portuguesa, já, nessa altura, se levantava o castelo. Aí tinham fixado residência seus pais: o conde Henrique e D. Teresa, primeiros responsáveis pelo Condado Portucalense. Possivelmente aí nasceu o primeiro rei de Portugal, entre 1109 e 1111.
O conde Henrique mandara construir a igreja de S. Miguel do Castelo, onde viria a ser baptizado Afonso Henriques, provavelmente pelo bispo Maurício e não por S. Geraldo que falecera em 1108. Em 1664 a pia baptismal foi transferida para a igreja da Oliveira. Mas voltou para a igreja de S. Miguel em 1928, onde permanece, com a legenda ao lado, mandada aí colocar em 1664 pelo prior da Colegiada, Diogo Lobo de Silveira.

Além do castelo da fundação, da igreja de S. Miguel, da estátua do rei fundador e do campo de S. Mamede, ergue-se na “colina sagrada” uma verdadeira jóia arquitectónica, de estilo gótico, única na Península Ibérica. É o Paço dos Duques, berço da Casa de Bragança, a maior e a mais poderosa do reino, nesses tempos medievais. Deste Paço ducal nos iremos ocupar demoradamente. Antes, façamos um passeio por esta histórica cidade, ao encontro das origens.


Foto de luzes da ribalta
jdact

Síntese monográfica de Guimarães
Data de 867 0 mais antigo documento que se conhece acerca de “Vimara”, cuja evolução semântica resultou em Guimarães. Em 950, Mumadona Dias alude à “Villa vocitata Vimaranis” que coube por herança, a sua filha Oneca. Sabe-se que já em 949 existia o Mosteiro, primeira referência daquela que viria a ser a vila de Guimarães, elevada a cidade pela Rainha Maria II., no ano de 1853.
No testamento de Mumadona, datado de 26 de Janeiro de 959, já se fala na igreja do Mosteiro que foi sagrada, nessa mesma data, sendo Pedro I, o seu primeiro abade. A primeira vila ou burgo de Guimarães desenvolveu-se em torno do Mosteiro duplex, isto é, para frades e para freiras. Esse Mosteiro situava-se onde, mais tarde, viria a ser instituída a Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, paredes-meias com o actual museu Alberto Sampaio. Mumadona Dias fez testamento de suas vilas a esse Mosteiro, procurando cumprir a última vontade de Hermegildo “com quem casara sob o regime de dote, como era costume entre a nobreza. Pouco depois que estas disposições testamentárias foram confirmadas na presença de muitos, irrompeu nos subúrbios deste nosso Mosteiro uma incursão de gentios em com receio deles, edificamos o castelo chamado de S. Mamede, no lugar do Monte Largo, o qual foi construído sobranceiro a este Mosteiro, para sua defesa e dos monges e das monjas que no mesmo vivem. Lavrado no 2º dia das Nonas de Dezembro da era de 1006”.

Igreja de N. Sra. da Oliveira com o Padrão do Salado
Mumadona, fundadora de Guimarães
Foto de luzes da ribalta
jdact

Depois do Mosteiro e do Castelo foram construídas as Muralhas que ainda hoje delimitam o chamado Centro Histórico, em fase de reconstituição. Guimarães é hoje uma cidade em franco progresso, impondo-se como centro cultural por excelência. O concelho tem 73 freguesias e alguns pólos de desenvolvimento que merecem destaque como: Vizela, Taipas, Pevidém, S. Torcato, Moreira de Cónegos e Briteiros. São cerca de 170 mil habitantes do maior concelho a norte do Porto, dedicando-se à indústria têxtil, calçado, construção civil, cutelarias e curtumes.
O visitante tem boas razões para demandar Guimarães, berço da nacionalidade portuguesa. Aqui encontrará um pouco de tudo aquilo que pode satisfazer a sua curiosidade. Monumentos de interesse histórico como:
  • O castelo;
  • O Paço dos Duques de Bragança;
  • A igreja de S. Miguel do Castelo;
  • A igreja da Oliveira;
  • O Padrão do Salado;
  • As Muralhas;
  • A igreja de S. Francisco;
  • A Pousada de Santa Marinha da Costa;
  • A Sociedade Martins Sarmento;
  • O Centro Histórico;
  • Centros de termalismo como Vizela e Taipas;
  • Poderá ir à Penha de teleférico;
  • A Briteiros, para observar uma das citânias mais evoluídas;
  • A S. Torcato para ouvir folclore do mais genuíno, etc.
Em qualquer sítio que se encontre terá sempre ao lado uma adega típica, um restaurante com gastronomia minhota, uma doçaria especial e até algumas das mais invejáveis unidades hoteleiras, com relevo para duas reconfortantes pousadas da rede nacional». In Barroso da Fonte, Paço dos Duques de Bragança, Edições Elo, IPPAR, Lisboa-Mafra, 1994, ISBN 972-9181-23-3.

Cortesia de Elo/IPPAR/JDACT

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O Som de uma Época. Strauss II. Revolucionário e Burguês. «A «democrática» contradança dos camponeses que dançavam abraçados nos salões públicos transformou-se na valsa elegante que levou aos espartilhados salões burgueses o calor e a vida das ruas»


Isabel de Áustria, "Sissi", por Franz Winterhalter
Cortesia de wikipedia e kunstfuerallede

«É impossível imaginar a Europa no século XIX sem a música de Strauss. Ao pensar nessa época, uma das cenas que mais poderosamente invade a nossa mente é a de um sumptuoso salão imperial repleto de elegantes e alegres cortesãos… dançando a valsa.
Quando Strauss II morreu em 1899, o crítico Eduard Hanslick, a autoridade musical do momento, afirmou que o desaparecimento do “Rei da Valsa” pressuporia o fim dos tempos felizes em Viena. A frase tornou-se profética, pois não há dúvida de que a música composta por StraussII ficaria para sempre ligada a um mundo que desapareceu pouco tempo depois da morte do compositor. Um ano antes, em 1898, também falecera a imperatriz Isabel de Wittelsbach, mais conhecida pelo sobrenome de “Sissi”, outro símbolo da mesma época e do mesmo lugar.
Com o nascimento do novo século, deu-se início à imparável e progressiva decomposição do Império Austro-Húngaro, que depois da Grande Guerra se estilhaçou em pedaços.
A Viena de “Sissi” e de Strauss nunca voltou a ser a mesma:
  • Da capital de um império poderoso e quarta metrópole do planeta, depois de Londres, Paris e Nova Iorque, Viena converteu-se em poucos anos numa cidade de segundo plano, centro de um pequeno país irrelevante na cena internacional.
No imaginário colectivo, a evocação da Viena imperial aparece quase sempre tingida com as cores dos contos de fadas. As valsas de Strauss fazem reviver de maneira imediata um universo de luxuosos salões burgueses, onde as belas damas, exibindo jóias e vestidos espectaculares, dançam com cavalheiros elegantes de uniforme militar ou de rigorosa etiqueta.

Confrontos na ponte Tabor, por Leopoldaradt, 1848
Palas Atena, por Klimt, 1898. Simboliza o novo mundo que vinha
substituir o do velho músico
Cortesia de oelmalereiuhlmann e adventureda

Strauss e os seus irmãos Josef e Eduard popularizaram a valsa graças às suas numerosas viagens e contratos. Em poucos anos, as melodias da valsa e a nova dança que as acompanhava conquistaram o mundo inteiro. No Verão de 1856, por exemplo, Strauss II foi convidado para ir pela primeira vez à Rússia, onde dirigiu concertos e bailes no Palácio Pawlowsk, com tanto sucesso que durante dez anos regressou a esse lugar como uma celebridade consagrada. Outro exemplo:
  • Em 1872, por altura do Jubileu Internacional pela Paz, foi convidado para ir a Boston, USA, onde diante de um público de 100 mil pessoas, dirigiu com a ajuda de cem maestros uma orquestra de vinte mil (sic) músicos.
Algumas das características da sua música, como a elegância, a vivacidade e a sofisticação, eram um reflexo fiel da alegria de Viena imperial do século XIX. Com Strauss, a valsa, adaptada ao gosto da burguesia, já não respirava o ar dos albergues e das tabernas onde nascera, mas manteve a vivacidade e a cor que lhe eram vitais. Foi nas suas melodias que o espírito hedonista da Viena imperial encontrou a sua melhor expressão. A sua famosa composição “No belo Danúbio Azul”, estreada a 15 de Setembro de 1867 no salão do Dianabad, em Viena, alcançou quase no mesmo dia da sua estreia a categoria de «hino oficioso da Áustria». E mil milhões de pessoas dão todos os anos as boas-vindas ao Ano Novo ao som das peças de Johann Strauss II.
Na biografia de Strauss II, tão fascinado pelas teorias revolucionárias do incipiente obreirismo como apegado a alguns dos mais acendrados hábitos da burguesia a que pertencia, é possível encontrar o mesmo contraste enriquecedor das suas peças musicais:
  • A «democrática» contradança dos camponeses que dançavam abraçados nos salões públicos transformou-se na valsa elegante que levou aos espartilhados salões burgueses o calor e a vida das ruas.
In Wikipédia, Bob January.

Cortesia de Bob January/JDACT


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Bela Música. Johan Strauss Filho: «Conta-se que no Verão de 1847, Johann Filho tocou uma serenata dedicada ao pai, tão bela e sentida que motivou a reconciliação entre os dois, graças à música que os tinha separado»

Cortesia de alsaofrancisc










JDACT

Johann Strauss Filho. Schani. Música. Valsa. «Corresponde ao mais aclamado membro de uma dinastia de músicos sem os quais a valsa seria mais uma das centenas de danças esquecidas»


(1825-1899)
Viena
Cortesia de wikipedia e bobjanuary

«É conhecido como Johann Strauss II, com essa numeração romana cardinal característica das casas reais, como corresponde ao mais aclamado membro de uma dinastia de músicos sem os quais a valsa seria mais uma das centenas de danças esquecidas. Quem passaria à História como “o Rei da Valsa” recebeu sempre em casa o nome de ‘Schani’, diminutivo austríaco de Johann, para diferenciá-lo do nome do pai, também chamado Johann. Dir-se-ia que o jovem Strauss estava destinado a competir com a poderosa figura paterna desde a pia baptismal.
Quando ‘Schani’ nasceu, Johann Pai, juntamente com o seu amigo Josef Lanner, já tinham dado à valsa a sua forma actual, e era por isso um músico de grande reputação na sua cidade, Viena, nesse tempo a capital musical do planeta. Apesar de ser ele próprio um músico, assim que alcançou uma posição acomodada, Strauss Pai comportou-se como um típico homem do seu tempo, classe e condição social, opondo-se firmemente à ambição do filho de se tornar músico, uma profissão que, como a de pintor, se considerava pouco digna para um herdeiro burguês.
Foi a sua esposa Anna quem reconheceu o génio musical do filho de ambos e o apoiou na sua vocação, o que o jovem Strauss lhe agradeceria até ao fim dos seus dias. ‘Schani’ não teve outro remédio senão iniciar os estudos comerciais na Universidade Politécnica de Viena, de onde acabou por ser expulso por «conduta contrária à disciplina». Nessa altura, ‘Schani’ já tinha 17 anos e, como o pai abandonara a família, o jovem Strauss sentiu-se livre para se concentrar plenamente na sua carreira de compositor, aprofundando os estudos de música que há anos levava adiante de maneira quase clandestina.

Retrato de August Eisenmenger, 1887
Cortesia de wikipedia

Quando se sentiu preparado, formou uma orquestra e solicitou a sentenciosa licença policial para tocar em estabelecimentos de hotelaria. Para desagrado de seu pai, que avançou com a sua poderosa influência para impedir que o filho cumprisse o seu desejo, ‘Schani’ conseguiu estrear-se com a sua orquestra, a 15 de Outubro de 1844, no casino Dommayer de Hietzing, em Viena.

Strauss contra Strauss
Strauss Pai, furioso com o filho e com o «desobediente» proprietário do casino Dommayer, recusou-se a voltar a tocar neste estabelecimento, que tinha sido cenário dos seus antigos triunfos. A imprensa local divulgou este acontecimento intitulando-o «Strauss contra Strauss», e empenhou-se em continuá-lo, explorando a notícia com tal sensacionalismo que chegou a transformar a rivalidade entre pai e filho numa luta lendária.
Conta-se que, no Verão de 1847, durante as vésperas do santo de ambos, Johann Filho tocou uma serenata dedicada ao pai, tão bela e sentida que motivou a reconciliação entre os dois, graças à música que os tinha separado.

O Rei das Valsas
Depois desta primeira e bem sucedida actuação, foram vários os estabelecimentos que ignoraram a proibição paterna, oferecendo a Strauss Filho a oportunidade de tocar.

Uma tarde co Schani
Cortesia de bobjanuary

A partir de então, e até ao seu falecimento vítima de pneumonia em 1899, a sua carreira foi um incessante rosário de êxitos. Depressa se encarregou da direcção da música de baile da corte e, com apenas 28 anos de idade, dispunha de um corpo orquestral de 300 instrumentistas.

Entre as suas centenas de obras destacam-se valsas como “No Belo Danúbio Azul, 1867” e operetas como “O Morcego, 1874”, hoje consideradas a valsa e a opereta por excelência, que colocaram Johann Strauss II num lugar de honra na história da música». In Wikipédia, Bob January.

Cortesia de Bob January/JDACT

sábado, 17 de dezembro de 2011

Teatro/Dança. Todo o mito é um drama condensado. É tempo de dançar. «Orfeu não resistiu a olhar para trás e Eurídice morreu. Os deuses não lhe perdoaram, apesar de o terem provocado. Mas o que pode o amor? Orfeu desceu aos infernos para resgatar Eurídice…»

Cortesia de publico

«É tempo de dançar. Em Orphée, a dupla José Montalvo e Dominique Hervieu revisitam uma das mais belas histórias de amor. A peça de 2010 pode ser vista amanhã, domingo.
Sabemos que acaba mal. Orfeu não resistiu a olhar para trás e Eurídice morreu. Os deuses não lhe perdoaram, apesar de o terem provocado. Mas o que pode o amor? Orfeu desceu aos infernos para resgatar Eurídice, sob promessa de nunca olhar para trás, mas a tentação foi maior e ela ficou, para sempre, nas mãos dos deuses, rudes, impiedosos, cruéis.
É um mito, sobre o que fazemos por amor, dos mais belos que o tempo guardou e que no domingo se mostra na Culturgest, em Lisboa, através das imagens, no palco pelos bailarinos e projectadas por vídeo, criadas pelos coreógrafos Dominique Hervieu e José Montalvo, também directores artísticos do Théâtre de Chaillot, onde a peça se estreou em 2010.

Cortesia de fugiremos

A dupla de coreógrafos é, poderíamos dizer, velha amiga da Culturgest onde já apresentou Le Jardin Io Io Ito Ito (2000), Bebelle Heureuse (2003), On Danƒe (2005) e Good Morning Mr. Gershwin (2009). Em todos os seus espectáculos a combinação entre a dança clássica e a contemporânea, entre os efeitos tecnológicos e a coreografia, servem uma estrutura aberta, que convida o espectador a projectar um desejo de evasão nos espaços deixados por preencher pela profusão de elementos. Não é diferente agora. Misturam a dança clássica com o hip-hop, cantores-bailarinos africanos com bailarinos contemporâneos, num gesto que procura ir ao encontro da universalidade artística e filosófica do mito.
A história de Orfeu e Eurídice foi, ao longo dos séculos, e desde Ovídio e Virgílio, objecto de múltiplas adaptações, das óperas de Monteverdi, Gluck e Philip Glass aos filmes de Jean Cocteau e Marcel Camus, do quadro de Rubens aos sonetos de Rilke. Em todas as leituras se procurou dar a Orfeu o mais humano dos rostos, alimentando a ideia de que o seu drama era intemporal e, por isso mesmo, reconhecível por todos. "Poeta divino, mas sobretudo poeta humano", dizem os coreógrafos, para quem a peça se equilibra "entre a força da arte e do amor", onde surge "o encantamento, o caos e a estranha magia da arte do apaziguamento, a perda, o olhar mortal, o inferno e a fronteira entre os mortos e os vivos".

Cortesia de xtec

É este "universo físico e mental delirante" que é convocado para um palco habitado por bailarinos que hesitam entre a sua dimensão material e a sua imagem virtual, através de "uma arquitectura subtil e aberta" que entrelaça as diferentes leituras feitas ao longo dos séculos. "Tudo acontece como se a obra jogasse com júbilo com as últimas interpretações do mito", explicam. "A obra apresenta-se como um mergulho, não exaustivo, na riqueza abundante das interpretações", sugerindo "um labirinto extravagante" através do qual se pode percorrer "uma parte da história da cultura europeia".

Cortesia de annagonzalezmarin

É essa dimensão de permanente recontextualização que interessa aos coreógrafos, que aqui conseguem pensar "o modo como a intriga se desenvolve em múltiplos estilos" e permite revelar "o virtuosismo e a força inventiva" do próprio mito». In Tiago Bartolomeu Costa, Jornal Público.

Cortesia do Jornal Público/JDACT

domingo, 4 de dezembro de 2011

Fundação Oriente. Oficina Coreográfica. Escola de Dança do Conservatório Nacional. «Uma escola artística vocacional de ensino integrado, de referência no nosso país, e que tem como objectivo a formação de bailarinos profissionais nas áreas da dança clássica e dança contemporânea. Actualmente frequentam a escola 190 alunos»

Cortesia de artededancar

14 e 15 Dezembro, Oficina coreográfica, Escola de Dança do Conservatório Nacional, 19h30, Auditório

«A Escola de Dança do Conservatório Nacional apresenta no Museu do Oriente o trabalho desenvolvido pelos alunos dos últimos anos nas vertentes de dança clássica e dança contemporânea no âmbito da disciplina de Oficina Coreográfica do 1º Período.
A parte clássica, enquadrada nesta época natalícia, apresenta excertos do bailado ‘Quebra-nozes’.
Na vertente contemporânea, a escola apresenta a peça do coreógrafo André Mesquita, «In the middle of my heart there was a small white spot. I don’t know what it’s supposed to mean».

Mais uma vez, a Escola de Dança do Conservatório Nacional apresenta no Museu do Oriente o trabalho desenvolvido pelos alunos dos últimos anos nas vertentes de dança clássica e dança contemporânea no âmbito da disciplina Oficina Coreográfica. A Escola de Dança do Conservatório Nacional é a única escola pública, tutelada pelo Ministério da Educação, cujo objectivo é a formação de bailarinos profissionais. É uma escola artística vocacional de ensino integrado, de referência no nosso país, e que tem como objectivo a formação de bailarinos profissionais nas áreas da dança clássica e dança contemporânea. Actualmente frequentam a escola 190 alunos.
Cortesia da foriente

Faz parte integrante da formação em dança a experiência de palco que acontece, anualmente, através das apresentações públicas nas Oficinas Coreográficas e no Espectáculo Final de cada ano lectivo.

A Escola de Dança do Conservatório Nacional continua também empenhada em manter o prestígio que tem granjeado e, se possível, elevá-lo. Com este intuito, tem vindo a abraçar desafios cada vez maiores e a assumir compromissos sempre mais ambiciosos. Resultado desse esforço é o reconhecimento internacional que a escola tem vindo a ganhar com o processo de internacionalização, através da participação em vários festivais e concursos internacionais de renome mundial». In Fundação Oriente.

Cortesia da Fundação Oriente/JDACT

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Cidade que era Cinzenta. Companhia de Dança de Almada. « Por muito pequeninos que sejam, estes seres vão harmonizando a forma da cidade com as cores da natureza, tornando-a viva, mutável…»

Cortesia de foriente

A Cidade que era Cinzenta. Companhia de Dança de Almada. Nos pf dias 10 e 11 de Dezembro de 2011, 16h00, Auditório, Espectáculo Infantil.
«Numa cidade cinzenta de ângulos rectos, suja e sem vida, homens cinzentos e sem vida atravessam a rua mecanicamente com os seus pés de marioneta. Há uma pequena criança que, no seu quarto, sonha e deseja um mundo melhor.
De malas em punho e com uma boa disposição inabalável, os Esporos Mágicos anseiam mudar esta cidade cheia de maus hábitos. Por muito pequeninos que sejam, estes seres vão harmonizando a forma da cidade com as cores da natureza, tornando-a viva, mutável, dando primazia àquilo que nas pessoas há de melhor: o saber, o criar e a capacidade de preservar aquilo que nos é vital e precioso.

Cortesia de galacrescerser

A Companhia de Dança de Almada é uma companhia profissional de dança contemporânea. Desenvolve a sua actividade essencialmente nas vertentes de criação, produção, apoio a actividades emergentes, pedagogia, formação profissional e de públicos, intercâmbio nacional e internacional e divulgação da dança, com foco nas tendências contemporâneas e inovadoras. Iniciou as suas actividades em 1990, tendo ao longo destes anos realizado mais de 600 espectáculos que foram vistos por cerca de 90 000 espectadores, no país e no estrangeiro.
Concepção e coreografia de Carla Albuquerque e Maria José Bernardino». In Fundação Oriente.

Cortesia da Fundação Oriente/JDACT

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fundação Oriente. A Dança. Sole to Soul. «Inspirada nas tradições dos contadores de histórias da Índia, o misticismo do Sufi, e a paixão dos formatos musicais islâmicos…»

Cortesia da foriente

Dia 5 de Novembro de 2011, 21h30, Auditório

Lajja Sambhavnath, coreografia e interpretação a solo, Paulo Sousa, sitar, Raimund Englehardt, tabla. Bailarinas da Comunidade Hindu de Portugal.

«”Sole to Soul” é uma produção de dança clássica indiana «khatak». Uma experiência hipnotizante que começa na raiz do corpo das bailarinas, os pés, para alcançar a alma da audiência. Esta peça tem um tom contemporâneo aplicado àquilo que é o vocabulário do movimento e o formato de apresentação do «kathak» tradicional, manifestando-se pela beleza e pela forma íntima com que é desenhada a dança e a música ao vivo e gravada. Inspirado nas tradições dos contadores de histórias da Índia, o misticismo do Sufi, e a paixão dos formatos musicais islâmicos e a música persa, a experiência é, de certa forma, espiritual e, de certa forma, estética.

Sole to Soul é feito pelos pés da bailarina, parte da alma da bailarina, para a alma da audiência». In Fundação Oriente.

Cortesia de F. Oriente/JDACT

terça-feira, 6 de setembro de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

Fundação Oriente: Companhia Bireun Seudati Uph. Dança Indonésia. «Os jovens universitários partilharem as suas ideias sobre arte, tradição e herança cultural. Cerca de duas dezenas de bailarinos em palco apresentam coreografias e trajes tradicionais, acompanhados de um grupo de músicos num espectáculo pleno de cor e de sonoridades exóticas»

Cortesia de foriente

Companhia Bireun Seudati Uph. Dança Indonésia. Dia 30 Julho de 2011, 21h 30, Auditório do Museu.

«Bireun Seudati, a companhia profissional de dança da Universidade Pelita Harapan (UPH), de Jacarta, foi criada em 2005, como forma de os jovens universitários partilharem as suas ideias sobre arte, tradição e herança cultural. O riquíssimo folclore da Indonésia, um país com 700 grupos étnicos espalhados por milhares de ilhas, tem viajado pelo mundo graças à companhia profissional de dança da Universidade Pelita Harapan (UPH), de Jacarta. Cerca de duas dezenas de bailarinos em palco apresentam coreografias e trajes tradicionais, acompanhados de um grupo de músicos num espectáculo pleno de cor e de sonoridades exóticas.

A dança indonésia, a par da música e dos trajes, reflectem a diversidade étnica e cultural do país:
  • populações de raiz austronésia, formas tribais melanésias e populações de influência asiática e até ocidental, por via da colonização.
Cada grupo étnico tem as suas danças próprias o que faz que, no país, existam mais de 3000 danças originais, divididas em três períodos, a era pré-histórica, a era hindu/budista e a era do Islão, e em dois grandes géneros: a dança da corte e a dança folclórica.


Programa
Dança Lenggang: Dança tradicional da cultura Betawi, de Jacarta, capital da Indonésia. Esta dança conta a história de um grupo de raparigas que acolhem alegremente um grupo de hóspedes vindos de longe. As bailarinas, usando trajes coloridos, evoluem ao som de instrumentos tradicionais designados de Gambang Kromong. A aculturação clássica chinesa reflecte-se tanto nas roupas como na música embora seja também notório um toque das culturas clássicas da Europa e Médio Oriente.
Dança Tcenderawasih: Originária da papua ocidental, esta dança traduz os movimentos dos pássaros de Cenderawasih. O bailado conta a história do amor entre casais de pássaros que sobrevoam as montanhas da região numa perseguição amorosa. Em cena, apenas dois bailarinos cujos movimentos, típicos de Bali, são sobretudo executados pelas mãos que representam as asas dos pássaros.
Dança Tor-Tor: Originária do norte da Sumatra, esta dança era usada num ritual destinado a comunicar com os espíritos, que são chamados à vida, e com esculturas de pedra, símbolo dos espíritos ancestrais. A dança evoluiu ao som de música produzida por tambores, flauta e trompete.

Cortesia de foriente

Dança Piring (Dança do Prato): Dança tradicional da Sumatra ocidental que evoca os camponeses que plantam as suas terras e que, no final, agradecem as boas colheitas. As bailarinas rodam os pratos como forma de gratidão ao seu deus que lhes proporcionou tão bons lucros. Entre três e sete bailarinos, homens ou mulheres, empunham um prato em cada uma das mãos e dançam energicamente ao som de instrumentos tradicionais, o Talempong e o Saluang. Os movimentos exigem grande coordenação de pernas e braços.
Dança Ganjen: Dança tradicional de Betawi que retrata jovens expressando os seus sentimentos e, sobretudo, o seu desejo de liberdade. Trata-se de uma das mais recentes danças da Indonésia, não obedecendo, por isso, a qualquer padrão ou regra tradicional. Nesta dança, só há bailarinas que meneiam as ancas como forma de atraírem os espectadores masculinos. 
Dança Jaipongan: Originária da parte ocidental de Java, esta dança, à semelhança da anterior, é também muito recente e evoca a beleza no seu todo. As bailarinas usam leques e écharpes e desempenham movimentos ritmados de ancas, braços, ombros, cabeça e mãos. 
Dança Saman (Dança das Mil Mãos): A Dança das Mil Mãos é a mais popular em Aceh. A tribo Alas executa-a para celebrar o nascimento do profeta Maomé, entre outros acontecimentos. Considerada um dos meios de comunicar a mensagem de Alá, a dança reflecte ainda qualidades como a educação, a moral, o heroísmo, a solidariedade e a união. Entre 10 e 20 bailarinos ajoelham-se em fila e executam vários movimentos de torso acompanhados de canções, palmas e pancadas no chão com as mãos. Esta dança não é acompanhada por qualquer instrumento musical.
Dança Geleng: Acompanhada de música executada num tambor rapai, esta dança tem como principal objectivo difundir os ensinamentos islâmicos e ensinar a sociedade a viver em harmonia. Os movimentos são idênticos aos da dança Saman, embora aqui cada bailarino empunhe um tambor. O bailado é acompanhado de uma canção alusiva aos ensinamentos islâmicos e o ritmo evolui em quatro fases: lento, rápido, muito rápido e imóvel, correspondentes às decisões da vida, à luta contra as más influências, ao caos, para terminar na imobilidade total. 
Dança Giring-Giring: Originária da região central de Kalimantan, esta dança foi popularizada pela tribo Ma'anyan como forma de agradar aos seus hóspedes. As bailarinas estão munidas de paus na mão esquerda enquanto a direita abana um bambu cheio de pedrinhas que produzem um som característico. Os pés movem-se para trás e para a frente ao som da música. A sincronia entre os movimentos de mãos e pés proporciona um belo efeito visual. 
Dança Pakarena: A dança narra a história de um habitante dos céus (Boting Langi) que, na descida à terra, encontra um homem chamado Lino. Antes de voltar aos céus, Boting Langi dedica-se ao ensino da filosofia, da agricultura e da caça, recorrendo para tal a movimentos das mãos, pés e tronco. A dança é toda ela graciosidade reflectindo o respeito que as mulheres têm para com os seus maridos Gowa. As bailarinas Pakarena não devem abrir demasiado os olhos nem levantar as pernas demasiado alto.
Dança Yospan: Originária da Papua, a dança Yospan é uma manifestação de regozijo pela vitória na guerra. Com o passar dos tempos, a dança tornou-se um símbolo de amizade entre os habitantes da Papua e os de fora. Os movimentos dos bailarinos são vigorosos, atirando-se para o chão para manifestarem o seu entusiasmo. 
Dança Indang: Indang, ou Badindin, é uma obra literária tradicional. Os bailarinos dançam em grupos e, geralmente, são acompanhados de cânticos e música executada em pequenas rebana (tambores islâmicos). Originalmente, esta dança foi concebida como forma de conversão islâmica o que explica a presença de preces a Maomé. Os sete bailarinos executam movimentos que fazem lembrar o silat, uma velha arte marcial». In Fundação Oriente.

Cortesia de FOriente/JDACT

terça-feira, 10 de maio de 2011

Alegoria da Dança. Reflexões sobre a dança a partir das metáforas de Zaratustra: Parte IV. «A música exerce, na filosofia de Nietzsche, um papel fundamental. Tal papel educativo não se circunscreve à educação formal e seus métodos...»

Cortesia de wikipedia 

Reportando-me à exposição de António Sérgio na BM de Portalegre.
Com a devida vénia a Odilon José Roble.

Resumo
«Com base no pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, busca-se esclarecer o conceito de «dança» utilizado alegoricamente pelo autor nas suas obras, especialmente em «Assim Falou Zaratustra». Nota-se que tal conceito tem fundamento na sua admiração pelo helenismo, mais especificamente na estética dionisíaca, e que as formas actuais de compreensão da dança podem estar distantes da caracterização realizada por Nietzsche. Observa-se também que, na filosofia nietzschiana, a alegoria da dança configura-se como um importante instrumento para o projecto de transfiguração moral proposto pelo autor.

Cortesia de esca

A dança e a música
A música exerce, na filosofia de Nietzsche, um papel fundamental. Desde sua aproximação de Wagner até o rompimento de sua relação com o compositor, sempre esteve presente a convicção do filósofo alemão sobre o papel educativo central da música. Tal papel educativo não se circunscreve à educação formal e seus métodos, Nietzsche vê na música uma função educativa muito mais ampla, que tem a capacidade de conduzir a humanidade a uma esfera superior de sua relação com a vida, desequilibrando as obviedades pela «comovedora violência do som» (2003, p. 34). A teoria estética de Nietzsche sobre o mundo grego é baseada na divisão de forças entre dois grandes modelos, representados pelo apolíneo e pelo dionisíaco. Apolo, deus solar, é o representante estético da harmonia, das formas exactas, da ordem e da beleza equilibrada. Dionísio, deus do vinho e da metamorfose representa os excessos, o poder do caos, do entusiasmo e da energia. A arte apolínea, por excelência, é a escultura ao passo que arte dionisíaca é a música.
Cortesia de elo7

No entanto, notemos que, por essa origem ritualista que embaça a reflexão de Nietzsche, a dança e a música formam uma unidade e é assim que devemos entender, portanto, as menções posteriores que o filósofo fará à dança. Esse cuidado alerta-nos que, se tomarmos como referencial certos modelos actuais para compreender a dança estaremos escolhendo algo fundamentalmente diferente daquilo que deu substância ao pensamento nietzschiano. Nas festas dionisíacas, música e dança são uma unidade, não há estética contemplativa (que é apolínea e trágica), mas uma actividade, no sentido de uma participação ou entrega do indivíduo ao contexto.
A dança esquadrinhada, técnica, conduzida ao passo e à previsibilidade coreográfica nada tem em comum com a espontaneidade do culto dionisíaco. A dança que Zaratustra pode nos oferecer, portanto, não é da ordem do modelo, da técnica ou da norma, mas sim a do improviso, da embriaguez e da fruição. Segundo Nietzsche (2007, p. 82) a obra Assim falou Zaratustra” pode ser entendida, ela própria, «inteiramente como música».  In Alegoria da Dança, Reflexões sobre a dança a partir das metáforas de Zaratustra.

Cortesia de Odilon José Roble/JDACT

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Alegoria da Dança. Reflexões sobre a dança a partir das metáforas de Zaratustra. Parte III. «Como categoria filosófica, é essencial no sistema de pensamento de Schopenhauer, que define o sentido da vida como o da «vontade de viver» e, em Nietzsche, também é fundamental, na condição de «vontade de poder»»

(1844-1900)
Rocken, Alemanha
Cortesia de wikipedia

Reportando-me à exposição de António Sérgio na BM de Portalegre.
Com a devida vénia a Odilon José Roble.

Resumo
«Com base no pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, busca-se esclarecer o conceito de «dança» utilizado alegoricamente pelo autor nas suas obras, especialmente em «Assim Falou Zaratustra». Nota-se que tal conceito tem fundamento na sua admiração pelo helenismo, mais especificamente na estética dionisíaca, e que as formas actuais de compreensão da dança podem estar distantes da caracterização realizada por Nietzsche. Observa-se também que, na filosofia nietzschiana, a alegoria da dança configura-se como um importante instrumento para o projecto de transfiguração moral proposto pelo autor.

Cortesia de lagash
«O espírito humano pode ir ainda mais além da resistência do camelo ou da força do leão: ele pode assumir o espírito da criança. O mais poderoso dos espíritos é aquele que tem em si a criança e isso significa, fundamentalmente, a capacidade de ser livre, de brincar com a vida, de esquecer activamente e de amar a existência. Em suma, o espírito da criança é um grande «sim» à vida. Essa posição da filosofia de Nietzsche, que encontra fundamento, em parte, na influência que Schopenhauer teve sobre seu pensamento, é conhecida por «vitalismo». Tanto em Schopenhauer como em Nietzsche o vitalismo é uma filosofia de inclinação radical à vida. No caso da metáfora do primeiro discurso de Zaratustra, o espírito da criança compreende esse amor e, assim, trata do homem que tem vontade. A vontade, como categoria filosófica, é essencial no sistema de pensamento de Schopenhauer, que define o sentido da vida como o da «vontade de viver» e, em Nietzsche, também é fundamental, na condição de «vontade de poder».

Cortesia de anaelo15
Brincar com a realidade, dizer sim à vida, mover-se como um ser de vontade. Esses são os primeiros passos, ou o pano de fundo para se compreender o porquê da escolha de Nietzsche pela metáfora da dança. A dança parece querer essa leveza ou ligeireza. A agilidade do dançarino é o suporte da vida vivida com o espírito da criança. A dança que Nietzsche enxerga é aquela que não tem códigos determinando sua acção, mas, ao contrário, ela é a própria desintegrada dos códigos, dos lugares-comuns, da normalidade.

Desde suas primeiras obras Nietzsche percebe o papel transformador da arte. Em um mundo dominado pela fraqueza moral, na qual os homens se submetem ao medo e, assim, renunciam à vida, a arte aparece como representante de um poder vital. A dinâmica da arte é capaz de reintegrar o homem à vida, devolvendo a energia que a submissão lhe roubara. Essa forma de entender a arte é fundamentalmente antagónica àquela que se desenvolve após o advento da tragédia no cenário grego dos séculos V e IV a.C.

Cortesia de moltagge
Fundamentando um novo formato para o teatro, no qual nota-se a presença do solista, do coro ensaiado, dos recursos cénicos não espontâneos o teatro vai se configurando, na opinião de Nietzsche (2003), em uma forma institucionalizada de se conduzir as emoções e de se obliterar o papel dionisíaco da arte. Para que arte seja de facto vital e ofereça ao indivíduo uma experiência única e totalizante sobre a vida ela deve ter a energia anterior ao do regramento trágico, ela deve ser, em suma, dionisíaca.

Os cultos dionisíacos estão, certamente, entre as manifestações mais efusivas da cultura helenística. Em homenagem ao deus do vinho, clamando-se por sua fertilidade, os cortejos eram levados ao êxtase entusiástico conduzidos, sobretudo, pelo vinho e pela dança. A dedicação de Nietzsche ao resgate dos valores pré-socráticos da cultura grega, em especial, do dionisíaco, levou-o, assim, à valorização da dança. Pois então há de se compreender que essa dança, que Nietzsche nos apresenta como enérgica, visceral, destruidora, é uma dança dionisíaca, uma expressão de êxtase e entusiasmo do corpo com a música, com o divino e com o outro. Vejamos, brevemente, cada uma dessas relações em separado para, assim, tecermos mais algumas reflexões sobre a dança a partir das imagens de Nietzsche». In Alegoria da Dança, Reflexões sobre a dança a partir das metáforas de Zaratustra.

Continua.

Cortesia de Odilon José Roble/JDACT