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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

As arquitecturas de Cister em Portugal. A actualidade das suas reabilitações e a sua inserção no território. Ana Ferreira Martins. «(…) quando o Gótico chega a Portugal chega por via cisterciense; despojado e frio, claro e plano, luminoso e branco; resta saber, aliás se a própria arquitectura portuguesa, de outros séculos vindouros…»

Logotipo de la Carta Europea de los Monasterios y Sitios Cistercienses
Cortesia de wikipedia

«El legado cisterciense en Portugal forma parte de algo más vasto como el plan integral de las arquitecturas del Císter en toda Europa estándose desarrollando un programa integrado de recuperación y rehabilitación del patrimonio cisterciense. Este plan integrado no solo tiene por fin la recuperación, rehabilitación y valoración del patrimonio cisterciense como también el incremento del interés cultural por el territorio. Las marcas del legado de la Orden del Císter en Portugal están constituidas por monasterios, abadías, iglesias, envolventes urbanísticas y rurales, patrimonio industrial, así como patrimonio mueble, tradiciones, ritos y cultos que se constituyen en unidades no solo arquitectónicas sino artísticas y paisajísticas, de elevado valor patrimonial que merecen ser estudiadas y preservadas. El Instituto Portugués del Patrimonio Arquitectónico (IPPAR) conjuntamente con otras instituciones ha desarrollado los Itinerarios del Císter que con la transformación del IPPAR en IGESPAR, fue sustituido por el programa Conjuntos Monásticos que englobaba también ejemplares arquitectónicos de otras Ordenes. Posteriormente el IGESPAR sustituyó el programa Conjuntos Monásticos por el programa Monasterios Portugueses Patrimonio de la Humanidad. A pesar de que el Patrimonio Cisterciense, en Portugal, empieza a insertarse en un plan totalizante y transeuropeo, no deja de prestar su contribución en la vitalización de los planes locales o regionales de desarrollo e identificación cultural.
En la actualidad Portugal integra la Carta Europea de los Monasterios y Sitios Cistercienses (Charte des Abbayes et Sites Cisterciens d’Europe), entidade fundada informalmente, hace poco más de dos décadas, en la Abadía de Pontigny pero que apenas en el año 1993, en la Abadía de Fontenay, se concretizaron y oficializaron sus estatutos.

El contexto portugués
Las fundaciones de la Orden del Císter en Portugal estuvieron, desde el comienzo, asociadas a objetivos de ocupación y gestión del territorio, sobre todo durante la formación del país. De esta forma se entiende así la vasta escala de ocupación del territorio, la extensión de sus dominios y áreas de influencia. La distribución de este sistema, a nivel geográfico, es bastante asimétrica. De hecho surge una gran concentración de elementos en el norte y centro de Portugal al contrario de todo el territorio al sur del río Tajo, donde las implantaciones son muy limitadas. Este hecho es simplemente explicado por motivos históricos atendiendo a la época y región geográfica en cuestión. De entre los elementos que componen el sistema designado por arquitecturas del Císter se destacan algunos ejemplos por su excepcionalidad. De esta forma, como elementos integrantes de la orden del Císter hay que referirse al monasterio de S. João de Tarouca, que se considera el primero de esta orden fundado en Portugal, el monasterio de Santa María de Salzedas, el monasterio de Santa María de Alcobaça (percusor del gótico en Portugal y último fundado en vida de S. Bernardo), el monasterio de Santa María das Júnias, el monasterio de Santa María do Bouro. Como sugiere Paulo Pereira, es importante pensar y estudiar este tema: (…) quando o Gótico chega a Portugal chega por via cisterciense; despojado e frio, claro e plano, luminoso e branco; resta saber, aliás se a própria arquitectura portuguesa, de outros séculos vindouros não deve muito ou quase tudo a esta estética cisterciense que teimosamente perdurou; eis um programa de pesquisa a desenvolver: o da longa herança cisterciense. De modo a permitir un mejor encuadramiento de este sistema se presenta incluido en esta tesis un mapa donde se puede constatar la localización, aunque sumaria, de las presencias cistercienses en Portugal. Portugal hace parte integrante de la Carta Europea de los Monasterios y Sitios Cistercienses (Charte des Abbayes et Sites Cisterciens d’Europe) y es representado por el Monasterio de Santa Maria de Alcobaça asi como por los Monasterios de São Pedro e São Paulo de Arouca, S. Cristóvão de Lafões, Santa Maria de Salzedas e Nossa Senhora da Assunção de Tabosa.
La Asamblea-general del 2009, de la Carta Europea de los Monasterios y Sitios Cistercienses, tuvo lugar por primera vez fuera de Francia, en la Abadía de Alcobaça, en Portugal, en el 1 de Mayo del 2009. Recientemente fue creada la APOC, Asociación Portuguesa del Císter, y de sus objetivos hacen parte los siguientes:
  • promoción, acompañamiento y apoyo a la restauración, en Portugal, da la Orden del Císter; 
  • estudio y divulgación de la historia de la Orden del Císter en Portugal; 
  • promoción del estudio y restauro del patrimonio cultural português, inmóvil, móvil e inmaterial legado por la Orden del Císter».
In Ana Maria Tavares Ferreira Martins, As arquitecturas de cister em Portugal. A actualidade das suas reabilitações e a sua inserção no território, Tesis Doctoral, Universidad de Sevilha, Departamento de História, Teoría y Composición Arquitectónicas, 2011.

Cortesia da U. de Sevilha/JDACT

sábado, 24 de maio de 2014

Mosteiro de Santo Tirso. De 978 a 1588. «… superiormente dirigida por um Abade Geral sedeado em Tibães, e, enquanto se esperaria pela resignação do comendatário, a administração do convento de Santo Tirso correu provisoriamente por conta dos Priores trienais e eleitos (1570-1590)»

Cortesia de wikipedia

O mosteiro de Santo Tirso, antes de 1092. Silhueta de uma entidade projectada no chão de uma história milenária
De 1402 a 1588
«(…) Outro poder, entretanto, e mais alto!, se alevantou. O rei João I, através do cardeal de Nápoles, intercepta o despacho das Bulas Pontifícias. Tutto calculato: este candidata-se à prelazia de Santo Tirso que, de facto, obtém da Cúria Romana. E, logo depois, a vai depositar nas mão do monarca português. Daqui transitará direitinha para a posse do seu favorito: o galego e fidalgo Martim Aires, da família dos Vieiras. A partir daqui, poderes mais altos decidem da liderança conventual. E passa-se por cima da opção dos monges e das atribuições concretas dos padroeiros. Vão ainda reagir uns e outros, por 1430. Mas inutilmente... Numa nota introdutória aos prazos quatrocentistas do mosteiro, diz-se que foi Martim Aires o primeiro abade comendatário de Santo Tirso. E o seu sobrinho o segundo prelado deste género. Em Março, porém, de 1401, Martim Aires é só e ainda administrador do nosso convento. Mas, a 15 de Junho de 1402, era já o abade efectivo da casa tirsense Os abades comendatários de Santo Tirso terminarão em 1588, com a resignação do cardeal Alexandre Farnese, a troco de uma pensão de 400.000 reis anuais. E mais que vitalícia, que os frades só dela se redimiram em 1617. Ou seja, vinte e oito anos depois da morte do neto de Paulo III, que se daria em 1589, um ano depois da renúncia à comenda de Santo Tirso.

1590-1834: período dos abades eleitos e trienais
Há, antes de mais, um período de transição. Desde que Santo Tirso aderiu à Reforma, que incorporaria os mosteiros numa Congregação, superiormente dirigida por um Abade Geral sedeado em Tibães, e, enquanto se esperaria pela resignação do comendatário, a administração do convento de Santo Tirso correu provisoriamente por conta dos Priores trienais e eleitos (1570-1590). Período de transição, repita-se. Findo este, pela resignação do cardeal Alexandre Farnese, é então eleito o primeiro Abade trienal de Santo Tirso, que foi Luís do Espírito Santo. Dos abades subsequentes, após 1590, conhece-se bem o princípio e o fim, salvo uma que outra vez, quando a morte lhes antecipou o fecho do seu mandato; quando uma falta do Prelado, física ou psicológica, se remedeia com suspensão da prelazia; ou quando uma sustatória vier a impedir aos monges o livre exercício da sua opção. Não só, pois e em princípio, se conhece o ano, como até o mês. A partir dos finais do século XVI, os Abades são eleitos, por regra, em Maio e terminam o seu mandato três anos depois, a 30 de Abril. Os estadistas eleitos nos Conselhos, na ponta final da prelatura, fazem então o relato do estado em que se encontrava o mosteiro, aquando da tomada de posse, e do estado em que o mesmo ficou, após o encerramento do seu abaciado. No relatório, darão notícia, mais ou menos pormenorizadamente, de tudo quanto o abade se teria desempenhado no fio da administração que a Providência lhe demarcou. Tanto em Santo Tirso, como no Priorado da Foz, ou nas outras igrejas anexas.

Uma fermentação em marcha. Monástica e senhorial. Um tecido de malha rarefeita
Já vão serenando, um tanto ou quanto, as ondas que agitaram as águas da investigação histórica, a respeito da questão famosa do ermamento do vale do Douro. Não queremos dar nenhuma achega que serene os ânimos. Só um pormenor que a documentação e a arqueologia parecem insinuar. A saber, se as invasões árabes, ou até fenómenos naturais, como pestes, por exemplo, não provocaram uma desertificação, pelo menos, parece-me segura a hipótese de uma rarefação e de uma certa desorganização com uma tal ou qual ruptura administrativa, aqui, junto do Ave. Já o documento da geração goda de 876  nos dá a sensação de que os primeiros repovoadores chegados à margem do Ave, Alvarelhos, Branderiz (S. Tiago da Carreira) e Brufe (Famalicão), aqui arribariam pela segunda parte do século IX. Curiosamente, as escavações do Padrão, como as de Alvarelhos, anotam uma obscuridade total entre a segunda parte do século III, o Padrão, ou século V, segunda parte, no caso de Alvarelhos, após um período de maior ou menor brilho de épocas anteriores. E retomariam um tanto ou quanto de fôlego mais tarde, pelo século X. Claro que estas ideias não podem dar a proporção, que sirva de norma a todas as partes deste Entre-Douro-e-Minho. Pegadas de presença humana, por exemplo, em Braga, se vislumbram, com mais ou menos evidência, no tapete continuado da sua história.
A retoma de uma presença humana férvida e coerente far-se-ia dois-três séculos adiante deste prolongado eclipse, que não digo total. As causas daquela letargia poderão ser diferentes. Mas não há dúvida de que a agressão das hostes muçulmanas nada ajudaria a uma presença da população hispano-romana germanizada, numa vivência tranquila, a respeito do homem e da terra. A expressão do papa Pascoal II, em 1115, Postea uero per annos multos yspaniae maiorem partem a mauris uel ysmaelitis inuasam atque possessam urbium uel ecclesiarum abolitio manifestat et nostrorum temporum memoria non ignorat, e, depois, em 1120, Calisto II, dum portugalensis prostrata iaceret ecclesia, manifesta uma situação anormal, face à história da igreja e da sociedade de épocas anteriores. E ambos não falam de cor, que das situações lhes chegam informes pelo testemunho pessoal e local dos primeiros bispos, após a reconquista.
A presença mais vincada de repovoadores nesta zona far-se-á no contexto das lutas contra os árabes. Já com Afonso III, que alargou o território da ocupação cristã até ao Douro. Daí a demora habitual da família de Guterre Mendes, em Santo Tirso. Aliás, como pouco antes, já em diversos pontos nevrálgicos, dentro da área a norte do Douro, outros nomes sonantes avultariam, como Vímara Peres, o conde Odoário, nas presúrias de que foram líderes sobre o Porto e sobre Chaves, respectivamente.

Um solo donde brota a Primavera
O mosteiro de Santo Tirso encontra-se na região situada entre os rios Ave, Vizela, Douro e Tâmega. Esta unidade geográfica incluiria, dentro de si, duas grandes terras: a da Maia, a ocidente, e a de Sousa, a nascente. Ao século XIII, subdividir-se-ia em vários Julgados e Termos: Bouças, Maia, Gondomar, Refojos de Riba d’Ave, Aguiar de Sousa, Penafiel de Sousa, Santa Cruz de Sousa, Lousada, Portocarreiro e Felgueiras. Duas estradas romanas passavam pelas imediações do mosteiro de Santo Tirso: a de Porto-Braga, e uma outra, que, saindo da primeira destas cidades, numa orientação mais a leste, passava por S. Tiago da Carreira (Santo Tirso), rumo à Ponte de Negrelos, na mira da junção à via romana, em S. João da Ponte, e que, oriunda da Bracara Augusta, conduzia os viandantes até Mérida». In Francisco Carvalho Correia, Maria Luz Ríos Rodrigues, Wikipédia, Universidade de Santiago de Compostela, Faculdade de Xeografia, História e Arte Departamento de História Medieval e Moderna, 2007, ISBN 978-8498-8703-81

Cortesia USCompostela/JDACT

Mosteiro de Santo Tirso. De 978 a 1588. «Depois, fechou as portas do mosteiro, beijou o solo. Agoniado no coração, intuiu a suspeita de que os seus religiosos sairiam do convento, mas não como em 1385. Agora, talvez, sem esperança de regresso. E adivinhou...»

Cortesia de wikipedia

O mosteiro de Santo Tirso, antes de 1092. Silhueta de uma entidade projectada no chão de uma história milenária
«Um primeira fase (978-1092), de silhueta imprecisa. De que ordem não se saberá. Logo o acto solene de 1092 foi, certamente, entre outras coisas, uma filiação, não propriamente uma fundação: os monges, aos finais do século XI, sem que interrupção de vida monástica houvesse, conforme penso, tão só adoptaram uma Regra, a de S. Bento. Julgo que sim. Porque só uma filiação, respeitar-se-ia o orago de trás, o mártir Santo Tirso. Mas logo se lhe adoçaria a protecção secundária de Nossa Senhora da Assunpção, que já figura na carta de couto de 1098. E que, depois, a Senhora-a-Alta se revigoraria, a ponto de reagir-se contra o declínio e postergação do santo asiático. Da organização da comunidade original também nada, ou pouco, sabemos Mas avulta já uma faceta que marcaria, com vigor, a caminhada histórica do mosteiro de Santo Tirso. De coração aberto aos problemas do homem e do mundo. Assim, a controvérsia de 1100-1101, entre o convento e o arcebispo S. Geraldo, revelará, por analepse, num recuo mesmo às origens, o acolhimento do mosteiro a favor dos viandantes, sem distinção. Eclesiásticos ou leigos, pobres ou da fidalguia, todos encontravam na nossa casa religiosa uma telha que os abrigasse e um naco de pão que lhes fornecesse vigor. A história de Gonçalo Pais, da Casa de Marnel, e ligado aos padroeiros de Santo Tirso, por parte da mãe, demonstra também igualmente a fama deste mosteiro, e os insucessos na recuperação do enfermo pode ser nada a deslustrem, no tratamento e solicitude em prol dos doentes. Uma espiritualidade, pois, que os não alienaria na função absorvente do culto e do altar ou na ascese redentora que os levasse a uma desvinculação total e pessoal dos laços corpóreos e mundanais. Antes, lhes infundia na devoção aos homens o calor místico de um encontro maior e mais estreito com Deus, em pessoa. O seu mistério o sondavam no coração mesmo da história.

Após 1092
Uma data importante: 1092. Agora, a filiação beneditina do nosso mosteiro, suponho, a eleição de Gaudemiro, escolhido pelo voto dos monges, apresentado pelos vinte e tantos padroeiros, confirmado e ordenado por Crescónio, bispo de Coimbra, o compromisso dos padroeiros sobre a indivisibilidade dos bens monásticos, a inauguração de um novo convento... Uma segunda data decisiva: 1402. Toma posse do mosteiro, nesta altura, o primeiro abade comendatário, Martim Aires. Perdem, doravante, os monges de Santo Tirso o direito da eleição; e os padroeiros o direito que lhes competia, o de apresentarem o abade. Sabemos pelas linhas e entrelinhas dos processos da nomeação quem são os promotores dos candidatos, ao nível das prelaturas. Outra data a impor um novo rumo no historial da comunidade religiosa: 1588. A 16 de Julho aconteceu a resignação do último comendatário, o cardeal Alexandre Farnese. Uma outra cronologia a reter-se, a de 1590: início dos abades, eleitos pelos monges, mas agora trienais. Foi o regime que perdurou até à abolição das Ordens religiosas: Maio de 1834. Dois meses antes, a 26 de Março, esquivar-se-iam, por antecipação, os nossos monges ao cutelo do Mata-frades. Com a entrada dos liberais na nossa cidade, o último prelado remeteria os monges para as suas terras de origem. Depois, fechou as portas do mosteiro, beijou o solo. Agoniado no coração, intuiu a suspeita de que os seus religiosos sairiam do convento, mas não como em 1385. Agora, talvez, sem esperança de regresso. E adivinhou...

De 1092 a 1395
É o período dos abades eleitos e vitalícios. Desde o abaciado de Gaudemiro até ao de Vicente Rodrigues. Há uma subdivisão. Isto é seguro. Confesso ingenuamente que me não sinto com forças para a tarefa de a delimitar. Isto é, não sei cronometrar a primeira série, a dos abades de rigorosa observância, e a que lhe sucederá, a daqueles a que se dá o nome de abades da claustra, quando se opera a divisão tripartida dos bens monásticos: duas partes para a mesa abacial e uma parte para a mesa conventual. À semelhança, diga-se, do que antes se fizera nas dioceses, com a instalação bipolarizada, mas em desigualdade, da mesa episcopal e da mesa capitular. Timidamente, aponto esta subdivisão, pelo que toca ao mosteiro de Santo Tirso: 1092-1171: abades de estrita observância; 1171-1396: abades da claustra. A data de 1171, como momento hipotético da uma fractura, de uma transição já efectuada, terá a sua justiça no facto da capacidade de que já usufruíra o abade Fernão Mendes, a de dispor dos seus bens, talvez, fracções da chamada mesa abacial, à sua morte, em benefício da ovença monástica da enfermaria. Se possuía bens seus e deles podia dispor é porque, no mosteiro, já tudo não seria em comum...

De 1402 a 1588
De 1396, morte do último abade da claustra, até 1402, abre-se um parêntesis: uma fase de transição. À morte de Vicente Rodrigues., último abade da claustra, diz um livro do cartório do mosteiro, houve uma agitada movimentação política. Os monges, com a anuência do padroeiro, decidiriam escolher um frade do convento, João da Maia. O bispo do Porto e o padroeiro, em acção concertada, e depois do segundo dar o dito por não dito!, impuseram-lhes João Afonso Aranha, cónego do Porto, abade de Várzea de Ovelha, Marco de Canaveses e, depois, bispo portucalense (1408-1414). Acatariam os religiosos, anulando, de forma virtual, a eleição de João da Maia». In Francisco Carvalho Correia, Maria Luz Ríos Rodrigues, Wikipédia, Universidade de Santiago de Compostela, Faculdade de Xeografia, História e Arte Departamento de História Medieval e Moderna, 2007, ISBN 978-8498-8703-81

Cortesia USCompostela/JDACT

domingo, 20 de janeiro de 2013

Mosteiro dos Lóios. Igreja de São Salvador de Vilar de Frades. Barcelos. Areias de Vilar. «Arquitectura religiosa românica, de que conserva o primitivo portal. Pelo exterior subsistem outras reminiscências do templo medievo, nomeadamente uma torre rectangular de sabor defensivo e um pano de muro do antigo alçado frontal da igreja românica»


cortesia de wikipedia

«A Igreja de São Salvador de Vilar de Frades, também referida como Igreja de Vilar de Frades e Igreja do Mosteiro dos Lóios, localiza-se no sopé do monte Airó, junto à margem esquerda do rio Cávado, na freguesia de Areias de Vilar, concelho de Barcelos. 
Faz parte do complexo do convento da Congregação dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista que aí estabeleceu a sua primeira casa-mãe, tendo sido, antes, um mosteiro beneditino. A sua arquitectura é notável, especialmente pelo abobadamento da igreja, principalmente na capela-mor e transepto, bem como pelo portal manuelino da fachada principal, ao lado do qual se encontra, na torre sul, um portal e uma janela de características românicas, construídos, contudo, já no século XIX com vestígios do mosteiro original. Encontra-se classificada como Monumento Nacional desde 1910.
A mais antiga referência ao mosteiro beneditino de Vilar de Frades data de 1509. Contudo, segundo frei Leão de São Tomás, teria existido uma carta do monge beneditino frei Drumário, escrita em 7 de Outubro de 571 que datava a fundação do mosteiro em 566, pela mão de São Martinho de Dume. Segundo Jorge de São Paulo, acreditando na existência dessa carta, o mosteiro seguiu a regra de São Bento desde essa data até 714, ano em que foi destruído devido às invasões muçulmanas, nada restando dessa fase da vida do convento. Teria sido reconstruído, segundo o mesmo autor, em 1070, mantendo-se sob a alçada da Ordem Beneditina até 1425. A reconstrução foi obra, sobretudo, de nobres locais, como Godinho Viegas, que pelo seu empenho na Reconquista Cristã, receberam os favores dos primeiros monarcas portugueses, como Sancho I, que deu a carta de couto ao mosteiro em 1172. Em 1104, Dona Gotinha, parente de Godinho Viegas, terá dado um novo estímulo ao convento, doando uma propriedade rústica da freguesia de Santiago de Encourados.
Em 1302, D. Beringeira Aires, herdeira e padroeira de outros conventos além deste, doou, a 12 de Agosto, o padroado e jurisdição que tinha sobre o mosteiro a Geraldo, bispo do Porto. Em 1400, passou a ser uma abadia secular, sob o padroado do arcebispo de Braga, Martinho Afonso Pires. Em 1425, finalmente, Fernando Guerra, arcebispo de Braga, passa o mosteiro para as mãos de Mestre João Vicente, futuro bispo de Lamego e Viseu. Este encontrou-o em bastante mau estado, mas reformou-o de forma exemplar, com o apoio que recebeu da Santa Sé e da diocese de Braga que anexaram 13 igrejas ao convento até 1510, depois de ter faltado apoio semelhante à nova congregação religiosa em outros locais. A congregação ainda teve o apoio de Vasco, em Évora, mas a oferta do mosteiro veio a mostrar-se decisiva. O Mestre terá encontrado o antigo mosteiro reduzido a umas pobres casas ou chóças, & huma pequena Igreja, tudo em tal estado que mais tinha de ruina, que de edifício. O Claustro servia, nessa altura, de corte de gado, as oficinas estavam arrasadas, a igreja servia de celeiro e adega. Os frades passaram a viver nas celas térreas e na igreja velha.


O apoio da Sé de Braga não foi constante. Ainda que a congregação se tenha instalado em Vilar com a concordância do cabido da Sé de Braga, que permitiu a anexação da Igreja do Mosteiro de São Bento da Várzea desde que os futuros reitores se submetessem à autoridade do arcebispo de Braga, ficando a confirmação da eleição dos mesmos, em Capítulo Geral, dependente da confirmação da Sé.
Os cónegos, contudo, desde cedo que manifestaram desejos de autonomia em relação a Braga, procurando apoio junto da corte régia, Afonso V de Portugal, junto do conde de Barcelos, do duque de Bragança e mesmo da Santa Sé. Esta última confirmaria o seu apoio à nova Ordem, durante o pontificado dos papas Martinho V e Eugénio IV, este último promoveu o mestre João Vicente a bispo de Lamego, além de ordenar que o convento ficasse sem dependência do arcebispo. Monsenhor José Augusto Ferreira chega mesmo a dizer que os Cónegos Azuis de Vilar fizeram-se vermelhos e enveredaram pelo caminho da ingratidão. A acção de Fernando da Guerra é, aliás, paradoxal neste conflito de interesses, já que continuou a anexar igrejas ao convento, ao mesmo tempo que tentava forçar os frades a reconhecerem a sua autoridade, o que conseguiu a 29 de Abril de 1461, ao confirmar o reitor João de Nazareth. Nos séculos seguintes, os reitores tentarão, de novo, o máximo de autonomia em relação ao arcebispado. Há que ter em conta que, tal como defende José Marques, a Ordem dos Lóios, ou cónegos seculares evangelistas, que se apresentava como uma comunidade de tipo novo, deve, sem dúvida, a sua existência e fundação ao apoio de Fernando Guerra, ao ceder as instalações do convento de S. Salvador de Vilar de Frades, até porque a congregação tinha tido problemas em instalar-se tanto em Lisboa como no Porto, recebendo apenas apoio em Braga.
Ao convento foram anexadas, ao longo da sua ocupação pelos Lóios, várias igrejas, a maioria das quais pela mão de Fernando Guerra, dando um poderio crescente à Ordem nesta região. Além da já citada igreja do Mosteiro de São Bento da Várzea, anexou ainda a Igreja de Santa Maria Madalena, de São João de Areias de Vilar, Santa Leocádia de Pedra Furada, Santa Maria de Moure, S. Jorge de Airó, São Martinho de Airó, São Vicente de Areias, São Pedro de Adães e Santiago de Encourados. O arcebispo Luís Pires fará ainda a anexação de Santa Maria de Góis, depois da renúncia do abade desta Igreja ao ingressar na Ordem dos Lóios.


A Igreja de São Martinho de Manhente, e convento, terá sido confiada pelo papa Nicolau V, através de uma bula de 1448, confirmada por uma bula posterior de 1450, tendo sido feita a tomada de posse em 1480, após confirmação também de Luís Pires. Com esta anexação, o reitor de Vilar de Frades passou a deter as prerrogativas do couto de Manhente, ou seja, capitão-mor, coudel-mor, repartidor das armas, alcaide-mor e ouvidor do cível, tendo a competência de nomear o juiz do couto. A Igreja de São Melião de Mariz foi anexada após um conjunto de peripécias: após a morte do abade desta igreja, os cónegos pediram a Jorge da Costa, que estava em Roma, para que anexasse também esta igreja ao seu convento. O cardeal, contudo, designou João dos Santos como abade desta igreja. Os cónegos, contudo, convenceram o novo abade a ingressar na congregação e a pedir a anexação da igreja ao seu convento. O papa Júlio II confirmará a anexação». In Wikipédia.

continua
Cortesia de Wikipédia/JDACT