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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Poesia. Maria Joana Couto. Cinzas de uma Fogueira Longe. «É feia a que sucede ao belo dia risonho e que não sai da nossa ideia! Que traz consigo a dor da nostalgia... A que a alma afeita, a sós pranteia!»

Cortesia de lalberodelloyoga


Noite Linda
Não soube com certeza o que dizia,
quem afirmou que a noite é sempre feia!
É sempre bela, a noite que anuncia
o fim dum dia triste que se odeia!
É feia a que sucede ao belo dia
risonho e que não sai da nossa ideia!
Que traz consigo a dor da nostalgia...
A que a alma afeita, a sós pranteia!

Mas porque encontro em ti, a noite linda?...
Tão linda como a luz da Lua infinda,
cercada de estrelinhas, na amplidão?

É porque muito alto junto a Deus
diviso a meiga luz
dos olhos teus...
Que torna clara, meiga escuridão!

Desejo
Se eu pudesse
ser o que não sou...
Ir aonde não vou...
E estar
aonde não
estou...

Poemas de Maria Joana Couto, in «Cinzas de uma Fogueira Longe»

JDACT

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Poesia. Maria Joana Couto. Cinzas de uma Fogueira Longe. «E assim caminho sem rumo sem ter guia sem ter norte, buscando a luz que nas trevas sobre a noite traga o dia, e me ampare até à morte!»

Cortesia de opovo 

Vida
Um punhado de areia
que se escoa
pelos dedos frágeis
de mãos abertas.

Eis o que é a vida!

Uma hora incerta
sonhada, e vivida
em horas incertas!


Do Alto
Sinto a luz do alto
que ilumina
o meu sorriso alegre de menino!

Menino que fui outrora
e já não sou!

Sorriso que foi de sonho
e se apagou...


Sem Rumo
E assim caminho sem rumo
sem ter guia
sem ter norte,
buscando a luz que nas trevas
sobre a noite
traga o dia,
e me ampare até
à morte!

Poemas de Maria Joana Couto, in «Cinzas de uma Fogueira Longe»

JDACT

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Poesia. Maria Joana Couto. Cinzas de uma Fogueira Longe. «... de quem saudades já tem, que sejam sempre saudades, de quem te quer tanto bem!»

Cortesia de liguria2000news

Saudação
Palavras saiem cantantes,
da alma e do coração!
E vão por terras distantes
num voto de saudação!

Se podem levar saudades,
de quem saudades já tem,
que sejam sempre saudades,
de quem te quer tanto bem!

Poema
Ai quem pudesse voltar,
ai quem pudesse querer!
O do passado a correr
não querer o mal passado!

Ai quem pudesse voar!
Ai quem pudesse ser quem
sempre à procura do bem
esse bem tenha encontrado!...

Dançarina Negra
Despida do esplendor
dos sete véus.

Como a rainha bela do Sabá
entre o subir das chamas
para os céus,
vibra contigo a alma das fogueiras!

Canta contigo
a voz do baobá,
dançam contigo
as folhas das palmeiras!
Como a rainha bela
do Sabá
vestida no esplendor
dos sete véus!

Poemas de Maria Joana Couto, in «Cinzas de uma Fogueira Longe» 

JDACT

domingo, 18 de dezembro de 2011

Poesia. Cinzas de uma Fogueira Longe. «E através do seu brilho procurar a trajectória da minha sombra que nunca encontrei...»

Cortesia de artelililaranjo 

Poema
Rosa presa ao chão
será ela
ou não?
Rosa desfolhada?
Morta?
Sem acção?

Transviada
Infância triste
em triste
madrugada!
Perco-me na imensidão,
e sou, no mundo então
alma penada.

Poema II
Se eu pudesse galgar
rios e mares,
e ir em busca de tudo
o que enterrei,
nas águas salgadas
das minhas lágrimas sem fim...

Se eu pudesse levantar os olhos
até ao céu constelado
de estrelas!
E através do seu brilho
procurar a trajectória
da minha sombra.

Que nunca
encontrei...

Poemas de Maria Joana Couto, in «Cinzas de uma Fogueira Longe»

JDACT

sábado, 19 de novembro de 2011

A Bela Poesia. Maria Joana Couto. Cinzas de uma Fogueira Longe: «Nas tardes de acalmia e sempre assim serenas, como um sonho embalador, que aumenta muito mais o meu fervor, a tudo o que observo no enfim...»

Cortesia de wikipedia 

Tardes Sombreadas
Nas tardes sombreadas de carmim,
quando oiço o mar cantando a minha dor
e o sol à despedida muda a cor...
Mostrando-nos o dia já no fim...
Nas tardes de acalmia e sempre assim
serenas, como um sonho embalador,
que aumenta muito mais o meu fervor,
a tudo o que observo no enfim...

Nas tardes, nestas tardes sempre lindas,
que dão lugar à noite, sem tormenta,
em horas que seguem quase infindas...
Distante por me ver, sem te encontrar,
sózinha sinto a sede que me alenta...
E ausento-me de mim, a divagar...

Poema de Maria Joana Couto, in «Cinzas de uma Fogueira Longe»

JDACT

sábado, 5 de novembro de 2011

A Bela Poesia. Maria Joana Couto. Cinzas de uma Fogueira Longe: «...E veio uma certeza, acompanhando a dor na solidão que arde!»

Cortesia de bulomaialtervista

Filha do Deserto
Vi-te surgir um dia
como flor agreste,
nascida ao pôr-do-sol, beijada pela tarde!

A noite te cobriu!

Mas sobre o vale terrestre
raiou uma esperança!

E veio
uma certeza,
acompanhando a dor
na solidão
que arde!

Vozes no Silêncio
Longos desertos
planos incertos,
perdem-se os olhos
na escuridão!

E pelo espaço
voam suspensas
vozes perdidas
na solidão.
Poemas de Maria Joana Couto, in «Cinzas de uma Fogueira Longe»

JDACT

domingo, 23 de outubro de 2011

A Bela Poesia. Maria Joana Couto. Cinzas de uma Fogueira Longe: «... deixa que um beijo se perca agora, noutro desejo que é vida e morte!»

Cortesia de mosempre

Sangue Ardente
Teu sangue quente, volúpia ardente
é como brasa
é tentação,
negra escultura, alma dolente.
Teu corpo negro,
provocação!

Mas se o teu riso cantante
chora,
a dor tristonha
da tua sorte,
deixa que um beijo se perca
agora,
noutro desejo
que é vida
e morte!

Que dos teus lábios uma promessa,
finde a amargura
de quem amou,
teu ser perfeito
que se formou,
nessa cor negra
que nunca
cessa...
Maria Joana Couto, in «Cinzas de uma Fogueira Longe»

JDACT

domingo, 16 de outubro de 2011

Maria Joana Couto. Poetisa. Cinzas de uma Fogueira Longe: «Era mais do que flor, flor de pureza, talvez porque era negra e era bela!»

Cortesia debiatosowordpress 

Em Paz
Naquele coval
De pedras sobrepostas,
Subiu uma alma pura. E o corpo negro
Aos poucos se corrompe sob a terra,
Rezando o vento triste, de mãos postas!

Se alguérn não a viu nunca,
Nunca soube,
Que aquela negra linda, ainda donzela,
Era mais do que flor, flor de pureza,
Talvez porque era negra
E era bela!

Morreu aquela negra 'linda e bela!
E ninguém seu perfume aspirar pôde!...

Mas sob as pedras frias sobrepostas,
Unindo à voz do vento
O meu lamento,
Por ela, triste, rezo de mãos postas...
Rezo por ela triste, de joelhos!...
 
 
Cavalgada
Pensamento em corcéis loucos
Onde me levas?
Não sei!
És fio de asa
Quebrada
Que aos poucos enche o vazio
Da minha alma agrilhoada
Ao passado
Que deixei!

Poemas de Maria Joana Couto, in «Cinzas de uma Fogueira Longe»

JDACT 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Maria Joana Couto. Poetisa. Cinzas de uma Fogueira Longe: «Eu quero erguer bem alto o meu amor à terra onde nasci! ... E onde há pedras que não pisei!»

Cortesia de crearpaz

Cinzas de uma Fogueira Longe
Cinzas de uma fogueira longe
andam dispersas...
E onde encontrá-las? Onde
se o que há passado
jaz na saudade
imensa
que não morreu...

Cinzas de uma fogueira linge
que mal
ardeu...

Pedras que Eu não Pisei
Eu quero erguer bem alto
o meu amor
à terra onde nasci!

Onde há tocas no baobá...
Onde há frutos de rubra cor...
Onde há rostos que não amei...

E onde há pedras
que não pisei!

Miragem
Feita miragem
passas no meu pensamento
leve como o som
dum ai
que se esvai!

E nesta visão que se afasta
apenas ficas tu!
Tu, sombra do que foste
e não quiseste ser...

Tu,
realidade
do que és!
Poemas de Maria Joana Couto, in «Cinzas de uma Fogueira Longe»

JDACT