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sábado, 7 de março de 2015

Poema Mirandês. Amadeu Ferreira. «Las arbles al abraço de l aire? Antoce, porque nun le dás tiempo a adundiáren ls delores que te sálen al camino? Nun bóndan ls que cuntigo camínan, que inda outros de outros buscas? Se todo has de acabar an scuro eiterno»

Cortesia de wikipédia

I lhuito por ti mesmo
(poema em mirandês, segunda língua oficial portuguesa)
O luto por ti mesmo
«Aguanta sien le pegares
fuogo als dies i déixa que pássen
serenos cumo bolo de páixaro
a la tarchica: nada puodes contra
la nuite a fazé-le selombra als dies
que han de benir; nun béilan

Las arbles al abraço de l aire? Antoce,
porque nun le dás tiempo a adundiáren
ls delores que te sálen al camino?
Nun bóndan ls que cuntigo camínan,
que inda outros de outros buscas?
Se todo has de acabar an scuro eiterno,

deixa que lhuza hoije I sol
puis puode ser manhana
un defenitibo nada:
que I lhuito
por ti mesmo seia I camino
d'antender cumo guapo cuntinar
puode l mundo apuis de seres pocho».
Poema de Francisco Niebro, in ‘Ars Vivendi Ars Moriendi’ (Âncora Editora, 2012)




«Aguenta sem pegares
fogo aos dias e deixa que eles passem,
serenos como voo de pássaro
à tardinha: nada podes contra
a noite a fazer sombra aos dias
que hão-de vir: não dançam
as árvores ao abraço do vento? Então,
porque não dás tempo a amolecerem
as dores que te saem ao caminho?
Não bastam os que contigo caminham,
que ainda de outros procuras?
Se tudo há-de acabar em escuro eterno,
deixa que brilhe hoje o sol,
pois pode ser amanhã
um definitivo nada:
que o luto
por ti mesmo seja o caminho
de entender como belo continuar
pode o mundo ser depois de seres nada».

JDACT

domingo, 3 de abril de 2011

«L Princepico» em Mirandês: O objectivo, diz a ASA,«por um lado, dar a conhecer a língua mirandesa, que as pessoa geralmente ouvem falar mas que não têm visto escrita e, por outro lado, tornar conhecidos os personagens numa outra versão»

Cortesia de jn

Com a amizade de RR.

«O Principezinho», personagem criada por Antoine de Saint-Exupéry, já fala mirandês. «L Princepico» é o título da edição nesta língua, feita pela editora ASA, disponível nas bancas a partir da próxima semana.
O clássico de Antoine de Saint-Exupéry, de 1943, já vendeu mais de 50 milhões de exemplares em todo o mundo e, segundo a editora francesa Gallimard, é «o livro mais traduzido em todo o mundo depois da Bíblia», com versões «em cerca de 200 línguas ou mais, incluindo dialectos europeus, asiáticos e africanos».

Em declarações à agência Lusa, Maria José Pereira, responsável pela edição do livro e editora da divisão de banda desenhada da ASA, explicou que o objetivo da edição de «L Princepico» é, «por um lado, dar a conhecer a língua mirandesa, que as pessoa geralmente ouvem falar mas que não têm visto escrita e, por outro lado, tornar conhecidos os personagens numa outra versão».

Cortesia de falcaodejade
Reconhecendo que a edição em mirandês desta «obra emblemática do século XX» tem um público reduzido de interessados e coleccionadores, Maria José Pereira recorda que esta não é a primeira incursão da ASA pelo mirandês, tendo, há alguns anos, editado dois livros do Astérix nesta língua.
A editora adiantou ainda que surgirão novidades sobre «O Principezinho» num «futuro muito próximo», que passam por «outras edições que estão a ser ultimadas» e por «uma série de desenhos animados», em fase de produção, mas que, sabe-se já, passará em Portugal, embora ainda não haja uma data precisa.
A obra foi traduzida para mirandês por Ana Afonso, com o apoio de Domingos Raposo, que falou à Lusa do «desafio» de traduzir um clássico «cheio de valores» para a sua língua materna. Esta foi a primeira tradução para mirandês de Ana Afonso, a convite do cônsul de França no Porto, que, em cada lugar que passa, procura línguas ou e dialectos para os quais possa traduzir «o seu livro preferido».


Cortesia do JN/JDACT