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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Esplendor da Honra. Julie Garwood. «O medo voltou bastante difícil para aquela tarefa tão singela. A jovem cambaleou, quase não voltou a incorporar-se, depois do qual recuperou o equilíbrio para terminar…»

Cortesia de wikipedia e jdact

Inglaterra 1099
«(…) O cativo não podia dar crédito ao que estava ouvindo. A voz de sua salvadora soava tão clara como a mais pura das harpas e era tão irresistivelmente atraente como um dos dias cálidos do Verão. Duncan fechou os olhos, resistindo o impulso de rir a gargalhadas ante aquele estranho giro dos acontecimentos, enquanto pensava por um instante em lançar o grito de batalha e colocar ponto final ao engano; imediatamente rechaçou aquela ideia. A sua curiosidade era muito forte. Resolveu que esperaria um pouco mais, pelo menos até que sua salvadora tivesse revelado quais eram as suas verdadeiras intenções. A expressão do cativo permaneceu inescrutável. Guardou silêncio enquanto a via tirar uma pequena adaga de debaixo de sua capa. Encontrava-se bastante perto dele para que Duncan pudesse capturá-la com as suas pernas, que se achavam livres de ataduras; se as palavras que acabavam de sair de seus lábios finalmente demonstravam ser falsas ou sua adaga ia para o coração do guerreiro, então ele se veria obrigado a esmagá-la. Lady Madelyne não tinha nenhuma ideia do perigo que estava correndo. Concentrada unicamente em liberar o guerreiro de suas ataduras, aproximou-se um pouco mais ao seu flanco e deu começo ao trabalho de atravessar a grosa corda com o fio de sua adaga. Duncan reparou em que lhe tremiam as mãos e não pôde decidir se era devido ao frio ou ao medo que sentia.
O aroma das rosas chegou até ele. Quando inalou aquela suave fragrância, Duncan decidiu que o gélido da temperatura sem dúvida lhe tinha nublado a mente. Uma rosa em meados do Inverno, um anjo dentro daquela fortaleza do purgatório... Nenhuma das duas coisas tinha o mais mínimo sentido para ele, e entretanto aquela jovem cheirava às flores da Primavera e parecia uma visão chegada dos céus. Duncan voltou a sacudir a cabeça. A parte mais lógica de sua mente sabia com toda exactidão quem era aquela jovem. A descrição que lhe tinham dado dela correspondia com a realidade em cada um dos seus detalhes, mas ao mesmo tempo também funcionava enganosa. Lhe havia dito que a irmã do Louddon era de estatura média e que tinha o cabelo castanho e os olhos azuis e que era muito agradável à vista, recordou que lhe tinha informado também. Ah, decidiu então, ali radicava a falsidade. A irmã do diabo não era nem agradável nem bonita, posto que era realmente magnífica. Finalmente a corda cedeu sob a adaga, e as mãos do Duncan ficaram liberadas. Permaneceu onde estava, com a sua expressão bem oculta. A jovem voltou a deter-se diante dele e o obsequiou com um pequeno sorriso antes de dar meia volta e ajoelhar-se sobre o chão para começar a recolher as posses do Duncan.
O medo voltou bastante difícil para aquela tarefa tão singela. A jovem cambaleou, quase não voltou a incorporar-se, depois do qual recuperou o equilíbrio para terminar voltando-se novamente para ele. Siga-me, por favor, disse a modo de instruções. Ele não se moveu, mas sim seguiu onde estava, observando e esperando. Madelyne franziu o cenho ante o hesitação do guerreiro, pensando para os seus botões que sem dúvida o frio tinha paralisado sua capacidade de pensar. Apertou os objectos dele contra o seu peito com uma mão, deixando que suas pesadas botas pendurassem das pontas de seus dedos, e logo lhe aconteceu o outro braço pela cintura. Apoie-se em mim, sussurrou. Ajudarei, prometo-o. Mas por favor, agora temos que nos dar muita pressa. O seu olhar estava volta para as portas do castelo e o medo ressonava na sua voz.
Duncan respondeu ao desespero da jovem. Quis-lhe dizer que não precisavam esconder-se, já que os seus homens estavam escalando os muros naquele mesmo instante, mas em seguida trocou de parecer. Quanto menos soubesse ela, tão melhor para ele quando chegasse o momento. A jovem apenas lhe chegava ao ombro, mas mesmo assim tratou corajosamente de aceitar a carga de uma parte do seu peso, agarrando-o do braço e apressando-se a passar-lhe por cima dos ombros. Iremos aos alojamentos do sacerdote visitante detrás da capela, disse-lhe num suave murmúrio. É o único lugar que nunca lhes ocorrerá olhar. O guerreiro não emprestou muita atenção ao que lhe estava dizendo. Seu olhar se achava dirigida para a parte superior do muro norte. A meia-lua conferia um fantasmagórico resplendor a frágil nevada que estava caindo e mostrava aos seus soldados enquanto estes foram escalando o muro. Não se podia escutar nem um só som enquanto os seus homens foram crescendo rapidamente em número com o passar do caminho de madeira que discorria pelo alto do muro». In Julie Garwood, Esplendor da Honra, Universo dos Livros, ISBN 978-855-030-137-2.

Cortesia de UniversodosL/JDACT

Esplendor da Honra. Julie Garwood. «E então o cativo baixou lentamente o olhar para ele. Os olhos do barão do Wexton se encontraram com os de seu inimigo. O líder dos soldados o que viu neles fez que tragasse saliva…»

Cortesia de wikipedia e jdact

Inglaterra 1099
«(…) A escuridão já estava começando a descer sobre a terra, e com ela chegou uma pequena nevada. Então os soldados começaram a queixar-se do mau tempo que estava fazendo. — Não temos nenhuma necessidade de morrer de frio junto a ele, murmurou um. Ainda demorará horas em morrer, queixou-se outro. Já faz mais de uma hora que se foi o barão. Louddon nunca chegará a saber se nós ficamos fora ou não. Os outros mostraram–se de acordo com vigorosos grunhidos e assentimentos de cabeça, o que fez vacilar o líder. O frio também estava começando a irritá-lo. A sua inquietação tinha ido crescendo pouco, porque ao princípio tinha estado firmemente convencido de que o barão do Wexton não se diferenciava em nada de outros homens. Tinha estado seguro de que naquelas alturas já se teria derrubado, e agora estaria gritando atormentadamente. A arrogância daquele homem enchia-o de fúria. Por Deus, mas se pareciam aborrecê-lo com a sua presença! Viu-se obrigado a admitir que tinha subestimado a seu oponente. A admissão, que não lhe funcionava nada fácil, fez que a raiva se apropriasse dele. Os seus próprios pés, protegidos daquele clima terrível por grosas botas, já estavam uivando de agonia, e entretanto o barão Duncan estava descalço e não se moveu nem trocou de postura desde que o ataram ao poste. Possivelmente, houvesse algo de verdadeiro nos relatos. Amaldiçoando a sua supersticiosa natureza, ordenou aos seus homens que se retirassem ao interior. Quando o último deles se foi, o vassalo do Louddon comprovou se a corda estava bem apertada e logo foi para o cativo para ficar diante dele.
Dizem que é tão ardiloso como um Lobo, mas não é mais que um homem e não demorará para morrer como um. Louddon não quer que tenha feridas de faca recentes sobre a sua pessoa. Quando chegar a manhã, levaremos seu corpo a uns quantos quilómetros daqui. Ninguém poderá demonstrar que foi Louddon quem esteve detrás disto. O homem pronunciou aquelas palavras num tom depreciativo, sentindo-se cheio de fúria ao ver que o cativo nem sequer se dignava baixar o olhar para ele, e logo acrescentou: se fosse possível fazer as coisas à minha maneira, tirava-te o coração e terminaria antes, acrescentou, e logo acumulou saliva dentro de sua boca para arrojá-la na face do guerreiro, esperando que aquele novo insulto por fim ganharia alguma classe de reacção.
E então o cativo baixou lentamente o olhar para ele. Os olhos do barão do Wexton se encontraram com os de seu inimigo. O líder dos soldados o que viu neles fez que tragasse saliva ruidosamente enquanto se apressava a retroceder assustado. Fez o sinal da cruz, num insignificante esforço por manter afastada a escura promessa que tinha lido nos cinzas olhos do guerreiro, e murmurou para si mesmo que ele só estava cumprindo com a vontade do seu senhor. E logo correu para o amparo do castelo.
Das sombras que se estendiam junto ao muro, Madelyne olhava. Deixou que transcorressem alguns minutos, para estar segura de que nenhum dos soldados do seu irmão ia voltar; empregou da maneira mais apropriada esse tempo para rezar pedindo o valor necessário a fim de que pudesse chegar a ver como seu plano terminava. Madelyne estava arriscando tudo com ele. Sabia que não havia nenhuma outra escolha. Agora, ela era a única pessoa que podia salvar o cativo. Madelyne aceitava as responsabilidades e as consequências dos seus actos, sabendo muito bem que se a sua acção chegava a ser descoberta, com toda segurança significaria a sua própria morte. Tremiam-lhe as mãos, mas os seus passos foram rápidos e decididos. Quanto mais logo terminasse, tão melhor para a paz do seu espírito. Já haveria tempo de sobra para começar a preocupar-se com suas acções uma vez que aquele cativo tão insensato tivesse sido libertado. Uma larga capa negra cobria completamente ao Madelyne da cabeça até aos pés, e o barão não se deu conta da sua presença até que a teve directamente diante dele. Uma forte rajada de vento separou o capuz da cabeça de Madelyne, e uma grande mata de cabelos castanhos avermelhados caiu até deter-se por debaixo dos ombros de uma esbelta figura. Madelyne separou uma mecha de cabelos de sua face e elevou o olhar para o cativo. Por um instante ele pensou que sua mente lhe estava gastando uma má passada. Duncan chegou a sacudir a cabeça em uma rápida negativa. Então a voz do Madelyne chegou até ele, e Duncan soube que o que estava vendo não era nenhum fruto de sua imaginação. Em seguida te terei solto, disse-lhe Madelyne. Rogo-te que não faça nenhum ruído até que nos encontremos longe daqui». In Julie Garwood, Esplendor da Honra, Universo dos Livros, ISBN 978-855-030-137-2.

Cortesia de UniversodosL/JDACT

Esplendor da Honra. Julie Garwood. «Enquanto a sua ávida audiência olhava, o cativo podia dedicar-se a contemplar os seus objectos enquanto ia congelando pouco a pouco até morrer»

Cortesia de wikipedia e jdact

Inglaterra 1099
«Pretendiam matá-lo. O guerreiro estava de pé no centro do pátio deserto, com as mãos atadas as costas e sujeita por uma corda a um poste que tinha sido fincado no chão detrás de suas costas. A sua expressão achava-se desprovida de qualquer emoção, enquanto olhava para diante, sem fazer aparentemente caso de seus inimigos. O cativo não tinha oferecido nenhuma classe de resistência, permitindo que os seus captores o despissem até à cintura sem nem sequer levantar um punho ou pronunciar uma palavra de protesto. A sua magnífica capa para o Inverno forrada de pele, a sua grossa cota, a sua camisa de algodão, as suas meias e as suas botas de couro tinham-lhe sido arrancadas e jogadas no chão gelado, diante dele. A intenção que guiava os seus inimigos não podia ser mais clara. O guerreiro morreria, mas sem que a sua morte chegasse a trazer consigo nenhuma nova marca para acrescentá-la ao seu corpo, já famoso pelas cicatrizes da batalha. Enquanto a sua ávida audiência olhava, o cativo podia dedicar-se a contemplar os seus objectos enquanto ia congelando pouco a pouco até morrer.
Doze homens o rodeavam. Com as facas desembainhadas para dar-se valor, aqueles homens andavam em círculos ao redor do cativo, zombando-se dele e gritando insultos e obscenidades enquanto os seus pés calçados com botas chutavam o chão num esforço por manter afastada, a gélida temperatura. Mesmo assim, todos e cada um deles se mantinham a uma prudente distância dele, se por acaso chegasse a dar o caso de que, no momento o dócil cativo trocasse subitamente de parecer e, decidisse liberar-se das suas ataduras e atacá-los. Não lhes cabia nenhuma dúvida de que era perfeitamente capaz de tal façanha, porque todos tinham escutado as histórias que se contavam da sua hercúlea força. Alguns inclusive tinham podido presenciar numa ou duas ocasiões as tremendas proezas que era capaz de levar a cabo no curso da batalha. E se o cativo se liberava das cordas que o sujeitavam ao poste, os homens se veriam obrigados a utilizar as suas facas, mas não antes de que o guerreiro tivesse enviado a três, ou possivelmente quatro deles, à morte.
O líder daquele grupo de doze homens, não podia acreditar na sua boa sorte. Tinham capturado Wolf e não demorariam para presenciar sua morte. Que engano tão terrível tinha cometido o seu cativo ao deixar-se arrastar pela temeridade! Sim, Duncan, o poderoso barão dos feudos do Wexton, tinha entrado na fortaleza do seu inimigo cavalgando completamente só, e sem levar consigo nenhuma única arma com a qual pudesse defender-se. Tinha cometido a insensatez de acreditar que Louddon, um barão que era igual a ele no título, faria honra à trégua temporária que havia entre eles. Tem que estar muito convencido da sua própria reputação, pensou o homem que mandava. Realmente, deve se ter por tão invencível como asseguravam que era naquelas histórias de grandes batalha que tanto tinham chegado a exagerar. Sem dúvida essa era a razão para que o barão do Wexton parecesse sentir-se tão pouco preocupado pelas terríveis circunstâncias nas quais se encontrava agora.
Uma vaga sensação de inquietação foi infiltrando-se pouco a pouco na mente do líder daqueles homens, enquanto contemplava o seu cativo. Tinham-no despojado de toda a sua valia, fazendo farrapos o emblema que proclamava o seu título e a sua dignidade, e assegurando-se de que não ficasse nem um só vestígio do nobre civilizado. O barão Louddon queria que o seu cativo morresse sem nenhuma dignidade ou honra. E entretanto, o guerreiro quase nu que tão orgulhosamente se elevava ante eles não estava respondendo no mais mínimo desejos do Louddon. O barão do Wexton não se estava comportando como teria esperado de um homem que vai morrer. Não! O cativo não suplicava pela sua vida ou choramingava pedindo um rápido final. Tampouco tinha o aspecto de um agonizante. Não lhe tinha colocado a pele arrepiada, e esta, não havia empalidecido, mas sim estava bronzeada pelo sol e curtida pela exposição ao mau tempo. Maldição! Mas se nem sequer tremia! Sim, eles tinham despido o nobre, e entretanto debaixo de todas as capas de refinamento achava-se presente o orgulhoso senhor da guerra, mostrando-se tão primitivo e carente de medo como contavam todas aquelas histórias que corriam a respeito dele. O Wolf tinha ficado subitamente revelado ante os seus olhos.
As brincadeiras dos primeiros momentos já tinham cessado. Agora só se podia ouvir o estrondo do vento que uivava através do pátio. O líder dirigiu a sua atenção para os seus homens, os quais permaneciam imóveis formando uma roda de pessoas a escassa distância dele. Todos mantinham os olhos cravados no chão. Ele sabia que evitavam olhar o cativo. Não podia culpá-los por aquela exibição de covardia, também lhe estava muito árduo o trabalho de olhar directamente aos olhos do guerreiro. O barão Duncan das terras do Wexton era ao menos uma cabeça mais alto que o mais corpulento de todos os soldados presentes. Com os seus grossos e musculosos ombros e coxas, e com as suas largas e robustas pernas bem separadas e firmemente plantadas no chão, a sua postura indicava que era capaz de matar a todos... No caso de que se sentisse inclinado a isso». In Julie Garwood, Esplendor da Honra, Universo dos Livros, ISBN 978-855-030-137-2.

Cortesia de UniversodosL/JDACT

domingo, 11 de junho de 2017

Esplendor de Honra Julie Garwood. «Que engano tão terrível tinha cometido o seu cativo ao deixar arrastar-se pela temeridade! Sim, Duncan, o poderoso barão dos feudos do Wexton, tinha entrado na fortaleza do seu inimigo»

Cortesia de wikipedia e jdact

Inglaterra. 1099
«Pretendiam matá-lo. O guerreiro estava de pé no centro do pátio deserto, com as mãos atadas à costas e sujeita por uma corda a um poste que tinha sido colocado no chão detrás das suas costas. A sua expressão achava-se desprovida de toda a emoção enquanto olhava para diante, sem fazer aparentemente caso dos seus inimigos. O cativo não tinha oferecido nenhuma classe de resistência, permitindo que os seus captores o despissem até a cintura sem nem sequer levantar um punho ou pronunciar uma palavra de protesto. A sua magnífica capa para o inverno, forrada de pele, a sua grossa cota, a sua camisa de algodão, as suas meias e as suas botas de couro tinham-lhe sido arrancadas e jogadas no chão gelado, diante dele. A intenção que guiava a seus inimigos não podia ser mais clara. O guerreiro morreria, mas sem que a sua morte chegasse a trazer consigo nenhuma nova marca para acrescentá-la ao seu corpo, já famoso pelas cicatrizes da batalha. Enquanto a sua ávida audiência olhava, o cativo podia dedicar-se a contemplar os seus objectos enquanto ia congelando pouco a pouco até morrer.
Doze homens rodeavam-no. Com as facas desembainhadas para dar-se valor, aqueles homens andavam em círculos ao redor do cativo, zombando dele e gritando insultos e obscenidades enquanto os seus pés calçados com botas chutavam o chão num esforço por manter algum calor na gélida temperatura. Mesmo assim, todos e cada um deles se mantinham a uma prudente distancia dele, se por acaso chegasse a dar o caso de que o seu no momento dócil cativo trocasse subitamente de parecer e decidisse liberar-se das suas ataduras e atacá-los. Não lhes cabia nenhuma dúvida de que era perfeitamente capaz de tal façanha, porque todos tinham escutado as histórias que se contavam da sua hercúlea fortaleza. Alguns inclusive tinham podido presenciar numa ou duas ocasiões as tremendas proezas que era capaz de levar acabo no curso da batalha. E se o cativo se libertasse das cordas que o sujeitavam ao poste, os homens ver-se-iam obrigados a utilizar as suas facas, mas não antes de que o guerreiro tivesse enviado a três, possivelmente inclusive a quatro deles, à morte, que mandava aquele grupo de doze homens não podia acreditar na sua boa fortuna. Tinham capturado o Lobo e não demorariam para presenciar a sua morte.
Que engano tão terrível tinha cometido o seu cativo ao deixar arrastar-se pela temeridade! Sim, Duncan, o poderoso barão dos feudos do Wexton, tinha entrado na fortaleza do seu inimigo cavalgando completamente só, e sem levar consigo nenhuma arma com a qual pudesse chegar a defender-se. Tinha cometido a insensatez de acreditar que Louddon, um barão que era igual a ele no título, faria honra à trégua temporária que havia entre eles. Tem que estar muito pago de sua própria reputação, pensou o homem que os mandava. Realmente deve ter-se por tão invencível como asseguravam que era aquelas histórias de grandes batalha que tanto tinham chegado a exagerar a sua figura. Sem dúvida essa era a razão de que o barão do Wexton parecesse sentir-se tão pouco preocupado pelas terríveis circunstâncias nas que se encontrava agora.
Uma vaga sensação de inquietação foi infiltrando-se pouco a pouco na mente de quem mandava naqueles homens enquanto contemplava a seu cativo. Tinham-no despojado de toda sua valia, fazendo em farrapos o emblema que proclamava o seu título e a sua dignidade, e assegurando-se de que não ficasse nem um só vestígio do nobre civilizado. O barão Louddon queria que o seu cativo morresse sem nenhuma dignidade ou honra. E entretanto, o guerreiro quase nu que tão orgulhosamente se elevava ante eles não estava respondendo no mais mínimo aos desejos do Louddon. O barão do Wexton não se estava comportando como teria podido esperar-se de um homem que vai morrer. Não, o cativo não suplicava pela sua vida ou choramingava pedindo um rápido final. Tampouco tinha o aspecto de um agonizante. Não lhe tinha colocado a carne de galinha e a sua pele não tinha empalidecido, mas sim seguia estando bronzeada pelo sol e curtida pela exposição à intempérie. Maldição, mas se nem sequer tremia! Sim, eles tinham despido o nobre, e entretanto debaixo de todas as capas de refinamento seguia achando-se presente o orgulhoso senhor da guerra, mostrando-se tão primitivo e carente de medo como arejavam todas aquelas histórias que corriam a respeito dele». In Julie Garwood, 1987, Esplendor de Honra, Editora Universo dos Livros, 2017, ISBN978-855-030-137-2.

Cortesia de EUdosLivros/JDACT