Mostrar mensagens com a etiqueta Museu Nacional de Arte Antiga. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Museu Nacional de Arte Antiga. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Século de Nuno Gonçalves: Exposição Primitivos Portugueses (1450-1550). No Museu Nacional de Arte Antiga e no Museu de Évora até 27 de Fevereiro de 2011

Cortesia de wikipedia

Exposição Primitivos Portugueses (1450-1550)
O Século de Nuno Gonçalves

No Museu Nacional de Arte Antiga e no Museu de Évora até 27 de Fevereiro de 2011.
Comissário: José Alberto Seabra Carvalho.

«Reunindo e colocando em confronto mais de 160 pinturas dos séculos XV e XVI, reconstituindo alguns dos mais belos retábulos portugueses desse período, esta exposição ensaia um panorama crítico, actualizado e de grande dimensão, acerca dos chamados Primitivos Portugueses e visa demonstrar como o estudo técnico e material desse património contribui decisivamente para renovar e aprofundar o seu conhecimento. Assinalando o centenário da primeira apresentação ao público, em 1910, dos «Painéis de S. Vicente», que desde então passaram a constituir, nacional e internacionalmente, a obra «fundadora» e mais célebre da arte da pintura em Portugal, a exposição procura também documentar e questionar as noções de «originalidade artística» e de «identidade nacional» tradicionalmente associadas ao brilhante ciclo criativo dos Primitivos Portugueses, iniciado por Nuno Gonçalves e depois prosseguido e consolidado pelos nossos pintores da primeira metade do século XVI.

Cortesia de wikipedia
Contando com a colaboração de muitas colecções públicas e privadas, a selecção de peças privilegiou quer os painéis retabulares mais importantes, quer as pinturas menos conhecidas, algumas oportunamente restauradas para esta ocasião. Do estrangeiro, comparecem importantes obras de museus de Itália, França, Bélgica e Polónia. A estrutura da exposição tem uma dominante de ordenação cronológica mas combina essa sequência de base com um agrupamento das obras em função dos confrontos comparativos (estilísticos, iconográficos, etc.) que importa suscitar. O percurso integra uma vasta quantidade de materiais gráficos, incluindo uma zona exclusivamente dedicada ao conhecimento, exposição e polémicas relacionadas com os Primitivos Portugueses desde 1910. Inclui também uma vasta documentação laboratorial associada à investigação do processo criativo das pinturas mais relevantes». In Museu Nacional de Arte Antiga.

O núcleo expositivo no Museu de Évora é especialmente dedicado aos pintores luso-flamengos e às oficinas activas na cidade nas primeiras décadas do século XVI.

Esta exposição é mais que uma réplica da exposição ocorrida no Museu de Arte Antiga em 1940 (por altura da «Exposição do Mundo Português») e que tinha como objectivo provar a existência de uma Escola de Pintura Portuguesa. As primeiras pinturas pertencem a uma obra de grandes dimensões «A Trindade» que fica mesmo na entrada da exposição.



Your pictures and fotos in a slideshow on MySpace, eBay, Facebook or your website!view all pictures of this slideshow


Começamos a visita com um quadro pertence a Álvaro Pires de Évora que apesar de português tem um estilo italiano. Seguem-se os Painéis de S. Vicente que são de uma perfeição incomparável para a época. A autoria destes painéis foi atribuída a Nuno Gonçalves, pintor régio de D. Afonso V.

É possível observar obras dos mestres de Évora, Viseu e Lamego. A influência da Flandres e da Itália é notória. Estão expostas obras de Francisco Henriques, Vasco Fernandes (Grão Vasco), Frei Carlos, Mestres da Lourinhã e de Abrantes, Jorge Afonso, Gregório Lopes, Garcia Fernandes, e Diogo de Contreiras.

Cortesia de wikipédia/JDACT

domingo, 29 de agosto de 2010

O Museu Nacional de Arte Antiga: Exposição - A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana

Cortesia do MNAA
«Situado na rua das Janelas Verdes que faz ligação com o contíguo largo de Santos-o-Velho, a nascente, e com o sítio da Pampulha, a poente, da onomástica desta rua lhe vem o nome pelo qual é popularmente conhecido, o de Museu das Janelas Verdes. Característica artéria, ainda hoje semeada pela memória de antigos palácios, igrejas e conventos, convertidos na actualidade nos mais diversos fins, a sua localização, alcantilada sobre o rio e a zona portuária, confere-lhe uma envolvência cenográfica invejável.
A meio da rua, frente à primitiva entrada principal do museu, abre-se um pequeno largo de planta em U, denominado largo do Dr. José de Figueiredo (primeiro director do Museu) cujo projecto é da responsabilidade de Reinaldo Manuel dos Santos (1731-1791), datável de 1778. Também de sua autoria é o desenho do pedestal do chafariz cuja parte superior recebe um grupo escultórico representando Vénus e Cupido, executado pelo escultor António Machado (-1810)».

Até ao pf dia 12 de Setembro de 2010 está a decorrer a Exposição - A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana.

Cortesia do MNAA
A exposição «A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana» reúne pela primeira vez em Portugal os quatro monumentais panos, tecidos em Tournai por encomenda de D. Afonso V, conservados na Colegiada de Pastrana desde o século XVI e recém-restaurados sob o patrocínio da Fundação Carlos de Amberes. Peças de extraordinária monumentalidade e absolutamente únicas em termos da produção borgonhesa, relatando as conquistas de Arzila e Tânger, a sua encomenda e produção — ainda envolta em sombras — enquadra-se num programa mais vasto, de construção mítica da História, que o conjunto de obras em seu redor agora reunidas procura enquadrar e problematizar.
A exposição destas tapeçarias em Lisboa, integrada nas comemorações do 25º Aniversário da Assinatura do Tratado de Adesão de Portugal e de Espanha às Comunidades Europeias, beneficiou do solidário apoio da Embaixada de Espanha em Portugal e de outras entidades, como sejam, Câmara Municipal de Lisboa, Fundação Batalha de Aljubarrota, Lusitânia, de entre outras.

Cortesia do MNAA
«Mais adiante, na extremidade ocidental do edifício, abre-se um pequeno jardim construído sobre a chamada Rocha do Conde de Óbidos, formação rochosa sobre a qual se situavam outrora, de um lado o palácio dos condes de Óbidos (actuais instalações da Cruz Vermelha) e do outro um antigo convento feminino, o designado convento das Albertas. Este convento já não existe e no seu lugar ergue-se, hoje em dia, a ala do museu edificada no final dos anos de 1930, enquanto a pequena cerca do convento foi transformada num jardim público – o Jardim 9 de Abril – que dá acesso à entrada principal e que liga, através de duas longas escadarias que tiram partido da topografia, com a avenida 24 de Julho, toponímia do antigo Aterro oitocentista». In MNAA. 

Ao abrigo do Programa de Recuperação do Património Classificado, do Ministério da Cultura, o Museu Nacional de Arte Antiga vai beneficiar da recuperação das fachadas frontal e laterais, Jardim 9 de Abril, Rua das Janelas Verdes e jardim do Museu, tal como da recuperação, tratamento e impermeabilização da cobertura da Capela das Albertas que, após uma campanha de conservação e restauro cujo financiamento deverá ser também encontrado, poderá abrir ao público em toda a sua magnificência. A recuperação vai realizar-se com a doação de um cheque-obra, pela OPWAY.

Cortesia do MNAA
http://www.mnarteantiga-ipmuseus.pt/Data/Documents/Exposições%20Temporárias/Tapeçarias%20Pastranas/Indice%20Catalogo%20Pastranas.pdf

Assalto a Arzila, em 1471, pelas tropas de D. Afonso V (pormenor)
Lã e Seda, Pastrana (Guadalajara)
Colegiata de Nuestra Señora de la Asunción
Cortesia do MNAA

Cortesia do MNAA/JDACT

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Livro das Horas de D. Manuel: Um dos mais importantes manuscritos iluminados produzidos em Portugal no século XVI. Foi decorado em parte por António de Holanda, entre 1517 e 1538. Está preservado no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa

Cortesia de wikipédia
Descoberta a Imprensa, a arte do livro expandiu-se. O frade conventual que realizava um livro de horas num ano de trabalho, era substituido pelos tipógrafos e impressores que tiravam centenas, em alguns casos, milhares de exemplares, em papel de linho branco. É em pergaminho a primeira tiragem especial de que temos notícia na arte portuguesa de imprimir. O bibliófilo que a encomendou e pagou foi o rei D. Manuel em 1513. Antes digamos que toda a dinastia de Avis, desde D. João I e D. Duarte, a D. Afonso V e D. João II, no tempo do qual se encontra firmada a arte tipográfica em Portugal. 
A indústria do papel encontramo-la em Portugal nos começos do século XV. Em 1411, Gonçalo Lourenço entra na posse de dois moinhos perto de Leiria. É escrivão da puridade de D. João I e, no Ribatejo, tinha moagens de pão. Pede ao rei para, nesses moinhos, fazer papel. No privilégio, o mesmo rei diz que «ele quer fazer, nos ditos assentamentos onde estiveram os ditos moinhos, artefícios e engenhos de fazer ferro, serrar madeira e pisar burel e fazer papel ou outras algumas coisas que se façam com artefício de água», citado por Artur Anselmo em «Origens da Imprensa em Portugal».
Valentim Fernandes, homem dos sete ofícios, tabelião e investigador, mas que exerceu sobretudo a arte de impressor, é encarregado por D. Manuel, pouco depois de 1510, de imprimir as «Ordenações».  Divide o trabalho com João Pedro de Cremona, mas quando o livro II não estava concluído, o rei teria manifestado o desejo de possuir um exemplar em pergaminho de todos os livros da Ordenações, por isso ao contratar os serviços de João Pedro de Cremona, recomendou-lhe Fernandes que fizesse uma tiragem especial em pergaminho destinada a D. Manuel. Este exemplar em pergaminho diz Deslandes,  encontra-se no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Cortesia de in bibliomanias.

O Livro de Horas de D. Manuel é um dos mais importantes manuscritos iluminados produzidos em Portugal no século XVI.
Foi decorado em parte por António de Holanda, entre c. 1517 e c. 1538. Possui 303 folhas em pergaminho e 58 iluminuras de página inteira. Está preservado no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. 
Livro de horas é um tipo de manuscrito iluminado comum à Idade Média. Cada livro de horas contém uma coleção de textos, orações e salmos, acompanhado de ilustrações apropriadas, para fazer referência a devoção cristã. Na sua forma original o livro de horas servia como conteúdo de leitura litúrgica para determinados horários do dia. Os livros de horas estão entre os manuscritos medievais mais belos e ricamente ilustrados.

Cortesia de wikipédia
Iluminura ou miniatura é um tipo de pintura decorativa, frequentemente aplicado às letras capitulares no início dos capítulos dos códices de pergaminho medievais. O termo aplica-se igualmente ao conjunto de elementos decorativos e representações imagéticas executadas nos manuscritos, produzidos principalmente nos conventos e abadias da Idade Média. A sua elaboração era um ofício refinado e bastante importante no contexto da arte medieval.

No século XIII, «iluminura» referia-se sobretudo ao uso de douração e portanto, um manuscrito iluminado seria, no sentido estrito, aquele decorado com ouro ou prata.
O Livro de Horas de D. Manuel, executado na primeira metade do século XVI, é um dos mais interessantes manuscritos iluminados jamais realizados em Portugal.
Tal como se encontra referido no inicio desta explanação, foi encomendado pelo rei D. Manuel I. O trabalho começou em 1517 e a sua execução ter-se-á prolongado por duas décadas. Foi terminado durante o reinado de D. João III. Apesar de ser possível a identificação de três ou quatro autorias para as iluminuras contidas neste manuscrito, a mais significativa contribuição deve-se muito provavelmente a António de Holanda, um pintor de origem flamenga que se tinha instalado em Portugal, e fora responsável pelo relançamento técnico e artístico da oficina real. Aceita-se, desta forma, que o principal autor do livro terá sido o mesmo artista que realizou, alguns anos antes (aproxidamente em 1510), o Breviário de D. Leonor, mulher de D. Manuel.

Your pictures and fotos in a slideshow on MySpace, eBay, Facebook or your website!view all pictures of this slideshow


Tal como se verificou ao nível da pintura, a iluminura, que tinha conhecido um significativo incremento em Portugal durante o século XV, atingiu um elevado nível de maturidade técnica e estética durante o reinado de D. Manuel, para o qual muito contribuiu a importação de grande número de obras de arte. Esta importação de pinturas ou de manuscritos, geralmente provenientes da Flandres (um dos centros europeus com quem Portugal mantinha as mais intensas relações comerciais e culturais), era acompanhada pela vinda de artistas que orientavam as oficinas nacionais, introduzindo ou solidificando o gosto flamengo. Entre estes contavam-se os pintores António de Holanda, Olivier de Gand e Cristovão de Utrecht.
A origem flamenga de António de Holanda, assim como a enorme influência artística de algumas cidades nórdicas, como Gant e Bruges, explicam o carácter nórdico de grande parte das pinturas do «Livro de Horas de D. Manuel». Esta obra é caracterizada por uma gramática que sintetiza a tradição gótica com as experiências modernas, mais naturalistas e realistas que constituem o renascimento setentrional, tornando muito dificil a separação formal entre estilo gótico, manuelino e renascentista.

Moedas do século XVI
Cortesia de wikipédia
As páginas iluminadas podiam conter ilustrações associadas a texto manuscrito ou apresentar exclusivamente imagens. Estruturadas e organizadas por grelhas geométricas (em forma de cintas douradas) que definiam distintos campos pictóricos, as imagens organizavam-se em sucessão, através duma lógica narrativa associada às descrições contidas no texto.
De entre as folhas mais interessantes deste livro contam-se as que descrevem o funeral de D. Manuel e que, através de cuidadas representações perspécticas e dum refinado modelado e cromatismo, apresentam um conjunto de paisagens urbanas de Lisboa, cujas estruturas arquitectónicas cruzam elementos manuelinos e renascentistas.
Para além do valor artístico, esta obra de arte assume um inegável interesse histórico-documental pela forma como retrata e descreve muitas situações da vida do tempo.
Concluído durante o reinado de D. João III, num período de plena ascensão da imprensa, esta obra representa simultaneamente o apogeu e epílogo do livro manuscrito iluminado em Portugal. In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2010, Livro de Horas de D. Manuel.
Cortesia de mnarteantiga-ipmuseus
Livro de Horas, dito de D. Manuel (Fólio 130 - Ofício dos mortos), atribuído a António de Holanda (1480-1557), Portugal, 1517-1538, Têmpera e ouro sobre pergaminho; A 14 x L 11 cm; Transferência do Palácio das Necessidades, Lisboa, 1915; MNAA inv. 14/129v Ilum.

Neste fólio assiste-se ao cerimonial fúnebre da quebra dos escudos que envolvia a nobreza e a alta burguesia, procurando transmitir ao povo, por uma via quase teatral, os sentimentos de pesar e luto pela morte do rei. Nesta cerimónia um juiz ia quebrando, com grande aparato, os escudos de diversas casas nobres através de um percurso ao longo da zona central de Lisboa. Esta rigorosa representação leva-nos até à Lisboa do ano de 1521 (ano da morte de D. Manuel) e mostra-nos uma zona típica da cidade mercantil da época dos Descobrimentos, a Rua Nova dos Mercadores. Local privilegiado para as transacções comerciais onde se instalavam os homens de negócios dos mais diversos países dando origem a um comércio florescente. Era também nesta artéria lisboeta que se situavam as oficinas de gravadores, ourives, joalheiros e douradores, bem como as casas de escambo, versão quinhentista dos actuais cambistas.

O Livro de Horas de D. Manuel, pelo facto de ilustar o seu Ofício dos mortos com cenas relacionadas com o enterro e serviços fúnebres deste rei, demonstra que foi, em parte, executado durante o reinado de D. João III seu filho e sucessor.

Cortesia de wikipédia/bibliomanias/Infopédia/JDACT