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terça-feira, 29 de agosto de 2023

O Lago Azul. Fernando Campos. «Eu permitir-me-ia, Majestade, sugerir... Que sugeris vós, senhor ministro? ... que envieis para lá, com total poder, à frente de homens escolhidos, um anjo exterminador…»

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«(…)  Fico para ver. O céu embrulhou e caiu noite prematura. No silêncio adormecido das margens do rio, de ruelas e largos da cidade, soam as sete no sino da catedral e logo, como surgida do nada, uma correria de tochas, brandões, luzeiros dão em entrar pela sé, em invadir a Sint-Pauluskerk, a Sint-Elisabethkapel, a Sint-Iacobkerk, a Sint-Niclaaskapel. Noite de pilhagem e destruição desenfreadas. As  imagens dos santos apeadas de seus nichos vêm fazer monte com pinturas, retábulos, saltérios, missais, estantes, alfaias e paramentos litúrgicos nas fogueiras dos adros. Ainda tentam os chefes religiosos calvinistas pôr freio à voragem. Impotentes, são desacatados, e o desmando. o saqueio iconoclasta em breve, nos dias que se seguem, alastra a Armentières, a Ypres, a Gand, à Zeeland, à Friesland, à Holland…

Nem o erguerem-se, dia a dia, na serra de Guadarrama, sombrias paredes e torres do Escorial, palácio, mosteiro, igreja, cripta de panteão, amaina a fúria do rei Felipe: Não tolerarei o alagar da heresia. Não tolerarei a profanação dos templos. Os Países Baixos não afrontarão a minha autoridade. Que está a fazer minha irmã Margarita mais o cardeal Granvelle? E esse príncipe católico, Guillermo de Orange a quem nomeei estatúder dessas terras?

Eu permitir-me-ia, Majestade, sugerir... Que sugeris vós, senhor ministro? ... que envieis para lá, com total poder, à frente de homens escolhidos, um anjo exterminador... Quem? Fernando Álvarez de Toledo, duque de Alba.

O sopro de quase um ano e cavalga, caminho de Bruxelas, o general mais as suas tropas aguerridas, dezassete mil soldados, acompanhados de duas mil mancebas. homens habituados às vitórias, ao esbulho, ao estupro, à matança. regimentos lombardos, sardos, napolitanos, comandados por generais experientes, Gonçalo Bracamonte, Julián Romero, Sancho Lodrón, Alfonso Ulloa e o próprio filho do duque, Fradique Toledo.

Vem aí a chacina, senhores, diz Margarita Parma aos conselheiros. Não serei conivente em violência e crime. Regressarei a Itália». In Fernando Campos, O Lago Azul, Difel, 2007, ISBN 978-972-290-874-0.

Cortesia de Difel/JDACT

JDACT, Fernando Campos, 18º Rei de Portugal, dom António Prior do Crato, Genebra, Conhecimento, Literatura, História,

O Lago Azul. Fernando Campos. «O sacristão não terá tempo de fechar as portas. Todos avisados? Somos multidão: professores, políticos, imprimidores, comerciantes, artistas... E os luteranos? E os anabaptistas?»

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«(…) De rajada,Antwerpen. Não espero que me abram a porta acastelada da muralha. Voo por cima' Os ânimos, a revolta prestes a estourar. Os sábios teólogos calvinistas, que se arrogam reformar o mundo, vão entrar em acção.

Dia de São Nunca, Herr Doktor. Os papistas não encontraram ainda patrono para o dia dezanove de Agosto… e, como nós não admitimos o culto dos ditos santos… Bem escolhido, sim senhor, Doktor Hendrich. Por onde começamos?

A catedral ao cair da tarde será nossa. O sacristão não terá tempo de fechar as portas.  Todos avisados? Somos multidão: professores, políticos, imprimidores, comerciantes, artistas... E os luteranos? E os anabaptistas?

Fechados em suas conchas com os iniciados. Não desejam participar no que consideram violência… Mas o povo está connosco. O povo está com eles! Isso é o que eles pensam' Não contam com o fervilhar da turba ignorante dos mesteirais. Escorro e rodopio pelos cais do Scheldt, por estaleiros e armazéns de feitorias, por tabernas da Kipdorp, da Lange Nieuwstraat, da via Caesarea, a espreitar trechos de conversas sussurradas, olhares de conluio, que a novidade do assalto calvinista depressa correu.

Dia de São Nunca, Meister Peter, segreda o petintal Franz à orelha do calafate, por debaixo da aba larga do chapéu preto. Meister Peter olha em redor antes de falar em voz baixa: A que horas? Ao soar das sete da tarde no sino da sé.

Gralham estridentes os guindastes com seus cadeados,  suas rodas, seus falcões, gemem cabrestantes a erguer âncoras, piam gaivotas à volta dos mastros ou no colher das redes de peixe, fervem as taracenas no afã de carpinteiros, almoxarifes, arrais, obreiros, e abafam as vozes da insurreição. O carregador Adrian pára com sua carroça de centeio à boca de um armazém. Aproximam-se os moços da descarga.

Mexei-me esses pés e esses braços, rapazes. Hoje à noite será outra a vossa tarefa.  Hoje à noite, Adrian?

Os chefes calvinistas vão tomar as igrejas dos católicos e nós vamos aproveitar... Iacob Tac pousou o copo de vinho sobre a mesa, os olhos vagos, vidrados, a atravessar parede para além de pipas e vasilhame:

Do báculo de Sint Niclaas hei-de fazer um bastão. Ides ver, companheiros. Hei-de fartar-me de lhes dar porrada, e ria, as bochechas inchadas, vermelhas. Eu hei-de apanhar o cálice de ouro do bispo. E eu a custódia cravejada de diamantes. E eu, diz Franz Maes, tintureiro de tapeçarias, hei-de roubar os brincos de Sint Aldegonde para dar à minha Margaret.

Nos bairros pobres, mulherezinhas embiocadas de negro tecem seus planos. Vou mas é direita à caixa das esmolas, assevera a senhora Henriette.  ‘nha mãe, pode ser para mim o anel de Sint Brigit?» In Fernando Campos, O Lago Azul, Difel, 2007, ISBN 978-972-290-874-0.

Cortesia de Difel/JDACT

JDACT, Fernando Campos, 18º Rei de Portugal, dom António Prior do Crato, Genebra, Conhecimento, Literatura, História, 

quinta-feira, 9 de março de 2023

O Lago Azul. Fernando Campos. «… serem modificados os editos contra os heréticos e seja abolida a inquisição e os castigos que, por motivos religiosos, ela nos inflige, diz e entrega a petição à duquesa»

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«(…) Ce ne sont que des gueux. Os conselheiros sorriem. O dito não tardará a correr nas minhas asas. Ao fundo do salão do trono, o mordomo anuncia: O conde de Brederode e sua delegação. Avança o conde e, diante da regente, faz vénia de joelho em terra, tal como os dois fidalgos que o acompanham. Madame, não está em causa a nossa lealdade e obediência a Sua Majestade o rei Felipe e a Vossa Alteza, que antes de mais asseguramos. Que vos traz pois, conde de Brederode? Solicitar-vos convoqueis os Estados Gerais a fim de serem modificados os editos contra os heréticos e seja abolida a inquisição e os castigos que, por motivos religiosos, ela nos inflige, diz e entrega a petição à duquesa.

Deixai ficar o documento, conde. Registamos com agrado a expressão da vossa lealdade a el-rei. Em tempo oportuno ser-vos-á dada resposta. A delegação retira-se e, cá fora, na grande praça, junta-se aos outros cavaleiros. Alguém aproxima o cavalo do de Brederode e segreda-lhe ao ouvido. Gueux? Ele disse isso? Nous ne sommes que des gueux? ,exclama o conde e, dando de esporas, inicia a cavalgada de regresso, o semblante carregado, já o apodo passava de boca a orelha uns aos outros.

Em Kulemburg, rue des Petits-Carmes, no Sablon, em casa de Brederode, comer e beber. Ouro nem prata fulgem sobre a mesa, senão escudelas de mendigo. Havia chegado a resposta da regente. Trouxera-a um dos conselheiros de estado, o conde Lamoral de Egmont: Então, conde?, pergunta Brederode. Margarita de Parma promete enviar a Felipe a petição e entrementes moderar os decretos contra os hereges. Pretende ganhar tempo, amigos, diz Henrique de Brederode, levantando-se. Pegai em vossa taça, senhor conde de Egmont. Brindareis connosco? Vira-se para os convivas, ergue a escudela e exclama: Vivam os maltrapilhos!

Vivam!, secundam todos mais o conde de Egmont e o conde de Hornes que também aqui se encontra. Cor de cinza será o saco dos nossos trajos, insígnias o alforge e a escudela». In Fernando Campos, O Lago Azul, Difel, 2007, ISBN 978-972-290-874-0.

Cortesia de Difel/JDACT

JDACT, Fernando Campos, 18º Rei de Portugal, dom António Prior do Crato, Genebra, Conhecimento, Literatura, História,

terça-feira, 7 de março de 2023

O Lago Azul. Fernando Campos. «Porque consenti eu em dar-lhes audiência?, inquieta-se temerosa, em seu salão, a duquesa de Parma, rodeada dos conselheiros. Divididos coração e espírito, entre piedade e obediência…»

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«(…) Estrujo a tempestade, estrondeio nuvens prenhas de negrume, fuzilo relâmpagos, fendo os céus e ribombo timbales, tambores, tímpanos, o cascalhar da trovoada pelas quebradas. Rujo, uivo, silvo, zimbro, bramo a floresta, matraqueio árvores estilhaçadas, dedilho harpas de pinhais, alaúdes de choupos, salteiros e sistros de carvalhedos. Bravejo as fúrias dos mares, refervo o cachão das vagas de encontro aos rochedos, espadano escumas enraivecidas, ressoo trompas de cavernas e furnas, trompetes, clarinetes, fagotes, flautas de canaviais e olmeiros, oboés, cornamusas, olifantes… Mors stupebit et natura... a própria Morte se espantará... Ululo os ecos dos vales, soluço, aio, choro a seda dos meus arcos pelos violoncelos e violinos do cordame dos navios, nos búzios das velas dos moinhos, rufo as varas da chuva por telhados e ruas... Desfaleço a fúria. Num urro final grito o meu Dies irae... \

Em seu gabinete de Bruxelas, Guilherme de Orange acaba de ler o papel que tem em mãos e levanta os olhos para Heinrich van Brederode. Johann e Philips Marnix van Sint-Aldegonde e os jovens fidalgos moços que os acompanham: Este texto de compromisso entre católicos e calvinistas, para entreajuda contra os desmandos de Granvelle e da Inquisição (maldita), agrada-me sobremaneira. Receio, no entanto, vá provocar o assanho do rei. Vede, senhor estatúder, que são centenas as adesões de fidalgos de ambas as crenças, opõe Brederode. Senhor conde, serão mais centenas de cabeças que rolarão no cadafalso. Que sugeris então, príncipe? Prudência. Mas... Resumi o texto a uma petição que seja solenemente entregue por vós à regente Margarida.

Tem Vossa Alteza razão, aceita Johann Marnix. Convocaremos as centenas de coligados e cavalgaremos para o palácio da duquesa. Eu tratarei de solicitar audiência, diz Brederode um pouco desalentado.

Gelosias espreitam curiosas: Que tropel é este na calçada, senhora Cornélia? Ah, mademoiselle Schwartze, não faço ideia. Praí a revolução que começou, diz a senhora Huygens. Em meio da estropeada faíscam em baixo ferraduras das montadas, e gentinha começa a encher as ruas de Bruxelas a aclamar os valentes, encabeçados por Heinrich de Brederode. Obra de duzentos fidalgos. Encaminham-se para o palácio da regente Margarita, meia-irmã do rei Felipe de España.

Porque consenti eu em dar-lhes audiência?, inquieta-se temerosa, em seu salão, a duquesa de Parma, rodeada dos conselheiros. Divididos coração e espírito, entre piedade e obediência ao rei meu irmão... El-rei, Madame, diz o cardeal Perrenot de Granvelle, 'exige severo castigo dos hereges. Não tem pendor para a violência o lencinho de rendas de Mechelen que Margarita leva aos olhos. Margherita, Margareta, Margarida… querida pérola…  margarita ad pullos... pobre duquesa!.. Nada receeis, Madame, diz o conde de Berlaymont. Não passam de maltrapilhos». In Fernando Campos, O Lago Azul, Difel, 2007, ISBN 978-972-290-874-0.

Cortesia de Difel/JDACT

JDACT, Fernando Campos, 18º Rei de Portugal, dom António Prior do Crato, Genebra, Conhecimento, Literatura, História,

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Lago Azul. Factos pouco conhecidos do destino de algum sangue real português. Fernando Campos. «Conheço-me por demais violento às vezes, provoco cataclismos, naufrágios, desbordamentos de rios das suas madres, aludes e levas de terras que tudo arrastam, casas, pessoas, sem olhar a piedade»

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«(…) Gosto de me roçar brando pelo lume das águas ou cursar forte impelindo a violência do temporal. Há largo mar por onde correr. Vagas, ondas, ondinhas, cavo-as, encrispo-as, encrespo-as, encristo-as, adondo-as, amacio-as, borbulho-as e marulho-as, espraio-as espumantes por areais ocres, bege-acinzentados. Acende-se a tempestade e em ira as estoiro contra a penedia, lhes rodopio surbiões de voragem, malícia minha, lhes adoço e amaino fúrias, bondade minha, por todos os oceanos, rios e lagos do mundo. Gosto de as soprar e, com elas, as ondas do tempo e os farrapos e cuspinhos das vidas dos mortais. Vou e venho, a entretecer laços e histórias, enredos entrançados de sucessos, aqui e acolá, além, agora, ontem, amanhã, que tudo é hoje... Em Portugal soalheiro e rendido ao inimigo junto ao mar Oceano; nas brumas da Holland, da Nederland, da Friesland, da Zeeland, o povo aguerrido, espinhado contra o inimigo comum, nas bordas do mar do Norte. Agora corro a Leipzig,aafiar o ouvido a novas línguas e falares, como é meu gosto, a vertê-los em português que sempre é idioma escorreito que corre o mundo como eu, e a divertir-me nas bodas do príncipe de Orange, Willem de Zwijger, Guilherme o Taciturno. Casa com Anne, filha de Mauritz eleitor de Saxe. Na comédia da vida dos homens nasce-se uma vez, morre-se uma vez, mas pode casar-se e descasar-se várias vezes. Estas são as segundas núpcias do Taciturno, aos vinte e oito anos, e não há-de ficar por aqui.
Anne de Saxe é uma maria-rapaz, soldadesca e arrogante, amiga da sem-vergonhez e da bebedice, descortês para com os seus e os outros. Foi um engano ter nascido mulher e foi o casamento do príncipe uma desilusão. No entanto, dessa aliança vão nascer um filho e duas filhas. Segui-los-ei adiante. Neste momento passeio-me pelas mesas dos convivas. Sete dias de comezaina e bebezaina. Se os seis mil duzentos e noventa e dois cavalos comeram treze mil e seiscentas medidas de aveia, para alimentar os seis mil duzentos e noventa e dois cavaleiros, muitos deles com suas mulheres e filhos, gastaram-se quatro mil moios de trigo, beberam-se três mil e seiscentos grandes garrafões de vinho e mil e seiscentas pipas de cerveja. Dia e noite rodaram em enormes espetos vitelos e leitões, todos os dias traziam pescadores peixe fresco, monteiros e falcoeiros peças de caça e volateria, moleiros e caseiros farinha, ovos, méis, para as guloseimas. Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Ora aí está o busílis. Os homens apartaram-se em religiões, seitas, bandos e cada um, do alto dos púlpitos ou das homilias dos altares, se arroga a palavra de Deus... A boda acabou, os convivas dispersaram-se e aqui vem, saído do seu castelo de Breda, o jovem estatúder Guilherme de Orange e Nassau a caminho de Bruxelas, a assistir à assembleia dos cavaleiros do Tosão de Ouro. Entretanto...
Conheço-me por demais violento às vezes, provoco cataclismos, naufrágios, desbordamentos de rios das suas madres, aludes e levas de terras que tudo arrastam, casas, pessoas, sem olhar a piedade, a justiça, à ternura das crianças, à fraqueza dos velhos, ao êxtase dos amantes. Ainda me recorda daquela terrível noite de dezoito para dezanove de Novembro, vai mais de um século volvido. A inundação de Saint Elisabeth, nos arredores de Dordrecht! Soprei a doze nós, era furacão e aproveitei-me da maré alta do mar do Norte. Afogaram-se cem mil neerlandeses... Cego me criou a natureza, mas sem culpa. A violência, porém, dos humanos contra outros humanos supera as minhas iras, se é que se podem chamar iras, termo da linguagem dos homens, às forças naturais que me regem. Supera as feras dos bosques, a fome dos peixes das águas. O leão saciado não mata nem o abutre. Não causa morticínios. Mas os homens espantam-me. Matam pelo fogo, pela água, pelo ferro, pelo sufoco, por mil e uma invenções de tortura adrede criadas para prolongar a dor daqueles a que chamam inimigos, hereges e por aí fora. Com náusea perpasso e assisto à crueldade humana, tamanho o meu furor. Não. Não esperarei por aquele dia medonho no vale de Josafá. Não aguardarei o toque das trombetas do Juízo Final. O dia da ira é hoje, é agora, é já.
A mim, a mim todo o instrumental, toda a orquestração de que sou maestro, as percussões, os sopros, os dedilhados, o roçar, o deslizar das crinas dos arcos nas cordas da natureza. Requiem por todas as vítimas, por todos os mártires sem resplendor na cabeça nem peanha nos altares, sem lugar reservado pelos doutores de todas as religiões e seitas na luz perpétua dos paraísos, por aqueles que ousaram pensar de outra maneira e foram amarrados à pira do fogo, pendurados da forca da ignomínia, estrangulados no garrote, estirados no potro, afogados na fossa, assados na chapa, degolados no patíbulo, escorchados vivos». In Fernando Campos, O Lago Azul, Difel, Algés, 2007, ISBN 978-972-29-0874-0.

Cortesia de Difel/JDACT

domingo, 29 de agosto de 2010

O Museu Internacional da Reforma Protestante, Genebra: A chamada «Roma do Protestantismo» ou ainda «a Cidade de Calvino», é um dos berços da Reforma. O Museu propõe a visita a vários locais em Genebra relacionados com Farel e Calvin

Cortesia de wikipédia
O Museu Internacional da Reforma Protestante situa-se na rue du Cloître número 4 em Genebra e é um espaço de divulgação cultural que enfoca a história da Reforma Protestante e particularmente os capítulos dessa história que se desenrolaram na própria cidade de Genebra, a cidade de João Calvino. O local escolhido para albergar o museu é simbólico, a Maison Mallet, o edifício onde se situa o museu, foi construído em 1723 precisamente no mesmo local onde se situava o convento de Saint-Pierre, local onde em 21 de Maio de 1536 os habitantes de Genebra decidem adoptar a Reforma. Ao lado da Maison Mallet, fica a Catedral Saint-Pierre. O museu foi inaugurado em 15 de Abril de 2005.

Cortesia do MIRP
A história dos conflitos religiosos é também objecto de atenção. A própria cidade de Genebra foi o palco de uma parte dos principais acontecimentos na história da Reforma. Estão aqui expostos alguns documentos históricos que relatam as Guerras de religião em França, incluindo o Massacre da noite de São Bartolomeu.

Cortesia do MIRP
Com a revogação do Édito de Nantes pelo Édito de Fontainebleau em 1685, os huguenotes voltaram a ser perseguidos em França. Muitos fugiram para outros países. O museu mostra também alguns aspectos da vida desses calvinistas refugiados em seus países adoptivos. Por Meio De Edito De Nantes (1598), o monarca concedeu aos huguenotes a liberdade religiosa e o direito de exercerem cargos políticos.

Cortesia do MIRP

As 12 salas retratam de forma atractiva a história do protestantismo, da sua origem aos dias de hoje, graças a peças únicas como a primeira Bíblia em francês, datada de 1535. Uma impressora da época foi reconstruída para lembrar o papel importante da invenção para a propagação do movimento religioso criado pelo religioso alemão Martinho Lutero, em 1517. Genebra adoptou a Reforma em 21 de Maio de 1536, sob impulso de Guillaume Farel. Dois meses mais tarde, o teólogo João Calvino chegou à cidade para apoiar o movimento. Farel e Calvin sofreram resistência e foram da cidade em 1538. Calvino apenas regressou em 1541, onde permaneceu até à sua morte em 1564, aos 55 anos de idade.

A partir de 1550, a cidade de Genebra tornou-se refúgio para protestantes perseguidos em toda a Europa. Em 10 anos, o número de habitantes cresceu de 12 a 20 mil.


Documento inédito assinado por Calvino
Cortesia de swissinfo

Cortesia do Museu Internacional da Reforma Protestante/JDACT