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domingo, 14 de novembro de 2021

A Bailarina de Auschwitz. Edith Eva Eger. «Quando falo de vítimas e sobreviventes, não estou culpando as vítimas, muitas jamais tiveram chance de se defender»

Cortesia de wikipedia e jdact

«(…) Minha própria busca pela liberdade e meus anos de experiência como psicóloga clínica me ensinaram que o sofrimento é universal, mas que o complexo de vítima é opcional. Existe uma diferença entre ser vítima e assumir o papel de vítima. Somos todos susceptíveis a nos tornar vítimas de alguma maneira. Todos sofreremos algum tipo de aflição, desgraça ou abuso causado por pessoas ou circunstâncias sobre as quais não temos controle. Isso é ser vítima. É algo que vem de fora. É o valentão da escola, o chefe furioso, a esposa que agride, o amante que trai, a lei que discrimina, o acidente que o leva para o hospital. Em contrapartida, o complexo de vítima vem de dentro. Ninguém pode fazer sentir-se inferior, a não ser você mesmo. Nós nos tornamos vítimas não pelo que acontece connosco, mas quando escolhemos nos agarrar ao sofrimento. Desenvolvemos uma forma de pensar e de agir que é rígida, culpada, pessimista, presa ao passado, rancorosa, punitiva e sem limites saudáveis. Nós nos tornamos nossos próprios carcereiros quando escolhemos ficar confinados ao papel de vítima.

Quero deixar uma coisa bem clara. Quando falo de vítimas e sobreviventes, não estou culpando as vítimas, muitas jamais tiveram chance de se defender. Nunca poderia culpar aqueles que foram enviados para as câmaras de gás, que morreram de fome ou mesmo os que correram na direcção da cerca eléctrica de arame farpado. Sofro por todas as pessoas que são condenadas à violência e à destruição todos os dias. E vivo para orientar os outros a se fortalecerem diante das adversidades da vida. Também quero dizer que não existe uma hierarquia do sofrimento. Não há nada que torne a minha dor maior ou menor que a sua, nenhum gráfico no qual possamos registar a importância relativa de uma dor sobre a outra. As pessoas me dizem As coisas na minha vida estão muito difíceis agora, mas não tenho o direito de reclamar, não é Auschwitz. Esse tipo de comparação pode nos levar a minimizar ou depreciar nosso sofrimento. Ser um sobrevivente exige aceitação total do que aconteceu. Menosprezar sua dor ou se punir porque se sente perdido, isolado ou assustado com os desafios da vida, por mais insignificantes que esses desafios pareçam para os outros, também é escolher bancar a vítima. Ao fazer isso, não estamos vendo nossas opções. Estamos nos julgando. Não quero que leia minha história e diga Meu sofrimento é menos importante. Quero que afirme Se pode fazer isso, eu também posso!.

Certa manhã eu atendi a duas pacientes, uma logo depois da outra. As duas eram mães na faixa dos 40 anos. A primeira tinha uma filha hemofílica que estava morrendo. Ela passou a maior parte da consulta chorando e perguntando como Deus poderia tirar a vida da sua menina. Sinto muito por aquela mulher que se dedicou totalmente a cuidar da filha e estava arrasada com a perda iminente. Ela sentia raiva, sofria e não sabia se conseguiria sobreviver àquela dor». In Edith Eva Eger, A Bailarina de Auschwitz, 2017, Editora Desassossego, 2018, ISBN 978-989-889-218-8.

Cortesia de EDesassossego/JDACT

JDACT, Edith Eva Eger, Guerra, Literatura, Conhecimento, 

domingo, 24 de outubro de 2021

A Bailarina de Auschwitz. Edith Eva Eger. «Fome de aprovação, de atenção, de afeição. Temos fome de liberdade para aceitar a vida e para realmente nos conhecermos e sermos nós mesmos»

Cortesia de wikipedia e jdact

«(…) Logo eu descobriria a origem do trauma de Jason e ele descobriria que, apesar de nossas óbvias diferenças, tínhamos muita coisa em comum. Ambos conhecíamos a violência. E ambos sabíamos como era ficar paralisado. Eu também carregava uma ferida dentro de mim, uma tristeza tão profunda que por muitos anos não fora capaz de falar a respeito com ninguém. O passado ainda me assombrava: uma sensação de atordoamento e ansiedade sempre surgia quando eu ouvia sirenes, passos pesados ou homens gritando. Isso, eu aprendera, é o trauma. A sensação quase permanente no estômago de que alguma coisa está errada, ou de que algo terrível está para acontecer, faz as respostas automáticas do medo em meu corpo me dizerem para fugir, me proteger, me esconder do perigo que está em toda parte. Meu trauma pode ainda aparecer em situações prosaicas. Uma visão súbita ou um cheiro específico têm o poder de me transportar de volta para o passado. No dia em que conheci o capitão Fuller, fazia mais de trinta anos que eu tinha sido libertada dos campos de concentração do Holocausto. Hoje, mais de setenta anos se passaram. O que aconteceu não pode ser esquecido, muito menos mudado. Porém, ao longo do tempo, aprendi que posso escolher como reagir ao passado. Posso sentir-me triste ou esperançosa, posso ficar deprimida ou feliz. Sempre temos essa escolha, essa oportunidade de controle. Estou aqui, isso é agora, aprendi a repetir para mim mesma, sem parar, até o pânico começar a diminuir. O senso comum diz que se uma coisa incomoda ou provoca ansiedade, simplesmente não deve olhar para ela. Não deve encará-la. Portanto, temos o hábito de fugir dos traumas do passado, das dificuldades, dos conflitos e dos desconfortos. Durante grande parte da minha vida adulta eu achei que minha sobrevivência no presente dependia de manter afastados o passado e o sofrimento que ele provocava. Nos meus primeiros anos como imigrante em Baltimore, nos Estados Unidos nos anos 1950, eu nem sequer sabia como pronunciar Auschwitz em inglês. Não que eu quisesse contar que estive lá. Eu não queria que ninguém sentisse pena de mim. Não queria que ninguém soubesse. Eu queria falar inglês sem sotaque e me esconder do passado. Na ânsia de me integrar e com medo de ser engolida pelos meus traumas, me esforcei bastante para manter minha dor em segredo. Eu ainda não tinha percebido que meu silêncio e meu desejo de aceitação, ambos baseados no medo, eram maneiras de fugir de mim mesma. Nem que ao escolher não enfrentar directamente a mim ou ao passado, eu ainda escolhia não ser livre, mesmo décadas depois de meu encarceramento. Eu tinha um segredo que me aprisionava. O capitão do Exército catatónico, sentado imóvel no meu sofá, me lembrou de algo que eu descobrira com o tempo: que quando obrigamos nossas verdades e histórias a se esconderem, os segredos podem se tornar o próprio trauma, a própria prisão. Longe de diminuir a dor, o que nos recusamos a aceitar se torna tão intransponível quanto as paredes de tijolos e barras de aço. Quando não nos permitimos sofrer por nossas perdas, feridas e decepções, estamos condenados a revivê-las. A liberdade está em aprender a aceitar o que aconteceu. Liberdade significa reunir coragem para desmantelar a prisão, tijolo por tijolo.

Coisas ruins acontecem em todo o universo. Não podemos mudar isso. Se olharmos para a nossa certidão de nascimento, por acaso lá está escrito que a vida será fácil? Não, mas muitas pessoas permanecem presas num trauma ou dor, incapazes de viver de maneira plena. Isso, no entanto, é possível mudar. Recentemente, no Aeroporto de Nova York, enquanto esperava meu voo de volta para casa em San Diego, fiquei sentada analisando os rostos de cada estranho que passava. O que vi me emocionou profundamente. Vi tédio, fúria, tensão, preocupação, confusão, desânimo, decepção, tristeza e, o mais preocupante, vazio. Fiquei muito triste ao notar tão pouca alegria naqueles rostos. Mesmo os momentos mais maçantes da vida são oportunidades para sentir esperança, leveza, felicidade. A rotina faz parte da vida, assim como o sofrimento e o stress. Por que algumas vezes nos esforçamos para nos sentirmos vivos e outras nos distanciamos da sensação de viver plenamente? Porque é tão desafiador trazer vida para a vida? Se me perguntasse qual é o diagnóstico mais comum entre as pessoas que atendo, eu não diria depressão ou transtorno de stress pós-traumático, embora essas doenças sejam bastante recorrentes entre aqueles que conheço, amo e oriento para a liberdade. Eu diria que é a fome. Temos fome. Fome de aprovação, de atenção, de afeição. Temos fome de liberdade para aceitar a vida e para realmente nos conhecermos e sermos nós mesmos». In Edith Eva Eger, A Bailarina de Auschwitz, 2017, Editora Desassossego, 2018, ISBN 978-989-889-218-8.

 Cortesia de EDesassossego/JDACT

JDACT, Edith Eva Eger, Guerra, Literatura, Conhecimento,

A Bailarina de Auschwitz. Edith Eva Eger. «Conte-me porque está aqui, tentei novamente. Ele continuou mudo. Senti meu corpo ficar tenso e ser tomado por uma onda de incerteza…»

Cortesia de wikipedia e jdact

«(…) Ele não respondeu. Nem sequer piscou. Ele me lembrava um personagem que havia sido transformado em pedra. Que feitiço poderia libertá-lo? Porquê agora?, perguntei. Essa era a minha arma secreta. A pergunta que sempre faço a meus pacientes na primeira visita. Preciso saber por que eles estão motivados a mudar. Porque hoje, entre todos os dias, eles querem começar a trabalhar comigo? Porque hoje é diferente de ontem, da semana passada ou do ano passado? Porque é diferente de amanhã? Às vezes, a dor nos empurra e às vezes, a esperança nos puxa. Perguntar Porquê agora? não é apenas fazer uma pergunta, é perguntar tudo. Um dos olhos dele se fechou momentaneamente, mas ele não disse nada. Conte-me porque está aqui, tentei novamente. Ele continuou mudo. Senti meu corpo ficar tenso e ser tomado por uma onda de incerteza e pela consciência das ténues e decisivas encruzilhadas onde nos encontrávamos: dois seres humanos cara a cara, ambos vulneráveis, ambos correndo riscos enquanto nos esforçávamos para dar nome à angústia e descobrir sua cura. Jason não havia chegado com uma indicação oficial. Aparentemente viera ao meu consultório por conta própria. Mas eu sabia, por experiência pessoal e clínica, que mesmo quando a pessoa decide se curar, pode permanecer travada durante anos.

Considerando a gravidade dos sintomas que ele exibia, se eu não fosse capaz de fazê-lo falar, minha única alternativa seria recomendá-lo a meu colega, o psiquiatra chefe do Centro Médico do Exército William Beaumont, onde fiz o meu doutoramento. O Dr. Harold Kolmer diagnosticaria a catatonia de Jason, o internaria e provavelmente receitaria um medicamento antipsicótico, como o Haldol. Imaginei Jason numa camisola de hospital, os olhos ainda vidrados e o corpo, naquele momento tão tenso, retorcendo-se em convulsões devido aos espasmos musculares muitas vezes provocados pelos remédios prescritos para controlar a psicose. Confio totalmente no conhecimento de meus colegas psiquiatras e sou grata aos medicamentos que salvam vidas, mas não gosto de pular directo para o internamento se houver qualquer chance de sucesso com uma intervenção terapêutica. Eu temia que, se recomendasse internamento e medicação para Jason sem primeiro explorar outras opções, ele trocaria um tipo de entorpecimento por outro. Os membros paralisados ganhariam movimentos involuntários da discinesia, uma espécie de dança descoordenada de tiques e movimentos repetitivos que acontece quando o sistema nervoso envia o sinal para o corpo se mover sem a permissão da mente. O sofrimento dele, não importava a causa, poderia ser silenciado, mas não resolvido, pelas drogas. Talvez ele viesse a sentir-se melhor, ou sentir menos, o que muitas vezes confundimos com a sensação de melhorar, mas não ficaria curado.

E agora? Eu pensava enquanto os minutos se arrastavam pesados e Jason continuava sentado estático em meu sofá. Ele estava ali porque queria, mas ainda assim permanecia aprisionado. Eu tinha apenas uma hora. Uma oportunidade. Conseguiria fazê-lo se abrir? Conseguiria ajudá-lo a anular o potencial violento que eu sentia tão vividamente como o vento do ar condicionado na minha pele? Conseguiria mostrar para ele que, quaisquer que fossem seu problema e sua dor, ele já possuía a chave para a própria liberdade? Na época, eu não tinha como saber que, se fracassasse em fazer Jason falar naquele dia, um destino bem pior do que um quarto de hospital o aguardava: uma vida numa prisão de verdade, provavelmente no corredor da morte. Na época, eu só sabia que precisava tentar. Enquanto analisava Jason, entendi que para alcançá-lo não poderia apelar para os sentimentos. Devia usar uma linguagem mais confortável e familiar para alguém das Forças Armadas. Eu devia dar ordens. Minha única esperança de destravá-lo era fazer com que o sangue circulasse pelo seu corpo. Vamos dar uma caminhada, falei. Não perguntei. Dei a ordem. Capitão, vamos levar Tess ao parque. Agora. Jason pareceu entrar em pânico por um momento. Lá estava uma mulher, uma estranha, falando com um pesado sotaque húngaro e dizendo a ele o que fazer. Vi que ele olhou ao redor, como se estivesse pensando Como faço para sair daqui?. Mas ele era um bom soldado. Ficou de pé. Sim, senhora, respondeu. Sim, senhora». In Edith Eva Eger, A Bailarina de Auschwitz, 2017, Editora Desassossego, 2018, ISBN 978-989-889-218-8.

Cortesia de EDesassossego/JDACT

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quarta-feira, 31 de março de 2021

No 31. A Bailarina de Auschwitz. Edith Eva Eger. «Ela é capaz de ajudar outras pessoas a se recuperar porque conseguiu passar sozinha do trauma à vitória. Ela descobriu como usar sua experiência com a crueldade humana para levar aos outros…»

Cortesia de wikipedia e jdact

«Numa Primavera, a convite do psiquiatra-chefe da Marinha dos Estados Unidos, a dra. Edith Eva Eger embarcou num avião de combate sem janelas para um dos maiores navios de guerra do mundo, o porta-aviões USS Nimitz, fundeado ao largo da costa da Califórnia. O avião desceu em direcção a uma pista curta de 150 metros e aterrsou com o solavanco do gancho de retenção da cauda, encaixando no cabo de travamento, que o impediu de cair no oceano. Única mulher a bordo, a dra. Eger foi acomodada na cabine do capitão. Qual era a sua missão? Ela estava lá para ensinar cinco mil jovens marinheiros a lidar com a adversidade, o trauma e o caos da guerra. Em incontáveis ocasiões, a dra. Eger foi a especialista clínica designada para tratar dos soldados, incluindo os das Forças de Operações Especiais, que sofriam de transtorno de stress pós-traumático e lesões cerebrais. Antes de conhecer a dra. Eger pessoalmente, telefonei para convidá-la a fazer uma palestra no curso de Psicologia do Controle da Mente ministrado por mim em Stanford. Sua idade e o seu tom de voz me levaram a imaginar uma vovozinha do Velho Mundo com um lenço amarrado na cabeça por um laçarote por baixo do queixo. Quando ela se dirigiu aos meus alunos, percebi seu poder de cura. Com um sorriso radiante, brincos brilhantes, cabelos dourados, vestindo Chanel da cabeça aos pés (conforme minha esposa me contou depois), ela descreveu tenebrosas e angustiantes histórias de sobrevivência nos campos de extermínio nazistas de maneira bem-humorada, exalando uma presença que só consigo descrever como pura luz.

A vida da dra. Eger foi pontuada por tragédias. Ela foi presa em Auschwitz quando era apenas uma adolescente. Apesar da tortura, da fome e da constante ameaça de morte, conservou a liberdade mental e espiritual. Não se deixou abater pelos horrores que sofreu e saiu fortalecida pela experiência. Na realidade, a sua sabedoria é resultado dos episódios mais traumáticos que viveu.

Ela é capaz de ajudar outras pessoas a se recuperar porque conseguiu passar sozinha do trauma à vitória. Ela descobriu como usar sua experiência com a crueldade humana para levar aos outros a chance de encontrar a própria luz. Seus ensinamentos já ajudaram militares (como aqueles a bordo do USS Nimitz), casais tentando reencontrar a intimidade, pessoas que foram negligenciadas, agredidas, que são viciadas ou doentes, que perderam entes queridos ou simplesmente a esperança. E podem ajudar a todos nós que enfrentamos diariamente as decepções e os desafios da vida. Sua mensagem nos inspira a fazer as nossas próprias escolhas e a nos libertar do sofrimento. No fim da palestra, todos os meus trezentos alunos se levantaram espontaneamente para aplaudir. Depois, pelo menos cem jovens lotaram o pequeno palco, esperando sua vez para agradecer e abraçar essa mulher extraordinária. Em todas as minhas décadas como professor, nunca vi um grupo de estudantes tão entusiasmado.

Ao longo dos vinte anos em que eu e Edie trabalhamos e viajamos juntos, essa é a reacção que me acostumei a testemunhar de cada público ao qual ela se dirige. Desde um encontro motivacional numa cidade de Michigan, nos Estados Unidos, quando conversamos com um grupo de jovens que enfrenta pobreza, desemprego e um conflito racial crescente, até Budapeste, na Hungria, local em que muitos dos seus parentes morreram e onde ela falou para centenas de pessoas que tentavam recuperar-se de um passado doloroso, eu vi isso acontecer repetidas vezes: as pessoas se transformam na presença de Edie. […]

Prisão. Eu tinha um segredo que me aprisionava

Eu não sabia da arma carregada escondida sob a camisa, mas, no momento em que o capitão Jason Fuller entrou no meu consultório, em El Paso, num dia de Verão de 1980, senti um aperto no estômago e uma fisgada na nuca. A guerra tinha-me ensinado a perceber o perigo antes mesmo que eu fosse capaz de explicar porque estava com medo. Jason era alto, tinha o físico magro de um atleta, mas o seu corpo era tão rígido que ele mais parecia um pedaço de madeira do que um ser humano. Seus olhos azuis eram distantes, o queixo era duro e ele não falava, ou não conseguia falar. Eu o encaminhei para o sofá branco, onde ele se sentou recto, com as mãos nos joelhos. Eu não conhecia Jason e não tinha ideia do que havia desencadeado o seu estado catatónico. Seu corpo estava próximo o suficiente para ser tocado, e sua angústia era quase palpável, mas ele estava longe, perdido. Nem parecia notar Tess, minha cachorrinha poodle cinza, que continuava parada, atenta, perto da mesa, como uma segunda estátua viva na sala.

Respirei fundo e procurei uma maneira de começar. Às vezes, começo a primeira sessão com o paciente me apresentando e contando um pouco da minha história e da abordagem que utilizo. Às vezes, pulo directo para a parte de identificar e investigar os sentimentos que trouxeram o paciente ao meu consultório. Com Jason, parecia essencial não pressionar com informações demais ou pedir que ficasse vulnerável. Ele estava completamente travado. Eu precisava encontrar uma maneira de lhe oferecer a segurança de que ele precisava para arriscar-se a me mostrar o que mantinha tão fortemente guardado. Eu precisava prestar atenção ao sistema de alerta do meu corpo sem deixar meu senso de perigo encobrir a obrigação de perguntar: como posso ser útil?» In Edith Eva Eger, A Bailarina de Auschwitz, 2017, Editora Desassossego, 2018, ISBN 978-989-889-218-8.

Cortesia de EDesassossego/JDACT

JDACT, Edith Eva Eger, Guerra, Literatura, Conhecimento,