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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Antigas Caldas de Lafões. Termas de S. Pedro do Sul: A Presença de D. Afonso Henriques. Parte IV. «Não é certo que o Rei tenha mandado construir um paço para sua habitação. Pires da Sylva não o diz, antes diz que o Rei se aposentou na casa que, ao seu tempo, dele, Pires da Sylva, era designada por «casa de D. Joseph», por nela residir, em tempo de banhos, D. José de Meneses, senhor do reguengo de Calvos. Mas, de facto, ainda hoje é conhecida por calçada do paço, a rua que passa nas traseiras da Pensão Avenida e chamam "paço" a uma casa ali existente»

Cortesia de palimage

Não são «estórias». É História rigorosamente documentada!

«Também o «Roteiro Arqueológico da Região de Turismo Dão Lafões», publicado em 1994, referindo-se às Termas, na página 141, diz que ali «teria estado» D. Afonso Henriques. A forma verbal usada é imprópria, porque parece pressupor alguma dúvida. O reparo aqui fica. Possa ele servir para que, em futura edição, se substitua «teria estado» por «esteve».
Ocorre perguntar onde se terão alojado o régio visitante e a sua comitiva e que obras terão sido feitas.
Já se viu que o Rei terá mandado reconstruir a gafaria e a albergaria. Segundo a tradição, teria, ainda, mandado construir uns «estaus» e, diz Oliveira Mascarenhas, «um largo cazarão de banhos com uma piscina unica onde, na mesma água, entravam 40 e mais pessoas a um tempo, affectadas de differentes enfermidades!».

Alguns dados fornecidos por Mascarenhas deixam dúvidas ou, como já vimos, são mesmo incorrectos. Sobre a piscina, escreve Pires da Sylva:
  • «Dado que os Romanos, ou antes delles os antigos Lusitanos fossem authores da fundação primeva, não deixamos de deve ao nosso primeiro Rey o Senhor D. Affonso Henriques, a do edifício, que hoje (1696) se vê nos banhos de Alafoens, e correria com a obra D. Fernando Pedro. Assim o testificão huns letreiros de letra Gotica, que em muitas pedras se achão, e todos vem a dizer, Affonso I, e Fernando Pedro (...) e alguns signaes de Cruz; o que tudo mostra ser a obra já de christãos, e dos sobreditos; e se a obra não mostra ser real em ficar por acabar, he, porq as guerras, em que então estava o novo Reyno, não davão lugar a se aperfeiçoar».
Piscina D. Afonso Henriques
Cortesia de palimage

Na realidade, esses sinais lá estão em vários lugares. Qualquer observador atento poderá descobri-los. Mas, ainda que admitíssemos que a piscina foi construída por D. Afonso Henriques, e não foi, a hipótese de tais sinais significarem Fernando Pedro não tem consistência, porquanto este Senhor de Lafões não aparece em qualquer dos documentos de 1169, porque, nessa data, já era morto. Também nada têm a ver esses sinais com um Pedro Fernandes, mordomo de D. Sancho, que aparece em diplomas lavrados no Banho, nomeadamente na carta de couto de Oliveira de Frades.

Baptista de Sousa analisou minuciosamente esses sinais, que encontrou também noutros locais, designadamente em pedras dos arcos da ponte. Reprodu-los e considera que não se trata de monogramas. De facto, dificilmente se poderiam considerar como tal. Seriam, antes, marcas usadas pelos lavrantes e de numeração das pedras. Depois de várias considerações, conclui:
  • «Não servem pois de fundamento, para se acreditar, que foi o nosso primeiro Rei o Fundador do Hospital; nem era de crer, que El-Rei no estado de precisão, em que se achava, esperasse que se fizesse hum edifício tal, para hir nelle pousar, havendo na parte do Reino, que elle possuia, mais Caldas, posto que menos energicas».

Cortesia de palimage 

Eduardo dos Santos, a este respeito, limita-se a repetir Sousa, mas conclui, a nosso ver, menos bem, que, «embora faltem provas a favor também as não há contra a opinião de ter sido D. Afonso Henriques quem começou o velho edifício». Esta opinião está hoje ultrapassada. Há provas de que não foi. Já vimos que a Arqueologia revela que o edifício termal é obra dos romanos e que a piscina que mais tarde tomou o nome do rei foi por eles construída, em substituição de uma outra desactivada, aquando das grandes alterações introduzidas nas Termas, no século I. posteriormente e ao longo dos séculos, novas remodelações foram feitas e, sendo natural que, para receber tão importante personagem, se tenham feito obras de beneficiação, certo é que a piscina onde o 1º Rei de Portugal tomou banhos vinha dos romanos.
Não é certo que o Rei tenha mandado construir um paço para sua habitação. Pires da Sylva não o diz, antes diz que o Rei se aposentou na casa que, ao seu tempo, dele, Pires da Sylva, era designada por «casa de D. Joseph», por nela residir, em tempo de banhos, D. José de Meneses, senhor do reguengo de Calvos.

Cortesia de palimage

Segundo outros, o Rei ter-se-ia hospedado em casa de D. Fernando Pedro, que, diz o foral do Banho, «governava toda a terra de Lafões». É bem possível que o Rei tenha ficado naquela casa, mas, a ter sido assim, há que fazer uma correcção ao que se tem escrito. Deverá, então dizer-se que ficou na casa que fora de D. Fernando Pedro, porque este, como vimos, já era morto em 1169 e, nesta data, no «comando» de Lafões, aparece um tal Sancho Nunes, como pode ver-se, na já citada carta de couto de oliveira de Frades. Tinham passado 17 anos, após a concessão do foral. Pelo facto de, ao longo do tempo, continuar a chamar-se «Calçada do Paço», a uma rua das Termas, conclui Mascarenhas que o Rei mandou construir um paço. Pouco vale a razão invocada. Bastava a circunstância de ter habitado uma qualquer casa para que lhe chamassem paço. De facto, ainda hoje é conhecida por calçada do paço, a rua que passa nas traseiras da Pensão Avenida e chamam «paço» a uma casa ali existente.
Mais nos dizem que a entrada dessa casa teria gravada uma data muito antiga, que, se não desapareceu, estará coberta pela caliça. Pretendem alguns relacionar essa data com a presença de D. Afonso Henriques». In Ana Nazaré Oliveira, Termas de S. Pedro do Sul (Antigas Caldas de Lafões), 2002, Palimage Editores, ISBN 972.8575-38-6.


Com a amizade de MR.
Cortesia de Palimage/JDACT

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Antigas Caldas de Lafões.Termas de S. Pedro do Sul: A Presença de D. Afonso Henriques. Parte III. «Pinho Leal refere a vinda em 1175, ano em que, diz ele, quebrou a perna em Badajoz. É um claro erro, pois o desastre de Badajoz foi em 1169. O mais curioso é que Pinho Leal diz que, segundo Viterbo, o rei veio em 1169. É evidente que Viterbo é que está certo»

Cortesia de palimage

Com a devida vénia a Ana Nazaré Oliveira, Termas de S. Pedro do Sul (Antigas Caldas de Lafões), 2002, Palimage Editores, ISBN 972.8575-38-6.
«Fosse ou não ali concebido tal plano, certo é que a Cúria Régia reuniu várias vezes em Lafões.Como se vê pelas datas dos documentos, a permanência do Rei no Banho foi demorada, pois, sendo certo que lá se encontrava em Setembro, em Outubro e continuava, pelo menos, a 13 de Novembro, se não houve interrupções, é legítimo concluir por uma presença contínua, num mínimo de dois meses. Problema que pode pôr-se é o de saber se terá voltado aos banhos. Já vimos que Pires da Sylva fala nos banhos da Primavera seguinte, mas nenhuma outra fonte ou documento o refere.
Pinho Leal refere a vinda em 1175, ano em que, diz ele, quebrou a perna em Badajoz. É um claro erro, pois o desastre de Badajoz foi em 1169. O mais curioso é que Pinho Leal diz que, segundo Viterbo, o rei veio em 1169. É evidente que Viterbo é que está certo. O erro de Pinho Leal ficou e alguns autores o têm repetido. Fá-lo, por exemplo, Correia de Azevedo, numa pretensa monografia sobre Lafões, que mais tem por objectivo louvar os vivos do que fazer história, amontoado de informações colhidas a esmo, não raro carente de rigor e sem um mínimo de estrutura e metodologia científica. Com a agravante de o autor afirmar que Pires da Sylva diz que D. Afonso Henriques frequentou o Banho em 1175, depois, de uma queda em Badajoz, quando a verdade é que o antigo médico das caldas (fins do séc. XVII) nunca disse tal coisa. In Ana Nazaré Oliveira, Termas de S. Pedro do Sul (Antigas Caldas de Lafões), 2002.

Cortesia de palimage
Antes, cita documentos ali lavrados e correctamente datados pela Era de César, ainda que reportando-os a 1189 da Era de Cristo, o que, cremos, se deve a gralha tipográfica, pois deveria ser 1169. Mas nunca escreveu 1175. Na realidade, quem escreve o erro é, mais tarde, Pinho Leal.
Eduardo dos Santos, num primeiro trabalho diz, correctamente, que o Rei veio em 1169,mas acrescenta, com alguma confusão na citação dos documentos, que voltou em 1175. Verdade que, em publicação posterior do mesmo trabalho refundido, deu-se conta do lapso, suprime o ano de 1175 e aponta o facto com inteira correcção.
Em Suplemento do Diário de Notícias, Francisco Hipólito Raposo, num interessante artigo sobre o património histórico e artístico de S. Pedro do Sul, depois de afirmar que D. Afonso Henriques veio às Caldas por mais que uma vez, refere o ano de 1175. É o erro de Pinho Leal a repetir-se! Se assim tivesse acontecido, é natural que disso houvesse notícia. Dificilmente Pires da Sylva deixaria de o assinalar na sua «Chronographia Medicinal das Caldas de Alafoens», 1696, a mais antiga e completa publicação. A verdade é que não se conhece qualquer documento que o prove ou, sequer, o sugira.

Cortesia de palimage
Parece-nos, pois, errado dizer que o Rei voltou em 1175. Mas claramente errado é dizer que veio pela primeira vez naquela data e que, nesse ano, foi o desastre de Badajoz.
E, antes do desastre, terá D. Afonso Henriques utilizado as águas do Banho?
Partindo da afirmação de Duarte Galvão, na crónica de D. Afonso Henriques, de que o príncipe teria nascido aleijado das pernas, já se tem admitido que, naquelas águas, menino ainda, teria encontrado cura. Para além de tudo o que de fantasioso existe sobre a pretendida enfermidade do príncipe, não se conhece qualquer documento que deixe, sequer, supor a vinda de D. Afonso Henriques às Caldas de Lafões, antes do desastre de Badajoz. A única certeza que fica é, pois, a da sua presença em 1169.

Perante tantos testemunhos documentais, causa alguma estranheza que ainda se escreva, em artigo publicado na revista do Inatel «Tempo Livre», (n.º 115, Março 2001, p. 16): «As águas da Vila do Banho teriam curado, a acreditar nas estórias (sic) as mazelas da perna de D. Afonso Henriques».
Com a amizade de MR.
Cortesia de Palimage/JDACT

sábado, 16 de abril de 2011

Antigas Caldas de Lafões.Termas de S. Pedro do Sul: A Presença de D. Afonso Henriques. Parte II. «Nas Caldas de Lafões, reuniu várias vezes a Cúria Régia, com altos dignitários da corte e bispos. ...poder-se-á concluir que a cúria reunia já com assinalada regularidade, da maneira mais simples ou com toda a solenidade, em Lafões, quando foi lavrado este primeiro diploma»

Cortesia de palimagem

Com a devida vénia a Ana Nazaré Oliveira, Termas de S. Pedro do Sul (Antigas Caldas de Lafões), 2002, Palimage Editores, ISBN 972.8575-38-6.
A Presença de D. Afonso Henriques
Nas Caldas, teve o Rei a visita de seus filhos e, provavelmente, a presença permanente da filha mais nova. Lê-se na carta de couto de Oliveira (Ulveira» de Frades: «Eu Afonso rei de Portugal, juntamente com meus filhos, isto é, rei D. Sancho e rainha D. Teresa na presença de testemunhas idóneas roboramos este documento com as próprias mãos e fazemos estes sinais». Seguem-se três cruzes e as assinaturas das testemunhas e confirmantes, entre os quais, as mais destacadas personalidades locais:
Sancho Nunes, governador de Lafões, Cerveira, que foi alcaide de Coimbra e fundador da Albergaria de Reigoso, Suarez Fernandes, juiz de Lafões, Mendes Pedro, arcediago e presbítero de S. Pedro do Sul, Suarez, presbítero de Várzea. Outros documentos referem a presença de D. Sancho, D.Urraca e D. Teresa, que padecia de «arrotos chocos». Só esta deve ter tido permanência demorada, talvez constante. D. Sancho tinha já responsabilidades governativas e D. Urraca estava casada com o rei Fernando II de Leão.

Cortesia de palimagem
Nas Caldas de Lafões, reuniu várias vezes a Cúria Régia, com altos dignitários da corte e bispos. No primeiro diploma que citámos, intervêm, para além dos filhos D. Sancho e D. Teresa, o arcebispo de Braga, D. João Peculiar, ligado a Lafões pela fundação do Mosteiro de S. Cristóvão, o bispo do Porto, D. Pedro, o bispo de Coimbra, D. Miguel, o bispo de Viseu, D. Gonçalo, o bispo de Lamego, D. Mendo, o alferes-mor Fernando Afonso, o vedor da casa do rei Conde Vasco, o vedor Pedro Fernandes e o alferes-mor Nuno Fernandes da casa de D. Sancho, o «tenente, da Estremadura», Soeiro Mendes.

Referindo-se a este documento, escreve o Professor António Cruz: «E porque nada menos de cinco prelados figuram também como intervenientes, poder-se-á concluir que a cúria reunia já com assinalada regularidade, da maneira mais simples ou com toda a solenidade, em Lafões, quando foi lavrado este primeiro diploma».

Cortesia de palimagem

E, na carta de couto de metade da vila de Midões, passada à Sé de Coimbra, no mês de Novembro, é ainda maior o número de testemunhas e confirmantes. Para além de todas as personalidades referidas no primeiro documento, estiveram ainda presentes: os bispos de Tui, de Lisboa, de Évora, o prior de Santa Cruz de Coimbra, o abade de Lorvão, os Mestres Alberto, Mido e Raimundo, etc.

Tudo isto nos dá uma ideia da importância de tais reuniões. «As mais qualificadas pessoas, fácil é deduzir, se congregavam em Lafões, no mês de Novembro de 1169; toda a cúria régia e, com ela, prelados diocesanos e de mosteiros, autoridades civis e militares, e três distinguidos com o título honorífico de magister, quando não, algum deles, mestre de verdade».

De facto, ali foram tomadas decisões de importância nacional, como é o caso da doação à Ordem do Templo da terça parte dos bens que viessem a ser conquistadas para além do Tejo, o que, na opinião autorizada de António Cruz, «permite intuir que el-rei, assistido pela sua cúria e quando fixado em Lafões, aí concebeu, plausivelmente, novo plano de acção, para que daí partisse nova cruzada». In Ana Nazaré Oliveira, Termas de S. Pedro do Sul (Antigas Caldas de Lafões), 2002.
Com a amizade de MR.

Cortesia de Palimage/JDACT

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Antigas Caldas de Lafões.Termas de S. Pedro do Sul: A Presença de D. Afonso Henriques. «A vinda do monarca vai alterar a vida das velhas Caldas. Quando retirava da praça de Badajoz fracturou a perna direita, ao bater com ela no ferrolho de uma porta. Entre os físicos da época, crê-se que residente ou mesmo natural de Lafões, que teria aconselhado as águas...»

Cortesia de palimagem

Com a devida vénia a Ana Nazaré Oliveira, Termas de S. Pedro do Sul (Antigas Caldas de Lafões), 2002, Palimage Editores, ISBN 972.8575-38-6.

A Presença de D. Afonso Henriques
«A partir do século XII, com a fundação da nacionalidade, as Caldas de Lafões afirmam-se como as mais importantes do Portugal nascente. As virtudes terapêuticas das suas águas são procuradas por nobres e plebeus.
A vinda de D. Afonso Henriques vai alterar por completo a vida das velhas Caldas. É sabido que o rei português, quando retirava da praça de Badajoz, atacado pelo genro, fracturou a perna direita ao bater com ela no ferrolho de uma porta. Ficou a sofrer da perna. Entre os físicos da época, teria aparecido um, crê-se que residente ou mesmo natural de Lafões, que teria aconselhado as águas. Dizem outros que o conselho teria vindo de D. Fernando Pedro, membro da Cúria Régia e senhor de Lafões. Hipótese de rejeitar, porque este nobre, à data, já era morto. Como quer que tenha sido, o primeiro rei, meses depois do desastre e ainda no mesmo ano (1169), veio às Caldas e, no dizer de Pires da Sylva, «com os banhos do Outono e primavera seguinte (?) ficou tão são, que ficou capaz de vencer muitas mais batalhas». Isto acrescentou o médico das Termas. Mas, a darmos crédito a Duarte Galvão, depois do desastre, o rei «nunqua mais quis, ou não pôde, talvez!, cavalgar en besta (…) andando em colo de homens, e outras oras em carros». Ambos terão exagerado. Parece que o rei não terá ficado tão são como diz Sylva, nem tão inválido como diz Galvão.

Cortesia de palimagem
Quanto aos banhos do Outono, não há a mínima dúvida. Atestam-no, as datas dos documentos ali lavrados. E não são poucos. Relativamente aos banhos da primavera seguinte, não há qualquer documento nem conhecemos outra fonte que ao refira, pelo que pomos muita reserva à afirmação de Pires da Silva, que, para muitos, erra num ano a data do cerco de Badajoz e faz mal a redução da Era de César à Era Cristã, a menos que se trate de erro tipográfico.
Em Setembro de 1169, o rei já estava em Lafões. Ali foram lavrados documentos que claramente o referem e mostram que, por mais que uma vez, ali se reuniu a Cúria Régia:
  • Escritura de doação de terras, em Fafe e Guimarães, a uma D. Sancha Pais, que termina: Facta carta apud Alafoen mense Septembrio Era Mª CCª VIIª.
  • Carta de doação à Ordem do Templo da terça parte dos bens que viessem a ser conquistados para além do Tejo, onde se lê: Facta scriptura mense Septembrio apud Alafoen Era Mª CCª VIIª.
No mês seguinte, o rei continuava nos banhos. Refere Viterbo que, no mês de Outubro, estando em Lafões, confirmou à Ordem do Templo a doação dos castelos de Cardiga e Tomar.

Cortesia de palimagem
E, em Novembro, a corte permanecia em Lafões. Novas reuniões da Cúria e novos documentos ali foram lavrados:
  • Uma doação feita à Sé de Zamora.
  • carta de couto, passada à Sé de Coimbra, de metade da vila de Midões, no concelho de Tábua, que termina: «Facta. est huius cauti firmitudo et confirmata apud Alafoe ldus Nouembris Era M.ª CC.ª VIIª».
  • carta de confirmação da doação e de couto de Oliveira de Frades a Santa Cruz de Coimbra, que diz: «Facta. est buius cauti firmitudo mense Nouembrio Era M.ª CC.ª VII.ª quando rex ueuit de Badalioz et iacebat infirmus in balneis de Alafoen», o que significa, em termos de data, «no mês de Novembro na era de 1207 quando o rei veio de Badajoz e estava enfermo nos banhos de Lafões».
Todos os documentos têm a data de 1207. Vem a propósito corrigir um erro cometido por Oliveira Mascarenhas, quando, ao citar este documento escreve: «Ha aqui um erro importantissimo, um visivel anachronismo a atender. Vê-se da escritura que D. Affonso Henriques estivera nas «Caldas de Lafões, em 1207, quando é certo, incontroverso, que este monarcha fallecera no anno de 1185»!
Não há qualquer erro. Quem errou foi Mascarenhas, que esqueceu, se é que não ignorava, que a data de 1207 se refere à Era de César, o que corresponde, precisamente, a 1169 da Era Cristã. E vai mais longe. Atribui as culpas àqueles que usam de «pouco cuidado e escrupulo na trasladação dos documentos». In Ana Nazaré Oliveira, Termas de S. Pedro do Sul (Antigas Caldas de Lafões), 2002.

Com a amizade de MR
Cortesia de Palimage/JDACT