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quarta-feira, 13 de abril de 2022

Paul Jeffers. Mistérios Sombrios do Vaticano. «Outubro de 1978: eleição do cardeal polaco Karol Wojtyla para o papado. Ele assume o nome de João Paulo II em homenagem ao papa morto. Nenhuma das instruções ou os decretos de João Paulo I foram colocados em prática»

Cortesia de wikipedia e jdact

Assassinato nas Ordens Sagradas

«(…) Segundo Yallop, o papa foi envenenado, provavelmente por alguém que adulterou um vidro do remédio para pressão baixa, chamado Effortil, que João Paulo mantinha na sua mesa de cabeceira. Yallop escreveu que as inconsistências nos informes do Vaticano a respeito da morte papal e da falta de uma autópsia indicavam um acobertamento. Era perfeitamente claro, ele escreveu, que em 28 de Setembro de 1978, esses seis homens, Marcinkus, Villot, Calvi, Sindona, Cody e Gelli, tinham muito a temer se o papado de João Paulo I continuasse. É igualmente claro que todos eles ganhariam de várias maneiras se o papa João Paulo I morresse de repente. Os teóricos da conspiração rapidamente encontraram uma previsão do assassinato de João Paulo nos escritos do profeta Nostradamus: Aquele que foi eleito papa será ridicularizado pelos seus eleitores. Essa pessoa prudente e empreendedora será subitamente reduzida ao silêncio. Decidem matá-lo por causa da sua grande bondade e moderação. Tomados pelo medo, o levarão à morte durante a noite. Tudo o que se podia dizer com certeza era que João Paulo havia sido papa por trinta e três dias.

Acontecimentos após a morte de João Paulo :

Outubro de 1978: eleição do cardeal polaco Karol Wojtyla para o papado. Ele assume o nome de João Paulo II em homenagem ao papa morto. Nenhuma das instruções ou os decretos de João Paulo I foram colocados em prática.

21 de Janeiro de 1979: o juiz Emillio Alessandrini, magistrado que investigava as actividades do Banco Ambrosiano, é assassinado.

20 de Março de 1979: Nino Pecorelli, jornalista investigador que expusera o nome de membros e os negócios do grupo maçónico P2, é assassinado.

11 de Julho de 1979: Giorgio Ambrosoli, depois de testemunhar a respeito de Sindona e Calvi nos círculos dos negócios do Vaticano, é assassinado.

13 de Julho de 1979: o tenente-coronel Antonio Varisco, chefe do serviço de segurança de Roma, é assassinado. Varisco também estava investigando as actividades da P2; tinha conversado com Giorgio Ambrosoli dois dias antes da morte de Ambrosoli.

2 de Fevereiro de 1980: o Vaticano desfaz um acordo para fornecer depoimentos em vídeo para o julgamento de Sindona nos Estados Unidos pelas acusações de fraude, conspiração e apropriação indébita de fundos ligados à falência do Franklin National Bank.

13 de Maio de 1980: tentativa de suicídio de Sindona.

8 de Julho de 1980: Roberto Calvi, preso também por fraude, tenta o suicídio.

1º de Setembro de 1981: o Banco do Vaticano reconhece seus interesses como controlador de uma série de bancos comandados por Calvi, com débitos superiores a 1 bilhão de dólares.

12 de Janeiro de 1982: os accionistas do Banco Ambrosiano enviam uma carta a João Paulo II expondo as ligações entre o Banco do Vaticano e Roberto Calvi, a P2 e a máfia. A carta jamais foi reconhecida.

27 de Abril de 1982: tentativa de assassinato de Roberto Rosone, gerente-geral do Banco Ambrosiano. Rosone estaria tentando limpar as operações do banco.

2 de Outubro de 1982: Giuseppe Dellacha, executivo do Banco Ambrosiano, morre depois de cair de uma das janelas do banco.

23 de Março de 1986: Michele Sindona morre por envenenamento na prisão italiana onde estava preso por ter sido o mandante da morte de Giorgio Ambrosoli.

O mais sensacional desses acontecimentos ocorreu em 17 de Junho de 1982. Nessa data, Roberto Calvi foi encontrado pendurado pelo pescoço numa ponte de Londres». In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

Cortesia de EJdosLivros/JDACT

JDACT, Paul Jeffers, Vaticano, Relegião, Literatura,

Paul Jeffers. Mistérios Sombrios do Vaticano. «… quando o Grande Oriente numerou as suas lojas Embora a Igreja tenha proibido os católicos de se filiarem à Maçonaria, a P2 estendeu seu alcance na Santa Sé com a Grande Loja do Vaticano. Em Setembro de 1978, havia entre os seus membros cardeais, bispos, muitos prelados do alto escalão e leigos»

Cortesia de wikipedia e jdact

Assassinato nas Ordens Sagradas

«(…) No andar de baixo, as luzes ainda estavam acesas no Banco do Vaticano, onde o seu chefe, o bispo Paul Marcinkus, recebera recentemente um relatório sobre o papa, o Banco do Vaticano e os métodos de administração, incluindo a recente aquisição da Banca Cattolica. As informações estavam nas mãos de várias dioceses, mas a maior parte ficou com o Banco do Vaticano. Naquela noite, o cardeal Jean Villot, secretário de Estado do Vaticano, também estava trabalhando até aquela hora, estudando as mudanças que o papa lhe transmitira uma hora antes. Villot defendeu e argumentou, mas o papa se manteve inflexível. As mudanças deveriam ser feitas. Em Buenos Aires, o banqueiro Roberto Calvi e dois sócios, Licio Gelli e Umberto Ortolani, sabiam que o Banco da Itália vinha investigando secretamente o banco de Calvi em Milão desde Abril, levado por uma campanha pública contra Calvi, iniciada em 1977, dando detalhes de actividades criminosas. (…) Em Nova Iorque, o banqueiro siciliano Michele Sindona vinha lutando contra os esforços do governo italiano para extraditá-lo para Milão para que enfrentasse as acusações envolvendo um desvio fraudulento de 225 milhões de dólares. Um juiz federal decidira pela extradição em Maio. Em liberdade depois de pagar uma fiança de 3 milhões de dólares, Sindona exigira que o governo dos Estados Unidos provasse a existência de evidências fundamentadas que justificassem a extradição. A audiência estava marcada para Novembro. Em Chicago, o cardeal John Cody, chefe de uma arquidiocese de 2,5 milhões, quase 3 mil padres, 450 paróquias e uma receita anual que ele se recusava a revelar, sabia que numerosas organizações haviam solicitado a Roma a sua remoção.

O papa foi para a cama. A noite encobriu o Vaticano.Na madrugada do dia 29 de Setembro de 1978, a governanta do papa bateu na porta do quarto, como sempre fazia, exactamente às 4h30. Como não ouviu resposta, afastou-se. Voltou quinze minutos depois e percebeu que não havia movimento. Ao entrar no quarto, encontrou-o sentado na cama, ainda segurando os papéis da noite anterior. Morto.

Na mesinha de cabeceira, um vidro aberto de Effortil, seu remédio para pressão baixa. A camareira, abalada e aos prantos, informou imediatamente o camareiro papal, o cardeal Villot. Villot chegou ao quarto do papa às 5 horas e pegou os papéis importantes, o vidro de Effortil e vários objectos pessoais que estavam sujos de vómito. Nenhum desses objectos foi visto novamente. O Vaticano afirmou que o médico da casa havia apontado um enfarto do miocárdio como causa da morte. Embora a lei italiana determine um período de vinte e quatro horas até que o corpo possa ser embalsamado, o cardeal Villot tomou providências para que o corpo de Albino Luciani estivesse preparado para o funeral doze horas após a sua morte. Ainda que o Vaticano tenha se recusado a permitir uma autópsia com base na (…) lei canónica, a imprensa italiana verificou que uma autópsia havia sido feita no papa Pio VIII em 1830. A primeira informação pública dizia que o Santo Padre foi encontrado morto pela irmã Vincenzia e não pelo seu secretário. (…) Um relato informava que estava morto no banheiro, outro dizia que estava junto à sua escrivaninha no quarto. Havia discrepâncias também sobre a hora da morte, embora a estimativa oficial fosse a de que ele havia morrido às 23 horas do dia 28 de Setembro.

Outro relatório dizia que João Paulo havia-se queixado durante o dia de um mal-estar, mas não chamou um médico. Dizia que ele sentira uma dor e tossira bastante naquela tarde. Foi relatado que após o jantar ele correu pelo corredor para atender uma chamada telefónica às 21h15. Isso teria provocado um ataque cardíaco fatal? Ou teria sido envenenado? Alguns dos que acreditavam que ele havia sido assassinado afirmaram que o motivo era o medo de que o líder espiritual dos católicos romanos estivesse iniciando uma revolução. Ele queria dar à Igreja uma nova direcção, considerada indesejável e perigosa por muitos dos membros do alto escalão.

Em 1984, no livro intitulado Em nome de Deus, uma investigação em torno do assassinato de João Paulo I, o autor britânico David Yallop sustentou que o assassinato do pontífice foi ordenado por um ou mais de seus suspeitos; todos eles tinham muito a temer caso o papado de João Paulo I continuasse. Entre os que tinham razões para preocupar-se estavam vários membros de uma loja maçónica italiana clandestina chamada Propaganda Due, ou P2. Fundada em 1877, em Turim, como Propaganda Massónica, tinha entre seus membros políticos e funcionários de governo de toda a Itália. O nome foi mudado para Propaganda Due após a II Guerra Mundial, quando o Grande Oriente numerou as suas lojas Embora a Igreja tenha proibido os católicos de se filiarem à Maçonaria, a P2 estendeu seu alcance na Santa Sé com a Grande Loja do Vaticano. Em Setembro de 1978, havia entre os seus membros cardeais, bispos, muitos prelados do alto escalão e leigos.

O grão-mestre era Licio Gelli. Financista, foi o oficial de ligação de Mussolini com os nazis e organizador de uma rota de fuga para a Argentina evitando que fossem presos como criminosos de guerra; aliado do ditador argentino Juan Perón, no pós-II Guerra Mundial foi informante da inteligência norte-americana e dos comunistas italianos; também actuou para o estabelecimento de um governo de direita na Itália. Segundo Yallop, o assassinato de João Paulo foi decidido devido à sua determinação de purgar o problemático Banco do Vaticano e limpar a Igreja de seus laços com a P2. O homem que foi rapidamente rotulado de Papa Sorriso, escreveu Yallop, pretendia arrancar o sorriso de muitos rostos no dia seguinte. Yallop citou Villot, que havia descoberto que seria substituído no cargo de secretário de Estado do Vaticano e que estava consternado porque João Paulo pensava em afrouxar a proibição da Igreja sobre o controle artificial da natalidade; Marcinkus, chefe do Banco do Vaticano, que teria marcada a sua remoção imediata; Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano, que enfrentaria a ruína se as suas trapaças com os fundos do Vaticano fossem descobertas; Sindona, que sabia de suposta lavagem de dinheiro da máfia feita pelo Banco do Vaticano; Gelli; e o cardeal John Cody, de Chicago, que teria sido avisado de que seria convidado a demitir-se». In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

Cortesia de EJdosLivros/JDACT

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quinta-feira, 17 de março de 2022

Mistérios Sombrios do Vaticano. Paul Jeffers. «Na quarta votação, nenhum outro nome foi lido além do de Luciani. Houve algumas cédulas em branco (…) Mas cerca de noventa votos foram para Luciani. Os aplausos ecoaram na capela. A porta da capela foi aberta e oito auxiliares do conclave entraram para acompanhar Jean Cardinal Villot, o camerlengo…»

Cortesia de wikipedia e jdact

Assassinato nas Ordens Sagradas

«(…) Ao meio-dia, escreveram os jornalistas da Time, os dois conjuntos de cédulas, presos numa grande agulha como se fosse um kebab, foram atirados ao forno da capela junto com uma mistura química enviando fumaça escura como sinal negativo para a multidão que aguardava na praça de São Pedro. Mas o sistema de exaustão acima do forno estava quebrado e a fumaça preta se espalhou pela capela, obscurecendo parcialmente os famosos frescos de Michelangelo. Os cardeais ficaram tossindo por cerca de quinze minutos, cobrindo a boca e esfregando os olhos, até as janelas serem abertas para limpar o ar. Quando pararam para o almoço, enquanto os cardeais caminhavam até ao Hall Pontifício na ala dos aposentos de Bórgia, travaram-se intensas discussões. Na terceira eleição, às 16h30 (…) Luciani tomou a dianteira, quase obtendo a maioria. Nesse momento, Luciani explicou depois com um sorriso que lhe valeria o apelido de Papa Sorriso, a situação começou a ficar perigosa para mim. Os cardeais Willebrands, dos Países Baixos, e Ribeiro, de Portugal, sentados ao seu lado, inclinaram-se na sua direcção. Um sussurrou: Coragem. Se o Senhor dá o fardo, dá também a força para carregá-lo. E sussurrou o outro: O mundo todo ora pelo novo papa.

Na quarta votação, nenhum outro nome foi lido além do de Luciani. Houve algumas cédulas em branco (…) Mas cerca de noventa votos foram para Luciani. Os aplausos ecoaram na capela. A porta da capela foi aberta e oito auxiliares do conclave entraram para acompanhar Jean Cardinal Villot, o camerlengo da Igreja, até o aturdido Luciani, que ainda estava sentado no seu lugar sob um fresco do baptismo de Cristo. O camerlengo, o rosto todo sorrisos, fez a pergunta ritual: Aceita a sua eleição canónica como Supremo Pontífice? Luciani respondeu primeiro: Que Deus os perdoe pelo que fizeram em relação a mim. Depois deu seu consentimento: Accepto. As cédulas queimadas e palha quimicamente tratada enviaram uma fumaça branca pela chaminé, sinalizando para a multidão na praça de São Pedro que a Igreja tinha um novo papa. Ele seria Ioannes Paulus. A multidão foi informada do nome do novo papa: João Paulo. Depois de cantarem o Te Deum de agradecimento, o pontífice foi escoltado até à sacristia para colocar suas vestes papais temporárias. Reapareceu de batina branca com uma capa nos ombros e uma longa faixa branca. Sorridente, ocupou o trono que havia sido erguido diante do altar e os cardeais contentes se aproximaram um a um para abraçá-lo e beijar o anel papal.

Roma viu João Paulo pela primeira vez no dia seguinte, quando 200 mil pessoas ocuparam a praça de São Pedro para a bênção semanal do meio-dia de domingo. João Paulo falou por sete minutos. (…) Vamos nos entender uns aos outros, ele disse para a multidão. Não tenho a sabedoria do coração do papa João, nem o preparo e a cultura do papa Paulo. No entanto, agora estou no lugar deles e devo tentar ajudar a Igreja. Espero que me ajudem com as vossas orações. (…)

O novo papa, João Paulo, mostrou um pouco do seu estilo pessoal nos planos para as cerimónias de posse ao ar livre no dia 3 de Setembro. Por recomendação sua, não foi chamada de coroação ou entronização, mas de missa solene para marcar o início de seu ministério como Sumo Pontífice. João Paulo pediu para não ser carregado na liteira, como era costume, e preferiu caminhar em procissão. O mais significativo, porém, foi o facto de não querer ser coroado com a tiara papal na forma de colmeia. Em vez disso, um pálio, a estola de lã branca simbolizando seu título de patriarca do Ocidente, seria colocado sobre seus ombros. (…) No seu discurso inaugural aos cardeais, João Paulo jurou continuar a obra do Concílio Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII em 1962 e concluído por Paulo VI em 1965. Iria priorizar a revisão das leis do direito canónico, disse. Percebeu-se imediatamente que João Paulo pretendia dar um novo estilo ao papado, mais simples e menos formal do que muitos no Vaticano estavam habituados. Seu primeiro discurso para o mundo, proferido na sacada da basílica de São Pedro, foi directo e pessoal. (…) Ele pediu que os católicos tivessem misericórdia com o pobre novo papa que não esperava chegar a esse posto. Ele fez uma brincadeira dizendo que precisaria pegar o pesado livro do ano do Vaticano, o Annuario Pontificio, para estudar o funcionamento da cúria.

O novo papa não fez segredo do facto de que se sentia intimidado pela estrutura da Igreja que deveria governar. (…) Em eventos públicos, procurou fazer ligações com os católicos comuns adoptando uma maneira de pregar como se estivesse contando uma história e conferindo ao Vaticano uma atmosfera de paróquia. Explicou o conceito de livre-arbítrio com uma metáfora sobre a boa manutenção de um carro. Falou com simpatia daqueles que não conseguiam acreditar em Deus. Brincou, comparando o casamento a uma gaiola dourada. Aqueles que estão de fora morrem de vontade de entrar, disse, enquanto os que estão dentro morrem de vontade de sair. Ele chocou muitos católicos ao dizer que Deus é um pai, mas é ainda mais uma mãe, pela maneira como Ele ama a humanidade. Citou o profeta Isaías, do Velho Testamento: Pode uma mãe esquecer seu filho? Porém, mesmo que isso acontecesse, Deus jamais esqueceria o seu povo. Alguns comentadores da Igreja viram seu pontificado como uma época de graça e alegria, chamando-o de Papa Sorriso. Outros analistas disseram que a tarefa estava acima das possibilidades do papa João Paulo, um homem que foi esmagado pelo peso da sua nova posição. Os veteranos e tradicionalistas do Vaticano temiam que João Paulo fosse muito liberal e que pretendesse revolucionar as doutrinas da Igreja, incluindo a revisão de leis sobre a contracepção. O cardeal Ratzinger via nele grande bondade, simplicidade, humanidade e coragem. Ruth Bertels escreveu um artigo dizendo que na noite de 28 de Setembro de 1978, quando João Paulo se sentou para comer na sala de jantar do terceiro andar do Palácio Apostólico, seus dois secretários, padre Diego Lorenzi, que trabalhara com ele em Veneza por mais de dois anos, e o padre John Magee, que fora indicado logo após a eleição papal, estavam presentes. As freiras haviam preparado um jantar simples composto de sopa, vitela, vagens frescas e uma salada. Os três comeram enquanto assistiam ao noticiário na televisão. O papa parecia estar bem-humorado e com boa saúde». In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

Cortesia de EJdosLivros/JDACT

JDACT, Paul Jeffers, Vaticano, Religião, Literatura,

Paul Jeffers. Mistérios Sombrios do Vaticano. «Uma coisa é interpretar a fé e outra é transmiti-la às pessoas nas paróquias, disse um alto prelado da cúria. Isso é algo que os bispos, qualquer que seja a sua teologia, entendem melhor do que os membros da cúria nas suas escrivaninhas»

Cortesia de wikipedia e jdact

Assassinato nas Ordens Sagradas

«(…) O crime de Formoso, lembrou Owen, foi ter coroado imperador um dos inúmeros herdeiros ilegítimos de Carlos Magno depois de já ter conferido o mesmo cargo a um candidato favorecido por Estevão. Após o discurso inflamado de Estevão, as vestes do cadáver foram arrancadas e seusdedos da mão direita amputados. Depois foi arrastado pelo palácio e jogado no rio Tibre. O corpo foi resgatado por simpatizantes de Formoso, que lhe deram uma sepultura digna. Alguns anos mais tarde, Estevão foi estrangulado. Em 964, o papa Bento V estuprou uma jovem e fugiu para Constantinopla com o tesouro papal, e só reapareceu quando o dinheiro acabou. Um historiador especializado em assuntos da Igreja chamou Bento de o mais iníquo de todos os monstros na impiedade. Ele também foi assassinado por um marido ciumento. Seu corpo, com centenas de ferimentos de punhal, foi arrastado pelas ruas antes de ser jogado numa fossa. (…) Em Outubro de 1032, a mitra papal foi comprada para Bento IX, então com onze anos. Ao chegar ao décimo quarto aniversário, escreveu um cronista, Bento havia superado em devassidão e libertinagem todos os que o haviam precedido.

Segundo o historiador Peter Rosa, no livro Vicars of Christ, os papas tinham amantes jovens, de até mesmo quinze anos, eram culpados de incesto e perversões de todos os tipos, tinham inúmeros filhos e eram mortos durante o acto do adultério. O papa Alexandre VI (nascido Rodrigo Bórgia) reinou de 1492 a 1503. Depois de assumir a mitra papal, gritou: Sou papa, vigário de Cristo!. Como seu predecessor, Inocêncio VIII, teve vários filhos, baptizou-os pessoalmente e oficiou o casamento deles no Vaticano. Teve dez filhos ilegítimos (incluindo os notórios César e Lucrécia Bórgia) com sua amante favorita, Vannoza Catanei. Quando seu fascínio se desvaneceu, Bórgia envolveu-se com uma jovem de quinze anos, Giulia Farnese. Farnese obteve o galero vermelho de cardeal para seu irmão, que depois se tornaria Paulo III. Alexandre foi seguido por Júlio II, que comprou o papado com sua fortuna particular. (…) Mulherengo notório, foi tão consumido pela sífilis que não podia expor seu pé para que fosse beijado.

O papa Sisto IV cobrava dos bordéis romanos um imposto para a Igreja. Segundo o historiador Will Durant, em 1490 havia 6,8 mil prostitutas registadas em Roma. O papa Pio II declarou que Roma era a única cidade governada por (…) filhos de papas e cardeais. O papa Leão I (440-461) afirmou que não importava quão imoral ou inepto fosse um papa, desde que fosse considerado legítimo sucessor de São Pedro. Não há uma lista oficial de papas, mas o Annuario Pontificio, publicado todos os anos pelo Vaticano, contém uma lista geralmente considerada a mais autorizada. Bento XVI é citado como o 265º papa de Roma. O número 263, João Paulo I, foi nomeado em 26 de Agosto de 1978. Primeiro pontífice a escolher dois nomes (em homenagem a seus predecessores, João XXIII e Paulo VI), nasceu Albino Luciani em 17 de Outubro de 1912, em Forno di Canale (actual Canale d´Agordo), Itália. Ao contrário de seus predecessores, nunca ocupou um alto cargo no governo interno ou no corpo diplomático do Vaticano. Apesar de proeminente na Itália, era praticamente desconhecido no restante do mundo. Ordenado em 7 de Julho de 1935, estudou na Universidade Gregoriana de Roma depois de um breve período como vigário na paróquia de sua infância. Depois de ser indicado para um cargo de vice-director no seminário de Belluno, em 1937, passou vários anos ensinando; nesse período tornou-se vigário-geral para o bispo de Belluno. No final de 1958, o papa João XXIII nomeou Luciani como bispo de Vittorio Veneto, e após um início lento no Concílio Vaticano II (1962–1965) logo se tornou voz activa em questões doutrinárias. Nomeado arcebispo de Veneza (1969) e cardeal em 1973, rejeitou muitos dos aspectos de maior opulência do catolicismo e encorajou as igrejas mais ricas a dar para as mais pobres. Após sua eleição ao papado pelo Colégio de Cardeais, a revista Time afirmou: Os cardeais sabiam o que queriam: um homem caloroso e humilde. Sentado a uma mesa diante do altar da Capela Sistina, o cardeal solenemente entoou o nome escrito em cada cédula. Luciani… Luciani… Luciani. Ao lado dele sentaram-se outros dois cardeais escrutinadores, que retiravam as cédulas cuidadosamente de um cálice de prata, desdobravam-nas e as passavam para seu colega. Foi a quarta e última votação do incrível conclave de um dia que deu ao mundo católico seu 263º papa.

Tendo conseguido penetrar o muro de segredos que se ergue em torno desses conclaves, e os votos de silêncio proferidos pelos cardeais ao entrarem e se isolarem do mundo exterior, os jornalistas da revista Time, Jordan Bonfante e Roland Flamini, reuniram dados para reconstituir boa parte da história do processo transcorrido na Capela Sistina. Ficou claro que a eleição de Luciani não foi um acidente, mas resultado de um consenso que evoluiu a partir de três acordos alcançados num longo período pré-conclave após a morte do papa Paulo VI em 6 de Agosto de 1978. Provavelmente, metade dos 111 cardeais eleitores estavam indecisos ao iniciar-se o conclave. A maioria estava convencida de que o papa teria que ser italiano. (…) O segundo consenso, ao qual resistiram alguns membros da cúria até ao final, era que a Igreja, independentemente dos seus problemas políticos e administrativos, precisava de um papa pastoral. Uma coisa é interpretar a fé e outra é transmiti-la às pessoas nas paróquias, disse um alto prelado da cúria. Isso é algo que os bispos, qualquer que seja a sua teologia, entendem melhor do que os membros da cúria nas suas escrivaninhas. Outro cardeal disse: Acho que antes do conclave todos nós concordávamos particularmente que precisávamos voltar a um homem humilde, pastoral, apesar de não termos consultado uns aos outros. E então, quando entramos, ficou claro para nós que era isso o que queríamos. Um dos participantes disse que havia um consenso para que o novo papa não fosse óbvio nem controverso. Enquanto a votação não produzia nenhuma liderança óbvia entre os candidatos, Luciani era um homem não activamente detestado por ninguém, e activamente querido por todos os que realmente o conheciam». In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

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quarta-feira, 16 de março de 2022

Paul Jeffers. Mistérios Sombrios do Vaticano. «Teorias e acusações de intrigas assassinas vieram à tona após a morte do papa Clemente XIV, em 1774. Ele estaria tão atormentado pela culpa por ter extinguido a ordem dos jesuítas…»

Cortesia de wikipedia e jdact

Os Tesouros do Vaticano. Sacerdotes malcomportados

«(…) Ao proibir os padres de terem uma vida sexual madura, o que inclui compromisso, responsabilidade e respeito, e protegendo-os dos custos de suas façanhas sexuais, a Igreja na prática tem tolerado a liberdade sexual clerical para todos. O facto de o comportamento heterossexual e homossexual prosperarem no sacerdócio católico não reflecte algo inerente à homossexualidade ou à heterossexualidade, mas é antes uma prova da hipocrisia e duplicidade de um sistema elitista, fechado, masculino, de uma sociedade secreta que tolera, na verdade exige, a mentira a respeito da vida sexual de qualquer um a qualquer custo. Afirmando que o documento de 1962 do papa João XXIII continuou a vigorar até Maio de 2001, os autores do livro Sex, Priests and Secret Codes, Thomas P. Doyle, A.W.R. Sipe e Patrick J. Wall, apresentaram um relato que chamaram de evidências escritas dos abusos sexuais de 2 mil anos da Igreja Católica. Escreveram que a carta era significativa porque reflectia a insistência da Igreja em manter o mais alto grau de sigilo.

Quarenta e seis anos depois de o papa João XXIII ter assinado De Modo Provedendi di Causis Crimine Soliciciones e prometer sigilo da Igreja a respeito do abuso sexual de menores pelo clero, o papa Bento XVI pediu desculpas às vítimas de abuso por padres e falou publicamente sobre o assunto durante sua viagem pelos Estados Unidos e Austrália. Para o público da Jornada Mundial da Juventude em Sydney, Austrália, ele declarou: Esses malfeitos, que constituem grave quebra de confiança, merecem condenação inequívoca. Causaram grande sofrimento e prejudicaram o testemunho da Igreja. Peço a todos vocês que apoiem e ajudem seus bispos, e trabalhem junto com eles para combater esse mal. As vítimas devem receber cuidados e compaixão, e os responsáveis por essas maldades devem ser levados à Justiça. É uma prioridade urgente promover um ambiente mais seguro e sadio, especialmente para os jovens.

Assassinato nas Ordens Sagradas.

Os arquivos do Vaticano contêm provas de que o cargo de papa tem sido um dos mais arriscados da história. Ao longo dos séculos, muitos foram mortos ou assassinados. O primeiro foi o papa João VIII. Em 882, foi envenenado e depois espancado até à morte por conspiradores da corte papal. De acordo com o  livro de Matthew Brunson, The Pope Encyclopedia: An A to Z of the Holy See, a maioria das mortes de pontífices ocorreu na Idade Média, especialmente no período descrito pelo cardeal Cesare Baronius nos Annales Ecclesiastici como a Idade de Ferro do papado, de 867 a 964, quando famílias poderosas elegiam, depunham e assassinavam os papas por ambições políticas ou por vingança. Dos vinte e seis papas dessa época, dezasseis morreram violentamente. O mais estrondoso dos assassinatos foi o de João XII (955–964). Com apenas dezoito anos ao ser eleito pontífice, João era um notório mulherengo, e o palácio papal acabou por ser descrito como um bordel durante seu reinado. Ele morreu por causa dos ferimentos sofridos depois de ser descoberto na cama pelo marido de uma de suas amantes. Existem lendas que dizem que ele morreu por causa de um derrame sofrido durante o acto de amor.

Teorias e acusações de intrigas assassinas vieram à tona após a morte do papa Clemente XIV, em 1774. Ele estaria tão atormentado pela culpa por ter extinguido a ordem dos jesuítas, que passou o último ano de vida com medo de ser envenenado. Depois da sua morte, surgiram tantas histórias sobre um possível assassinato que foi realizada uma autópsia, mas não se descobriu nada que incriminasse os jesuítas. Aqui está uma lista de pontífices assassinados e a maneira como se acredita que tenham sido mortos, de acordo com The Pope Encyclopedia:

João VIII (872–882), supostamente envenenado e espancado até à morte;

Adriano III, são (884–885), teria sido envenenado;

Estevão VI (896–897), estrangulado;

Leão V (903), supostamente estrangulado;

João X (914–928), supostamente sufocado com um travesseiro;

Estevão VII (VIII) (928–931), provavelmente assassinado;

Estevão VII (IX) (939–942), mutilado, morreu por causa dos ferimentos;

João XII (955–964), morto na cama com uma amante pelo marido ultrajado ou devido a um derrame enquanto estava com a amante ou assassinado pelo marido enfurecido;

Bento VI (973–974), estrangulado por um sacerdote;

João XIV (983–984), morreu de fome , maus tratos ou foi envenenado;

Gregório V (996–999), teria sido envenenado;

Sérgio IV (1009–1012), provavelmente assassinado;

Clemente II (1046–1047), teria sido envenenado;

Damásio II (1048), teria sido assassinado;

Bonifácio VIII (1294–1303), morto após agressão enquanto prisioneiro na França.

A história mais bizarra é a do papa Estevão VII. Em 896, ele realizou o julgamento de seu rival, que estava morto havia nove meses. Segundo o escritor Mark Owen, num artigo sobre notórios pontífices, o corpo do papa Formoso foi trazido do túmulo e colocado num trono. Envolto com uma túnica de crina de cavalo, o cadáver recebeu um assessor jurídico, que permaneceu em silêncio enquanto o papa Estevão gritava e vociferava». In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

Cortesia de EJdosLivros/JDACT

JDACT, Paul Jeffers, Vaticano, Relegião, Literatura,

sábado, 20 de junho de 2020

Mistérios Sombrios do Vaticano. Paul Jeffers. «A revista pesquisou os casos notificados nos Estados Unidos em 1988 e 1989 e descobriu 250 casos com acusações envolvendo padres…»

jdact e wikipedia

Os Tesouros do Vaticano
Sacerdotes malcomportados
(…) Segundo um boletim de ocorrência do Departamento de Polícia de Los Angeles, BC307.934, arquivado em 17 de Dezembro de 2003, de 1955 a 2002 pelo menos vinte e oito sacerdotes da arquidiocese de Los Angeles acusados ou condenados por abuso sexual ocupavam as mais altas posições. A queixa registada no boletim afirmava: sacerdotes ocupando boas posições, como os bispos Juan Arzube e G. Patrick Ziemann, usaram sua influência na administração da arquidiocese para encobrir outros sacerdotes. Sacerdotes envolvidos em educação, como Leland Boyer e Geral Fessard, usaram sua autoridade para ter acesso às vítimas e depois encaminhavam as crianças que molestavam para os seminários e o sacerdócio. Esses vinte e oito sacerdotes e provavelmente muitos outros ocupavam posições de bispos auxiliares, vigários paroquiais, vigários-gerais, reitores e professores em seminários locais e como recrutadores para seminários. A elevação de molestadores de crianças a essas posições ajuda a explicar por que tantos molestadores se tornaram sacerdotes, e como tantos seminaristas e sacerdotes se tornaram molestadores de crianças.
Jeffrey Anderson, advogado de Minnesota especializado em acções civis por abuso sexual, sabia da existência de mais de 300 queixas contra padres católicos em quarenta e três estados em 1991, tendo ele próprio tratado de oito casos. O repórter Jason Berry descobriu pelo menos cem acordos civis feitos pela Igreja Católica entre 1984 e 1990, totalizando entre 100 milhões e 300 milhões de dólares. O padre Thomas Doyle, advogado canónico da Igreja Católica Romana, calculou haver cerca de 3 mil sacerdotes molestadores de crianças (uma média de dezasseis padres pedófilos por diocese). A. W. Richard Sipe, psicoterapeuta e ex-sacerdote em Baltimore, autor de A Secret World: Sexuality and the Search for Celibacy, fez um amplo estudo sobre a conduta sexual dos padres e afirmou: a probabilidade de um padre católico nos Estados Unidos ser sexualmente activo é de um em dois. Sipe estudou mil padres e 500 das suas vítimas ou amantes. Descobriu que 20% dos padres estavam envolvidos em relacionamentos sexuais com mulheres; 8% a 10% na exploração heterossexual; 20% eram homossexuais, sendo metade deles activos; 6% eram pedófilos, quase 4% deles visando meninos.
O escritório da revista Freethought Today em Madison, Wisconsin, informou que recebe de três a quatro recortes de jornais por semana de leitores comunicando uma nova acusação criminal ou civil contra um padre ou ministro protestante. A revista pesquisou os casos notificados nos Estados Unidos em 1988 e 1989 e descobriu 250 casos com acusações envolvendo padres, ministros ou funcionários ministeriais nos Estados Unidos e Canadá. Dos clérigos acusados, setenta eram padres católicos (39,5%) e onze eram ministros protestantes (58%). Embora os padres representem aproximadamente 10% do clero norte-americano, compunham 40% dos acusados. Com resultados desconhecidos em cerca de um quinto dos casos, o estudo descobriu que “88% de todos os clérigos acusados foram condenados (81% dos padres foram condenados). (…) E a maioria dos casos não foi a julgamento. (…) Três quartos de todos os clérigos que alegaram inocência foram considerados culpados. Cerca de metade dos padres católicos que alegaram inocência foram condenados.
O estudo revelou que os padres católicos foram inocentados ou tiveram as acusações de abuso sexual infantil rejeitadas em proporção mais elevada do que os ministros protestantes. Da mesma forma, os padres católicos tiveram uma proporção mais elevada de sentenças suspensas quando condenados, e quando sentenciados passaram muito menos tempo na cadeia ou prisão. Angela Bonavoglia, autora do livro Good Catholic Girls: How Women Are Leading the Fight to Change the Church, observou que muitos padres católicos em todo o mundo, México, América Latina, África e Estados Unidos,  mantinham relações consensuais com mulheres. Muitos outros padres estavam envolvidos em relacionamentos consensuais com outros homens adultos. É evidente que a crise da Igreja é muito maior do que a questão da pedofilia ou do abuso sexual de menores, ela escreveu. Envolve crimes e criminosos, sexo e poder, sim. Mas trata-se fundamentalmente de hipocrisia». In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, tradução de Elvira Serapicos, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

Cortesia de EJLivros/JDACT

Mistérios Sombrios do Vaticano. Paul Jeffers. «Quando leio as histórias dessas vítimas, é difícil entender como foi possível que sacerdotes tenham traído desse jeito. A missão deles era dar a cura…»

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Os Tesouros do Vaticano
Sacerdotes malcomportados
(…) Casos desse tipo estão sujeitos ao segredo pontifício, concluía a carta de Ratzinger. A violação do segredo pontifício a qualquer momento enquanto a ordem da jurisdição de dez anos estivesse em vigor acarretaria penalidades, inclusive a ameaça de excomunhão. A carta foi mencionada em documentos relativos a uma acção movida naquele ano contra Ratzinger e uma igreja no Texas em nome de duas supostas vítimas de abuso. Ao enviar a carta, alegavam os advogados, o cardeal conspirou para obstruir a justiça. Daniel Shea, advogado das duas supostas vítimas que descobriu a carta, disse:

E fala por si mesma. É uma obstrução da justiça. (…)

Shea criticou a ordem segundo a qual acusações de abuso deveriam ser investigadas apenas por tribunais secretos. Eles estão impondo procedimentos e segredo nesses casos. Se as agências encarregadas da aplicação da lei descobrirem o caso, podem lidar com ele. Mas não pode investigar um caso se não souber da sua existência. Se você conseguir mantê-lo em segredo por dezoito anos mais dez, o padre vai fugir, acrescentou Shea.
Quando o papa Bento XVI fez a sua primeira visita aos Estados Unidos em Abril de 2008, disse aos repórteres que estavam no seu avião a caminho de Washington, D.C., que o abuso sexual de crianças é um grande sofrimento para a Igreja nos Estados Unidos e para a Igreja em geral, e para mim pessoalmente. Ele disse:

Quando leio as histórias dessas vítimas, é difícil entender como foi possível que sacerdotes tenham traído desse jeito. A missão deles era dar a cura, dar o amor de Deus a essas crianças. Estamos profundamente envergonhados e faremos o que for possível para que isso não aconteça no futuro.

Fazendo uma distinção entre sacerdotes com tendências homossexuais e aqueles com inclinação para molestar crianças, o pontífice disse: eu não falaria neste momento sobre homossexualidade, mas sobre pedofilia, que é outra coisa. E nós certamente excluiríamos os pedófilos do ministério sagrado. Afirmando que qualquer pessoa culpada de pedofilia não pode ser um sacerdote, ele disse que funcionários da Igreja iriam visitar os seminários que formam os futuros sacerdotes para se certificar de que esses candidatos não têm tais tendências. Faremos tudo o que for possível para ter um forte discernimento, porque é mais importante ter bons sacerdotes do que ter muitos sacerdotes, disse. Esperamos ter feito, fazer e continuar fazendo no futuro, tudo o que for possível para curar essa ferida.
Os arquivos do Vaticano e os anais do cristianismo de quase 2 mil anos atrás contêm relatos da luta contra delitos sexuais. No ano 390 d.C., o imperador Valentiniano II foi fortemente influenciado por suas crenças cristãs ao decretar que os homens que cometessem sodomia deveriam expiar um crime dessa natureza nas chamas vingadoras à vista do povo. Na Inglaterra do século VII, um livro que falava dos crimes sexuais cometidos por clérigos contra crianças, o Penitential Bede, sugeria que os clérigos que cometessem sodomia com crianças deveriam receber penalidades severas, dependendo do seu posto. Em 1179 d.C., um concílio da Igreja decretou que os clérigos que tivessem cometido pecados contra a natureza fossem confinados a um mosteiro para o resto da vida ou forçados a deixar a Igreja. No século XVI, o papa Pio IV emitiu o primeiro decreto papal condenando o abuso sexual por sacerdotes. Outra instrução importante da Igreja, Sacramentum Poenitentiae, emitida em 1º de Junho de 1741 pelo papa Bento XIV, decretou que todas as tentativas dos padres de levar os fiéis a manterem relações sexuais fossem condenadas. Em 1917, foi promulgado um código canónico que condenava o abuso sexual. Nova legislação sobre o assunto foi promulgada em 1922.
Em 2003, quando se descobriu o édito secreto de 1962 do papa João XXIII, a agência de notícias do The New York Times informou:

A crise sobre abusos sexuais que vem engolindo a Igreja Católica Romana nos últimos doze meses espalhou-se por praticamente todas as dioceses norte-americanas e envolve mais de 1,2 mil padres, a maioria com carreiras que abrangem uma mistura de história da igreja e formação em seminários. Esses sacerdotes teriam abusado de mais de 4 mil menores nas últimas seis décadas de acordo com uma ampla pesquisa do New York Times com casos documentados de abuso sexual cometidos por padres até 31 de Dezembro de 2002. A pesquisa, considerada a mais completa reunião de dados sobre o problema, contém nomes e histórias referentes a 1.205 padres acusados. Reuniu 4.268 pessoas que afirmavam publicamente ou por meio de acções judiciais terem sido abusadas por padres, embora os especialistas digam que certamente há muito mais pessoas que mantiveram silêncio. Os dados, porém, mostram que os padres violavam secretamente jovens vulneráveis muito antes de as primeiras vítimas processarem a Igreja e virem a público em 1984, na Louisiana. Alguns crimes datam da década de 1930.
In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, tradução de Elvira Serapicos, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

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sábado, 11 de janeiro de 2020

Mistérios Sombrios do Vaticano. Paul Jeffers. «O documento de sessenta e nove páginas envolvia essencialmente qualquer sacerdote que induzisse alguém no acto da confissão sacramental para assuntos impuros ou obscenos»

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Os Tesouros do Vaticano
(…) Em 2007, o Vaticano decidiu recompensar financeiramente os funcionários que estivessem fazendo um bom trabalho. Disse que levaria em consideração dedicação, profissionalismo, produtividade e correção para dar um aumento de salário. (…) Mais de 4 mil pessoas, de cardeais a faxineiros trabalhavam para a Santa Sé no Vaticano. O salário base numa vasta gama de funções ia de 1,1 mil euros (1.634 dólares) a 2,2 mil euros (3.268 dólares) mensais. Um levantamento recente mostrou a existência de 2.659 empregados, dos quais 744 eram padres, 351 homens e mulheres de ordens religiosas, e 1.564 leigos. Quando perguntaram ao papa João XXIII quantas pessoas trabalhavam no Vaticano, ele brincou: mais ou menos a metade.

Sacerdotes malcomportados
Ao vasculhar os arquivos do Vaticano em 2003 em busca de casos com nome de vítimas norte-americanas de abuso sexual por padres católicos, um advogado texano encontrou um documento intitulado De Modo Provedendi di Causis Crimine Soliciciones (Sobre o Modo de Proceder em Casos de Crime de Aliciamento). Com a assinatura e o lacre do papa João XXIII, foi escrito em 1962 pelo cardeal Alfredo Ottaviani e distribuído aos clérigos de todo o mundo com uma ordem para que fosse mantido em segredo. O documento de sessenta e nove páginas envolvia essencialmente qualquer sacerdote que induzisse alguém no acto da confissão sacramental para assuntos impuros ou obscenos. Os bispos que receberam a ordem foram instruídos a procurar esses casos da maneira mais secreta possível. Todos os envolvidos, inclusive a suposta vítima, juravam observar o mais rigoroso segredo, geralmente considerado um segredo do Santo Ofício (maldito), sob pena de excomunhão. O pior crime era definido como qualquer acto obsceno externo, gravemente pecaminoso realizado por um clérigo com uma pessoa do seu próprio sexo. O documento era descrito como estritamente confidencial e não deveria ser publicado.
Sete séculos antes de o papa João XXIII autorizar que o Vaticano encobrisse o abuso sexual de meninos e jovens por parte de padres, são Tomás de Aquino (1225–1274) afirmou que a razão correcta declara que o fim dos actos sexuais é a procriação, e declarou que a homossexualidade era um dos mais graves dos peccata contra naturam ou pecados contra a natureza. Mas escondidos nos arquivos do Vaticano estão registos de mau comportamento papal que incluíam o papa Clemente VII fazendo sexo com pajens, Bento IX envolvendo-se em bestialidades e orgias bissexuais, e Bonifácio VII sendo descrito como um monstro e um criminoso. Leão I era um sádico e torturador, Júlio III sodomizava garotos, Clemente VI frequentava prostitutas, Anacleto estuprava freiras, e Paulo II gostava de ver homens nus sendo colocados em gaiolas e torturados. Os arquivos do Vaticano e registos da Igreja atestam o problema do mau comportamento sexual dos padres, a luta da Igreja para eliminá-lo, e exemplos de encobrimento. Uma semana após a eleição do papa, Bento XVI, em 2005, foi noticiado que no seu cargo anterior, como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, ele determinou que as investigações das reclamações de abuso sexual contra padres fossem realizadas em segredo. Isso foi alegado numa carta confidencial enviada a todos os bispos católicos em Maio de 2001. Afirmava-se o direito da Igreja de manter os inquéritos a portas fechadas e manter a confidencialidade das evidências até dez anos após as vítimas alcançarem a maioridade. A carta foi assinada pelo cardeal Joseph Ratzinger (nome do papa antes de ser eleito sucessor de João Paulo II).
Os advogados das vítimas alegaram que a carta visava evitar que as acusações se tornassem de conhecimento público ou que fossem investigadas pela polícia. Eles acusaram o cardeal Ratzinger de cometer clara obstrução da justiça. A carta relativa a pecados muito graves foi enviada da Congregação para a Doutrina da Fé, escritório do Vaticano que chegou a presidir a Inquisição (maldita). (…) Explicitava aos bispos a posição da Igreja a respeito de inúmeros assuntos, desde a celebração da Eucaristia com um não católico até ao abuso sexual de um menor de 18 anos por um clérigo. A carta de Ratzinger afirmava que a Igreja poderia alegar jurisdição nos casos em que o abuso tivesse sido perpetrado por um clérigo com um menor. A carta afirmava ainda que a jurisdição da Igreja começa a correr a partir do dia em que o menor tenha completado o décimo oitavo ano de vida e se estende por dez anos. Ordenava que as investigações preliminares sobre qualquer acusação de abuso deveria ser enviada ao escritório de Ratzinger, que tinha a opção de encaminhá-las de volta aos tribunais privados. (…)» In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, tradução de Elvira Serapicos, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Mistérios Sombrios do Vaticano. Paul Jeffers. «… gastos com a caridade da Santa Sé em 2007, e ficaram em segundo lugar (depois da Alemanha) em contribuições para a própria Santa Sé»

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Os Tesouros do Vaticano
(…) A dotação do Vaticano é inferior à de uma universidade católica norte-americana. A sua existência financeira é precária. Exibe o seu esplendor e as suas cerimónias, mas a riqueza que pagava o seu esplendor desapareceu há muito tempo e mal pode pagar pelas cerimónias. Os activos do Vaticano sempre foram um segredo bem guardado, mas sempre um objecto de muita especulação. As estimativas vão de 1,5 bilhão a 15 bilhões de dólares e mais. Inclui as obras de arte e edifícios, que na sua maioria não podem ser vendidos. Grande parte dos activos do Vaticano está em títulos e reservas de ouro. Activos adicionais são formados por receita de aluguéis, venda de moedas, selos e lembranças. Como os palácios, residências reais, residências e propriedades históricas na Grã-Bretanha, o Vaticano tornou-se atracção turística e arrecadador de dinheiro. Especialistas financeiros observam que, apesar da sua riqueza, o orçamento do Vaticano tem mostrado um déficit de vários milhões de dólares desde 2001, mas o seu débito é garantido pelos activos. O maior deles inclui as propriedades do Vaticano, em Roma e as suas cercanias, a residência de Verão do papa em Castel Gandolfo, edifícios de escritórios, palácios e catedrais. A Cidade do Vaticano, com os seus muros que remontam ao século XVI, conquistou a sua independência em 1929, após a conclusão dos Pactos Lateranenses com a Itália. No dia 11 de Fevereiro daquele ano, o papa Pio XI e Benito Mussolini criaram o Vaticano com as suas dimensões actuais e garantiram edifícios e direitos de soberania adicionais.
Segundo Ivan Ruggiero, contador chefe da Santa Sé, o património imobiliário do Vaticano vale cerca de 1,21 bilhão de dólares, sem incluir os seus tesouros de arte de valor inestimável. O valor do património imobiliário foi calculado sem considerar o seu real valor no mercado, disse Ruggiero. E é claro que o grande património artístico da Santa Sé não foi considerado, uma vez que o seu valor é inestimável e não comercial. (Por ser inestimável, o valor dos tesouros de arte foram relacionados como um euro). A basílica de São Pedro é considerada para além dos valores do mercado. Em Julho de 2008, a Associated Press informou que o Vaticano apresentou um déficit em 2007, o que a Santa Sé atribuiu ao dólar fraco nas generosas cestas de doação dos fiéis norte-americanos, e custos elevados para o funcionamento dos órgãos de comunicação do Vaticano (um jornal e uma estação de rádio). O Vaticano publicou valores financeiros mostrando um déficit de quase 13,5 milhões de dólares, citando a forte queda na cotação do dólar norte-americano. O Vaticano de Roma paga muitas das suas despesas em euros, moeda que subiu muito de valor em relação ao dólar norte-americano. O demonstrativo financeiro, publicado pela assessoria de imprensa da Santa Sé, mostrava uma receita de 371,97 milhões de dólares contra uma despesa de 386,27 milhões.
O Vaticano disse que seus investimentos financeiros foram prejudicados principalmente pela inversão aguda nas taxas de câmbio, acima de tudo para o dólar norte-americano, e que os aluguéis e outras receitas do seu grande património imobiliário ajudaram as finanças. Os Museus do Vaticano, que incluem a Capela Sistina, uma das principais atracções turísticas, também ajudaram as finanças da Santa Sé. O óbolo de São Pedro, recolhido em todo o mundo anualmente, mostrou que os fiéis norte-americanos foram os mais generosos em termos absolutos da quantia doada, mais de 18,7 milhões de dólares. Nenhuma nação de católicos doa mais do que os norte-americanos. Um comité consultivo de cardeais publicou em 2008 um relatório mostrando que os Estados Unidos foram a nação que mais contribuiu (19 milhões de dólares, ou 29% do total) para os gastos com a caridade da Santa Sé em 2007, e ficaram em segundo lugar (depois da Alemanha) em contribuições para a própria Santa Sé». In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, tradução de Elvira Serapicos, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

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Mistérios Sombrios do Vaticano. Paul Jeffers. «O que alguém faria com o museu do Vaticano? Talvez o governo italiano pudesse comprá-lo para fazer a última estação da linha de metro de Roma»

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Os Tesouros do Vaticano
(…) Os edifícios do Vaticano, especialmente a basílica de São Pedro, são adornados com ouro, prata, pedras preciosas e o mais fino mármore. Para entender porque o papa tem essas colecções, explicou Maurizio Luca, especialista do Vaticano encarregado da sua manutenção, é preciso pensar no significado do papa e da Igreja ao longo dos séculos. Os papas e a sua corte eram os maiores patronos da cultura no seu tempo. Este é o lugar onde os papas colocaram alguns dos maiores artistas para trabalhar, e isso transformou-se em colecções. Em 2001, dois ex-funcionários do Vaticano foram acusados de envolvimento em fraudes de obras de arte. O monsenhor Michele Basso, ex-administrador do Capitólio de São Pedro, e o monsenhor Mario Giordana, ex-conselheiro da embaixada italiana no Vaticano, foram acusados de tentar vender obras de arte falsamente atribuídas a artistas como Michelangelo, Guercino e Giambologna a instituições como o Metropolitan Museum, em Nova Iorque, e a National Gallery, em Washington. (…) Os trabalhos mais notáveis eram um busto de mármore, o Jovem São João Baptista, atribuído a Michelangelo, e um vaso grego antigo, atribuído a Eufrónio. Os funcionários teriam usado papéis impressos do Vaticano para autenticar as obras e aumentar o seu valor. Como o Vaticano é ao mesmo tempo uma cidade e um Estado (ambos na cidade de Roma), é administrado da mesma forma que os países, com uma prestação de contas de toda a sua riqueza; porém, também funciona como uma empresa multinacional. O escritor Karl Keating observou que o orçamento anual do Vaticano era mais ou menos igual ao da arquidiocese de Chicago. Uma parte dos fundos era usada para manter o próprio Vaticano e a outra parte destinava-se ao trabalho missionário da Igreja e outras obras ao redor do mundo.
Imagino que poderíamos perguntar porque o Vaticano tem dificuldades para equilibrar um orçamento anual relativamente pequeno, escreveu Keating. A riqueza da Igreja é composta quase que inteiramente de igrejas, hospitais, escolas e missões, mais as obras de arte. Poderia vender as obras de arte, mas o produto da venda não alimentaria os pobres do mundo por um dia sequer. Se o Vaticano vendesse todas as suas obras de arte, receberia centenas de milhões de dólares, mas uma única vez. Elas desapareceriam, e o dinheiro não iria durar muito. (…) Os papas são guardiões, não donos. Eles têm a responsabilidade de preservar os seus tesouros artísticos para a posteridade, não vendê-los para colecções particulares. Calculou-se que custa cerca de 250 milhões de dólares anuais para administrar o Vaticano. O dinheiro vem de (…) contribuições das conferências dos bispos, dioceses, ordens religiosas, doadores leigos e outras entidades. Em 2004, esse total chegou a 89 milhões de dólares. Desse valor, cerca de 27,2 milhões vieram de dioceses individuais nos termos do Cânone 1.271 do Código da Lei Canónica, que obrigava as dioceses a contribuir financeiramente para manter a Santa Sé. Isso significa que 2.883 jurisdições eclesiásticas de todo o mundo deram uma média de 10 mil dólares cada uma em 2004. (…) As arquidioceses ricas deram muito mais, muitas dioceses menores deram pouco ou nada.
O Vaticano também acumula ganhos com bens imóveis, cerca de trinta edifícios e 1,7 mil apartamentos de propriedade da Santa Sé que geraram uma renda de 64,5 milhões de dólares em 2004. Os ganhos também são provenientes de investimentos e outras actividades financeiras, com 80% da carteira do Vaticano em títulos e 20% em acções. Em 2004, o demonstrativo financeiro do Vaticano não forneceu um total geral, mas especialistas disseram que os ganhos devem ter sido da ordem de 100 milhões de dólares. O demonstrativo sublinhou que isso representava um ganho de 21,5 milhões de dólares, atribuído à melhoria da situação dos mercados financeiros mundiais em 2004. Um relatório [de 2004] do Vaticano indicou que as contribuições para o óbolo de São Pedro, fundo de apoio às acções de caridade papais que não fazem parte do orçamento regular do Vaticano, totalizaram 52 milhões de dólares (…) uma queda de 7,4%.
O famoso escritor e sacerdote de Chicago padre Andrew Greeley escreveu: houve um tempo em que a Igreja foi realmente muito rica (e essa é outra história), mas a Reforma e a Revolução Francesa acabaram com isso. O catolicismo é pobre em propriedades. Qual é, por exemplo, o valor de reposição da basílica de São Pedro no Vaticano? Quem a compraria? Quanto rende anualmente? Na verdade, as velas votivas, a sua única fonte de receita, mal pagam a manutenção. E o que alguém faria com ela se a comprasse, principalmente depois que descobrissem que era um chamariz de vendas? Construiriam condomínios? O que alguém faria com o museu do Vaticano? Talvez o governo italiano pudesse comprá-lo para fazer a última estação da linha de metro de Roma». In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, tradução de Elvira Serapicos, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

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Mistérios Sombrios do Vaticano. Paul Jeffers. «Depois do Túmulo de São Pedro, a Capela da Pietà é o local mais visitado e silencioso de toda a basílica…»

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Os Tesouros do Vaticano
(…) Os aumentos nos aluguéis teriam provocado grande polémica em Roma, pois a Igreja teria ameaçado despejar os inquilinos que não pagassem. O prejuízo também foi atribuído ao péssimo desempenho dos veículos de comunicação do Vaticano, incluindo um jornal e uma estação de rádio, que haviam perdido aproximadamente 15 milhões de euros no ano anterior. Em 2007, o Vaticano reportou uma receita geral de 236,7 milhões de euros, enquanto as despesas totalizaram 245,8 milhões de euros. Boa parte da receita do Vaticano vem de doações de membros da Igreja em todo o mundo. Os católicos norte-americanos contribuem com cerca de 80 milhões de dólares. Especialistas avaliaram que a riqueza total do Vaticano em 2008 superava os 5 bilhões de euros. O tamanho exacto da riqueza do Vaticano em bancos e acções é assunto controverso, e a Santa Sé não revela. Mas dinheiro e investimentos não constituem toda a medida da riqueza da Cidade do Vaticano. A Santa Sé possui a maior colecção de tesouros artísticos do mundo. Em museus, locais de exibição pública, em câmaras privadas, corredores de mármore, igrejas, capelas, e na basílica de São Pedro podem ser encontradas pinturas, afrescos, desenhos, esculturas e vitrais criados pelos maiores artistas da história ao longo de séculos desde antes de Cristo até hoje.
A primeira colecção de antiguidades do mundo foi criada pelos papas Júlio II, Leão X, Clemente VII, Paulo III e Pio V. Entre elas estavam o Torso de Hércules, o Apolo Belvedere e o Grupo de Laocoonte. Pio VI deu continuidade à actividade de Clemente XIV com tamanho sucesso, que as suas colecções (…) foram reunidas num grande museu (…) o Museu Pio-Clementino. Ele tem onze salas repletas de antiguidades celebradas. A fundação dos Museus Vaticanos remonta a 1503, quando o recém-eleito papa Júlio II della Rovere colocou uma estátua de Apolo no pátio interno do Palácio Belvedere construído por Inocêncio VIII. (…) Dezenas de artefactos foram acrescentados ao longo dos séculos, e as colecções acabaram sendo reorganizadas sob Bento XIV (1740–1758) e Clemente XIII (1758–1769). Eles fundaram os Museus da Biblioteca Apostólica: o Sagrado (Museo Sacro, 1756) e o Profano (Museo Profano, 1767). O Museu Cristão, composto por artigos encontrados em catacumbas que não poderiam ser mantidos in situ, foi fundado por Pio IX em 1854 no Palácio Laterano e removido para os Museus do Vaticano pelo papa João XXIII. O papa Pio XI inaugurou em 1932 (…) a Galeria de Arte do Vaticano (a Pinacoteca).
Boa parte da colecção de tesouros do Vaticano está aberta ao público nos seus inúmeros museus e dentro do Vaticano na forma de arte e esculturas. O mais famoso e popular é composto pelo tecto da Capela Sistina, pintado por Michelangelo, e a escultura Pietà, mostrando a Virgem Maria segurando o corpo crucificado, na Capela da Pietà, no interior da basílica de São Pedro. Descrita pelo Vaticano como talvez a escultura mais famosa do mundo com tema religioso, foi esculpida quando Michelangelo tinha vinte e quatro anos de idade e é a única que ele assinou. Com essa magnífica estátua, Michelangelo deu-nos uma visão cristã e altamente espiritualizada do sofrimento humano, observou uma publicação do Vaticano. Artistas anteriores e posteriores a Michelangelo sempre retrataram a Virgem com o Cristo morto nos braços como enlutada, quase à beira do desespero. Michelangelo, por outro lado, criou uma aura altamente tranquila. Enquanto segura no colo o corpo sem vida de Jesus, o rosto da Virgem emana doçura, serenidade e uma aceitação majestosa dessa imensa dor, combinada com a sua fé no Redentor. É quase como se Jesus estivesse prestes a acordar de um sono brando, como se depois de todo sofrimento e espinhos, a rosa da ressurreição estivesse prestes a desabrochar.

Depois do Túmulo de São Pedro, a Capela da Pietà é o local mais visitado e silencioso de toda a basílica. A escultura é protegida por um vidro à prova de bala para evitar a repetição de um ataque perpetrado por um homem transtornado. Em 1972, o geólogo de trinta e três anos Laszlo Toth, húngaro de nascimento e de nacionalidade australiana, atacou a estátua com um martelo aos gritos de Eu sou Jesus Cristo ressuscitado! O braço esquerdo da Virgem ficou danificado, assim como o nariz, o olho esquerdo e o véu. O ataque foi o primeiro grande dano sofrido por uma obra de arte na basílica de São Pedro desde que um alemão quebrou dois dedos da estátua do papa Pio VI ajoelhado, em 1970. Os Museus do Vaticano estão repletos de obras de Giotto, Caravaggio, Michelangelo, Leonardo da Vinci e Rafael, entre muitos outros. As bibliotecas do Vaticano guardam antigos manuscritos da Bíblia e de outras obras, em alguns casos o único exemplar de determinada obra». In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, tradução de Elvira Serapicos, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Mistérios Sombrios do Vaticano. Paul Jeffers. «A riqueza do Vaticano apenas nos Estados Unidos era maior do que a das cinco corporações mais ricas do país. Mas, em 1987, a revista Fortune noticiou que o Vaticano estava praticamente falido»

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Os Tesouros do Vaticano
(…) Enquanto Rafael trabalhava, Michelangelo estava pintando o tecto da capela papal conhecida como Capela Sistina (1508–1512). Michelangelo pintou a abóboda com cenas do livro do Génesis: a criação do mundo e de Adão e Eva, a expulsão do Jardim do Éden e a destruição do mundo pelo dilúvio. (…) Em 1546, Michelangelo, então com setenta e um anos, foi nomeado arquitecto da São Pedro e desmanchou algumas construções; também começou a trabalhar na primeira grande cúpula a ser erguida numa colunata. Projectada por Michelangelo, mas só terminada após a sua morte, a abóboda coroa a igreja. Centro geográfico da Igreja Católica Romana, o Vaticano possui algumas das mais preciosas obras de arte do mundo, e muitos acreditam que seja a organização mais rica do planeta. Num livro sobre os tesouros do Vaticano, The Vatican Billions (Os bilhões do Vaticano), Avro Manhattan observou que a Igreja Católica é o maior poder financeiro, maior acumuladora de riquezas e a maior proprietária de terras actualmente. Possui mais riquezas materiais do que qualquer outra instituição, corporação, banco, truste gigantesco, governo ou estado do mundo inteiro. O papa, como governante desse imenso acúmulo de riquezas, é, consequentemente, o indivíduo mais rico do século XX. Ninguém tem condições de dizer precisamente quanto ele vale em termos de bilhões de dólares. Segundo o autor, a Santa Sé tinha grandes investimentos com os Rothschild na Inglaterra, França e Estados Unidos, e no Hambros Bank e Credit Suisse em Londres e Zurique. Nos Estados Unidos, tem holdings com o Morgan Bank, Chase-Manhattan Bank, First National Bank of New York, Bankers Trust Company e outros. Entre os seus investimentos estão bilhões de acções das mais poderosas corporações internacionais, como Gulf Oil, Shell, General Motors, General Electric, IBM e outras. Segundo uma estimativa conservadora, a quantidade de investimentos é superior a 500 milhões de dólares só nos Estados Unidos. Num comunicado publicado recentemente, a arquidiocese de Boston declarou activos no valor de US$ 635.891.004, o que representava 9,9 vezes o seu passivo. Com isso restava um património líquido de US$ 571.704.953. Não é difícil descobrir a riqueza absolutamente impressionante da igreja, disse Manhattan, quando somamos as riquezas das vinte e oito arquidioceses e 122 dioceses nos Estados Unidos, algumas das quais são ainda mais ricas que a de Boston. Pode-se ter uma ideia das propriedades e outras formas de riqueza controladas pela Igreja Católica pela declaração de um membro da Conferência Católica de Nova Iorque, segundo a qual sua igreja provavelmente só perde para o governo dos Estados Unidos no volume de compras anuais. Essas estatísticas indicavam que a Igreja Católica Romana, uma vez calculados todos os activos, era o corrector mais incrível do mundo. A Santa Sé, independentemente do papa que estivesse ocupando o cargo, foi-se voltando cada vez mais para os Estados Unidos. Um artigo do Wall Street Journal disse que os negócios financeiros do Vaticano só nos Estados Unidos eram tão grandes, que frequentemente envolviam a compra ou venda de ouro em lotes de um milhão de dólares ou mais de cada vez. Segundo a United Nations World Magazine, o tesouro do Vaticano chegava a vários bilhões de dólares em ouro. Boa parte dele estava armazenada em lingotes no Federal Reserve Bank dos Estados Unidos, e o restante em bancos da Suíça e Inglaterra. A riqueza do Vaticano apenas nos Estados Unidos era maior do que a das cinco corporações mais ricas do país. Mas, em 1987, a revista Fortune noticiou que apesar de todo o seu esplendor, o Vaticano está praticamente falido. O artigo dizia: depois de ter sobrevivido a invasões bárbaras, perseguições, inúmeras pragas e cismas ocasionais, o papado agora enfrenta um problema da era moderna: um profundo aperto financeiro. Os custos da burocracia crescente do Vaticano superam em muito os seus recursos. No ano anterior, a Santa Sé captou 57,3 milhões de dólares de fontes tão diversas quanto taxas de cerimónias; receitas de publicações, anúncios em jornais e vendas de videocassetes; e modestos ganhos de investimento de 18 milhões de dólares. Com investimentos da ordem de 500 milhões de dólares, o Vaticano controlou menos recursos financeiros do que muitas universidades norte-americanas. Na Primavera de 2008, o Vaticano informou que seus contabilistas haviam registado uma perda em suas contas anuais pela primeira vez em quatro anos. O relatório dizia que a Santa Sé perdera quase 10 milhões de euros depois de investir em dólares antes da queda acentuada da moeda norte-americana em relação ao euro. E o buraco no orçamento teria sido ainda pior, disse uma fonte, se a Igreja não tivesse elevado os alugueres das suas propriedades em Roma, sobre as quais não paga impostos ao estado italiano». In Paul Jeffers, Mistérios Sombrios do Vaticano, 2012, tradução de Elvira Serapicos, Editora Jardim dos Livros, 2013, ISBN 978-856-342-018(7)-3(6).

Cortesia de EJLivros/JDACT