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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Arqueologia e Património Construído na Região do Alto Tejo Português. «Com a descoberta da arte rupestre gravada do Tejo, no início dos anos 70, é posto em evidência um complexo arqueológico pós-paleolítico de nível europeu e o maior do género existente em Portugal. Trabalhos recentes permitiram conhecer de forma aprofundada o povoamento, em sítios elevados, de vasta região da Beira Interior, no final da Idade do Bronze»



jdact

Um olhar diacrónico sobre o território humanizado
«Com o advento da contemporaneidade há uma outra realidade que percorre e irmana todos estes concelhos. São as invasões militares vindas de leste, nos séculos XVIII e XIX. Os exércitos invasores entravam na Idanha deixando rasto de conflitos, pilhagens e destruições por toda a região, onde ainda se ouvem inúmeros relatos, sob a forma de lendas e sítios com história. Chegados à muralha natural constituída pelas serras das Talhadas, do Muradal e dos Álvelos ainda se podem ver fortes e baterias posicionados sobre as zonas de passagem obrigatória na rota para Lisboa. De entre estes merecem destaque as fortificações da Ponte do Alvito, na fronteira entre Proença-a-Nova e Castelo Branco e os de Vila Velha de Ródão, protegendo a passagem do rio na área das Portas.
Os primeiros e mais significativos trabalhos de investigação arqueológica nesta região, globalmente considerada, remontam ao início do século XX e devem-se a Francisco Tavares de Proença Júnior, autor da primeira Carta Arqueológica do Distrito de Castelo Branco que também executou escavação em diversos monumentos e sítios.
Nos meados do século XX merecem destaque os trabalhos que, sob o impulso de Fernando de Almeida, conduziram à revelação da ocupação romana e medieval de Idanha-a-Velha.
Com a descoberta da arte rupestre gravada do Tejo, no início dos anos 70, é posto em evidência um complexo arqueológico pós-paleolítico de nível europeu e o maior do género existente em Portugal. Parcelas embora diminutas desse importante património têm sido divulgadas, em monografias ou sínteses cronológico-culturais, por dois dos investigadores do grupo inicial, António Martinho Baptista e Mário Varela Gomes.
Por essa altura têm início os estudos da ocupação paleolítica dos terraços do Tejo em Vila Velha de Ródão, uma linha de investigação que permaneceu até à actualidade sob a direcção do arqueólogo Luís Raposo, e com resultados de enorme valia científica.
Também, desde o início dos anos 70, diversos arqueólogos integrados na Associação de Estudos do Alto Tejo, nomeadamente Francisco Henriques, João Caninas e João Luís Cardoso, desenvolvem, em toda esta região, projectos permanentes de cartografia arqueológica, homologados pelos institutos de tutela sobre o património arqueológico, e pesquisas mais aprofundadas (escavações arqueológicas) em sepulturas e povoados pré-históricos em Vila Velha de Ródão e Idanha-a-Nova.
Trabalhos recentes desenvolvidos pela arqueóloga Raquel Vilaça, universidade de Coimbra, permitiram conhecer de forma aprofundada o povoamento, em sítios elevados, de vasta região da Beira Interior, no final da Idade do Bronze.
O património arqueológico do concelho de Nisa tem sido objecto de estudo sob a coordenação do arqueólogo Jorge de Oliveira, universidade de Évora no âmbito de projectos de investigação que abrangem uma área mais vasta no distrito de Portalegre». In Jorge Oliveira, Associação de Estudos do Alto Tejo, Arqueologia e Património Construído na Região do Alto Tejo Português.


Cortesia de AE do Alto Tejo/JDACT

sábado, 19 de maio de 2012

Arqueologia e Património Construído na Região do Alto Tejo Português. «Os mais antigos acampamentos do homem pré-histórico, no Paleolítico Inferior e no Paleolítico Médio, podem ser encontrados nos terraços do Tejo, junto a Vila Velha de Ródão. Na Fonte das Virtudes e na Foz do Enxarrique o Homem de Neandertal deixou fortes marcas da sua presença nesta região»


Gravura antiga das Portas do Ródão
Cortesia de wikipedia

Um olhar diacrónico sobre o território humanizado
«A região da Beira Interior Sul é banhada pelo grande rio peninsular, o Tejo. É um território de contrastes geo-ambientais, onde, para além do grande rio, se inscrevem algumas das mais altas serras do distrito de Castelo Branco, bacias aluvionares, superfícies planálticas e, consequentemente, ecossistemas variados, embora alteradas pelo Homem ao longo de milénios.
Sendo uma zona de trânsito obrigatório entre o Norte e o Sul do território continental e entre o interior da Meseta e o litoral era previsível que o homem que por aqui tivesse passado e se tivesse fixado, desde as épocas mais remotas, de um forma permanente e rica de interacções culturais. A arqueologia deste território e o diversificado património que ainda nele se conserva, embora muito delapidado nos últimos trinta anos, comprovam essa perspectiva.
Os mais antigos acampamentos do homem pré-histórico, no Paleolítico Inferior e no Paleolítico Médio, podem ser encontrados nos terraços do Tejo, junto a Vila Velha de Ródão. Na Fonte das Virtudes e na Foz do Enxarrique o Homem de Neandertal deixou fortes marcas da sua presença nesta região.
Bem perto, para montante e jusante das Portas de Ródão, ao longo de cerca de 40 km de margens do Tejo e seus afluentes, entre os concelhos de Nisa e Vila Velha de Ródão situou-se um dos mais expressivos santuários póspaleolíticos ao ar livre, de toda a Europa. Trata-se de um conjunto de mais de 30 000 figuras, geométrico-simbólicas, representações de homens e de animais, em grande parte submersas pela albufeira de Fratel, ilustrando um pensamento mágico-religioso já muito complexo.

Idanha a Velha

As comunidades responsáveis por essas obras de arte gravadas na pedra enterraram os seus mortos em sepulturas megalíticas (antas e mamoas) de que se conservam algumas centenas principalmente no sul de Idanha-a-Nova, em Proença-a-Nova e em Nisa. Estes monumentos encontram-se entre as mais antigas obras de “arquitectura” conservadas nesta região. Da etapa seguinte da presença humana, durante as Idade do Bronze e do Ferro, conhecem-se principalmente povoados situados em pontos elevados, como o Monte de São Martinho (Castelo Branco), nos picos graníticos da área de Monsanto (Idanha-a-Nova) ou no extremo de cristas quartzíticas como em São Miguel (Nisa) ou no Muradal (Oleiros), locais por excelência de controlo da paisagem e da mobilidade das gentes. Os achados de armas ou jóias metálicas, em bronze, em prata ou ouro, fazem aparição por toda a região, evidenciando a importância dos objectos de prestígio naquelas comunidades.
A região tem a particularidade de se situar em plena nação lusitana, abrangendo os territórios de dois importantes populi, os Igaeditani e os Tapori. E segundo os historiadores clássicos, as bodas de Viriato ter-se-ão realizado algures neste último território, onde viveria Astolpas o seu sogro. Mas, é certamente com a Romanização que ocorre o mais profundo processo de ordenamento deste território e de exploração dos seus recursos naturais, até à exaustão. Na complexa e hierarquizada rede de povoamento que então se estabelece emerge a velha Egitânia (Idanha-a-Nova), importante cidade, sede de civitas cujo esplendor chega até aos tempos medievais e que contém a maior concentração de inscrições da Península. Entretanto muitos outros vestígios, nomeadamente de vilas, se encontram por toda a campina de Idanha e Castelo Branco, e neste último concelho, especialmente no triângulo sagrado situado entre São Martinho, Senhora de Mércoles e Santa Ana.
Por toda a região, constroem-se inúmeras obras de engenharia que sobrevivem, por vezes com uso quase até à actualidade, como pontes, calçadas (como as de Alpedrinha), barragens. Exploram-se as melhores terras de aluvião. Da Idanha-a-Nova a Nisa e a Oleiros exploram-se minerais metálicos, a céu aberto ou em galeria, e ouro de aluvião cuja marca mais impressiva se encontra no vasto Conhal (Nisa) situado a jusante das Portas de Ródão.

Arte rupestre

Com a queda do Império atravessam-se tempos conturbados até à consolidação do Reino de Portugal. Esta será durante muito tempo uma terra de fronteira entre os reinos cristãos e muçulmanos, onde as ordens militares, do Templo, do Hospital e de Cristo, vão dar um contributo definitivo à construção de uma nova realidade cujos símbolos e instrumentos, do novo poder, são os inúmeros castelos da Raia que pontuam locais estratégicos em quase todos os concelhos do sul da Beira.
Com o advento da contemporaneidade há uma outra realidade que percorre e irmana todos estes concelhos. São as invasões militares vindas de leste, nos séculos XVIII e XIX. Os exércitos invasores entravam na Idanha deixando rasto de conflitos, pilhagens e destruições por toda a região, onde ainda se ouvem inúmeros relatos, sob a forma de lendas e sítios com história. Chegados à muralha natural constituída pelas serras das Talhadas, do Muradal e dos Álvelos ainda se podem ver fortes e baterias posicionados sobre as zonas de passagem obrigatória na rota para Lisboa. De entre estes merecem destaque as fortificações da Ponte do Alvito, na fronteira entre Proença-a-Nova e Castelo Branco e os de Vila Velha de Ródão, protegendo a passagem do rio na área das Portas». In Associação de Estudos do Alto Tejo, Arqueologia e Património Construído na Região do Alto Tejo Português, PDF.

Cortesia de AE do Alto Tejo/JDACT

domingo, 20 de novembro de 2011

A Fortaleza de Nisa. Alto Alentejo. «A exacta localização do burgo de então não seria a actual, já que as contendas entre D. Dinis e seu irmão, D. Afonso Sanches, senhor da vizinha Castelo de Vide, que aí tiveram palco, terão levado à transferência do município para terrenos a uma certa distância da sua implantação original, na década de noventa do século XIII»

Cortesia de naturtejo

«Nisa sucedeu, em fins do século XIII, a chamada Nisa-a-Velha, a Nordeste da actual, sobre a elevação onde actualmente se ergue a Capela de Nossa Senhora da Graça, e cuja primitiva ocupação humana remonta a povos pré-romanos.
Em Nisa-a-Velha existiu um antigo castelo, presumivelmente remontando à época da Reconquista cristã da península Ibérica, quando a povoação recebeu Carta de Foral em alguma data anterior a 1232, uma vez que neste ano, D. Sancho II (1223-1248), ao conceder foral à vila do Crato refere: "Damus vobis populatoribus tam presentibus quan futuris foros et costumes de Nisa".

Quando da sucessão de D. Afonso III (1248-1279), contestando D. Afonso Sanches os títulos de seu irmão mais velho, D. Dinis (1279-1325), iniciou o reforço das fortificações de seus domínios no Castelo de Vide (1280), contra a vontade do soberano. D. Afonso insistiu, requisitando o auxílio das gentes das vilas da região, entre as quais as de Nisa, que se escusaram, acatando a vontade de D. Dinis. Como retaliação, as forças de D. Afonso invadiram a vila que se recusava a apoiá-lo, incendiando e saqueando as casas, arrasando o castelo e matando muitos habitantes. Durante a crise de 1383-1385, a vila e seu castelo foram das primeiras a apoiar o partido do Mestre de Avis, razão pela qual o soberano lhe outorgou o título de Notável. No início do século XVI, sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), o seu conjunto defensivo encontra-se descrito minuciosamente num termo referente aos bens da Comenda de Nisa, datado de 1505, sensivelmente o mesmo retratado por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509). Neste período, a vila recebeu o Foral Novo passado pelo soberano (1512), actualmente no arquivo da Câmara Municipal» In Wikipedia.



jdact

«As terras onde se ergue a actual vila de Nisa terão sido habitadas já em épocas pré-romanas, sendo que dessa presença romana no local restam ainda alguns vestígios importantes. O primeiro foral de Nisa foi outorgado entre 1229 e 1232, por Frei Estêvão de Belmonte, Mestre da Ordem do Templo, a quem pertenciam os terrenos que incluíam a povoação (então integrada na grande Herdade da Açafa), por doação de D. Sancho I. Não existindo já este documento, comprova-se a existência deste antigo foral através da referência que lhe é feita no idêntico foral da Vila do Crato (este de 1232). No entanto, a exacta localização do burgo de então não seria a actual, já que as contendas entre D. Dinis e seu irmão, D. Afonso Sanches, senhor da vizinha Castelo de Vide, que aí tiveram palco, terão levado à transferência do município para terrenos a uma certa distância da sua implantação original, na década de noventa do século XIII. A reconstrução da vila principiou de imediato, ordenada pelo monarca, e dirigida pelo mestra da Ordem do Templo, D. Frei Lourenço Martins, e constando de um forte castelo com seis torres e portas, lançado entre 1290 e 1296. As muralhas estavam ainda em construção em 1343, no reinado de D. Afonso IV.

A situação fronteiriça de Nisa determinaria sempre largos investimentos nas suas fortificações, bem como um papel fundamental na defesa da independência do território, que receberia de D. João I o título de " Mui Notável" vila. Em 1512 D. Manuel I atribuiu-lhe novo foral, na mesma altura em que intervinha na remodelação de algumas estruturas, conforme lápide coeva colocada junto da Porta da Vila. Em 1646, Nisa é elevada à Categoria de Marquesado, título outorgado ao 5º Conde da Vidigueira, D. Vasco Luís da Gama. No mesmo ano, em plena Guerra da Restauração, o castelo é reforçado com uma segunda cinta defensiva, e outros acrescentos menores, como aconteceu em várias outras fortificações na época. Mas a derrocada do castelo deve-se em grande parte às escaramuças da Guerra da Sucessão de Espanha, na qual Portuga participava (entre 1703 e 1713), sendo que logo em 1704, durante a primeira campanha, foi ocupado por tropas franco-espanholas. A destruição continuou no século XIX, quando foram arrasados os paramentos seiscentistas, e embelezado o conjunto com merlões e outros elementos anacrónicos.

Cortesia de cantodaterra

Restam hoje duas torres, alguns panos de muralha, e duas portas ainda de finais do século XIII, a da Vila e a de Montalvão, assim denominada por estar voltada para a vizinha povoação do mesmo nome. A Porta da Vila tem sofrido várias modificações. Tem arco apontado assente sobre impostas quadradas, e é flanqueada por duas meias-torres, de planta rectangular, com ameias. Sobre a pedra de fecho do arco, voltada para o exterior, estão dois escudos apontados, um deles o escudo de Portugal com as cinco quinas, as laterais ainda deitadas (anterior à reforma de 1485), sendo o outro de heráldica municipal. Em 1646 foi aí acrescentada uma lápide evocativa da decisão tomada nas cortes de Lisboa desse mesmo ano, quando o rei D. João IV tomou oficialmente Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino. A colocação desta lápide, encimada por um nicho com a estátua da Virgem, seguia-se a idêntico acto nas portas da capital. A lápide e a imagem, bem como uma outra lápide manuelina, foram retiradas em 1945, quando se pretendeu restituir a porta à sua traça original. Apesar disso, conservam-se ainda dois escudos quinhentistas no pano de muralha anexo à porta. Adossada a uma das torres fica a Torre do Relógio, de construção posterior; também a Torre da Igreja Matriz sobressai junto desta porta. A Porta de Montalvão abre-se em arco abatido, sem impostas nem pilares, e junto a ela encosta-se o edifício da Cadeia Nova. Para além deste edifício, a muralha liga-se a uma torre, de configuração idêntica às anteriores, quase intacta, conservando ainda uma lápide quinhentista, com a cruz da Ordem de Cristo e duas representações das cinco quinas». In IGESPAR, SML.

Cortesia de Wikipedia e IGESPAR/JDACT


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

TEMÁTICA, a Cidade Medieval: O Urbanismo e as Bastides. «..aos traçados das cidades medievais portuguesas nas aglomerações planeadas, como tendo «frequentemente um padrão geométrico» (Gaspar, J. - A morfologia urbana de padrão geométrico na Idade Média, pp. 198-199), comparando-as às bastides do Sul de França e de Itália...»

Bastide
Cortesia de frenchduck 

A Cidade Medieval Portuguesa no Continente
«Ao referirmo-nos aos traçados urbanos da cidade medieval na Península ou concretamente à cidade portuguesa, não podemos restringirmo-nos a uma descrição, uma vez que tanto em Portugal como no resto da Europa, a variedade e a originalidade destas cidades é muito grande, proveniente de diferentes realidades e de variadas experiências concretas.
Vários autores já abordaram o tema da caracterização dos traçados urbanos das cidades medievais portuguesas. Para Sérgio Carvalho, seguindo a linha de pensamento de Oliveira Marques, «(...) a rua medieval das cidades mediterrâneas em geral e das portuguesas em particular, é uma rua de contornos irregulares, geralmente estreita (elemento que se acentua com a tradição muçulmana), rua que conduz habitualmente a espaços abertos (espaço de maior pendor cristão), onde se desenvolvia a actividade religiosa (na igreja) e a económica (no mercado)».

Dentro da mesma linha de pensamento, mas acentuando a existência de alguma intencionalidade nos traçados medievais portugueses, Teresa Salgueiro, refere que nas cidades portuguesas podemos perceber uma intencionalidade de traçado regular, subvertida por vezes devido ao acidentado do terreno, ao crescimento urbano descontínuo ou à influência dos traçados de origem muçulmana.

Cortesia de etudebastidesifrance
De outro modo, refere-se Jorge Gaspar aos traçados das cidades medievais portuguesas nas aglomerações planeadas, como tendo «frequentemente um padrão geométrico» (Gaspar, J. - A morfologia urbana de padrão geométrico na Idade Média, pp. 198-199), comparando-as às bastides do Sul de França e de Itália, leste da Alemanha e da região fronteiriça Aragão-Navarra.

Neste sentido e relativamente às características morfológicas das bastides do Sul de França, estas, segundo Jorge Gaspar, situam-se, quase sempre em sítios facilmente defensáveis, estão por vezes envolvidas por uma muralha, onde se abrem portas em número variável dependendo da sua importância. «As ruas, rectilíneas, cruzam-se segundo ângulos rectos, demarcando blocos rectangulares de casas. Numa posição central, de fácil acesso tanto aos moradores como aos forasteiros, uma praça também de forma rectangular, com arcadas ou alpendres nos exemplos mais acabados, e que desempenhava as funções de centro comercial, de convívio e de local de manifestações públicas. A igreja não ficava geralmente instalada neste espaço, mas abria-se num pequeno terreiro próximo (...). As ruas apresentam construções dum lado e doutro, de forma contínua, (...). Os espaços verdes da cidade eram constituídos por quintais, que todas as casas possuíam nas traseiras» (Gaspar, J. - A morfologia urbana de padrão geométrico na Idade Média, pp. 202-203).

Cortesia de aurelleverlac
Para Bernardo José Ferrão, também é clara a tradição urbana regular em Portugal nas cidades de fundação medieval: esta é «atestada na fundação de inúmeras cidades geometricamente ordenadas, sobretudo destinadas à defesa fronteiriça e ao povoamento, como os casos de Viana e Monsaraz». Assim, em termos de traçado urbano conclui-se que as cidades medievais se caracterizam por uma certa variedade, havendo no entanto a predominância de dois tipos:
  • uma mais irregular, onde as ruas, por vezes, tomam uma forma aparentemente labiríntica, resultante da influência da cultura muçulmana e/ou da adaptação dos traçados mais regulares aos sítios onde se implantam;
  • outra mais regular, influenciada pelas bastides sobretudo francesas, fundadas, a sua maioria, nos reinados de D. Afonso III e D. Dinis.
Estes aglomerados planeados são caracterizados pela existência de uma rua central rectilínea que liga dois pontos importantes do aglomerado onde sensivelmente a meio desta se abre um largo, sendo essa rua principal cortada por travessas e onde frequentemente existem outras duas ruas paralelas a esta, menos importantes e menos largas.
O traçado destas cidades é ortogonal e os quarteirões são de planimetria rectangular alongada. Estes são definidos por ruas paralelas (ruas de frente e de traseiras) e perpendiculares.
Estes aglomerados demonstram certos princípios de regularidade e neles se reconhece a existência de uma intenção planeadora, tendo sempre em conta a necessidade de defesa e a procura da implantação de uma administração civil e religiosa». In Teresa Madeira, Comunicação apresentada no Colóquio Internacional Universo Urbanístico Português, 1415-1822, Coimbra 1999.

Cortesia de Colóquio Internacional Universo Urbanístico Português/JDACT

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Maria de Lourdes Ayres Costa: Dedicou a vida aos ideais de justiça, liberdade, igualdade e democracia e empenhou-se na construção de uma sociedade melhor, onde todos pudessem ser felizes

(1926-2008)
Gáfete, Crato
JDACT
«Se o gosto pelos livros aumenta com a inteligência, os perigos, como vimos, diminuem com ela. Um espírito original sabe subordinar a leitura à actividade pessoal. Ela é para ele apenas a mais nobre das distrações, sobretudo a mais enobrecedora, pois, só a leitura e o saber conferem «as boas maneiras» do espírito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa inteligência, só o podemos desenvolver dentro de nós próprios, nas profundezas da nossa vida espiritual. Mas é nesse contacto com os outros espíritos que a leitura é, que se faz a educação das "maneiras" do espírito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas notáveis da inteligência, e ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ciência literária, será sempre, mesmo num homem de génio, uma marca de grosseria intelectual. A distinção e a nobreza consistem na ordem do pensamento também, numa espécie de franco-maçonaria de costumes, e numa herança de tradições». In Marcel Proust.

Cortesia da JFGáfete

Esta Gente
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
Sophia de Mello Andresen
JDACT

sábado, 8 de maio de 2010

Paisagem medieval: O castelo é uma das significativas inovações que a Idade Média introduziu na paisagem portuguesa (Mário Barroca)

Cortesia da Revista Cultural de Portalegre
nº 15 (Nova Série) 2008
Com a devida vénia a João Vasconcelos Gonçalves, a Maria Silvestre Vicente e a Vitaline Cardoso Ferreira, publico a Conclusão do excelente trabalho «Paisagem medieval: Nisa, Alpalhão e Montalvão, nos finais da Idade Média», publicado na Revista a Cidade nº 15 (Nova Série) págs. 43-65, 2008. O meu obrigado!

«Cruzando a informação da gravura de Duarte D'Armas - retrato do momento da paisagem observada, imbuída da forma de ver do autor - com a do Tombo dos bens de uma entidade religiosa, a Ordem de Cristo - que nos dá uma imagem sincrónica, por ser este género de documentação elaborada num curto espaço de tempo, balizado entre um a dois anos -, conseguimos uma metodologia que mos permitiu aprender a paisagem urbana e rural das vilas de Nisa, Alpalhão e Montalvão, em finais da Idade Média.
Podemos, assim, caracterizar o espaço, como também inferir da mentalidade vigente, pela relevância dada aos diversos espaços religiosos, ao espaço político/defensivo do castelo, ao espaço social do aglomerado urbano, que se ordena a partir e em redor dos anteriores e ao longo das vias de acesso.
A evolução das modalidades contratuais, determinada pelos visitadores  para uma mais rentável gestão de bens da Ordem, pode significar um período de pacificação em que o povoador perdeu parte da sua importância como tal, prevalecendo a sua função rentabilizadora da parcela de terra que lhe era aforada. O estado de decrepitude do castelo de Montalvão parece atestá-lo.
As vilas, com o seu casario agrupado de casas predominantemente térreas e seus agregados agrícolas, celeiros, palheiros e quintais, não diferem muito dos casos estudados em zonas similares, pela estrutura, pelas dimensões, pelos materiais e pelo uso e vivência dos espaços.
Também aqui, o castelo e a igreja servem de enquadramento ao núcleo yrbano e são factor importante, na vida da comunidade. O concelho tem, também ele, um lugar de destaque no ordenamento e organização da vivência do quotidiano.
As paisagens urbanas medievais acabam por odedecer, com algumas variantes, a um esquema que podemos reconhecer noutros pontos do território, demonstrando haver influências culturais comuns muito fortes. Além disso, há que considerar que as informações do passado que chegaram até nós passaram pelo crivo da pena do oficialato régio, que lhes conferiu uma uniformidade discursiva, só denunciada pela toponímia e antroponímia.
É partindo destes registos, pelas confrontações, pelas áreas, por alguma construção agrícola, pelos cursos de água, que vamos conseguindo visualizar e surpreender os homens, que, pelas suas fainas diárias, moldam os espaços.
Embora muito pouco permaneça hoje dos castelos e casas medievais, apesar de os dados que temos serem parcelares, podemos ainda passear por uma Rua Direita e sentir o ar e os cheiros, reconstituir os cantos e os segredos, reconhecer, no casario o perfil e as características desenhadas por Duarte D'Armas, bem como os materiais anotados no Tombo da Comenda. Assim, ainda hoje é possível uma aproximação que permite o encontro com essa época longínqua, mas sempre presente para o historiador».
Fortaleza de Alpalhão
Cortesia da Biblioteca de Nisa
Fortaleza de Montalvão
Cortesia da Biblioteca de Nisa

Fortaleza de Nisa
Cortesia da Biblioteca de Nisa

Fortaleza de Nisa, lado norte
Cortesia da Biblioteca de Nisa

CMNisa/Biblioteca Municipal de Nisa/JDACT

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Portas de Ródão: Classificado como Monumento Natural

Portas de Ródão – vista para jusante
Cortesia wikipédia
As Portas de Ródão são uma formação geológica situada perto de Vila Velha de Ródão, resultante da intersecção do duro relevo quartzítico da Serra das Talhadas com o curso do rio Tejo. Neste local há um estreitamento do vale, obrigando a que o rio «corra» entre duas paredes escarpadas, que atingem cerca de 170 m de altura, fazendo lembrar duas «portas», uma a norte no distrito de Castelo Branco, Beira Baixa, e outra a sul no concelho de Nisa, distrito de Portalegre, Alto Alentejo.

O encaixe do rio Tejo começou por erosão remontante, há cerca de 2,6 milhões de anos, aproveitando acidentes tectónicos associados à falha do Ponsul, e decorreu em várias etapas, reflectidas em terraços fluviais e plataformas embutidas por erosão, mais visíveis na margem direita a montante das Portas.
O grande lago e as grandes profundidades imediatamente a jusante das Portas testemunham a imponência da queda de água que aqui terá existido antes de se atingir a actual fase de equilíbrio.

Cortesia de Naturtejo
No topo da «porta norte», que é facilmente acessível por estrada, situa-se o pequeno castelo do Rei Wamba. Deste local vislumbra-se um vasto panorama sobre o vale do Tejo a jusante das Portas, com o Conhal do Arneiro, na margem esquerda, e o povoado paleolítico de Vila Ruivas, na margem direita.
As Portas de Ródão são igualmente um local privilegiado de observação da avifauna, servindo de habitat à maior colónia de grifos de Portugal, assim como à cegonha-preta ou ao milhafre-real.

As «Portas do Ródão» constituem o ex-libris natural de Vila Velha de Ródão e Santana, onde o Tejo, o mais importante rio da Península Ibérica, corre entrincheirado, submisso, entre gigantes quartzíticos pré-históricos. Este lugar magnífico está classificado como Monumento Natural.
wikipédia/Revista do Município de Nisa (Abril 2010)/JDACT

quinta-feira, 29 de abril de 2010

José Fraústo Basso: O concelho de Nisa na doação da Açafa (Fins do século XII)

Cortesia A Cidade
Nº 1 (Nova Série)/Janeiro a Junho de 1988

Com a devida vénia para a revista A Cidade (Jan-Jun de 1988). Homenagem a José Fraústo Basso.
«Este artigo foi-nos confiado por Fernando Portugal, através do Dr. Brás de Oliveira, Director da Área de Espólios da Biblioteca Nacional, algumas semanas antes do falecimento do autor. A sua inserção nas páginas desta revista é, ao mesmo tempo, uma homenagem ao Dr. José Fraústo Basso, que foi um amigo e colaborador de A Cidade na sua 1." série.
José Augusto Fraústo Basso nasceu em Nisa a 22 de Agosto de 1901, e ali morreu a 7 de Setembro de 1987. Era filho de Júlìo da Graça Marques Basso e de Maria Augusta Fraústo Basso. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, exerceu advocacia na sua terra natal onde foi também notário. Ocupou diversos cargos públicos de relevo, com destaque para o de Procurador à Câmara Corporativa (1934), Presidente da câmara Municipal de Nisa (de 1932 a 1942, e novamente a partir de 1948), e Presidente do Grémio da Lavoura da mesma vila. Grande amigo das misericórdias, foi, durante 50 anos, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Nisa. Desempenhou ainda os cargos de Presidente da União Geral das Misericórdias Portuguesas e Vice-secretário da Confederação Internacional das Santas Casas da Misericórdia (Portugal e Brasil). Era Comendador da Ordem de Benemerência. Estudioso da história e da arqueologia local, trabalhou com José Leite de Vasconcelos, Rui de Azevedo, Manuel Heleno, D. Fernando de Almeida, Vera e George Leìsner, publicando alguns trabalhos sobre temática regional em diversos jornais e revistas como O Distrito de Portalegre e A Cidade». In A Revista

Ao ler o livro de Carlos Tomás Cebola «Nisa, A outra História», edições Colibri/CM de Nisa, (2005, Julho) fiquei desejoso de conhecer todo o trabalho realizado pelo Dr. Basso. Apoiado pelas conversas amenas de JCM de Alpalhão e MP (exerceu medicina em Nisa) aqui apresento a minha singela homenagem ao notável nisense. Em breve, falarei sobre o Prof. Carlos Cebola e a investigação que desenvolveu sobre a Outra História de Nisa, que considero muito relevante. Estamos a falar de cidadãos nascidos numa vila que é Mui Notável desde o tempo de D. João I.
   
Em trabalho que, sob o pseudónimo de Zé Nisorro, publicámos em Agosto de 1981, abordámos ligeiramente os problemas da fundação de Nisa e da doação da Herdade de Açafa, efectuada em 1198, segundo uns, ou em 1199 segundo outros, pelo nosso rei D. Sancho I, em favor dos Templários e em troca das igrejas de Mogadouro e de Pedras Rubras. E nesse mesmo trabalho manifestámos o desejo e o propósito de tratar, com maior e com o devido desenvolvimento, em futura oportunidade, o magno e polémico problema dos limites da referida doação da Açafa.
É isso que, volvidos mais de cinco anos, vamos agora tentar realizar, no propósito, porventura imodesto, de contribuir com o resultado do nosso estudo e das nossas investigações, para o esclarecimento e rectificação de um problema sobre o qual se têm debruçado eminentes mestres e historiadores. É que, na realidade, «não basta dizer uma coisa, nem que muitos a digam: é necessário ver os fundamentos com que escrevem», como disse Frei António Brandão na Crónica de D, Sancho I e de D. Afonso II.

Em boa verdade, vamos tentar remar contra a maré dos tempos e contra conclusões, historicamente consideradas incontroversas e irreversíveis, perfilhadas ou admitidas por gentes de muito saber. De resto, já no nosso anterior e aludido trabalho anunciámos, muito claramente, as conclusões que sobre a matéria perfilhamos e que, aliás, já são aceites por diversas entidades que, ultimamente, se têm debruçado sobre o mesmo problema. E para que, logo de início, fique bem expresso o nosso pensamento, repetiremos o que, naquele trabalho, dissemos; julgamos servir a verdade, sem deixar de admitir, evidentemente, que possamos estar errados e de, consequentemente, submeter à apreciação alheia a rectificação dos nossos pontos de vista.
Assim, em 1981., escrevemos:

«É que, segundo nos parece agora, em desacordo frontal com a hipótese que Alexandre Herculano admite e que a generalidade dos autores tem seguido, o tão falado castelo de Terrom (e não Ferron), em tais limites referido (alusão aos limites da doação da Açafa) não se situava nas cercanias da vila de Nisa, nem tampouco o mosteiro de Alpalante, a que na doação também se alude, se situava nas proximidades da actual povoação de Alpalhão, nem ainda Moha de Salor tem qualquer ligação com a ribeira de Nisa».

Não vamos aqui repetir tudo o que escrevemos em 1981,mas é certo que, para bem se compreender o assunto, convém relembrar alguns pontos essenciais já focados. E assim, recordamos o que o grande historiador Alexandre Herculano nos ensina: «Não é possível, apenas à luz dos documentos escritos, atribuir às modernas vilas do Alto Alentejo, uma origem anterior à fundação da Monarquia Portuguesa. No século XII eram contínuas, nessa região, as lutas entre cristãos e Sarracenos e eram constantes as incursões cristãs da Beira nas zonas situadas a sul do Tejo, como também o eram as penetrações dos mouros a norte desse rio. É, por isso, de concluir que, nesses tempos remotos, o Alto Alentejo se encontrava, em geral, despovoaclo e a ninguém, de facto pertencia o respectivo território».
Cortesia A Revista, 1988, nº 1 (Nova Série)/Carlos T. Cebola/José Fraústo Basso/JDACT

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Cruz Malpique: Um escritor. Um Nisense com personalidade

Cortesia LAH1954
Ex libris de Cruz Malpique
Manuel da Cruz Malpique foi um um professor de renome e um escritor português que nasceu em Nisa. A sua família era numerosa e com algumas dificuldades, considerando que vivia da agricultura de subsistência. que vivia da lavoura.
Estudou em Portalegre e posteriormente «rumou» a Lisboa onde se matriculou na Faculdade de Direito e na Faculdade de Letras. Obteve as duas licenciaturas no ano de 1928.

Cortesia de concelhodenisa
(1902-1992)
Leccionou em Faro, Angra do Heroísmo e Luanda. No ano de 1948 tomou posse do lugar de professor no Liceu Alexandre Herculano, no Porto, onde se manteve até se aposentar. De acordo com a dados reconhidos, nunca exerceu a advocacia. Escreveu numerosos livros, muitos dos quais não foram ainda publicados e encontram-se guardados na Casa Forte da Biblioteca Municipal do Porto. Ofereceu a sua biblioteca particular ao Liceu Alexandre Herculano, no qual existe uma sala com o seu nome.
Liceu Alexandre Herculano, Cortesia LAH1954 
A Câmara Municipal de Nisa atribuiu-lhe a Medalha de Ouro. Morre na cidade do Porto, aos 90 anos de idade, a Invicta que considerou como sua terra adoptiva.
Ainda muito novo, quiçá, um dos seus primeiros poemas, Manuel Alegre dedica as Rosas da Mocidade ao seu professor Cruz Malpique.
AS ROSAS DA MOCIDADE
(Coronemus nos rosis ante quam marcessant)
Ó rosas em flor da doce Mocidade,
Hoje vicejais, amanhã murchais!
Ai botões de rosa da santa idade,
Em que se vive ainda ao sabor dos pais!.

Gozemos,amigos, o feliz instante,
Destas rosas belas, a desabrochar!
Num dia futuro, não muito distante,
Vereis as florzinhas, tristes, a murchar...

Cantemos, cantemos, ao nosso esplendor!
Em taças de oiro, o furto da vida
Bebamos. A nossa alma pede amor,
Deixemo-la andar amando... perdida...

Andemos, que ela esvoaça depressa!
Ai rosas bonitas, que breves sois!
Chorarmos agora, ai, livrai-nos dessa,
Ó rosas viçosas que murchais depois!

Amigos, amigos, segui adeante,
Eu paro, que fico... que fico a chorar!
Gozai, que esta hora passa num instante,
É como uma noite de suave luar!

Vereis, depois, vir noites, noites infindas,
Que não passam nunca, que aborrecem sempre!
Olhai para estas rápidas e lindas,
Estas são assim, olhai... não duram sempre!

Ai rosas benditas, breves, talvez...
Ai rosas bonitas, que lindas que sois!
Vós brilhais um dia, mas uma só vez,
Vós brilhais um dia e murchais depois!.
Manuel Alegre Duarte (5.º ano)

A sua obra percorre campos tão diversos como a filosofia, segundo alguns o seu grande amor, a pedagogia, a análise biográfica, ou a psicologia, revelando uma elevada capacidade intelectual e um perfil de um homem humanista. Eis algumas das sua obras:
«Introdução à vida intelectual» 1934, (a sua tese de licenciatura, foi dedicada a Joaquim de Carvalho, «sábio professor da Universidade de Coimbra», a António Sérgio, com quem conviveu , «à sua inteligência clara e carácter íntegro» e a Carlos Moreira da Costa Pinto, o seu benfeitor;  «O Homem, centro do mundo» 1936; «Como se faz um escritor» 1939; «O homem de ciência» 1940; «Arte de conversar»1950»; «Psicopedagogia da Curiosidade» 1952; «Leonardo da Vinci, operário de inteligência» 1952; «O homem, glória e refugo do Universo» 1953; «Filosofia do Plágio» 1955; «Pão para a boca do homem» 1957; «Chávenas de café quase amargo» 1957; «Psicologia literária do homem do Porto» 1958; «Cervantes, cidadão do mundo»1964; «Perspectivas, dificuldades e heresias da Filosofia» 1965; «Sebastião da Gama, poeta de primeira água» 1965; ... «José Régio, alguns aspectos da sua biografia interior» 1971; ... «Perfil humanístico de Abel Salazar» 1977.
Que personalidade brilhante! Que mente prodigiosa! Que escritor notável de uma vila que também é Notável! Porque estará tão esquecido?
Um Nisense com personalidade.
Jornal de Nisa/concelhodenisa/António Viriato/LAH1954/JDACT