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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Quatro escritores de prosa doutrinal religiosa. AJ Saraiva e Óscar Lopes. «... Quando cansarão meus males e fadigas, minhas enjúrias e ofensas, minhas saudades e misérias, as feridas n’alma e minhas magoas, as bem-aventuranças longas e tão cansadas?»

Cortesia de wikipedia e jdact

«Consideraremos à parte da prosa de ficção um conjunto de obras que, embora contenham elementos ficcionistas, tais como a alegoria, o diálogo e a descrição de visões, se caracteriza todavia pelo predomínio dos motivos religiosos. Não pode falar-se, na literatura portuguesa, de uma literatura propriamente mística, entendendo-se como tal aquela que exprime, por meios estilísticos tendentes à sugestão emocional, uma experiência imaginada ou experimentada de contacto directo com a divindade. Nada na literatura portuguesa se pode comparar às Moradas de St., Teresa de Ávila ou às obras de S. João da Cruz. Não parecem numerosas as obras que é usual classificar como ascéticas, isto é, as que se ocupam dos preceitos que levam à perfeição espiritual e preparam para o gozo da união com Deus (género que tem a sua melhor expressão na Imitação de Cristo). Deve todavia ressalvar-se que os textos de devoção não têm sido sistematicamente explorados pelos historiadores da literatura. O grande êxito que tiveram as obras de Frei Luís de Granada, autor de língua castelhana, mas que viveu e editou em Portugal, é significativo da existência de um público numeroso para este género de obras. Entre as poucas obras de inspiração religiosa que seguidamente vamos examinar, inclui-se uma de cunho hebraico e publicada em Itália. Embora adoptando a ficção pastoril, a sua inspiração é fundamentalmente bíblica, e o seu tema nada tem que ver com o bucolismo, excepto a descrição idealizada de um lugar ameno campestre.

Samuel Usque
A Consolação às Tribulações de Israel (Ferrara, 1553), do judeu português emigrado em Itália Samuel Usque, é constituída por três diálogos entre pastores (Icabo, Numeu e Zicareu, anagramas de nomes judaicos) e tem como propósito rememorar as perseguições sofridas pelo povo bíblico e recordar-lhe as divinas promessas de resgate. Parece à primeira vista estarmos simplesmente em presença de um livro de forma bucólica e de fundo religioso: tudo são reflexões e queixumes acerca das matanças, das escravizações, vexames, padecimentos sofridos pelos israelitas, em constante paráfrase de textos bíblicos e históricos, ou sobre recordações familiares, mitigando-se o sofrimento com a consolação das profecias e dos mistérios cabalísticos (a transmigração das almas, os poderes ocultos). No entanto, o pastoralismo de Usque vai talvez mais fundo do que o dos outros bucólicos portugueses, dado que a Bíblia, em que as suas alegorias se apoiam constantemente, elabora a história e as crenças de um novo nómada, ao passo que o bucolismo de Teócrito e Virgílio é muito mais evoluído em relação às raízes do género. A imaginação literária, o estilo de Usque constituem talvez por isso um caso único na nossa literatura quinhentista, se descartarmos um certo parentesco com a obra em prosa de Bernardim.
Depara-se-nos em Samuel Usque o estilo bíblico, em que o liame lógico é indirectamente dado por alegorias e metáforas simples (ao nível suposto de uma cultura de pastores), com repetições insistentes, com descrições pitorescas de circunstâncias que, logicamente, nada fazem ao caso, mas inculcam uma representação imaginosa das ideias. Este processo é sobretudo sensível no 1.° diálogo, Diálogo pastoril sobre as cousas da Sagrada Escritura, o mais abundante em descritivo campestre, traçando um quadro paradisíaco anterior às atribulações israelitas. Icabo (anagrama de Jacob), que no simbolismo bíblico se confunde corporeamente com o próprio povo judaico (também representado, aliás, pelas suas ovelhas), não entra na matéria histórica dos seus lamentos sem primeiro nos dar todo o lento desenrolar de um dia de pascigo, parece que hora a hora, rês a rês, numa contemplação logicamente preguiçosa que mal suporta substantivo sem adjectivação pitoresca, verbo sem adverbiação esmiuçadora, em longos períodos enumerativos que, ainda assim, não dispensam um espraiamento parentético de longe a longe. Sannazzaro não deixou de concorrer para este pastoralismo, pois certas paráfrases suas já foram reconhecidas pelos eruditos. Mas, mais do que a écloga, domina a inspiração do autor o versículo imaginoso e ritmado dos cânticos das Escrituras, o que ainda mais se evidencia se desse trecho descritivo passarmos às lamentações. Aí parece até que a exigência de melopeia, o tom agridoce dos lamentos e interrogações, ritmo de balanceamento ou intensificação gradativa preexistem à própria significação das frases e a comandam:

... Quando cansarão meus males e fadigas, minhas enjúrias e ofensas, minhas saudades e misérias, as feridas n’alma e minhas magoas, as bem-aventuranças longas e tão cansadas? E quando terá paz tanta guerra contra o fraco sujeito, temor, suspeita, receios de minhas entranhas? Té quando gemerei, suspirarei, matarei a sede coas lágrimas de meus olhos?

In António José Saraiva e Óscar Lopes, Quatro escritores de prosa doutrinal religiosa, História e Antologia da Literatura Portuguesa, Século XVI, nº 25, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, ISSN 1645-5169.

Cortesia de FCG/HALP/JDACT

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Padre António Vieira: Sermões. Parte I. «A prisão de Vieira pela Inquisição está ligada à sua mensagem política, à sua crítica social e aos seus escritos a favor dos cristãos-novos. No seu Processo é acusado de judaísmo, sacrilégio, blasfêmia e ainda de ter defendido proposições impregnadas de erros judaicos»

Cortesia de aarcadoscontos
Parafraseando as palavras de Eça de Queiroz, em 1897, onde afirmou que  António Vieira, além de ter sido também grande político, grande escritor, missionário, grande colonizador, envolvido nos maiores negócios, trabalhando pelas maiores ideias da sua época, era um grande orador, cujos sermões arrebatavam tanto a gente inculta do Brasil como encantavam em Roma o sábio e requintado mundo dos prelados romanos, tendo-se a sua fama estendido por toda a Europa.
Segundo António Sérgio: «Se considerarmos o contexto da história política de Portugal na época da Restauração, compreenderemos as razões pelas quais as atitudes e a influência de Vieira na corte de D. João IV inquietaram os ministros do Santo Ofício, que perceberam, desde logo, o potencial inimigo que se escondia na personalidade do jesuíta. A prisão de Vieira pela Inquisição está ligada à sua mensagem política, à sua crítica social e aos seus escritos a favor dos cristãos-novos. No seu Processo é acusado de judaísmo, sacrilégio, blasfêmia e ainda de Ter defendido proposições impregnadas de erros judaicos. Vieira retratou-se. Mas, mesmo depois de absolvido, não abandonou as suas idéias milenaristas nem a defesa da causa dos judeus. Os Inquisidores mantiveram-se atentos, seguindo-lhe cuidadosamente os passos, quando em 1669 partiu para Roma. Vieira levava então um projecto corajoso: desmascarar a poderosa instituição da Igreja: o Santo Ofício».
Vieira enfatizou nos seus textos aqueles pontos que lhe pareciam aberrações da sociedade portuguesa, pelas quais responsabilizava em grande parte a Inquisição: o racismo, o confisco, o ódio incrustado na alma do povo, doutrinado com os sermões dos autos-de-fé. No que diz respeito ao Processo, acusou principalmente o «anonimato» das denúncias, e a ignorância do crime pelo réu. Encontrando-se em Roma e buscando o apoio do Papa, jogou com a sua argúcia, afirmando e mostrando ao Sumo Pontífice que só teoricamente o Tribunal estava submetido à Santa Sé. Desmascarou a falta de protecção legal e de garantias dos prisioneiros, atirados num labirinto, onde tateavam às escuras, sem esperanças e sem retorno. (A «reconciliação» com a Igreja significava para os cristãos-novos «Cárcere e Hábito penitencial perpétuo»).

Cortesia de escritaesociedade
A primeira grande reação moderna a essa deformação imposta ao génio do desabusado e intrépido missionário devemo-la a Otto Maria Carpeaux quando, em 1943, num trecho de Origens e Fins, rebelou-se contra a exclusiva valorização retórica. Movido pelo seu belo inconformismo humanístico, em 1949, em Aspectos ideológicos do padre Vieira, página de importância fundamental na bibliografia crítica da literatura brasileira tanto pela sua densa riqueza de sugestões quanto pela importância de suas indicações, Otto Maria Carpeaux reabria o caminho da revalorização de Vieira. Antônio Sérgio, Antônio José Saraiva, Hernani Cidade e Oscar Lopes, em Portugal; Mary Gootas, nos Estados Unidos; Sérgio Buarque de Holanda, Eugênio Gomes, Afrânio Coutinho e Jamil Almansur Haddad acrescentaram ao estudo de Vieira novas perspectivas, partindo todos da incorporação do conceito do Barroco à crítica vieirista.

Ampliaram-se horizontes. A pesquisa de estilo chegava a altos níveis. Mas o problema Vieira, a problemática cultural que o bravio padre encarnava, ainda continuava inesgotada. Levantava-se o painel histórico em que o sermonista se movimentou, Portugal da Inquisição, América da Colonização, mas Vieira continuava sendo estudado apenas externamente. O contexto cultural dos Seiscentos era moldura, não um conduto. Não penetravam os analistas, prisioneiros da pesquisa formal, na intimidade das forças que a Vieira moveram. Registravam ondulações, vibrações, as curvas do movimento, mas não captavam os imponderáveis de sua lei dialética.
(Padre António Vieira_Sermão 1)
Cortesia Reocities/Biblioteca Nacional de Portugal/guesaerrante/FCGulbenkian/JDACT

terça-feira, 4 de maio de 2010

Joel Serrão: Um grande Mestre. Um pioneiro da História Contemporânea

(1919-2008)
Cortesia de embaixada-portugal-brasil
Joel Justino Baptista Serrão foi um historiador português. Foi professor no Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e dirigiu o Centro de Estudos de História do Atlântico (Madeira).
Foi membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian.

Entre as obras publicadas encontram-se:
  •  monografias históricas de cunho económico ou sócio-cultural;
  • edições críticas e temas literários;
  • estudos de personalidades da cultura como Cesário Verde e Sampaio Bruno;
  • António Nobre e Fernando Pessoa;
  • Antero de Quental, Vieira de Almeida e António Sérgio.
Joel Serrão nasceu no Funchal e foi figura incontornável da historiografia portuguesa. Joel Serrão dedicou muitos anos da sua vida à investigação e à escrita. Publicou dezenas de obras, como o «Dicionário de História de Portugal», editado pela Figueirinhas, cuja primeira edição data dos anos 60 e ainda hoje é fonte de consulta obrigatória. Foi pioneiro no estudo da História do século XIX em Portugal.
Joel Serrão, é unânime a opinião, foi um dos investigadores que mais contribuiu para uma nova visão da história moderna portuguesa.
Segundo Nelson Veríssimo «a obra de Joel Serrão é notável, tendo introduzido em Portugal uma nova forma de pensar a História, a Sociologia e a História da Cultura e das Mentalidades». Foi um abrir de novos rumos para o  horizonte onde se focavam outros domínios. 

O Dicionário de História de Portugal, coordenado por Joel Serrão
Cortesia de Wikipédia
De entre as suas obras, destaco a mais emblemáticas:
  • Dicionário da História de Portugal, publicado ao longo de dez anos;
  • Nova História de Portugal (ainda por completar);
  • Nova História da Expansão Portuguesa, ambos dirigidos em parceria com A. H. de Oliveira Marques; 
  • Cartas de Fernando Pessoa a Armando Côrtes-Rodrigues (1945);
  • Cesário Verde Interpretação, Poesias Dispersas e Cartas (1957);
  • Da Situação da Mulher Portuguesa no Século XIX (1987);
  • Testemunhos sobre a Emigração Portuguesa (1976).
Esta figura ímpar da História de Portugal morre aos 88 anos de idade.
História de Portugal/cafehistoria/wikipédia/JDACT

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Bernardim Ribeiro: Vozes e disfarces de «Menina e Moça». Parte II


Uma das inovações mais atractivas de «Menina e Moça» de Bernardim Ribeiro é o uso de uma, ou mais, narradora feminina. Essa inovação rompe com a tradição das narrativas em voz masculina estabelecidas desde a primeira novela sentimental escrita em castelhano, Siervo libre de amor, de Juan Rodriguez del Padron, embora pelo menos duas das obras que influenciaram o desenvolvimento do género sentimental na Península Ibérica (de Boccaccio e de Ovídio) sejam já narrativas em voz de mulheres.
Naturalmente, há antecedentes peninsulares: na lírica medieval, tnto as cantigas de amigo, que se tornaram populares no século XV, género, que segundo Helder Ribeiro era sensível em Bernardim.
As vozes de mulheres que dominam a narrativa não constituem uma categoria estável e Menina e Moça. Deste modo, Bernardim mostra-se consciente das limitações convencionais, isto é, de género, desse procedimento e tematiza-as no curso da narrativa.
A Menina, que dá o título à narrativa, está sozinha junto a um rio, observando como um rochedo no meio da corrente interrompe o fluxo do rio, separando as águas. O mesmo episódio do Rouxinol (em português é um substantivo do género masculino) é depois repetido enquanto acontecimento narrado a uma outra outra personagem. Esta, é uma mulher mais velha, a Dona do tempo Antigo, que vem ter com a Menina pouco depois do acontecido, e é dessa dupla narrativa que o texto se ocupa a seguir.
Descobrimos que existe uma dualidade no uso do género gramatical, e por isso na marca do sexo: a passagem começa com o Rouxinol, marcado como masculino, e logo depois muda para o feminino, com a substituição de «rouxinol»  por «avezinha» um substantivo feminino e também um diminuitivo.
Enquanto que o rouxinol masculino revela uma sensibilidade no feminino, a voz feminina reinscreve mais do que uma voz masculina, a mais importante das quais é a de Avalor.
In Isabel de Sena, Journal of Institute of Romance Studies (3) 1994-95.
O amor e as tristezas não se deixam explicar. A Menina não conhece a causa da sua levada, a fadiga de Aónia e de Bimarder aparece-lhes injustificada no momento em que se dão um ao outro e vão morrer. O amor não traz consigo um princípio de razão, mas tão-só infindos e múltiplos desvairos. Viver pelo amor é o único sentido da vida, como as mulheres o sabem.
Nesta ontologia negativa reside o enigma da Menina e Moça. O amor permanece um enigma que ninguém pode desvelar. A Menina e Moça são várias maneiras de o dizer. Os arvoredos espessos, as sombras, as aparições misteriosas, o mar sem limites (na história de Avalor) repetem o retiro do amor.
As coisas sofrem, a mágoa da rola a quem o caçador mata o companheiro e cujos filhos morrem imediatamente não é menor qua a da criatura humana (é o mistério desta ave). É para guardarem o amor que as mulheres desejam ouvir tristezas e por isso também já entre os homens todos os caminhos vão dar a contos de mulheres porque também os homens são apanhados pelo amor.
A frase-chave da Menina e Moça, enunciando o enigma, é e será:

Trazem-nos os nossos fados com não sei que antolhos, que temos as coisas diante e não nas vemos.

É o que ilustra a história do Cavaleiro da Ponte, morto por amor oito dias antes de expirar o prazo de três anos de espera e de esforço que por amor havia aceite.
In Fernando Gil e Helder Macedo, Viagens do Olhar: Retrospecção, Visão e Profecia no Renascimento Português.

Esfera do Caos: O ambiente, uma questão de ética

O Desafio Global (ver o desenvolvimento na parte final do texto), como enfrentar as alterações climáticas criando uma nova era de progresso e prosperidade, de Nicholas Stern, foi o título escolhido para abrir esta colecção da editora Esfera do Caos. O livro actualiza e torna acessíveis ao leitor comum as teses e as conclusões do Relatório Stern, que estabeleceu os alicerces da teoria económica sobre as alterações climáticas.

Desenvolvimento sustentável. Desenvolvimento limpo. Continuar a crescer sem extinguir as bases da sobrevivência humana no planeta e sem reti­rar aos países mais pobres a possibilidade de terem uma vida melhor, tanto mais que pouco contribuíram para a crise ambiental global. Esta parece ser uma ideia bastante promissora! Mas até que ponto é que o «Desenvolvimento Limpo» - mecanismo do Protocolo de Quioto que pretende favorecer os menos desenvolvidos e os poluidores ao mesmo tempo - faz realmente o que apregoa? Faz crescer os mercados, ajuda os mais pobres e salva o planeta, em simultâneo?
Focado no caso português e na sua estratégia de cooperação internacional, dando destaque à coo­peração com os PALOP, este livro surge no rescaldo da Cimeira de Copenhaga e ajuda a reflectir sobre o que devemos mudar para reciclar Quioto, a começar pelo «Desenvol­vimento Limpo».


Através da análise dos textos de Aquilino Ribeiro, esta obra visa aprofundar a ligação entre a paisagem e a sua representação literária, e avaliar os conteú­dos que testemunham a ocupação do terri­tório, a diversidade bioló­gica e a relação do Homem com a Natureza. Transpostas para o território, as paisagens lite­rárias podem potenciar a preservação da diversi­dade, coerên­cia e identidade.
A paisagem é uma realidade complexa e dinâmica que resulta das diferentes características do espaço biofísico, da evolução natural dos sistemas ecológicos e das alterações que o Homem lhe introdu­ziu ao longo da História. A combinação destes factores gera a sua diversidade. A pai­sagem, que se apresenta como um mosaico de usos do solo, é também um mosaico de ideias, objec­tivos, práticas e vivências de quoti­dianos anteriores, assimilados na cultura local. Entre as serras da Nave e da Lapa, num território designado Terras do Demo por Aquilino Ribeiro, encontramos um itinerário de reflexão sobre a paisagem local, em que a obra do mestre é charneira e catalisador.
Através da sua paisagem literária chegam-nos memórias de dife­rentes épocas e de diferentes histórias de vida que parece indispensável conhe­cer, compreender e considerar para o ordena­mento do territó­rio. Este livro mostra-nos como a Literatura pode ser uma fonte de informação sobre as paisagens do passado e um elemento a ter em conta na protecção e valorização da paisagem actual.
 
 
A aldeia global em que vivemos oferece-nos, quase todos os dias, o espectáculo trágico de um imparável cortejo de múltiplas catástrofes. Ainda assim, a desflorestação prossegue, a ero­são dos solos aumenta, o ar e as águas apresen­tam níveis de poluição crescentes, a biodiversi­dade diminui dia após dia, o número de espé­cies extintas ou em vias de extinção engrossa dramaticamente, as alterações climá­ticas indu­zidas pela pressão antropogénica colocam em risco a vida na Terra.
Os jornais e a televisão dizem-nos que enquanto milhões de pessoas morrem à fome todos os anos, no lado rico do planeta biliões de animais são mortos em cada dia, para serem transfor­mados em peles, adornos, medicamentos, cobaias. E que grandes extensões de florestas virgens são destruídas diariamente para construir estradas, vias-férreas, complexos industriais e obter matérias primas. O que se passa em redor é claramente errado e imoral. Por isso, o nada fazer não será também pouco moral?
O que este livro procura mostrar é que a crise ecológica é, em essência, uma crise de valores que afecta o modo com o Homem se relaciona com o seu mundo natural. Neste sentido, defende-se que a crise ambiental é também, por isso, a crise do humano, procurando mostrar que o respeito e a consideração por essa terra que dá a vida, é condição fundamental para o respeito e para o equilíbrio do ser humano consigo mesmo. A ameaça global interpela-nos para a urgência de repensar a nossa relação com o mundo natural e de recolocar noutros termos o pensar e o agir, de acordo com os valores do respeito, sabedoria, prudência e responsabilidade. Como enfrentar as Alterações Climáticas criando uma nova Era de Progresso e Prosperidade.

O Relatório Stern estabeleceu os alicerces da teoria económica sobre as alterações climáticas. Este livro explica o que deve ser feito para que a maior das ameaças seja afinal uma oportunidade.
Graças ao monumental trabalho de Sir Nicholas Stern, as alterações climáticas entraram na agenda dos mais importantes decisores económicos e políticos do planeta. O livro actualiza e torna acessíveis ao leitor comum as teses e as conclusões do Relatório Stern.
É ainda possível transformar esta gigantesca ameaça - o aquecimento global e as alterações climáticas - numa oportunidade ímpar: corrigindo falhas de mercado, definindo novas políticas públicas, ultrapassando a crise económica e financeira em que estamos mergulhados, combatendo a pobreza e abrindo um novo caminho para o desenvolvimento e para a prosperidade.
Cortesia: 
Esfera do Caos Editores/FCG/Programa Gulbenkian Ambiente/JDACT

Global Footprint Network: Calcule a sua pegada ecológica



A Global Footprint Network, vencedora do Prémio Internacional Calouste Gulbenkian, desenvolveu o conceito de pegada ecológica, um indicador que serve de base para a análise de impacto do consumo nos recursos naturais, calculando o saldo ecológico negativo que se tem vindo a acumular ano após ano e que compromete a capacidade de sobrevivência da Humanidade e a manutenção da vida no planeta.
A pegada ecológica permite calcular qual é a área necessária para produzir tudo aquilo que consumimos, revelando os limites ecológicos da Terra.

A Calculadora da Global Footprint Network, versão em português, da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, pode ser encontrada no sítio:
http://www.esb.ucp.pt/gea/myfiles/pegada/questionario.pdf
Global Footprint Network/FCG/JDACT

Gulbenkian: Pensar Verde no local de trabalho

Dia 16/04/2010, 09h00, Aud. 2
Entrada livre

«Pensar Verde no Local de Trabalho», uma conferência sobre boas práticas ambientais no meio laboral. Marcado para o dia 16 de Abril, o evento terá lugar no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, que apoia a iniciativa. A ideia é que possamos partilhar sucessos e falhanços e, juntos, encontrar o melhor rumo a seguir.
Caso tenha interesse e disponibilidade para participar na conferência, queira ter a gentileza de confirmar a sua participação até ao dia 12 de Abril para  o contacto: opalisbon@state.gov.
(Programa)
FCGulbenkian/JDACT

quarta-feira, 24 de março de 2010

Fundação Cidade de Ammaia: Vencedora do Prémio Vasco Vilalva 2009


O projecto Recuperação e valorização das ruínas romanas da Cidade de Ammaia, um monumento nacional esquecido, promovido pela Fundação Cidade de Ammaia, é o vencedor do Prémio Vasco Vilalva para a recuperação e valorização do património de 2009. Das nove candidaturas apresentadas, o Júri premiou este projecto por unanimidade, destacando «a grande relevância histórica, patrimonial e técnico-científica do projecto de recuperação e valorização de um sítio arqueológico ímpar no panorama nacional».
O Prémio Vasco Vilalva, no valor de 50 mil euros, atribuído anualmente pela Fundação Calouste Gulbenkian para distinguir acções meritórias na área da defesa do património, foi entregue no pp dia 9 de Março no Auditório do Parque Natural da Serra de São Mamede – Quinta dos Olhos d’Água, em Marvão.

A Cidade Romana de Ammaia terá sido fundada em finais do séc. I a.C. e terá sobrevivido enquanto unidade urbana durante seis séculos. Situadas a curta distância da vila de Marvão, estas ruínas formam um dos exemplares mais significativos da civilização romana no Norte Alentejano. Com o intuito de as salvaguardar, foi constituída legalmente em 1997 a Fundação Cidade de Ammaia, proprietária dos terrenos onde se localiza grande parte da área que as ruínas ocupam. A coordenação científica dos trabalhos arqueológicos tem estado desde então a cargo da Universidade de Évora, e como resultado dessa intervenção é hoje possível observar nas ruínas de Ammaia um importante conjunto monumental que inclui o Forum, principal centro da vida política, económica, social e religiosa da região, bem como um complexo termal com diversas estruturas associadas.
No sítio arqueológico foi instituído o Museu Monográfico da Cidade de Ammaia, que apresenta duas exposições com materiais recolhidos ao longo do tempo na cidade. Paralelamente aos trabalhos de escavação e de musealização, a Fundação procedeu também, com o apoio do Museu Nacional de Arqueologia, à implantação de um Laboratório de Conservação e Restauro, equipado com a mais recente tecnologia e que faz com que esta estrutura seja uma das mais bem fornecidas actualmente no nosso país. Este laboratório permitirá efectuar a conservação de praticamente todos os achados da Ammaia e estar aberto a outras entidades, mesmo para o desenvolvimento de trabalhos ligados à formação.
A Fundação Cidade de Ammaia tem tido uma intervenção sobretudo de âmbito local e regional, mas também a nível nacional e internacional, através do estabelecimento de diversas parcerias com instituições públicas e de ensino. No futuro, a Fundação pretende ainda implementar uma rede ligada ao património arqueológico, demonstrando o papel que a cidade de Ammaia teve na época romana, permitindo estabelecer uma visão territorial que abarca grande parte do território do Norte Alentejano.
MLCT/JDACT/Fundação Calouste Gulbenkian

quinta-feira, 18 de março de 2010

Charles Darwin: Um convite a uma visita virtual

(1809-1882) tela de G. Richmond
Charles Darwin foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propôr uma teoria para explicar como ela se dá por meio da selecção natural e sexual. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres.
A sua viagem de cinco anos a bordo do brigue HMS Beagle e escritos posteriores trouxeram-lhe reconhecimento como geólogo e fama como escritor. As suas observações da natureza levaram-no ao estudo da diversificação das espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Selecção Natural.
No seu livro «A Origem das Espécies» (do original inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), ele introduziu a ideia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de selecção natural.


 A viagem a bordo do brigue HMS Beagle durou quatro anos e nove meses, dois terços dos quais Darwin esteve em terra firme. Ele estudou uma enorme variedade de características geológicas, fósseis, organismos vivos e conheceu muitas pessoas, entre nativos e colonos. Darwin fez uma colecção de inúmeras espécimes, muitos dos quais novos para a ciência. Isto estabeleceu a sua reputação como um naturalista e fez dele um dos precursores do campo da Ecologia. As anotações detalhadas mostraram o dom para a teorização e formaram a base para os seus trabalhos posteriores.
A Fundação Calouste Gulbenkian elaborou  uma exposição, no ano de 2009, a que deu o nome de «A evolução de Darwin». É um convite a uma visita virtual.
http://www.gulbenkian.pt/section119artId1632.html