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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Fábula. O Ms 440 da BGUC. Carlos Zuzarte Rôlo. «Esta interessante disposição e outros elementos indicam ser possível haver em 1593, no Mosteiro de S. Paulo, capacidade técnica para execução de tão belo documento para além de saber associado a uma biblioteca bem recheada de obras de referência»

jdact

«Logo de início num poema, dedicado a S. Paulo o nosso primeiro ermitão, é descrita a forma de vida, de vestir e hábitos do santo. A figura que pretende ser a da lua é simultaneamente a representação de um rosto que poderá ser de S. Paulo. Quase no fim do manuscrito aparece uma figura de S. Paulo, de joelhos, orando e cingido por um cinto verde que corresponde à descrição feita no poema.
A referência a S. Paulo feita de forma tão conspícua deve-se ao facto de o manuscrito ter saído, muito provavelmente, das mãos de um monge ou de monges do Mosteiro dos Eremitas de S. Paulo da Serra de Ossa, local onde foi escrito.
Várias vezes ao longo do texto, não totalmente interpretado, vem referido o Mosteiro. No Capítulo Regra para saber tirar o horizonte do astrolábio o Mosteiro é citado nestes termos:
  • ... Estando na serra de Ossa no mosteiro de S. Paulo primeiro ermitão, onde este foi fabricado, o qual tem 38 graus de altura do pólo...
O Mosteiro é muito antigo, é referida a sua fundação no século II. Com a invasão sarracena foi extinto. A reconquista trouxe com Fernão Annes, cavaleiro de Afonso Henriques, a fundação de novos mosteiros dos chamados Pobres da Pobre Vida ou Pobres de Jesus Crucificado nomes usados até 1578, altura em que uma bula aprova para os filhos da angélica vida do Grande S. Paulo Thebeo, Mestre, autor e original puríssimo de todos os eremitas a Ordem de São Paulo Eremita.

Impresso em Lisboa por Pedro Craesbeeck, em 1617, reedição de um outro de 1594 o Livro da Regra de Sancto Agostinho e das Constituições perpétuas dos religiosos pobres hermitãos da serra Dossa da Ordem de Sam Paulo primeiro hermitam, livro dispõe no Cap. IV:
  • “Como na religião não haja outro tesouro mais precioso que os livros aptos para estudo ordenamos que nenhum Reitor, ainda que todo o convento consinta, dê, venda, aliene ou empenhe algum livro ou livros da livraria comum”.
Esta interessante disposição e outros elementos indicam ser possível haver em 1593, no Mosteiro de S. Paulo, capacidade técnica para execução de tão belo documento para além de saber associado a uma biblioteca bem recheada de obras de referência e recentes que permitiram ao autor(es) escrever este manuscrito. Embora não sejam feitas quaisquer referências é evidente o recurso a outras obras ou às mesmas fontes que os autores destas tiveram, uma vez que alguns textos e imagens foram integralmente copiados. O Breve compendio de La Esfera y de la arte de navegar con nuevos instrumentos y reglas ejemplificados con las más sutiles demostraciones editado em Sevilha em 1551 e escrito por Martín Cortés (1510-1582), espanhol, é uma das obras de que o autor de Lembranças, que nunca cita fontes, se socorre com alguma frequência, copiando textos inteiros e gravuras. Martín Cortés no final da sua obra escreve:
  • Los nombres de los autores y autoridades qse alegã en esta obra son los sigientes. Referindo, do Antigo Testamento - 11; do Novo Testamento - 6; Doutores santos - 14; Doutores teológicos - 16; Diversos autores – 109; Entre os autores citados está Pedro Apiano, o autor do Astronomicum Caesareum.
Quanto à data tudo leva a crer estar certa a declarada no título, 1593, os gráficos e tabelas inseridas confirmam esta possibilidade. À primeira vista o observador deste manuscrito fica maravilhado, eu fiquei, com a beleza do mesmo. Acredito que uma obra destas tem de ser observada de vários pontos de vista e um deles é a sua componente estética. A grafia, típica da época, é facilmente legível. Parte do texto e legenda de algumas gravuras está em latim. Muito do texto contém símbolos gráficos usados em astrologia para referir os astros e suas posições relativas. Os assuntos foram estruturados pelo índice, embora aqui e ali haja saltos e não seja facilmente perceptível a ordem e lógica dos mesmos». In Carlos Zuzarte Rôlo, Fábula, O Ms 440, revista Plátano, Revista de Arte e Crítica de Portalegre, nº 4, 2008, Fórmula Gráfica.

continua
Cortesia de Plátano/JDACT

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Fábula. O Ms 440. Carlos Zuzarte Rôlo. «Algumas imagens aqui inseridas poderão dar ideia da beleza deste manuscrito que me parece estruturado mais como um almanaque do que como qualquer outro tipo de livro, não podendo deixar de se pôr a hipótese de se tratar de um exemplar destinado a ser impresso»



Cortesia de plátano e jdact

«Nas minhas andanças pelas bibliotecas deste país tenho vindo a tirar do pó e esquecimento alguns documentos, não que seja perito nem publicista, sou antes um curioso, apaixonado, por linhas escritas à mão. Um dia em Coimbra, na Secção de Manuscritos da Biblioteca Geral da Universidade, procurava cotejar dois manuscritos. Um da BGUC e outro da Biblioteca Pública de Évora, escritos no século XVII com o mesmo título e do mesmo autor, um engenhoso Pe. jesuíta que veio para Portugal dar aulas e missionar, o Pe Cristóvão Borri (Milão 1583 - Roma 1632) que entre outras teve a ideia de atar um quadrante náutico à ponta de um mosquete para melhor determinar a altura dos astros, "atirando-lhes". Quem andou no mar e navegou observando os astros, sabe bem o quanto de prático esta ideia encerra. Também quis que as naus embarcassem enormes ampulhetas, que desenhou, cheias com uma areia "secreta", para que pudessem "levar a hora". Adiante... Encontrando-me na sala dos manuscritos pedi o manuscrito e comecei a verificar diferenças. Depois... tive sorte.

De repente, (o fulano de tal) pessoa afável e conhecedora dos fundos da Biblioteca, encarregado da digitalização de documentos, apareceu ao meu lado com um manuscrito, perguntando-me se não me apetecia dar-lhe uma vista de olhos. Ao abrir o encadernado fiquei estupefacto com a beleza. Muitas páginas totalmente coloridas contendo gráfìcos, tabelas e figuras com partes móveis (alidades) sucederam-se perante os meus olhos. Entusiasmado telefonei (…), dizendo-lhe que tinha encontrado uma Fábula, nome com que baptizei o Ms. 440 da BGUC, tratando-o assim desde essa altura.
Na mesma ocasião comuniquei a José Malhão Pereira, amigo e mestre, que se mostrou muito interessado e logo acordamos pagar "a meias" a digitalização do documento, que foi primorosamente executada. Este manuscrito não é um ilustre desconhecido, o Prof. Luís Albuquergue e o Doutor Luís Nunes Carolino, decerto entre outros, citaram-no.
O catálogo dos manuscritos: códices 251 a 555. Coimbra: BGUC, 1945, n" 440, reserva-lhe a seguinte descrição:
  • Volume brochado em pergaminho flexível, [III, 140] em branco e 2 de guarda, tem por título completo “Livro das lembra(n)cãs dos planetas repartido em quatro / tratados: o prim(ei)ro trata da [Lua] o 2º do [sol] / o 3º dos 5 planetas o 4 trata de cousas diffe/rentes e curiosas – algu(m)as vam em latim e outras em / Roma(a)ce pêra que que(m) o não souber posa gosar das que / achar em Romance - e tudo sub Censura Sanctae / Matris Ecclesiae feíto este anno de 1593 ad laude(m) dei.
Profusamente ilustrado a cores, com desenhos e tabelas, diversas das suas imagens têm componentes quínéticas, complexas nalguns casos, algumas já incompletas. Acrescenta-se que a BGUC declara não ter ideia da proveniência do manuscrito mas acredita tratar-se de original.
Algumas imagens aqui inseridas poderão dar ideia da beleza deste manuscrito que me parece estruturado mais como um almanaque do que como qualquer outro tipo de livro, não podendo deixar de se pôr a hipótese de se tratar de um exemplar destinado a ser impresso.
A frase – “e tudo sub Censura Sanctae Matris Ecclesiae”, contida no título, o picotado das páginas para que se reproduzissem por igual, a normalização das figuras e escritos a marca de água existente e o tipo de papel tudo indicia a intenção de vir a ser feita uma obra impressa na linha do magnífico “Astronomicum Caesareum”, um dos livros que fez história, quer como obra gráfica quer como científica. O “Astronomícum Caesareum” uma astronomia de Ptolomeu reescrista e impressa por Petrus Apianus (Pedro Apiano] em Ingolstadt, colorido à mão e com figuras com alidades foi oferecido a Carlos V em 1540.
O MS 440 inicia-se por uma página com título e índice, este incompleto, em português (romance e em latim) onde estão referidas as gravuras e as páginas de texto». In Carlos Zuzarte Rôlo, Fábula, O Ms 440, revista Plátano, Revista de Arte e Crítica de Portalegre, nº 4, 2008, Fórmula Gráfica.

Continua
Cortesia de Plátano/JDACT

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Noite Europeia dos Investigadores. «A NEI 2011, à semelhança de anos anteriores, assume-se como intermediário entre a comunidade científica e o público. Dirija-se ao espaço aderente mais perto de si e venha falar com investigadores, conhecer o seu trabalho, vida, anseios e paixões»

Cortesia de fcg

Noite dos investigadores, amanhã, Sexta-feira, dia 23 de Setembro às 18h30.
Pavilhão do Conhecimento, Centros Ciência Viva do país, Praça da Reitoria da Universidade do  Porto

O que é?
A Noite Europeia dos Investigadores (NEI) permite a cientistas e público geral conviverem num ambiente descontraído. A troca de ideias e experiências que a NEI proporciona pretende contribuir para a construção de uma imagem mais saudável dos investigadores junto do público e demonstrar que, afinal, a ciência não é tão complicada quanto se julga.
A primeira edição da NEI data de 2005. A Comissão Europeia, no âmbito do 7º Programa-Quadro para a Investigação e Desenvolvimento, promove e financia esta iniciativa que ocorre no mesmo dia em diversos países europeus e Israel. Através da realização de actividades que constituem uma boa alternativa ao típico programa de noite de sexta-feira, procura-se criar um ambiente propício à interacção entre a comunidade científica e o público, sejam jovens com interesse em seguir uma carreira na área, crianças e adultos curiosos, professores que procuram dinamizar as suas aulas, ou qualquer outra pessoa em busca de uma noite diferente. Se nunca participou na NEI, 2011 é a oportunidade perfeita para explorar o seu lado racional e conhecer um pouco melhor os cientistas que trabalham para melhorar a sua qualidade de vida.

Para usufruir das actividades que temos preparadas para si não é necessário que o seu sonho de criança fosse ser um Niels Bohr ou uma Marie Curie, basta ter uma curiosidade aguçada e vontade de aprender mais sobre ciência.
A NEI 2011, à semelhança de anos anteriores, assume-se como intermediário entre a comunidade científica e o público. Dirija-se ao espaço aderente mais perto de si e venha falar com investigadores, conhecer o seu trabalho, vida, anseios e paixões.

Cortesia da fcg

O consórcio organizador da edição de 2011 da Noite Europeia dos Investigadores é composto pelas seguintes instituições:
  • Ciência Viva. A Ciência Viva – Agência Nacional para Cultura Científica e Tecnológica foi criada em 1996. Através da Rede Nacional de Centros Ciência Viva, com 20 centros de ciência em todo o país, apoio a projectos e acções de educação científica e ensino experimental das ciências, é considerada uma referência Europeia na promoção da educação e cultura científica e tecnológica. http://www.cienciaviva.pt/
  • CAUP. O Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) é a maior instituição nacional de Astronomia. Procura desenvolver a Astronomia através da investigação, ensino e divulgação. A estratégia de investigação a longo prazo do CAUP centra-se nas áreas de:
  • 1- Origem e Evolução de Estrelas e Planetas, Galáxias e Cosmologia Observacional. http://www.astro.up.pt/
  • IBMC.INEB. O Laboratório Associado IBMC.INEB (Instituto de Biologia Molecular e Celular . Instituto de Engenharia Biomédica) foi fundado em 2000 e rapidamente se tornou uma instituição de referência. O consórcio acolhe 41 grupos de investigação que desenvolvem a sua actividade nas áreas das Ciências da Vida, da Saúde e da Engenharia Biomédica. Tendo como missão a investigação, formação e desenvolvimento, o L.A. tem vindo a estabelecer parcerias com diversas instituições de ensino superior, de investigação e centros hospitalares, bem como com entidades governativas e com o tecido empresarial. http://www.ibmc.up.pt/ ; http://www.ineb.up.pt/.
  • IGC – FCG. O Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) é um dos principais centros de investigação biomédica em Portugal. O IGC funciona como instituição de acolhimento, com capacidade para 50 grupos de investigação, que desenvolvem os seus projectos autonomamente, usufruindo de instalações e serviços de excelência. O IGC desenvolve um programa ambicioso de ensino pós-graduado assim como um programa dedicado à promoção da cultura científica. Em 2010 e 2011 o IGC foi considerado um dos 10 melhores centros para doutorados fora dos EUA, pela revista internacional ‘The Scientist’. http://www.igc.gulbenkian.pt/
  • UPIN. A Universidade do Porto é a maior instituição de ensino superior e investigação científica em Portugal. Cerca de 31.000 estudantes e 2.300 docentes/investigadores frequentam as suas 15 escolas e 69 unidades de investigação. http://upin.up.pt/


Cortesia da fcg

Em Lisboa, dois são os locais dedicados à ciência que terão as suas portas abertas para o convívio entre investigadores e público. Será possível usufruir de actividades e experiências de áreas diferentes, variadas e interessantes.
Consulte o programa do Pavilhão do Conhecimento e dirija-se ao Parque das Nações na noite de 23 de Setembro, ou a Belém ao Instituto de Investigação Científica Tropical, localizado no Jardim Botânico Tropical, consulte a programação». In FC Gulbenkian.


Cortesia de Ciência Viva./JDACT

quinta-feira, 10 de março de 2011

Alexander Fleming: As duas descobertas mais relevantes ocorreram nos anos 20 e ainda que tenham sido «acidentais» demonstram a grande capacidade de observação e intuição deste médico britânico. Descobriu a Penicilina e as suas propriedades antibióticas em 1928. Recebe o Nobel de Fisiologia/Medicina de 1945

(1881-1955)
East Ayrshire, Escócia
Cortesia de programatremdasonze

Alexander Fleming foi o descobridor da proteína antimicrobiana chamada lisozima e do antibiótico penicilina obtido a partir do fungo Penicillium Notatum.
Estudou medicina na Universidade de Londres. Após a conclusão do curso começa a pesquisar em  substâncias com potencial bactericida que não fossem tóxicas ao organismo humano. Trabalhou como médico microbiologista até o começo da I Guerra Mundial. Durante a guerra foi médico militar nas frentes de batalha da França e ficou impressionado pela grande mortalidade nos hospitais de campanha causada pelas feridas de arma de fogo que resultavam em gangrena gasosa. Finalizada a guerra, regressou ao Hospital St. Mary onde buscou intensamente um novo anti-séptico que evitasse a dura agonia provocada pelas infecções durante a guerra.



Penicilina
Cortesia de tudosobreplantas
As duas descobertas de Fleming ocorreram nos anos 20 e ainda que tenham sido «acidentais» demonstram a grande capacidade de observação e intuição deste médico britânico. A descoberta da lisozima ocorreu quando o «suco» do seu nariz, procedente de um espirro, caíu numa placa de cultura onde cresciam colónias bacterianas. Alguns dias mais tarde notou que as bactérias tinham sido destruídas no local onde havia depositado o fluído nasal.
Ele chegou à descoberta da penicilina e de suas propriedades antibióticas em 1928, ao observar uma cultura de bactérias do tipo estafilococo e o desenvolvimento do mofo a seu redor, onde as bactérias circulam livres. Em Setembro de 1928, Fleming ao inspecionar as suas culturas antigas notou que a colónia de um fungo havia crescido espontaneamente, como um contaminante, numa das placas de Petri semeadas com Staphylococcus aureus. Fleming observou outras placas e comprovou que as colónias bacterianas que se encontravam ao redor do fungo (mais tarde identificado como Penicillium notatum) eram transparentes. 
Ainda que tenha reconhecido imediatamente a importância desta investigação, os colegas subestimaram-no.

Cortesia de enkalam
Só consegue transformar a penicilina em medicamento antibiótico uma década depois da publicação de suas pesquisas, com o apoio dos cientistas norte-americanos Howard Walter Florey e Ernest Boris Chain. A produção industrial começa nos Estados Unidos (EUA) no início da II Guerra Mundial.

Fleming, Florey e Chain recebem juntos o Nobel de Fisiologia/Medicina de 1945.
A descoberta da penicilina significou uma mudança drástica para a medicina moderna, iniciando a chamada «Era dos Antibióticos».
Está sepultado na cripta da Catedral de São Paulo em Londres.

Cortesia de wikipédia/JDACT