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domingo, 13 de agosto de 2017

Hyssope. As Edições. Apontamentos Bibliográfico. Francisco Augusto Martins Carvalho. «Foi feita esta interessantíssima traducção. pelo muito illustrado escriptor sr. Edgar Prestage, a quem se devem valiosissimos traballios sobre a historia e litteratura portugueza»

Cortesia de wikipedia

De acordo com o original

Outra edição principiada, da qual se composeram 16 paginas e se imprimiram apenas 8
«(…) Por occasião do fallecimento do sr. dr. Santa Clara, em Outubro de 1902, appareceu o importantissimo manuscripto do Hyssope, annotado, em que o distincto escriptor andava trabalhando. Suppomos com fundamento, que se encontra hoje em poder do sr. António José Torres Carvalho, sobrinho do sr. dr. Santa Clara, a quem este legou a sua valiosa livraria.

Estudo critico do Hyssope em atlemão
O professor allemão dr. Cari von Reinhardstoettner, muito versado na litteratura portugueza, e que havia dado á estampa em 1875, uma traducção dos Lusíadas de Camòes, publicou egualmente em 1877, esta analyse ou estudo critico do poema de António Diniz Cruz Silva, com a transcripção de alguns trechos, e a versão d'elles em allemão, também em verso não rimado. Faz ao mesmo tempo a confrontação do Hissope com o Lutrin, e procura provar que Diniz não imitou o poema de Boileau.
O exemplar que possuimos d’esta interessantissima publicação, tem para nós duplo valor: quer pelo cavalheiro, que muito prezamos, e que se dignou offerecer-nol-o, quer pelo facto d’esse exemplar conter não só a dedicatória, mas também uma recommendação especial, do próprio punho do auctor, feita a um dos mais talentosos e illustrados escriptores do nosso paiz.

Traducção franceza do Canto I do Hyssope
O distincto escriptor A. M. Sane, traductor da Poesie Lyrique portugaise. ou Choix des Odes de Francisco Manoel, (Filinto Elysio), da Histoire Chevaleresque des Maures de Grenade, etc, inseriu em 1813, na revista intitulada Mercure Étranger, que se publicava em Paris, uma curiosa noticia acerca do Hyssope e do seu auctor, seguida da traducção abreviada do Canto I do mesmo poema.

Traducção ingleza do Canto V do Hyssope
Foi feita esta interessantíssima traducção. pelo muito illustrado escriptor sr. Edgar Prestage, a quem se devem valiosissimos traballios sobre a historia e litteratura portugueza. A traducção do Canto V do Hyssope, feita pelo sr, Edgar Prestage, foi primitivamente publicada na revista ingleza Manchester Quarterly, do mez de Abril de 1896, imprimindo-se depois esta separata em tiragem muito limitada. Foram traduzidos também na lingua ingleza, vários trechos do Hyssope, de Diniz, e publicados em Londres Londres ,1832, fazendo parte d'um artigo que tem por título The poets of Portugal, artigo attribuido a Roberto Tonthsy. Alguns dos referidos trechos do Hyssope foram reproduzidos no livro intitulado The poets and poetry of Europa, with introduction and biographical by Henry Wods-Xorth, Boston 1882. Encontram-se egualraente algumas referencia.s ao Hyssope no livro intitulado Lusitana Illustrata.
In Francisco Augusto Martins Carvalho, As Edições do Hyssope, Apontamentos Bibliográficos, (tiragem limitada, só para ofertas), Editor o Autor, Casa Tipographica, Coimbra, 1921.

Cortesia de Casa Tipographica/Coimbra/JDACT

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Hyssope. As Edições. Apontamentos Bibliográfico. Francisco Augusto Martins Carvalho. «Tenho estudado tudo isto por meudos, mas tenho topado grandes difficuldades, que vejo vencidas, e saiba que n’essa Relação Metropolitana…»

Cortesia de wikipedia

NOTA: De acordo com o original

Outra edição principiada, da qual se composeram 16 paginas e se imprimiram apenas 8
«(…) O dr. Francisco Paula Santa Clara, distinctissimo latinista, projectou publicar uma edição annotada do Hyssope, na qual lidou com verdadeiro empenho e interesse, consumindo muito tempo em buscas e indagações importantes, para poder redigir não só grande numero de notas biographicas dos principaes personagens a que Diniz se refere no seu poema, mas tambem por lhe encontrar paralelos em Virgílio; para ornar a edição de estampas e monumentos, etc, etc. Foi um auxiliar valioso do dr. Santa Clara, o seu velho compadre e amigo e considerado escriptor, o António Francisco Barata, então empregado na biblioteca de Évora. Em 1906 enviou-nos o Barata um desenvolvido e curioso artigo intitulado O Hyssope annotado pelo dr. Francisco Santa Clara, que publicámos nos n.os 6158, 6159 e 6160, do jornal O Conimbricense, que então dirigíamos, e no qual se encontram extractos de algumas cartas muito interessantes do dr. Santa Clara, referentes á sua projectada edição annotada do Hyssope, e a vários outros assumptos.
São d'essas cartas os períodos que em seguida transcrevemos:
10 de Outubro de 1899
... Com o tempo quente que faz, não posso trabalhar itterariamente, e com respeito aos reflexos de Virgilio no Hyssope, completei os cantos 2.° e 3.° e agora por estes dias fica revisto o 4.º, e depois irei percorrendo outros cantos, para que seja publicado esse trabalho, que será novo, visto que nunca outros o tentaram. E os que maltratam com dente malévolo o poeta Diniz, que se encosta a Boilean, verão que o poeta francez, tirando tudo a Virgilio, foi espelho muito secundário para António Diniz.

25 de Outubro de 1899
Eu vou resistindo, e quando posso, vejo antigas cartas das sessões do senado de Elvas, e lá desentranho uma ou outra explicação para o Hyssope. … Afinal cá achei que é de Évora uma das figuras cantadas pelo poeta. Essa figura é o cocheiro de sua excellencia o bispo Lourenço Lencastre. Do cocheiro diz o poeta:

e um grande Lacaio da liteira
famoso Rodomonte das tavernas.
A voz tomando a todos, d’esta sorte
seu conselho propoz; tão grande caso,
senhor, se leva em paz; eu tenho um raio
da sege, ha muito já exp’rimentado
em funcções similhantes, eu com elle
de sua Senhoria tal vingança
hoje espero tomar, que de escarmento
a todos sirva.

Não havia uma noticia d’este heroe, e somente dizia uma nota, dada na edição que fez Ramos Coelho, que o cocheiro do bispo se chamava Bento. Agora, depois de longo trabalho achei que assim é. Chamava-se Bento Silva, e nasceu em Évora, onde foi baptisado na parochia de Santo Antão, em 3 de Novembro de 1709. Era a mãe d’elle estalajadeira da rua de S. Francisco d’essa cidade. D’esta escola passou a aprender o officio de sapateiro com o mestre Luiz Lopes. Sendo depois preso veio d’ahi n’uma leva de soldados para o regimento de infantaria de Estremoz, que estava n’esse tempo de guarnição em Elvas, e casou aqui em Elvas em 1733, com Josepha Encarnação, viuva de um soldado, fallecido em Mafra, etc, etc. Tinha portanto 55 annos de edade, quando se offereceu para ir com o raio da roda da sege esmagar o espinhaço do deão Lara. Que comedia!

9 de Julho de 1902

Tenho estudado tudo isto por meudos, mas tenho topado grandes difficuldades, que vejo vencidas, e saiba o meu compadre, que n’essa Relação Metropolitana, não chegou a ser decidido o pleito. A decisão é ficção do Diniz Cruz. Creia isto, e não siga o que proclamam os arautos, que não investigam a verdade. […]

Em 1907 publicámos no Conimbricense unia outra série de cartas do dr. Santa Clara, referentes á sua livraria. Na que tem a data de 10 de Novembro de 1899, lê-se o seguinte: Hoje vi também as provas da 2.ª folha do Hyssope. Traz a vista da casa onde eu nasci, na praça d’esta cidade, porque na dita casa habitou o deão Lara no tempo em que se desfazia em obséquios ao bispo. A primeira folha do poema não tem frontispicio, que só deveria ser feito quando terminasse a impressão. Na folha do rosto lê-se apenas o seguinte: O Hyssope. Poema heroi-comico. 8.º grande. (Uma folha de 8 paginas, única que se imprimiu, embora chegasse a compôr-se a segunda folha, e a ser vista a prova pelo auctor). Não tem a indicação de terra, typographia e anno, mas sabe-se que foi impressa em Elvas em 1899, na Typographia de António José Torres Carvalho. A primeira pagina é occupada pelo titulo que acabamos de transcrever; a segunda pelo Argumento; e na terceira principia o Canto I do poema, tendo no alto da pagina um pequeno retrato do bispo Lourenço Lencastre. A segunda folha inseria a vista da casa do dr. Santa Clara, a que se refere o trecho da carta de 10 de Novembro de 1899, acima transcripto». In Francisco Augusto Martins Carvalho, As Edições do Hyssope, Apontamentos Bibliográficos, (tiragem limitada, só para ofertas), Editor o Autor, Casa Tipographica, Coimbra, 1921.

Cortesia de Casa Tipographica/Coimbra/JDACT

quinta-feira, 12 de março de 2015

Hyssope. As Edições. Apontamentos Bibliográfico. Francisco Augusto Martins Carvalho. «Duas livrarias, pelo menos, uma do Rio de Janeiro e outra estabelecida num dos Estados do Brasil, publicaram edições clandestinas do Hyssope, com a indicação supposta de haver sido impressa a primeira em Lisboa…»

jdact e wikipedia

NOTA: De acordo com o original

As edições do Hyssope
«(…) Camillo Castello Branco possuía um exemplar da edição do Hyssope, de 1821, que hoje pertence ao livreiro-editor de Lisboa, Fulano de tal, e no qual se encontram varias notas manuscriptas d'aquelle distincto romancista. Por ellas se vê que Camillo divergia da opinião seguida por Garrett e por outros escriptores, que consideravam o Hyssope de António Diniz Cruz Silva, como o mais perfeito poema herói cómico escripto na língua portugueza. Eis as notas de Camillo: A pag. XXXV, no fim; este prologo, bem como as notas são de Timotheo Lecusson Verdier. A pag. 86: d'esta e da pag. 27, se tira a limpo que o auctor não sabia interpor nos versos coisa numérica que não fosse cem ou mil. Não conheço mais insulsa coisa em poesia heroi-comica, do que este poema tão gabado pela cegueira ou ficção patriotica. Nas pag. 26, 27, 108 e 110, estão sublinhadas as palavras cem e mil. No fim de pag. 114, escreveu Camillo a lapis: Miror!
Le Goupillon. Poéme héroi-comique, traduit du portugais d'António Dinys. Encontram-se nalguns exemplares desta edição, umas novas paginas supplementares, que são 69-70 e 75-76, as quaes foram ahi collocadas com o fim de substituir as paginas dos mesmos números, que haviam sahido typographicamente defeituosas. É attribuida, com fundamento, esta versão franceza a João Francisco Boissonade, celebre hellenista e grande cultor da litteratura portugueza. Em vários catálogos que fazem referencia a esta edição, menciona-se o nome da livraria editora Veidet et Lequien, fils, que vem no frontispicio, não se indicando a typographia onde foi impressa.

Contrafacções brasileiras do Hyssope
Duas livrarias, pelo menos, uma do Rio de Janeiro e outra estabelecida num dos Estados do Brasil, publicaram edições clandestinas do Hyssope, com a indicação supposta de haver sido impressa a primeira em Lisboa e a segunda no Rio de Janeiro. Por informações recebidas de pessoa competentissima, que em tempos viu essas contrafacções, parece que uma d'ellas foi publicada pela livraria de Serafim José Alves, do Rio de Janeiro, (edição cheia de erros, impressa em mau papel, e muito incompleta). Essas contrafacções são hoje extremamente raras, não se encontrando um único exemplar na Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro, ou em quaesquer outras bibliothecas da mesma cidade. A contrafacção de livros portugueses e estimados, embora hoje mais restricta, foi uma das grandes explorações do Brasil, principalmente no tempo do Império, sendo porém justo dizer-se que, em geral, os auctores d 'essas contrafacções não eram brasileiros, mas um ou outro portuguez pouco consciencioso.

Edições projectadas que se não publicaram
O fallecido escriptor Innocencio Francisco Silva, publicou em 1858, no Archivo Pittoresco, uns apontamentos acerca de António Diniz Cruz Silva e das suas obras, e tinha resolvido dar á estampa uma extensa biographia de Diniz, destinada a acompanhar uma nova edição do Hyssope em 8 cantos. Esse trabalho, illustrado pelo lápis de Bordallo Pinheiro, deveria intitular-se Commentario ao Hyssope de António Diniz Cruz Silva, compreendendo mais de duzentas notas históricas e biographicas, criticas e philologicas, aproveitando e corrigindo todas as que Verdier addiccionara ás duas edições do Hyssope, que publicou em Paris nos annos de 1817 e 1821. O trabalho de Innocencio Francisco Silva não chegou a publicar-se. Não se publicou egualmente uma edição do Hyssope em 9 cantos, que obteve a devida licença da Commissão de Censura para se poder imprimir, e que tem a data de 27 de Setembro de 1820. Pertencia o manuscripto ao livreiro-editor de Coimbra, Jacques Orcel. A esta edição nos referiremos, quando dermos indicação das cópias manuscriptas do Hyssope, existentes no Museu Etnológico de Belém». In Francisco Augusto Martins Carvalho, As Edições do Hyssope, Apontamentos Bibliográficos, (tiragem limitada, só para ofertas), Editor o Autor, Casa Tipographica, Coimbra, 1921.

Cortesia de Casa Tipographica/Coimbra/JDACT

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Hyssope. As Edições. Apontamentos Bibliográfico. Francisco Augusto Martins Carvalho. «Tanto esta como a edição imediata, foram dirigidas por Thimoteo Lecusson Verdier, filólogo distinto, de quem são os prólogos e as notas. Era natural de Lisboa, e residia nessa época em Paris, sendo expulso de Portugal pela regência em 1808 ou 1809…»

Cortesia de wikipedia

As edições do Hyssope
«Além disso os indivíduos que possuíssem quaisquer exemplares, eram obrigados a entrega-los aos ministros territoriais, ou ao secretário da intendência, dentro de prazo de 30 dias, ficando sujeitos, não o fazendo, à pena de degredo para África, por tempo de 10 anos. Esta edição de 1802 é pouco vulgar.

2 - O Hyssope. Poema heroi-cómico de António Diniz da Cruz e Silva, em 8 cantos. Lisboa, Typ. Rollandiana, 1808, de 134 páginas. Esta edição é cópia fiel da de 1802, e portanto inferior às duas que vão mencionadas seguidamente, publicadas em Paris nos anos de 1817 e 1821; contudo a edição de 1808 é também, como a de 1802, pouco vulgar, por terem sido mandados recolher os respectivos exemplares, e proibida a sua venda e divulgação, logo que foram expulsos os franceses do nosso país em Setembro de 1808. O falecido escritor Brito Aranha, refere-se a páginas 14 do seu interessante livro Notas acerca das invasões francesas em Portugal, impresso em Lisboa no ano de 1909, a uma cópia manuscrita do Hyssope, que havia comprado a um alfarrabista, e que fora escrita pelo habilíssimo calígrafo Domingos dos Santos, de nome completo, Domingos dos Santos de Moraes Sarmento, natural do Fundão. O Brito Aranha emite a opinião de que esta cópia tivesse sido transcrita da edição do Hyssope, publicada em Lisboa pelo livreiro Rolland em 1808, e que fora mandada recolher pela autoridade depois da expulsão dos franceses. Esta cópia foi feita por Domingos dos Santos, na cadeia do Limoeiro, em Lisboa, onde esteve preso desde 1799 (?) a 1814, falecendo neste último ano. Escreveu duos outras cópias do Hyssope, imitando em ambas letra de imprensa; uma datada de 1795 que se guarda na biblioteca da Universidade, e outra que possui José Pereira Paiva Pitta.

3 - O Hyssope. Poema heroi-cómico, por António Diniz da Cruz e Silva. Nova edição, correcta com variantes, Prefácio e Notas. Em 8 cantos. Paris, Off. de A. Bobée 1817, 8.° peq. de 4 innum. - XXXIII - 3 innum. – 137 pag. e 1 innum. - É adornada com uma interessante gravura a buril, em que se vê o deão oferecendo o hyssope ao bispo, e tendo na parte inferior, num espaço contornado por um filete, quatro versos do mesmo poema, que principiam assim: Reinava a doce paz na santa Igreja, etc. – Por fora do filete, em baixo e à esquerda, lê-se Couché fils Aquaf. Sculp. O Prologo do poema termina a página XXXIII, a que se seguem três paginas inumeradas, a primeira com uma Advertência, e as duas últimas com o Argumento. Segue-se o poema que abrange de página 1 a 114, ocupando as Notas de página 115 a 137, e seguindo-se uma inumerada de Errata. - Innocencio no seu Diccionario Bihliographico, Tomo I, dá apenas a esta edição XXIV-137 pag; Manuel dos Santos no n.º 8 da sua Bibliographia (1916),
diz XXXII em vez de XXXIII. Tanto esta como a edição imediata, embora se não declare, foram dirigidas por Thimoteo Lecusson Verdier, filólogo distinto, de quem são os prólogos e as notas. Era natural de Lisboa, e residia nessa época em Paris.


NOTA: Verdier era filho de pais franceses, e nasceu em Lisboa em 1754, sendo expulso de Portugal pela regência em 1808 ou 1809, por ser francês, quando foi sempre mais português no coração e nas obras, do que os seus perseguidores. Foi ele que conjuntamente com Jacome Ratton e filho, estabeleceu em 1790 na então vila de Tomar, a primeira e magnífica fábrica de fiação e tecidos de algodão, que passou a denominar-se Real Fábrica dos algodões, lençarias, e meias de Tomar. Verdier faleceu em Lisboa no mês de Novembro de 1831. Quando esteve em Londres no ano de 1825, por ocasião de uma leve doença que o acometeu, escreveu o seguinte epitáfio satírico, para ser colocado na sua sepultura, o qual se encontra transcrito no 3.º volume das Memorias com o titulo de Annaes, de José Liberato Freire Carvalho:

«Aqui jaz Verdier negociante,
Que de Thomar a fabrica fundou,
Que uma regencia atroz, por infamante,
Decreto injusto, a longe o desterrou;
Ajunta do commercio despojou;
Tão certo é que seu mel nem come a abelha,
Nem sua lã por cobrir-se traz a ovelha.

Assi pois aconteceu
Ao pobre Luso e Francez,
Que trabalho e bens perdeu,
Porque tolo os dispendeu
Em dominio portuguez».
R. I. P.

In Francisco Augusto Martins Carvalho, As Edições do Hyssope, Apontamentos Bibliográficos, (tiragem limitada, só para ofertas), Editor o Autor, Casa Tipographica, Coimbra, 1921.

Cortesia de Casa Tipographica/Coimbra/JDACT

quarta-feira, 20 de março de 2013

Hyssope. As Edições. Apontamentos Bibliográfico. Francisco Augusto Martins Carvalho. «A grande profusão de cópias do Hyssope, escritas principalmente nos fins do século XVIII, das quais se encontram ‘54’, de que temos conhecimento, nas principais bibliotecas públicas e particulares»

Cortesia de wikipedia

As edições do Hyssope
Um amigo, a quem devemos valiosas informações, mais de uma vez aproveitadas em trabalhos bibliográficos nossos, pediu-nos que lhe enviássemos uma relação das cópias do Hyssope, de que tivéssemos conhecimento, escritas principalmente no século XVIII, e bem assim uma indicação bibliográfica de todas as edições do mesmo poema, pois lhe haviam assegurado que possuíamos na nossa livraria, a colecção completa dessas edições. Houve evidentemente equívoco da parte de quem informou o nosso bom amigo. Possuímos várias edições do Hyssope, mas a nossa colecção está longe de ser completa.
Falta-nos a primeira edição, e a edição modificada dos Satíricos Portugueses, publicadas pela casa Aillaud de Paris em 1834; a edição de 1884, publicada no Rio de Janeiro; o volume I da folha bi-mensal de Braga, Prosas e Versos, 1872, onde foi reproduzido o Hyssope; e a versão em francês deste poema, com o título de Le Goupillon, impressa em Paris em 1876. Não possuímos igualmente nenhuma das contrafacções brasileiras do Hyssope. Contudo, anuindo ao pedido do nosso amigo, que não podemos de forma alguma recusar, vamos dizer resumidamente o que sabemos acerca das edições do Hyssope publicadas em Paris, Lisboa, Porto, Braga, Barcellos, Coimbra e Rio de Janeiro, e dar uma nota das cópias manuscritas do mesmo poema, de que temos conhecimento.
O poema herói cómico O Hyssope, versa sobre uma discórdia entre o bispo de Elvas Lourenço de Lencastre e o deão da Sé, José Carlos de Lara, suscitada por este haver deixado de oferecer o Hyssope, como costumava, ao prelado, quando ele se dirigia à Sé para exercitar as suas funções, e chegava à porta da casa do cabido. Alguns escritores consideram o gracioso poema de António Diniz, rival da Seechia Ravita de Tassoni, e do Lutrin de Boileau, e muito superior ao Rap the Lock, de Pope.
A grande profusão de cópias do Hyssope, escritas principalmente nos fins do século XVIII, das quais se encontram 54, de que temos conhecimento, nas principais bibliotecas públicas e particulares do nosso país, e o avultado número de edições publicadas deste poema, justificam cabalmente a autorizada opinião do distinto escritor e poeta Almeida Garrett, quando disse no vol. I do Parnaso Lusitano, que o Hyssope de António Diniz da Cruz Silva, é o mais perfeito poema do seu género, que ainda se compôs na língua portuguesa. Abstemo-nos de escrever detidas notas biográficas acerca do autor do Hyssope, que na Arcádia Lusitana tinha o nome de Elpino Nonacriense, quer por nos não terem sido pedidas, quer por que esse assunto se acha tratado com grande desenvolvimento e a máxima competência, pelos distintos escritores Luiz Augusto Rebello Silva, nos volumes IV e V da 3.ª Serie do Panorama, 1853-1866; Innocencio Francisco Silva, no volume I do Archivo Pittaresco, 1858, e Diccionario Bibliographico Portuguez, tomo I; […]
As edições do Hyssope e outras publicações que mais ou menos se lhe relacionam, e que se encontram na nossa livraria, vão indicadas com segue:
  • 1 - O Hyssope. Poema herói cómico. Por António Diniz da Cruz Sylva. (Em 8 cantos). Paris, mas com a falsa designação de ser de Londres, 1802, 8.° peq. de IV-115 pag. No prefácio da edição do Hyssope de 1817, se declara que a edição de 1802, embora traga a designação de Londres, fora impressa em Paris, e o mesmo se lê na Lusitânia Illustrata. A venda ou divulgação em Portuga], da edição de 1802, foi proibida por um edital do intendente geral da policia de Lisboa, Pina Manique, mandado afixar naquela cidade e nas diferentes comarcas do reino, em harmonia com o aviso do ministro de estado Rodrigo de Sousa Coutinho, datado de 18 de Abril de 1803. Além disso os indivíduos que possuíssem quaisquer exemplares, eram obrigados a entrega-los aos ministros territoriais, ou ao secretário da intendência, dentro de prazo de 30 dias, ficando sujeitos, não o fazendo, à pena de degredo para África, por tempo de 10 anos. Esta edição de 1802 é pouco vulgar».  
In Francisco Augusto Martins Carvalho, As Edições do Hyssope, Apontamentos Bibliográficos, (tiragem limitada, só para ofertas), Editor o Autor, Casa Tipographica, Coimbra, 1921.

Cortesia de Casa Tipographica/Coimbra/JDACT