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domingo, 22 de fevereiro de 2015

O assassínio dos Medici. The History Channel. «Houve um tempo em que a República de Florença era o pulsar cultural do mundo e o seu coração foram os jovens irmãos Médici, Lourenço e Julião. A sua influência na banca, na religião e na política espalhava-se por toda a península Itálica»

Cortesia de wikipedia

«Os Médici foram uma das famílias mais importantes do Renascimento italiano. De extraordinária influência na arte, no comércio e na religião, as suas desapiedadas redes de influência e alianças trouxeram-lhes muitos inimigos que os quiseram afastar do poder. Em 1478, os seus rivais uniram-se para matar os irmãos Lourenço e Julião de Médici na catedral de Florença, conhecida por Duomo. Durante quinhentos anos, a a versão popular da conjura interpretou o que se passou como uma disputa entre duas poderosas famílias: os Médici e os seus rivais, os Pazzi. Não há dúvida de que membros da família Pazzi mataram Julião, e também quase conseguiram eliminar Lourenço, mas, na realidade, o crime de há quinhentos anos ainda é um caso por resolver. Foram realmente os Pazzi os cérebros desta tentativa de assassínio e foi apenas uma luta entre famílias? No ano 2000, um estudante da Universidade de Yale, Marcello Simonetta, encontrou uma carta secreta nos arquivos de Urbino que indica as forças impulsionadoras daquele acto sangrento, descrevendo-o como uma complexa conspiração com tentáculos que chegavam até ao papado.
Houve um tempo em que a República de Florença era o pulsar cultural do mundo e o seu coração foram os jovens irmãos Médici, Lourenço e Julião. A sua influência na banca, na religião e na política espalhava-se por toda a península Itálica, uma força que Lourenço entendia muito bem, apesar de ter apenas 20 anos quando chegou ao poder. Culto, refinado, brilhante e audaz, muito seguro de si e dotado de grande inteligência, Lourenço de Médici, digno neto de Cosme, realizou durante o seu principado (1469-1492) o ideal do Renascimento italiano: poeta, filósofo, mecenas e diplomata, era muito consciente do poder da cultura florentina como ferramenta diplomática, assegura a historiadora Melissa Bullard, da Universidade da Carolina do Norte. O seu irmão mais novo, Julião, aberto, atraente e nada político, era seu assessor. O trabalho dos dois irmãos era muito diversificado: proteger artistas como Miguel Ângelo, atribuir cargos, ser a importantíssima banca do papado, conquistar novos territórios... Porém, pela sua juventude, davam a impressão de vulnerabilidade e a inexperiência criava-lhes inimigos.
Em 1470, Lourenço cometeu muitos erros políticos. Distanciou-se de muita gente. Os irmãos enfrentavam adversários em todas as esferas de influência, explica o historiador Niccolò Capponi. Na banca, a família Pazzi receava o poder e a riqueza deles. Na Igreja, o papa Sisto IV ofendeu-se com a recusa de Lourenço em lhe conceder um empréstimo. E, na política, outros senhores, como o duque de Urbino, mudaram a sua lealdade da Florença de Lourenço para outras cidades, procurando sempre unir forças com quem possuísse o maior poder na península naquele momento. Os ingredientes desta poção de rancor eram sobejamente conhecidos mas, ao longo dos séculos, prevaleceu uma história sobre a conspiração dos Pazzi, baseada na tentativa de matar os dois irmãos durante a missa pascal no Duomo de Florença. No entanto, culpabilizar só os Pazzi simplifica demasiado o assassínio, fazendo que pareça que a família dos banqueiros foi a única responsável. O historiador Marcello Simonetta começou a investigar o acontecido após o descobrimento de uma carta escrita em 1478 por Frederico II de Montefeltro,9.º conde e primeiro duque de Urbino, suposto amigo dos Médici, a Cicco Simonetta, regente de Milão e importante aliado de Lourenço de Médici, além de antepassado renascentista do historiador. Investigando a vida do seu antepassado, encontrou essa carta, num achado que aumentou a sua curiosidade. Marcello Simonetta começou então uma pesquisa para reconstruir os acontecimentos anteriores à conspiração e encontrar pistas sobre o artífice da trama. A pista seguinte foi-lhe trazida por uma segunda carta do duque de Urbino, indicando a Cicco que tivesse cuidado com Lourenço e advertindo-o de que não era um aliado seguro. A carta descrevia Lourenço como inimigo secreto de Cicco Simonetta, explica Marcello Simonetta, actual historiador e professor da Universidade Wesleyan. O duque de Urbino tinha capitaneado operações militares de Lourenço e actuava dos dois lados, pondo Cicco contra Lourenço. Esta contradição fez Marcello Simonetta pensar que o duque tinha a chave do mistério sobre o artífice da chamada conspiração dos Pazzi. Mas uma coisa eram as suas suposições e outra muito diferente seria conseguir as provas da conjura». In The History Channel, Los Grandes Misterios de la Historia, Randon House Mondadori, 2008, O assassínio dos Medici, tradução de Maria Irene Carvalho, Clube do Autor, Lisboa, 2010, ISBN 978-989-845-206-1.

Cortesia de CdoAutor/JDACT

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Atlântida. O Continente Perdido. The History Channel. «No entanto, a Estrada de Bimini é uma estrutura que parece construída pedra a pedra, com blocos rectangulares e quadrados, como se seguisse um plano previamente desenhado. … que a ‘Estrada de Bimini’ pode ter sido um quebra-mar»

Cortesia de wikipedia

«(…) De outros lugares considerados míticos, como a Tróia de Homero, concluiu-se terem uma localização real, como Schliemann demonstrou em finas do século XIX. Descobriu a verdadeira Tróia e cinco níveis de construção com milhares de anos de antiguidade. Claro que todos troçaram dele e o criticaram, mas no final demonstrou que tinha razão, assinala o antropólogo Erikson, autor da obra Atlantis in America. Poderia ser este o caso da Atlântida? Nos seus escritos, e embora possa tratar-se de um velho truque literário, Platão sublinhou que o seu relato era verdadeiro, que não era ficção. Depois da condenação à morte do seu mestre Sócrates, Platão abandonou Atenas. Não se conhece com precisão por onde andou, mas é muito provável que tenha ido para o Egipto pois que a cultura deste país exercia uma enorme atracção nos gregos. É possível que ali tenha ouvido o relato da Atlântida, como história ou como mito, pelo que então não se trataria propriamente de uma invenção sua. Por outro lado, a forma como Platão afasta de si a fonte, um velho sacerdote egípcio que conta a história a uma personalidade histórica do passado como Sólon, que a conta ao avô de Crítias, que com a provecta idade de noventa anos a conta ao seu neto, que a conta a Sócrates já morto quando Platão escreve, indica uma pretensão de distanciamento a respeito da história que está a contar... Embora também se possa interpretar ao contrário, como um recurso para dar credibilidade à história que se relata, pondo-a na boca de prestigiados transmissores antigos como Sólon.

Em busca de uma civilização lendária
Os investigadores que tomam os relatos de Platão à letra afirmam que o que seria mais lógico era procurar na Grécia e na área mediterrânea, onde o filósofo viveu entre 428 e 347 a. C.. Todavia, um grupo importante de cientistas centrou a sua atenção no corredor caribenho do Iucatão, seguindo a pista dada por Platão de que a Atlântida se situava no oceano Atlântico. Os cientistas Greg e Lora Little formam um dos grupos que tentam encontrar vestígios arqueológicos do continente perdido, segundo eles, afundado na América, exactamente nas Baamas. Já há quase quarenta anos que este casal, ambos psicólogos e escritores, exploram a zona em busca de vestígios dos atlantes. Até ao momento, o indício que mais se aproxima daquela realidade é a chamada Estrada de Bimini, uma formação rochosa com 480 metros de comprimento, que se encontra debaixo do mar na costa da ilha do mesmo nome. Descoberta em 1968 por um piloto, foi analisada nos anos sessenta por um geólogo que, depois de colher amostras das rochas concluiu , para decepção dos pesquisadores da Atlântida, tratar-se apenas de rochas naturais. No entanto, a Estrada de Bimini é uma estrutura que parece construída pedra a pedra, com blocos rectangulares e quadrados, como se seguisse um plano previamente desenhado. Os citados cientistas pensam que a Estrada de Bimini pode ter sido um quebra-mar que fechava um porto da capital, Poseidópolis, onde os atlantes atracavam os barcos no intervalo das suas viagens pelo mundo.
Além das rochas de Bimini, os exploradores fizeram várias descobertas nas Baamas: colunas de mármore, blocos de rocha semelhantes aos de Stonehenge e ruínas de muros, assim como formações submarinas, com 150 a 300 metros de diâmetro, geométricas ou formando letras. O casal Little também se interessou por uma destas formações, mas quando começaram a estudá-la descobriram que não passava de um conjunto de algas e de esponjas, pasto de tartarugas...» In The History Channel, Los Grandes Misterios de la Historia, Randon House Mondadori, 2008, A Atlântida, O Continente Perdido, tradução de Maria Irene Carvalho, Clube do Autor, Lisboa, 2010, ISBN 978-989-845-206-1.

Cortesia de CdoAutor/JDACT

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Os Segredos de Stonehenge. The History Channel. «Se compararmos os dois conjuntos pré-históricos, Woodhenge será o equivalente à ermida da aldeia ou à igreja local, enquanto Stonehenge, com a sua estrutura de pedra, seria a catedral»

Cortesia de wikipedia

O sílex e o novo estilo de vida
«(…) Ao contrário do que pode parecer, o talhe lítico é um processo muito técnico e preciso. É imprescindível ter alguns conhecimentos e perícia para converter um pedaço de sílex num machado. Mas, além disto, nos finais da Idade da Pedra estas ferramentas serviram ainda para cortar árvores de grande porte, de modo que os povos nómadas que tinham sido caçadores e recolectores formaram comunidades e dedicaram-se à agricultura e à criação de animais, dado que os bosques já podiam converter-se em quintas. Ao mesmo tempo que os homens do Neolítico mudavam o seu estilo de vida, em Stonehenge, que até então não passava de um fosso primitivo cavado com picaretas de corno de animal, outra etapa se iniciava. A nova tecnologia do sílex permitiu erguer uma estrutura do lado de dentro do talude composta por 56 postes de madeira que seguiam a mesma forma circular. Não existe nenhuma de pé, mas os arqueólogos analisaram o tipo de terra que enche os 56 buracos nos quais assentavam, também eles escavados no solo calcário do local, e conseguiram perceber que em cada um se fixava um poste de madeira. O que já não é possível adivinhar é se, à semelhança do modelo de pedra posterior, estes postes suportariam outros troncos, em cima, à maneira dos lintéis. Não se trataria do único monumento pré-histórico construído principalmente com este material, assegura Julian Richards.
A uns escassos três Km dos blocos megalíticos de Stonehenge encontra-se Woodhenge, henge é o nome que os arqueólogos dão a este tipo de construções pré-históricas de forma circular. Ambas as ruínas pré-históricas seguem um plano de círculos concêntricos muito semelhante. Até ao ano de 1920, acreditou tratar-se das ruínas de um enorme túmulo funerário que fora despojado da terra. No entanto, assim que foram tiradas as primeiras fotografias aéreas, descobriu-se que cada um dos pontos escuros que apareciam marcados no terreno, indicava a posição de um poste de madeira e que todos juntos formavam um círculo. Mas este lugar tem algo mais do que a simples semelhança arquitectónica com Stonehenge. No decorrer das escavações no centro do círculo de Woodhenge, foi desenterrado o cadáver de uma criança trepanada, fruto, possivelmente, de um sacrifício ritual cujo desenvolvimento apenas podemos imaginar mas que não conhecemos de fonte segura. Em redor dos seis anéis concêntricos que o compõem, explica Julian Richards, foram encontrados diversos objectos, desde ossos de animais a cerâmica muito ornamentada e, mesmo no centro, a sepultura da criança. Woodhenge contava com uma estrutura de madeira com uma função de tipo claramente religioso e, apesar da sua construção ter requerido um enorme esforço, o facto é que não passava de uma simples estrutura feita de troncos. Se compararmos os dois conjuntos pré-históricos, Woodhenge será o equivalente à ermida da aldeia ou à igreja local, enquanto Stonehenge, com a sua estrutura de pedra, seria a catedral. Em Stonehenge, esclarece Richards, não se encontram vestígios de sacrifícios humanos, mas inúmeros vestígios de incinerações dentro dos buracos onde assentavam os primitivos postes de madeira. Portanto, durante quatrocentos anos, antes de as árvores serem cortadas, antes de os povos neolíticos que habitavam a zona substituírem a madeira pelos gigantescos blocos de pedra que hoje conhecemos, Stonehenge foi, antes de tudo, um cemitério do qual a própria cinza das piras funerárias chegou aos nossos dias». In The History Channel, Los Grandes Misterios de la Historia, Randon House Mondadori, 2008, Os Segredos de Stonehenge,  tradução de Maria Irene Carvalho, Clube do Autor, Lisboa, 2010, ISBN 978-989-845-206-1.

Cortesia de CdoAutor/JDACT

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O Mistério dos Anasazi. The History Channel. «… os anasazi poderiam ter tido acesso a verdadeiros mananciais sem necessidade de viver nas paredes destes alcantilados onde a aridez era uma característica da maior parte da zona. O que os terá levado a expor toda urna comunidade a semelhante risco?»

Cortesia de wikipedia

«Mesa Verde, no sudoeste do Colorado, é uma terra de canyons escarpados e mesetas elevadas onde se localizam algumas das ruínas pré-históricas mais impressionantes dos Estados Unidos e alguns dos maiores mistérios da arqueologia norte-americana. Desde que foram descobertas, em finais do século XIX, estas povoações abandonadas não deixaram de causar surpresa a visitantes e arqueólogos. No entanto, ninguém conseguiu ainda explicar a razão que terá levado os índios anasazi, antigos habitantes do sudoeste dos Estados Unidos, a construir estes povoamentos incríveis em alcantilados para os abandonarem décadas depois e nunca mais regressarem. Porque terá esta civilização desaparecido de repente? Muitos arqueólogos pensam que os antigos anasazi tinham um lado obscuro que se manifestou na forma de morticínios e até de canibalismo. Será que estes actos violentos podem explicar a mudança para os alcantilados? Actualmente, arqueólogos e índios norte-americanos continuam a discutir este mistério. Na região existem centenas de povoações semelhantes às da Mesa Verde. A história continua rodeada em mistério devido à ausência de vestígios escritos. No entanto, a arqueologia permitiu concluir que o povo conhecido como os anasazi começou a colonizar esta zorta do sudoeste norte-americano no ano I d. C.. Durante a maior parte da sua história, viveram em pequenas comunidades que se espalhavam pelas mesetas e pelos vales. A partir do século X, estas aldeias chegaram a albergar várias centenas de habitantes. Localizavam-se em mesetas como o Chaco Canyon (anos 950-1100). Mas em meados do século XIII aconteceu algo que levou os anasazi a juntar-se. Construíram muros altos em redor dos seus povoamentos e tomaram a surpreendente decisão de mudar aldeias inteiras para os alcantilados dos grandes canyons do Colorado, lugares de uma imensa beleza, mas onde as condições naturais, tornavam a vida humana muito difícil. A sua retirada para as povoações trogloditas rudimentares da Mesa Verde marcou o declínio da sua cultura. Passados apenas cinquenta anos, também abandonaram estas casas, deixando atrás de si a maior parte das suas possessões como se planeassem voltar. Em vez disso, desapareceram da História.

Êxodo para os alcantilados
Existem várias teorias para explicar a razão que levou os anasazi a estabelecerem-se sob estes impressionantes alcantilados, no século XIII. A primeira defende que tal se terá devido a uma mudança climática que ameaçava as colheitas ou uma deterioração das condições ambientais que reduziu as terras cultiváveis disponíveis. Segundo Lorisa Qumawuun, guarda-florestal do Parque Nacional de Mesa Verde, declarado Património da Humanidade pela UNESCO em 1978 e pertencente à tribo hopi, que se autoproclama descendente dos anasazi, a razão deste êxodo para os alcantilados foi a procura de água na sequência de uma seca cruel. Outros peritos, porém, não partilham desta ideia, já que os anasazi poderiam ter tido acesso a verdadeiros mananciais sem necessidade de viver nas paredes destes alcantilados onde a aridez era uma característica da maior parte da zona. O que os terá levado a expor toda urna comunidade a semelhante risco? Foi na zona conhecida por Four Comers (Quatro Cantos), na qual convergem os estados do Arizona, Colorado, Utah e Novo México, que os anasazi viveram durante mais de cem anos. Toda a meseta está repleta de canyons escarpados, remotos e inóspitos, bem dissimulados por entre as rochas. Os dois rios mais importantes que atravessam estas terras são o rio Grande e o Colorado. Actualmente a maior parte da região está coberta de florestas de pinheiros mansos e de zimbros. Mas há novecentos anos cobria-se de campos de milho, de abóboras e de feijão. Os arqueólogos acreditam que com as culturas desta zorta, os anasazi abasteciam quarenta mil ou cinquenta mil pessoas.
A arqueologia deu-nos a conhecer uma grande variedade de povoações anasazi. Vaughn Hadenfeldt, alpinista experiente e guia local, tem explorado, nos últimos vinte anos, as ruínas anasazi do sudeste do Utah, na zona de Cedar Mesa, e teve um papel importante na conservação e na descoberta de muitos dos povoamentos mais interessantes, na perspectiva dos arqueólogos. Em Cedar Mesa foram encontradas as primeiras provas convincentes de que o medo terá sido o grande motivo que levou os anasazi a mudar para os alcantilados. A teoria de Vaughn Hadenfeldt é que procuravam protecção e começararam a estabelecer-se nestes lugarejos onde dispunham de água. A orientação destas povoações protegia-os da chuva e da neve no Inverno e do calor no Verão. Além disso, tinham a vantagem de ser uma protecção natural face aos ataques. Como pode observar-se, nas povoações há várias torres, o que demonstra que podiam vigiar tanto a sua pequena fonte natural como o inimigo, explica. Pelo contrário, a localização nos canyons afastava-os das culturas, tornando-as menos acessíveis aos habitantes». In The History Channel, Los Grandes Misterios de la Historia, Randon House Mondadori, 2008, O Mistério dos Anasazi, tradução de Maria Irene Carvalho, Clube do Autor, Lisboa, 2010, ISBN 978-989-845-206-1.

Cortesia de CdoAutor/JDACT

A Atlântida. O Continente Perdido. The History Channel. «Pelo facto de Platão não ter concluído o seu relato, a Atlântida aguçou durante séculos a curiosidade e a imaginação de todo o tipo de investigadores, de cientistas a farsantes. Actualmente, ‘há cinco expedições científicas em curso em cinco zonas distintas do globo’»

Cortesia de wikipedia

«Há dois mil e quatrocentos anos, o filósofo Platão mencionou pela primeira vez a história da Atlântida e dos seus fabulosos povoadores. No diálogo intitulado Timeu, considerado pela própria Academia de Platão como o mais representativo do platonismo, Crítias relata ao seu amigo Sócrates a história que lhe fora contada pelo seu avô que dela tivera conhecimento através do grande sábio e legislador Sólon que, por sua vez, a ouvira da boca de um velho sacerdote egípcio. Segundo este: … os nossos escritos referem que a vossa cidade numa determinada ocasião deteve a marcha insolente de um grande império, que avançava do exterior, a partir do oceano Atlântico, sobre toda a Europa e a Ásia. Nessa época era possível atravessar aquele oceano dado que havia uma ilha em frente da desembocadura a que vós, como dizeis, chamais colunas de Héracles. As colunas de Héracles ou de Hércules, se empregarmos o nome latino que nos é mais familiar, são o estreito de Gibraltar pois, como conta Baltasar Vitoria no seu Teatro de los dioses de la gentilidad, Hércules praticou aqui uma das suas façanhas que foi dividir aquele grande monte ao meio, para que os mares, o oceano Atlântico e o Mediterrâneo, se juntassem.
Depois de situada geograficamente, o sacerdote egípcio precisava as características da Atlântida: Esta ilha era maior do que a Líbia e a Ásia juntas e dela os de então podiam passar para as outras ilhas e das ilhas a toda a terra firme. (...) Na dita ilha, a Atlântida, surgira uma confederação de reis grande e maravilhosa que a governava e a muitas outras ilhas, assim como a partes da terra firme. A partir deste continente também dominavam os povos, da Líbia, até ao Egipto e Europa até Tirrenia. Depois de se referir a um conflito entre atlantes e gregos, o velho sacerdote revelava a chave para o desaparecimento da Atlântida: … posteriormente, na sequência de um violento terramoto e de um dilúvio extraordinário, num dia e numa noite terríveis, a classe guerreira afundou-se toda de uma vez por debaixo da terra e a ilha de Atlântida desapareceu da mesma maneira afundando-se no mar. Por isso, ainda hoje, naquele lugar, o oceano é intransitável e inescrutável, impedido pela argila que a ilha produziu ao assentar nesse lugar e que se encontra a muito pouca profundidade. Porém, noutro diálogo, Crítias, Platão espraia-se descrevendo as maravilhas da Atlântida que na repartição da Terra que os deuses haviam feito coubera em sorte a Posídon que a povoou com os descendentes que teve de uma mulher mortal.
Um deles era, por certo, o rei Gadiro de onde viria o nome de Gades (Cádiz),pois reinava na região contígua ao estreito de Gibraltar. Em Crítias fala-nos dos palácios, das riquezas, dos minerais, das plantas e dos animais da Atlântida, dizendo, entre outros pormenores fabulosos, que em especial a raça dos elefantes era muito numerosa, o que ao que veremos, deu motivo para certas teorias. No entanto, os atlantes chegaram a estar cheios de injusta soberba e de poder, pelo que Zeus, o pai dos deuses, decidiu aplicar-lhes um castigo para que se tornassem mais obedientes e alcançassem a prudência. Reuniu todos os deuses na sua mansão mais importante, a qual, instalada no centro do universo, tem vista para tudo o que participa da criação e, depois de os reunir, disse... Aí termina bruscamente o Crítias; o resto ter-se-á perdido ou então Platão abandonou simplesmente a sua redacção, o caso é que ficamos sem conhecer os pormenores do castigo que mergulhou os atlantes no mar. Pelo facto de Platão não ter concluído o seu relato, a Atlântida aguçou durante séculos a curiosidade e a imaginação de todo o tipo de investigadores, de cientistas a farsantes.
Actualmente, passados mais de dois mil e quatrocentos anos, há cinco expedições científicas em curso em cinco zonas distintas do globo, empenhadas em descobrir os vestígios que confirmem a existência deste continente mítico. Enquanto essas provas irrefutáveis não aparecem, a maior parte dos cientistas mostram-se cépticos. No entanto, outros investigadores acreditam que há novos indícios da sua existência e que o relato de Platão  fornece pistas que não só nos conduzem ao continente desaparecido como aos segredos de urna civilização lendária e também aos seus descendentes. A maior parte dos cientistas convencionais concluíram há algum tempo que a Atlântida não passa de um mito criado pela imaginação fértil de Platão. Consideram o seu relato uma ficção, urna fábula moral destinada a advertir os atenienses do seu mau comportamento como cidadãos. Por sua vez, os especialistas em Platão advertem que os discípulos mais próximos do filósofo tomaram como certa a história da Atlântida e que a tinham como autêntica; já na época helenística, a escola alexandrina via, em geral, na narrativa de Platão, urna alegoria, coisa que, por outro lado, não os impedia de acreditar na existência do lendário continente». In The History Channel, Los Grandes Misterios de la Historia, Randon House Mondadori, 2008, A Atlântida, O Continente Perdido, tradução de Maria Irene Carvalho, Clube do Autor, Lisboa, 2010, ISBN 978-989-845-206-1.

Cortesia de CdoAutor/JDACT

Os Segredos de Stonehenge. The History Channel. «Do céu conseguimos ver que não se trata de simples ruínas mas que elas representam toda uma cultura, afirma Julian Richards. Num perímetro de vários quilómetros quadrados, encontrámos, por exemplo, o Cursus, uma calçada…»

Cortesia de wikipedia

«Stonehenge é o monumento pré-histórico mais famoso da Terra e uma das ruínas de pedra mais misteriosas no mundo. Nunca foi descoberto. Antes da chegada dos anglo-saxões, antes dos romanos, antes mesmo do aparecimento da linguagem escrita, Stonehenge já existia, já estava ali. Há milhares de anos e de gerações que estes gigantescos blocos megalíticos se mantêm ali, repletos de segredos. Desconhece-se com exactidão a finalidade de uma construção tão monumental, mas investigações arqueológicas recentes forneceram algumas explicações científicas sobre a forma como terá sido edificado, a razão que levou à sua construção e ainda sobre aqueles que, há mais de cinco mil anos, iniciaram as obras deste incomparável e valioso testemunho da cultura pré-histórica.
Situadas no condado de Wiltshire,43 quilómetros a norte do canal da Mancha e a 13 quilómetros a noroeste de Salisbury, no meio das suaves ondulações da planície inglesa, estas ruínas deram origem a inúmeras histórias e lendas sobre grandiosas cerimónias e rituais. Pelo seu carácter misterioso foram reivindicadas tanto por místicos modernos que asseguram tratar-se do centro de uma incrível fonte de energia, como por adoradores locais ou até por brincalhões paranormais que, ainda não há muito tempo, traçaram, nos terrenos circundantes, com a ajuda de uma corda e de um pedaço de madeira, enormes círculos nas searas, à maneira de estranhos sinais, vindo posteriormente a explicar a toda a gente a sua farsa... Mas a verdadeira história de Stonehenge teve início há mais de cinco mil anos e engloba muito mais do que o monumento que chegou até aos nossos dias. Os trabalhos arqueológicos tiveram início em 1901 e realizaram-se periodicamente até 1964. Decidiu-se então deixar tudo como estava, com o fim de preservar o que ainda se mantinha intacto pelo que as escavações foram proibidas pelas autoridades. Os cientistas ainda hoje tentam encontrar resposta para vários dos seus enigmas.
O arqueólogo inglês Julian Richards, autor de um dos estudos mais exaustivos sobre o tema, destaca, nas suas investigações, a importância dos montículos funerários ou sepulturas espalhadas pelos arredores de Stonehenge, algo que só pôde comprovar-se com uma perspectiva aérea. Sobrevoando a zona, a vista a partir de cima permitiu observar a extensão da paisagem que o rodeia. É a área que possui a mais elevada concentração de ruínas pré-históricas de todo o Reino Unido, algumas ainda mais antigas do que o próprio Stonehenge. Do céu conseguimos ver que não se trata de simples ruínas mas que elas representam toda uma cultura, afirma Julian Richards. Num perímetro de vários quilómetros quadrados, encontrámos, por exemplo, o Cursus, uma calçada que até há pouco se acreditava ser parte de um hipódromo romano até se ter descoberto que, na realidade, datava de há dois mil anos antes da invasão romana, e os Barrows, um campo de túmulos funerários onde as escavações trouxeram à luz esqueletos humanos e jóias de cobre e de bronze. A parte mais antiga de Stonehenge é formada por um fosso e a sua terraplanagem, abertos num solo calcário que logo após ser escavado, brilharia com uma intensa cor branca. Tem forma circular aberta a noroeste e uns trinta metros de diâmetro. Graças aos testes com carbono 14 realizados às ferramentas que os construtores deixaram no fundo do fosso primitivo, sabemos hoje que as primeiras obras foram levadas a cabo entre os anos 3000 e 2920 a. C.. As ferramentas que se utilizaram durante a Idade da Pedra e no período Neolítico, foram pontas aguçadas feitas de corno de veado. O fosso de Stonehenge não é especialmente profundo, pelo que não deveria ser demasiado complicado escavá-lo com um instrumento tão rudimentar, mas em Grimes Graves,320 quilómetros a noroeste de Stonehenge, estas mesmas pontas de corno de animal foram utilizadas para escavar algo muito diferente. Poços de minério. Nesta mina, os arqueólogos descobriram passagens estreitas com cerca de nove metros de profundidade, através das quais o material recolhido vem à superfície. Nalgumas galerias ainda se vêem as marcas que cada golpe deixava na pedra e até dedadas que datam de há mais de cinco mil anos.
Grimes Graves conta quatrocentos poços neolíticos onde, durante mais de mil anos, trabalharam duramente servindo-se destes simples cornos de veado, equipas de mineiros em busca do recurso mineral mais apreciado na época, uma variedade de rocha de silício denominada sílex que encontravam formando nódulos de cor preta brilhante que hoje conhecemos como pederneira. O sílex era, na época, o recurso mineral mais valioso, a matéria-prima de uma nova economia. A extracção e o comércio desta pedra converteu-se numa das forças motrizes do universo de Stonehenge, pelo facto de com o sílex, convenientemente talhado, se construírem machados e outras ferramentas. O que significou um enorme salto tecnológico e social». In The History Channel, Los Grandes Misterios de la Historia, Randon House Mondadori, 2008, Os Segredos de Stonehenge,  tradução de Maria Irene Carvalho, Clube do Autor, Lisboa, 2010, ISBN 978-989-845-206-1.

Cortesia de CdoAutor/JDACT

sábado, 14 de maio de 2011

Dia Internacional dos Museus: Na Unidade Museológica da Água e no Convento dos Remédios. «Objectos com História» e «Memória da Cidade no Tempo»

Cortesia de uplasma

«A Câmara Municipal de Évora vai assinalar no dia 18 de Maio o Dia Internacional dos Museus, através de um programa de actividades dirigidas à população, realizadas na Unidade Museológica da Água e no Convento dos Remédios, que são dois dos espaços da autarquia vocacionados para a museologia. O ponto alto do programa das comemorações será entrega de prémios do concurso do logótipo para a Comemoração dos 25 anos de Évora Património Mundial, que se realiza no dia 18 de Maio, pelas 18 horas, no Convento dos Remédios (Av. de S. Sebastião), a que se segue uma visita guiada às exposições "Évora Megalithica" e "Vinhas das Caliças".

O Dia Internacional dos Museus comemora-se dia 18 de Maio, mas o programa das comemorações em Évora tem início hoje, dia 14 de Maio, com a Unidade Museológica da Água, na Rua do Menino Jesus, a realizar uma iniciativa no âmbito da Noite dos Museus, intitulada «Objectos com história» e dirigida para pais e crianças entre os 2 e os 6 anos de idade, com sessões às 18, 19 e 20 horas e duração de 60 minutos. A Unidade Museológica da Água é um dos locais de memória da cidade, onde se vão contar as histórias dos seus objectos através de uma actividade lúdico-pedagógica que alia o tempo em família à promoção do património hidráulico, através de várias expressões artísticas.

Cortesia da cmevora
A Unidade Museológica da Água vai também promover no dia 18 de Maio a iniciativa «Memória da cidade no tempo», direccionada para os jardins-de-infância, com o intuito de promover na criança a memória do abastecimento de água na cidade de Évora, ao longo do tempo. Esta actividade realiza-se em duas fases distintas e pretende dar a conhecer a temática através de um jogo de memória: primeiro conta-se a história através de imagens inseridas numa linha de tempo e, após a sua memorização, inicia-se o jogo com duas equipas, que tentam identificar as imagens que memorizaram. As sessões decorrem das 9:30 às 12:30 e das 14:00 às 17:00 e têm a duração de 60 minutos». In CM de Évora.

Com a amizade de RR.
Cortesia da CM de Évora/JDACT