sábado, 21 de dezembro de 2013

Poesia. Coimbra. Fado. «Que andava preso em liberdade pela cidade. Mas o modo como olhava para as casas, e o modo como reparava nas ruas (repletas de protesto), e a maneira como dava pelas coisas (injustas), é o de quem olha para as árvores, e de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando (protestando) e anda a reparar nas flores que há pelos campos…»

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Fado do 5º Ano Jurídico (Fado Triste)
Nossas mágoas são o fruto
que nos dá este viver
quem anda sempre de luto
muitas mágoas deve ter.

Refrão
Nossa boca quando canta
diz-lhe a alma logo assim
(ai) minha boca canta, canta
que não me encanta a mim.

Poema de José Marques Cruz (1888-1958)



Cantiga para quem sonha
Tu que tens dez reis de esperança e de amor
grita bem alto que queres viver.
Compra pão e vinho, mas rouba uma flor.
Tudo o que é belo não é de vender.
Não vendem ondas do mar
nem brisa ou estrelas, sol ou lua cheia.
Não vendem moças de amar
nem certas janelas em dunas de areia.

Canta, canta como uma ave ou um rio.
Dá o teu braço aos que querem sonhar.
Quem trouxer mãos livres ou um assobio
nem é preciso que saiba cantar.

Tu que crês num mundo maior e melhor
grita bem alto que o céu está aqui.
Tu que vês irmãos, só irmãos em redor,
crê que esse mundo começa por ti.
Traz uma viola, um poema,
um passo de dança, um sonho maduro.
Canta glosando este tema,
Em cada criança há um homem puro.

Canta, canta como uma ave ou um rio.
Dá o teu braço aos que querem sonhar.
Quem trouxer mãos livres ou um assobio
nem é preciso que saiba cantar.

Poema de Leonel Neves (ex-SMN/INMG/IM)


Amigo Mateus, que estejas em Paz!
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