terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Lígia Camarão, Crónica de D. João II e Miscelânea por Garcia de Resende: … originalmente se chamava Chronica dos Valerosos e insignes feitos delRey Dom Ioam II de Glorioza Memoria… fala-nos dos vários acontecimentos que o autor testemunhou numa época de expansão»

                    

O principal objectivo deste trabalho consiste na elaboração de um estudo à grandiosa obra de Garcia de Resende, Crónica de D. João II e Miscelânea. Tendo em conta a riqueza de assuntos que este tema abrange, decidi abarcar de uma forma geral o contexto fundamental da obra, assim como referenciar alguns dos feitos atribuídos tanto ao autor Garcia de Resende, cuja sua passagem pela nossa história foi uma mais-valia para as sociedades vindouras, assim como ao rei João II, a quem tanto Garcia de Resende dedicou a vida.

Como afirma o Prof. Veríssimo Serrão no prefácio da obra1, A vida de Garcia de Resende constitui um valioso campo de estudo para se conhecer a formação mental da sociedade portuguesa na época em que a penetração do mundo exótico, juntando-se aos clarões europeus do Renascimento, criou em Portugal linhas de uma cultura de expressão singular.

Garcia de Resende deixou bem marcada a sua presença na nossa história e não queria que a mesma passasse em vão, principalmente no que diz respeito a todos os acontecimentos que testemunhou. A segunda parte integrante desta obra denomina-se, Miscelânea e tal como a crónica, fala-nos dos vários acontecimentos que o autor testemunhou numa época de expansão.

Após uma breve introdução sobre a vida do autor e tendo por base a obra analisada que, segundo Garcia de Resende, originalmente se chamava Chronica dos Valerosos e insignes feitos delRey Dom Ioam II de Glorioza Memoria, irei responder às perguntas essenciais que serviram de objectivo para este trabalho. Diversa bibliografia foi analisada para a elaboração deste trabalho onde incluo alguma bibliografia referente ao autor, bem como ao próprio rei João II. No entanto, apenas a Crónica, tema fulcral do mesmo, foi estudado duma forma mais aprofundada.

Para a correcta elaboração de um trabalho desta natureza, torna-se necessário efectuar uma análise abrangente tanto da obra em questão, que servirá como método de estudo em geral como de todas as obras disponíveis sobre a vida do autor e do próprio rei, para melhor se compreender a época em que se encontravam e a respectiva influência na vida de ambos. Sendo que a matéria estudada ao longo deste semestre, se tornou numa mais-valia, para a elaboração deste trabalho, passe-mos então à análise da vida do autor, Garcia de Resende. Conforme já acima referido, lembro que a vida de Garcia de Resende, está repleta de riquezas históricas e de grandes testemunhos de inúmeros acontecimentos pelo que, neste trabalho, tentei comparar os estudos académicos que realizei com a visão dos diversos autores, que dedicaram as suas vidas à análise dos factos históricos aqui presentes.

Nascido em Évora no ano de 1470, Garcia de Resende poderá ser considerado como uma personagem bastante versátil e de grande importância para a cultura portuguesa do século XVI. Músico, desenhador, arquitecto humanista, poeta e cronista, são alguns dos talentos desta figura histórica do nosso país. De origens nobres e homem do Renascimento, Garcia de Resende era filho de Francisco Resende e de Beatriz Boto. Era um homem com uma mentalidade duplamente interessante que, se por um lado, se regia pelo estatuto do homem de uma era mais antiga, ligado aos valores de honra senhorial que tanto formaram o império português também, por outro lado, se regia de uma maneira mais moderna, começando a ficar ligado aos valores do Renascimento, muito mais aberto ao mundo, devido à enormíssima expansão ultramarina. A vida de Garcia de Resende, constitui um valioso contributo e uma lição para aprendermos a conhecer a formação mental da sociedade portuguesa numa época, plena de novas descobertas e de integração em novos mundos até então desconhecidos.

Garcia de Resende foi desde muito novo acolhido no Paço, tendo recebido a protecção do seu tio materno, Rui Boto. Sua alteza real, João II, viria a nomeá-lo seu moço de câmara, no ano de 1491, idêntica função à que lhe viria a ser atribuída, na casa do príncipe Afonso. Mais tarde, com a morte de Afonso, João II, trás Garcia de Resende, para mais perto de si e nomeia-o moço da escrivaninha. Com o passar do tempo, o cronista tornou-se muito íntimo de João II, visto que era com este que passava a maior parte do seu tempo. Muitas foram as obras que Garcia de Resende elaborou, mas sem dúvida, que uma das mais importantes foi o Cancioneiro Geral, escrito em 1516. Sendo um grande admirador de João II, escreveu uma obra na qual contou a vida e os feitos do monarca, já que o acompanhou até à sua morte. Assim, surgiu a Crónica de D. João II e Miscelânea, onde conta os restantes acontecimentos que o autor testemunhou.

Muitos autores, não consideram Garcia de Resende um cronista, face à sua verdadeira proximidade com o rei o que o torna, menos observador, qualidade exigida ao cronista da época. De facto, por ter sido criado ao lado de João II, Garcia de Resende resolve, sem que ninguém lho tenha encomendado, relatar nesta obra tudo o que acontecia e conhecia, sobre o seu idolatrado rei, tornando-a numa história de cariz mais pessoal, onde o elogio é uma constante, em detrimento da objectividade. Muitas críticas foram feitas ao seu trabalho, sendo que foi algumas vezes acusado de plagiar, trabalhos de outros autores. Os últimos anos da sua vida foram passados em Évora e pela dedicação com que serviu três reis, recebeu vários bens. Acabou por falecer a 3 de Fevereiro de 1536, no convento do Espinheiro, na cidade de Évora, onde foi sepultado.

Porque so Deos tem poder, ele so he o que sabe, ninguém pode cõprehender seus juyzios, e saber, e poder que nelle cabe; elle he todo bondade, elle he toda verdade, elle he o sumo bem, elle dá ser, e sostem nossa fraca humanidade.

CHRONICA DOS VALEROSOS, E INSIGNES FEITOS DEL REY DOM IOAM II DE GLORIOSA MEMORIA

A obra, que tal como o nome indica, foi escrita com o propósito de contar todos os feitos realizados pelo rei João II, assim como toda a sua vida, encontra-se dividia em duas partes, constituindo a primeira parte a Crónica do Rei João II e a segunda parte, a Miscelânea. A obra tem um total de 382 páginas. A obra inicia-se com um soneto feito por André Falcão de Resende (nascido em 1527, contemporâneo amigo de Luís de Camões, parente de Garcia de Resende e do humanista André de Resende), onde é feita uma espécie de breve introdução sobre o que a obra vai tratar. Numa página inteira, André Falcão de Resende, consegue transmitir ao leitor a total devoção que Garcia de Resende tinha pelo seu estimado rei João II, Mas a seu Rey, e a sua pátria agradecido, dandolhes digna fama, e immortal gloria, a si deu, e fez seu nome esclarecido. (Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1973.

Seguidamente, existe um breve texto sobre a Feliz Memoria Del Rey D. Ioam elaborado pelo impressor António Aluarez, onde é feita uma ovação a tão ilustre homem, para que jamais seja apagada a sua pessoa, da memória de todos os homens». In Lígia Camarão, Garcia de Resende, Crónica de D. João II e Miscelânea, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1973.

O principal objectivo deste trabalho consiste na elaboração de um estudo à grandiosa obra de Garcia de Resende, Crónica de D. João II e Miscelânea. Tendo em conta a riqueza de assuntos que este tema abrange, decidi abarcar de uma forma geral o contexto fundamental da obra, assim como referenciar alguns dos feitos atribuídos tanto ao autor Garcia de Resende, cuja sua passagem pela nossa história foi uma mais-valia para as sociedades vindouras, assim como ao rei João II, a quem tanto Garcia de Resende dedicou a vida.

Como afirma o Prof. Veríssimo Serrão no prefácio da obra1, A vida de Garcia de Resende constitui um valioso campo de estudo para se conhecer a formação mental da sociedade portuguesa na época em que a penetração do mundo exótico, juntando-se aos clarões europeus do Renascimento, criou em Portugal linhas de uma cultura de expressão singular.

Garcia de Resende deixou bem marcada a sua presença na nossa história e não queria que a mesma passasse em vão, principalmente no que diz respeito a todos os acontecimentos que testemunhou. A segunda parte integrante desta obra denomina-se, Miscelânea e tal como a crónica, fala-nos dos vários acontecimentos que o autor testemunhou numa época de expansão.

Após uma breve introdução sobre a vida do autor e tendo por base a obra analisada que, segundo Garcia de Resende, originalmente se chamava Chronica dos Valerosos e insignes feitos delRey Dom Ioam II de Glorioza Memoria, irei responder às perguntas essenciais que serviram de objectivo para este trabalho. Diversa bibliografia foi analisada para a elaboração deste trabalho onde incluo alguma bibliografia referente ao autor, bem como ao próprio rei João II. No entanto, apenas a Crónica, tema fulcral do mesmo, foi estudado duma forma mais aprofundada.

Para a correcta elaboração de um trabalho desta natureza, torna-se necessário efectuar uma análise abrangente tanto da obra em questão, que servirá como método de estudo em geral como de todas as obras disponíveis sobre a vida do autor e do próprio rei, para melhor se compreender a época em que se encontravam e a respectiva influência na vida de ambos. Sendo que a matéria estudada ao longo deste semestre, se tornou numa mais-valia, para a elaboração deste trabalho, passe-mos então à análise da vida do autor, Garcia de Resende. Conforme já acima referido, lembro que a vida de Garcia de Resende, está repleta de riquezas históricas e de grandes testemunhos de inúmeros acontecimentos pelo que, neste trabalho, tentei comparar os estudos académicos que realizei com a visão dos diversos autores, que dedicaram as suas vidas à análise dos factos históricos aqui presentes.

Nascido em Évora no ano de 1470, Garcia de Resende poderá ser considerado como uma personagem bastante versátil e de grande importância para a cultura portuguesa do século XVI. Músico, desenhador, arquitecto humanista, poeta e cronista, são alguns dos talentos desta figura histórica do nosso país. De origens nobres e homem do Renascimento, Garcia de Resende era filho de Francisco Resende e de Beatriz Boto. Era um homem com uma mentalidade duplamente interessante que, se por um lado, se regia pelo estatuto do homem de uma era mais antiga, ligado aos valores de honra senhorial que tanto formaram o império português também, por outro lado, se regia de uma maneira mais moderna, começando a ficar ligado aos valores do Renascimento, muito mais aberto ao mundo, devido à enormíssima expansão ultramarina. A vida de Garcia de Resende, constitui um valioso contributo e uma lição para aprendermos a conhecer a formação mental da sociedade portuguesa numa época, plena de novas descobertas e de integração em novos mundos até então desconhecidos.

Garcia de Resende foi desde muito novo acolhido no Paço, tendo recebido a protecção do seu tio materno, Rui Boto. Sua alteza real, João II, viria a nomeá-lo seu moço de câmara, no ano de 1491, idêntica função à que lhe viria a ser atribuída, na casa do príncipe Afonso. Mais tarde, com a morte de Afonso, João II, trás Garcia de Resende, para mais perto de si e nomeia-o moço da escrivaninha. Com o passar do tempo, o cronista tornou-se muito íntimo de João II, visto que era com este que passava a maior parte do seu tempo. Muitas foram as obras que Garcia de Resende elaborou, mas sem dúvida, que uma das mais importantes foi o Cancioneiro Geral, escrito em 1516. Sendo um grande admirador de João II, escreveu uma obra na qual contou a vida e os feitos do monarca, já que o acompanhou até à sua morte. Assim, surgiu a Crónica de D. João II e Miscelânea, onde conta os restantes acontecimentos que o autor testemunhou.

Muitos autores, não consideram Garcia de Resende um cronista, face à sua verdadeira proximidade com o rei o que o torna, menos observador, qualidade exigida ao cronista da época. De facto, por ter sido criado ao lado de João II, Garcia de Resende resolve, sem que ninguém lho tenha encomendado, relatar nesta obra tudo o que acontecia e conhecia, sobre o seu idolatrado rei, tornando-a numa história de cariz mais pessoal, onde o elogio é uma constante, em detrimento da objectividade. Muitas críticas foram feitas ao seu trabalho, sendo que foi algumas vezes acusado de plagiar, trabalhos de outros autores. Os últimos anos da sua vida foram passados em Évora e pela dedicação com que serviu três reis, recebeu vários bens. Acabou por falecer a 3 de Fevereiro de 1536, no convento do Espinheiro, na cidade de Évora, onde foi sepultado.

Porque so Deos tem poder, ele so he o que sabe, ninguém pode cõprehender seus juyzios, e saber, e poder que nelle cabe; elle he todo bondade, elle he toda verdade, elle he o sumo bem, elle dá ser, e sostem nossa fraca humanidade.

CHRONICA DOS VALEROSOS, E INSIGNES FEITOS DEL REY DOM IOAM II DE GLORIOSA MEMORIA

A obra, que tal como o nome indica, foi escrita com o propósito de contar todos os feitos realizados pelo rei João II, assim como toda a sua vida, encontra-se dividia em duas partes, constituindo a primeira parte a Crónica do Rei João II e a segunda parte, a Miscelânea. A obra tem um total de 382 páginas. A obra inicia-se com um soneto feito por André Falcão de Resende (nascido em 1527, contemporâneo amigo de Luís de Camões, parente de Garcia de Resende e do humanista André de Resende), onde é feita uma espécie de breve introdução sobre o que a obra vai tratar. Numa página inteira, André Falcão de Resende, consegue transmitir ao leitor a total devoção que Garcia de Resende tinha pelo seu estimado rei João II, Mas a seu Rey, e a sua pátria agradecido, dandolhes digna fama, e immortal gloria, a si deu, e fez seu nome esclarecido. (Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1973.

Seguidamente, existe um breve texto sobre a Feliz Memoria Del Rey D. Ioam elaborado pelo impressor António Aluarez, onde é feita uma ovação a tão ilustre homem, para que jamais seja apagada a sua pessoa, da memória de todos os homens». In Lígia Camarão, Garcia de Resende, Crónica de D. João II e Miscelânea, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1973.