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segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

No 31. Comer, Orar, Amar. Elizabeth Gilbert. «Vinha tentando convencer-me de que os meus sentimentos eram comuns, apesar de todas as provas em contrário, como a conhecida com quem eu havia esbarrado na semana anterio…»

Cortesia de wikipedia e jdact

«(…) Eu estava tentando tanto não saber isso, mas a verdade continuava a insistir. Eu não quero mais estar casada. Não quero morar nesta casa grande. Não quero ter um filho. Mas todos esperavam que eu quisesse ter um filho. Eu estava com 31 anos. Meu marido e eu, estávamos juntos havia oito anos, sendo seis casados, havíamos construído nossa vida inteira com base na expectativa comum de que, uma vez superada a avançada marca dos 30 anos, eu iria querer sossegar e ter filhos. Ambos esperávamos que, a essa altura, eu já tivesse me cansado de viajar e fosse ficar feliz em morar numa casa grande e barulhenta, cheia de crianças e de colchas feitas à mão, com um jardim nos fundos e um reconfortante ensopado borbulhando em cima do fogão. (O facto de esse ser um retrato bastante fiel da minha mãe é um indicador rápido de como antigamente era difícil para mim perceber a diferença entre eu mesma e a poderosa mulher que havia me criado.) Mas eu não queria nenhuma dessas coisas, e estava arrasada por estar me dando conta disso. Pelo contrário: meus 20 anos haviam chegado ao fim, aquele prazo final dos 30 havia-se abatido sobre mim como uma sentença de morte, e eu descobri que não queria engravidar. Continuava esperando querer ter um filho, mas isso não acontecia. E eu conheço a sensação de querer alguma coisa, podem acreditar. Sei muito bem o que é desejo. Mas esse desejo não existia. Além do mais, eu não conseguia parar de pensar no que minha irmã me tinha dito certo dia, enquanto amamentava o seu primogénito: Ter um filho é como fazer uma tatuagem na cara. Precisa realmente ter a certeza de que é isso que quer antes de se comprometer.

Mas como poderia voltar atrás agora? Tudo estava no lugar certo. Supostamente, aquele deveria ser o ano. Na verdade, já vínhamos tentando engravidar havia alguns meses. Mas nada tinha acontecido (excepto pelo facto de, num arremedo quase sarcástico de uma gravidez, eu estar tendo enjôos matinais psicossomáticos e vomitando meu café-da-manhã todos os dias, aflita). E todo o mês, quando eu ficava menstruada, via-me sussurrando furtivamente no banheiro: Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada por me dar mais um mês de vida. Eu vinha tentando convencer-me de que isso era normal. Todas as mulheres devem sentir-se assim quando estão tentando engravidar, concluí. (Ambivalente, foi a palavra que usei, evitando a descrição muito mais exacta, inteiramente dominada pelo pânico).

Vinha tentando convencer-me de que os meus sentimentos eram comuns, apesar de todas as provas em contrário, como a conhecida com quem eu havia esbarrado na semana anterior, que acabara de descobrir que estava grávida do primeiro filho depois de gastar dois anos e rios de dinheiro em tratamentos de fertilidade. Ela estava em êxtase. Sempre desejara ser mãe, disse-me. Admitiu que vinha comprando roupinhas de bebé secretamente havia anos, e escondendo-as debaixo da cama, onde seu marido não as encontraria. Vi a alegria no seu rosto e a reconheci. Era uma alegria idêntica à que meu próprio rosto havia irradiado na Primavera anterior, no dia em que descobri que a revista para a qual eu trabalhava iria me mandar para a Nova Zelândia para escrever um artigo sobre a busca por uma lula gigante». In Elizabeth Gilbert, Comer, Orar, Amar, 2006, Bertrand Editora, 2006, ISBN 978-972-251-503-0.

 ortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Elizabeth Gilbert, Literatura, MLCT, Aniversário, Itália, Indonésia, Índia, 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Comer, Orar, Amar. Elizabeth Gilbert. «Ali, ofereço ao universo uma fervorosa oração de agradecimento. Primeiro, em inglês. Em seguida, em italiano. E então, só para ter a certeza, em sânscrito»

 

Cortesia de wikipedia e jdact

«(…) Usando meus aguçados poderes de intuição, mandei um e-mail para os dois homens ao mesmo tempo, perguntando, em italiano: será que vocês são irmãos? Foi Giovanni quem respondeu com este texto muito provocativo: melhor ainda. Gémeos! Sim, muito melhor. Gémeos idênticos de 25 anos, altos, morenos e lindos, conforme vim a descobrir, com aqueles gigantescos olhos castanhos de pupilas líquidas que os italianos têm e que simplesmente me tiram o chão. Depois de conhecer os rapazes pessoalmente, comecei a perguntar-me se por acaso eu deveria ajustar um pouquinho a minha regra quanto a permanecer solteira durante este ano. Por exemplo, talvez eu pudesse permanecer totalmente solteira excepto pelo facto de ter dois lindos irmãos italianos de 25 anos como amantes. Isso me lembrava um pouco um amigo meu que é vegetariano, mas come bacon, e no entanto… Eu já estava escrevendo a minha carta para o fórum de alguma revista masculina: em meio à penumbra bruxuleante iluminada pelas velas do café romano, era impossível dizer de quem eram as mãos que acariciavam… Mas não. Não, não, não.

Interrompi a fantasia no meio. Aquele não era o momento para eu arrumar uma história de amor e (conseqüência óbvia e inevitável) complicar ainda mais a minha já tão enrolada vida. Aquele era o momento para eu procurar o tipo de cura e paz que só podem vir da solidão. De todo o modo, àquela altura, em meados de Novembro, o tímido e estudioso Giovanni e eu já havíamos nos tornado grandes amigos. Quanto a Dario, o mais extrovertido e festeiro dos dois irmãos, eu o apresentei à minha encantadora amiguinha sueca, Sofie, e o modo como eles têm compartilhado as suas noites em Roma é outro tipo completamente diferente de intercâmbio. Mas Giovanni e eu só fazemos conversar. Bom, comer e conversar. Já faz várias agradáveis semanas que temos comido e conversado, dividindo pizzas e gentis correcções gramaticais, e a noite de hoje não foi nenhuma excepção. Uma noite maravilhosa regada a novos idiomas e mozzarella fresca.

Agora é meia-noite e o tempo está enevoado, e Giovanni me acompanha até ao meu apartamento por aquelas ruelas de Roma que serpenteiam de forma natural em volta dos antigos prédios como pequenos riachos coleando ao redor das sombras formadas pelos densos bosques de ciprestes. Agora estamos diante da minha porta. Estamos de frente um para o outro. Ele me dá um abraço caloroso. A coisa já evoluiu; durante as primeiras semanas, ele só fazia apertar minha mão. Acho que, se eu ficasse na Itália por mais três anos, poderia até ser que ele tomasse coragem para me beijar. Por outro lado, ele poderia simplesmente me beijar agora mesmo, esta noite, aqui mesmo junto à minha porta…, ainda há uma chance…, quero dizer, nossos corpos estão colados sob o luar…, e é claro que isso seria um erro terrível…, mas mesmo assim o facto de ele poder realmente fazer isso agora é uma possibilidade tão maravilhosa…, ele poder simplesmente se curvar…, e…, e… Que nada. Ele solta o abraço. Boa-noite, cara Liz. Buona notte, caro mio, respondo. Subo as escadas até ao meu apartamento no quarto andar, sozinha. Entro na minha mini cozinha, sozinha. Fecho a porta atrás de mim. Mais uma noite solitária em Roma. Mais uma longa noite de sono pela frente, sem ninguém nem nada na minha cama a não ser uma pilha de guias de conversação e dicionários de italiano. Estou sozinha, inteiramente sozinha, completamente sozinha. Ao absorver essa realidade, largo minha bolsa, caio de joelhos e encosto a testa no chão. Ali, ofereço ao universo uma fervorosa oração de agradecimento. Primeiro, em inglês. Em seguida, em italiano. E então, só para ter a certeza, em sânscrito.

E uma vez que já estou ali ajoelhada no chão em posição de súplica, deixem-me manter essa posição enquanto viajo no tempo até três anos atrás, até ao instante em que toda esta história começou, um instante que também me encontrou nessa mesma exacta posição: de joelhos, no chão, rezando. No entanto, tudo o mais em relação à cena de três anos atrás era diferente. Daquela vez eu não estava em Roma, mas sim no banheiro do andar de cima da grande casa no subúrbio de Nova York que eu acabara de comprar com meu marido. Eram mais ou menos três horas da manhã de um Novembro gelado. Meu marido dormia na nossa cama. Eu estava escondida no banheiro pelo que deveria ser a 47a noite consecutiva, e, como em todas aquelas outras noites, estava soluçando. Soluçando com tanta força, na verdade, que uma grande poça de lágrimas e muco se espalhava à minha frente sobre os ladrilhos da casa de banho, um verdadeiro lago formado por toda a minha vergonha, medo, confusão e dor. Eu não quero mais estar casada». In Elizabeth Gilbert, Comer, Orar, Amar, 2006, Bertrand Editora, 2006, ISBN 978-972-251-503-0

Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Elizabeth Gilbert, Literatura, Itália, Indonésia, Índia,

 

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Comer, Orar, Amar. Elizabeth Gilbert. «Em Roma, estudou a arte do prazer, aprendeu a falar italiano e engordou os 23 quilos mais felizes da sua existência. Reservou a Índia para praticar a arte da devoção»

Cortesia de wikipedia e jdact

«Quando fez 30 anos, Elizabeth Gilbert tinha tudo o que uma mulher americana formada e ambiciosa podia querer: um marido, uma casa, uma carreira de sucesso. Mas em vez de estar feliz e preenchida, sentia-se confusa e assustada. Depois de um divórcio infernal e de uma história de amor fulminante acabada em desgraça, Gilbert tomou uma decisão determinante: abdicar de tudo, despedir-se do emprego e passar um ano a viajar sozinha. Comer na Itália, Orar na Índia e Amar na Indonésia é uma micro-autobiografia desse ano. O projecto de Elizabeth Gilbert era visitar três lugares onde pudesse desenvolver um aspecto particular da sua natureza no contexto de uma cultura que tradicionalmente se destacasse por fazê-lo bem. Em Roma, estudou a arte do prazer, aprendeu a falar italiano e engordou os 23 quilos mais felizes da sua existência. Reservou a Índia para praticar a arte da devoção. Com a ajuda de um guru nativo e de um cowboy do Texas surpreendentemente sábio, Elizabeth empenhou-se em quatro meses de exploração espiritual ininterrupta. Em Bali, aprendeu a equilibrar o prazer sensual e a transcendência divina. Tornou-se aluna de um feiticeiro nonagenário e apaixonou-se da melhor maneira possível, inesperadamente». In Sinopse

 

«Eu queria que o Giovanni me beijasse. Ah, mas são tantos os motivos que fariam disso uma péssima ideia... Para começar, Giovanni é dez anos mais novo do que eu, e, como a maior parte dos rapazes italianos de vinte e poucos anos, ainda mora com a mãe. Só esses dois factos já fazem dele um parceiro romântico improvável para mim, já que sou uma americana de trinta e poucos anos que trabalha, acaba de passar por um casamento falido e por um divórcio arrasador e interminável, imediatamente seguido por um caso de amor apaixonado que terminou com uma dolorosa ruptura. Todas essas perdas, uma atrás da outra, deixaram em mim uma sensação de tristeza e fragilidade, e a impressão de ter mais ou menos 7 mil anos de idade. Por uma simples questão de princípios, eu não imporia essa minha pessoa desanimada, derrotada e velha ao adorável, inocente Giovanni. Sem falar que eu finalmente havia chegado à idade em que uma mulher começa a questionar se a maneira mais sensata de superar a perda de um lindo rapaz de olhos castanhos é mesmo levar outro para sua cama imediatamente. É por isso que já faz muitos meses que estou sozinha. É por isso, na verdade, que decidi passar este ano inteiro sozinha. Diante do que o observador mais arguto poderá perguntar: então porque veio para Itália?

E tudo que posso responder, sobretudo quando olho para o belo Giovanni do outro lado da mesa, é: boa pergunta. Giovanni é meu parceiro de intercâmbio de línguas. Isto pode parecer uma insinuação, mas infelizmente não é. Tudo o que realmente significa é que nós nos encontramos algumas noites por semana aqui em Roma para praticar o idioma um do outro. Primeiro conversamos em italiano, e ele é paciente comigo; em seguida, conversamos em inglês, e eu sou paciente com ele. Descobri que Giovanni algumas semanas depois de ter chegado a Roma, graças ao grande cybercafé da Piazza Barbarini, do outro lado da rua, em frente àquele chafariz com a escultura de um homem com rabo de peixe soprando sua concha. Ele (Giovanni, não o homem com o rabo de peixe) fixara um anúncio no quadro de avisos explicando que um italiano nativo estava procurando alguém que falasse inglês para treinar conversação nas duas línguas. Logo ao lado do seu anúncio havia outro com o mesmo pedido, absolutamente idêntico em cada palavra, e até na fonte usada. A única diferença era a informação para contato. Um dos anúncios trazia o endereço eletrónico de um tal Giovanni; o outro tinha o nome de um tal Dario. Mas até o número do telefone residencial era o mesmo». In Elizabeth Gilbert, Comer, Orar, Amar, 2006, Bertrand Editora, 2006, ISBN 978-972-251-503-0
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Cortesia de BertrandE/JDACT

JDACT, Elizabeth Gilbert, Literatura, Itália, Indonésia, Índia,

domingo, 9 de maio de 2010

Sismo na Sumatra: Magnitude 7.2. Hoje, 9 de Maio, às 06h 59mim (hora legal)

Cortesia USGS NEIC (WDCS-D) 
Foi registado um sismo de magnitude 7.2 na Indonésia, na parte norte da Sumatra. O sismo ocorreu às 06h 59min (hora legal em Portugal Continental). O epicentro foi localizado em 3,78N 96,06E a uma profundidade de 45 km. O sistema de alerta de maremoto ou tsunami foi accionado.
NOTA: Foi cancelado o alerta de onda gigante que tinha sido emitido na sequência de um sismo de magnitude 7,2 graus na escala de Richter que abalou a zona norte de Samatra. 10h 36 (hota legal).
JDACT

sábado, 10 de abril de 2010

Sumatra do Norte (Indonésia): Sismo de magnitude 7,7 (6Abril2010)

Sumatra do Norte, Indonésia, de 6 de Abril de 2010 - Magnitude 7,7
No pp dia 6 de Abril ocorreu um sismo de magnitude 7.7 nas Ilhas Banyak, Sumatra do Norte, Indonésia. O acontecimento verificou-se perto do limite da placa de interface entre a Índia e Austrália-Sunda.
JDACT