Mostrar mensagens com a etiqueta Haussmann. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Haussmann. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Leituras. Parte XXXVII. Renovação de Paris. O Bois de Boulogne. «O plano concluir-se-ia com a construção de estações de caminho-de-ferro (a de Lyon e a do Nord), monumentos (a Opéra de Garnier e os teatros da Place de Chatelet, de Davioud) e grandes espaços verdes (o Bois de Bolongne, a oeste, e o de Vencennes, a leste)»

Viaduto des Arts
Cortesia de gutierrez

«Ao longo do Segundo Império, o plano de Haussmann mudou a face da cidade de Paris. Grandes avenidas interligadas, praças de estrutura radial e extensas zonas verdes deram forma à nova ordem. Mas a reforma também originou uma profunda ruptura social.
Paris conservava em meados do século XIX a estrutura urbana da cidade medieval, mas o crescimento demográfico por que passou a partir do século XVIII originou a enorme deterioração das condições de habitabilidade das suas casas e ruas. Já desde a Revolução Francesa e do Império de Napoleão I se tinham abordado reformas pontuais. Durante a década de 1830, quando Rambuteau era perfeito de Paris, tomou-se consciência da gravidade e envergadura do problema. É sua esta frase: «É preciso dar aos parisienses água, ar e sombra». Mas foi a partir da proclamação do Segundo Império, em 1852, por Carlos Luís Napoleão Bonaparte como Napoleão III, que se levou à prática um plano de reforma urbanística assinado por Haussmann.

Cortesia de olympia1855

A higienização e modernização da cidade era o principal objectivo, mas o controlo e fácil repressão dos seus habitantes, depois da experiência de uma série de revoluções que o século trouxe consigo, não constituiu um factor de menor importância.

O plano urbanístico
A empresa da reforma urbanística dirigida por Haussmann abarcou todo o período do Segundo Império e, inclusive, alargou-se para lá de 1870, até à Terceira República.

O Bar do Folies Bergère e Bois de Boulogne
Manet
Cortesia de wikipedia

O desenvolvimento das operações reflecte a evolução do Império: autoritário até 1859, mais brando a partir de 1860. Entre 1854 e 1858, Haussmann aproveitou a fase mais autoritária do reinado de Napoleão III para empreender o que talvez só neste decénio pudesse ser efectuado em toda a história de Paris: transformar o seu centro perfurando-o com um cruzamento gigantesco, formado pelo Boulevard de Sébastopol e pelo seu prolongamento no Saint Michel com a rue du Rivoli, que mandada construir por Napoleão I, se alongaria agora até à rue Saint Antoine. Este enorme cruzamento completar-se-ia com eixos que ligavam a primeira coroa de ‘boulevards’ com o centro, como a rue de Rennes na margem esquerda do rio Sena e a avenue de L’Opéra na margem direita.

A coroa de ‘boulevards’, por seu lado, terminaria com os ‘boulevards’ Haussmann e Voltaire na margem direita e com o Saint Germain na esquerda. Nos últimos anos do mandato de Haussmann, os bairros do oeste beneficiaram de uma operação de prestígio:
  • Doze avenidas, novas na sua maioria, uniram-se na Place de L’Étoile.
Além desta, criaram-se outras praças como núcleos nevrálgicos por toda a Paris:
  • A Place Léon-Blum, a da République, a da Opéra, a de L’Alma.
O plano concluir-se-ia com a construção de estações de caminho-de-ferro (a de Lyon e a do Nord), monumentos (a Opéra de Garnier e os teatros da Place de Chatelet, de Davioud) e grandes espaços verdes ( o Bois de Bolongne, a oeste, e o de Vencennes, a leste).

A ruptura social
O plano de renovação urbanística de Haussmann teve os seus custos sociais. Em todo o período do Segundo Império, destruíram-se vinte mil edifícios para se construírem quarenta mil, o que levou a arrancar das suas raízes uma boa parte da população.

O Bois de Boulogne
Renoir e Jean Béraud
Cortesia de wikipedia

Além disso, as diversas classes sociais co-habitavam antes nos mesmos bairros e casas, enquanto, depois da reforma, se criou uma grande ruptura social: os ricos e burgueses ocuparam a zona oeste e o centro, as zonas mais favorecidas pelo Plano Haussmann, e os pobres ficram na zona ficaram na zona leste ou foram para a periferia, marginalizados pela reforma.

NOTA: Para estabelecer um bosque na zona oeste de Paris, chamado Bois de Boulogne, Napoleão III mandou Haussmann construir um parque à semelhança do Hyde Park de Londres. Criaram-se assim zonas de relva, bosques de carpas, cedros, castanheiros, olmos e até sequóias. Também por lá passava um regato e formaram-se lagos, um superior e outro inferior, ligados por uma cascata. Todas as alamedas, à excepção de duas, foram desenhadas de maneira serpentiforme. Finalmente, abriram-se 35 km de caminhos, 8 km de vias para ciclistas e 9 km para a equitação. Do conjunto, destacam-se o parque de Bagatelle e o hipódromo de Longchamp. 

O historiador Robert Herbert defende que os impressionistas, com quadros como ‘O Bar do Folies Bergère’ de Manet, mostraram claramente esta falta de ligação entre as classes». In Gayban Grafie, ISBN 978-989-651-085-5.

Cortesia de Gayban/JDACT

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Leituras. Parte XXXIV. Paris. Georges Haussmann. «Criador da Paris moderna, para uns, destruidor da antiga, para outros, a verdade é que há na história da capital francesa um antes e um depois da actuação urbanística de Haussmann. O imperador nomeou-o perfeito do departamento do Sena a 22 de Junho de 1853»

(1809-1891)
Paris
Cortesia de olympia1865

«Responsável pela transformação urbana de Paris, que converteu a antiga cidade medieval numa capital moderna e funcional, o ‘barão’ Haussmann foi uma figura controversa ao serviço do Segundo Império. Os custos da sua enorme empresa, não só económicos, mas sobretudo sociais, granjearam-lhe tantas críticas como elogios ao seu sucesso.

Criador da Paris moderna, para uns, destruidor da antiga, para outros, a verdade é que há na história da capital francesa um antes e um depois da actuação urbanística de Georges Eugène Haussmann, nascido nesta cidade a 27 de Março, numa casa que não hesitou em demolir para levar a cabo o seu plano de reformas. Era filho de Nicolas Valentin Haussmann, comissário de Guerra e intendente militar de Napoleão I, e de Ève Marie Dentzel, filha do general e deputado da Convenção Georges Dentzel, barão do Império.
Enquanto seu único descendente varão, Haussmann adoptou abusivamente o título de barão, apesar de não ter sido oficializado, e viveu legalmente como um mero Sr. Haussmann. No entanto, nas suas “Memórias (1890-1891)”, um documento importante para se conhecer a história do urbanismo de Paris e a cuja redacção dedicou os últimos anos da sua vida, Haussmann justificou o uso do título de barão baseando-se num decreto pelo qual o imperador Napoleão III o outorgou, em 1857, a todos os senadores.

Cortesia de wikipedia

Foi o principal homem de Estado do Segundo Império, Victor de Persigny, que apresentou Haussmann a Napoleão III. O imperador nomeou-o perfeito do departamento do Sena a 22 de Junho de 1853, sucedendo a Claude P. Barthelot, conde de Rambuteau, e a Jean J. Berger, com a tarefa de reurbanizar Paris, seguindo o exemplo de Londres após o incêndio de 1666, já transformada numa moderna capital industrial.

Haussmann estudara no colégio Henrique IV e no Instituto Condorcet de Paris, e posteriormente terminou o curso de Direito, que concertou com os estudos de música no Conservatório da capital francesa. Casou-se em 1838 em Bordéus com Octavie de Laharpe, de quem teve duas filhas, Henriette e Valentine. Em 1831, foi designado secretário-geral da perfeitura de Vienne, em Poitiers, e no ano seguinte subperfeito de Yssingeaux. Antes de se estabelecer em Paris com a instauração do Segundo Império. Grande parte da estrutura e estética da Paris moderna é fruto do plano de reforma que Haussmann dirigiu.

NOTA: As contas fantásticas de Haussmann. Em 1865, foi aprovado um empréstimo de 250 milhões de francos para o plano de Haussmann, e outro de 260 milhões, em 1869. Estes valores representavam apenas uma parte dos excessos financeiros do ambicioso projecto . Jules Ferry, um forte opositor do Segundo Império e posteriormente uma importante figura da Terceira República, acusou o barão na sua obra ‘As Contas Fantásticas de Haussmann, numa alusão a “Os Contos Fantásticos de Hoffmann”, de ter gasto 1.500 milhões de francos. O governo de Émile Ollivier destituiu Haussman pouco antes da queda de Napoleão III. Os sues métodos pouco democráticos e as duvidosas manobras financeiras também foram criticados põe Émile Zola no seu romance “La Curée”.

Cortesia de wikipedia

As grandes avenidas como:
  • o Boulevard de Sébastopol e o de Saint Michel ou a rue du Rivoli;
  • núcleos de ordenação radial como a Place de L’Étoile, actualmente de Charles de Gaulle, e a da Ópera;
  • grandes zonas verdes e parques, como o Bois de Bologne e o de Vincennes;
  • pontes novas e renovadas sobre o Sena como as de Saint Michel, dos Invalidos e L’Alma;
  • o sistema de canalizações e esgotos;
  • as típicas fachadas dos edifícios modernistas são alguns dos traços emblemáticos da sua obra urbanística.
O seu cargo ao serviço da transformação urbana de Paris concedeu-lhe o lugar de senador em 1857 e de membro da Academia de Belas Artes em 1867. Também lhe foi concedida a Grã-Cruz da Legião de Honra, em 1862. Depois da queda do Segundo Império em 1870, Haussmann foi deputado bonapartista por Ajácio durante a Terceira República.
Morreu em Paris e foi sepultado no cemitério Père Lachaise». In Gayban Grafie, ISBN 978-989-651-085-5.

Cortesia de Gayban/JDACT