Mostrar mensagens com a etiqueta Bom Jesus do Monte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bom Jesus do Monte. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte X. «A “Estátua de São Longuinhos” é uma estátua equestre que está sobre um penedo onde existiu a torre da primitiva Igreja do Bom Jesus. É um soldado, com escudo e lança, tudo em granito da região».

jdact

«Terminados os escadórios, passemos ao Terreiro de Moisés, que é uma praça elíptica, situada entre o fim dos escadórios e a adro. A praça, tal como a igreja, foi projectada por Carlos Amarante. Era aqui que se situava a primitiva igreja, terminada em 1725, mandada construir pelo bispo Rodrigo de Moura. Era uma construção elipsoidal, rematada por uma platibanda rendilhada, com oito pilastras em contraforte. A construção não foi das melhores, e em 1780 a pressão da abóbada deslocou as paredes, que foi necessário escorar com troncos de árvore. Data daí a ideia de construir o templo actual. No local onde se situava a torre da primitiva igreja, sobre um penedo, está actualmente a "Estátua de São Longuinhos".
A “Estátua de São Longuinhos” é uma estátua equestre que está sobre um penedo onde existiu a torre da primitiva Igreja do Bom Jesus. É um soldado de avantajada estatura, com escudo e lança, tudo em granito da região. Foi oferecida em 1819 por Luís de Castro Regalados e executada pelo escultor Pedro José Luis.
“São Longuinhos” viveu no primeiro século, contemporâneo de Jesus, e seria o soldado que feriu o lado de Jesus com a sua lança. Provavelmente porque Longinus é derivado do grego "longche" que significa lança.
Diz a tradição que a água que saia do lado ferido de Jesus respingou no seu rosto e ele imediatamente sarou de uma grande problema de visão, converteu-se e reconheceu Cristo como sendo o "filho de Deus" na crucificação. Deixou depois o exército, recebeu instrução dos apóstolos e tornou-se um monge na Caesarea, Capadócia (hoje Turquia).
Diz, também, a tradição que foi preso e torturado para renegar a sua fé tendo seus dentes sido arrancados e a língua cortada, mas o juiz encarregado do martírio ficou cego e Longuinhos voltou a falar dizendo que o juiz só ficaria curado após a sua morte. Foi imediatamente decapitado e de imediato o juiz ficou completamente são e também se converteu.
No terreiro há duas capelas:
  • a de São Pedro,
  • a de Santa Maria Madalena.
No largo há mais duas capelas.
  • A sul, a capela da elevação, representa Cristo pregado na cruz a ser erguido sobre o calvário. Na portada tem a inscrição: “Et ego exaltatus fuero a terra, omnia traham ad me ipsum. Joan. 12, 32; -"E quando eu for levantado da terra todas as coisas atraírei a mim.";
  • A norte, a capela do descimento, a inscrição diz: “Deponentes eum de ligno”. Act. Apost. C. 13, v. 20. - "Tirando-o do madeiro". Ambas com esculturas em madeira de Fonseca Lapa.

jdact

O fundo do largo é ornamentado pela fonte do pelicano concluída em 1819, obra do canteiro Jerónimo António da Silva. Quanto à Igreja, foi desenhada pelo arquitecto Carlos Amarante, por encomenda do Arcebispo Gaspar de Bragança, para substituir uma primitiva igreja, mandada construir por Rodrigo de Moura Teles que se encontrava em ruínas. As obras começaram em 1 de Junho de 1784, tendo ficado concluídas em 1811. É um dos primeiros edifícios neoclássicos em Portugal. Movimento cultural do fim do século XVIII, o Neoclassicismo está identificado com a retomada da cultura clássica por parte da Europa Ocidental em reacção ao estilo barroco». In Peregrinar, Maria.

Continua
Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT

sábado, 5 de novembro de 2011

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte IXe. «Exprimem, ao mesmo tempo, uma intervenção do além e a dualidade de todo ser ou o dualismo de suas tendências, espirituais e materiais, diurnas e nocturnas. Os gémeos simbolizam o estado de ambivalência do universo mítico»

jdact

Escadório das Três Virtudes
O Escadório das Virtudes, que são as Virtudes Teólogas e não as Cardeais, que aqui não figuram, reforçando desta feita o alcance católico do programa, executado já no tempo do arcebispo D. Gaspar de Bragança, na segunda metade do século XVIII, acrescentado portanto ao Escadório dos Sentidos, e já da provável traça de Carlos Amarante. O esquema geral é idêntico ao anterior, uma imagem central ladeada por outras duas, pese embora as fontes encontrarem-se instaladas em grandes nichos, no meio do espaldar das escadas. As figuras complementares são, neste caso, alegóricas e não remetem para a Bíblia ou para a mitologia. A fonte comporta um símbolo relativo à virtude teóloga correspondente.

jdact

3ª Fonte das Virtudes: A Caridade
Símbolos: Coração

Caridade no vocabulário cristão é o amor que move a vontade à busca efectiva do bem de outrem e procura identificar-se com o amor de Deus. Caridade é a acção de ajudar ao próximo através de gestos e palavras sem a necessidade de reconhecimento público. Este sentimento pode ser representado pelo amor ao próximo incondicional. "... Que a mão direita não saiba o que a esquerda faz ...."

jdact

Aqui, a Caridade é representada por duas crianças de pé, tendo nas mãos um coração com uma bica de água.
Duas crianças, gémeos: todas as culturas e mitologias testemunham um interesse particular pelo fenómeno dos gémeos. Quaisquer que sejam as formas pelas quais são eles imaginados:
  • perfeitamente simétricos;
  • ou um escuro e o outro luminoso;
  • um voltado para o céu, o outro para terra;
  • um negro, o outro branco, azul ou vermelho;
  • um com cabeça de touro;
  • o outro com cabeça de escorpião.
Exprimem, ao mesmo tempo, uma intervenção do além e a dualidade de todo ser ou o dualismo de suas tendências, espirituais e materiais, diurnas e nocturnas. Os gémeos simbolizam o estado de ambivalência do universo mítico.
Segundo Lurker, o coração que aparece muitas vezes associado à árvore e também à maçã, trata-se do órgão central do corpo humano e simbolicamente centro do homem e do mundo. Para Santo Agostinho o coração é o recipiente do amor divino e os homens devem procurar o conhecimento através do amor. O coração é o rei do corpo, pois sem ele não há vida. Pode-se por isso fazer uma analogia entre o coração e o monarca.

«A criança é o símbolo do renascer do homem, do regresso a um estado puro, da conquista da paz interior. São duas as crianças, uma feminina e a outra masculina, unidas num coração que ambas seguram. Esta dualidade espiritual designa nomeadamente a dádiva e a receptividade, o espírito e a alma que se unem graças ao coração, sendo este o centro onde reside a Vida do homem. É interessante referir que, para os Egípcios, o coração era simbolizado por um vaso, já que este último permite não só conter as águas da vida, mas também verter. Um vaso que não se esvazia vai transbordando sem que possa regenerar as suas águas e, dessa forma, ganhará no fundo os limos e impurezas do egoísmo. A Caridade é o acto de dar e, acima de tudo, de se dar para que seja possível receber, naturalmente, um novo alento no coração».

Ao centro e no plano superior está uma estátua de mulher com duas crianças nos braços e a inscrição:
  • Caridade. Tria haec...major auten horum est charitas. Ad Corint. I C. 13, 13. - «São três estas virtudes... a maior delas, porém, é a caridade.


jdact

No cimo da fonte está a estátua da Caridade:
  • uma mulher de alegre semblante sustenta duas crianças nos braços. Trata-se de Ísis, a Virgem, a Natureza fecunda: é a caridade suprema, a dadora de Vida».
À esquerda a estátua da Benignidade. Uma figura feminina com diadema coroado pelo sol, encostada a um elefante, com os braços abertos e um ramo de pinheiro na mão direita. A inscrição diz:
  • Benignidade. Charithas...benigna est. I Cor. 13, 4. - «A caridade é benigna».


jdact

À direita a estátua da Paz, com um ramo de oliveira na mão direita e a inscrição:
  • Paz. Pax fratribus, et charitas cum fide. Eph. 6, 23. - «Paz seja aos irmãos e caridade com fé».


jdact

In Peregrinar/Maria

Continua
Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Braga. Escadório do Bom Jesus do Monte: Haverá um percurso alquimista na escadaria? Parte IXd. «Esperança é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal. A esperança requer uma certa perseverança, i.e., acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário»


jdact

Escadório das Três Virtudes.
«O Escadório das Virtudes, que são as Virtudes Teólogas e não as Cardeais, que aqui não figuram, reforçando desta feita o alcance católico do programa, executado já no tempo do arcebispo D. Gaspar de Bragança, na segunda metade do século XVIII, acrescentado portanto ao Escadório dos Sentidos, e já da provável traça de Carlos Amarante. O esquema geral é idêntico ao anterior, uma imagem central ladeada por outras duas, pese embora as fontes encontrarem-se instaladas em grandes nichos, no meio do espaldar das escadas. As figuras complementares são, neste caso, alegóricas e não remetem para a Bíblia ou para a mitologia. A fonte comporta um símbolo relativo à virtude teóloga correspondente».


jdact

2ª Fonte das Virtudes: A Esperança
Símbolos: Arca da Aliança.
Esperança é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal. A esperança requer uma certa perseverança, i.e., acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário.

jdact

A fonte da Esperança é simbolizada pela arca de Noé por baixo da qual cai água com a legenda:
  • Arca in qua...animae salvae factae sunt...Petr. 3, V. 20. - «Arca na qual... se salvaram almas».
«A arca é o símbolo do cofre ou tesouro de regeneração cíclica, constituindo assim o princípio da conservação e do renascimento. É o vaso alquímico onde se processa a transmutação dos metais, ou o coração do homem-alquimista no qual se opera a transmutação do humano em divino».

jdact

A fonte tem no seu topo a estátua da esperança, pegando numa âncora na mão esquerda e uma pomba na direita e a inscrição:
  • Esperança. Expectantes beatam spem et adventum gloriae. Ad Tit. 2, 13. «Aguardando esperança bem-aventurada e a vinda da glória».
Do lado esquerdo a estátua da Confiança com um navio na mão e a inscrição:
  • Confidentia. In spe erit fortitudo vestra. Isai 30, 15. - «Na esperança estará vossa fortaleza».
Do lado direito a estátua da Glória que segura o sol e uma palma com a inscrição:
  • Gloria... Oculos non vidit nec auris audivit. Ad Corint. I C, 9. - «O olho não viu nem o ouvido ouviu».
In Peregrinar/Maria.

(Continua)
Cortesia de Gabriel/Peregrinar/Maria/JDACT