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domingo, 22 de janeiro de 2023

D. Fernando I. 2º duque de Bragança. Maria Barreto Dávila. «Afonso nasceu entre os anos de 1370 e 137734, filho de Inês Pires e de João I, na altura, mestre de Avis, no castelo de Veiros, em Estremoz. Foi ali criado por sua mãe e mais tarde em Leiria por Gomes Martins Lemos…»

Cortesia de wikipedia e jdact

O Legado de Nuno Álvares Pereira

«(…) A consolidação da nova dinastia de Avis e a vitória dos seus partidários sobre a facção castelhana deu azo à emergência de uma nova nobreza composta, na sua grande maioria, por filhos segundos e membros de linhagens inferiores que se haviam destacado militarmente no apoio ao mestre de Avis. O maior beneficiado destes nobres foi, sem dúvida alguma, dom Nuno Álvares Pereira nascido em 1360, filho bastardo de Álvaro Gonçalves Pereira, prior do Hospital, e de Iria Gonçalves Carvalhal. O condestável casara, muito jovem, com dona Leonor Alvim, viúva de Vasco Gonçalves Barroso. A sua condição de viúva parece justificar este matrimónio algo atípico, dado a precoce idade de dom Nuno (que tinha dezasseis anos quando casou) e o estatuto económico superior da noiva, já que as viúvas constituíam, no mercado matrimonial, uma segunda escolha, uma opção desvalorizada. Deste casamento, o condestável teve apenas uma filha, dona Beatriz.

Quando o condestável enviuvou em 1387, dom João I propôs-lhe novo matrimónio, desta feita com dona Beatriz Castro, filha de Álvaro Pires Castro que, curiosamente, fora o primeiro condestável do Reino, nomeado por dom Fernando, em 1382. Viúvo cobiçado, detentor de uma enorme fortuna, talvez a maior do Reino nessa altura, e com apenas uma filha, era natural que Nuno Álvares Pereira voltasse a casar. Contudo, o condestável recusou terminantemente a proposta do rei. Seria o início da sua vida casta e ascética. O seu marcante desempenho durante a crise dinástica, que lhe havia granjeado importantes doações de terras e títulos, sobretudo confiscados aos familiares e principais aliados de dona Leonor Teles, tornara-se algo perigoso para o novo rei, que se arrependera, em parte, das grandiosas doações que fizera. Nuno Álvares Pereira era o único nobre no Reino com uma hoste capaz de lhe fazer frente.

Dona Beatriz, herdeira da imensa fortuna do seu progenitor, era uma noiva muito almejada. O rei, arrependido, via na união de dona Beatriz com um dos seus filhos uma solução de compromisso e uma forma dos bens por ele doados regressarem à Coroa. Por seu lado, o condestável via na ligação à família real uma estratégia para potenciar, ainda mais, o seu poder. Todavia as negociações não foram fáceis. O monarca pretendia casar a herdeira do condestável com o sucessor do trono, o príncipe dom Duarte, significativamente mais novo do que dona Beatriz. Contudo, não era essa a pretensão do condestável, que dava primazia à construção de uma casa senhorial independente da casa real. Do ponto de vista de Nuno Álvares Pereira, o objectivo central a atingir com o casamento da filha seria o da constituição de uma casa senhorial que perpetuasse a sua linhagem e a sua memória.

A solução foi encontrada em dom Afonso, filho natural de dom João I, significativamente mais velho do que os infantes seus irmãos e de idade muito similar a dona Beatriz. A bastardia de dom Afonso garantia a Nuno Álvares Pereira a proximidade desejada com a casa real mas independência quanto bastasse. É interessante notar que, apesar de Nuno Álvares Pereira ter conseguido a construção de uma casa que o veria sempre como o fundador, quer a nível patrimonial quer ao nível do capital simbólico, os seus descendentes nunca adoptaram o seu apelido, Pereira. Pelo contrário, estes, à semelhança da família real, de quem também descendiam (ainda que por via bastarda), não utilizavam apelido.

Afonso nasceu entre os anos de 1370 e 137734, filho de Inês Pires e de João I, na altura, mestre de Avis, no castelo de Veiros, em Estremoz. Foi ali criado por sua mãe e mais tarde em Leiria por Gomes Martins Lemos, conselheiro régio. Desta união, que nunca foi legitimada, nasceria também uma filha, dona Beatriz, futura condessa de Arundel». In Maria Barreto Dávila, D. Fernando I, 2º duque de Bragança, Vida e Acção Política, Dissertação de Mestrado, FCSHumanas, UNLisboa, 2009.

Cortesia de FCSH/UNL/JDACT

Casa de Bragança, Cultura e Conhecimento, JDACT, História, Maria Barreto Dávila, Política,

sábado, 21 de janeiro de 2023

D. Fernando I. 2º duque de Bragança. Maria Barreto Dávila. «… tentando destrinçar o seu comportamento diferenciado em relação ao seu pai e irmão, para além das outras principais figuras políticas suas contemporâneas, quanto à política do Reino»

Cortesia de wikipedia e jdact

«(…) Contudo, durante muito tempo a biografia foi considerada como um modelo historiográfico menor, mais ligado à apologia do que a uma análise isenta e rigorosa. Também em Portugal, a biografia foi até muito recentemente um género desconsiderado. A Colecção Reis de Portugal dirigida por Roberto Carneiro e com coordenação científica de Artur Teodoro Matos e João Paulo Oliveira Costa, veio mudar este panorama. Estas biografias régias trouxeram novas perspectivas à historiografia portuguesa, tornando-se obras fundamentais para a compreensão da história do nosso país. Brevemente será também publicada uma biografia do infante dom Henrique, intitulada Henrique, o infante, da autoria de João Paulo Oliveira Costa.

Tendo em vista a elaboração de um estudo biográfico sobre D. Fernando, 2.º duque de Bragança e considerando que os estudos precedentes sobre a casa de Bragança deixaram algumas problemáticas em aberto, foi nosso objectivo proceder à recolha de dados prosopográficos de dom Fernando e à caracterização do seu pensamento político tentando destrinçar o seu comportamento diferenciado em relação ao seu pai e irmão, para além das outras principais figuras políticas suas contemporâneas, quanto à política do Reino. Outras linhas de análise foram trilhadas através do exame da sua participação nos projectos expansionistas no Norte de África, da evolução do seu património e da sua estratégia de perpetuação da linhagem da sua casa. Para tal foi indispensável caracterizar tanto o contexto sociopolítico em que dom Fernando viveu como o seu âmbito familiar.

As fontes utilizadas na elaboração desta tese compuseram-se, na sua grande maioria, de documentação da chancelaria régia, seguindo-se alguma documentação do Arquivo da Casa de Bragança. Contudo, as fontes mais interessantes para a caracterização do pensamento político de dom Fernando são os inúmeros conselhos por ele redigidos, assim como as Crónicas de dpm João I, dom Duarte e dom Afonso V. No entanto, há lacunas na documentação que não nos permitiram analisar certos aspectos biográficos de dom Fernando. Infelizmente, com excepção da Chancelaria de dom Afonso V, não existem mais documentos relativos ao período em que o conde de Arraiolos assumiu a capitania da praça de Ceuta, pelo que não possuímos relatos dos acontecimentos políticos e militares desse período, o que nos impede de identificar os nobres que o acompanharam durante a sua capitania. Também os anais dedicados a Ceuta são parcos em informações acerca do governo de dom Fernando, relatando apenas o episódio da sua vinda ao Reino durante o agudizar dos conflitos entre o duque de Bragança, seu pai, e o infante dom Pedro. As fontes utilizadas também não nos permitiram entrar na esfera privada de dom Fernando. Este estudo, tal como o nome indica, incidirá, portanto, maioritariamente na vertente política do indivíduo biografado.

Apesar de ser usual, por uma questão de comodidade, referirmo-nos aos três condes de Barcelos, Ourém e Arraiolos como casa de Bragança, nesta dissertação tentaremos evitar esta designação para o período anterior a 1442, data em que dom Afonso, conde de Barcelos, acedeu ao ducado brigantino. Aliás, apesar de por vezes agirem conjugadamente, numa óbvia solidariedade familiar, os três condes são titulares de casas que coabitam em simultâneo, mas que são independentes. É nosso entender que a maior dependência será sempre entre o conde de Ourém, filho primogénito, e o seu pai, o conde de Barcelos. A prová-lo temos o episódio ocorrido durante a regência do infante dom Pedro aquando da criação do ducado de Bragança. Pai e filho estavam interessados nas terras brigantinas e dom Pedro resolveu a querela entregando o ducado ao conde de Barcelos, tendo a justificação para a sua decisão recaído no facto de que, sendo o primogénito, o conde de Ourém herdaria, ainda que a médio prazo, as propriedades do pai.

Dom Fernando, secundogénito, ficava de fora desta equação. A sua casa, a de Arraiolos/Vila Viçosa, seria totalmente independente das outras duas até à morte do irmão e sua consequente nomeação como herdeiro da casa de Bragança. Esta dissertação terá, portanto, como objectivo analisar a actuação de dom Fernando enquanto chefe da casa de Arraiolos/Vila Viçosa e, posteriormente, enquanto segundo duque de Bragança» In Maria Barreto Dávila, D. Fernando I, 2º duque de Bragança, Vida e Acção Política, Dissertação de Mestrado, FCSHumanas, UNLisboa, 2009.

Cortesia de FCSH/UNL/JDACT

Casa de Bragança, Cultura e Conhecimento, JDACT, História, Maria Barreto Dávila, Política,

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

D. Fernando I. 2º duque de Bragança. Maria Barreto Dávila. «A nobreza medieval portuguesa tem sido alvo de importantíssimos estudos, que se dedicam maioritariamente ao estudo da família nobre e da casa senhorial»

Cortesia de wikipedia e jdact

Com a devida vénia à Mestre Maria Barreto Dávila

Vida e Acção Política
«(…) A mudança política ocorrida com a subida ao trono de João I, a guerra contra Castela, a conquista de Ceuta em 1415 e a consequente criação das casas dos infantes tiveram um enorme reflexo na nobreza portuguesa de Quatrocentos. O esforço de legitimação de poder da nova dinastia de Avis fora acompanhado por uma importante política de mercês e doações a um número diminuto fidalgos que a haviam apoiado ao longo da crise sucessória, propiciando assim a formação de casas senhoriais com uma expressiva base territorial. O maior beneficiado destas doações foi, indiscutivelmente, o condestável Nuno Álvares Pereira que casou a sua única filha e herdeira com o filho bastardo do monarca, Afonso, conde de Barcelos. Nos anos de 1420, Afonso, era o único dos filhos de João I com filhos adultos e titulados. Estes, engrandecidos desde muito cedo pela herança do avô materno, foram imediatamente lançados para uma posição superior à dos servidores mais antigos da coroa. Afonso, conde de Ourém, e Fernando, conde de Arraiolos, não tiveram sequer que aguardar pela herança paterna. Contrariando a tendência das práticas de herança da nobreza, que optava pela reserva do núcleo patrimonial principal para o primogénito, o condestável optou por uma divisão igualitária dos seus bens, títulos e capital simbólico pelos seus netos e genro que passaram a ostentar todos os seus títulos.
O título de conde voltara a ser usado em Portugal no século XIV. Se anteriormente o título representava o exercício de um cargo público, nesta centúria surgiu como uma distinção excepcional, ao título juntava-se a propriedade da terra. Entre os reinados de Dinis I e Pedro I houve, contudo, apenas um título de conde, o de Barcelos, e no reinado de Fernando I dois, o de conde de Ourém e o de conde de Arraiolos. No reinado de João I, e numa altura em que o raio de incidência social da titulação era muito restrito e se limitava, praticamente, a membros da família real, Afonso e os seus filhos detinham os três condados existentes no Reino integrando o topo da nobreza da qual faziam também parte os senhores da terra, detentores de jurisdição, de cargos de administração central, de ofícios palatinos superiores e alguns alcaides-mores. Isto conferia-lhes uma enorme mobilidade de acção e um inumerável desdobrar de solidariedades. Note-se que muitas vezes os três condes se encontraram em facções opostas, como foi o caso da posição que assumiram em relação ao infante Pedro.

Actualmente, devemos grande parte do nosso conhecimento sobre a casa de Bragança aos estudos de Mafalda Soares Cunha sendo que para a época que pretendemos estudar, a obra intitulada Linhagem, Parentesco e Poder. A Casa de Bragança (1384-1483) é uma indispensável base de suporte. Nesta obra a autora caracterizou a reprodução do poder social da casa sendo que o âmbito da sua análise foi o da linhagem, englobando todos os descendentes directos de Nuno Álvares Pereira na análise da afirmação política e consolidação do poder social da casa de Bragança, tendo embora em atenção que os protagonistas decisivos foram os titulares da casa. A sua obra foi, portanto, o nosso ponto de partida para o estudo biográfico do segundo duque de Bragança.
Existem muito poucos estudos de cariz biográfico respeitantes a elementos da casa de Bragança, entre eles encontra-se a obra de Montalvão Machado, Dom Afonso, 8.º Conde de Barcelos, fundador da Casa de Bragança, dedicada ao primeiro duque; o estudo de Anastácia Salgado sobre o marquês de Montemor e os artigos elaborados por João Silva Sousa acerca do conde de Ourém. Aliás, o conde de Ourém tem sido alvo de inúmeras obras, algumas teses em curso, e até de um congresso. Para além da obra de Mafalda Soares Cunha e do capítulo, de cariz biográfico a ele dedicado na Historia Genealógica da Casa Real Portuguesa, sobre Fernando, nosso objecto de estudo, muito pouco se escreveu. Dado este panorama historiográfico pareceu-nos pertinente a realização de um estudo biográfico de uma das personagens politicamente mais influentes do século XV português. Este é, portanto, um estudo de caso, onde tentaremos reconstruir o percurso político e as relações pessoais de dom Fernando tal como uma biografia.
A nobreza medieval portuguesa tem sido alvo de importantíssimos estudos, que se dedicam maioritariamente ao estudo da família nobre e da casa senhorial. Para o nosso trabalho destacamos os estudos de Mafalda Soares Cunha dedicados à casa de Bragança, o de Luís Filipe Oliveira sobre a casa dos Coutinhos; o estudo sobre os Pimentéis de Bernardo Vasconcelos Sousa; o de João Silva Sousa sobre a casa senhorial do infante Henrique e, finalmente, os estudos de Nuno Silva Campos dedicados ao primeiro capitão de Ceuta, Pedro Meneses, e à construção da casa de Vila Real. Estes últimos estudos apresentam, aliás, um carácter mais biográfico. Não podemos deixar aqui de referir também os estudos levados a cabo pelos investigadores do Centro de História de Além Mar, quer os de cariz biográfico, inseridos na obra A Nobreza e a Expansão. Estudos Biográficos, quer os de análise das relações entre a alta nobreza do Reino e a expansão portuguesa, como por exemplo, as actas do colóquio internacional A Alta Nobreza e a Fundação do Estado da Índia». In Maria Barreto Dávila, D. Fernando I, 2º duque de Bragança, Vida e Acção Política, Dissertação de Mestrado, FCSHumanas, UNLisboa, 2009.

Cortesia de FCSH/UNL/JDACT

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

D. Fernando I. 2º duque de Bragança. Maria Barreto Dávila. «Fernando, 3º conde de Arraiolos, 1º marquês de Vila Viçosa e 2º duque de Bragança, nasceu por volta do ano de 1403, filho segundo de Afonso, bastardo legitimado do rei D. João I e de dona Beatriz Pereira…»

Cortesia de wikipedia e jdact

Com a devida vénia à Mestre Maria Barreto Dávila

Vida e Acção Política
«Fernando, 2º duque de Bragança,  nasceu por volta do ano de 1403, filho segundo de Afonso, bastardo legitimado do rei João I e de dona Beatriz Pereira, única herdeira de Nuno Álvares Pereira. A 4 de Abril de 1422 o condestável assegurou casas para os seus netos, desfazendo-se do seu património em favor dos mesmos, assegurando-lhes assim uma importantíssima posição social e a perpetuação da sua linhagem. O duque Fernando ficou com o núcleo de propriedades alentejanas do condestável e com o título de 3º conde de Arraiolos. Casou em Dezembro de 1429 com dona Joana Castro. Deste casamento nascerem oito filhos: Fernando, herdeiro da Casa de Bragança, João, marquês de Montemor-o-Novo; Afonso, conde de Faro; Álvaro; dona Isabel; dona Beatriz, marquesa de Vila Real; dona Guiomar, condessa de Valença e dona Catarina. Nos anos de 1430, dom Duarte pediu conselhos acerca de uma participação portuguesa na conquista de Granada e sobre uma nova expedição a Marrocos. No seu conselho, de 22 de Abril de 1432, Fernando defendeu a ida do infante Henrique à conquista de Granada e enumerou os benefícios políticos que o rei Duarte I poderia obter com esta intervenção. Sobre a prossecução das campanhas militares portuguesas em Marrocos manifestou-se contra. Contudo, quando Duarte I se decidiu a favor da prossecução da guerra marroquina, foi nomeado condestável da frota que tentou a conquista de Tânger, em 1437. No Reino, o conde liderou a força minoritária que, em cortes, se opôs à entrega da cidade de Ceuta em troca do infante Fernando. Em 1438, após a morte de Duarte I, foi nomeado para a regência quadripartida, cabendo-lhe a administração da justiça. Interveio também nos conflitos armados do início da regência defendendo o partido do duque de Coimbra. Todavia não estaria no Reino para presenciar as divergências entre o seu pai e o infante Pedro, que culminariam na Batalha de Alfarrobeira, porque em 1445 foi nomeado para capitão de Ceuta. Após Alfarrobeira, solicitou ao rei o seu regresso a Portugal. Em 1455 foi-lhe concedido o título de marquês de Vila Viçosa, como agradecimento pelos serviços prestados à Coroa. Nestes seis anos em que foi marquês, participou na conquista de Alcácer-Ceguer e, em 1460, foi um dos três nobres que escreveram pareceres a Afonso V aconselhando-o sobre a situação política externa.
Quando o marquês de Valença morreu em Tomar a 29 de Agosto de 1460, antes do pai e sem deixar sucessão legítima, Fernando tornou-se o herdeiro do ducado de Bragança, ao qual ascendeu em 1461. Voltou pela última vez a Marrocos em mais uma tentativa de conquista de Tânger, em 1463-64. Em 1471, quando o rei partiu à conquista de Arzila ficou no Reino como regente. Voltaria a dar a sua opinião sobre a política ibérica em 1475, manifestando-se contrário à vontade de Afonso V casar com sua prima, dona Joana. Morreu no ano de 1478, sucedendo-lhe no ducado o seu filho primogénito» In Resumo

«Fernando, 3º conde de Arraiolos, 1º marquês de Vila Viçosa e 2º duque de Bragança, nasceu por volta do ano de 1403, filho segundo de Afonso, bastardo legitimado do rei D. João I e de dona Beatriz Pereira, única herdeira do condestável Nuno Álvares Pereira. Foi um dos senhores mais poderosos do seu tempo e um dos nobres mais influentes e activos das cortes de Duarte I e Afonso V. A primeira notícia que dele existe data de 4 de Abril de 1422 quando, à semelhança do que João I havia feito com os seus filhos, Nuno Álvares Pereira assegurou casas para os seus netos (Afonso, dona Isabel e Fernando), desfazendo-se do seu património em favor dos mesmos. Ao fazê-lo o condestável assegurou-lhes uma importante posição social, um possível casamento com membros da alta nobreza e até da casa real e, sobretudo, assegurou a perpetuação da sua linhagem. Fernando, ficou com o núcleo de propriedades alentejanas do condestável e com o título de 3º conde de Arraiolos. Para além do legado recebido do Condestável, os irmãos Fernando, Afonso e dona Isabel aumentaram o seu poder e prestígio tanto através de acções individuais como pelo casamento. Foi o caso de dona Isabel que casou com o seu tio, o infante João, protagonizando assim uma nova ligação da família à casa real. O conde de Arraiolos teve um papel de destaque em Marrocos, onde participou como condestável na mal fadada expedição a Tânger em 1437, foi capitão in solido da praça de Ceuta durante os anos de 1445-1451 tendo estado também presente na conquista de Alcácer-Ceguer. Quando o seu irmão Afonso, marquês de Valença, morreu antes do pai e sem deixar sucessão legítima no ano de 1460, Fernando, então marquês de Vila Viçosa, tornou-se herdeiro do ducado de Bragança, ao qual ascenderia no ano seguinte». In Maria Barreto Dávila, D. Fernando I, 2º duque de Bragança, Vida e Acção Política, Dissertação de Mestrado, FCSHumanas, UNLisboa, 2009.

Cortesia de FCSH/UNL/JDACT