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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Paleontologia. Revista Nature: Na vida dos hominídeos eles ficavam, elas vinham, sugere estudo da Nature. «Não sabemos se as fêmeas derivaram de outro grupo, se vieram de propósito, ou se foram sequestradas; não temos forma de saber esse tipo de detalhes, mas na generalidade, a maioria das fêmeas veio de outro lugar»

Cortesia de nature

Paleontologia.
Na vida dos hominídeos eles ficavam, elas vinham, sugere estudo da Nature.
«Há mais de um milhão de anos, na savana situada no que é hoje a África do Sul, os grupos de hominídeos teriam uma história de vida diferente consoante fossem machos ou fêmeas. Um estudo publicado esta quarta-feira na Nature sugere que enquanto os hominídeos masculinos mantinham-se no mesmo habitat desde que nasciam até à morte, as fêmeas teriam crescido num local diferente e acabavam por morrer noutra região.

A descoberta não foi feita a partir de fósseis novos encontrados. O trabalho de uma equipa internacional de cientistas dos Estados Unidos, da Alemanha, Suiça, Inglaterra e da África do Sul utilizou técnicas diferentes para recolher esta informação. O estudo focou-se nos fósseis de dentes de duas espécies de hominídeos. O Australopithecus africanus, viveu há 2,2 milhões de anos e foi possivelmente antepassado directo do Homem, e o Paranthropus robustus, que viveu há 1,8 milhões de anos, e foi um primo.
Os fósseis de cada espécie foram encontrados em duas grutas no Noroeste da África do Sul, que estão a poucos quilómetros de distância uma da outra. A equipa analisou a quantidade relativa de um metal chamado estrôncio, que existe no esmalte dos dentes. Este elemento químico está nos minerais e é absorvido pelas plantas, entrando assim nos ecossistemas. Durante o crescimento dos animais, o estrôncio acumula-se no esmalte dos dentes. A percentagem relativa de isótopos deste metal que existe no ambiente vai ficar registada nos dentes e serve de assinatura do local onde os hominídeos cresceram.

"Mrs Ples", the most famous example of Australopithecus africanus
from Sterkfontein cave in South Africa, probably grew up far from the cave where she died.Darryl de RuiterFossilized teeth of early human ancestors bear

Cortesia de nature
«Um dos nossos objectivos foi tentar encontrar algo sobre o uso da paisagem dos primeiros hominídeos», disse em comunicado Sandi Copeland, primeira autora do artigo da «Nature», que trabalha no Instituto Max Planck, em Leipzig, Alemanha. «Aqui, tivemos um vislumbre directo dos movimentos geográficos dos primeiros hominídeos, e parece que as fêmeas moviam-se preferencialmente para longe dos grupos onde residiam». A equipa analisou fósseis de oito indivíduos de Australopithecus africanus e 11 de Paranthropus robustus. A percentagem relativa de isótopos de estrôncio nos dentes das fêmeas, que por norma são mais pequenos, mostrava que pelo menos metade tinham vindo de outro sítio. Enquanto nos machos esta percentagem era apenas de dez por cento.


«O que os resultados mostram é que as fêmeas vinham mais de fora da região do que os machos. Não vinham de muito longe, mas não era o mesmo grupo natal onde cresceram», disse à BBC News Julia Lee-Thorpe, investigadora da Universidade de Oxford que fez parte da equipa. «Não sabemos se as fêmeas derivaram de outro grupo, se vieram de propósito, ou se foram sequestradas; não temos forma de saber esse tipo de detalhes, mas na generalidade, a maioria das fêmeas veio de outro lugar». Este comportamento é o que acontece nos chimpanzés, onde os machos ficam no mesmo sítio onde nascem e as fêmeas são obrigadas a abandonar o grupo para não haver consanguinidade. Algo que não acontece, por exemplo nos gorilas, onde tanto os machos como as fêmea migram do grupo onde nasceram».

Cortesia do Jornal Público/Revista Nature/JDACT

terça-feira, 21 de setembro de 2010

AFP: Tempestades no Ártico diminuirão com aquecimento global. Estudo da Universidade de Reading no Reino Unido

Cortesia de nature
As tempestades no Ártico irão diminuir com o aquecimento global, diz um estudo recentemente publicado.
Segundo a AFP, Paris, as breves mas violentos ocontecimentos meteorológicos vulgarmente designados por tempestades no Ártico e associadas às conhecidas como depressões polares, provavelmente tornar-se-ão muito menos frequentes à medida que se intensificar o aquecimento global. Quem o afirma é a revista científica britânica Nature, segundo um artigo publicado na passada quarta-feira.

 
As depressões polares surgem em latitudes mais elevadas e nas regiões que não são congeladas por efeito do rigor do Inverno no Atlântico Norte. A sua influência pode originar fenómenos adversos e uma   forte ameaça para os petroleiros e para as plataformas petrolíferas.

De acordo com o estudo, os climatologistas da Universidade de Reading, próxima do ECMWF, European Centre for Medium-Range Weather ForecastsCentro Europeu de Previão do Tempo a Médio Prazo, no Reino Unido, a média destas tempestades foi de 36 por temporada no século XX.

Cortesia de Matthias Zahn
Os modelos físico-matemáticos afirmam que por volta do ano de 2100, a proporção irá diminuir para 17 e 23 acontecimentos adversos por temporada, dependendo das contracções de gases causadores do efeito de estufa.

«A ocorrência, no futuro, mal corresponderá a metade» disse à AFP Matthias Zahn e Hans von Storch do Centro de Ciências de Sistemas Ambientais, da citada universidade.A simulação baseou-se em três cenários de emissões de gases-estufa, usados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
A razão para esta diminuição é explicada pela mudança na diferença de temperatura entre a superfície do oceano atmosfera envolvente, nomeadamente na troposfera.

Modelo de circulação,de uma única célula, segundo Hadley no século XVIII
Cortesia de atmosphere
É esta diferença que faz com que a depressão polar se desenvolva. Alterações nesta relação impedem a formação e a intensificação da tempestade, destacou o artigo.Mais afirma Zahn, que novos trabalhos estão a ser desenvolvidos para simular as depressões polares no Pacífico Norte.

Cortesia de AFP/Paris, AFP 2010/JDACT